História Prey Of The White - Capítulo 8


Escrita por: ~

Postado
Categorias One Direction
Personagens Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Niall Horan, Zayn Malik
Tags Drama, Emprego, Gigi Hadid, Harry Styles, Interesse, Mistério, Romance, Sexo
Exibições 144
Palavras 3.982
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Mistério, Policial, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


FELIZ DIA DAS CRIANÇAS!

BOA LEITURA, CAROS LEITORES!

Capítulo 8 - Puxa, Achei Que Eu Pudesse Te Levar Ao Paraíso.


Fanfic / Fanfiction Prey Of The White - Capítulo 8 - Puxa, Achei Que Eu Pudesse Te Levar Ao Paraíso.

A melhor coisa que fiz, foi deixar Harry em paz naquele momento. Saí do seu apartamento e fiquei ali na frente da sua porta, agachada e encostada na parede gelada, chorando.

Quando eu iria imaginar esse rumo pra minha vida? Antigamente eu só cursava uma faculdade de literatura, trabalhava numa editora, namorava um cara maneiro e ajudava minha avó numa padaria. Agora eu sou uma das oferecidas do bar que frequentava às vezes, e aquela garota da história de romance mais clichê. Na verdade, não sei se é clichê você descobrir que alguém gosta de você e no mesmo dia ferrar com tudo. Geralmente, é só alegria, festa, amor e sexo.

Estou "há horas" ignorando meu celular que vibra sem parar. Tomo consciência de que tenho que fazer algo de responsável para compensar o que fiz com o médico hoje. E acabo finalmente atendo o aparelho irritante.  

-Alô? -digo com a voz rouca e baixa. Depois que falo, percebo que nem li quem era o perturbador.

-Chegou bem? -minhas lágrimas brotam quando percebo quem é. Sério que ele ainda se preocupa comigo?

-Não. Não cheguei. -limpo meus olhos com a costa da mão.

-Como assim?! Você tem merda na cabeça, Wendy?! Onde você está a essa hora?! Você tem noção de que é uma mulher sozinha numa madrugada fria em Londres?! É óbvio que não tem, né! Por que pergunto?! Fala onde está que eu vou te buscar agora, Wendy. Onde você está? Diga!

Reviro os olhos.

-Mas que saco! Relaxa, tá legal? Você não é meu pai!

Fica um silêncio mortal quando eu digo isso.

-Onde você está? -ele diz com a voz mudada, mais rígida.

-Ok. Ok... No corredor em frente ao seu apartamento, Dr. Styles. Feliz?! -dou uma fungada e limpo o nariz.

-O quê?! Você... -ele fica completamente sem palavras, pelo menos é o que parece. -E você tá chorando?!

Fica mudo do outro lado da linha já que eu não falo mais nada. E enquanto isso tento entender como ele conseguiu meu número. Encerro a ligação e levanto-me, recompondo-me. Não quero parecer uma sem teto na frente dele. Não que eu ligo para o que ele pensa.   

Harry abre a porta com tudo, desesperado. E quando me nota ali na sua frente seu semblante agora limpo do sangue, é tomado por uma expressão de alegria. Qual logo fica contida num único sorriso torto.

Vou aproximando-me de Harry, que tem o peito subindo e descendo na respiração caótica e finalmente abraço-o. Sem saber se ele me quer de volta. E como se lesse meu pensamento, ele diz o que eu temia ouvir:

-Eu disse que não queria mais te ver, Wendy.

Como ele consegue ser esse filho da puta bipolar?! Como?!

Afrouxo meu aperto com os braços.

-Então por que me ligou? -levanto meu rosto para fitar seus olhos.

-Eu apenas.... eu penas estava com a consciência pesada. Só isso. -ele desvia seu olhar de mim e olha para o batente da porta. Mas não me larga.

-Sério?

-O quê?

-Realmente quer isso? Você acha que vai conseguir ficar sem me ver? Por que eu acho que não. -dou uma risada irônica e curta. -Aposto que amanhã mesmo vai mandar um detetive pra me vigiar. Não vai se conter em ligar pra mim quando eu estiver em apuros. E isso vai ser bem hipócrita da sua part...

Ele me puxa pra dentro, fecha a porta atrás de mim e prensa-me contra a mesma, passo as mãos por seus cabelos para analisar seu rosto. Seus machucados estão limpos mesmo, deve ter pensado bastante em mim ao terminar de limpá-los, e enfim, não resistiu em me ligar.

-Você tem razão.

-Eu sei. -digo, toda convencida.

-Por quê? -diz de modo inconformado. Ele me analisa toda, tem os braços em volta da minha cabeça, apoiando-se na porta e cercando-me.

-Por que o quê? -cruzo os braços.

 -Tive que gostar justo de você? É incompreensível, Wendy! Não era pra isso estar acontecendo, sabia? Eu e você... não tem nada a ver!

-"Justo de mim"? -franzo o cenho, pensativa. -O que você tem contra que te faz achar má ideia gostar JUSTO DE MIM? Ah, é! Eu sou pobre! Verdade, não temos nada a ver! -tento sair da sua prisão com os braços, mas ele me empurra novamente para encostar minha costa na porta.

-Não... Esquece, Wendy, você nunca vai entender... -ele balança a cabeça. Não vou entender mesmo!

-É óbvio que eu nunca vou te entender!

Ele lambe os lábios ao fitar os meus. Harry chega perto e eu sinto meu coração ficar assustado, daquele jeito de sempre. Desvio da sua boca e beijo sua bochecha como despedida.

-Temos que ficar longe um do outro. -esquivo-me dele e saio por baixo dos seus braços. -Até nunca mais, médico. -seguro a maçaneta.

-Wendy... não...

-Não?! Me esquece!

Mas antes que eu abra a porta, sou puxada de volta para ser encostada nela MAIS UMA VEZ. E Harry mete sua língua na minha boca, segurando minha cintura e pegando-me de um jeito que transborda desejo, carinho e desespero. Não dá nem tempo de eu pensar. Sua mão sobe para meu cabelo quando percebe que eu não faço nada. Ele tenta me envolver, mas sou dura na queda e não correspondo. Não toco seu corpo, não movo minha língua como talvez ele pretendia que eu fizesse.

Separa nossas bocas ao desistir.

-A gente não pode, Harry... -estou sem ar porque apesar de tudo, ele foi perseverante em tentar que eu cedesse. Permaneço com os braços cruzados.

-Weeendy... -ele meio que geme, e parte para distribuir beijos demorados em meu maxilar. Ele separa meus braços com delicadeza e põe minhas mãos em sua costa.

-Nã-nã-nã-o podemos conti... -seus lábios macios e quentes descem para meu pescoço, e eu aperto sua costa abrindo a boca. -nuar... -Eu estou delirando com aquilo, mas preciso me conter! Seguro seus cabelos, desistindo da costa pelada. -Harry! -tento puxá-lo pelos cabelos para que pare de me deixar louca! Afinal, não era pra ter acontecido. Ele quem disse! E sim, eu sou orgulhosa!

Ele bufa em meu pescoço.

-Porra, Wendy, entra no clima, cara! -ele bate as mãos na porta, nervoso e diz com certo desejo e imploração, olhando meu semblante. Depois, volta a beijar meu pescoço. Mais sereno.

-Não. Não vou fazer isso.

Sua boca subiu para meu ouvido em milésimos.

-Entra. -agora voltou a ser o autoritário de sempre. Reviro os olhos.

Sou obrigada a puxar seu cabelo, porque sei que cheguei muito perto de ceder. E ele finalmente olha nos meus olhos, esbanjando irritação.

-Não quero te iludir. Não sou boa pra você o suficiente e você está certo, Harry! Está certo! Como sempre! -sorrio sem mostrar os dentes e dou um tapinha em seu rosto. -Tudo de bom.

Harry fita-me como se esperasse que eu dissesse que aquilo era mentira, uma brincadeira minha.

-Você não pode reconsiderar um pouco do que eu solto pela boca como defesa? -ele junta o polegar e o indicador para mostrar o "pouco".

Balanço a cabeça em reprovação.

-Infelizmente não posso. Porque no fundo, é realmente isso que você quer dizer. -cutuco seu peitoral pelado ao falar. -Você só está tomado pelo desejo. E é só isso que nos aproxima. Mais nada.

Ele ainda me analisa por uma última vez.

-Puta que o pariu. Impressionante, Wendy! -ele volta a ficar alterado como anteriormente, a respiração descontrolada. O rosto vermelho e rígido. Chega a ser irônico também.

-O que é "impressionante", Harry?!

-Como você consegue se esquecer facilmente das coisas boas ditas! Mas das ruins, ahhhhh, essas que te afetam, você tem uma memória de ELEFANTE para arquivá-las em ordem alfabética! Tão boa que chega a ser cômico! Quer saber? Tudo bem. Foda-se. Pode se mandar daqui. Agora.

Então ele me deixa livre e dá as costas, joga-se em seu sofá e liga sua tv.

Ando até lá para terminar nossa discussão.

-Realmente. E além de arquivá-las em ordem alfabética, deixo as humilhantes em primeiríssima mão! E sabe o que também é "impressionante"? Como quando tudo está bem e você resolve me afetar só pra me provocar! -vou até sua porta e abro-a. -Mas você sempre está certo.

-Fala sério! -ele está inconformado. -Não posso fazer nada se brava você fica mais gostosa, Wendy. Nada! Eu não consigo me segurar, ok?! Não venha com chantagem emocional. Nos conhecemos há pouco tempo e já vem me falando "como sempre"?

Sem reação para aquilo, faço um barulho com a minha garganta, de raiva. Como se eu rosnasse.

-Cretino! Você que não venha com essa desculpa... esfarrapada pro meu lado! A única coisa que te interessa aqui é o meu corpo. E minha avó me criou muito bem para não ser burra em cair nos seus joguinhos e manipulações!

-Talvez seja mesmo a única coisa que interessa em você. Porque fora isso você não passa de uma bartender que se vende!

-Você sabe muito bem que eu não me vendo, porque você quem fica me espionando dia e noite sabe tudo sobre a minha vida! -minha voz está alta e estridente. -Quer saber? -abaixo a voz. -Não vou gastar meu tempo fazendo você retirar o que disse. -dou as costas.

-Falsa. -paro de andar quando escuto.

-O quê?! -rio, é inacreditável o que ouço. Eu sou a falsa daqui?! Minutos atrás ele me queria e falou tudo o que tinha direito para provar isso. E agora simplesmente já era!

-F. A. L. S. A. -ele soletra. -FALSA! -e diz com as mãos em volta da boca. -Você, como uma pessoa que estudou literatura, deveria saber o significado dessa simbólica palavra.

-Argh! Quanta infantilidade... Seu... -cerro minhas mãos, estava me contendo para não imitá-lo e entrar na dele. -safado!

-Incoerente! -ele gargalha em seu sofá. -Ah, nunca fiz isso antes, é hilário! -ele coloca as mãos atrás da cabeça.

-Hipócrita de merda!!! -cuspo no chão.

-Desequilibrada! -ele vira pra me olhar, rindo. Mas quando vê que eu estou entre sua porta, seu sorriso fecha. -O que foi? Ainda não foi correndo para os mimos do seu papai? Ah é! Você não o vê faz quantos milênios? -e gargalha como um maníaco sem piedade.

Meus olhos enchem de lágrimas.

-Como assim? -estou num drama que só. Mas dos meus pais eu não vou deixar ele se aproximar. -Até com isso você teve o trabalho de me azucrinar? JÁ NÃO BASTA ACHAR QUE SABE O QUE É BOM PRA MINHA CARREIRA?!

-Olha. Não fica estressadinha, não, Wendy, eu precisava...

-Não. chegue. perto. de. mim, Harry. Eu não estou estressada. Estou com nojo de você! NOJO! -e saio de seu apartamento, batendo a porta com muita força em seguida.

Encostada naquela madeira provavelmente muito cara, cobrindo o rosto ao derramar lágrimas incontroláveis, decido que ficar ali não é uma boa escolha para corpos que têm imãs. Desembesto numa corrida até o elevador e sou parada pelo Kennan assim que chego ao térreo.

-Srta. Lee? Está tudo bem? Srta Lee! O que você tem?! -ele apoia a mão em meu ombro e eu sou obrigada a parar de andar rápido.

-Olha, Kennan, a única coisa que eu tenho, é vontade de demolir esse lugar com todos os moradores aqui dentro!

-Mas... por quê?!

Não quero explicar que Harry me deixou exausta e muito magoada com frustrada e tudo de mais horrível.

-Até nunca mais. -volto a andar.

-Srta. Lee... o que aconteceu?

Respiro fundo e me viro.

-Você acha que eu vou cair na tua? Você trabalha para aquele cara horrível também! Volte ao seu trabalho que você ganha mais, ok? Me esquece! Esquece que um dia eu pisei aqui. -dou a costa e preciso me controlar quando o porteiro resolve me seguir.

-Horrível?! Ah, ele pode ter uma cara meio feia, sim, ser um pouco rabugento e tudo mais, mas eu garanto que o Sr. Williams é uma pessoa muito boa, Srta. Lee. O que ele te fez pra você ficar assim? Espera, ele está aqui?!

Percebo que não só me confundi como confundi Kennan.

-Não... -paro de andar. -eu não estou falando desse aí.

-Ué, eu trabalho pra ele. Quem você achou que fosse meu patrão?

Mordo minha boca por dentro, pensando se digo ou não.

-O infeliz do Sr. Styles, Kennan. Agora me deixa em paz e volte a trabalhar, tá tudo bem. Ah! E aproveite e tire meu nome da lista minúscula de quem pode entrar no apartamento do idiota do Harry. -falo e viro-me para seguir até a saída.

-Vocês não se dão bem, não é mesmo? Mas por que ele quis tipo uma passagem VIP para você aqui?

-Deixa pra lá. -passo a mão por meu cabelo.

-Wendy... Você está chorando por causa de um homem, porque não pode deixar outro homem recompensar isso algum dia? -ele limpa uma lágrima minha com seu polegar. -Você é linda, e te ver chorar é de doer.

-Do que você está falando? -cerro os olhos.

-Você me surpreendeu muito, Srta. Lee. As coisas que falaram sobre você aqui, sobre você ser deslumbrante também, eu fiquei encantado e gostaria de saber se a gente pode sair qualquer dia... Digo, -ele fica meio nervoso. -quando estiver melhor. Eu gostaria de recompensar o modo como te trataram. Gostaria de te tratar como merece.  

Eu simplesmente sorrio. Mas palmas lentas e altas são brotadas no ambiente como sirenes, cortando todo o clima. E eu olho para o elevador querendo fuzilar tudo o que fazia com que o objeto não explodisse do nada. Porque Harry estava ali. Vindo em nossa direção agora, faz com que eu tenha que morder minha boca novamente.

-Adorei essa ceninha de filme americano romântico e ridículo. -ele chega até a gente e cruza os braços, olha para mim e depois olha para Kennan, que está engolindo em seco, talvez com medo de perder o emprego por causa do filho da puta. -Vamos, Wendy, -ele diz autoritário. -vou te levar embora.

Eu sinto uma raiva tremenda que me faz perder a cabeça e começar a gritar no hall quase vazio.

-O único lugar que você pode me levar é pro inferno se continuar vindo atrás de mim como um louco, seu imbecil!

-Pro inferno?! -ele gargalha.

-É! Porque eu quero muito te matar a tapas, Harry Styles! -estou gritando feito uma louca na frente do porteiro que tem uma queda por mim, e na frente do obcecado por garotas que não te dão muita bola. E além disso, cerro as mãos como se eu fosse conseguir bater em alguém.

-Puxa, achei que eu pudesse te levar ao paraíso.

Eu vou pra cima de Harry e começo a distribuir-lhes tapas. Não demora para Kennan tentar me segurar.

-Ela está um pouco descontrolada, deixa que eu cuido disso, Kennan.

-Ah, sim, tudo bem... mas -ele me solta e eu abaixo meu vestido que subiu devido a minha afobação.

Harry tenta pôr as mãos nos meus ombros.

-Me solta! -livro-me de Harry e distancio-me. -Kennan, eu vou sair com você quando quiser, ok? -digo com muita convicção, levantando a sobrancelha. -Eu moro naquela Padaria da Oly. É só me  buscar lá quando quiser. -beijo o rosto do porteiro e saio correndo antes que Harry termine de cair na real.

Não demora muito para o mesmo vir correndo atrás de mim, gritando meu nome.

-Wendy, Wendy... WENDY? -finjo que não escuto nada. -Ouça bem, florzinha, você não vai sair com esse babaca, entendeu bem? -ele diz ao correr. -E se você se atrever, eu faço questão de estragar tudo. Tudo! Você realmente não sabe do que eu sou capaz.

Paro de correr e ele praticamente tromba atrás de mim. Viro e colo bem meus olhos nos seus, tentando soar muito agressiva.

-Não me importo, Dr. Styles. -e atravesso o portão do estacionamento. Olho para trás, avisto o portão fechado e percebo que Harry ficou lá dentro. Olho para frente, Luke Jordan está saindo do O'clock como um anjo que vai me salvar agora.

-Luke! Luke! -ele sorri ao me notar atravessando a rua.

-O que você está fazendo aqui ainda? São três horas da manhã!

-Ainda está em cima aquela carona?

-Com certeza. Bora! -ele tinha ido de moto. Eu quase congelei.

 

...

-Bom dia, avó.

-Boa tarde. Mas, menina, que cara é essa?

Eu devo estar como uma zumbi desidratada de tanto que chorei com insônia à noite toda e dormi provavelmente vinte minutos.

-Insônia.

-Está mais pra ressaca.

-Insônia.

-Tudo bem, não quer conversar, tudo bem.

Deito lentamente no sofá a fim de que minha cabeça não doa, que eu não sinta uma queda de pressão ou qualquer outra coisa causada pela insônia. E avisto o porta retrato dos meus pais quando eram jovens no estante da tv.

Meu pai com aquela jaqueta do Arizona que sempre usava quando andava de moto, velha pra cacete. E minha mãe com um vestido belo, estampa bem primavera, o sorriso doce, nos braços do meu pai, que parecia se achar o dono do mundo ao namorar Celine Cortez. Estavam tão felizes e românticos ali, olhando pra quem quer que tirava a foto. Eu sei que era meu tio o fotógrafo, porque perguntei sobre tudo para minha avó já. Um tio que nunca vi na vida por ele nunca mais ter voltado à Inglaterra. Ele é brasileiro. Vive viajando. Mas parece que Londres nunca está na sua rota.

-Ué, o gato comeu sua língua. Wendy Mackenzie Lee? Estou falando com você!

-O quê?! -percebo que não prestei mais atenção na vida ao fitar aquele porta retrato.

-Perguntei o que você tem? Quem te fez chorar?

-Eu? Chorar? Sai, vó! -tento me sentar no sofá mas minha cabeça lateja e levo a mão a ela. -Oly, meu tio era grudado com meu pai?

-Você não me respondeu, não te respondo. -a idosa carinhosa e cheia de marra cruza os braços e continua a assistir.

Reviro os olhos.

-Eu estou assim porque... trabalhei muito e fiquei estressada. Daí eu comecei a chorar do nada e perdi o sono porque bebi muita coca-cola.

-Meu Deus, menina, como você mente!

-Então por que ainda pergunta se a senhora sempre sabe da verdade?

-Nem sempre. Mas é que o médico me ligou.

-O quê?! -eu grito e minha cabeça dói. -Ai! -levo minha mão a ela novamente.

-Sabia. O que ele te fez? Na verdade, o que está acontecendo entre vocês?

-Ele não para de vir atrás de mim porque quer me empregar lá na MedCenter! E ele não é meu pai pra dizer onde eu tenho que trabalhar. Ele não é nada pra mim! Vó! Esse cara só pode ter algum problema!

-Ele parece se importar...

-Não! Ele parece um doido! Ele fica me vigiando!

-Wendy, você já perguntou o porquê de ele estar fazendo isso?

-Já! Acho... que já! Já, sim! Ele é um safado, vó, só quer mais uma pra subornar do jeito ruim que a senhora me informou quando pequena, que não era pra eu ser.

-Então por que você não chama a polícia?!

Eu caio na real. Penso nessa opção, mas, ele tem grana, não dá nada pra ele.

-Isso não vai adiantar. E o que ele queria?

-Está curiosa? -minha avó dá seu sorrisinho sarcástico.

-Acho que eu tenho o direito de saber, só isso.

-Primeiro ele perguntou se você tinha chegado bem. Daí eu fui ao seu quarto e você estava aos prantos. Questionei ele e xinguei muito até ele me contar que acabou forçando a barra e que ficou com medo de ir atrás e você chamar a polícia, ou bater nele de novo, então não te trouxe embora.

-Vó, você é o máximo.

-Eu sei. Com quem você veio?

-Com o Luke.

-Você e suas amizades com ex namorados.

-Eu só tenho um ex, vó! -eu argumento e ela levanta do sofá para caçar serviço. -e ele é o melhor ex do mundo.

Finalmente presto atenção na tv e está passando o jornal da noite. Provavelmente, a padaria está fechada.

-Vó?! -relembro do nada.

-Quer me matar de susto? O que é, garota?

-E sobre meu tio?!

-Eles eram chegados, sim! -ela grita de algum lugar. 

O porta retrato está lá, azucrinando-me. Por que Harry foi lembrar do meu pai?

Agora fico igual uma idiota, tentando entender novamente porque ele nunca volta. Questionando se ele está vivo. Se pensa em mim. Em nós.

Aí percebo que a foto foi tirada no Brasil, não paro de olhar aquela foto.

Levanto com tudo do sofá.

-Obrigada! -grito.

Será que é possível meu tio ter mantido contato com Alexander Lee?

-Alô? Aqui é da KM Viagens S/A, e estou ligando para falar com Carlo Cortez. Ele está, no momento?

-É ele mesmo, quem gostaria?

-Porra, Wendy, você é uma atriz e tanto! Caralho! -empurro Brooke da minha cama. Eu precisava de um número desconhecido para que um dia meu tio me atendesse. Brooke até então, parecia-me uma boa opção.

Tomo fôlego para continuar com a farsa, morrendo de medo de ele ter escutado Brooke.

-Mandy McJoy do Havaí. Sou do departamento pessoal da sede da empresa para qual o Sr. Alexander Lee trabalha e ele faltou ao trabalho hoje, pondo em risco uma viagem de mais de cem passageiros. Ele não é de fazer isso, e agora simplesmente não atende o celular e...

-Como chegaram até meu nome?

-Bom, ele deixou na sua ficha apenas o nome Carlo Cortez, para quem recorrer em caso de emergência. -fica mudo do outro lado da linha. -ele não atende o celular... e é viúvo.

-Alô, Alexander. -escuto barulhos de caixotes caindo além da ressuscitada voz do meu pai. Depois de cinco anos sem escutar aquela voz. Ele não veio à minha formatura e nem me ligou. Sequer me ensinou a andar de bicicleta. O trabalho de piloto sempre foi exigente e mais importante que tudo. E eu nunca vou entender o porquê.

Preciso agir de maneira que ele não desligue na minha cara como sempre e depois me responda com mensagens curtas e frias.

-Pai, é a Wendy. -Uau, você se saiu muito bem, Wendy! Ele super vai te responder agora!

Juro que escuto um suspiro.

-Pai? Não desliga! Desculpa se eu estou atrapalhando! Mas eu não aguento mais de ansiedade de te ver e saudades! Por favor... Quando você vem me ver, pai? Eu fiz alguma coisa de errado da última vez? Você tá morando com o tio Carlo?

-Minha filha, estou com muitas, muitas saudades também. Você não tem noção! Muitas! Da sua avó... e até do seu cachorro. -estou chorando e rindo ao mesmo tempo. Ele tem a voz embargada do outro lado da linha e agora não diz mais nada.

-Você está aí? -olho meu celular para ver se a ligação ainda está ativa. E sim! -Eu te amo pai! Por que você não volta no Natal?

Silêncio novamente.

-Eu... vou ver se terei folga, caso eu tenha, com certeza eu vou, meu amor. Papai vai ter que desligar, mas eu também te amo. E você quase me deu um susto, porque hoje era a minha folga, achei que tinha perdido hora! Espertinha! Te amo! Abraço, filhinha, tchau, tchau!

E fim.

-Espera! Pai?! Argh! Ele desligou!

-Wendy! É isso mesmo que eu acabei de ouvir?

-Eu não sei o que dizer, Brooke, mas meu pai finalmente falou comigo! Você tem noção?! -Brooke olha-me com piedade.

Estou eu piorando minha dor de cabeça ao chorar. Minha melhor amiga me abraça de lado, fico em prantos, lembrando da fotografia. Dos meus pais felizes.

-Como seria tudo diferente se mamãe não tivesse morrido no meu parto. Meu pai deve me odiar. Me odiar! -grito.

-Não fala isso, Wendy. Você não é vidente...

-Minha avó disse que ele ficou assim só depois que minha mãe morreu, ele deve ter traumatizado ou sei lá! Não deve suportar me ver e...

-Xiiuuuu... -ela faz cafuné enquanto eu mesma me arraso.


Notas Finais


MANOW, O Q VCS ESTÃO ACHANDO?

PROMETO EMOÇÕES NOS PRÓXIMOS CAPÍTULOS!

(TALVEZ KKK)

OBRIGADA POR TER LIDO!

BEIJOS E ATÉ MAIS!!!!!!!!!!!!!! <3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...