História Porto da Rainha - Capítulo 11


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Exibições 4
Palavras 1.422
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Drogas, Incesto
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 11 - Um beco sem saída


A última aula era sobre história francesa, dada com muita ênfase pela professora e ouvida com muito interesse pelos alunos, todos ali eram muito orgulhosos de suas tradições e ascendência deste país, apesar de seus ancestrais terem fugido de lá. No entanto, os pensamentos de Camila não estavam ali, mas fixados nos ponteiros de relógio, que se moviam mais lentamente do que o desejado. Até que enfim, o sinal tocou e as aulas terminaram, Camila procurou por Alan com os olhos, enquanto guardavam os seus materiais.

- Nós iremos no arquivo hoje? – Camila perguntou, baixinho, enquanto saiam, não querendo ser ouvida pelos outros.

- Vamos, eu prometi, não foi? – Ele sorriu, conciliador para ela.

No caminho da biblioteca pública, no centro da cidade, atrás da prefeitura, avistaram ao longe, a grande e sombria casa dos Beaucastel.

- Lá está ela! –Camila comentou, sentindo um arrepio só de olhá-la – Essa casa me mete medo.

- Por que? – Alan não entendia aquele receio, já que, tinha crescido naquele lugar e conhecia aquela casa desde de pequeno, ninguém se assustava com ela.

- Ela é tão sombria, as cortinas vivem fechadas, mesmo durante o dia e quando está sol, às vezes, vejo da minha janela, pessoas indo até lá, sempre levando algum presente.

- Aquela casa pertence à família mais antiga daqui, foram eles que fundaram, mandam e sustentam a cidade, a fábrica de louça pertence a eles e quase todo mundo trabalha lá, inclusive o meu pai - Alan explicou, de modo casual, dando de ombros. – Nunca me importei com ela, sempre esteve ali durante toda a minha vida, mas a família Beaucastel é vista com muito respeito pelos mais velhos, talvez, por seus empregos dependerem deles.

- Pode ser, mas tenho pena daquela mulher, a mãe delas, ela parece tão doente e é tão gorda - Camila comentou, ainda impressionada com a imagem de Sofia, sendo auxiliadas e alimentadas pelas filhas.

- Eu nunca a vi, ela jamais sai de casa, deve ser por isso, mas o que eu sei é que tudo mundo a respeita muito e fala que as filhas cuidam dela muito bem – Alan falou, dando de outros.

- Pode ser, mas ela não tem vida própria, dependente dos outros para tudo até mesmo para comer, e vivem a entupindo de doces – Camila sentiu um arrepio subir pela sua espinha, só em pensar em algo parecido acontecer com ela.

- Ali é a prefeitura e biblioteca fica naquele prédio anexo, lá também serve como arquivo de antigos documentos da cidade – Alan falou, apontando para uma construção de linhas clássicas e em um estilo do final do século XIX, não era muito grande, mas, mesmo assim, imponente – Uma mulher é responsável pelo arquivo há muito tempo. Mas, cuidado! Porque ela é mal-humorada e muito geniosa, então não a irrite, pois, poderá nos expulsar de lá – ele advertiu e Camila assentiu com a cabeça, que compreendera o aviso.

Como pelo lado de fora, ao interior do lugar era grandioso e sombrio, com linhas rígidas, o chão e as paredes recobertos de mármore e a algumas grandes mesas grandes e escuras circundadas por cadeiras pesadas, pouca luz entrava pelas janelas altas, porém, a principal iluminação da sala, vinham de frias lâmpadas fluorescentes, dando ao lugar um ar mais estranho.

Os dois jovens se aproximaram do pesado balcão de madeira escura trabalhada, atrás dele uma senhora idosa, pequena, de cabelos grisalhos presos em um coque esticado no alta da cabeça, escrevia em fichas de papel cartão.

- Boa tarde – Alan a cumprimentou e esperou, ela ergueu a cabeça e os olhou por cima dos óculos de leitura, de um jeito curioso.

- Boa tarde. Em que posso ajudá-los, meus jovens? – A senhora indagou de uma forma na prestativa, olhando-os com certo interesse. Algo nela, fez com que Camila se lembrar das suas tias, mas, afinal, em uma cidade tão pequena, devem haver muitos parentescos, ela concluiu.

- Gostaríamos de ver alguns antigos registros dos moradores da cidade – Alan pediu, com muita educação, a mulher os olhou de alto a baixo.

- Por que? – Ela foi direita, encarando-os, Camila engoliu em seco, sem saber se contava ou não a verdade, então deu um longo suspiro, tomando uma decisão.

- Eu quero conhecer a história de um ancestral, estou curiosa – Ela contou uma meia verdade, a senhora a fitou por algum tempo, julgando se ela dizia a verdade ou não.

- Qual o período? – Ela, finalmente, indagou.

- Entre 1980 e 1998 – Camila calculou pela sua idade.

- Um período muito recente para um ancestral – Observou a mulher, em tom ferino.

- É o período que pode ter morrido – De novo, Camila contou uma meia verdade, houve mais uma breve pausa.

- Seção 15, prateleira E-17 – ela indicou, sem fazer nenhuma consulta.

- Obrigada – A garota agradeceu, sem acreditar que conseguiu, entrando rapidamente, no corredor pouco iluminado, ladeado por compridas e altas estantes de madeiras, repleta de livros, o lugar tinha um cheiro antigo de poeira, papel velho e mofo. Seguindo as indicações das placas de metal presa na lateral de cada estante, encontraram a procurada.

- É aqui – indicou Alan, quase sussurrando.

- A estante é a E-17 – Camila repetiu as instruções, com os olhos aguçados, tentando ver com a pouca luz. – Aqui! Encontrei! – exclamou, feliz, puxando com cuidado, os grandes livros, cujas as lombadas indicavam registro de moradores de 1980 a 1989 e 1990 a 1999 – Vamos começar com esses dois, se não estiver aqui podemos pegar o outro – sugeriu, enquanto Alan a ajudava carregá-los até a mesa mais próxima.

- Eu fico com um e você olha o outro – Ele sugeriu, pegando um dos livros.

- Ele era jovem bem jovem, quando morreu, segundo a minha tia Ágata – Camila observou, se lembrando das informações da velha senhora. – E, pelo o que ela falou, ele morreu antes de eu nascer, então, foi entre 1997 e 1998 – Ela começou a pesquisar o 2º livro, de trás para frente, neles estavam registrados, as datas de nascimento e morte que aconteceram na cidade naquele período. Seu coração bateu, quando ela encontrou seu nome escrito ali, havia uma estranha e irreconhecível marca ao lado dele. Logo acima do nome dela, estava o nome de Cintia, a ex-namorada morta de Alan, ela tinha a mesma marca, como uma letra rebuscada que ela não reconheceu, porém, elas haviam nascido no mesmo ano, mas em datas diferentes, acabando com a teoria que poderiam ser irmãs gêmeas, talvez, tivessem algum parentesco. O nascimento de Alan estava registrado ali, também. Mas, ela não encontrava o registro da morte do seu pai.

- O nome do seu pai não está aqui, nem o da sua mãe – reconheceu Alan, quase ao mesmo tempo que Camila – Será que ele era mais velho? – Ele levantou a hipótese.

- Ou o nome está errado. Minha tia pode ter se enganado, ela já está velha, pode ter confundido o nome – Camila suspeitou e continuou a olhar os registros na esperança de alguma pista. – Engraçado, eles não anotam os nomes dos pais aqui – ela reparou, que só estava registrado o nome do recém-nascido e a hora e data de nascimento, era também assim com os óbitos, curiosa, ela virou a página e encontrou outra marca ao lado do nome de uma garota um pouco mais nova chamada Clarice. – Alan, tem mais alguém nesse livro com essa marca do lado nome? – perguntou, mostrando a marca a ele.

- Não – ele declarou, repassando as folhas, rapidamente.

- Veja ela está aqui, do lado no meu nome, de Cintia e dessa tal de Clarice. Será por que somos órfãs ou nossos pais são desconhecidos? – Ela cogitou.

- Não, os pais de Cíntia ainda estão vivos e eu nunca conheci nenhuma Clarice da nossa idade nessa cidade – Alan informou, depois de refleti por alguns instantes.

- Será que ela morreu? – Camila perguntou, assolada por uma curiosidade mórbida.

- Podemos ver os outros livros – Alan propôs, já se levantando para voltarem a seção 15.

- Aonde vocês pensam que vão? – Uma voz autoritária os fez pararem, viraram-se para encontrar a bibliotecária, parada, logo atrás deles.

- Buscar outro livro – Camila respondeu, com humildade.

- Nada disso. Já estamos fechando – ela informou, com arrogância.

- Mas só vai levar um minuto – retrucou Camila, tentando convencê-la.

- Lamento, já estamos fechando. Podem se retirar que eu guardarei os livros – ela repetir, sem dar espaço para discussão. Camilla tentou abrir a boca, mas Alan a puxou pelo braço.

- Obrigado, boa tarde – ele se despediu, a tirando dali.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...