História Porto da Rainha - Capítulo 8


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Palavras 1.260
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Drogas, Incesto
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 8 - Uma conversa muito estranha


No domingo à tarde, Camila andava pela rua das Flores, procurando pelo número 23, até encontrar a casa com a arquitetura do século XIX, um pouco menor do que aquela que morava, subiu para o alpendre e tocou a campainha.

Uma mulher por volta de sessenta anos, negra, pequena e de quadris largo, com cabelos escuros curtos, vestido uma blusa floral e saia reta cinza e usando óculos de grau imitando casco de tartaruga, lembrando uma professora, apareceu para atendê-la.

- Você deve ser Camila? – A mulher falou animada, a garota confirmou com a cabeça. – Sou Mirtes, amiga de Ágata. Entre, estávamos esperando por você para o chá – anunciou, abrindo a porta para ela entrar.

- Oi – respondeu, um tanto tímida, pois esperava encontrar sua tia, sozinha, para continuar a sua conversa.

A casa de Ágata tinha a decoração em tons pastéis nas muitas estampas florais, dando-lhe um ar aconchegante, móveis antigos, porém, sem exageros.

– Ágata está acabando de preparar o nosso lanche – Mirtes comunicou, guiando-a até uma pequena sala, onde uma mesa repleta de doces, salgados e biscoitos estava servida. Tia Ágata surgiu de uma porta, trazendo um delicado bule de porcelana na mão.

- Oi, tia – Ainda se sentia pouco à vontade diante da nova parente.

- Olá, Camila! Que bom que veio! – ela disse, feliz, ao vê-la, colocando o bule sobre a mesa. - Sente-se, vamos lanchar! – indicou uma cadeira, enquanto ela e Mirtes sentavam-se em outras, em volta da mesa.

Camila olhou para Mirtes com interesse, pois era a primeira pessoa negra, que encontrou naquela cidade, desde da sua chegada.

- Mirtes é minha amiga de longa data – tia Ágata explicou, como se adivinhasse o pensamento da sobrinha, servindo-lhe uma xícara de café com leite. – Nós nos conhecemos quando fiquei internada no hospital de Mercedes, uma cidade vizinha, ela é enfermeira lá.

- Então, você não mora em Porto da Rainha? – Camila ficou curiosa.

- Não – Mirtes respondeu, balançou a cabeça, com um sorriso simpático. – Só venho aqui, de vez em quando, para visitar Ágata ou para irmos juntas na missa da igreja de Mercedes, nos domingos.

- Não temos missa aqui, desde que o último padre morreu em um incêndio, há muitos anos atrás, nunca mais mandaram ninguém para aqui. A igreja nunca foi restaurada, está em ruínas – Ágata explicou, com um tom de tristeza, servindo uma fatia de torta para a sobrinha. – Elas não querem outro padre aqui – continuou a falar.

- Quem não quer outro padre aqui? – Camila quis saber, sem entender, mas antes de responder Ágata olhou para Mirtes.

- Política da igreja – Mirtes disse, sucintamente, sem explicar.

- Essa é uma cidade muito fechada, não gostam de estranho por aqui, são muito orgulhosos de suas raízes ancestrais. Vivem em torno da fábrica de louças, que mantem a cidade – Ágata continuou a falar com um certo tom de censura.

- Alan me disse que os fundadores dessa cidade vieram da França – Camila comentou, querendo demostrara seu conhecimento.

- Alan? Quem é Alan? – Ágata indagou, erguendo a sobrancelha, surpreendida.

- Um colega de turma – Camila respondeu, encabulada.

- Por acaso, você não está se apaixonando por ele, está, Camila? – Ágata questionou, preocupada. – Você não deve se apaixonar nunca – advertiu, exaltada.

 - Não, eu não estou apaixonada! Eu só o conheci outro dia! – ela respondeu, veemente. Depois perguntou, confusa: – Mas, por que eu não poderia me apaixonar?

- Ágata, por favor, você está deixando a garota assustada – Mirtes ponderou, com calma. – Camila, Ágata só fica preocupada com você, depois daquela tragédia que aconteceu com seus pais – continuou a falar, a velha senhora parecia se tranquilizar.

- Você sabe sobre meus pais? – Camila perguntou, intrigada.

- Sei – respondeu Mirtes – É comigo, que Ágata dividi suas angustia, depois que as irmãs, levaram você, embora.

- Eu queria saber mais sobre o meu pai e minha mãe? Minhas tias nunca falam nada e quando eu pergunto elas desconversam e mudam de assunto. O que há tem tão ruim nessa história que eu não saiba? – Camila inqueriu, na esperança de conseguir alguma resposta daqueles mistérios ali.

- Quer mais chá, Camila? – Ágata perguntou, querendo mudar de assunto. A garota assentiu com a cabeça e a tia ergue o bule, sua mão está mais trêmula e quando derrama o líquido, ele respinga no colo de Camila, que dá um pulo por causa do calor, e fica de pé – Desculpe – a tia disse, sem jeito.

- Tudo bem – Camila se apressou em respondeu para a tia não se sentir culpada. – Não queimou – informou, levantando um pouco a blusa e avaliando a pele no lugar que ardia. Os olhos de Ágata se fixaram em um ponto da barriga da garota, logo acima da cintura baixa do jeans que usava.

- Sua mãe tinha um sinal igualzinho a esse – a tia informou, com um tom de voz soturno, olhando para Mirtes como se pedisse um conselho. Camila ficou desconcertada, ao ouvir sobre essa semelhança, pois suas outras tias jamais disseram nada.

 - Acho que está na hora de ela saber alguma coisa sobre seus pais - Mirtes opinou, lançando um olhar benevolente para a garota.

Ágata deu um longo suspiro antes de começar a falar e Camila toma de novo o seu lugar à mesa, com os olhos atentos a tia, sentindo-se aflita e curiosa pelo o que viria a seguir.

- Seu pais nasceram aqui nessa cidade. Sua mãe era muito bonita, aliás, você se parece muito com ela, Camila – Essa afirmação, em tom nostálgico, a surpreendeu, pois, suas tias nunca revelaram isso antes. – Seu pai era um bom rapaz, bonito, inteligente, todo mundo gostava dele. Então, tudo começou como um namoro de adolescente, mas eles se apaixonaram e ela ficou grávida – Ágata parou, ponderando no que iria falar agora. – Mas, seu pai morreu antes de você nascer.

Camila arregalou os olhos chocada.

- Como? – Sua voz saiu áspera.

- Ele foi assassinado, então, sua mãe afundou em uma tristeza sem fim, desistiu de continuar vivendo, entregou a sua sina. – Ela resumiu a história, que Camila já sabia o fim, uma lágrima escorreu pelo rosto da garota.

- Sabem quem matou meu pai? – Camila perguntou, sentindo um misto de ansiedade e raiva.

- Essa é uma história bem complicada – Ágata respondeu, sacudindo a cabeça em negativa.

- Ele está enterrado aqui, nesta cidade? – indagou, talvez, pudesse visitar seu túmulo. - Qual era o nome dele?

- Está, no cemitério atrás da igreja em ruínas, quase no limite sul da cidade. O nome dele era Henri Montserrat – Ágata lhe deu todos os detalhes, pressentindo qual seria intenção dela.

Já no fim da tarde, Ágata tinha a aparência abatida e cansada, devido aquela conversa cheia de tristes recordações, Mirtes a aconselhou se deitar um pouco e repousar, enquanto levava Camila até a porta.

- Ela vai ficar bem, contudo, está muito idosa e frágil – Mirtes considerou. – Camila, se precisar de alguma ajuda ou, simplesmente, desabafar ou conversar, me procure – entregou-lhe um cartão com os seus telefone e endereço.

- Obrigada – Camila agradeceu, sem entender, olhando o cartão.

- Minha cidade é um pouco distante, mas tenho certeza, que se você precisar poderá chegar até mim – Mirtes falava, passando tranquilidade.

- Tudo bem – Camila disse, guardando o cartão no bolso da calça e indo embora – Tchau – ela saiu de lá pensando que já estava muito tarde para procurar pelo cemitério e visitar o túmulo de seu pai, mas havia resolvido que faria isso no dia seguinte, logo depois das aulas, em segredo, não queria que suas tias soubessem sobre as suas conversas com Ágata.



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