História Potens Summi - Capítulo 27


Escrita por: ~

Postado
Categorias Harry Potter
Personagens Cho Chang, Draco Malfoy, Fred Weasley, Gina Weasley, Harry Potter, Hermione Granger, Jorge Weasley, Ronald Weasley, Sirius Black
Tags Sirius Black
Exibições 26
Palavras 3.634
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Mutilação, Tortura
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


OI!
Primeiramente, venho pedir desculpas pelo pequeno sumiço. Estou naquela famosa época de vestibular e blablabla, além de estar fazendo algumas entrevistas de emprego, então eu realmente não tive tempo de postar. Contudo, aqui estou eu \o/ Acho que esse é o maior capítulo de PS até agora.
E vamos aos agradecimentos! Obrigada a ~LareehBlack, ~Hinnoryo3o e ~MelanieCollins pelos comentários <3 ~Lou_ise, obrigada por favoritar. Seja bem vinda!
Boa leitura, não se esqueçam de ler as notas finais \o/

Capítulo 27 - Hey Jude


Na manhã de domingo, a maioria dos alunos mais velhos demorou a acordar. A festa havia acabado pelas quatro da manhã e muitos tiveram que sair arrastados do Salão.

Astrid e Rachel, que não haviam bebido na noite anterior, levantaram cedo e foram tomar café juntas. Chegando no Salão Principal, sentaram-se na mesa da Sonserina, de frente para o pequeno Tommy.

- Bom dia, Tommy. – disseram as duas em uníssono.

- Dia. – ele disse timidamente.

- Onde estão seus amigos? – perguntou Rachel, que instantaneamente levou uma cotovelada discreta de Astrid.

A verdade era que Thomas Jewerly não tinha muitos amigos. Era um garotinho extremamente reservado e até mesmo peculiar, que só falava quando era perguntado. Desde o teste para o time de Quadribol, Trid observava constantemente o menino e notou que, apesar de ter uma personalidade um pouco diferente, era muito amável. Tinha pele branca como a neve, cabelos negros e olhos azuis elétricos que pareciam esconder um universo inteiro.

Ela sempre se perguntou porque ele havia sido selecionado para a Sonserina. Não fazia sentido...

Em resposta a Rachel, o garoto deu de ombros e levou uma colher de cereais à boca, provavelmente para não ter que responder. Ela olhou de relance para Astrid, que nada disse também.

Minutos depois, o menino se levantou e despediu-se delas, saindo do Salão com passos largos. Rach esperou alguns segundos para dizer:

- O que ele tem de doce, tem de bizarro.

- Pobrezinho... Gostaria de conversar mais com ele. – Astrid disse, bebendo o resto de seu chá e se levantando – Preciso ir, Rach. Aurelia não gosta muito de esperar, a essa hora ela já deve estar na sala do Dumbledore.

- Certo, boa sorte. – disse Rachel, se levantando também – Vou dar uma caminhada lá fora.

Trid despediu-se da amiga e saiu do Salão com passos apressados, com um repentino pressentimento bom sobre a reunião que viria a acontecer.

~x~

No momento exato em que abrira os olhos, Belle sentiu um pouco de arrependimento. Sentia-se culpada por ter bebido tanto, por ter feito tanta merda... Sim, ela se lembrava de tudo o que fizera naquela noite. Uma dor horrível martelava em sua cabeça e a pouca claridade vinda das frestas da janela já a incomodava.

Sentou-se na cama com certo esforço e olhou para as camas do dormitório: A de Rachel e Trid estavam vazias, mas a primeira estava devidamente arrumada, enquanto a outra estava por fazer e com algumas roupas em cima. Lupe ainda dormia.

Belle sentia-se entediada e algo em seu peito a incomodava. Ela precisava conversar.

- Está acordada? – perguntou hesitante.

Sem resposta.

- Foda-se, eu vou falar. Então... Não é só porque eu estava chapada que não lembro de nada. Tive que ouvir um sermão horrível da Rachel. Ela sempre foi assim comigo. Antes de vocês chegarem, foi minha única amiga de verdade. Eu posso resmungar e me irritar, mas sempre escuto o que ela tem a dizer. – mordeu o lábio inferior antes de continuar – Rach estava brava pelo que aconteceu ontem. Não sei se você viu, mas eu e Patricia estávamos... Você sabe. Ela não beija tão bem, mas eu vou te dizer uma coisa: Me senti livre, sabe. Eu sempre gostei de garotas, mas nunca tive peito o bastante para admitir.

Depois de alguns segundos de silêncio absoluto, ela respirou fundo e continuou:

- Saía sempre com um garoto por semana na esperança de que algum deles fosse especial o bastante para que eu me apaixonasse. Eu aprendi como é ruim tentar ser quem não é. Eu tinha vergonha... Na verdade, ainda tenho. Só que eu estava tão bêbada ontem que não liguei que me vissem com Pat. Foi libertador, de certa forma, mas a primeira coisa que senti quando acordei hoje foi arrependimento. Eu caí na real e lembrei que não vou posso passar o resto do ano letivo bêbada pra poder ignorar os olhares dos fofoqueiros.

Belle abraçou os joelhos, pressionando-os contra o peito. Continuou a dizer:

- Mesmo assim, não entendia o motivo da Rachel estar brava. Perguntei a ela, que se limitou a apontar para você com a cabeça. E foi então que eu entendi. Um monte de gente já tinha sacado isso antes, mas eu fui burra demais e só notei agora. – Isabelle olhou fixamente para o doce rosto adormecido de Lupe. A latina virou o corpo para o outro lado  –. Você chegou nessa escola com seu sotaque adorável, suas piadas horríveis e seu grande coração. Eu também gosto de você, Lupe. Sério. Mas não sei se estou preparada para me assumir. Está vendo só? Uma pessoa como você merece alguém melhor.

Repentinamente, Maria Guadalupe virou-se novamente na cama, desta vez para encarar Isabelle – que tomara um pequeno susto. Contemplou seu rosto com atenção e decidiu que não precisava de mais nada para saber que ela estava mesmo falando a verdade. A jovem se limitou a abrir um sorriso triste e dizer:

- Nós aceitamos o amor que achamos que merecemos.

- Você é boa demais para mim. – disse Isabelle. – Me desculpe por isso.

- Bom, o jogo está aberto, não está? – ela se levantou, calçou os chinelos e caminhou em direção ao banheiro. Antes de entrar e fechar a porta, completou – Quando quiser parar de ter medo de ser você mesma, eu estarei aqui. Pense nisso.

~x~

- Vamos, garota! Força! – Aurelia gritou.

No jardim atrás da casa da velha Potens Summi, Astrid estava parada com as mãos sujas de terra sobre o solo. Seu rosto estava suado e sua mente concentrada em uma única tarefa: Tentar enforcar o oponente – nesse caso Oberlin – com raízes de plantas conjuradas do chão.

Raízes fortes para prender uma pessoa exigiam muita força de um iniciante, mas a jovem não desistiu. Conseguiu fazer três delas subirem e irem em direção a Aurelia. Duas enrolaram-se nos braços com força, e a terceira estava prestes a envolver seu pescoço quando Ellaria chegou com passos apressados:

- Encontrei ela. VENHAM PRA DENTRO JÁ!

Astrid soltou Oberlin com cuidado e as três entraram na casa, subindo até o escritório de Aurelia. No canto direito da sala, estava o vaso de cerâmica com chamas acesas que Trid já havia visto na casa de Ellaria. A mulher negra ajoelhou-se perto do objeto, pedindo para que as duas se aproximassem e se ajoelhassem também. Elas o fizeram.

Ellaria colocou ambas as mãos dentro do vaso que pegava fogo. Com os olhos fechados, disse com convicção:

- Ostende mihi.

Ao sentir as chamas começarem a subir e escapar do vaso, tirou as mãos de dentro do objeto e elevou-as. Com movimentos graciosos, fez com que as chamas se abrissem e revelassem a imagem de uma garota caminhando com passos apressados em frente à estação de metrô de Londres. Seus cabelos eram ondulados e castanhos com luzes avermelhadas; possuía um par de olhos verdes assustados. Ela usava uma regata azul, jeans surrado, coturnos negros e uma mochila marrom nas costas.

- Como sabe que é ela? – perguntou Aurelia.

Ellaria abriu os olhos e, com uma expressão pensativa, disse para o fogo:

- Propinquitas.

Com um tipo de zoom, a imagem aproximou-se da lateral de seu ombro nú, que tinha uma tatuagem negra como a de Astrid, mas com a palavra Aqua.

- Sabe pra onde ela está indo? – perguntou Astrid.

Ellaria mexeu a cabeça negativamente. Aurelia levantou-se e, com o auxílio da varinha, conjurou um de seus portais:

- Vamos descobrir.

Ellaria apagou o fogo rapidamente e se levantou, pulando para dentro do círculo dourado sem hesitar. Trid e Aurelia, antes de trocarem um olhar cúmplice de animação, entraram juntas segundos antes do mesmo fechar.

~x~

- Como vamos achar essa garota? – perguntou Aurelia enquanto caminhavam pela estação.

- Ela não pode ter ido longe. Esperem um pouco. – disse Ellaria, caminhando até uma pilastra e, ao passar ao lado dela, saindo vestida com roupas trouxas – Não é bom chamar atenção.

- Só você usa aquelas roupinhas bregas, então fez bem. – resmungou Oberlin.

Os olhos de Ellaria tornaram-se alaranjados como as chamas de uma fogueira quando ela se aproximou de Aurelia lentamente e disse ameaçadoramente:

- Eu exijo respeito.

- Você não está na posição de exigir nada, meu bem.  – Aurelia sussurrou no mesmo tom – Se vai conviver comigo por muito tempo é bom começar a se acostumar.

O rosto de Ellaria começou a ficar quente:

- Quando eu botar fogo nessa sua...

Astrid interrompeu-as ao apontar para uma moça a alguns metros dali, com as mesmas características da garota que haviam visto no fogo minutos atrás:

 - É ela!

A moça acabara de passar pela catraca. Aurelia rapidamente tirou dos bolsos um pedaço de papel e rasgou-o em três pedaços menores. Usando o Somnium, colocou-os dentro da mão esquerda, sacudiu-os e entregou dois deles como réplicas idênticas de passagens de metrô para as outras mulheres. As três desataram a correr e passaram a catraca com os bilhetes (Ellaria precisou de ajuda, ela nunca havia andado de metrô antes).

- Ei! Espere aí! – Astrid gritou para a moça.

Ela se virou e, ao verem seu rosto, as três tiveram certeza de que estavam atrás da garota certa. Assustada, a jovem desatou a correr o mais rápido que pôde e as outras a seguiram.

- Fiquem longe de mim! – Trid pôde ouvi-la berrar, chamando a atenção de um dos guardas, que se aproximou com uma expressão ameaçadora.

- Deixem comigo, continuem atrás dela! – Ellaria diminuiu o passo e esperou que o guarda lhe alcançasse. Trid e Aurelia já haviam corrido.

 - O que há de errado, hein moça? – perguntou o guarda com uma expressão autoritária.

Ellaria fingiu uma expressão assustada e caminhou silenciosamente até um dos cantos da estação para que o guarda a acompanhasse.

- Senhorita, se não disser o que está havendo agora terá que me acompanhar até a delegacia.

- Sabe o que é, seu guarda? – Ellaria tirou sua varinha das vestes e apontou para o homem – Não é assunto seu. Confundus!

Aproveitando que o guarda estava atordoado pelo feitiço, obliviou-o antes de correr para a alcançar as outras. Quando conseguiu, viu que Trid e Aurelia já a haviam encurralado no fim da estação.

- O que vocês querem de mim? – perguntou a garota, tirando a varinha das vestes.

- Calma aí, só queremos ajudar. Você precisa se acalmar. – disse Astrid com cuidado.

- ME DEIXEM EM PAZ! – a moça gritou ameaçadoramente.

- Os trouxas estão olhando, vamos embora logo. – disse Ellaria.

- Ellaria, oblivie qualquer um que veja isso. – Aurelia aparatou repentinamente até a garota de cabelos castanhos. Com a varinha na mão destra, desenhou um de seus portais dourados e, pegando-a de surpresa, empurrou-a para dentro depois de dizer – Isso não é um sequestro, benzinho. Espero que nos perdoe.

- Vá atrás dela, Black. – disse Oberlin – Acalme-a, não a deixe quebrar nada da minha querida casa, por favor. Eu irei depois com Ellaria.

Astrid assentiu afirmativamente e correu até o portal, entrando nele e mergulhando em uma escuridão profunda.

~x~

Quando Astrid caiu no chão duro da sala de estar de Aurelia, mal teve tempo para se recompor. Em questão de segundos, foi atingida por vários jatos de água vindos das mãos da garota misteriosa. Não conseguia nem se levantar, com as roupas encharcadas e o piso molhado provavelmente tomaria um tombo. Entre um jato e outro d’água, ofegante, Trid tentou dizer:

- PARA COM ESSA PORRA, PELO AMOR DE MERLIN! – e, ainda sendo atingida violentamente pela água, subiu uma das pernas da calça jeans até que suas tatuagens ficassem à mostra – Eu sou como você, me deixe explicar!

A moça surpreendentemente parou, mas não abaixou as mãos. Quando Astrid tentou se levantar, ela disse ameaçadoramente:

- Fique onde está. Eu posso fazer isso o dia inteiro.

Trid não se moveu, observando a garota com extrema curiosidade. Olhou de relance para a janela da sala de estar ficou extremamente feliz ao vê-la aberta. Concentrando-se o máximo que pôde, imaginando o jardim de Aurelia em sua mente, alegrou-se (sem demonstrar) quando as raízes saíram do solo. Levou as mãos – já sujas de terra em direção à cabeça.

A garota não pareceu notar. Voltou a falar com voz autoritária:

- Me diga quem é você e onde eu estou.

Astrid nada disse, apenas abriu um sorriso orgulhoso. Mantinha seus olhos fixos na garota, mas tinha a plena certeza de que as raízes já estavam entrando pela janela.

- Responda!

A garota abriu a boca para dizer algo mais, porém soltou um urro de raiva quando fortes raízes de árvore amarraram seus braços e envolveram suas mãos, impedindo-a de fazer qualquer coisa.

Astrid se levantou com certa dificuldade e disse cuidadosamente:

- Me desculpe por isso, mas não vamos conseguir manter uma conversa civilizada se você não abaixar seu tom de voz e se acalmar. Sei que está com medo... Eu já estive assim também. Mas por favor, me escute. – torceu os cabelos loiros molhados e continuou a dizer:

- Eu sou Astrid Black. Sou uma Potens Summi também.

A garota não respondeu, mas exibiu uma expressão que era um misto de surpresa e alívio. Trid estava frustrada... Queria tanto conhece-la! Por um instante, concentrou-se em seus olhos e notou que não eram apenas verdes, mas possuíam também alguns tons de laranja que ficavam perto da pupila. A loira não via fúria e frieza – que eram as únicas coisas que a garota tinha demonstrado desde que se viram – em seus olhos. Ela viu bondade ali. Ah, e uma boa pitada de medo.

- Vamos... Para que você consiga respostas, vai precisar me dar algumas também. – Astrid disse pacientemente – Pode dizer ao menos o seu nome?

Depois de alguns segundos de silêncio absoluto, ela resmungou:

- Jude White.

- Certo, Jude. É um bom começo. Eu vou te soltar, está bem? – Trid moveu as mãos e as raízes começaram a se desamarrar de seus braços lentamente – Por favor, não fuja. Vamos conversar.

Por um momento, a loira pensou que a moça fugiria no instante em que se soltasse, porém ela continuou ali. Imóvel.

Segundos depois, um portal dourado se abriu entre as duas, e dele saíram Aurelia e Ellaria; ambas andando com elegância como se nada tivesse acontecido (Astrid gostaria de aprender como elas faziam isso, talvez perguntasse depois).

Oberlin avançou alguns passos em direção à garota. Analisou-a da cabeça aos pés com um olhar extremamente crítico antes de dizer:

- Você molhou o meu piso. – e depois deu-lhe as costas e começou a subir as escadas.

Ellaria a seguiu. Antes de pisar no primeiro degrau, disse:

- Suba, garota.

Jude, hesitante, olhou para Astrid com uma expressão confusa. A loira acenou com a cabeça como quem a encoraja a ir e começou a caminhar em direção às escadas também com a morena em seu encalço.

Ao chegarem no escritório de Aurelia, a velha pediu para que a garota fizesse silêncio até que terminasse de falar. Contou o necessário sobre Potens Summi e ficou surpresa ao notar que ela sabia ao menos o básico (mostrou O Arquivo da Potens Summi, Jude ficara extremamente encantada com as fotos antigas). Também falou as peculiaridades que estavam acontecendo (destacando o fato de que haviam atualmente quatro Potens Summis vivas, o que era praticamente impossível).

Jude ouviu tudo em silêncio, mas parecia ficar mais enjoada a cada nova informação. Trid lançou lhe um olhar compreensivo: Ela entendia a garota mais do que ninguém.

Quando Oberlin terminou, a moça torceu as mãos, aparentemente nervosa, antes de dizer:

- Isso é loucura. Como podem haver tantas?

- Loucura, sim, contudo é a mais pura verdade. – disse Ellaria casualmente – Eu até poderia perguntar se você tem perguntas, porque sei que tem, mas é melhor deixar que elas se respondam com o tempo. Se ficar pensando nisso o tempo todo, aí sim é que fica louca.

- Que falta de educação a nossa, não? Nem fomos apresentadas! Desculpe, é que há toda essa urgência de explicar coisas e tudo o mais... – falou a Potens Summi mais velha – Eu sou Aurelia Oberlin.

- Ellaria. – disse a moça negra que acabara de puxar uma cadeira para se sentar.

- Conte-nos sobre você. – pediu Aurelia.

- Certo... – ela disse timidamente – Meu nome é Jude White. Eu tenho dezesseis anos, mestiça, nascida e criada nos Estados Unidos. Estudo na escola de Magia e Bruxaria de Ilvermorny... Digo, estudava. Há alguns meses, em uma excursão, eu fui nadar e quase me afoguei. Eu achei que iria morrer ali mesmo... Me lembro claramente de como me debatia ao sentir a falta de oxigênio. Quando achei que tudo acabaria, minhas pernas sumiram e ganhei uma cauda. Sim, a porra de uma cauda de sereia. E mais: Eu conseguia respirar debaixo d’água! Quando eu saí do lago, tudo voltou ao normal. Mas de noite essa tatuagem estranha apareceu em mim e eu simplesmente me tornei capaz de controlar a água. Foi tudo muito louco.

- Enfim, eu não entendia que merda estava acontecendo comigo, mas nada anormal voltou a acontecer depois disso, graças a Merlin. Semanas depois, em um sábado, eu estava andando pela escola. Sozinha, como de costume. É bom pra pensar, sabe? Estava começando a me conformar com o pensamento de que só havia ganhado aquele poder bizarro por sorte quando uma moça surgiu da escuridão. – Jude disse sombriamente – Ela devia ter uns sessenta anos, de aparência oriental. Olhos negros puxados, cabelos grisalhos cortados na altura dos ombros... Estava magra demais, chegava a ser algo doentio.

- Ela contou quem era? – perguntou Ellaria.

- Se apresentou como Sun-Hee. Pediu que eu a acompanhasse para uma parte mais reservada dos Jardins da escola. Eu não sabia o que fazer! Estava morrendo de medo, mas a segui. Então ela tagarelou super rápido com um sotaque horrível todo esse negócio de Potens Summi e na mesma hora pensei que ela estava chapada. Mas ela me mostrou tatuagens: Tinha uma igual à minha. Aqua. E também algumas outras das quais não me lembro. Foi ali que eu comecei a acreditar...

- E o que aconteceu depois? – perguntou Astrid.

- Sun-Hee disse que estava fugindo de alguém e que, sabendo que eu seria sua sucessora, ela precisava me ver antes que ele a encontrasse.

- Ele quem? – questionou Ellaria impacientemente.

- Ela chamou-o de... – Jude fez um pequeno esforço para se lembrar – O Colecionador.

Aurelia – extremamente irritada - fez um aceno com a mão em direção a uma pilha de livros e eles voaram até a parede, se chocando contra ela:

- Puta merda, esse cara não dá um descanso!

- Espera, vocês conhecem ele? – perguntou Jude.

Astrid confirmou com a cabeça e contou o pouco que sabia sobre o tal homem. Jude engoliu em seco e continuou:

- Sun-Hee disse que gostaria de me ajudar mais, de me guiar. Que nós duas deveríamos estar unidas. Porém choramingou dizendo que era tarde demais para ela, que logo ele a pegaria. Pediu que eu me cuidasse e disse que estaria torcendo por mim. – a morena mordeu o lábio inferior – Tenho quase certeza de que aquela senhora era clarividente também.

- Por que acha isso? – indagou Trid.

- Porque ela previu tudo isso. Nós. Ela disse que eu não estava sozinha e que logo encontraria semelhantes. – Jude disse, sentindo um arrepio percorrer sua espinha – Mas disse também para tomar cuidado, porque eu encontraria muitos impostores pelo caminho. Por isso eu fugi de vocês, pensei que quisessem me machucar. Sinto muito.

- Tudo bem, você não sabia. – Trid lançou lhe um sorriso amigável.

- Ela me deu um presente. – a morena colocou a mão dentro da regata e tirou dali uma corrente simples, de cor de palha, com uma pequena pedra como pingente. Era meio azul, meio verde... Muito difícil de descrever com palavras. – Se despediu e simplesmente aparatou. – Eu estava assustada, não sabia o que fazer... Então arrumei minhas coisas e fugi na última excursão. Vim para a Inglaterra achando que iria escapar dos problemas, mas acabei encontrando vocês.

Aurelia, que estivera em silêncio desde seu surto de raiva, se manifestou:

- Eis o que vamos fazer. – ela aproximou-se da garota com uma expressão pensativa – Conversarei com Alvo Dumbledore sobre isso e pedirei que a matricule em Hogwarts. Pedirei a ele que invente alguma história para os diretores em Ilvermorny. Mandarei uma carta para seus pais explicando tudo, se necessário os visitarei.

- Concordo. – Astrid disse – Hogwarts é ótima, você vai adorar. Não pode voltar para os Estados Unidos agora... Não está segura.

- Certo isso. – Ellaria levantou-se e caminhou até a garota também. Ajoelhando-se perto dela, continuou a dizer com um sorriso sombrio – Parece que encontramos nossa quarta irmã. E eu devo mencionar, companheiras, que tenho o pressentimento de que algo grande virá a acontecer em breve.

- E Sun-Hee? – perguntou Jude – Há alguma chance dela estar viva?

- Deixe isso conosco, minha criança. Ellaria e eu cuidaremos disso para você. Se um resgate puder ser feito, nós o faremos. – Aurelia olhou-a desafiadoramente – A pergunta que fazemos agora é... Está dentro?

Depois de alguns segundos de silêncio e tensão, Jude olhou dentro dos olhos da velha bruxa com ferocidade e acenou positivamente com a cabeça.

Astrid também levantou-se e caminhou até a mesa de Aurelia Oberlin: O Arquivo da Potens Summi ainda estava ali. Pegou-o com cuidado e o levou até Jude, que lançou lhe um olhar confuso.

- Toque-o. – disse Trid.

E ela o fez. Em questão de segundos, o livro se abriu sozinho e parou na última página. Nela, uma pequena gota d’água brotou e escorreu até o fim da folha. A garota fechou o livro e olhou para a capa:

O Arquivo da Potens Summi, por Astrid Teles Black e Jude White.

Ellaria, com seus olhos negros faiscantes, olhou para a garota com orgulho e abriu os braços, dizendo:

- Seja bem vinda, menina sereia.

 


Notas Finais


E aí, o que acharam?
Pergunta de hoje: #TeamEllaria ou #TeamAurelia?


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