História Porto da Rainha - Capítulo 13


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Drogas, Incesto
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 13 - Um sorriso doce


No dia seguinte, Alan não apareceu na escola, deixando Camila, inquieta, sem imaginar o que poderia ter acontecido.

- Você sabe o que aconteceu com Alan? – perguntou à Sara, que estava sempre muito bem informada sobre tudo que acontecia por lá.

- Nadine falou, que ele está doente – Sara respondeu, sem dar importância ao fato, mas Camila recordou do estado dele na noite anterior, logo depois que saíram da casa de sua tia, com aquele suor estranho, pálido e abatido, ficou preocupada.

- Você sabe aonde ele mora? – Não conseguia se conter, Camila quis saber, pois precisava ver com os próprios olhos como Alan estava.

- Claro, posso dar o endereço dele para você, se quiser ir até lá – Sara falou, de um modo casual, dando de ombros. E após intermináveis e lentas horas até o término das aulas, seguindo seus planos, com o endereço e a orientação de como chegar até lá, Camila se pôs a caminho da casa de Alan, que era bem próxima da sua.

A mulher que abriu a porta era jovem e bonita, com cabelos curtos e negros e penetrantes olhos azuis, que adquiriram uma expressão de perplexidade ao ver Camila, parada, ali, na sua frente, tal qual um fantasma, pela sua extrema semelhança com a ex-namorada do filho, Cíntia, que havia morrido algum tempo atrás. Porém, o ar assustado se transformou, repentinamente, em um simpático sorriso, que não chegou aos seus olhos, quando a garota se apresentou.

- Oi! Eu sou Camila, estudo na turma de Alan. Ele não foi a escola hoje, e eu queria saber como ele está?

- Oi! Sou Bernadete, mãe do Alan. Vamos, entre! – Ela a convidou, dando-lhe passagem, para o interior da sala, que apesar de mais simples, lembrava as outras casas que havia visitado naquela cidade, tradicional com um ar retrô. – Ele não chegou muito bem ontem, à noite, e estava pior hoje de manhã, por isso chamamos um médico para examiná-lo. Ele acha que foi algum tipo de intoxicação alimentar, precisa descansar, por isso não pode ir a aula - explicou – Você não quer subir para vê-lo?

- Eu posso? – Camila se surpreendeu, com as boas-vindas inesperadas.

- Claro! O quarto dele é lá em cima – ela indicou a escada, depois começou a subir e Camila a seguiu, parado na frente de uma das portas do corredor, bateu duas vezes, antes de abri-la – Está vestido, Alan? Você tem visita.

- Estou, mãe. Quem está aí? - Ouviu-se a voz de Alan por trás da porta.

- Camila – Bernadete respondeu, já abrindo a porta, para a garota entrar. – Pode entrar, Camila – solicitou, depois meteu a cabeça para dentro do quarto e perguntou. – Precisa de alguma coisa, meu filho?

- Não, obrigado, mãe – Alan respondeu, e sua mãe fechou a porta, atrás de Camila, deixando os dois, sozinhos.

- Oi – ela começou a falar, parada na frente da cama, onde Alan estava recostado em travesseiros, o rosto abatido, com olheiras escuras sob os olhos fundos, parecia que havia emagrecido da noite para o dia. - Como você está?

- Agora, eu estou bem, mas eu passei muito mal, não conseguia nem me levantar, foi tão de repente, o médico acha que é uma espécie de intoxicação – Alan explicou. – Não me lembro de ter comido nada diferente, ontem.

- Só o biscoito na casa da minha tia – Camila lembrou, puxando uma cadeira para o lado da cama dele.

- Você acha que estavam estragados? – Alan questionou, intrigado. - Não parecia.

Ou envenenados, Camila pensou por um segundo, sentindo-se apavorada, pois não podia imaginar que suas tias tentassem matar a irmã, então espantou essa ideia como uma mosca.

- Sua mãe parece ser legal – Camila comentou, lembrando-se que ele disse que seus pais eram frios e distantes,

- Ela está diferente, nesses últimos meses – ele observou, ainda sem saber a causa da mudança repentina do comportamento da sua mãe.

- Acho que eu a assustei, deve ter achado que estava vendo um fantasma – Camila comentou, devido a sua semelhança com a namorada morta de Alan.

- Acho que sim, a morte de Cíntia deixou minha mãe estranha, ela nunca mais tocou no nome dela – Alan relembrou.

- Ela devia gostar muito de Cíntia – Camila cogitou, imaginando que, uma morte tão violenta de uma pessoa tão jovem era muito chocante para qualquer um, principalmente, para uma mãe.

- Não, para falar a verdade, acho que ela nem gostava muito de Cíntia, mal se falavam, como sempre, ela se manteve afastada de tudo, no que se refere a minha vida – ele conclui, em um tom de tristeza, uma sombra passou pelos seus olhos.

- Deixe disso! – Camila quis animá-lo. – Claro, que ela gosta de você – estendeu a mão e colocou sobre a dele, em cima da cama – Só que há pessoas que amam de uma maneira diferente e não da maneira que queremos, mas de qualquer modo, é um tipo de amor – encarando-o e sorrindo, ele lhe devolveu um sorriso triste, puxou-a para seu lado na cama, ela foi sem resistência, sentando-se muito próximo. Ela podia sentir o reconfortante calor que o corpo dele emanava.

- O que você pretende fazer, agora, Camila? Continuar com essa busca pelo seus pais? – Alan quis saber, ainda segurando a mão dela. A mão dele era suave e, ao mesmo tempo, forte, passava uma segurança e calma para ela, uma sensação que nunca tivera antes.

- Eu não sei, tia Ágata confirmou que meu pai está enterrado ali, talvez esteja e não haja indicação. Não achamos nada nos arquivos da cidade, nem temos internet para pesquisar – Camila respondeu, resignada e triste, encostando a cabeça no ombro de Alan, aquilo foi bom, ele segurou o seu queixo, e ergueu o rosto dela, na direção do seu, seus lábios se aproximaram, quase se tocando, o coração batendo forte, na iminência daquele beijo, mas a porta do quarto abriu, de repente.

- Camila, acho que está tarde e Alan precisa descansar – Bernadete apareceu, com um sorriso meigo, enquanto a expulsava.

- Mãe! – Alan reclamou, envergonhado.

- Não, ela está certa, você precisa descansar – Camila tentou apaziguar a situação, já se levantando, rapidamente, afastando-se da cama – Até mais, Alan. Eu ligo para você mais tarde – despediu-se, acompanhando Bernadete para fora do quarto.

No momento, em que abria a porta para Camila sair, Bernadete a encarou com um olhar afiado.

- Alan está errado, quando pensa que não gostamos dele – ela começou a falar, com a voz firme, para surpresa da garota.

- Não, eu... – Camila tentou amenizar a situação, mas ela levantou a mão para impedi-la de continuar.

- Não, sei exatamente o que ele pensa, Camila, mas eu posso garantir para você, que eu e o meu marido o amamos muito e faríamos qualquer coisa para ele ficar feliz e seguro.

- Claro, que sim, Bernadete – A garota não sabia o que falar, naquele momento - Até a próxima.

- Até mais, Camila – a feição dura de Bernadete se transformou em um rosto de candura, com um doce sorriso.

Do lado de fora, enquanto andava pela rua, ficou pensando se aquilo não foi algum tipo de indireta para ela, o que Bernadete queria dizer com aquelas palavras. Porém, agora, precisava ter mais uma conversinha com sua tia Ágata.

 



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