História Pretty Little Liars - Maldosas (Livro 1) - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Pretty Little Liars
Exibições 27
Palavras 4.282
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Esporte, Famí­lia, Ficção, Mistério, Policial, Romance e Novela, Saga, Suspense, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Prólogo



COMO TUDO COMEÇOU
Imagine que estamos alguns anos atrás, no verão, entre o sétimo e o oitavo ano. Você está bronzeada de tanto tomar sol à beira da piscina, está usando seu suéter da Juicy (lembra de quando todo mundo tinha um?) e pensando em seu pretê, o garoto que estuda naquela escola cujo nome nós não mencionamos e que trabalha na Abercrombie do shopping.Você está comendo seu cereal matinal favorito, Cocoa Krispies, do jeitinho que mais gosta — mergulhado no leite desnatado — e vê a cara dessa garota na lateral da caixa de leite. DESAPARECIDA. Ela é bonitinha — provavelmente mais que você — e tem um ar briguento. Daí você pensa "Hum, talvez ela também goste de Cocoa Krispies empapado". E pode apostar que ela também acha o menino da Abercrombie bem lindo.Você se pergunta como alguém tão... hum, tão parecida com você, desapareceu. Você achava que só as meninas que participam de concursos de beleza acabassem na lateral de caixas de leite.
Bem, pense melhor.
Aria Montgomery afundou seu rosto no gramado da casa de sua amiga, Alison DiLaurentis.
— Delicioso — murmurou ela.
—Você está cheirando a grama? — perguntou Emily Fields, por trás dela, batendo a porta do Volvo de sua mãe para fechá-la, com um dos braços longos e sardentos.
— É um cheiro bom. — Aria jogou o cabelo cheio de mechas cor-de-rosa para trás e respirou o ar morno do fim de tarde. — Cheiro de verão.
Emily deu tchauzinho para a mãe e ajeitou os jeans horrorosos que usava pendurados em seus quadris estreitos. Emily era da equipe de natação desde a Liga Infantil e, apesar de ficar incrível de maiô, jamais poderia vestir nada justo demais, nem remotamente bonito, como as outras meninas do sétimo ano. Isso porque os pais de Emily insistiam que a beleza vinha de dentro para fora (embora Emily tivesse certeza de que ser obrigada a esconder uma camiseta baby look que diz GAROTAS IRLANDESAS FAZEM TUDO MELHOR no fundo de sua gaveta de calcinhas não era algo que ajudasse alguém a construir o caráter).
— Ei, meninas. —Alison deu uma pirueta no jardim. Naquela tarde, seu cabelo estava preso num rabo de cavalo desleixado e ela ainda usava sua saia xadrez da festa de final de ano da equipe enrolada na cintura para parecer mais curta. Alison era a única menina do sétimo ano que conseguira entrar para o time da escola. Pegava carona para casa com as meninas mais velhas do Colégio Rosewood Day que ouviam o rapper Jay-Z em suas Cherokees o mais alto possível e espirravam perfume nela antes que descesse do carro para que ela não chegasse em casa cheirando a cigarros, o que revelaria que todas haviam fumado.
— O que eu estou perdendo? — perguntou Spencer Hastings, aparecendo por um buraco da cerca viva para se juntar às outras. Spencer morava na casa ao lado. Ela jogou seu longo cabelo num rabo de cavalo louro escuro e deu um gole em sua garrafa esportiva roxa. Spencer não havia ido para o time principal com Ali no outono, então tinha que jogar com as meninas do sétimo ano. Ela passara um ano se esforçando como louca no campo de hóquei, para aperfeiçoar suas manobras, e as meninas sabiam que ela havia praticado dribles no quintal antes de elas chegarem. Spencer odiava que alguém fosse melhor que ela em qualquer coisa. Especialmente se esse alguém fosse Alison.
— Esperem por mim!
Elas se viraram a tempo de ver Hanna Marin saindo da Mercedes de sua mãe. Ela tropeçou na própria mochila de livros e acenou toda animada com seus braços gorduchos. Desde que os pais de Hanna se divorciaram, no ano anterior, ela vinha aumentando de peso gradativamente, o que fazia com que suas roupas ficassem cada vez menores. E, embora Ali
tenha revirado os olhos nessa hora, o restante das meninas fingiu que não percebeu. É isso que as boas amigas fazem.
Alison, Aria, Spencer, Emily e Hanna haviam se conhecido no ano anterior quando seus pais as inscreveram para trabalhar aos sábados à tarde nos projetos de caridade do Colégio Rosewood Day — todas, menos Spencer, que foi trabalhar lá porque quis. Mesmo que Alison não soubesse nada sobre as outras quatro, todas elas a conheciam. Ela era perfeita. Linda, espirituosa, inteligente. Popular. Os meninos queriam beijar Alison e as meninas — mesmo as mais velhas — queriam ser ela. Então, na primeira vez em que Ali riu de uma das brincadeiras de Aria, fez uma pergunta sobre natação para Emily, disse a Hanna que sua camiseta era adorável ou comentou que a caligrafia de Spencer era muito mais bonita que a dela, elas não puderam evitar e ficaram, bem... deslumbradas. Antes de Ali, as garotas se sentiam como as calças jeans de cintura alta e pregas de suas mães — estranhas e notadas pelas razões erradas. Mas, depois, Ali fez com que se sentissem como as roupas esportivas mais perfeitas do mundo, feitas pela Stella McCartney — aquelas que são tão caras que ninguém pode comprar.
Então, mais de um ano depois, no último dia do sétimo ano, elas não eram apenas as melhores amigas do mundo, eram as meninas do Rosewood Day. Muita coisa acontecera para que fosse assim. Todas as vezes em que dormiram nas casas umas das outras, todas as viagens para o campo tinham sido uma nova aventura.Até mesmo quando se reuniam na sala de estudos para, teoricamente, fazer o dever de casa, sempre acontecia algo memorável (ler a carta melosa do capitão do time do colégio para sua professora particular de matemática no sistema de alto-falantes da escola havia se tornado um clássico). Mas havia outras coisas que todas elas queriam esquecer. E havia um segredo em especial, sobre o qual elas não queriam nem falar a respeito. Ali dizia que eram os segredos que mantinham as cinco unidas como melhores amigas por toda a eternidade. E isso era verdade. Elas seriam amigas para sempre.
— Estou tão feliz que este dia acabou — gemeu Alison, depois de empurrar Spencer com delicadeza de volta pelo buraco da cerca viva. — Vamos para a sua casa de hóspedes.
— Estou tão feliz que o sétimo ano acabou — disse Aria, e então ela, Emily e Hanna seguiram Alison e Spencer até o galpão recém-reformado, onde a irmã mais velha de Spencer, Melissa, havia morado durante todo o ensino médio. Por sorte, ela tinha acabado de se formar e viajado para passar o verão em Praga, então o lugar era todo delas naquela noite.
De repente, elas ouviram um guincho:
— Alison! Ei,Alison! Ei, Spencer! — Alison se virou para olhar em direção à rua.
— Isso não — sussurrou ela.
— Isso não — Spencer, Emily e Aria repetiram.
Hanna fez cara feia.
— Droga.
"Isso não" era o jogo que Ali havia roubado do irmão dela, Jason, veterano em Rosewood Day.Jason e seus amigos jogavam nas festas da escola, enquanto avaliavam as garotas. Ser o último a dizer "isso não" queria dizer que você ia ter que ficar a noite toda com a menina mais feia, enquanto seus amigos ficavam com as bonitas, e quem ficasse com a feiosa era, na verdade, tão tonto e feio quanto ela. Na versão de Ali, as meninas diziam "isso não" toda vez que alguém feio, careta ou pobre chegasse perto delas.
Desta vez o "isso não" era para Mona Vanderwaal — uma imbecil cujo passatempo era tentar ficar amiga de Spencer e Alison — e suas duas amigas esquisitas, Chassey Bledsoe e Phi Templeton. Chassey era a garota que havia hackeado os computadores da escola e depois ensinado ao diretor como aumentar a segurança deles; e Phi Templeton ia a todos os lugares com um ioiô — não é preciso dizer mais nada. As três encararam as garotas do meio da rua quieta e suburbana. Mona estava montada em sua scooter, Chassey estava em uma mountain bike preta e Phi estava a pé — com seu ioiô, claro.
— Vocês aí, querem vir com a gente e assistir Fear Factor? — perguntou Mona.
— Desculpe — Alison disse, com candura. — Estamos meio ocupadas.
Chassey franziu a testa.
— Vocês não querem ver os caras comendo os besouros?
— Que nojo! — Spencer sussurrou para Aria, que então começou a fingir que comia piolhos invisíveis da cabeça de Hanna, como um macaco.
— Ah é, bem que a gente queria. — Alison tombou a cabeça. — Faz um tempo que a gente vem planejando passar a noite juntas. Mas quem sabe da próxima vez?
Mona olhou para a calçada:
— Tá, tudo bem.
— A gente se vê. — Alison deu meia-volta, revirando os olhos, e as outras garotas fizeram a mesma coisa.
Elas passaram pelo portão dos fundos da casa de Spencer. À esquerda delas, estava o quintal de Ali, onde os pais dela estavam construindo um gazebo capaz de abrigar vinte pessoas para aqueles seus piqueniques metidos a besta.
— Graças a Deus, os pedreiros não estão aqui. — Ali deu uma olhada numa empilhadeira amarela.
Emily mudou o tom de voz:
— Eles andaram dizendo gracinhas para você de novo?
— Calma aí, delegada — disse Alison. As outras deram risadinhas. Algumas vezes, elas a chamavam de Emily Delegada, porque ela virava um pitbull para defender Ali. Emily costumava achar graça naquilo também, mas ultimamente não ria mais com elas.
O ex-celeiro estava logo à frente. Era pequeno e aconchegante e tinha uma janela grande, que dava para os grandes espaços livres da propriedade, que possuía seu próprio moinho. Em Rosewood, na Pensilvânia, um subúrbio pequeno que fica a mais ou menos trinta quilômetros da Filadélfia, é mais provável que se viva numa casa de fazenda com vinte e cinco quartos, com piscinas azulejadas em mosaico e hidromassagem do que em uma casa pré-fabricada. Rosewood cheirava a lilases, a feno, a neve fresca e a lenha queimada no inverno. A região estava cheia de pinheiros altos, quilômetros e mais quilômetros de fazendas familiares bem rústicas, e raposas e coelhos bem fofinhos. Havia um shopping, propriedades em estilo colonial e uma porção de áreas ao ar livre, perfeitas para comemorar aniversários, formaturas e para festas que gostamos de dar sem motivo algum. E os meninos de Rosewood eram lindos e chegavam a brilhar de tão saudáveis. Pareciam todos saídos de um comercial de cuecas, de perfume ou de um catálogo esportivo da Abercrombie. Aquela era a nata da Filadélfia .Várias famílias ricas e tradicionais, com dinheiro antigo e escândalos mais antigos ainda.
Conforme as garotas se aproximavam da casa de hóspedes, ouviram risinhos vindos de lá.
Alguém guinchou:
— Eu já disse para você parar!
— Ah, meu Deus — Spencer gemeu. — O que é que ela está fazendo aqui?
Quando espiou pelo buraco da fechadura, Spencer viu Melissa, sua irmã mais velha, o orgulho e a alegria de seus pais, a filha perfeita, no sofá dando uns amassos em Ian Thomas, seu namorado gostosão. Spencer meteu o pé na porta e a forçou a abrir. A casa de hóspedes cheirava a musgo e a pipoca recém-estourada.
Melissa se virou.
— Que droga... — ela disse. Então, notou as outras e sorriu. — Ah, oi, meninas.
As meninas deram uma olhada em Spencer. Ela sempre reclamava que Melissa era uma cobra venenosa, então, ficavam sempre alerta quando Melissa parecia gentil e doce.
Ian se levantou, espreguiçou-se e deu um sorriso forçado para Spencer.
— Ei — disse ele.
— Oi, Ian — Spencer respondeu numa voz muito mais alegre. — Eu não sabia que você estava aqui.
— Sim, você sabia — Ian sorriu, como se estivesse paquerando. — Você estava nos espionando.
Melissa arrumou seu cabelo loiro comprido e a faixa de seda preta na cabeça, encarando a irmã.
— E aí, quais as novidades? — perguntou ela, um pouco acusadoramente.
— É só... eu não queria me intrometer... — Spencer cuspiu as palavras. — Mas era para nós ficarmos aqui essa noite.
Ian bateu no braço de Spencer, brincando com ela.
— Eu só estava implicando com você — provocou ele.
Uma mancha vermelha subiu pelo pescoço dela. Ian tinha cabelo loiro, que estava sempre desarrumado, olhos cor de avelã, com um olhar sonolento, e os músculos do abdome realmente valiam um aperto.
— Uau — falou Ali, numa voz alta demais. Todas as cabeças se voltaram para ela. — Melissa, você e Ian formam um casal perfeito. Eu nunca falei, mas sempre pensei isso.Você não concorda, Spencer?
Spencer piscou.
— Hum — disse ela, baixinho.
Melissa encarou Ali por um segundo, confusa, e então se virou para Ian.
— Posso falar com você lá fora?
Ian engoliu sua cerveja Corona, enquanto as meninas assistiam. Eles bebiam secretamente das garrafas dos armários de bebidas de seus pais. Ele jogou fora a garrafa vazia e deu a elas um sorriso irônico, enquanto seguia Melissa para fora.
— Adieu, senhoras. — Ian deu uma piscada antes de fechar a porta atrás dele.
Alison fez um gesto como que tirando pó das mãos.
— Outro problema resolvido por Ali D. Você vai me agradecer agora, Spencer?
Spencer não respondeu. Ela estava muito ocupada olhando a janela da frente do celeiro Vaga-lumes começavam a iluminar O céu, que estava ficando púrpura.
Hanna andou até a tigela de pipoca abandonada e pegou um punhado grande.
— Ian é tão gostoso. Ele é até mais gostoso que o Sean. — Sean Ackard era um dos caras mais bonitos do ano delas, e tema das constantes fantasias de Hanna.
— Você sabe o que eu ouvi? — perguntou Ali, se jogando pesadamente no sofá. — Que na verdade Sean gosta de garotas que têm um bom apetite.
Hanna se animou.
— Verdade?
— Não — Alison bufou.
Hanna jogou o punhado de pipoca de volta na tigela, bem devagar.
— Então, garotas — falou Ali. — Eu sei de uma coisa perfeita que nós podemos fazer.
— Eu espero que a gente não vá correr pelada de novo por aí. — Emily deu risadinhas.
Elas tinham feito aquilo um mês antes — num frio de rachar — e, embora Hanna tenha se recusado a tirar a camiseta e a calcinha que tinha um dos dias da semana bordado, o restante delas havia atravessado correndo um árido milharal sem absolutamente nenhuma peça de roupa.
— Você gostou bastante daquilo — murmurou Ali. O sorriso se apagou dos lábios de Emily. — Mas não, eu estava deixando isso para o último dia de aula. Eu aprendi como hipnotizar as pessoas.
— Hipnotizar — repetiu Spencer.
— A irmã do Matt me ensinou. — Ali olhou as fotos de Melissa e Ian em porta-retratos em cima da lareira. Seu namorado da semana, Matt, tinha o mesmo cabelo cor de areia de Ian.
— Como se faz? — perguntou Hanna.
— Desculpe, mas ela me fez jurar guardar segredo. — Ali se virou para ficar de frente para as meninas. —Vocês querem ver se funciona?
Aria franziu a testa, pegando um lugar numa almofada cor de lavanda que estava no chão.
— Eu não sei...
— Por que não? — Os olhos de Ali passaram rapidamente por um porquinho de pelúcia que pendia da bolsona de tricô púrpura de Aria. Ela estava sempre carregando coisas estranhas para todo o lado: animais de pelúcia, páginas sem sentido arrancadas de velhos romances, cartões-postais de lugares que ela nunca tinha visitado.
— A hipnose não faz você dizer coisas que não quer? — perguntou Aria.
— Existe alguma coisa que você não queira contar para a gente? — retrucou Ali. — E por que você ainda traz esse porquinho para tudo quanto é lugar? — Ela apontou para o bichinho.
Aria sacudiu os ombros e puxou o porquinho de pelúcia para fora da bolsa.
— Meu pai comprou Pigtunia na Alemanha para mim. Ela me dá conselhos sobre a minha vida amorosa. — Aria enfiou a mão dentro do boneco.
— Você está enfiando sua mão pelo traseiro dele — Ali gritou e Emily começou a dar risadinhas. — Além disso, por que você quer carregar por aí algo que o seu pai lhe deu?
— Não é engraçado.—Aria virou a cabeça rapidamente para encarar Emily.
Todas ficaram quietas por alguns segundos, e as meninas se encararam sem expressar nenhuma reação. Isso vinha acontecendo muito nos últimos tempos: alguém — normalmente Ali —mencionava algo, e outra pessoa ficava triste, mas todas eram tímidas demais para perguntar o que raios estava acontecendo.
Spencer quebrou o silêncio.
— Ser hipnotizado? Hum... soa engraçado.
— Você não sabe nada sobre isso — Alison foi logo dizendo. —Vamos lá, eu poderia fazer com vocês todas de uma vez.
Spencer puxou o cós da saia. Emily soprou o ar através dos dentes.Aria e Hanna trocaram um olhar.Ali sempre vinha com uma novidade — no verão anterior, foi fumar sementes de dentes-de-leão para ver se eram alucinógenas, e, no último outono, tinham ido nadar no lago Pecks, apesar de terem achado um corpo lá uma vez — mas a verdade era que elas, muitas vezes, não queriam fazer as coisas a que Alison as obrigava. To das amavam Ali, mas algumas vezes também tinham ódio dela — por controlá-las de todas as formas em nome do feitiço que tinha espalhado sobre elas. Às vezes, na presença de Ali, não se sentiam exatamente verdadeiras. Elas meio que se sentiam como bonecas, com Ali controlando cada movimento que faziam. Cada uma delas já desejara, pelo menos uma vez, ter coragem de dizer não a Ali.
— Por favoooooooooooooor? — perguntou Ali, irritada. — Emily, você quer fazer isso, certo?
— Hum... — a voz de Emily tremeu. — Bem...
— Eu farei — intrometeu-se Hanna.
— Eu também — disse Emily, rapidamente.
Spencer e Aria concordaram com a cabeça, de má vontade. Satisfeita, Alison apagou todas as luzes, com um movimento, e acendeu várias velas com perfume de baunilha, na mesinha de centro. Então, se afastou das meninas e sussurrou.
— Certo, pessoal, apenas relaxem — ela cantarolou, e as meninas se arrumaram num círculo sobre o tapete. — Seus batimentos cardíacos estão mais lentos. Tenham pensamentos calmos. Eu vou contar de trás para a frente a partir de cem e, assim que eu tocar cada uma, vocês estarão sob meu poder.
— Assustador — riu Emily, se sacudindo.
Alison começou.
— Cem... noventa e nove... noventa e oito...
Vinte e dois...
Onze..
Cinco..
Quatro..
Três...
Ela tocou a testa de Aria com a parte mais carnuda do polegar. Spencer descruzou as pernas. Aria moveu o pé esquerdo.
— Dois... — Ela tocou Hanna vagarosamente, depois Emily, e então caminhou em direção a Spencer. — Um.
Os olhos de Spencer se abriram de repente, antes que Alison pudesse alcançá-la. Ela ficou em pé, num pulo, e correu para a janela.
— O que está fazendo? — sussurrou Ali. —Você está estragando o clima.
— Está muito escuro aqui. — Spencer alcançou a janela e abriu as cortinas.
— Não. —Alison relaxou os ombros. —Tem que estar escuro, é assim que funciona.
— Ah, vamos lá, não é assim. — A cortina prendeu e Spencer deu um gemido junto com o puxão para soltá-la.
— Não. É assim.
Spencer colocou as mãos nos quadris.
— Eu quero que fique mais claro. Talvez todo mundo queira.
Alison olhou para as outras. Elas ainda tinham os olhos fechados.
Spencer não ia desistir.
— Não tem sempre que ser como você quer, sabe, Ali?
Alison soltou uma risada aguda.
— Feche as cortinas!
Spencer revirou os olhos.
— Por Deus, tome um calmante.
— Você acha que eu deveria tomar um calmante? — perguntou Alison.
Spencer e Alison se encararam por alguns momentos. Era uma daquelas brigas ridículas que podia ser sobre quem viu primeiro o novo vestido polo da Lacoste na Neiman Marcus, ou se as luzes cor de mel no cabelo de alguma menina eram ousadas demais, mas, na verdade, a briga tinha a ver mesmo com outra coisa. Algo muito maior.
Finalmente, Spencer apontou para a porta.
— Saia.
— Está bem. — Alison caminhou para fora.
— Que bom! — Mas, depois de alguns segundos, Spencer foi atrás dela. O ar da noite azulada estava parado, e ainda não havia nenhuma luz acesa na casa principal. Tudo estava quieto demais, até mesmo os grilos estavam calados, e Spencer podia ouvir a própria respiração.
— Espere um segundo! — gritou ela, depois de um momento, batendo a porta atrás dela. — Alison!
Mas Alison havia partido.
Quando ouviu a porta bater, Aria abriu os olhos.
— Ali? — chamou ela. — Meninas? — não houve reposta.
Aria olhou ao redor. Hanna e Emily estavam jogadas no carpete, e a porta estava aberta. Aria foi até a varanda. Não havia ninguém lá. Ela andou na ponta dos pés até os limites da pro-priedade de Ali. Os bosques se espalhavam à frente, e tudo estava silencioso.
— Ali? — murmurou. Nada. — Spencer?
Do lado de dentro, Hanna e Emily esfregavam os olhos.
— Eu tive o sonho mais estranho da minha vida — declarou Emily. — Quer dizer, acho que foi um sonho. Foi muito rápido. Alison caiu num poço muito fundo, e tinha umas plantas gigantes.
— Eu também tive esse sonho! — disse Hanna.
— Sério? — perguntou Emily.
Hanna fez que sim com a cabeça.
— Bem, mais ou menos. Havia uma planta gigante nele. E acho que vi Alison também. Podia ser sua sombra... mas, definitivamente, era ela.
— Uau! — sussurrou Emily. Elas se encararam com os olhos arregalados.
— Meninas? — Aria voltara. Estava muito pálida.
—Você está bem? — quis saber Emily.
— Onde está Alison? — Aria franziu a testa. — E Spencer?
— Não sabemos — respondeu Hanna.
Bem nesse momento, Spencer abriu a porta com violência e entrou de volta na casa. Todas as meninas deram um pulo.
— O que foi? — perguntou ela.
— Onde está Ali? — sussurrou Hanna.
— Eu não sei. — Spencer murmurou de volta. — Pensei... Eu não sei.
As meninas ficaram em silêncio. Tudo o que podiam ouvir eram os galhos das árvores se movendo além das janelas. Parecia o som de alguém raspando unhas longas contra um prato.
— Acho que quero ir para casa — falou Emily.
Na manhã seguinte, elas não tinham nenhuma notícia de Alison. As garotas se telefonaram para conversar, uma conversa a quatro desta vez, em vez de cinco.
— Você acha que ela está brava com a gente? — perguntou Hanna. — Ela estava estranha a noite toda.
— Provavelmente está na casa da Katy — cogitou Spencer. Katy era uma das amigas de Ali, do time de hóquei sobre a grama.
— Ou talvez ela esteja com Tiffany... aquela garota do acampamento — propôs Aria.
— Eu tenho certeza de que ela está em algum lugar se divertindo — disse Emily, calmamente.
Uma a uma, as meninas receberam ligações da sra. DiLaurentis, perguntando se tinham notícias de Ali. No começo, todas as meninas deram cobertura a ela. Era uma regra delas: tinham dado cobertura a Emily quando ela perdeu a hora num fim de semana e não voltou para casa às onze da noite; tinham acobertado Spencer quando ela pegou emprestado o casaco Ralph Lauren da Melissa e depois o esqueceu, acidentalmente, no banco do trem; e assim por diante. Mas quando cada uma desligava depois de falar com a sra. DiLaurentis, um sentimento amargo crescia em seu estômago. Alguma coisa parecia terrivelmente errada.
Naquela tarde, a sra. DiLaurentis ligou novamente, desta vez em pânico. À noite, os DiLaurentis chamaram a polícia, e na manhã seguinte, havia carros de polícia e vans das equipes da imprensa acampados no normalmente imaculado jardim dos DiLaurentis. Era o sonho de qualquer noticiário local: uma garota rica e bonita, perdida numa das cidades de classe alta mais seguras do país.
Hanna telefonou para Emily, depois de assistir às primeiras notícias sobre Ali.
— A polícia entrevistou você hoje?
— Sim — sussurrou Emily.
— Eu também dei entrevista.Você não falou a eles sobre...— Ela fez uma pausa. — Sobre A Parada da Jenna, falou?
— Não! — ofegou Emily. — Por quê? Você acha que eles sabem de alguma coisa?
— Eu... eles não poderiam! — sussurrou Hanna, depois de um segundo. — Nós somos as únicas que sabemos. Nós quatro e... Alison.
A polícia interrogou as meninas, assim como praticamente todo mundo de Rosewood, do instrutor de ginástica de Ali no segundo ano ao cara que uma vez vendeu Marlboros a ela no Wawa. Era o verão antes do oitavo ano, e as meninas deveriam estar paquerando garotos mais velhos em festas à beira da piscina, comendo espiga de milho nos quintais umas das outras e fa-zendo compras o dia inteiro no Shopping Center King James. Em vez disso, estavam chorando sozinhas em suas camas de dossel, ou olhando para o nada, encarando as paredes cobertas de fotos. Spencer entrou numa de arrumar o quarto, revendo sobre o que realmente havia sido sua briga com Ali e pensando no que poderia saber a respeito dela que nenhuma das outras sabia. Hanna passou horas no chão do quarto, escondendo pacotes de Cheetos vazios embaixo do colchão. Emily não conseguia parar de pensar numa carta que havia mandado a Ali antes de ela desaparecer. Será que Ali recebeu? Aria sentou-se em sua escrivaninha com Pigtunia. Lentamente, as meninas começaram a telefonar umas para as outras com menos frequência. O mesmo pensamento assombrava as quatro, mas não havia nada mais a ser dito entre elas.
O verão acabou, e veio outro ano escolar, que foi seguido pelo começo de outro verão. E nada de Ali. A polícia continuou com as buscas, mas sem alarde. A mídia perdeu o interesse e se voltou para a obsessão que rondava um triplo homicídio ocorrido no centro da cidade. Até mesmo os DiLaurentis se mudaram de Rosewood, mais ou menos dois anos e meio depois que Alison desapareceu. No que diz respeito a Spencer, Aria, Emily e Hanna, algo nelas também mudou. Agora, se elas passavam pela velha rua de Ali e davam uma olhada para a casa dela, não entravam mais no modo "choro instantâneo". Em vez disso, começaram a sentir algo mais.
Alívio.
Claro, Alison era Alison. Ela era o ombro onde chorar as mágoas, a única que você gostaria de ver ligando para o seu pretê para saber como ele se sentia sobre você, assim como também era dela a palavra final sobre se o seu novo jeans fazia sua bunda parecer maior. Mas as meninas também tinham medo dela. Ali sabia mais sobre elas do que qualquer outra pessoa, in-cluindo as coisas ruins que queriam enterrar — como um corpo. Era horrível pensar que Ali podia estar morta, mas... se estava, pelo menos seus segredos estariam seguros.
E estavam. Pelo menos, por três anos.
 



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