História Porto da Rainha - Capítulo 15


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Palavras 1.270
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Drogas, Incesto
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 15 - Algo muito estranho


Para em frente da sua casa, Camila ficou admirando a mansão do outro lado da rua, que se tornava mais sombria e tenebrosa ao cair da noite. Bem devagar, deu um passo à frente e atravessou a rua, parou diante da porta, teve vontade de tocar a campainha, mas se deteve, não sabia o que dizer, simplesmente, não tinha o direito de perguntar a respeito de suas suspeitas, para totais estranhas.

Naquele instante, mesmo na escuridão, aquela bizarra porta chamou sua atenção, passou a mão levemente sobre seus estranhos entalhos gravados nela. Em um estalo percebeu o que tratava, dividida em seis pequenos quadros, estava uma espécie de história em quadrinhos. No primeiro, um castelo medieval, em outro uma cena de uma guerra, depois um exército, em outro havia um casal apaixonado e o anjo da morte, seguido por uma mulher chorando sobre o corpo de um homem, por fim, ela estava sozinha, parecendo estar grávida. Camila não conseguia entender o que aquilo significava.

- É a história dos ancestrais da minha família – Camila ouviu a voz explicar atrás dela, voltou-se assustada, para se deparar com os olhos azuis de Abigail a fitando com extremo interesse, continuou: – Essa é a história dos nossos antepassados, que fugiram até chegar aqui, nesse lugar, e, finalmente, conseguirem viver em paz.

- Ah! – Foi a única coisa que ela conseguiu pronunciar, naquele momento.

- Fico feliz pelo seu interesse pela história da cidade, Camila. Não gostaria de entrar? Nossa mãe ficaria feliz com sua visita – Abigail indagou. com simpatia.

- Não, obrigada. Já está ficando tarde, preciso ir para casa. Boa noite – despediu-se, já se afastando rapidamente dali.

 

- Camila, onde esteve? Estávamos a esperando para o jantar – tia Rose falou, assim que entrou em casa e indo direto para cozinha, onde as tias arrumavam a mesa.

- Eu fui visitar tia Ágata. Ela está doente – comunicou, de modo casual, esperando algum tipo de reação.

- E como ela está? –Mary não conseguiu disfarçar a inquietação.

- Melhor – de propósito, Camila informou, sem dar nenhum detalhe.

- Que bom! – Rose parecia um tanto decepcionada, tomando seu lugar à mesa, seguida pelas outras.

- Alan também está doente – a garota informou, sentando-se.

- É mesmo? – Rose tentou disfarçar o nervosismo, mas sua mão tremia levemente, enquanto servia a sopa no prato da sobrinha.- E como ele está?

- Mas, ele está melhor. O médico disse que era alguma espécie de intoxicação – Camila continuou a provocar, observando sua atitude, queria descobrir se elas eram culpadas e, pelo jeito que agiam, pareciam ser. – Tias, eu me pareço muito com Sofia quando ela era jovem? – indagou, subitamente, Rose se engasgou com a sopa, tossindo várias vezes.

- Um pouco – Mary tentou desconversar, com dissimulado desinteresse. – Por que essa pergunta agora, Camila?

- Porque, ontem, tia Ágata confundiu a mim e a Alan com Sofia e Henri. Henri não é o nome do meu pai?

- Sim, seu pai se chamava Henri, mas houve alguns Henri em toda história dessa cidade. Henri é um nome comum por aqui – Rose completou, visivelmente incomodada com aquele assunto.

- Então, Sofia namorou alguém chamado Henri?

- Sim, ela casou com ele. É o pai dos filhos dela. – Rose prosseguiu, tentando parecer imparcial com aquela conversa.

- Ele está enterrado lá no cemitério da colina? – Camila questionou, de maneira casual.

- Está, ele... – Rose começou a falar.

-Chega dessa conversa mórbida, não vamos mais falar dos mortos – Mary decretou. – Por favor, Camila, tome sua sopa antes que esfriei.

Percebendo que era a hora de parar, Camila continuou a tomar sua sopa, mas sua cabeça não parava de trabalhar, fazendo contas, pois como o marido de Sofia fosse o mesmo Henri, cujo túmulo ela encontrou no cemitério da colina, ele havia morrido aos dezoito anos, assim como poderia ser pai das filhas dela? A não ser que ela houvesse casado outra vez.

- Por que está assim tão pensativa, Camila? – Mary questionou.

- Nada só estou cansada – mentiu.

- Por favor, não queremos que fique doente, Camila. Suba e descanse, nós cuidaremos da louça – Rose a aconselhou e ela obedeceu.

 As duas irmãs se entreolharam sobressaltada, assim que a garota desapareceu através da porta.

- Vai ficar tudo bem – Mary disse para Rose, em seguida a um longo suspiro. – Ainda teremos todo o inverno pela frente, antes de tudo se resolver.

Da janela do seu quarto na penumbra, Camila abriu uma pequena fresta na cortina, contemplando o casarão nebuloso em frente, com as cortinas pesadas escuras fechadas mal dando para distinguir os pequenos fachos de luz que deixavam escapar delas, imaginando se seria lá que estavam as respostas sobre a verdadeira história dos seus pais. Quem sabe, se a única pessoa que pudesse acabar com sua angústia fosse Sofia, sendo assim, necessitava muito falar com ela, mas seria quase impossível, entrar naquele lugar e passar pelas suas vigilantes filhas sem ser notada, precisaria bolar um bom plano para isso, daí em diante, Camila passou a observar todos os movimentos em torno daquela casa.

No dia seguinte, Alan não apareceu na escola de novo, e Camila viu as horas se arrastarem até poder visitá-lo, sem prestar atenção nas maçantes aulas e nas conversas da turma durante os intervalos, amaldiçoando aquela cidade por não possuir sinal para celular.

 - Não fique com essa cara, Camila – Sara falou, na hora do almoço quando comiam suas refeições perfeitamente balanceadas. – Alan está bem. Minha mãe encontrou com a mãe dele na rua, ela disse que ele está só um pouco fraco, mas logo poderá voltar para escola em breve – concluiu.

- Por que você acha que estou preocupada com Alan? – Camila questionou, perplexa por estar tão na cara.

- Porque eu vejo vocês dois sempre juntos, e são perfeitos! – Às vezes, Sara se expressava como uma mulher adulta. 

- Não seja boba, Sara! - Camila disse, com dissimulada irritação, revirando os olhos.                                                                                                                                                

Enfim, ao término das aulas, Camila foi direto à casa de Alan, Bernadete abriu a porta e, a despeito do sorriso educado e um sorriso que não chegava aos olhos, a garota pressentiu que não era bem-vinda ali.

- Olá, Camila. Eu lamento, mas Alan está descansado agora – Bernadete comunicou, com fingida gentileza, sem convidá-la para entrar. – Eu direi a ele que você passou por aqui.

- Obrigada – conseguiu dizer antes que Bernadete fechasse a porta a sua frente.

Aborrecida com sua visita frustrada, virou-se e saiu, chutando as pedras pelo caminho de volta. Em seguida, resolveu passar pela casa da sua tia Ágata, tocou a campainha várias vezes, sem respostas. Ficou bastante preocupada, esgueirando-se pelas laterais, olhou através das janelas com as cortinas entreabertas, e pode constatar que o lugar estava vazio, meteu a mão no bolso da sua calça para verificar se o cartão com o telefone de Mirtes estava ali, já que pretendia ligar para ela mais tarde para falar sobre o paradeiro da sua tia.

Voltou para casa, tentou ligar para Mirtes, mas o telefone tocou muitas vezes e ela não atendeu. Sentindo-se em um beco sem saída, não sabia como prosseguir a sua procura pela sobre a verdadeira história dos seus pais, inconformada de nunca saciar sua curiosidade de saber como eles, realmente, eram e porque sua mãe tivera aquela morte tão trágica e como seu pai morreu. Perguntas que dançavam na sua cabeça, não a deixando em paz.

Já era muito tarde naquela noite, pela janela do seu quarto, Camila observou uma estranha movimentação na casa vizinha, apesar das cortinas pesadas fechadas, as luzes ficaram acesas muito além da hora que, comumente, eram apagadas. Algo muito estranho estava acontecendo por lá.

 



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