História Pride and Desire - Capítulo 29


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jungkook
Tags Bangtan Boys, Bts, Clara, Coréia, Coréia Do Sul, Desire, Ensino Medio, Internato, Jungkooke, Lobos, Romance
Exibições 180
Palavras 6.450
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Drama (Tragédia), Fantasia, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi gente ! Me desculpem pelo capitulo parado de hoje, mas as coisas na fic vão se aquietar um pouco por agora, depois eu irei voltar com minhas tretas (amo uma treta). Ah, finalmente minha internet voltou ! Então fora não tenho mais desculpa para demorar tanto para escrever jdjdjkdhd (isso foi uma risada. Beijos, amo vocês, bye bye ❤️💙

Capítulo 29 - It's a girl ?


"...meus joelhos cederam, e então eu senti todo o meu corpo se chocar com o chão e uma chuva fina bater nas minhas costas."

~~~~~~~~

-Não sei como diremos isso a ela.
-Não deveríamos dizer isso assim que ela acordar, deveríamos ?
-Óbvio que não ! Quer que ela desmaie de novo ?
-Uma hora ela vai ter que saber.
-Eu não acredito que isso aconteceu...
-Acho melhor deixarmos para o médico contar isso.

Abri meus olhos tentando identificar de quem eram aquelas vozes. Eu estava em um quarto branco, e cortinas verdes envolviam minha cama, duas poltronas e um amontoado de gente a minha frente. Estavam reunidos no canto do quarto Henry, Sen Hee, Jimin e Jungkook...

-Ah, você acordou.- Henry disse se virando para mim com uma cara de espanto, mas ainda forçando um sorriso.

-É óbvio que ela acordou.- Vociferou Jimin contra Henry.

-Como está se sentindo ?- Jungkook disse andando para mais perto da cama que eu estava.

-Estou bem, obrigada.- Eu disse sendo o mais seca que pude.

-Acho que deveríamos chamar o médico para ver ela.- Disse Sen Hee.- Eu vou chamá-lo.

-Eu vou com você.- Henry se ofereceu e então os dois saíram do quarto.

-Clara, por que não nos contou que  iria sair do internato ?- Perguntou Jimin ficando ao lado de Jungkook.

-Eu só queria me divertir, depois de um dia... deprimente.- Eu disse tentando escolher a palavra certa, olhei rapidamente para Jungkook e então finalmente percebi como sua expressão parecia triste.

-Maria Clara ?- Perguntou um homem entrando no quarto, e pela vestimenta deduzi que era o médico, logo atrás dele estavam Henry e Sen Hee.

-Sou eu.- Eu disse levantando minha mão até a altura do meu ombro.

-Que bom que a senhorita acordou, precisávamos realmente conversar.- Ele disse olhando para os meus amigos (e Jungkook) que estavam dentro do quarto.- Eu preciso que você se retirem, jovens.

-Não acha melhor esperar um pouco até contar para ela, doutor ?- Perguntou Henry apreensivo.

-Quanto mais cedo ela souber disso, mais rápido vai ser para se recuperar.- O medico disse olhando para a prancheta que estava em suas mãos.- Agora se me dão licença...

Todos saíram do quarto, mas quando Jungkook ia se distanciar da minha cama, o médico falou novamente.

-Ah, você é Jeon Jungkook, certo ?

-Sim, sou eu.- Jungkook disse parando.

-Você fica aqui, o amigo da garota havia me dito que você é namorado dela.

-Ex.- Eu acrescentei. O médico olhou para mim e Jungkook com um ar desconfiado mas então deu de ombros.

-De qualquer forma talvez seja melhor vocês escutarem isso juntos, creio eu que você vá precisar de um suporte para aguentar isso, mocinha.- A forma de como o médico me chamou de "mocinha" acabou me lembrando por um instante de minha mãe, que sempre me chamara assim.

-O que aconteceu ?- Eu disse começando a ficar nervosa.- Eu tenho alguma doença grave ? Algum câncer ? Eu vou morrer ?

-Não é nada disso.- O médico disse fazendo um gesto com a mão livre para que eu me acalmasse.- Não é uma doença, mas é uma coisa grave. Por acaso você se sentiu estranha ultimamente, Clara ?

-Hum, não...- Eu disse pensando onde ele queria chegar.

-Sua menstruação acabou atrasando ou você sentiu alguma dor no pé da barriga ?- Ele perguntou fazendo novamente cara de desconfiado por cima dos óculos.

-Bem, minha menstruação deixou de vir no mês passado e está atrasada 4 dias esse mês, mas ela nunca foi regular.- Eu disse com o meu nervosismo transparecendo em minha voz.

-Senhorita, você estava grávida.- O médico disse sério.

Coloquei minha mão na boca para abafar um grito. Ele estava falando sério ? Eu estou grávida ! 

-Jungkook, você ouviu isso ?!- Eu disse e me virei para ele. Jungkook acenou com a cabeça mas então logo a seguida a abaixou, e várias lágrimas caíram dos seus olhos, não eram lágrimas de alegria, era explícito que ele estava triste.-Espera, como assim eu ESTAVA grávida ?- Eu perguntei e então uma onda de nervosismo voltou a se estabelecer no meu corpo.

-Eu estava conversando com os seus amigos e então analisamos que você vem passando por muita ansiedade e nervosismo ultimamente, isso não ajudou, pois sua gravidez já era de risco.- O médico disse e então se aproximou da minha cama.- O que ocorreu ontem à noite foi a gota d'Água para que você perdesse a criança.

Meus olhos se encheram de lágrimas, eu não podia acreditar no que estava acontecendo.

-Jung... Jungkook...- Eu disse com um pouco de dificuldade.- Ele não está falando a verdade, está ?- Eu disse começando a sentir várias lágrimas caírem do meu rosto.- Por favor Jungkook, me responda que sim.

-Não Clara.- Ele disse com a voz trêmula.

Comecei a soluçar, e então Jungkook me abraçou, ficamos um tempo assim e antes que o médico saísse eu reuni todas as forças que eu ainda tinha para fazer a ele uma pergunta.

-Médico, vocês ao menos sabem se era um menino uma menina ?- Perguntei enquanto secava algumas lágrimas que estavam sobre a minha bochecha, mesmo que várias outras teimassem em cair dos meus olhos.

-Era uma menina.- Ele disse e então de virou para ir embora.

-O que nós vamos fazer ?- Perguntei a Jungkook, que continuava chorando igual a mim.

-Eu não sei...- Ele disse se sentando em uma das poltronas.

-Acho que eu quero ficar um tempo sozinha.- Eu disse me virando de lado para ele.

Jungkook hesitou um pouco, mas provavelmente devido às circunstâncias decidiu que não era um bom momento para fazer questionamentos, então simplesmente se retirou do quarto.

Dentro de mim haviam um milhão de sentimentos, que estavam me deixando maluca. Nunca foi o meu sonho ser mãe em pleno colegial, mas sabe que eu fui por um pequeno momento e não percebi, não dei amor e carinho para aquele pequeno ser humano fez com que eu me sentisse ainda pior. E saber que graças a -H uma parte de mim se foi, isso fez com que a raiva ficasse ainda maior dentro de mim.

~~~~~~Jungkook P.O.V.S ~~~~~~~

Nas últimas 24 horas minha vida tem se tornado um completo inferno. Eu terminei o meu namoro com a única garota que eu realmente amei, ela foi apagada por algum filho da puta na frente de um estádio, veio parar no hospital e ainda perdeu o bebê... O nosso bebê, a nossa filha. Desde que o médico me disse aquilo eu mal consegui parar de chorar, a não ser quando a Clara acordou. Eu era pai e nem ao menos sabia disso. Quando ele disse que a gravidez dela era de risco é que a Clara provavelmente perdeu o bebê por causa do nervosismo, me senti como se eu estivesse entrado em um abismo. Ela tinha se estressado por minha causa, se não fosse por mim talvez eu ainda tivesse minha filha aqui, e nem eu e nem Clara estaríamos sofrendo tanto pela nossa perda. 

Fui até o banheiro do hospital e me olhei no espelho. Em um ato automático esmurrei o espelho, bem onde estava a imagem do meu rosto. Eu sou um completo idiota.

Havia sangue escorrendo pela minha mão, e também tinha alguns cacos de vidro cravados nela, mas eu não me importei, eu merecia aquela dor, na verdade eu merecia bem mais do que isso...

-Jungkook !- Jimin disse entrando no banheiro.- O que você está fazendo ?!

-Me deixa em paz, Jimin ! 

-Cara, para de fazer isso ! Você só está se machucando.

-Para de tentar fazer como se eu fosse uma pessoa boa, tá bom ? Eu que provoque a morte da minha filha.- Eu disse e então me sentei no chão e me escorei na parede.- Se não fosse por mim, se eu não tivesse traído a Clara, ela não estaria sofrendo tanto.

-Você ouviu o que o médico disse.- Jimin disse se agachando ao meu lado.- O que aconteceu ontem à noite foi a gota d'Água, a culpa não foi sua.- Olhei para Jimin confuso, ele não estava no quarto quando o médico disse isso.- Eu, Henry e Sen Hee estávamos atrás da porta escutando.- Ele disse meio sem jeito.

-Eu até agora estou tentando entender como eu consegui trair ela, sabe ? Isso antes era fácil para mim, eu não me importava se as garotas ficariam tristes ou com raiva se eu só terminasse, mas com ela é diferente.- Eu disse com tanta vergonha que não pude nem olhar no rosto de Jimin.- Eu mal podia olhar para os olhos dela quando estávamos terminando, eu sou um covarde.

-Jungkook, ficar se xingando não vai te levar a lugar algum. Clara não iria gostar de te ver assim.

-Eu duvido muito, e mesmo que não goste, ela deveria olhar para mim com desgosto, até por que fui eu que trai ela, e a nossa briga com certeza contribuiu para a morte da filha dela, a minha filha.

Jimin se sentou ao meu lado e encarou o chão como eu, acho que não havia mais nada que ele dissesse que pudesse me ajudar.

-Você realmente não quer mostrar isso a um médico.- Jimin disse olhando para minha ferida, e então percebi a pequena poça de sangue que se formou no chão, em baixo da minha mão.

-Talvez eu devesse deixar isso aí ficar sangrando até eu morrer.

-Ah Jungkook, pare de ser dramático.- Jimin disse se levantando.- Você não vai morrer só por causa disso, eu já te vi com ferimentos muito piores. Vamos levante, você tem que mostrar isso a algum médico.

Com a minha mão boa segurei a mão estendida de Jimin e então me ergui e saímos do banheiro. Mil pensamentos insanos passavam pela minha cabeça (incluindo eu me xingando), mas a única pessoa que não saía da minha cabeça era Clara. Eu queria abraçá-la e dizer que tudo estava bem, mas não estava, graças a mim.

~~~~~~~~ Clara P.O.V.S ~~~~~~~~
 
Apesar de eu ter tentado diversas vezes, não consegui dormir. Eu queria que aquela dor no meu peito passasse, queria me sentir feliz de novo, mas era como se toda a minha felicidade tivesse indo embora ontem, e o pouco que havia surgido tinha sido tirado de mim uma hora atrás, quando o médico me deu aquela notícia horrível.

-Maria Clara ?- O médico entrou logo depois de bater na porta.- Temos que conversar sobre a sua estadia aqui no hospital.

-Ah, claro.- Eu disse me sentando na cama.

-Seus amigos me informaram que você é menor de idade, e apesar de haver três rapazes maiores de dezoito anos, eles não são seus pais e nem seus responsáveis, por isso vamos ter que entrar em contato com seus pais.

-Ah, sem problemas.- Eu disse e então engoli seco, na verdade eu não sabia como contar a eles tudo aquilo que estava acontecendo, mas queria estar perto dos meus pais. 

-Você pode me passar o número e o nome deles ?

Passei as informações que o médico havia pedido e então ele saiu. Alguns minutos depois Sen Hee e Henry entraram no quarto.

-Ah, você está acordada !- Sen Hee disse assim que me viu.

-Na verdade não consegui dormir, não depois de receber a tal notícia.- Eu não ousaria repetir o que havia ouvido do médico, meus olhos enchiam de lágrimas só de pensar naquilo.

-Nós estamos aqui.- Henry disse se aproximando e me abraçando.- Nada de ruim vai acontecer.

Instantaneamente me lembrei de -H, eu tinha que contar sobre esse ser para alguém, e mesmo não tendo visto o rosto de -H ontem, eu havia feito uma descoberta.

-Sen Hee, você pode pegar um pouco de água para mim ?- Perguntei levando a mão a cabeça.- Eu ainda não estou me sentindo muito bem para me levantar.

-Claro, volto o mais rápido possível.- Sen Hee disse e então saiu do quarto.

Esperei uns dez segundos para Hee se distanciar e então comecei a falar com Henry.

-Henry, eu preciso conversar com você um assunto muito sério, mas por favor não me faça perguntas, até porque eu tenho que falar tudo antes que Sen Hee chegue.

-Okay, pode falar.- Ele disse confuso.

-Já faz algumas semanas que eu venho recebendo bilhetes de uma pessoa que só se identifica como "-H", e essa pessoa meio que me persegue, parece que em todos os lugares que eu estou essa pessoa também está. Ontem eu fui ao estádio não para assistir ao jogo, mas porque -H tinha pedido que eu fosse até lá e encontrasse essa pessoa as 10:00 PM na frente do estádio. Antes de eu apagar ontem, -H me segurou contra seu corpo, e então eu senti uma leve elevação na blusa, como se -H tivesse seios. Eu acho que -H é uma garota, Henry.

Ele não disse uma palavra depois de toda aquele bombardeamento que eu tinha acabado de fazer, Henry abriu e fechou a boca diversas vezes, provavelmente tentando achar algo para dizer.

-Por que você não me contou isso antes ?- Henry perguntou ainda chocado.- Eu poderia ter evitado que tudo isso acontecesse, poderia ter te ajudado.

-Henry, talvez o que aconteceu ontem à noite tenha sido necessário, necessário para que eu descobrisse quem é -H.

-Você já sabe que é uma garota, mas qual ?

Mordi o meu lábio inferior, não sabia se eu deveria dizer aquilo, mas então tomei coragem.

-Eu estava pensando na hipótese de Sen Hee ser "-H".- Eu disse ainda mordendo meu lábio inferior.

-Sen Hee ?- Henry perguntou chocado igual antes.- Mas ela é sua amiga.

-Eu sei, mas existem muitas coisas que fazem parecer que ela seja -H.

-Clara, acho que Sen Hee não poderia ser -H.

-Por que ?

-Ontem, no estádio, foi ela que me chamou para ir ver se você estava bem, ela que reparou que você tinha desaparecido, e pela preocupação dela, não acho que Hee e -H sejam a mesma pessoa, até porque ela ficou a noite toda aqui com você.- Henry disse com uma cara de aflição.

-Quem você acha que poderia ser -H ? Acha que poderia ser alguém do internato ?

-Eu não sei, mas quando eu voltar para lá eu posso te ajudar a descobrir.- Ele disse se sentando em uma das poltronas.- Ah, e antes que eu me esqueça.- Ele disse pegando algo do bolso da calça jeans.- Isso é para você.

Henry tirou um celular do bolso e o colocou na minha mão.

-Henry, não precisa, eu já tenho o meu, ele só deve estar guardado na sala da diretora do internato.- Eu disse devolvendo o celular para Henry.- Pegue-o.

-Não, ele é seu.- Henry disse sem o pegar da minha mão.- Quero manter contato com você, e não vai ser sempre que vamos estar perto um do outro.

-Muito obrigada Henry.- Eu disse com um sorriso.

Ele deu um outro sorriso como se fosse um "de nada" e logo depois Sen Hee entrou no quarto.

-Aqui a sua água, Clara.- Ela disse entrando com uma garrafa de água.- Desculpa a demora, eu demorei um tempo para descobrir como se usava aquela máquina.

-Obrigada Sen Hee.- Eu disse e então abri a garrafinha de água.

-Aqui é o quarto da Maria Clara ?- Ouvi uma voz feminina um pouco desesperada assim que a porta se abriu.

-Mãe !- Eu disse olhando para a mulher que estava na porta.

-Filha !- Ela disse e então veio correndo para me dar um abraço.- Eu estava sentindo saudades de você. Você está bem ?

-Estou melhor.- Eu disse com um pequeno nó na garganta, na verdade eu não estava nada bem.

-Qualquer coisa nós vamos estar lá fora.- Sen Hee disse meio sem graça e então pisou no pé de Henry para que ele saísse do quarto junto com ela.

-O médico nos contou tudo.- Meu pai começou a falar.- Desde o que aconteceu ontem até a sua gravidez.- Ele disse seco, como sempre.- Por que não nos contou que estava grávida ?

-Eu não sabia, descobri hoje, igual a vocês.

-Quem era o pai da criança ?

-Por favor, Eduardo -Minha mãe disse se virando para meu pai.- Temos coisas mais importantes a tratar com nossa filha agora.

-Saber com quem ela anda transando não é importante para você ? Pode ser qualquer garoto por aí, Marta !

-Sinceramente, se você veio até aqui somente para ficar reclamando.- Eu vi minha mãe ficar agressiva com meu pai como nunca tinha visto antes.- Acho que seja melhor você esperar do lado de fora.

Meu pai ficou quieto, mas ainda com sua cara fria e rigorosa de sempre.

-Com licença.- Jungkook entrou no quarto, com uma das mãos enfaixadas. Então ele percebeu que meus pais estavam ali.- Ah, prazer senhor e senhora Choi, eu sou Jeon Jungkook.- Disse ele meio nervoso, apertando a mão de minha mãe com um sorriso doce e a do meu pai com um sorriso meio "Socorro Jesus, alguém me tira daqui".

-Você é quem ?- Perguntou meu pai, ainda com sua voz autoritária.

-Pai, você disse que queria saber quem era o pai da minha... filha.- Eu disse hesitando falar a última palavra, acho que minha mãe percebeu isso, até por que me abraçou novamente.

-Ah, então é você.- Ele disse mais carrancudo ainda com Jungkook.- Você e minha filha tem pelo menos uma relação oficial ?

Jungkook abriu a boca, mas então eu o interrompi. Sabe quando os policiais dizem nos filmes "Qualquer coisa que você disser pode ser usada contra você no tribunal" ? Era mais ou menos assim que funcionava com o meu pai, era melhor eu explicar tudo.

-Na verdade nós namoramos por um tempo, mas acabamos terminando.- Eu disse tomando cuidado, parecia que eu estava provocando um tigre.

-Terminaram ?- Meu pai perguntou se virando para mim.- Não sabia que a moda agora é apresentar aos pais um garoto só depois de terminarem.

-Se você tivesse ao menos se dado o luxo de ter ido ao internato durante todo o ano, não seria necessário eu te apresentar Jungkook somente agora.- Eu disse com raiva. Jungkook olhou espantado para mim, e os lábios de meu pai se contraíram, como se ele estivesse preparado para me dar um sermão, mas então olhou para minha mãe e continuou quieto.

-É uma pena vocês dois terem terminado.- Minha mãe disse com uma voz bondosa.- Jungkook parece ser um garoto decente e educado, tenho certeza que deve ser um cavalheiro. Porque terminaram ?

Eu e Jungkook nos olhamos espantados, era óbvio que não podíamos dizer a verdade. Mesmo que eu estivesse morrendo de raiva de Jungkook, eu não ia deixar meus pais o terem como inimigo, acho que eu não desejaria isso nem para a pior pessoa do planeta.

-Bem...- Eu comecei a pensar em algo.- Jungkook vai ter que se mudar para a Europa no mês que vem, e como não gostamos da ideia de continuar o namoro a distancia, resolvemos terminar.

-Ah, que pena que você vai para tão longe, mas tenho certeza de que vai gostar bastante da Europa.- Minha mãe continuou sendo gentil.- A lua de mel minha e de Eduardo foi em Paris, para qual país você vai ?

-Para a Alemanha.- Eu disse falando o país que me veio primeiro a cabeça.

-Já fui muitas vezes lá.- Meu pai disse tentando se gabar.

-Tenho certeza de que vai gostar, a cerveja do país é muito boa.- Minha mãe disse com um sorriso.

-Bom, acho que eu já vou.- Jungkook disse saindo.- Novamente, prazer em conhecê-los.- Ele disse com um sorriso e então saiu da sala.

-Garoto estranho.- Meu pai disse assim que Jungkook saiu.

-Estranho em qual sentido ?- Perguntou minha mãe.

-No sentido que o líder daquela tal alcateia tem um nome que me lembra o dele.- Meu pai disse e então senti meu corpo estremecer. Meu pai já havia sentido o cheiro de Jungkook no dia em que viemos para a Coréia do Sul (se não se lembra leia o capítulo 1), e ele arrastou eu e a minha mãe desprenda do local.

-Não acho que seja ele.- Minha mãe disse.- Se fosse nós teríamos sentido o cheiro, e ele foi educado demais para fazer parte de alguma alcateia do mal.

-Tem certeza de que ele não tem nada haver com o nosso mundo, não é, Clara ?- Meu pai perguntou e então notei um pingo de preocupação em sua voz.

-Ele não sabe, eu não contei nada a ele.- Eu disse mentindo e então meus pais soltaram um suspiro, aliviados.

-Ah, antes que eu me esqueça.- Minha mãe disse.- A polícia já está atrás de quem fez isso com você, espero que encontrem essa pessoa logo.

-Precisamos ir.- Meu pai disse já abrindo a porta do quarto.

-Ah, você quer que eu concerte a mão do garoto ?- Minha mãe me perguntou antes de sair. Demorei um tempo para perceber que o tal garoto era Jungkook.

-Ah, claro !- Falei assentindo com a cabeça.- Ele deve estar aí fora.

-Jungkook ?- Meu pai disse o chamando, logo ele apareceu na porta.

-Minha esposa disse que pode concertar sua mão, se quiser.- Meu pai disse enquanto Jungkook entrava no quarto novamente.

-Ah, não precisa se preocupar senhora Choi, eu posso esperar minha mão melhorar, nem foi tão grave.

-Acho que se não tivesse sido grave você não estaria com uma atadura tão grande.- Ela disse olhando a mão de Jungkook.- Vamos, venha aqui.- Ele se aproximou de minha mãe.- Feche os olhos, prometo que não dói bada, só faz barulho.

Jungkook fechou os olhos e então minha mãe disse alguma coisa baixinho, depois se ouviu alguns estralos vindo da mão de Jungkook.

-Bem, até mais.- Minha mãe disse e então me deu um beijo na bochecha. Meu pai e minha mãe saíram, então ficou só eu e Jungkook no quarto novamente.

-Sua mãe é uma ótima maga.- Ele disse retirando a atadura e sua mão estava novinha em folha.

Me afundei mais na cama. Será que minha filha iria herdar os poderes de sua avó ?

-Jungkook, qual seria o nome dela ?- Perguntei olhando para a janela do quarto.

-O nome de quem ?- Ele perguntou ainda olhando para a mão dele, e então logo percebeu de quem eu eu estava falando.- Ah, não sei, na verdade eu não tinha pensado nisso ainda.

-Sério ? Eu passei quase a manhã inteira pensando em qual iria ser o nome da nossa filha.

-Na verdade eu fiquei pensando nela, em como seria o rosto dela quando nascesse, e em como seria no seu primeiro aniversário.- Ele disse se encontrando na minha cama.- Você acha que ela se parecia mais comigo ou com você ?

-Não sei.- Eu disse deixando soltar um pequeno sorriso, enquanto pensava em uma criança fugindo de mim e eu correndo atrás dela.

-Acho que ela deveria ser bonita igual à mãe.- Ele disse e então o olhei, Jungkook tinha um sorriso meio bobo para mim.

-Isso não é uma boa hora para flertar.- Eu disse voltando a fitar a janela.

-Não estou flertando, estou apenas dizendo o que penso.- Ele disse.- Qual nome você iria por ?

-Eu gosto do nome Yuno. Qual você colocaria ?

-Eunji. Eu sinceramente acho Eunji melhor do que Yuno.

-Nada haver.- Eu disse olhando para ele.- Yuno é mais bonito.

-Não mesmo.- Ele disse sorrindo e eu retribui o sorriso instantaneamente.

-Clara - Jungkook me chamou.- Como nós vamos ficar ? 

Eu ainda não tinha pensado naquilo. Por alguns instantes eu até tinha me esquecido de que eu e Jungkook terminamos.

-Não sei.- Eu disse tentando parecer que eu não me importava, mas acho que bem lá no fundo eu também tinha começado a me perguntar isso.- Você vai continuar sendo o alfa da alcateia em que eu estou, e pronto.

Jungkook abriu a boca para dizer algo mas a fechou, provavelmente não sabendo o que falar.

Ficamos em um silêncio torturante por longos minutos, até que a porta  do quarto foi aberta.

-Senhorita Choi.- O médico disse entrando no quarto.- Tenho boas notícias.

-Finalmente.- Eu disse me endireitando na cama.

-Você vai ser liberada.- Ele disse e então eu soltei um sorriso (percebi pelo canto do meu olho que Jungkook também sorriu). Eu não aguentava mais ficar naquele hospital.- Só preciso fazer algumas perguntas antes.

O médico começou a me fazer perguntas do tipo "Você consegue ficar em pé ?" e "Você está tonta ?". Depois de mais algumas outras perguntas finalmente ele disse que eu podia ir embora.

-Quer que eu traga uma roupa para você ?- Jungkook disse assim que o médico se retirou.- Sua bolsa está lá fora.

-Sim, por favor.- Eu disse me levantando da cama, fazia algumas horas que eu já não tocava meus pés no chão.

Jungkook apareceu no quarto algum tempo depois de eu me levantar.

-Aqui.- Ele disse me dando a bolsa.

-Obrigada.

Fui até o banheiro e me troquei. Com certeza Sen Hee que havia escolhido essa roupa, eu nunca usaria uma salto alto, uma calça colada é uma blusa decotada quando eu saísse de um hospital.

Voltei para a sala e Jungkook me olhou espantado.

-Está querendo sair para algum lugar ?

-Na verdade não.- Eu disse ajeitando aqueles salto altos desconfortáveis que estavam exprimindo os meus pés.- Essa foi a única bolsa que tinha dentro da bolsa.

-Acho melhor nós já irmos andando.- Jungkook disse se levantando da poltrona.- E acho melhor você tirar esse salto antes que caia no chão.

Realmente eu estava muito desengonçada calçando aquilo. Retirei os saltos e então sai do hospital junto com Jungkook.

-Onde estão Sen Hee, Henry e Jimin ?- Perguntei enquanto estávamos andando pelo estacionamento.

-Jimin e Sen Hee voltaram para o internato, e Henry está no carro esperando você para te levar de volta ao internato.- Ele disse e senti um pouco de raiva em sua voz.

Andamos até o carro de Henry e ele estava ouvindo música enquanto esperava nós chegarmos.

-Ah, finalmente você foi liberada !- Henry disse assim que me viu.- Entra aí.- Ele disse abrindo a porta do banco do passageiro.

Entrei no carro e fechei a porta.

-Quer uma carona ?- Henry perguntou a Jungkook.

-Não.- Ele disse com a cara feia e então saiu de perto do carro.

-Ele está morrendo de raiva, não está ?- Henry disse enquanto saíamos do estacionamento.

-Acho que sim.

-Quer comer em algum lugar antes de ir para o internato ?

-Eu até iria mas estou sem dinheiro.- Eu disse colocando os bolsos da calça para fora.

-Eu pago.

-Não precisa, eu posso comer no internato.

-Precisa sim, você acabou de sair do hospital, não pode comer qualquer coisa, você está fraca.

-Ei, eu não estou fraca !- Eu disse reclamando.- Eu sou muito forte, tá ?

-Aham sei.- Henry disse rindo como se eu tivesse contado uma piada.

-Em qual restaurante você quer comer já que eu não posso "comer qualquer coisa" ?

-Estava pensando em irmos a um restaurante vegetariano que tem aqui perto.- Ele disse quando paramos em um sinal vermelho.

-Okay, vamos comer lá então.

-Sério que você não vai reclamar que eu estou te levando para comer folha ?- Ele perguntou espantado.

-Não.- Eu disse rindo da cara que ele fez.- Você que vai pagar, então não irei reclamar da comida.

Depois de um tempo chegamos no estacionamento do restaurante.

-Aishi, vou ter que por esse salto de novo.- Eu disse com a voz manhosa, aquele sapato devia ter uns 15 centímetros. Eu não ia aguentar andar por muito tempo naquilo.

-Acho que eu tenho um par de sandálias aqui no carro.- Henry disse se virando para os bancos de trás, e então me deu duas sandálias pretas.

-Meu Deus, qual o número você calça ?!- Eu perguntei assim que vi aqueles chinelos gigantes.

-Quarenta e seis.

-Deve ser muito difícil achar sapato para você.

Calcei o par de chinelos e sai do carro. Era estranho andar com aquelas sandálias 11 números maiores do que eu calço, mas ainda assim era menos desconfortável do que os saltos que eu estava usando antes.

-Você tem que ver como você está engraçada.- Henry disse olhando para os meus pés.

-Para de rir !- Eu disse.- Vou denunciar esse bullying que você está fazendo comigo.

-Eu não posso fazer nada se você é uma anã.

-Eu não sou uma anã ! Você que cresceu demais.

-Vou parar antes que você morda minha canela.

Mostrei o dedo do meio para Henry e ele riu, como ele quer comparar os meus 1,55 de altura com os 1,85 dele ? 

Entramos no restaurante e pegamos alguns pratos para nós servir. Só tinha folhas, vegetais, verduras e legumes.

-Tem certeza que quer comer aqui ?-Henry perguntou.

-Não.

-Nem eu.

Deixamos os pratos no local em que estavam antes e saímos do restaurante sem que ninguém percebesse.

-Me lembre de nunca mais entrar em um restaurante vegetariano.- Henry disse enquanto entrávamos no carro.

-Onde vamos comer agora ?- Perguntei enquanto colocávamos o cinto de segurança.

-McDonald's ?- Ele perguntou enquanto ligava o carro.

-Eu prefiro Subway.

-Vamos jogar no ímpar ou par.

-Okay.- Eu disse.- Não acredito que estamos fazendo isso.

-Eu quero ímpar.

-Par.

-Um, dois, três e já.- Ele disse.

Eu coloquei 5 e ele colocou 4. 

-Uhul !- Ele disse comemorando.- Eu ganhei.

Fingi que estava com raiva e cruzei os braços fazendo cara feia.

-Não fique brava gnomo de jardim, na próxima eu deixo você escolher.- Ele disse enquanto passava a mão no meu cabelo.

-Só quero te lembrar que bullying é crime.- Eu disse e ele riu.

Fomos até o McDonald's mais próximo e fizemos o nosso pedido pelo drive-thru.

-Nós podemos ir comer em algum lugar mais calmo do que no meu carro.- Ele disse enquanto saímos da lanchonete.

-Onde ?

-A gente pode ir para a minha casa comer e depois eu te levo para o internato.- Ele disse e eu concordei com a cabeça.

Fomos até o prédio em que Henry morava e assim que descemos do carro ele disse.

-Quem chegar primeiro pode ficar com as batatas fritas do outro.- Ele disse.

-Vou cair no chão se eu correr com essas sandálias.

-Que desculpa esfarrapada.- Ele disse.

-Ah é ?- Eu disse tirando as sandálias e as segurando com as mãos.- Vamos ver quem vence a corrida então.

Sai correndo e quando olhei para trás vi Henry vindo na minha direção. Eu estava me sentindo uma criança naquele momento.

Não sei se eu já disse isso antes, mas o Henry mora no vigésimo andar. Por incrível que pareça subimos as escadas correndo até chegar no andar em que ele morava. Eu mal conseguia sentir os meus pés no décimo andar, no vigésimo eu já estava quase morrendo.

-Eu... vou... te... matar.- Eu disse ofegante enquanto Henry subia os últimos degraus.

Henry sorriu e abriu a porta do apartamento. Entrei e me joguei no sofá. Uns 5 minutos depois minha respiração finalmente voltou ao normal.

-Quer um pouco de água ?- Henry me perguntou.

-Sim.- Eu disse e então ele me entregou um copo cheio de água gelada.- Parece que você está me devendo as duas batatas fritas.

Ele pegou o pacote do McDonald's, se sentou ao meu lado no sofá e me entregou as fritas dele.

-Eu nem queria mesmo.- Ele disse mentindo. 

-Sério ? Então porque você pediu a porção grande ?- Eu perguntei e então ele sorriu enquanto retirava o resto da comida de dentro do pacote.

Eu e Henry passamos os próximos 40 minutos comendo e assistido televisão.

-Acho que já está na hora de ir.- Eu disse olhando para o relógio.

-Okay.- Ele disse se levantando e pegando as chaves do carro.

Saímos do apartamento de Henry e descemos (dessa vez de elevador) até o estacionamento.

-Sabe, acho que você deveria vir aqui mais vezes.- Henry disse assim que entramos no carro.

-Concordo.- Eu falei e vi um leve expressão de espanto em seu rosto, que logo se transformou em um sorriso.- Mas acho que vão notar se eu ficar saindo toda hora do internato.

-Pelo menos agora nós podemos conversar mesmo estando longe um do outro.- Ele disse se referindo ao meu celular.- As vezes eu fico preocupado em como você está.

-Não precisa ficar se preocupando comigo.

-Precisa sim.- Ele disse e então percebi que ele hesitou um pouco antes de falar.- Ainda mais com esse -H solto por aí.

-Nem me lembre dessa pessoa.- Eu disse e logo depois soltei um suspiro.- Eu não tenho a mínima ideia de quem seja e nem por que está fazendo isso.

-Você tem inimizade com alguém ?- Henry me perguntou. Pensei em todas as pessoas que eu conheço no internato.

-Que eu saiba, não.- Eu disse tentando lembrar de alguma briga ou algo que tenha feito uma pessoa ter tanta raiva de mim a ponto de fazer o que -H faz.

-Bem, acho melhor nós conversamos sobre isso depois.- Ele disse e então ligou o rádio.- Você acabou de sair do hospital, não é bom se preocupar tanto.

-Eu estou bem.- Eu disse. Comecei a prestar atenção no toque da música que estava tocando na rádio.- AÍ MEU DEUS !- Eu disse alto e então Henry se assustou.

-O que foi ? Você está bem ?- Ele perguntou parando o carro no acostamento.

-ESTÁ TOCANDO MONSTER DO EXO.- Eu disse fazendo o maior escândalo. Henry olhou para mim com cara de cu, me lembrou rapidamente o Suga.

-Eu não acredito que você me fez parar de dirigir para isso.- Ele disse ligando o carro de novo.- Eu quase tive um infarto aqui.

-Ai, desculpa.- Eu falei abrindo a janela.- Mas essa música é muito boa. 

Fiquei cantando as músicas que passavam na rádio até chegarmos no internato.

-Chegamos.- Henry disse assim que estacionou o carro.

-Muito obrigada, Henry.- Eu disse com um sorriso.- Até mais.- Me aproximei de Henry para dar um beijo na bochecha dele só que o mesmo virou o rosto e então acabamos dando um selinho. Senti meu rosto corar um pouco.- Por que todas as vezes que estamos juntos as nossas bocas se esbarram ?

-Não sei.- Ele disse com um sorriso.- Talvez seja o universo conspirando ao nosso favor.

-Agora o universo está conspirando para que eu entre no internato.- Eu disse com um sorriso.- Preciso ir.

-Não esqueça de me mandar mensagem e me manter informado sobre qualquer coisa estranha que acontecer.- Ele disse enquanto eu saia do carro.

-Okay mãe.- Eu disse brincando.- Tchau.

Entrei no internato e logo depois passei na sala da diretora, pelo visto os meus pais já haviam avisado que eu havia passado mal e tive que ir ao hospital. Mesmo tendo fugido do internato só tive que ouvir uma bronca, pelo menos não peguei nenhuma detenção.

Subi para o meu dormitório e vi que Sen Hee estava deitada na cama.

-Finalmente você chegou !- Sen Hee disse assim que entrei no dormitório.- Eu já estava começando a ficar preocupada, faz décadas que Jungkook disse que você foi liberada do hospital.

-É que eu e Henry fomos almoçar.- Eu disse me sentando na cama.- Por que você me fez calçar salto alto ?

-Ué querida, você tem que ter estilo até quando está saindo do hospital.- Sen Hee disse de uma forma engraçada e então eu ri.- E que sandálias são essas ?

-Henry me emprestou já que o salto estava fazendo o meu pé doer.

-Tomara que ninguém conhecido tenha visto você na rua, por que isso o que você está calçando é um crime de moda.- Ela disse e então eu fiz uma careta.

-Vou ir tomar um banho.

Me levantei, peguei uma roupa e fui até o banheiro. Liguei na água morna e tomei um banho demorado.

Por mais que eu já estivesse "esquecendo" isso, não pude deixar de pensar sobre a filha que eu e Jungkook íamos ter. Não pude deixar de pensar na aparência que Yuno/Eunji ia ter ao nascer. A cada minuto que eu pensava sobre isso mais o meu coração ficava apertado. Como é possível eu estar super feliz em um momento e no outro já estar na depressão ? 

Mesmo estando confusa sobre tudo o que está acontecendo na minha vida, uma coisa eu tinha certeza ao terminar aquele banho; -H está se tornando mais perigoso(a) ao longo do tempo, e eu tenho que descobrir o mais rápido possível a identidade dessa pessoa. Não quero me sentir tão mal de novo, não quero ir para o hospital e muito menos quero ter uma notícia tão ruim como a que tive sobre a minha filha.

~~~~~~~~~~~

Passei o resto do meu dia navegando pela internet, já fazia muito tempo que eu não fazia isso, e a internet estava lotada de novidades legais e interessantes, até baixei alguns livros novos.

-Que horas são ?- Sen Hee me perguntou e então percebi que já eram 19:00. Eu nem tinha ouvido o sinal bater.

-Já são 19:00.- Eu disse.

-Acho que vou sair para comer em algum lugar.- Ela disse pegando o casaco.- Que vir comigo ?

-Acho que vou ir dormir.- Eu disse bocejando.- A cama daqui é mais confortável que a do hospital.

-Se cuida.- Ela disse e então saiu.

Levantei para escovar os dentes e quando voltei vi que tinha uma mensagem de Henry.

"Espero que você tenha uma boa noite de sono e que você já esteja melhor. Qualquer coisa pode me ligar, estou à disposição 24 horas. Bons sonhos.

-Henry."

Soltei um sorriso bobo quando li a mensagem. Como Henry consegue ser tão fofo ? Comecei a escrever a resposta.

"Estou bem sim, e você ? Não diga que eu posso te ligar toda hora por que se não seu celular não vai parar de tocar. Estou indo dormir, beijos e tenha uma boa noite.

-Clara."

Desliguei a luz do quarto e me deitei na cama para dormir. Esse dia foi mais agitado do que eu esperava, fiquei com um sorriso idiota no rosto enquanto me lembrava de ter visto os meus pais e de ter passado um tempo com Henry, mas depois comecei a pensar novamente em Yuno/Eunji. Como eu posso ficar tão triste com a perda de uma criança que eu nem sabia que existia ? Por mais que eu só a conheci a menos de 24 horas atrás, ela esteve comigo em vários outros momentos e eu não percebi. Aos poucos minhas pálpebras foram ficando pesadas e algumas últimas lágrimas caíram dos meus olhos. Finalmente eu adormeci.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...