História Pra Sempre - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Romance
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Palavras 2.000
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - O almoço


-Sarah anda logo… - Loren se surpreende ao me ver tomando café na cozinha. - Nossa que milagre você já estar de pé!

-Não podemos nos atrasar né mana! - passo por ela e lhe dou uma piscadinha. - Te espero lá fora.

[…]


 

Já na mansão dos Simon Loren e eu conseguimos terminar a limpeza do terceiro andar.

-Ai que ótimo meninas, agora vamos, preciso muito da ajuda de vocês aqui na cozinha, o resto da família Simon já deve estar chegando, tudo dever estar intacto! - diz Celeste a mil por hora nas panelas.

Loren e eu seguimos as regras que o Alfredo nos passou, como é a nossa primeira vez, ele nos ajuda nos detalhes, mas no final nos dá os parabéns.

-Ufa! Terminamos! - diz Alfredo passando a mão na testa.

-Essa mesa ficou perfeita! - diz Loren orgulhosa.

Alfredo se aproxima da mesa analisando.

-Faltou só as colheres de sobremesa! - diz ele.

-Pode deixar que vou buscar! - me prontifico.

Seguimos para a cozinha, enquanto Alfredo e Loren arrumam as bandejas para servir, volto a sala de jantar para arrumar as colheres de sobremesa, assim que termino de arrumar a última colher esbarro em John.

-Desculpa! - digo.

Quando levanto a cabeça nossos olhos se encontram, e sinto o chão sumir sob meus pés.

-Sarah! - John pronuncia meu nome com graça.

De repente tudo o que minha mãe disse me vem a mente e me afasto de John o mais rápido que posso.

-Algum problema? - ele pergunta intrigado.

-Só preciso voltar para a cozinha e ajudar a Celeste, ela deve estar precisando da minha ajuda…

-Mas sou eu que sou seu patrão! E se eu estiver precisando da sua ajuda? - John cruza os braços sorrindo.

-O Senhor está precisando de algo? - fico sem graça.

John se aproxima e fica a centímetros de mim.

-Sarah… - ele sussurra. - Olha pra mim.

Relutante volto a olhar em seus olhos, meu coração dispara.

-Não fuja de mim…

-Não estou fugindo… - John coloca o dedo em meus lábios.

-Só me ouve… - ele sorri. - Não precisa ter medo de mim, eu não mordo! - sorrio diante a piada. - Isso, quero ver você sempre sorrindo, seu sorriso… - John faz carinho em meu rosto. - É lindo!

Fecho os olhos diante ao seu toque, me sinto nas nuvens, quando volto a abrir os olhos John sorri para mim, de repente ele fica sério e encara meus lábios, ele se aproxima devagar…

-Até que enfim chegamos! - uma voz nos interrompe.

Volto ao mundo real e sem olhar para trás corro até a cozinha o mais rápido que minhas pernas bambas conseguem.

-Onde você tava Sarah? - pergunta Loren. - A família Simon já chegou, logo vamos servi-los…

-Ta bom Loren, eu sei, relaxa, já to aqui… - interrompo impaciente.

-Daqui 5 minutos o almoço deverá ser servido meninas! - diz Alfredo.

-Ok Alfredo, estamos a postos! - diz Loren.

Esses 5 minutos parecem uma eternidade, fico batendo o pé no chão de nervosismo.

-O que você tem hein? - Loren sussurra.

-Nada Loren, nada, me deixa! - fico irritada.

-Então para de bater esse pé!

-To nervosa oras! - levanto as mãos no ar.

-Confesso que tambem estou… - Loren sorri sem graça. - To com medo de dar algo errado!

-Respira e relaxa, vai dar tudo certo! - digo sem acreditar nas minhas próprias palavras.

Fecho os olhos e John me vem a mente, o momento lindo que tivemos juntos agora de pouco me deixa sem ar, mas me lembro das palavras da mamãe, respiro fundo e procuro me concentrar no meu dever.

-5,4,3,2,1, vamos lá meninas! - Alfredo abre a porta e seguimos pela sala de jantar.

Logo damos de cara com a família Simon postos a mesa, um por um vamos servindo, seguindo as regras que Alfredo enjoou de nos passar, sobra pra mim servir dona Valéria, sinto sua imponência ao colocar seu prato, mas ela não se dá ao trabalho de me notar, ao dar a volta na mesa John me encara, sinto meu rosto corar, desvio meu olhar e volto pra cozinha, Loren vem logo atrás de mim.

-Primeira fase tudo certo! - Loren comemora.

-Não vamos comemorar antes da hora meninas, andem, venham me ajudar a arrumar a sobremesa nas bandejas. - pede Celeste.

Assim que terminamos de organizar as bandejas Alfredo aparece.

-Senhor Homer solicita mais suco de laranja!

-Vai lá maninha, precioso lavar a mão que sujou com um pouco de torta. - pede Loren.

-Ok. - respiro fundo e vou.

Ao aparecer na sala de jantar sinto John me encarando, passo por ele e sirvo o senhor Homer.

-Pode colocar um pouco pra mim tambem Sarah, por favor! - pede John.

-Vejo que já conhece a criadagem John! - dona Valéria soa sarcástica.

Engulo em seco enquanto sirvo John.

-Obrigado! - agradece ele me olhando. - Sim mamãe, gosto de conhecer as pessoas que trabalham nessa casa, afinal, se eles não estivessem aqui não teríamos esse jantar! -

John responde sua mãe seco.

-Não fale assim comigo John, sou sua mãe, me respeite! - dona Valéria fica brava. - E esses criados não fazem mais que a obrigação, são pagos para isso!

Me sinto ofendida, mas fico quieta enquanto sirvo Patrik.

-Mas já parou pra pensar mamãe que se eles se recusassem a trabalhar aqui quem teria que cozinhar, limpar e passar seria a senhora? - John provoca.

-Mas que absurdo meu filho! Sempre vai ter alguém pobre que vai precisar trabalhar para nós, é a lei da vida!

John vira seu copo de suco num gole só.

-Mais suco aqui por favor Sarah! - pede ele. - Não sei por que se acha tão superior mamãe, somos todos iguais, seres humanos de carne, osso e sentimentos… - começo a encher o copo de John.

-Mas uns nasceram em berço de ouro meu filho, já outros… - sinto os olhos de dona Valéria em mim. - Não tiveram tanta sorte!

Num lapso de segundo John se levanta da mesa nervoso, acaba esbarrando na jarra de suco e acabamos encharcados.

-Sarah me desculpe! - John fica desesperado.

-Não se desculpe John, você não viu que a culpa foi dessa empregadinha desastrada! - diz dona Valéria. - Faça me o favor mocinha, trate de limpar essa bagunça que você causou! - ordena ela.

Loren e Alfredo irrompem a sala de jantar.

-Mas dona Valéria…

-Como ousa me contestar! Vamos, ande, some daqui! - dona Valéria se levanta da mesa brava.

-Não fale assim com ela mãe! A senhora e todos aqui presente viram que a culpa foi minha! - John está muito irritado.

-John Simon eu ordeno que você suba já para o seu quarto! - dona Valéria aponta para as escadas. - E não ouse me desobedecer!

John me olha nos olhos como se estivesse pedindo desculpas e sai.

-E por que você ainda está ai parada? Vamos se mexa! - dona Valéria ordena.

Saio correndo em direção a cozinha, Loren vem logo atrás.

-Sarah o que foi aquilo? - Loren pergunta preocupada. - Não me diga que a culpa foi sua…

-Não foi culpa minha! - começo a chorar. - Estava servindo o John, ai ele se irritou com a mãe dele, se levantou da mesa e acabou esbarrando na jarra de suco!

-Ai Sarah! - Loren se aproxima me acalmando. - Vá se trocar, vou limpar aquela bagunça na sala de jantar.

Corro até o quarto dos empregados, me sento em uma cadeira aos prantos, não tiro da cabeça como dona Valéria me tratou, como fui humilhada…

-Não fique assim minha querida! - diz Celeste se aproximando. - Você mesmo disse que a culpa não foi sua…

-Mas dona Valéria disse que foi, que sou desastrada!

-Primeira lição Sarah… Sempre vai ser culpa dos empregados, pelo menos para dona Valéria… - Celeste senta-se na cadeira ao meu lado. - Aquela mulher é o cão chupando manga, ela é uma bruxa, se uma coisinha insignificante não sai como ela planeja a tempestade está formada…

-Mas isso é injusto!

-Claro que é, mas… Precisamos desse emprego, bom… Eu, pelo menos, preciso, tenho 4 filhos para criar sozinha, e por aqui foi o melhor emprego que arrumei, então procuro não ficar no caminho da dona Valéria e seguir as regras.

-Tambem preciso desse emprego, é meu primeiro, quero mostrar pra minha mãe que consigo realizar meu sonho de ser médica…

-Médica?

-Sim, meu sonho é ser médica, mas pra isso preciso ralar muito, eu sei, mas… Ta tão difícil! - enxugo uma lágrima.

-E vai desistir?

-Não quero. - abaixo a cabeça triste.

-E nem deve, força Sarah, você não pode deixar se abalar por um pequeno acidente, infelizmente isso foi uma fatalidade, mas você não pode desistir, você tem que provar pra sua mãe que você consegue, e antes de tudo, provar para você mesma que consegue alcançar seus sonhos, e nunca deixe ninguém te dizer o contrário… - Celeste me faz erguer a cabeça e olhar para ela. - Promete pra mim que você não vai desistir?

-Prometo!

-É assim que se fala! - Celeste me abraça. - Mas agora vamos voltar ao trabalho antes que aquela megera sinta nossa falta.

Celeste volta pra cozinha, eu me troco e volto ao trabalho, evitando ao máximo dar de cara com a dona Valéria. O dia passa logo, sinto Loren ficar de olho em mim sempre que possível, sigo pelo corredor do segundo andar levando algumas toalhas para o banheiro, de repente John abre a porta do seu quarto e me puxa para dentro.

-Ai senhor John…

-Me escuta Sarah! - ele parece nervoso.

-Senhor John tenho que levar as toalhas…

-Você não tem que levar nada, agora você vai me escutar! - ele fala sério.

Fico assustada e nem me mexo.

-Desculpa… - ele percebe meu nervosismo. - Desculpa pelo que aconteceu lá em baixo…

-Tudo bem senhor John, já passou…

-O que minha mãe te fez é inaceitável! - ele passa as mãos no cabelo. - Como ela pode ser daquele jeito, com tanta falta de humanidade? - agora ele fala consigo mesmo.

Olho para meus pés sem saber o que fazer.

-Sarah… - John se aproxima. - Minha mãe é uma… É uma… - ele respira fundo. - Olha… Você me desculpa? - ele me encara nos olhos.

-Mas senhor John, não tem o que ser desculpado…

-Por favor Sarah! Claro que tem! - ele suplica.

-Tudo bem, sinta-se desculpado! - resolvo encerrar logo o assunto. - Agora preciso ir, minha irmã deve estar me esperando pra irmos embora.

Me viro para sair.

-Só mais uma coisa…

Quando me viro para ver o que John quer sou surpreendida com um beijo, doce e lento, as palavras da mamãe vem em minha mente e relutante me afasto de John.

-Senhor John…

-Desculpa Sarah, não resisti…

-Que isso não se repita! - aponto o dedo para ele.

-Mas Sarah…

-Por favor senhor John… Não podemos… Olha pra mim, uma simples empregada, e você… Olha sua casa e seu estilo de vida… Por favor…

Sem mais palavras saio porta à fora, coloco as toalhas no banheiro e desço correndo as escadas, encontro Loren me esperando.

-Achei que ia ter que te buscar! - reclama ela.

Nem perco meu tempo de responder, subo na bicicleta e dessa vez não olho para a janela de John quando passo pelo jardim, sigo o caminho até em casa em silêncio, quando chego abro a porta e me tranco em meu quarto, mamãe bate na porta algumas vezes, mas nem me dou ao trabalho de responder, ouço Loren chamar mamãe, sei que ela vai contar sobre o episódio da jarra de suco, não me importo, estou com o gosto do beijo de John nos lábios, fecho os olhos e deixo as lágrimas tomarem conta de mim.

-Por que tem que ser assim? - me pergunto.

Lentamente pego no sono.


 



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