História Porto da Rainha - Capítulo 9


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Categorias Originais
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Palavras 1.479
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Drogas, Incesto
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 9 - Visita macabra


A manhã na escola passou arrastada, Camila mal podia esperar para ir ao cemitério e encontrar o túmulo do seu pai, seria uma forma de estar próximo a ele, como um pequeno sinal da sua existência, porém, na hora da saída, não tinha nenhuma ideia da direção a tomar. Poderia perguntar a alguém, talvez, a Sara ou a outra garota ou algum funcionário da escola, mas não queria responder perguntas sobre essa sua estranha curiosidade.

Parada na frente da escola, olhando em volta, Camila esperava por alguma espécie de sinal, quando Alan passou por ela.

- A sua casa fica para lá! – ele brincou, apontando o caminho habitual, parando junto dela.

- Eu sei – Ela sorriu para ele, feliz por sua presença, e aproveitou a oportunidade. – Alan, por acaso, você sabe onde fica a velha igreja?

- É, claro, que eu sei. Todo mundo da cidade sabe – ele respondeu a interrogando com os olhos – Por que você quer saber não tem nada por lá? Só ruinas. Está tudo caindo aos pedaços.

- O cemitério fica ali perto? – Ela se arriscou em perguntar.

- Fica, mas ninguém vai lá, só quando tem algum enterro. Por que? Não me diga que você quer ir até lá! – Ele a encarou, surpreso.

- É só por curiosidade. Depois, que eu descobri que minha família é daqui dessa cidade, queria tentar encontrar os túmulos dos meus pais – ela confessou, meio sem jeito, ele a olhou com cumplicidade, imaginando o que estaria sentindo.

- Se é assim, eu levo você até lá. É um pouco longe, vai ser uma boa caminhada – ele disse, mas queria estar perto dela, para ajudar e protegê-la de alguma maneira.

- Obrigada – Camila agradeceu, com sinceridade, feliz por ficar um pouco mais de tempo junto a Alan.

Andaram pelas ruas, Alan ia lhe contando sobre fatos e curiosidades da cidade, ensinando-a como se localizar por lá, até que as casas começaram a desaparecer, as árvores e o mato tomaram o seu lugar, ficando cada vez mais densos, subindo um pequeno aclive, quando o sol já começava a descer.

- Deve ter sido difícil para você, saber toda essa história sobre os seus pais desse jeito? – Alan começou a falar, solidário. – Eu nem sei o que pensaria se isso acontecesse comigo.

- Eu não os conheci, nunca soube como eles eram, mas sempre imaginei como seria crescer com eles, ter uma família normal, com uma mãe e um pai – Camila revelou, sonhadora.

- Nem sempre ter uma mãe e um pai é bom, muitas vezes, eu desejei não ter – Alan confessou, com certo rancor, uma sombra passou por seus olhos.

- Eles maltratam ou batem em você? – Camila segurou a respiração aflita, não podendo cogitar em alguém maltratando Alan, principalmente, seus pais.

- Não, não há agressões físicas ou com palavras, só indiferença, como se eles não tivessem nenhum sentimento por mim e não quisessem criar vínculos. Mas, droga, eu sou o filho deles! – Alan desabafou, irritado, chutando uma pedra.

- Talvez, eles só sejam assim mesmo, mas tenho certeza que eles amam você – Ela o consolou, colocando a mão sobre seu ombro, mas tinha vontade de abraçá-lo, acariciar seus densos cabelos escuros, dizer-lhe como era especial, que era muito importante para alguém, entretanto, antes que ela prosseguisse, ele parou e apontou.

– Ali, no alto da colina, são as ruínas da antiga igreja! O cemitério fica ali do lado.

Camila olhou naquela direção, só conseguiu enxergar algumas meias paredes enegrecidas, que insistiam em continuar de pé, apressaram os passos, animados com a proximidade do seu objetivo, chegando ofegante ao alto da colina, junto a igreja.

- Ela foi toda destruída pelo fogo! – Camila exclamou, ao notar, espantada, as paredes enegrecidas pela fuligem, o teto havia desabado, agora, só sobraram pedaços de madeira queimados cercado pelo mato.

- Foi há muito tempo, houve um incêndio e o padre morreu queimado aqui dentro, ninguém nunca soube se foi crime, suicídio ou acidente. Mas, a igreja nunca foi reconstruída, nunca mais tivemos outro padre aqui – Alan explicou e Camila pensou que em uma cidade, que parecia ser tão pacata, acontecia muitos fatos sinistros e misteriosos. – O portão de entrada do cemitério fica por ali – Como acontecia antigamente, o cemitério ficava junto a igreja da cidade.  Alan indicou o caminho, até um grande portão de ferro, fechado por uma corrente sem cadeado, que se abriu, sem esforço, com um estridente rangido, eles entraram no lugar, onde o silêncio era quebrado com o barulho dos pássaros e insetos, anunciando o iminente anoitecer, e o roçar da brisa nas folhas das árvores.

Havia vários túmulos, de séculos de gerações de moradores da cidade, a maioria pequenos e simples, ornado com pedras, placas ou cruzes. E mais para trás ficavam os grandes e bem ornados mausoléus, com estátuas assustadoramente bem elaboradas.

Camila olhou em volta, pensando por onde poderia começar a procurar, pois não tinha a mínima ideia, onde os túmulos dos seus pais estariam localizados.

- Podemos começar pelos túmulos mais novos, já que não faz tanto tempo assim que seus pais morreram – Alan veio ao seu auxilio, assim começaram a andar pelas aleias, lendo os nomes nas placas nos túmulos com parecia mais recentes.

- Vamos levar um tempão! – Camila disse, desanimada, depois de algum tempo de procura inútil.

- O que vocês estão fazendo aqui, garotos? – Uma voz grave falou nas costas deles, deram um pulo, assustados, voltando-se para encontrar um homem velho com cabelos totalmente brancos, mas robusto, usando calça e camisas caquis, sujas de terra, chapéu de palha e nas mãos, uma enxada e um ancinho, perceberam que era o zelador do lugar.

- Boa tarde, estamos procurando pelos túmulos de duas pessoas, Henri Montserrat e Suzane Colbert. O senhor poderia nos ajudar? – Camila solicitou, com educação, ao homem que os olhava desconfiado.

- Sim, eu posso ajudar, já trabalho aqui há quase quarenta anos, sei, exatamente, onde cada pessoa aqui está enterrada – O homem se vangloriou. O rapaz Henri Montserrat está ali, atrás, no caminho dos mausoléus, é o mais novo. Já a mulher não está enterrada aqui.

- O senhor tem certeza? Não pode ter esquecido ou não se lembrar dela? Foi a cerca dezesseis anos atrás. – Camila questionou, não acreditando na resposta.

- Tenho, moça, eu disse que sei onde está todo mundo aqui, e não tem ninguém com esse nome enterrado nesse cemitério – O homem afirmou, categórico, sem deixar espaço para dúvidas.

- Obrigada – ela agradeceu com um fio de voz, não totalmente convencida do que ele lhe disse.

- De nada e boa tarde – o homem se afastou, para continuar o seu trabalho e Camila e Alan foram na direção indicada por eles.

A dita aleia era ladeada por suntuosos mausoléus de mármores, enfeitados com estátuas, anjos vingadores com espadas em punhos e mulheres se lamentando eram temas recorrentes.

- Aquele parece ser o mais novo! – Camila exclamou, apontando e caminhando, apressada, naquela direção, parando bem frente do mausoléu de mármore branco, que apresentava uma cena sinistra, onde um anjo erguia a espada e um casal de jovens, choravam ajoelhados aos seus pés, aquela imagem lhe deu calafrios. Parou bem em frente e leu a única placa de bronze em alto relevo presa nele, onde se lia:

Henri Montserrat

Nascido em 17 de maio de 1945 e morto em 26 de setembro de 1963.

Ao nosso amado pai, ele sempre estará entre nós.

 

- Esse não é o meu pai – Camila proferiu, decepcionada. – Não pode ser! Olhe a data!

- Esse pode ser o túmulo da família dele, essa placa pode ser de algum parente com o mesmo nome, talvez, o pai dele, seu avô ou tenha um erro aí.

- Pode ser, talvez, ninguém tenha mandado fazer uma placa para ele. Minha tia disse que não sobrou mais nenhum parente dele na cidade – Camila cogitou, triste pela lembrança do seu pai não ser importante para mais ninguém.

- Pode ser, porque não me lembro de nenhum Montserrat morando aqui – Alan confirmou, depois de pensar um pouco.

- É engraçado que esse Henri já tenha sido pai tão jovem, ele tem quase as nossas idades, Alan – Camila observou aquele fato curioso.

- Outros tempos – Alan respondeu, dando de ombros.

 Curiosa, Camila caminhou mais adiante, parando em frente ao túmulo de linhas retas, estilo art-decor, de mármore rosa, com anjos estilizados, leu as duas placas, que estavam presas ali, que diziam:

 

Maurice Nandine

Nascido 16 de fevereiro de 1895 e morto em 28 de setembro de 1913.

Dos seus descendentes, que o honrarão por todo sempre.

 

Madaleine Soireé

Nascida em 20 de maio de 1895 e morta em 30 de setembro de 1963.

A nossa amada mãe, porque a amamos e devemos tudo a ela.

 

Camila se surpreendeu, pois já ouviu aquela frase antes, dita por Abigail para sua mãe, no dia em de foi jantar na casa dela.



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