História Porto da Rainha - Capítulo 10


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Palavras 1.322
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Drogas, Incesto
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 10 - Sem respostas


Camila deu um pulo, assustada, por estar distraída, olhando aquelas bizarras lápides, e Alan a segurou pelo braço.

- Precisamos ir, já está tarde e logo vai anoitecer e o caminho de volta é longo – ele recomendou, apesar de querer continuar olhando as inscrições dos mausoléus, achou melhor aceitar o conselho dele, pois suas tias já deviam estar nervosas com a demora, então, assentiu com a cabeça, começando o seu caminho de volta descendo a colina, lado a lado, Camila encarava o chão, sentia um vazio dentro do peito.

- Decepcionada? – Alan indagou, com o olhar solidário.

- Um pouco, esperava encontrar o túmulo do meu pai – ela admitiu, tristonha, dando de ombros.

- Mesmo que ele estive lá, não seria nada, só um monte de ossos e pedras – Alan retrucou, sem entender essa obsessão, Camila parou e o encarou.

- Você não sabe o que é desconhecer seu passado. Não saber quem você é – Camila revelou como uma leve reprimenda, de um jeito trise. Nesse instante, Alan sustentou o olhar, sem conseguir conter a vontade de beijá-la, assim ele se inclinou bem devagar e tocou com seus os lábios dela, suavemente, ela não se afastou ficaram parados por algum tempo, sem se mexer, não querendo quebrar a magia, que as mãos se ergueram e a envolveram em um abraço que durou intermináveis segundos. Então, Camila o empurrou, lentamente, até afastarem-se.

- Alan, eu sei que você está sentindo, porque eu lembro sua ex-namorada, talvez, esteja confundindo as coisas – Camila ponderou, imaginando o que se passava na cabeça dele, não queria ser uma mera substituta.

- Não, Camila, sei muito bem o que sinto agora, e não é só porque você se parece com Cintia. É muito estranho, mas desde que nos conhecemos, naquele dia, na escola, foi como estivesse esperando por você a minha vida toda – Alan revelou, ainda a olhando nos olhos, Camila sustentou o olhar, sabendo bem do que ele estava falando, pois foi igual ao que ela sentiu quando, encontraram-se pela primeira vez.

- Deve ter sido pelo susto de encontrar alguém como eu, que lembrava tanto uma pessoa que você amou e perdeu, por isso está confundindo o que sente por mim – ela insistiu na sua tese, não queria se iludir, mas ele fechou os olhos, balançou a cabeça em negativa.

- Não, eu não sei como foi com Cíntia, porque nos conhecemos desde criança, não me lembro como ou quando foi a primeira vez que nos vimos, mas ficamos juntos e namoramos, tudo muito natural, todos falavam que eram o nosso destino, ficarmos juntos – Alan explicou, a olhando nos olhos. – Não houve surpresa, era para ser e pronto. Então, quando ela morreu, daquela maneira tão violenta, me senti perdido, não sabia o que faria da minha vida dali em diante, era como se soubesse que nunca mais amaria ninguém.

- Não está vendo, Alan, é isso!  Você quer que eu substitua Cíntia na sua vida, para preencher o vazio que ela deixou – Camila argumentou, mesmo que não gostasse dessa ideia, mas não queria ser somente substituta. – Não estou zangada, por isso, até posso entender como deve ter sido para você, perder alguém que amava.

- Não é nada disso, Camila. Foi algo mais forte, algo que não posso explicar – Ansioso, Alan queria convencê-la, sem sucesso, ela não conseguia compreender o que sentia agora. – Por isso, estava evitando você, porque não queria que acreditasse que era uma substituta de Cíntia, pois, eu mesmo estava achava isso, mas sei muito bem o que sinto por você.

 - Alan, não dá para ser assim, a gente mal se conhece, acho que você está confuso. Vamos deixar as coisas rolarem, sem forçar a barra, sem esperar por nada, a gente tem todo o tempo do mundo a nosso favor – ela considerou, com um sorriso carinhoso. – Temos que ir agora, minhas tias devem estar apavoradas com o meu sumiço - Alan concordou com a cabeça.

- Você quer muito saber sobre o seu pai? – Alan perguntou, depois de certo tempo caminhando em silêncio, pretendia provar-lhe que o que sentia era real e não uma ilusão da retomada de um amor perdido.

- Sim, eu queria muito – Camila afirmou, com convicção, precisava saber da sua história. – Eu queria ver uma foto dele, saber como ele era.

- Tem o arquivo da cidade, fica na biblioteca pública, onde guardam os registros de tudo que acontece por aqui – Alan revelou, para surpresa de Camila.

- Essa cidade tem um arquivo e uma biblioteca pública? – questionou, incrédula.

- Claro – Alan a encarou, sem entender toda aquela surpresa. – Prezamos muito pela cultura, por nossa história e nossas memórias – ele recitou, como estivesse lendo uma cartilha.

- Podemos ir lá agora? – Camila, ansiosa, já se esquecera das tias.

- Não – ele respondeu, mordendo os lábios e sacudindo a cabeça – Está fechado, agora. Vamos, amanhã depois da escola. Combinado.

- Ok, combinado – Camila aceitou, e os dois continuaram o seu caminho, lado a lado, até chegarem na frente da casa dela.

- Então, até amanhã na escola – Alan se despediu, sem saber o que fazer, naquele momento. Vendo sua dúvida, ela ficou nas pontas dos pés para dar um beijo no seu rosto.

- Até amanhã, Alan – ela disse e ele continuou andando para sua casa, com as mãos nos bolsos. No entanto, antes de entrar pela porta, Camila deu uma última olhada para grande escura casa do outro lado da rua, sentindo aquela estranha sensação de ser vigiada.

-Você já leu muito Stephen King, Camila – falou e riu de si mesma, enquanto fechava a porta.

Preparada para levar uma tremenda bronca, Camila entrou, sorrateira, na cozinha, onde suas tias discutiam a melhor maneira de fazer uma receita de biscoitos, parou, silenciosa, na porta e esperou ser notada. Foi Mary, quem percebeu primeiro a presença dela, a olhou sem muito interesse.

- Oi, Camila. Você já está em casa? – ela falou, de modo casual, deixando a garota chocada.

- Acabei de chegar – Camila respondeu, estranhando aquela atitude descontraída.

- E aonde você estava? – Rose perguntou, sem preocupação, colocando mais açúcar na massa que Mary estava misturando, que olhou para irmã de cara feia, claramente, desaprovando aquele ato.

- Com uns amigos – ela mentiu, não queria perguntas sobre Alan.

- Que bom que está se enturmando! – Rose declarou, sem tirar os olhos dos tabuleiros, que começou a untar. – Estamos fazendo biscoitos – ela mudou completamente de assunto –, para dar de presente para Sofia. A pobrezinha, está sofrendo tanto.

- Ela já não está muito gorda para você ficarem a enchendo de doce? – Camila observou, com acidez.

- Não fale dessa maneira dela! – Rose a repreendeu com vigor visivelmente alterada. – Você não sabe o que a coitada passou pelos seus filhos e o que fez por essa cidade, por isso devemos a tratar da melhor maneira possível e com todo respeito e honra que ela merece.

- Desculpe, não queria ofender mais só acho que tanto doce não pode fazer bem para a saúde de uma pessoa tão velha e gorda – Camila repetiu o comentário, sem maldade.

- Por favor, para com isso, Camila! – Mary falou com muita seriedade, encarando a garota com um olhar duro.

- Tudo bem! Mas ainda acho que... – Camila insistiu.

- Pare com isso, Camila! – Mary gritou, irritada, como nunca fizera antes, assustando a sobrinha.

- Ok! Vou para o meu quarto – Camila concluiu, aborrecido, virando e saiu, pisando firme.

Rose e Mary se entreolharam, desolada.

- Ela nunca vai entender, Rose – lamentou-se Mary, balançando a cabeça como para espantar essa ideia.

- Precisamos de tempo, quando chegar o momento e ela souber da verdade, entenderá. Eu tenho esperança - respondeu Rose à sua irmã incrédula.

Camila entrou, no seu quarto e se jogou na cama, que gemeu sob o seu peso, estava aborrecida, mas, principalmente, estava atônita, com o comportamento das suas tias desde que se mudaram para aquela estranha cidade, esquecida do mundo.



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