História Porto da Rainha - Capítulo 16


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Palavras 1.105
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Drogas, Incesto
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 16 - Esperando por você


No dia seguinte, Alan voltou para escola, parecia bem, apesar de estar mais magro e abatido. Ao vê-lo, o coração de Camila ficou em paz e se enchendo de alegria, era uma sensação muito esquisita para ela, pois nunca se sentiu tão ligada assim a uma pessoa, por isso teve certeza que estava apaixonada. Isso a fez se lembrar das palavras de sua tia Ágata, que dizia que a paixão poderia ser sua perdição, não sabia exatamente o que aquilo significava, talvez tivesse algum receio depois do que acontecera com seus pais, um amor que terminou em uma enigmática e mortal tragédia. Talvez, eram apenas tolices de uma velha medrosa. Entretanto, ela só queria ficar junto a Alan, e nada mais importava. E ele também parecia querer o mesmo, no momento que se aproximou dela.

- Oi! Como você está? – Camila perguntou interessada.

- Melhor – respondeu com um sorriso luminoso, feliz por vê-la.

- Fui até a sua casa, mas sua mãe disse que você estava descansando.

- Ela me falou.

Os dois se encaravam, sem saber o que mais dizer naquele instante, contudo, não precisavam de palavras, só queriam estar ali, próximos um do outro.

- Descobriu mais alguma coisa sobre os seus pais?

- Não, tudo leva a um beco sem saída – Camila disse, desanimada não sabia por onde seguir, já que todas as suas pistas davam em nada.

- Eu lamento muito, Camila.

- Eu também – ela disse com tristeza, e o sinal tocou anunciando o começo das aulas.

 No fim das aulas, os dois caminharam juntos de volta para casa, ele em um pequeno gesto atrevido, segurou a sua mão, ela não protestou, assim seguiram até a frente da sua casa.

- Preciso ir, ainda não posso ficar andando por aí. Recomendações médicas – ele anunciou, com pesar.

- Eu sei ... – mas antes que ela falasse mais alguma coisa, ele se inclinou e seu lábios se tocaram em um suave beijo. – Acho melhor você ir – ela rebateu, a contragosto, bem próximo aos lábios dele.

- Sim, também acho – Alan respondeu com um sorriso travesso, pois sabia como estava ficando cada vez mais difícil se separarem. – Até mais.

- Até – Eles soltaram as mãos, lenta e dolorosamente. Enquanto, ele caminhava em direção a sua casa, ela o observava até desaparecer da sua visão.

 Foi como um reflexo, que ela olhou em direção a grande e soturna casa à sua frente, que a assombrava, constantemente, com sua presença, assustando-se ao ver através da janela, atrás da cortina entreaberta, a imensa figura de Sofia, que a fitava, podia jurar que percebeu um pequeno sorriso de satisfação surgiu no rosto dela.

 Ao constatar que estava sozinha em casa, pois suas tias deveriam ter saído para uma das suas corriqueiras visitas a vizinhança, um hábito bastante comum naquela cidade sem muitas atividades, com trocas de variadas guloseimas, Camila telefonou para Mirtes, aflita para saber notícias da tia desaparecida, e dessa vez, ela atendeu prontamente.

- Oi, Mirtes, é Camila. Eu estou preocupada. Você sabe da minha tia Ágata?

- Oi, Camila. Sua tia está bem. Ela estava muito fraca, por isso, eu a levei para o hospital de Mercês, depois, a trouxe para minha casa e ficará alguns dias, aqui, comigo, será mais seguro – Ao ouvir isso, Camila respirou aliviada.

- Obrigada, Mirtes.

- Por nada. Ágata é uma boa amiga, mas ela está muito preocupada com você e com aquele rapaz, que levou a casa dela. Fica repetindo que os dois estão em perigo, mas não sei porque, pode ser só algum tipo de delírio, então, por via das dúvidas, tome cuidado, Camila.

- Eu tomarei. Até mais.

- Até mais, Camila.

Ao desligar o telefone, Camila não sabia o que pensar, se havia um risco real ou era só uma fantasia da sua tia, contudo, não havia mais ninguém para dividir sua angústia naquela cidade bizarra, pois, mesmo Alan não entendia como ela se sentia em relação aquele lugar.

Já estava escuro lá fora, apesar de não ser muito tarde, sinal que o inverno começava a se aproximar, mais uma vez, da janela do seu quarto, como atraída por um imã, Camila afastou a cortina para observar a casa que se erguia como uma muralha escura diante dela, pressentia que lá dentro estavam suas respostas.

Nesse momento, algo estranho aconteceu, ela viu as três irmãs, que moravam no casarão, saírem pela porta da frente, todas vestidas de preto, reconheceu Abigail, logo a frente, que trazia nas mãos, algo parecido com uma caixa de sapatos. Em silêncio, entraram em um carro, que estava parado diante casa, que partiu de imediato. De repente, Camila considerou que aquela poderia ser a sua única oportunidade de falar com Sofia sozinha.

Desceu as escadas, com muito cuidado e silenciosamente, ouviu sons de vozes vindo da cozinha, demonstrando que suas tias já haviam regressado e cuidavam do jantar, saiu pela porta da frente e atravessou a rua vazia e silenciosa, como sempre. Chegou diante da grande porta com seus entalhes que contava uma indecifrável história de guerra e dor, sem esperança que estivesse aberta, girou a maçaneta e a empurrou, e, para sua surpresa, ela cedeu sem esforço. Não acreditando na sua sorte, Camila se esgueirou através dela, entrando no sombrio ambiente, ainda mais aterrador no escuro. Com muita dificuldade e ansiedade, tateando com atenção e receio de fazer algum barulho, alertando algum morador remanescente da sua presença ali, ela conseguiu chegar a escada que levava ao segundo andar da casa, onde havia avistado a figura de Sofia através da janela. Lá em cima, havia um extenso corredor mergulhado no profundo breu, com várias portas fechadas, mas só uma, bem no seu final, deixava entrever a tênue luz que passava por debaixo dela. Prosseguiu, pé ante pé, chegou diante da porta, com o coração aos pulos batendo contra o peito, tão alto, que tinha impressão que alguém poderia ouvir. Colocou a mão trêmula na maçaneta e a empurrou, abrindo a porta com cuidado, para o quarto pouco iluminado por uma fraca luz, mesmo assim podia distinguir a imensa cama com dossel, sobre ela estava o robusto corpo de Sofia aconchegado entre travesseiros e cobertores de aparência macia, os longos cabelos cinzas da mulher encontravam-se, cuidadosamente, arrumados em volta do rosto, redondo e pálido. Ela tinha os olhos fechados e parecia dormir profunda e tranquilamente, Camila se aproximou, com cautela, sem desviar a atenção dela. Quando estava bem próximo da cama, subitamente, os olhos de Sofia se abriram e o coração da garota quase parou, no momento que ela falou com a voz fraca:

- Eu estava esperando por você, Camila.



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