História Possuídos-DEMO.n - Capítulo 2


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anime, Demonios, Gangue, Sobrenatural, Urbano
Visualizações 2
Palavras 2.424
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Fantasia, Luta, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Shounen, Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Outro capítulo um tanto que introdutório, pq até então vocês conheciam apenas os 2 personagens principais da trama. Uma boa história tem que ter um elenco maior, não é mesmo?
Boa leitura

Capítulo 2 - Capítulo 2 - Gangues de Rua


Toda aquela sensação maligna que eu havia sentido no dia anterior havia se esvaído. A primeira coisa que eu fiz assim que acordei foi tentar projetar um golpe de aura com um soco. Não cheguei a danificar nenhuma parede; mas consegui ver claramente a aura negra surgir e desaparecer nos ares. Não era um sonho afinal. Realmente havia me tornado um possuído. E antes que vocês pensem que essa história é na base de um mangá clichê de luta, vou dizer uma verdade pra vocês: Ela é.

 

O que realmente me deixava intrigado era como aquele universo de poderes e monstros conseguia se manter oculto da sociedade em geral; afinal, aqueles demônios agiam em pleno ar livre. Mas não tinha muito tempo para pensar nisso. Naquele momento eu tinha que fazer o que todo adolescente faz nesse horário: me arrumar para ir ao colégio. Se fosse por mim eu nem iria; já nasci para ser delinqüente mesmo. Fazia aquilo apenas para dar satisfação ao tio do orfanato. Ele queria que eu me formasse em uma faculdade, mas naquela época eu não tinha um rumo definido para minha vida...

Nada de novo aconteceu. Bati em 2 criminosos no meio do caminho. Eles estavam cada vez mais freqüentes. Logo cheguei aos portões da escola. Alias, como eu achava um porre ter que ir a aquela escola. Como havia dito, eu tinha uma certa “fama” por aqueles arredores. Por isso as pessoas ali tentavam me evitar ao máximo possível. “Não se meta com o Demônio se não quiser ter um membro retorcido” Eles diziam. Medo era pouco do que sentiam sobre mim. Eu praticamente só tinha contato com os membros da minha gangue de rua. Sim, eu tinha uma gangue de rua. A Okami, um nome que eu mesmo a dei. Éramos uma gangue muito temida no mundo do crime. Principalmente por minha causa, é claro.

Bom, voltando a história, naquele dia um professor substituto iria dar aula no lugar de outro que ficara doente. Eu não me importava, contanto que tivesse aula. Fui direto para meu lugar cativo naquele pátio; uma pilastra no canto mais afastado da multidão e me posicionei ali esperando o horário da aula. Um dos meus companheiros de gangue veio me cumprimentar:

-Bom dia, Soren.

-Que o seu seja bom Vaan. Porque o meu não está sendo.

Vaan Yukimura. Depois de mim, ele era o membro mais forte da gangue. Descendente de uma tribo de samurais, já fora suspenso várias vezes por portar espadas no colégio. Ele dizia que um verdadeiro samurai nunca deveria se separar de sua espada (isso de acordo com o código de conduta maluco dele). Hoje ele as esconde numa bolsa de esportes em bastão. Vaan vestia uma jaqueta fechada branca, com um lenço cinza em volta do pescoço. Ele possuía o cabelo meio prateado, solto até o pescoço, e por isso, muitas garotas gostavam dele (vai entender).

-Aconteceu alguma coisa que te incomodou hoje?- Ele perguntou.

-Você não iria entender...

Meus delírios emos me afetavam mais a cada dia que passava. Vaan então foi surpreendido por um rapaz que avançava em sua direção, irritado:

-Vaan! Você me deve uma nova namorada!

Claus Rendman. Um cara um pouco mais velho do que nós, que só pensava em garotas. Já teve tantas namoradas que já não consegue contar o número apenas com os dedos.Ele vestia um blazer branco, cobrindo uma regata preta. Sua pele era mulata; o cabelo castanho escuro pentiado em franja; com uma pequena barbicha no rosto.Ele fazia musculação para tentar ficar sarado, mas seus músculos mal se desenvolviam. E suas chances estavam cada vez mais piores. As garotas preferiam homens mais novos, como o Vaan.

-Eu não tenho culpa se a Cindy prefere mais a mim do que você.- Retrucou o samurai.

-Já chega!- Claus deu um soco em Vaan. Após isso os dois começaram a brigar, chamando a atenção dos alunos ao redor. De repente um outro garoto veio animado e deu um soco em Claus.

-Argh! Porque você me socou seu maldito?!

-Ah, eu também queria entrar na briga.

Rezray Dragonscale. Era o mais novo do grupo. Sempre tentava se destacar em relação aos outros, apesar de nem sempre conseguir.Vestia um casaco vermelho por cima de uma camisa preta. Seu cabelo era alaranjado, arrepiado, com uma bandana preta na testa. Usava um bandade na bochecha direita, e nunca o tirava, como se quisesse esconder uma cicatriz muito feia.

Os três garotos continuavam a espancar uns aos outros, sem nenhuma desistência. Eu não me importava com mais nada daquilo. Eu havia renascido, como um possuído. Já havia superado todos aqueles idiotas e me transformado em um demônio de verdade. Me afastei daquele grupo, e fui para a sala de aula.

Eu sei que vocês estão curiosos então eu vou dizer. Não, eu não sento na cadeira mais ao fundo da sala ao lado da janela como todo protagonista de anime faz. Eu sento na frente. Na primeira carteira no canto direito da sala, próximo a porta. Assim posso sair da sala com mais rapidez, caso ocorra alguma emergência. E alem do mais, eu tento ser um bom aluno. Meu assento me permite ter uma melhor visão do quadro (e uma pior visão dos alunos em volta).

Tivemos aula com o professor novo. Ele entrou na sala de aula com o passo meio torto, o que a maioria dos alunos estranhou:

-Bom dia, alunos. Eu sou o professor Philip.

Ele possuía uma aparência muito inusitada. O cabelo encaracolado e enorme (como um Black Power). Usava óculos e um bigodinho de Hitler. Sua cara de chapado era evidente.

-É o seguinte, não quero saber de conversinha fiada. Sem risos, cochichos, fofocas, nada. Não ganho pra ouvir desaforo de moleque. Em outras palavras, tentem não me atrapalhar, se não quiserem que eu ferre com a vida de vocês.

Os alunos começaram a chiar. O cara explicava muito mal. Parecia meio pertubado emocionalmente. Até que alguém atirou uma bolinha de papel no professor; e então o resto da turma passou a fazer o mesmo. Ele saiu correndo da sala em pânico e os alunos comemoraram. Não me manifestei com relação ao assunto.

O resto da manha se passou normalmente. Claus e os outros não puderam assistir aula naquele dia por terem brigado na escola. Aquilo não era novidade, acontecia o tempo todo. A última aula havia acabado, e eu sai rapidamente.Queria logo testar meus poderes de possuído. No portão do colégio, fui surpreendido por uma voz conhecida:

-Oiiiii!

Era Luna. Pelo visto ela não havia ficado traumatizada com a cena do dia anterior:

-Nossa! Sua escola é muito bonita! Queria muito poder estudar nela.

-O que você está fazendo aqui?- Perguntei.

-Como assim? Eu estava te esperando. Vamos, temos muito trabalho a fazer.

-Você quer dizer matar demônios? Existem mais deles por ai?

-É claro! Eles sempre aparecem. E a maioria só quer causar problemas. Nós temos que impedir isso.

-Ei, eu virei seu servo agora?

-Calma ai, agora você tem uma dívida comigo. Fui eu quem te mostrei o mundo possuído e como usar seus poderes. Agora você tem que me ajudar quando eu precisar.

-Você me mostrou? Na verdade eu aprendi sozinho a usar meus poderes. Você só ficou olhando, de longe.

-Mas eu pretendia te ensinar! Além do mais, agora você é um recruta da organização.

-Que organização é essa?

-A Sirius Corporation. É a mais forte das organizações de possuído. Nosso trabalho lá é derrotar os demônios, exorcizar os possuídos malvados e derrotar as organizações das trevas. Para isso, precisamos de novos recrutas para que a organização continue crescendo firme e forte.

Sirius Corporation. Minha primeira impressão foi de que aquilo não era uma boa idéia. Ser subordinado por ideais de uma organização que eu nem conhecia. Eu possuía outros objetivos como possuído:

-Eu não vou entrar nesse grupo droga nenhuma; cai fora!

-Você já entrou, eu te inscrevi ontem. Seu nome ta na lista de espera. Viu como eu sou inteligente?

-Você me inscreveu sem a minha permissão sua idiota! Isso não vale!

-Agora você não pode mais voltar com sua escolha. Querendo você ou não, somos parceiros de organização.

-Eu não tive uma escolha!

Luna hesitou por um breve instante. E então disse:

-Bem, ontem eu te vi correndo para proteger aquelas pessoas. Você não hesitou nenhuma vez e lutou sem medo de morrer. Eu achei que a organização precisava de alguém forte como você. A Sirius também foi criada com o intuito de proteger as pessoas. Venha, Soren. Não vai ser ruim.

Eu ainda estava puto com aquela história. Não queria saber de lutar em conjunto, representando interesses de possuídos desconhecidos. Eu trabalhava sozinho. Os outros não mereciam minha confiança. Resolvi me afastar dalí. Luna veio atrás de mim:

-Onde você vai?

-Pro Beco.

-Beco? Onde fica isso?

-Não me siga!

O Beco. Era como a população da região chamava a rua mais perigosa do bairro. Na verdade, não só aquela rua. Em função do alto número de crimes, toda a região ao entorno dalí passou a ser “incorporada” ao Beco. Lá era onde se concentrava a maior parte das gangues de rua do bairro. Meu trabalho era simples: Exterminar todas elas; uma por uma. E o melhor jeito de fazer isso era criando minha própia gangue.Assim se tornava mais fácil marcar território e impor temor aos marginais. Eu ia para o Beco quase todo dia. Mas ainda assim, o crime era muito forte. Ao todo acho que a Okami conseguira pacificar apenas 10% da região. Era por isso que eu precisava dos meus poderes de possuído. Como eu poderia mudar o mundo se eu nem conseguia mudar a região onde eu vivia?

Finalmente atravessamos as ruelas mais perigosas; sujas e estreitas, com paredes de tijolo corroído e pichações por toda parte. O plano para aquele dia era dominar por completo a praça circular. Um dos principais pontos de encontro de criminosos, e também rota para o tráfico de drogas. Já há muito tempo estávamos querendo transformar-la em nosso ponto de encontro. Para que esperar mais? Chegando perto, Luna começou a reclamar comigo:

-Soren, eu to ficando com medo. Vamos voltar.

-A culpa é sua. Eu mandei você não me seguir.

-Mas... tem um monte de gente mal encarada olhando pra gente. Parece ser perigoso ficar no território deles.

-É ai que você se engana, Luna. Esse território não é deles. Eles tomaram o local oprimindo os moradores inocentes. Eu irei devolver a paz para essas pessoas, nem que para isso eu tenha que dizimar todos em meu caminho.

Não demorou muito até um bandidão se aproximar de nós:

-Ei moleque, quem você pensa que é entrando no nosso território desse jeito? Tá se achando o maioral? Dá um fora!

-Viu só?-disse Luna-Você irritou o cara. Vamos sair logo daqui.

Eu ignorei ela. Não iria deixar-la atrapalhar aquele momento. A verdade era que eu estava me esforçando muito para me manter são naquele momento. Eu estava com sede de sangue. Era uma sensação comum em um dia de luta no Beco. Só que depois que eu consegui meus poderes de possuído, ela havia aumentado drasticamente :

-Eu vim colocar as merdas em seu devido lugar. - Eu disse calmamente.

O bandido começou a rir:

-Ai galera, cês ouviram? O viadinho aqui ta mais abusado que os PM! Acho que a gente precisa mostrar quem é que manda nesse lugar.

Um grupo de 10 homens nos cercou prontos para atacar. Luna se escondeu atrás de mim. Dessa vez foi a minha vez de rir, da forma mais histérica possível:

-Ótimo! Que venham todos de uma vez! Não vai durar mais do que 3 minutos!

Luna gritou comigo desesperada:

-Seu idiota! Você não pode mostrar seus poderes de possuído para as pessoas assim! Tem noção de quantos problemas você pode criar?!

Mas ela ficou mais surpresa ainda foi com a minha resposta:

-Você acha mesmo que eu preciso gastar meus poderes de possuído com esse bando de lixo?

A luta começou. Como eu havia dito, derrotar aqueles caras era uma tarefa relativamente simples para mim. Eles podiam ser mais fortes em massa do que eu, mas não possuíam técnica de luta. E isso eu tinha de sobra, como se fosse um dom natural. Qualquer movimento que eles fizessem eu saberia contra atacar. Armas de fogo, você diz? Possuíam sim, poucos sabiam manusear-las direito. Contra um oponente veloz e resoluto, ficam aflitos; ou atirando em alvos errados, ou ficando estáticos, para não correr o risco de ferir os companheiros. Eu usava sim um colete por precaução, mas na maioria das vezes, ele não era nem um pouco necessário.Aqueles caras não tinham nenhuma chance. Após um curto período de tempo, a pilha de corpos estava completa. Luna observava escondida, admirada com a cena. Não conseguia acreditar que existisse alguém que pudesse causar um massacre daqueles, sem utilizar nenhuma aura demoníaca. O chefe dos bandidos estava igualmente perplexo:

-Quem diabos é você moleque?

-Eu sou Soren Slyfer, o Demônio.

A expressão de perplexidade mudou para uma de medo. O Demônio Soren; aquele que aniquilava todos em seu caminho era um garoto de 16 anos? Apesar de tudo, ele não hesitou. Chamou reforços:

-Isso não vai ficar assim! Eu sou o líder da gangue do Bola Preta! Não iremos ser derrotados assim tão facilmente!

Nesse momento, Vaan, Claus, e Rezray entraram na briga:

-Opa! É treta!- Disse Rezray.- Não dá pra perder essa!

-Acho incrível como esses capangas insistem em nos subestimar apenas porque estamos em menor número- Disse Vaan- Como se nossa fama já não tivesse chegado a eles.

Eu não queria que eles intervíssem na luta:

-Não preciso da ajuda de vocês. Vão embora.

-Deixa disso, Soren- disse Claus- Não dá pra gente deixar você ficar com toda a diversão sempre. Nossa gangue tem 4 membros, sabia?

Apenas dei um leve suspiro e voltei a me concentrar na luta. Os inimigos nos superavam em número, mas rapidamente botamos os Bolas Pretas pra correr. Mais uma vitória. Meus companheiros resolveram comemorar a conquista. Eu não queria perder tempo ali. Tinha mais coisas para fazer. Resolvi sair daquele lugar. Claus viu que eu estava indo embora sem dizer nada e gritou:

-Perai! Onde é que você vai, Soren?

-Caçar demônios. - Respondi sem virar o rosto.

Acho muito difícil eles terem entendido a mensagem naquela hora. Provavelmente acharam que eu iria bater em mais criminosos... mas não importava. Naquele momento eu só queria ficar sozinho; adentrando as fronteiras do mundo possuído.

.

.

.

 

 

 

Fim do Capítulo 2


Notas Finais


Soren é um personagem bastante baseado em minha própia imagem, do que eu pensava de mim nos tempos de colegial. É um personagem que sofre de o que muitos chamam da “Sindrome do Batman”. Perdeu os pais quando criança; e culpando o mundo por causa disso, ambiciona em transfigura-lo num lugar melhor, ao mesmo tempo que carrega consigo um enorme vazio existencial. O nome dele vocês podem pensar que se refere ao filósofo Soren Kierkegaard. Mas na verdade é o contrário. Eu passei a me interessar por Kierkegaard por causa do meu Soren, rs. Eu peguei a ideia de uma carta de Magic. Sorin Markov; um vampiro apelão para cacete (sempre perdia a partida quando ele aparecia). Curti bastante a soniridade do nome. Dava um aspecto ao mesmo tempo de supremacia e de trevas para o personagem.
Mas apesar das radicalidades, Soren não é um ignorante. Ele entende que o crime e a voilência são resultado da desigualdade social e da corrupção ao extremo em seu bairro. Ainda assim, seus traumas e seu demônio interior podem acabar o levando para um destino cruel e irreparavel.
Soren representa o arquétipo do rebelde na psicologia junguiana.
E é isso por hoje.


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