História Powerless - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Amor, Irmandade, Jace, Lucy, Máfia, Originais, Romance
Exibições 26
Palavras 4.170
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Saga, Suspense
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Olá meus lindos e lindas.
Essa é minha terceira fanfic, mas minha primeira Original. Nesse capítulo vão conhecer a protagonista e saber um pouco sobre a sua vida. No mesmo, haverá descobertas. Todo capítulo será mais ou menos assim, cheio de emoções.
Boa leitura anjos

Capítulo 1 - Descobertas


Fanfic / Fanfiction Powerless - Capítulo 1 - Descobertas

Acordei com o barulho irritante do meu despertador. É hoje. O dia em que eu iria à minha primeira entrevista de emprego. Levantei-me da minha cama animada e amarrei meu cabelo para tomar um banho, ouvi gritos lá de baixo e então parei na porta do banheiro para ouvir do que se tratava, apesar de eu já saber.

-Você não faz idéia do quanto eu odeio você! – disse minha mãe lá de baixo.

Minha casa é enorme, então é difícil ouvir ruídos e sons dentro do meu quarto, mas quando se tratava de uma briga dos meus pais eles acabavam acordando a vizinhança toda. Suspirei. Era a mesma coisa todo santo dia. Minha mãe via uma mensagem da amante do meu pai e eles brigavam. Era cansativo.

No começo das brigas eu sofria, eu pedia ao meu pai para parar ou para ir embora, mas isso nunca acontecia. Minha mãe estava cada dia mais triste, mais acabada mentalmente e fisicamente. Isso estava a destruindo, nos destruindo. E é por isso que preciso desse emprego. Quero sair de casa, e levar minha mãe junto.

Soltei novamente outro suspiro e entrei no banheiro. Tomei uma ducha rápida e logo saí do banho encontrando meu cachorro deitado na minha cama

-Folgado – Dei língua para ele e depois beijei sua cabeça. Fui até meu closet e peguei uma cruzeta com todo meu look separado.

Passei hidratante, uma coisa que geralmente não faço, e vesti-me. Dei uma boa olhada no espelho e depois sentei na minha penteadeira, usei uma maquiagem leve e um batom nude. Soltei meu cabelo. Dei uma olhada no castanho escuro e nas ondas que eu mesma fiz na noite passada. Eu estava bem, aceitável até. A pior parte de tudo era o salto que eu usaria. Não que fosse um salto de quinze centímetros, mas era um salto e nunca fui boa em usá-los. Ao contrário da minha melhor amiga, eu não duvidaria se ela dissesse que usou um salto de trinta centímetros.

Calcei o salto e me virei para me olhar no espelho, eu estava bem formal com a minha saia lápis azul escuro e uma blusa com mangas e botões de pano passado. A meia calça era cor de pele, bem discreta e o salto era preto, básico.

Peguei minha bolsa e saí pela porta do meu quarto. Não ouvi mais nada, nem um pio. Desci as escadas e entrei na cozinha luxuosa da minha mãe, que era a melhor parte da casa. Eu a encontrei sentada no balcão, os olhos cheios de lágrimas, seu rosto estava vermelho e ela segurava algo que estava em seu dedo, possivelmente a aliança.

-Mãe? – Chamei-a. Ela levou um susto e enxugou as lágrimas rapidamente e como se eu não tivesse visto seu estado ela sorriu.

-Você está tão linda, minha bebê! – Ela veio até mim e beijou minha bochecha agarrando meu rosto bem forte.

-Ai mãe, assim não sobra nada de mim para a entrevista. – Falei sorrindo.

-Tem razão, eu não posso amassar você. – Ela disse alisando minha blusa. – Filha, você está tão... Fechada, não acha?

Olhei para mim mesma.

-Não, eu acho que estou bem. – Ela colocou a mão no queixo e me examinou, dois segundos depois ela ergueu um dedo, sinônimo de que tinha tido uma idéia.

Ela desabotoou dois botões da minha blusa.

-Agora sim! – Ela disse.

-Mãe! – reclamei – Pelo amor. – Falei corando, minha mãe às vezes passava dos limites. Fechei os botões novamente.

-Tem razão. Seus peitos são muito pequenos. – Ela disse e fiquei mais vermelha ainda, mas acabei por rir. – Você já merendou?

Ela sabia que não, mas sempre perguntava.

-Não – Peguei uma maçã e mostrei a ela. – Estou sem fome!

-Lucinda, está sem fome por ficar a noite inteira comendo sorvete. – Falou ela me dando bronca com a voz irritada. Fiz uma cara  de culpada e corri da cozinha.

-Tchau mãe! – Gritei antes de fechar a porta e sair de casa. Lá fora me encontrei com nosso mordomo. – Oi senhor Mosbi.

Ele me deu um sorriso educado e me parou pelos ombros para ver meu visual.

-Está mais linda do que nunca, senhorita. – Ele apertou meu ombro, eu amava esse velho. Ele praticamente me criara. Minha mãe era psicóloga e ficava em casa, mas como tinha muitos clientes para atender eu mal a via durante o dia e meu pai viajava pelos países por meses até. Agora que ele parou um pouco em casa. Mosbi foi um pai e uma mãe pra mim. – Estou muito orgulhoso.

Eu sorri e revirei os olhos.

-Senhor Mosbi, é só uma entrevista de emprego. – Ele ergueu um dedo, me calando.

-Não, é o seu primeiro emprego.

-Ah, eu queria estar tão confiante assim como o senhor. – Ele apoiou a mão nas minhas costas fazendo com que eu andasse junto com ele.

-Lucinda, eu a conheço. Você cativa todos à sua volta. Você vai conseguir o emprego. – Ele disse tirando a mão de minhas costas. Já estávamos na frente do carro que me levaria até a Empresa Blue. Era a melhor empresa de toda a capital de Oregon. Entrei no carro e baixei o vidro para dar uma ultima olhada em Mosbi.

-Obrigada. – Eu disse e ele apenas me deu um de seus sorrisos.

O carro entrou em movimento e respirei no banco de trás do carro. Joguei minha maçã no banco. Sempre que eu saia de casa me sentia aliviada, como se um peso enorme saísse das minhas costas. Como se eu não fosse a garota com problemas em casa, como se eu fosse somente eu, Lucinda. Olhei para as diversas arvores ao redor do carro. Meus pais moravam na cidade, mas meu pai sempre gostou da calmaria e beleza da natureza e então vieram morar aqui quando casaram, no meio da floresta. Obvio que tiveram que fazer a casa perto da estrada, mas isso não é problema para um Singer.

Eu gosto, não há nada melhor que o vento úmido de Salém nessa época do ano. Encostei-me na porta do carro e fechei os olhos. Mas fui brutalmente assustada quando meu celular tocou. Olhei no identificador e sorri, era uma mensagem da Em.

Lucinda?

Emma? – Brinquei. Eu podia até ver e ouvi-la suspirar.

Arg, você já começou a ser irritante desde cedo...

Ela botou uma carinha de nojo e eu sorri. Ela estava escrevendo e minha ansiedade aumentou, se eu conhecia a Emma, devia ser algo importante para ela me chamar assim de manhã.

Aconteceu algo bem estranho ontem depois que eu voltei da casa da minha avó, um cara de terno me parou na rua!!!!! Quase morri do coração, sério fui até no hospital.

Dei uma gargalhada alta e agradeci pelo vidro fumê estar me separando do motorista.

Detalhes, Emma...

Lucinda ele me perguntou sobre você.

Arregalei os olhos quando li. Por que afinal alguém perguntaria de mim para minha melhor amiga no meio da rua?

O quê? E então, o que você disse? O que ele queria de mim? Ele falou quem era?

Escrevi rapidamente. Eu já estava ficando nervosa e Emma fazia questão do suspense.

Eu não sei o que ele queria com você. Na real, eu não falei nada de você, tá? Só que ele era realmente assustador. Perguntou onde você mora. Eu perguntei quem queria saber e ele simplesmente disse “Não é da sua conta mocinha” bem sinistro amiga.

Parei um pouco para pensar, o que alguém iria querer comigo? Nada. Eu era uma ninguém.

Estranho – Enviei. Não havia mais o que falar, depois eu iria perguntar ao meu pai se ele tinha mandado algum dos capangas dele me procurar. Mas se fosse alguém do meu pai, provavelmente saberia onde eu moro.

BEM SUSPEITO VOCÊ POR ACASO ESTÁ COM DIVIDAS COM A POLÍCIA E NÃO ME DISSE SINGER?

Sem gracinhas Em.

Puff. Você é meio mal humorada sabia? De qualquer jeito, passo ai mais tarde, ok?

Vou fazer chocolate. – Foi a ultima coisa que disse. Desliguei meu celular para que eu não fosse incomodada.

Percebi que o trajeto estava demorando demais, faltava somente mais trinta minutos para minha entrevista. Suspirei e liguei o interfone do carro.

-Motorista, eu tenho que estar lá em vinte minutos, se perdeu por acaso? – Falei irritada, tudo isso que a Em me contou me deixou meio aflita. O motorista não respondeu.

Bufei e desci o vidro fumê que nos separava.

-Ei, estou falando com você. – Ele me olhou pelo retrovisor.

-Desculpe senhora – Ele disse calmamente voltando o olhar para a estrada. Ergui uma sobrancelha – Não vai demorar muito.

Achei muito estranho. Eu realmente não tinha sido avisada do meu novo motorista.

-Qual é mesmo o seu nome? – Perguntei e ele me fitou com seus olhos quase pretos.

-John senhorita. – Ele falou cordialmente.

-Não fui avisada que você ficaria no lugar Michael...

-Michael estava – Ele olhou para mim, quase sombriamente. – indisposto esta manhã.

-Já era para estarmos na cidade à alguns minutos, John. – Falei tentando esconder meu nervosismo. Eu não sou burra, algo estava errado. Ou esse cara tinha se perdido e não queria me contar ou meu pai estava de sacanagem comigo. Meu pai nunca quis que eu trabalhasse desde o inicio. Devia ser mais uma armação dele. – Deixe-me sair do carro. – Eu disse já tentando abrir a porta, mas ela estava travada. Olhei furiosa para o motorista. – Eu mandei me deixar sair, abra já a porta!

-A senhorita quem manda. – Ele destravou a porta, mas o carro continuou em movimento. O maldito estava zombando com a minha cara. Meu pai ia pagar por isso!

-Eu não posso perder essa entrevista, por favor! – Implorei. Eu já estava com vontade de chorar, mas segurei. Quando o rosto de John continuou o mesmo eu tive uma idéia. – Quanto você quer? Posso conseguir mais do que meu pai está lhe pagando. – Ele me olhou – É só você me deixar sair daqui. – E como se eu tivesse feito uma piada ele riu.

-Eu não quero dinheiro. – Ele semi-serrou os olhos e deu um sorriso malicioso – Mas tem outra coisa que eu quero, e você pode me dar.

Assustei-me e me ofendi com sua cantada abusiva e fora de hora. Aquilo nem podia ser chamado de cantada, é assédio.

-Como ousa falar assim comigo? – Falei me encolhendo no banco. Esse cara não ia me deixar sair do carro. Eu pularia? Não, nessa velocidade eu sairia machucada e suja então como eu iria à minha entrevista?

Me xinguei quando lembrei que tinha um celular em mãos. Discretamente digitei uma mensagem para Emma, mas quando apertei em enviar apareceu um quadradinho de aviso dizendo que eu estava sem área. Merda. O homem ao volante riu e mostrou um aparelho sem sequer olhar para trás.

-Esse aparelho impede que você envie mensagens ou faça ligações, não queremos isso não é?! – Ele me disse e meu queixo quase caiu ao chão. Meu pai tinha passado dos limites.

-Meu pai tem que... –Gritei de raiva e chutei o banco do motorista com força. Ele permaneceu calmo, o que me deixou irada.

Quarenta minutos depois eu já estava pronta para chorar, mas minha raiva era bem maior que minha indignação. John entrou com o carro em uma propriedade enorme. Uma enorme e bela mansão de tirar o fôlego, meu pai nunca havia me mostrado essa. John saiu do carro e eu saí também, fui andando bem rápido para falar poucas e boas com meu pai quando John segurou meu braço com força. Ele me mostrou uma algema e prendeu um lado no meu braço e outro no dele.

-Mas que porra é essa? – Perguntei indignada. Ele me deu um sorriso de tubarão, mas não falou mais nada. Eu nem conseguia pensar com coerência. Meu pai nunca mandaria um de seus homens me algemar, John estava exagerando e eu o deduraria ao meu pai e o faria ser demitido. – Eu vou fazer você vender sanduiches no Mcdonalds seu desgraçado.

Ele começou a andar me ignorando e fui forçada a andar junto. Quando chegamos a frente à porta enorme de madeira, ele tocou a campainha. Um homem forte e alto que me lembrou o David Beckham abriu a porta e seu olhar foi direto para mim. Ele me engoliu com os olhos e abriu um sorriso.

-Senhorita Lucinda, por favor entre... – Ele me deu espaço para entrar e pânico se passou por mim. Isso não era coisa do meu pai. Fui para trás com toda minha força, mas John puxou a mão e com facilidade me segurou.

-Não torne as coisas piores. – Disse ele contra meu ouvido. Dei um chute no meio de suas canelas e virei as costas para correr com o coração a mil, mas esqueci da algema o que fez com que meu corpo caísse no chão com força. Comecei a gritar por socorro.

-O que vocês querem comigo? Onde estou? – Perguntei desesperada. Todo o meu corpo se sentia culpado, eu devia ter pulado do carro quando tive a chance. Eu nem deveria ter entrado nele de início.

-Ela é atraente – Falou o homem que abriu a porta – talvez seja útil para outras coisas.

-É uma vadia – Disse John ainda irritado pela dor entre suas virilhas.

Isso era nojento e assustador. Os outros homens de repente pararam de prestar atenção em mim. John parou e ficou olhando para o nada e só depois percebi que ele tinha um daqueles fones de ouvido portátil. Eles deviam estar recebendo uma mensagem de alguém. Eu tinha que sair desse lugar, das mãos desse homem, mas antes disso eu ansiava por saber o que diabos eu fazia ali.

-Sim senhor – Falou John e me arrastou para dentro da casa. Não me impressionou a mesma ter um elevador. Até parecia um hotel. John e eu entramos no elevador.

-Por favor, me diga o que vocês querem comigo. Meu pai pode pagar, é isso que querem? Dinheiro? – Era uma pergunta meio idiota de se fazer quando se entra em um lugar assim, mas eu não pensava direito. Eu estava afoita, soada e com medo.

-É aí que você se engana mocinha. – Não entendi o que ele quis dizer.

-C-como assim? – Gaguejei com medo da resposta.

-Se quer mesmo saber um dos motivos de você estar aqui, são dividas...

-Dividas? – Ele não explicou e o elevador parou em um escritório meio vazio, mas ainda sim luxuoso. Nele só havia uma mesa, prateleiras vazias e uma cadeira atrás da mesa. Nela havia apenas um notebook. Mas em tudo, o que me chamou mais a atenção foi o belo homem que estava sentado na cadeira.

Seu olhar cravou no meu. Ele estava com uma mão pousada no queixo, parecia pensativo enquanto fitava todo meu corpo. Ele provavelmente estava percebendo minhas pernas bambas. Ele tinha olhos tão azuis que eu pude ver nessa distancia, seu cabelo era um castanho bem claro, ou loiro.

-John, eu disse para não assustá-la e você me trás um cachorrinho com o rabo entre as pernas? Tire a algema dela. – Ele tinha a voz grossa e autoritária.

John, agora obediente, destrancou a algema em meu pulso. Quando eu a tirei vi meu pulso vermelho, passei a mão para aliviar minha carne. John saiu da sala e me deixou ali. Eu não sabia se corria ou se simplesmente me encolhia no chão e implorava pela vida. Mas nenhuma dessas era uma opção, pelo menos agora.

-Por favor, Lucinda, sente-se. – Ele esticou a mão para a cadeira na frente de sua mesa. Engoli em seco e fui. Sentei-me tão rápido que a cadeira foi um pouco para trás. Eu soava feito porco naquele momento. – Gostaria de um copo de água?

Era tudo que eu mais desejava, mas nesse momento não passaria nada pela minha garganta. Ela estava fechada. Neguei com a cabeça sabendo que se eu falasse minha voz sairia trêmula.

-Vamos direto ao ponto então. – Ele pousou sua mão em cima do vidro na mesa. Eu passei a olhar somente para sua mão tentando evitar contato visual. Ele parou o movimento que fazia com os dedos. – Agora você é minha! – Ele disse e meus olhos se direcionaram para os seus, aturdida. Isso parecia uma piada.

-E-eu sou sua? – Perguntei gaguejando. Minha boca parecia mais seca ainda.

-Sim. É minha propriedade. – Ele virou-se de frente para mim, ainda sentando na cadeira, inclinou-se em minha direção segurando seu corpo contra a mesa pelos cotovelos. – Seu pai a vendeu você pra mim. Eu queria o que ele mais tinha de valioso, e aqui está você.

Inevitavelmente soltei uma risada nervosa e ele me olhou intrigantemente.

-Isso é uma piada? Você me seqüestrou.

-Tsc, Tsc, Tsc, nada disso Lucinda. – Ele balançou a cabeça – Lembre-se que você entrou no carro por pura e espontânea vontade.

-Como? – Gritei sem ter idéia da altura de minha voz. – Eu fui enganada. Achei que o carro era da minha família.

-E é, não se preocupe, nós vamos devolvê-lo. – Ele disse. Estava zombando de mim. Ele riu da minha cara.

-Me devolva junto!

Ele sorriu de canto.

-Isso não será possível! – Ele levantou da mesa e gelei quando ele veio em minha direção, mas graças as minhas orações ele foi até um pequeno cofre atrás de mim. Lá ele tirou um vinho e uma taça. Era uma mini adega. – Não é nada pessoal Lucinda, mas seu pai é um cretino filho da puta. Eu e ele tínhamos um acordo de negócios, ele me deve muito mais do que o dinheiro pode pagar. Ele me deve meu irmão. – Parei um pouco para assimilar.

-Tá me dizendo que meu pai matou seu irmão? – Perguntei com os olhos arregalados - Olha, meu pai pode ser tudo, menos um assassino.

-E como você tem certeza? Aposto que não sabia que ele trabalha com Tráfico, por acaso? – Me engasguei.

-T-tráfico? – Ele encheu a taça e bebeu um gole do que seja lá o que fosse que ele estava bebendo. Ele me fitou com seus olhos belos e hipnotizantes olhos azuis.

-Se você quiser, eu posso matar seu pai. – Faltou ar no meu peito. O jeito calmo e controlado dele me deu arrepios.

-Não! – Falei alto demais.

Ele me olhou como se não tivesse entendido a resposta.

-Seu pai vende você para mim, e você ainda o protege? Você é muito burra.

-Não sou burra, só sei que você está mentindo!

-Se eu estou mentindo, por que você está chorando? – Toquei meu próprio rosto e percebi as lágrimas que caíram dos meus olhos. Não, não pode ser. Eu não posso acreditar que meu pai fez isso comigo. É algo que nem a pessoa mais fria conseguiria fazer. Inevitavelmente eu comecei a soluçar e cobri meu rosto.

Como ele pôde? Eu simplesmente não posso acreditar, eu tive uma infância normal. Apesar das viagens ele me trazia presentes e brincava comigo sempre que podia, e quando me tornei adolescente... Bom, ele havia ficado mais distante. Balancei a cabeça, eu estava começando a acreditar em um homem que me seqüestrou e que eu nunca vi na vida.

Mas a moral de meu pai não era dura como pedra, ele trai minha mãe desde que me lembro. Eu só tinha doze anos quando eu soube e meu mundo desmoronou. A pior coisa do mundo é ter o coração esmagado por alguém que você ama.

Senti uma mão no meu ombro e quando abri os olhos me deparei com o olhar arrasador do homem que diz ser meu dono. Ele me olhava como se estivesse com dó. Odeio esse olhar.

-Não chore minha querida, ele não vale uma das suas lágrimas... – Ele disse e delicadamente passou a costa de seu dedo indicador na minha bochecha.

-Meu nome é Lucinda! – Falei e empurrei a mão dele bruscamente. – E eu não ficarei aqui.

-Isso não é uma opção minha querida. – Ele falou e minha irritação aumentou.

-Então estou presa sob cativeiro, o que você acha que eu sou? Um cachorrinho perdido? Eu sou uma pessoa, não se compra pessoas. – Falei levantando.

-No meu mundo sim. – Ele disse ajeitando a gravata que estava perfeita encima de sua blusa branca de botões, bem parecida com a minha. – Eu não vou tratá-la mal, nem irei lhe obrigar a fazer coisas que não queira.

-Disso eu não tenho certeza. – Falei engolindo em seco. O que eu faria agora? E meus planos? Eu já tinha minha vida toda projetada no meu computador, eu trabalharia e treinaria para ser médica veterinária e depois de já ter dinheiro sairia de casa e levaria minha mãe junto. Abriria uma clinica com a herança da vovó e viveríamos bem. Tudo estava dando errado.

Passei as mãos freneticamente pelos cabelos. Eu ia enlouquecer nesse lugar, eu não conheço esses homens, não sei o que fazem. Nem sei se falam a verdade sobre meu pai.

-Lucinda – Ele me chamou e eu o fitei, o mesmo não tinha mais a expressão zombeteira de antes, ele me olhava como se entendesse minha frustração. Droga, eu nem sequer sabia seu nome. – Pode me chamar de Dylan. – Ele disse como se tivesse lido minha mente.

Eu não queria chamá-lo de nada. Eu simplesmente queria ir embora, e fugir com minha mãe. Se meu realmente fez isso comigo, eu não sei o que ele faria com minha mãe.

-Se eu vou mesmo ficar aqui, eu peço respostas. Eu quero saber o real motivo de eu estar aqui. – Falei fria, tentando controlar o choro. Ele assentiu e sentou em cima de sua mesa segurando-se somente com uma perna.

-Sente-se. – Ele disse com sua voz aveludada e elegante. Engoli em seco e me sentei na cadeira que eu estava sentada antes. Ele pegou o copo e bebeu um gole. – Por favor. – Ele disse permitindo que eu falasse.

-Bom, como o meu pai se meteu com você e para começar quero saber o que você faz? – Perguntei e juntei minhas mãos. Uma mania que eu tinha quando estava nervosa.  Ele depois de encher novamente seu copo, deu mais um gole.

-O seu pai é dono da instituição de caridade, como você deve saber. Mas nessa instituição, ele não doa roupas e comidas para necessitados. Na verdade, é a empresa mais conhecida com tráfico de pessoas desde 1987. E é aí que eu entro, sou o líder da corporação Minério de Nova Iorque. E uma das minhas empresas exporta os “produtos” que seu pai vende. – Embasbacada perguntei:

-Com produtos, você quer dizer pessoas?

-Não me interrompa – Ele falou grosso. – Terá sua vez de fazer mais perguntas.

Assenti, tentando não pensar e pirar com o fato do meu pai traficar pessoas e me concentrei na voz de Dylan.

-Continuando, eu nunca cheguei a trabalhar com seu pai. Quem cuidava de coisas do tipo como: encomendas, tráfico, exportação, era meu irmão mais novo. Eu ficava com a parte burocrática do negócio. – Ele deu mais um trago e fitou meu rosto – Seu pai estava no negocio há uns dez anos, ele sabia dos perigos e que se não tiver cuidado nesse ramo, você pode ser pego pela policia ou pelo inimigo. E devo dizer que, por experiência própria, a polícia é uma melhor opção. Tudo é uma enorme pirâmide de merda, querida. Seu pai esqueceu quem manda, e por minha bondade ele ainda está vivo.

-Mas, como meu pai matou seu irmão? Ele não sabe dar um soco no ar!

-Ele é culpado pela morte do meu irmão, mas indiretamente. – Ele sentou-se mais confortavelmente em cima da mesa. Me assustava a maneira como ele falava da morte do irmão, era como se falasse que horas seria o jantar. – No dia que meu irmão foi assassinado, os Blood’s estavam por perto do local de troca. Singer e meu irmão estavam fechando negócio, igual como faziam todo mês, e os Blood’s apareceram. Meu irmão, sendo um idiota como sempre, correu até seu pai e o colocou dentro do caminhão. Uma troca de tiros começou e seu pai partiu com o caminhão, deixando meu irmão lá para morrer.

-Seu irmão tentou salvar meu pai? – Isso foi uma coisa boa, apesar de ter causado sua morte. – Ele não foi um idiota por ser bom, meu pai que foi.

-Seu pai não é um idiota, ele é um covarde. Ser covarde nesse ramo causa morte. – Falou ele sombriamente, com os lábios duros em linha reta. Ele me dá medo.

-Mas você não o matou. – Falei tentando saber e entender o pensamento dele.

-Não, não matei. Você acha que eu o mataria e depois o deixaria descansar em paz? Não. Ele vai sofrer, por muitos anos.

-O que pretende fazer com ele? – Perguntei temerosa. Eu não podia parar de me importar, ele é meu pai.

-Nada que você queira saber! – Ele disse e pôs o copo, agora seco, em cima da mesa.

-Viverei sobre cárcere? – Perguntei temendo a resposta. Ele não pareceu nem um pouco ofendido e pareceu se divertir. 

-Mas é claro que não. – Ele me levantou da cadeira, puxando-me pelas mãos. – Mas eu não confio em você, então estará sobe meus olhares e dos meus homens. Agora, vamos! – Ele disse pegando sua caixinha de cigarro da mesa e soltando minhas mãos.

-Para onde?

-Nova Iorque. 


Notas Finais


O protagonista masculino, ainda não apareceu, mas Dylan será muito importante na história. Bjusss e comentem, amo saber o que vocês acham.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...