História Porto da Rainha - Capítulo 14


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Drogas, Incesto
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 14 - Onde estariam as respostas


Foi Mirtes, quem abriu a porta da casa da tia Ágata, quando Camila chegou para mais uma visita.

- Olá, Camila – ela a cumprimentou, com uma expressão um tanto tensa.

- Mirtes! – Camila ficou surpresa ao encontrá-la ali. – Oi.

- Eu estou fazendo companhia a sua tia hoje. Ela me ligou, não estava se sentindo muito bem, por isso eu vim depressa. Ágata está muito idosa para morar nessa casa, sozinha – Mirtes esclareceu o olhar de interrogação da garota, quando entravam pela sala. – Ela está dormindo agora.

- Mas, o que aconteceu? – Camila ficou preocupada com a súbita piora do estado de saúde da tia.

- Eu não sei, acho que ela começou a se sentir mal, ontem, no final da tarde. Ágata me ligou, então vim o mais rápido que pude, passei a noite aqui, fazendo companhia a ela – Mirtes explicou, em voz baixa, para não ser ouvida pela velha senhora.

- Deve ter sido logo após que eu e Alan irmos embora ontem, porque ela parecia bem – Camila concluiu, também, sussurrando, enquanto sentavam-se no sofá da sala.

- Ela não me contou que vocês tiveram aqui, ontem. Para falar a verdade, ela disse que Sofia e Henri estiveram aqui para visitá-la e ficou bem feliz com isso, pensei que estivesse delirando.

- Ontem, ela me chamou de Sofia - Camila revelou, aflita, achando que sua tia estivesse caducando.

- Ela chamou você de Sofia? – Mirtes parecia perturbada.

- Chamou, por um segundo, ela não parecia estar nesse tempo, mas em algum lugar do passado – Camila reconheceu.

- Deve ser a idade – Mirtes definiu, abanado as mãos como se não tivesse importância. – Mas, agora, ela está se sentindo melhor.

- Alan também passou mal ontem à noite, não foi a escola hoje. Acabei de vir da casa dele.

- Depois, que vocês saíram daqui? – Mirtes indagou, levantando as sobrancelhas, espantada.

- Foi – confirmou Camila, assentindo com a cabeça.

- Você percebeu se eles comeram algo em comum? – Mirtes a interrogou, preocupada.

- Só os biscoitos que as tias Mary e Rose fizeram e deram de presente para tia Ágata, como um gesto de boa vontade – a garota respondeu, depois de pensar por um segundo.

- Biscoito de boa vontade... – Mirtes considerou, reticente – Não acredito em boa vontade de Rose e Mary em relação a Ágata.  Elas nunca se deram bem, sempre discordaram em tudo.

- Não posso crê, que minhas tias fariam mal a alguém, principalmente, a irmã delas – Era uma acusação de tentativa de assassinato, que Mirtes estava insinuando, que os biscoitos estariam envenenados, apesar de ela mesmo já ter cogitado isso antes. Camila se sentia inquieta e confusa, com aquela suspeita, pois isso significaria tentativa de homicídio, Ágata ou Alan, mesmo ela poderia ter morrido.

- Camila, é bom que Ágata esteja dormindo, pois não gostaria que eu falasse isso para você – Mirtes confessou, cheia de mistério. – Mas, essa cidade não é o que parece, existe algo muito estranho aqui, uma espécie de segredo muito bem escondido, que pelo o que entendi, tem a ver com a morte do seu pai e com o sumiço da sua mãe. Ágata jamais me contou diretamente o que era, só algumas insinuações de algo que apenas os moradores de Porto da Rainha devem saber – revelou, olhando para o corredor, desconfiada que Ágata pudesse aparecer a qualquer momento.

- Segredo? Que segredo? – Camila ficou atordoada, era algo que pressentia dito por outra pessoa. – Minha mãe não desapareceu, ela morreu, é o que todos me disseram – reiterou, sem acreditar, não queria alimentar falsas esperanças.

- Eu não sei muito bem sobre o que é esse mistério – sussurrou Mirtes. – Mas, deixe-me mostrar uma coisa para você – levantou-se e foi até um armário trancado a chave, tirando de lá de dentro um antigo livro, que se revelou ser um álbum de fotografia com capa de couro, quando ela o abriu. – Aqui! Olhe! – disse, mostrando-lhe uma foto antiga e desbotada, onde se via quatro garotas juntas, usando roupas dos anos cinquenta, pareciam alegres e descontraídas. Ela apontou uma a uma, dando-lhe nomes já conhecidos. – Essas são suas tias Rose, Mary e Ágata, essa é Sofia - Ao ouvir o último nome, Camila fixou o olhar, curiosa, espantou-se ao notar a sua imensa semelhança com aquela decrépita senhora da casa vizinha na juventude, um arrepio de pavor percorreu sua espinha. – Eu também achei impressionante a semelhança entre vocês duas, assim como era com a outra menina, Cíntia.

- Você conheceu Cíntia? – Camila ficou surpresa.

- Sim – assentiu Mirtes – Ágata também se preocupava com ela, mas Cíntia era diferente de você. Ela não via nada de estranho aqui, já que havia sido criada nessa cidade.

Nesse momento, ouviram o som da bengala batendo no piso de madeira no corredor, prenunciando a chegada de Ágata, a passos lentos, Mirtes levantou-se e guardou o álbum no mesmo lugar.

- Camila, o que está fazendo aqui? – A garota se surpreendeu ao ver a tia entrar na sala, parecia fraca e frágil, sua pele era como um pergaminho fino e quebradiço, seu rosto estava muito abatido e seus olhos fundos, transparecendo toda a sua idade.

- Eu só vim saber como você está, tia – Camila respondeu, com sinceridade.

- Agora, bem, graças a Mirtes. Não sei o faria sem a minha boa amiga – a tia afirmou, sentando se com dificuldade em uma das poltronas floridas. – Gente velha é assim mesmo, ficamos doentes por qualquer coisa.

- Ela está brincando – Mirtes sorriu amigável. – Mas, você não deveria ter se levantado, Ágata.

- Eu estou bem agora. Camila, você sabe que ontem, Sofia e Henri vieram me visitar, nós não nos víamos, há muito tempo. Engraçado como eles não mudaram nada nesses anos todos – Ágata comentou, casualmente. Mirtes e Camila se entreolharam, assustadas.

- Não, tia. Fui eu e meu amigo Alan que tivemos aqui, ontem, para visitá-la. Lembra! Ele comeu os biscoitos feitos pelas minhas tias – Camila tentava trazê-la para a realidade. Ágata a fitou com o olhar vazio, não entendendo o que ela falava. – A senhora não se lembra, tia?

- Não. Era Sofia, eu tenho certeza. Eu gostava tanto dela, a minha irmã predileta. Agora, aquelas filhas não me deixam mais vê-la - Ágata parecia confusa, Camila foi surpreendida por mais uma revelação, no entanto, a tia estava confundindo tudo, nem tinha mais certeza se o nome do seu pai era Henri, talvez, houve mais de um, como aquele que estaria enterrado no cemitério da colina.

- Sua tia está cansada, Camila. Acho melhor você ir agora – Mirtes aconselhou, dando-lhe um olhar de cumplicidade.

- Claro - a garota respondeu, entendendo a mensagem.

- Eu a levarei até a porta, Camila – Mirtes finalizou, levantando-se, seguida de Camila, foram juntos até a porta.

- Então, há outra irmã. Talvez, Sofia seja a minha, avó, mãe da minha mãe – Camila considerou, um tanto eufórica, quando chegaram no alpendre em frente casa, bem longe dos ouvidos de Ágata.

- Para mim, também, foi uma surpresa essa revelação, apesar de sempre desconfiar de haver uma ligação muito forte entre elas. Mas, por favor, tome cuidado, Camila. Depois do que aconteceu com Cintia. E ainda tem a história do padre que morreu queimado quando a igreja pegou fogo, há anos atrás.

- Eu ouvi falar que não sabe exatamente o que aconteceu.

- Ninguém sabe direito, mas ouvir dizer que esse padre era muito curioso e perguntava demais. Você precisa ficar muito atenta, guarde o meu cartão, e me procure caso tenha algum problema.

- Obrigada – Camila agradeceu, antes de ganhar a rua, já na tênue luz do anoitecer, andou de volta para casa, parando em frente do estranho e lúgubre casarão, onde sua possível avó morava e, talvez, onde estariam as respostas de várias de suas perguntas.



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