História Presa na Mala de Newt Scamander - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Palavras 1.755
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Ecchi, Fantasia, Ficção, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


O que tem pra hj:
- Overdose de glicose fluff-fluff allert!
(cuidado com a diabetes e boa sorte!)

Capítulo 11 - O que move o mundo


Fanfic / Fanfiction Presa na Mala de Newt Scamander - Capítulo 11 - O que move o mundo

Aquele foi um dia produtivo. Pela primeira vez foi como se eu e Newt trabalhássemos juntos e fôssemos mais afins entre nós dois do que nunca antes. Discutimos longamente sobre propriedades de ervas e seus usos na medicina, lemos juntos alguns volumes científicos, e eu cheguei a dar-lhe algumas informações novas com as quais ele pareceu realmente intrigado. E foi bem tarde da noite que fomos recolhermo-nos para dormir e, apesar do cansaço do trabalho diário e dos estudos aprofundados que tínhamos feito, e apesar dos olhos azuis de Newt estarem-se fechando sozinhos já de tanto sono, ele relutava em deixar-me para recolher-se à sua pequena casinha modesta.
          - Memê, esse foi um dia maravilhoso - dizia ele, incrivelmente sonolento - Tanto, que eu não queria que ele acabasse.
          - Mas todas as coisas têm um fim, como têm o seu começo - eu disse, passando para o lado de dentro do cercado.
          - Ah, mas é triste pensar nisso; eu não gosto de despedidas.
          - Mas não é uma despedida. É um boa-noite.
          Ele olhou-me por um longo tempo, os olhos fechando-se involuntariamente, um sorriso meio bobo no rosto, até que falasse:
          - Viu só? - ele sorriu - Eu disse que você não ia fugir.

*

          Na manhã seguinte bem cedo ele já corria com entusiasmo de um canto para o outro, logicamente para terminar as tarefas o mais rápido possível para vir ver-me o mais breve, mas tantas eram as atribuições que ele precisava cumprir sozinho que conseguiu vir encontrar-me apenas já passadas as onze horas da manhã. Chegou correndo, com as roupas sujas e muito descabelado e suado, limpando as mãos às calças, e falava muito gravemente, como que desculpando-se:
          - Coisa linda! Bom dia! Eu gostaria tanto de ter conseguido vir mais cedo, mas há tanto o que fazer - puxou um banco e sentou-se ao meu lado, cansado - Eu sinto muitíssimo.
          - Já pensou em ter um ajudante?
          - Até sim, mas, quem? Eu não tenho muito a oferecer, e são raras as pessoas que trabalham por amor.
          - Assim como você.
          - Sim - sorriu, orgulhoso do que fazia - assim como eu. É o amor que move o mundo, não concorda?
          Olhei-o e cruzei os braços atrás das costas, pigarreando levemente, vendo-no limpar o suor da testa com um lenço, silenciosamente, até que ele risse:
          - Vocês centauros são durões. São muito cerebrais. Enfim - de repente relaxou a pose, encurvando as costas - Eu realmente não queria que você se fosse, apesar de tudo.
          - Não pretendo ir-me para lugar nenhum.
          - Ah, você me entendeu - disse ele, triste - É tão bom quando podemos interagir... Será que irá demorar muito para a próxima vez?
          - Pode ser amanhã. Pode ser daqui a 100 anos - respondi, muito calmamente, e percebi que ele tremeu, muito de leve, pondo-se a coçar um dos braços, descendo os olhos para o chão - Bem, apenas para constar - eu acabei dizendo - eu gosto muito quando você fala comigo, ainda que eu não possa responder, porque compreendo tudo o que diz, e gosto de andar junto com você por dentro dessa sua mala, especialmente quando nos seus ombros ou dentro do seu bolso, junto com o Pickett - e dei, de rosto baixo, o primeiro sorriso desde que tinha chego até alí. Na verdade, o primeiro em bem mais de 500 anos.
          Newt olhou-me e contorceu o rosto num misto de sorriso que apertou com força para evitar as lágrimas que subiram-lhe aos olhos com urgência, enquanto franzia a testa, e não demorou muito até que ele fungasse na manga da camisa, parecendo um pouco mais aliviado após ter feito isso.
          - Então não seja por isso - ele terminou falando - Prometo fazer tudo isso e muito mais muito mais vezes, já que lhe agrada. Fico tão contente de saber que de alguma forma estou conseguindo tornar a sua vida melhor... Eu poderia dizer que estou quase plenamente feliz nesse momento - e olhou-me secando os olhos com as palmas das mãos e novamente fungou na camisa antes de concluir a frase - Na verdade, só me faltava uma coisa.
          Encarei-o realmente intrigada, pensando nas possibilidades do que isso poderia ser, mas não conseguia chegar a uma conclusão sequer.
           - E o que seria?
          Ele abriu bem os olhos ao que olhou-me e fitou longamente, tencionando abrir a boca, mas em vez disso sacudiu a cabeça um instante e respirou fundo:
          - Bobagem minha, não é nada. Eu sou um bobo - e entrelaçou as mãos sobre o colo, pondo-se a olhá-las, sério e em silêncio.
*
          Mas o tempo é implacável, e Chronos a tudo devora, e os segundos que escoavam tornavam-se minutos, e os minutos passados escoavam para o poço infinito dos instantes já passados que não podem ser jamais recuperados, e o relógio em seu bolso silenciosamente contava todos esses minutos de forma também implacável, até que o ponteiro menor marcasse o 12 e o maior alcançasse finalmente o número 2.
*
          Assim que notou o brilho, Newt ergueu-se aflito do banco, pondo-se de pé num rompante, e seus olhos, que até aquele momento tinham conseguido tão duramente segurar as lágrimas, num só segundo já não eram mais capazes disso e elas escorreram-lhe pelas faces pálidas, enquanto eles presenciavam a minha metamorfose.
          Senti-me encolher, encolher, encolher, e quando olhei para mim, vi duas patinhas muito esguias e de aparência macia,  com pequeninas garras, saindo do corpinho gordo todo forrado de pêlos fofos e pretos e, subitamente erguendo o rosto, vi que Newt, embora ainda chorasse, agora me olhava sorrindo e, de repente soltando um suspiro sentido, ele falou, com voz emocionada:
          - Ora, veja só isso, Newt. Um pelúcio. Eu sempre quis ter um pelúcio.
          Passou as mãos sobre o rosto e secou-as na camisa antes de abaixar-se para vir pegar-me no colo, aninhando-me entre seus braços, acarinhando-me com sua mão grande de dedos longos de jeito muito terno, enquanto apertava-me gentilmente contra o seu colete cor de mostarda.
          - Pois vamos lá, sua danadinha. Se você gosta de andar junto comigo, pois é o que vamos fazer durante as próximas 24 horas, porque hoje eu não vou largá-la nem na hora de dormir.

*

          Sentia-me extremamente sapeca e curiosa, com um irresistível desejo de saltar correndo e recolhendo todas as coisas brilhantes que eu visse, mas ao mesmo tempo tudo o que eu queria era ficar junto de Newt e acabei ficando quietinha o resto de toda a tarde, grudada pelas patinhas à gola de sua camisa, pendurada nas suas costas enquanto ele terminava os seus muitos afazeres diários. Apenas quando, já no começo da noite, ele se recolhesse à sua casa, foi que eu desci de seu pescoço para o chão, pelo qual fui correndo e explorando cada canto da pequena sala, seguida pelos olhos contentes dele que acompanhavam-me o tempo todo, não perdendo um movimento sequer, e de vez em vez falava-me com voz doce:
          - Memêzinha, não se enfie aí, volte já para cá. Eu estou de olho em você!
          E eu continuava correndo, à procura de coisas brilhantes para surrupiar, mas não encontrava nada, e então parava, olhava-o e continuava a correr, fuçando por todos os cantos, até que ele, rindo, viesse abaixar-se para pegar-me e, brincando comigo em frente ao seu rosto, me apalpasse entre as mãos e chegasse mesmo a beijar-me a ponta do focinho, de muito leve, enquanto caminhava para o quarto.
          - Já está na hora de dormir; você vai me deixar dormir ou vai ficar correndo pelo quarto? Vamos ficar quietinha - e novamente soltou-me, colocando-me sobre a sua estreita cama de solteiro, e eu agilmente saltei, pondo-me a correr pelo chão, enquanto ele olhava-me e ria, sentando-se na cama, onde começou a desamarrar as botas, retirando-as em seguida e colocando-as cuidadosamente lado a lado  aos pés da cama. Atrás de um móvel, no canto, esquecida, encontrei uma moeda, e sem que ele visse rapidamente coloquei-a para dentro de minha bolsa marsupial, voltando a correr na direção oposta, e Newt chamou-me - Memê! Memê! Sossegue!
          Parei um instante para olhá-lo, erguendo a cabecinha preta, e vi que ele já havia retirado o colete e punha-se agora a desabotoar a camisa, olhando-me e sorrindo o tempo todo, mas não dei muita atenção e voltei a correr, enfiando-me embaixo de outro armário. Escutei a cama rangendo ao que ele sentou-se nela e logo a sua voz doce soou no silêncio do quarto:
          - Vem, mocinha. Vem pra cama, agora.
          Botei a cabeça para fora e espiei. Sentado na cama só com a calça marrom, ele batia de leve com a mão espalmada ao seu lado, enquanto repetia - Vem cá, vem cá - arrastei-me esparramando-me pelo chão para sair de debaixo do armário e corri, saltando para cima da cama, e ele pegou-me agilmente com ambas as mãos antes de erguer-me no ar e em seguida apertar-me contra o peito.
          - Não é à toa que minha mãe sempre disse que ter um pelúcio é confusão na certa - segurou-me contra o peito enquanto deslizava, colocando-se deitado, e assim que ajeitou-se sobre o travesseiro, com ambas as mãos colocou-me sobre o seu peito branco e sardento, olhando-me bem nos olhos, sorrindo docemente - Minha Memêzinha. Eu gosto tanto de você - e começou a acariciar-me inteira, com ambas as mãos, e eu fechei os olhos - Gosto tanto de você - repetiu - Você me faz feliz. Mas agora vamos dormir - e abrindo os olhos, vi que ele esticou o braço nu para o abajur, que apagou, e a penumbra caiu sobre nós. Voltando a acariciar-me ele tornou a falar - Agora vamos dormir, sim? Fique quietinha - e continuou acariciando-me, até que caísse no sono.
          Conseguia divisar o seu rosto adormecido muito parcamente na penumbra do quarto, mas sentia sua respiração tranquila e pausada que muito suavemente lhe escapava das narinas e insuflava-lhe o peito, fazendo-me subir e descer muito compassadamente no ritmo dela, e pus-me a farejar-lhe o peito com atenção. Seu cheiro era tão bom; trazia-me uma paz tão grande que estirei-me esticando a barriga sobre ele de modo que nos tocássemos o máximo possível e fechei os olhos, recostando a cabecinha em seu peito e  enterrando nele o focinho, o  corpinho coberto por suas duas mãos, e dormi, embalada por seu cheiro gostoso e pelo pensamento que tomou-me a mente:
          "Também gosto de você, Newt. Você também me faz feliz."
         


Notas Finais


Vou nem comentar muito hj. Só sei que estou toda boba com esses dois.

No próximo capítulo, é hora de mudanças, é hora de movimento, e coisas meio imprevisíveis vão acontecer.


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