História Presente de Natal - Capítulo 21


Escrita por: ~

Postado
Categorias Amor Doce
Tags Amor Doce, Drama, Inglaterra
Visualizações 17
Palavras 920
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Insinuação de sexo, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 21 - Em outras terras


-Acho que posso conseguir um cantinho para vocês passarem a noite lá na casa paroquial. Não é muito, você sabe... -falou Nathaniel.

Bryhanny parecia não mais ouvir nada, muda, sisuda, trancada em si mesma, tentando entender como era possível que tantas coisas ruins lhe acontecessem ao mesmo tempo. Seria pecado gritar com todas as forças dos seus pulmões que o mundo era injusto com ela? Afinal, acreditava ser uma boa pessoa, boa cumpridora de seus deveres. Talvez estivesse sendo castigada por ter se aproveitado da situação do Kentin. Não! Não havia se aproveitado em momento algum, afinal ele também havia, por livre e espontânea vontade se entregado. O problema é que ainda era ingênua o bastante para acreditar que coisas boas acontecem com pessoas boas.

-Bryhanny! -Nathaniel estalava os dedos na frente de seus olhos tentando chamar sua atenção.

-Me perdoe, padre. Estava pensando em outras coisas.

-Eu sei... Não consigo medir o tamanho da sua preocupação neste momento. Acabou de comprar uma casa e esta é incendiada.

-Eu não quero voltar a morar na casa do Lorde Jean-Louis. E muito menos na hospedaria do filho dele. -embora tentasse esconder, foi difícil sua voz não parecer trêmula de insegurança.

-Nós devíamos nos preocuparmos em encontrar os culpados. Não podemos deixar as coisas assim. Quando penso que vocês duas poderiam estar lá dentro, não me conformo. -Nathaniel demonstrava crescente revolta.

-É melhor deixar as coisas como estão. Nós dois sabemos quem foram os responsáveis e também os motivos. Castiel sabia que se eu saísse da casa dele ele perderia o controle que ele pensa que tem sobre mim. O que melhor posso fazer agora é ir para bem longe com a Rosa. Não posso deixa-la à mercê daquele louco.

-Apenas fique esta noite aqui e amanhã eu vejo em que posso ajuda-la. 

Na casa paroquial havia um quartinho nos fundos onde costumava dormir o capelão da igrejinha, mas isso fora há muito tempo, antes mesmo de Nathaniel tomar a frente daquele trabalho. Não era, portanto, o maior aposento que Bryhanny já tinha estado, mas era limpo e arejado o suficiente. Naquela noite, a primeira de muitas desde que Kentin havia ido embora que ela conseguia dormir sem o sobressalto de qualquer barulho do lado de fora, a iminência de ter o quarto invadido a qualquer momento por um senhorio obcecado.

Sua noite fora em claro enquanto Rosa dormia tranquilamente ao seu lado após muito insistir para que a pequena se tranquilizasse, que nada de mal lhe aconteceria, que ninguém ousaria incendiar a casa do padre, que iriam ficar bem. O fato é que Rosa, mesmo pequena já havia visto coisas que nenhuma criança de sua idade deveria ver. Sua infância maculada por tanta crueldade e se Bryhanny não tomasse uma decisão correria o risco de não conseguir mais resgatar Rosa daquele pesadelo. Nenhuma criança merecia passar por aquilo.

Dois dias depois, ambas embarcaram em uma carruagem simples em direção a Bloomsbury deixando Southwark para trás. Apesar de ambos serem distritos próximos ainda assim era possível ver a diferença no decorrer da viagem. As casas que mudavam de feição, a cor da água do rio Tâmisa, as árvores, os transeuntes, havia um quê de finesa que crescia, deixando aquele bafo de ilicitude para trás.

Nathaniel conseguira-lhe um emprego em uma das propriedades de seu pai, o Lorde Francis, e Bryhanny prometera em seu coração que faria de tudo para que seu amigo nunca se arrependesse de tê-la ajudado. Sempre que podia mostrava à irmã uma ou outra coisa que pudesse lhe chamar a atenção, mas a pequena continuava cabisbaixa.

-Não quer me contar o motivo da sua tristeza? -perguntara-lhe várias vezes e só recebera o silêncio como resposta.

Ao chegar aos portões da mansão onde a família de Nathaniel costumava passar os feriados e dias quentes de verão entretendo convidados da alta sociedade londrina, foi recebida pelo mordomo que lhe mostrou como funcionavam as coisas por ali. A regra era muito simples: manter Rosa fora dos olhos dos patrões. Ademais, tinha direito a um quarto na ala destinada aos empregados, comida e um ordenado bem maior que o que ela conseguia juntar em um mês, no passado. Mas o passado já não lhe fazia mais diferença. Havia tanto trabalho ali que às vezes nem conseguia parar para respirar direito.

Como era temporada de début, a casa estava sempre cheia, então era certo que o trabalho de Bryhanny tornava-se dobrado. Haviam semanas em que eram feitos bailes todas as noites a fim de receber mais e mais moças em seus vestidos pavoneantes, suas joias que brilhavam como os lustres de cristal no salão de baile. Rosa costumava ficar escondida espreitando maravilhada todas aquelas beldades que buscavam casamentos lucrativos, ou simplesmente queriam expor toda a sua riqueza.

Bryhanny percebera que um ar de alegria tomava conta das bochechas da irmã então concluiu que poderia criar laços ali, conseguir juntar algum dinheiro e novamente tentar comprar uma casa já que dali a um tempo já não daria para esconder Rosa, afinal, uma princesa não poderia crescer presa dentro da torre para sempre, era o que lhe dizia todas as noites ao lhe pôr para dormir.

A imagem de Kentin já quase sumira de sua cabeça, também já perdera a paranoia adquirida no tempo em que dependia da caridade de Castiel para ter um teto. Por outro lado, sentia saudade de seu amigo Nathaniel, seu benfeitor que nunca, em hipótese alguma pisava nas terras da família, nem nunca era citado nas conversas de patrões ou empregados.

 

 



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