História Present Perfect - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Justin Bieber
Personagens Justin Bieber, Personagens Originais
Tags Álcool, Amizade, Amor, Casamento, Drama, Eua, Férias, Festa, Flashback, Inglaterra, Ódio, Rivalidade, Romance, Viagem
Visualizações 12
Palavras 4.895
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Fluffy, Hentai, Mistério, Musical (Songfic), Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Hey! Olha só quem está de volta?? Espero que gostem do capítulo e boa leitura (:

Capítulo 5 - 4. As calm as Budha


Capítulo 4. As calm as Budha

21/08/2006

- Aquela ali parece uma gangorra - Amelia comentou, apontando mais para o oeste e Justin conteve a vontade de franzir o cenho.

- Parece algodão doce -  Discordou.

- A do lado me lembra uma bexiga.

- Ou uma bolota de algodão doce. - Ele repetiu, dessa vez dando mais ênfase às palavras.

- Você não consegue ver a diferença nas nuvens?

A decepção de Amy estava estampada em suas bochechas coradas. Isso porque enquanto ela era capaz de encontrar as mais mirabolantes formas ao observar o céu, as nuvens sempre pareciam o mesmo amontoado de gotas d’água condensadas para Justin.

E isso era deveras frustrante para alguém que tinha uma imaginação fértil como a dela.

- Claro que consigo. - Ele rolou os olhos. -  Aquela ali até me lembra um pote

- Um pote? - Questionou, erguendo o corpo para sentar-se em seguida.

Ela o fitava sem esconder o ceticismo, mas Justin fingiu não perceber.

- Sim, um pote cheio de algodão doce - Completou.

Não conseguiu prender o riso ao notar a vermelhidão se acentuar em alguns pontos do rosto dela.

- Você sempre vê comida em tudo. - Amy respondeu desanimada, soltando o ar com força ao voltar a se deitar ao seu lado em seguida.

- É porque eu estou com fome. - Deu de ombros.

- Justin, você sempre está com fome. - Ela ressaltou o óbvio.

Ele mostrou a língua antes de rebater.

- Isso se chama fase de crescimento.

- Tem certeza? - Amy perguntou em um tom divertido.

Aquela era a quinta vez desde o início das férias de verão que a menina fazia questão de lembrá-lo que havia crescido mais do que ele nos últimos seis meses. Justin estava agora quase meia cabeça mais baixo do que ela.

- A internet - e a minha mãe, completou mentalmente. - diz que eu vou crescer, em algum momento.

- Em algum momento, é claro. - Zombou e foi a vez dele de sentir o rosto esquentar com o rubor. Justin disfarçou o desconforto sentando-se outra vez. - Mas pensa pelo lado positivo, se esse momento não chegar, você tem futuro garantido como pintor de rodapés.

- E você como cosplayer de palito de fósforos. - Rebateu com um sorrisinho forçado, mas ela fingiu não ouvir ao sentar-se também e fitá-lo com seriedade.

- Ou mergulhador de aquário.

- Nem vai precisar de fantasia, é só alguém te chamar de cabeça de cenoura. Em três segundos você já está toda vermelha.

- Se quiser emoção, pode até tentar ser piloto de Hot Wheels. - Ela deu um sorrisinho forçado.

- Ou de água de salsicha. - Adicionou sem humor.

- Chamem a Branca de Neve, o Zangado se perdeu dos outros anões! - Amelia acrescentou, jogando as mãos para o alto em uma exclamação e, dessa vez, Justin não conseguiu manter a pose séria.

- O que vocês estão fazendo? - Alec perguntou, confuso ao deparar-se com os dois, que gargalhavam descontrolados. Justin já havia até se esquecido que o irmão de Amy havia ido com eles e a babá para o Queen’s Park.

- Fingindo que nuvens não se parecem com algodão doce. - Ele respondeu e logo sentiu o ombro ser empurrado com força por uma certa ruiva com quantidades limitadas de paciência. - Onde você arranjou isso? - Perguntou, sem esconder a animação ao notar que o menino tinha em mãos a mesma bolota de açúcar a que vinha se referindo desde o início do dia.

- O algodão doce? - Alexander indagou sem entender. - Num carrinho há uns duzentos metros daqui, perto dos equipamentos de ginástica.

- Vamos! - Ele quase gritou.

- Eu acho melhor não. - Alec acrescentou ao vê-lo puxando Amy pela mão para que ela também se levantasse.

- Como  assim? - Justin perguntou, franziu a testa ao ver o menino se aproximar da irmã e segurá-la pelos ombros.

- Fica com o meu, eu vou com o Justin buscar outro.

Amy estreitou os olhos antes de rejeitar o algodão-doce que havia sido estendido em sua direção.

- O que tem por lá que você não quer que eu veja? - Questionou, estreitando os olhos verdes na direção de Alec.

Justin apenas observou a situação de longe, aproveitando para pegar um pedaço açucarado enquanto os dois não prestavam atenção. Já estava mais do que acostumado a se sentir um pouco perdido toda vez que os gêmeos interagiam.

Alexander e Amelia possuíam algum tipo de conexão bizarra em que não precisavam completar as frases para que um entendesse o que o outro estava falando. Era impossível para qualquer um acompanhar, ele mesmo já havia desistido.

- Acredite em mim, você não quer ir lá. - Aquela claramente havia sido uma péssima escolha de palavras, a ruiva odiava que ditassem as suas vontades. Era algo de conhecimento universal. - Depois não diga que eu não avisei.

    

**

    - Eu odeio quando ele está certo. - Amy murmurou, exatos três minutos depois.

     Ela havia parado de andar sem justificativa e, ao seu lado, Justin coçava a nuca sem entender o que estava acontecendo.

    - O que tem demais? O carrinho está ali. - Apontou para a diagonal oposta ao lado em que estavam. - Nem tem fila.

    - Pode ir, eu espero aqui. - Ela afirmou, engolindo em seco.

    Seu rosto estava pálido e os olhos verdes, tão arregalados, que o menino começava a questionar-se quanto à presença de algum fantasma ou assombração por ali.

    - Amy, o que aconteceu? - Perguntou preocupado, vasculhando o local em busca de algo que pudesse explicar a mudança súbita no comportamento da menina. Mas não encontrou nada que não fossem alguns turistas e pessoas aleatórias que amontoavam-se ao redor de uma pequena feira com animais expostos para adoção.

    - Não... - Ela parecia prestes a desmaiar. - Não é nada.

    - Eu só fico desse jeito quando vejo palhaços. - Justin relembrou, passando uma das mãos pelo queixo. - Por acaso tem alguém fantasiado por aqui e você tá querendo me distrair?

    O comentário arrancou um sorriso fraco de Amy, mas não o suficiente para fazê-la voltar a andar.

    - Não. - Ela soltou um suspiro. - É bem pior.

    Os olhos do menino se arregalaram com o choque fingido.

    - Não me diga que são dois palhaços!

- Não, Justin. - Falou ao rolar os olhos, apontando para o mesmo grupo de pessoas que ele notara um pouco antes. - Aquele é o problema.

- Cachorros? - Franziu o cenho em descrença. - Você tem medo de cachorros?

- Não ria de mim! - Amy parecia ofendida pelo tom de voz dele. - Você tem medo de gente com o rosto pintado.

- Mas palhaços são os vilões de filmes de terror, o meu medo faz sentido.

- E cães correm atrás de você. - Apontou algo que, para ela, era bastante óbvio.

- Amy, eles estão presos. - Justin colocou uma das mãos sob os ombros dela, tentando acalmá-la. - Eu só quero pegar o algodão-doce, você não precisa ir junto.

- Mas…? - Ela já o conhecia bem o suficiente para saber que havia uma proposta implícita em suas palavras.

Justin imaginava que não demoraria a se arrepender da frase que pronunciaria a seguir.

- Mas se você for e segurar um filhotinho, eu prometo que vou ao circo com você.

- E vai tirar uma foto com um palhaço? - Amy sugeriu, um sorriso agora se iluminando por todo o seu rosto.

- Não força a amizade, eu só quero comer.

 

    

01/07/2017

 

    Desde criança, Hollie sempre detestara o entusiasmo exagerado que os primos nutriam pelos estudos. Isso porquê, como qualquer pessoa normal, ela não queria saber o significado de palavras como catilinárias, acossamento ou defenestrar. Pelo menos não a ponto de usá-las em uma frase normal, como os dois viviam fazendo em uma espécie de competição interna ridícula que sempre a deixava sem entender sobre o que raios estavam falando.

    Pré-adolescentes comuns usavam a língua do P quando queriam conversar sem que os outros os entendessem. Amy e Alec, por outro lado, preferiam usar elementos químicos no meio dos diálogos. Grande amontoado de Boros, Oxigênios, Enxofres e Tântalos, não era como se os dois pudessem ter assuntos interessantes o suficiente para que Hollie se desse ao trabalho de decorar os símbolos de cada um dos cento e dezoito componentes da tabela periódica.

    Claro que não.

De qualquer maneira, era em momentos como aquele que a garota realmente se odiava por passar tanto tempo com os primos. Afinal, por que raios toda vez que seu notebook travava - o que vinha acontecendo a cada três minutos - a ideia de obsolescência planejada tinha de lhe saltar à cabeça?

    Sua vida seria muito mais tranquila e menos estressante caso ela não convivesse com Amelia e suas paranoias ecológicas.

De que adiantava ela ter ciência de que todos os produtos tecnológico eram feitos já com um prazo de validade? Não era como se pudesse fazer algo além de indignar-se com a indústria e assinar uma dezena de petições na internet quando ninguém estava olhando. Tratava-se de uma tentativa ridícula de aliviar a própria consciência.

Isso porque ela jamais daria à prima a satisfação de saber que de fato ouvia seus discursos sobre o meio ambiente. Amelia nunca mais calaria a boca. Hollie tinha plena certeza de que a ruiva se empolgaria a ponto de inscrevê-la em algum programa voluntário do Greenpeace outra vez.

    E por Coco Chanel, como ela odiava ser parada por eles toda santa vez que saía pelas ruas de Newcastle – ou Manchester ou Londres. Era incrível a habilidade que possuía de ser interceptada por estranhos para responder perguntas em pesquisas aleatórias.

    Não que Hollie tivesse qualquer ideia do porquê dessas pessoas acharem que ela tinha qualquer conhecimento de causa para poder dar respostas interessantes. Talvez ela apenas transmitisse espontaneamente a mensagem de que precisava ser conscientizada sobre as mazelas do universo.

    E, considerando o fato de ela ser uma jovem de vinte e um anos que largara a faculdade de letras para tentar ser atriz - e que agora expunha a própria vida para milhares de estranhos pela internet - a garota não se surpreenderia caso a última suposição fosse a correta.

    A culpa era das forças cósmicas por não permitirem que ela sobrevivesse na base da fotossíntese – e também da sociedade por desvalorizar tanto assim as atividades artísticas. Tudo poderia ser muito mais simples caso sua companhia de teatro ao menos conseguisse arrecadar o suficiente para cobrir as despesas de cada apresentação. Assim, ela não precisaria sentir-se na obrigação de recorrer a atividades como a postagem de vídeos no youtube para dar menos prejuízo financeiro à família.

    Tudo começara como uma grande brincadeira, é claro. Em tempos de crise, com a livraria de seu pai lucrando de forma cada vez mais inconstante e Keith sendo despedido do escritório,a primeira ideia que passara pela sua cabeça fora a de aproveitar o trancamento da matrícula para encontrar um emprego qualquer e auxiliar nas despesas. Entretanto, a ideia fora rebatida com tamanho fervor pelos dois - que afirmaram não ser essa a sua função - que Hollie se sentira obrigada a continuar apenas com a Companhia de teatro.

Fora Connor quem sugerira começar um canal no youtube. Ele mandara uma série de links sobre os novos tipos de celebridades da internet e o número cada vez maior de pessoas que conseguiam sobreviver apenas com a postagem de vídeos e tudo o que conseguira pensar fora “por que não?”.

Também havia o fato de que ele brincara sobre como poderia vê-la com mais frequência dessa forma e ela achara tão bonitinho que resolvera dar uma chance. Mas essa parte ela não havia admitido para ninguém.

Era por isso que, quase três anos depois, ali estava ela. Ainda sofrendo para conseguir editar os próprios vídeos como no primeiro primeiro dia.

    O celular vibrou sob o colchão poucos segundos após o notebook travar mais uma vez, assustando Mochaccino, que estava deitado ao seu lado na cama.

    O cachorro com nome de café se assustava até mesmo com a própria sombra, algo que era ridiculamente bizarro e cômico ao mesmo tempo. Então o fato dele pular para uma posição de alerta e começar a rosnar para o escuro também não era nenhuma novidade para Hollie, de modo que ela logo o puxou para perto, fazendo carinho entre suas orelhas para acalmá-lo.

    Ela havia acabado de conseguir fazer com que o filhote voltasse a se deitar quando o aparelho vibrou uma série de outras vezes, anulando todo o progresso que estavam fazendo. Hollie não conseguiu segurar um suspiro alto ao deixar o notebook de lado e finalmente pegar o celular.

 

Connor: Como prometido, segue a minha lista.

Top 5 coisas que você poderia estar fazendo agora (ao invés de assistir a mais um surto da Amy):

5. Me beijando.

4. Sendo beijada por mim.

3. Tirando o atraso comigo.

2. Esquecendo a saudade que eu sei que você acumulou pelos últimos seis meses.

1. Matando essa saudade de mim (por inteiro e por partes ~insira emoji de lua safada aqui~)”

Hollie: Você se superestima demais.”

Connor: Não trabalhamos com supervalorização de materiais. Tudo aqui é feito com base em dados e estatísticas.”

    A risada saiu antes que ela pudesse sequer pensar em controlar — o que, como era de se imaginar, assustou Mochaccino outra vez, fazendo-o saltar para se esconder atrás de uma almofada — e Hollie não pôde deixar de pensar que os argumentos do rapaz eram de fato muito bons.

    Mesmo que o caminho até a casa dos tios tivesse sido incrivelmente silencioso por parte da prima e ela agora estivesse no telefone com a orientadora do mestrado — adiando potencialmente o surto que todos sabiam que viria — e tudo estivesse calmo até demais por enquanto, os comentários de Connor incitavam sua imaginação o suficiente para que formigamentos se espalhassem pelo seu corpo.

    Era em momentos como esse que Hollie era iluminada com a plena consciência de que era, com toda a certeza do universo, uma boa pessoa. Afinal de contas, quem mais recusaria uma noite de sexo só para garantir que uma certa ruiva não entraria em combustão espontânea? Isso, porquê ela não duvidava que a prima fosse capaz de literalmente explodir de tanto segurar a indignação por ser forçada a viajar com o irmão e Cassandra.

    Apesar, é claro, de Hollie suspeitar fortemente que o principal problema para Amy não era conviver com o casal e sim a presença inevitável de um certo americano. Ela não deixava de se surpreender com a burrice dos dois em deixar que aquela situação ridícula entre eles se estendesse por tanto tempo.

    - Por acaso você viu onde o Mocha se escondeu? - A voz de Alec interrompeu seus pensamentos e, ao ouví-lo, o buldogue saltou de trás da almofada.

Ele correu até a ponta da cama sem parar de abanar o minúsculo rabo.

    - Serve esse? - Indagou em um tom divertido e o primo riu ao entrar no quarto e andar até o animal, que saltou para seus braços.

    - Ele sempre some nos momentos mais aleatórias. - Alec deixou escapar um suspiro, sentando ao seu lado em seguida. - Faz tempo que está com ele?

    - Uns vinte minutos. - Respondeu após checar o relógio - Não sabia que você tinha o direito de posse do cachorro essa noite.

    - Tenho que aproveitar esses raros momentos em que a Amy está ocupada demais com outras coisas se quiser ter um tempo com ele.

    - Se queria guarda compartilhada, não deveria ter dado o buldogue de presente para ela. - A acusação arrancou uma nova risada da parte dele e Hollie não conseguiu conter a curiosidade. - Como estão as coisas lá embaixo?

    Imaginava que para que a conversa entre a prima e a Doutora Farr se estende-se tanto, era muito provavelmente porque algum dos lados estava argumentando com ferocidade.

    E algo lhe dizia que esse lado provavelmente tinha cabelos muito vermelhos e um metro e sessenta e cinco de altura.

    - Amy desistiu de discutir depois dos primeiros dez minutos, agora elas estão falando sobre algo relacionado à tese e tópicos da pesquisa. - Começou a explicar e ela assentiu com desinteresse.

    - Então ela foi liberada? - Questionou, voltando ao tópico principal antes que o rapaz se empolgasse com os assuntos científicos e entrasse em áreas que a deixariam perdida.

    - Para o desespero dela, sim. - Ele comentou bem-humorado e foi a vez de Hollie rir. - O quanto você acha que ela me odeia nesse momento?

    A mudança no tom de voz foi disfarçada por um carinho na barriga do cachorro, mas a garota não precisava de muito para saber que Alec estava realmente preocupado. Era provável que já estivesse se culpando pelos impactos negativos que essa viagem teria na relação entre ele e a irmã.

    O talento de Hollie para a atuação definitivamente não havia sido herdado do lado McKinnon da família.

    - Na escala Game of Thrones¹ do sentimento? - Ela perguntou e se pegou coçando a nuca enquanto refletia. - Acho que na mesma intensidade que o Oberyn odiava o Montanha.

    - Eu diria que contanto que minha cabeça continue inteira eu posso sobreviver, mas…

    - Você não tem culpa. - Hollie interrompeu antes que a imaginação do rapaz adentrasse terrenos perigosos. Alec tendia, de maneira bastante inconveniente, a querer carregar o peso do mundo sob as próprias costas. - Ela só está irritada por não ter controle sobre a situação.

    - Só queria que ela conversasse comigo. - Ele soltou um suspiro frustrado. - As coisas não precisavam estar desse jeito.

    - Parece até que você não conhece a sua irmã. - Comentou com um tom divertido, voltando a puxar o notebook para o colo. - Amy tem a capacidade de fazer drama com qualquer coisa.

    - Me pergunto de onde ela puxou isso. - Alec rebateu irônico enquanto fingia coçar o queixo e Hollie o empurrou para o lado, soltando uma risada ao murmurar um “idiota’”, que foi ignorado por ele. - O que está fazendo?

    - Tentando editar um vídeo. - Respondeu desanimada. - E tentando falar com o meu pai para ver se ele consegue mudar a data da minha passagem.

    - Do que está falando? - Ele questionou arqueando a sobrancelha e a garota endireitou-se na cama antes de continuar a conversa.

    - Eu comprei as passagens juntas e a volta está marcada para daqui a três semanas. - Começou a explicar e Alec assentiu, incentivando-a a continuar. - Agora estou tentando alterar para depois de amanhã, mas como fiz a compra na conta dele, o site continua me fazendo uma série de perguntas que eu não sei responder, então preciso que ele faça para mim.

    - Por quê depois de amanhã? - Voltou a indagar, ainda confuso.

    - Porque eu preciso me certificar que todo mundo vai sobreviver ao ataque da Amelia antes de embarcar no trem de volta para Newcastle. - Concluiu como se fosse óbvio, rolando os olhos em seguida.

    - Ok. - Alec agora tinha o cenho franzido. - Mas que raios tem de tão importante em casa que você precisa voltar para buscar? Esqueceu o Senhor Bolotas outra vez?

    Hollie rolou os olhos com a menção ao hipopótamo de pelúcia que tinha desde que nascera. Era deveras ofensivo da parte do primo assumir que Senhor Bolotas estivesse em qualquer lugar que não dentro de sua mala, no canto direito do quarto.

    - Qual parte do que eu falei te fez assumir isso?

    - A mesma parte em que você assumiu que não vai com a gente para os Estados Unidos.

    - Mas eu não vou. - Ela ressaltou e o rapaz pareceu indignado. - Alec, essa viagem é para vocês e a família da Cassie, eu não tenho nada a ver com a história. Eu nem mesmo fui mencionada.

    - Eu não sabia que você precisava de um convite formal, Holland.

    - Por escrito, de preferência, Alexander. - Devolveu, no mesmo tom petulante. - Odeio ter que confirmar presença em evento no Facebook.

    Foi a vez dele de empurrá-la para o lado, mas nenhum dos dois riu de verdade dessa vez.

    - Eu não estou brincando, Hollie. - Sua voz e expressão estavam sérios agora. - Você faz parte do grupo e só não ajudou a organizar a viagem porque não sabia dela.

    - Do que está falando? Eu programei todo o itinerário com a Amy e o Justin anos atrás.- Ela questionou confusa, mas ao fitar o rosto do primo, finalmente se deu conta do que ele estava falando. - Alexander James McKinnon! - Exclamou em voz alta e o primo cobriu sua boca com as mãos em resposta.

    - Dá para conectar os pontos de uma maneira um pouco mais discreta? - Ele quase implorou.

    - Eu não acredito que vocês fizeram isso! - Hollie ainda estava em choque. - Se Amy ficar sabendo disso, com toda a certeza você vai subir para Joffrey na escala Game of Thrones de ódio. - Continuou, tentando se recompor. - E eu juro que poucas coisas me deram mais medo na vida do que a forma como ela riu quando ele morreu envenenado.

    - Eu sei. Eu estava lá, lembra? - Alec questionou com certo desânimo. - Mas você precisa entender que esse não é o tipo de decisão que meus pais poderiam fazer por impulso, como fizeram parecer hoje. Eles precisaram esquematizar as coisas no hospital por dias até conseguirem uma folga.

    - Eu imagino, faz anos que os dois não tiram férias justamente por não conseguirem sincronizar a agenda.

    - Isso significa que você já foi convencida? - Ele perguntou em um tom esperançoso, fazendo-a rir. - Eu realmente vou precisar de ajuda com a Amy se quiser reverter essa escala de ódio e fazer ela gostar de mim outra vez.

    - Você não deveria ter estragado aquele VHS da Pequena Sereia quando tinham oito anos, foi a partir daí que a relação de vocês começou a desandar. - Falou em um tom sério que arrancou um sorriso cínico do rapaz. - Se você estiver falando sério sobre ter me incluído nos planos, então sim.

    - Ótimo! - Ele comemorou. - Até porque o Connor provavelmente nunca nos perdoaria se nós te deixássemos para trás. - Hollie rolou os olhos, mas não conseguiu esconder o sorriso ao pensar no rapaz. - Quem sabe até o final dessa viagem vocês não oficializam?

    - Alec... - Ela soltou um suspiro, cansada só de imaginar o rumo que a conversa seguiria. - Você sabe muito bem que eu não namoro.

    - Eu sei, eu sei. - Foi a vez dele de parecer entediado ao erguer-se da cama com Mocha no colo. - Você é um espírito livre e tudo mais.

    - Eu diria que você aprendeu rápido, mas estou repetindo a mesma coisa há anos e você continua insistindo.

    - Isso porquê vinte e um anos de experiência ainda não foram suficientes para entender o que se passa na sua cabeça. - Alec pontuou, mostrando a língua.

    - Continue tentando, um filósofo contemporâneo uma vez disse que água mole em pedra dura tanto bate até que fura.

    - Isso soaria tão mais esperto se eu não soubesse que você aprendeu esse ditado assistindo Procurando Nemo. - O rapaz respondeu rindo, mas fugiu de seu alcance antes que pudesse receber um tapa indignado. - Guarde sua disposição para mais tarde, você vai precisar.

    - Do que está falando? - Ela questionou sem entender o tom malicioso na voz dele.

    - Que você ainda precisa ligar para o seu pai e Keith avisando que vai passar os próximos dois meses sem a supervisão deles, em outro continente e na companhia do cara com quem você tem um caso sem compromisso desde os quinze anos de idade.

    - Puta merda. - Deixou escapar, o sorriso morrendo em seu rosto.

    Ela imaginava que a vida de uma pessoa com um pai superprotetor fosse complicada. Mas ter dois era dificuldade nível última fase do Super Mario Bros.

 

**

    - E então, como foi? - Indagou assim que notou Amelia entrando no quarto.

Seguida de perto pelo buldogue de três cores, ela colocou o animal sobre a cama e jogou-se de costas ao lado dele antes de responder:

    - Igual ao final de Dexter.

    - Uma bosta? - Perguntou, embora já tivesse certeza da resposta.

    - A desgraça do sistema de esgoto inteiro. - Amy completou com mau humor. - Acredita que ela me passou o contato de três colegas que chefiam laboratórios na costa oeste?

    - Isso não é a melhor coisa que poderia acontecer para o seu doutorado? - A confusão estava estampada no rosto de Hollie, o que levou a ruiva a fechar os olhos com força e soltar um suspiro alto.

    - É. - A prima concordou desanimada. - O que não ajuda em nada com a ideia de conseguir um pretexto para não viajar.

    - Faz sentido. - Hollie analisou, passando uma das mãos pela barriga de Mochaccino, que havia aconchegado-se próximo a ela. - Mas pense pelo lado positivo, eu vou estar lá com você.

    - É óbvio que vai. - Amy ergueu a cabeça para encará-la. - Você é da família e minha melhor amiga, em que tipo de versão deturpada da realidade você imaginou que ficaria para trás?

    - Isso soou tão fofinho. - Falou fingindo emoção ao colocar a mão esquerda sobre o peito. - Me sinto até lisonjeada.

    - Cala a boca. - A prima rebateu com uma risada, voltando a deitar-se em seguida. - Além do mais, eu jamais conseguiria suportar tanto tempo perto do Justin sozinha.

    - Estamos falando o nome dele agora? - O questionamento foi conscientemente ignorado por Amelia.

    - Eu cruzei com ele hoje.

    A confissão fez com que Hollie rolasse os olhos.

    - Estávamos todos no mesmo restaurante, sentados à mesma mesa e ele estava à sua diagonal. - Constatou. - Essa não é exatamente uma revelação surpreendente.

    - Não foi isso que eu quis dizer.

    - Então vocês interagiram? - Perguntou com certa descrença. - Tipo… Interagiram de verdade? Algo além daquela troca de olhares ridícula quando um fingia que o outro não estava olhando?

    Amy assentiu fraco com a cabeça ao puxar o cachorro para si e começar a brincar com suas patas.

    - E como foi? - Ao julgar pelo fingido desinteresse da ruiva, Hollie sabia que precisar forçar um pouco se quisesse saber mais sobre a história.

    - Escroto pra caralho. - Amy soltou, arrancando uma gargalhada de sua parte.

    - O que ele fez?

    - Estabeleceu uma relação amigável com o pai mesmo com o divórcio. - A prima respondeu em um tom amargo. - Minha vida teria sido muito mais fácil se ele não tivesse aceitado passar todas as férias de verão e inverno por aqui.

    - Teria sido muito mais monótona também.

    - Isso depende muito do ponto de vista. - Amy deu de ombros.

    - Você tem razão. - Ela ponderou. - É a vida do Justin que provavelmente teria sido menos emocionante sem você.

    A menção ao nome do garoto arrancou um grunhido de desgosto da ruiva, de modo que Hollie acompanhou com os olhos enquanto Mocha aproximava-se da dona para sentar-se ao seu lado.

    - Você vai precisar manter a calma se não quiser acabar com rugas precoces. - Ela apontou. - Ou um colapso nervoso.

    - Quem disse que eu não estou calma? - Amy ergueu a cabeça para encará-la com surpresa. - Eu sou a personificação da porra do buda, Holland.

    - Estou vendo. - Confirmou com certo desdém. - Dalai Lama certamente se orgulha de você.

    Como o ser humano maduro que era, a garota respondeu mostrando a língua.

    - De qualquer forma, o que você vai fazer agora que escapar da viagem não é uma opção? - Hollie usou seus talentos de atuação para mascarar o interesse.

- O que te leva a pensar que eu vou fazer alguma coisa? - A outra rebateu com uma ofensa fingida.

- Eu não sei. - Ela fez-se de desentendida. - Talvez o fato de que eu te conheço desde antes de você nascer.

- Dramática.

- Você nunca foi de levar desaforo para casa, Amy. - Ressaltou aquilo que, para ela e todo o universo, era bastante óbvio. - Você não espera mesmo que eu acredite que vai passar os próximos dois meses fazendo a egípcia, não é?

- Ok, eu não vou mentir. - A ruiva admitiu ao brincar distraidamente com o cachorro, que tentava morder seus dedos. - Uma coisa ou outra pode ter passado pela minha cabeça.

- Defina uma coisa ou outra.

- Digamos que eu pensei em colocar em prática toda o arsenal de pegadinhas de Primeiro de Abril que eu já encontrei.

Considerando a quantidade de tempo gasto por Amelia na internet em seus períodos de procrastinação, aquela era uma coletânea e tanto.

- Isso vai dar tanto problema. - Verbalizou sem esconder o pesar.

- Também não precisa forçar o eufemismo, Hollie.

- Tem razão, vai ser um novo dilúvio. - Corrigiu-se. - Mas de merda.    


Notas Finais


Olá pessoas lindas e maravilhosas! Vou começar pelo de sempre e agradecer por cada uma das pessoas incríveis que têm gastado minutinhos preciosos de suas vidas pra me deixar um feedback sobre a história. Eu não canso de dizer o quão importante pra mim é saber que tem alguém lendo e gostando, de verdade!

Esse foi um dos capítulos que eu mais gostei de escrever e eu realmente me divirto com a ideia de aprofundar os personagens secundários, espero que vocês gostem e se interessem também pelas histórias paralelas, porque juro que elas tem um espacinho especial no meu coração e eu sinto muita vontade de dividir com vocês.

Comentem me contando sobre isso e também dando a opinião de vocês sobre dar mais espaço aos personagens secundários (Hollie/Connor e Alec/Cassie). Não se esqueçam também de me falar o que estão achando de tudo! Sei que Amy e Justin não tem interagido muito, mas isso começa a mudar a partir do próximo capítulo, eu realmente precisava construir essa “fundação” antes de aprofundar as coisas.

Me perdoem pelas notas enormes e não desistam de mim hahahah eu vou fazer de tudo para voltar logo! Um beijão a todos ♥

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