História Primavera de Rulim - Capítulo 16


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ansiedade, Depressão, Drama, Drogas, Escolar, Machismo, Romance, Trafico, Violencia, Yaoi
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Palavras 1.917
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Romance e Novela, Slash, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


O fim está próximo!!!

Capítulo 16 - Adquirindo coragem!


O sinal do primeiro horário já tinha soado e eu corri à sala. Cheguei um pouco atrasado, propositalmente dessa vez, para evitar ter que conversar com todos (e quando digo todos quero realmente dizer todos. Não sinto vontade de falar com ninguém, de novo, e isso começa a me preocupar).

Era quarta-feira, 20 de agosto. Na segunda e na terça-feira eu evitei falar com Elise e com David, na verdade com ele sequer troquei palavras além de oi e tchau e por pura cortesia.

Estando bravo com Elise, mesmo sem motivos e sem ter peito o bastante para enfrentar a situação com David, eu me aproximei mais de Pedro, Dido e Guilherme (veja bem, não sei se possuo coragem para falar com David, mas tenho medo de, ao fazê-lo, acabar bancando o francês e me rendendo).

Na terça-feira pouco antes de eu ir dormir recebi a mensagem de David pedindo sinceras desculpas; “Eu meio que gosto de você, foi burrice, desculpas. Pensei que valia a pena arriscar a sorte e tentar, mas devia ter sabido, se não pudermos continuar como amigos, poderíamos ao menos não ignorar um ao outro assim? Entretanto, eu gostaria de continuar sendo seu amigo”. Apaguei sem responder, mas fiquei surpreso que tudo estava escrito corretamente.

Quando as primeiras aulas passaram e o intervalo chegou, David continuou sentado na minha frente, então decidi que iria dar uma volta pela escola, provavelmente ir atrás de Pedro na cantina, além disso tinha que falar com Dionísio.

Antes de chegar na porta, porém, Elise surgiu como se tivesse corrido do nada até mim.

— Lucas, a gente pode conversar...

— Acho que agora não. — Felizmente Dido estava ali na porta também, e juntando o útil ao agradável completei; — preciso falar com Dido. Pode ser depois? — Perguntei para ela de forma casual, e Elise me olhou, sabendo que aquela era uma desculpa boa o bastante eu me livrar sem precisar explicar nada.

— Está bem. — Ela anuiu meio contrariada, se virou e sem mais nos deixou, foi para a mesa de Bianca.

— Você não devia tratar ela assim, sabe. — Dido disse e nós dois saímos andando pelo corredor.

— Elise mereceu. Ela faz as coisas sem pensar duas vezes, só estou fazendo o mesmo com ela. — Disse para ele, mas não era sobre Elise que queria falar com Dido e ele não é o tipo do amigo com quem eu conto as coisas, embora ele tenha boas dicas sempre e seja um bom sujeito, acho que só não temos essa intimidade e agora eu tenho medo de tentar ser íntimo com qualquer um. — Descobriu alguma coisa?

Dido era o mais perto de um “vida louca” que eu tinha no círculo de amizades. Então havia pedido, na segunda-feira, que ele conseguisse alguma informação sobre como andava minha imagem na escola, o que diziam os rumores a meu respeito, essas coisas.

— Eu falei com o pessoal do terceiro, e o menino que apanhou volta às aulas na semana que vem. Thomas...

— Thomas? — Perguntei.

— O fornecedor aqui na escola, aluno do terceiro. Thomas. — Dido falou mais baixo essa parte. — Ele acha que você e o menino lá trocaram umas ideia, não naquela hora da treta, mas... tipo, como se vocês fossem amigos e você soubesse demais. E o menino não tinha pagado, por isso apanhou, ele foi avisado... eu tentei limpar sua barra, não sei se adiantou, cara.

— Vamos voltando pra sala. — Nós viramos e começamos o caminho de volta para a sala sem sequer sair do corredor, Miles estava mais a frente e eu não queria ter que falar com ele também, envergonhado demais pelo que aconteceu na casa dele tempo atrás. — Pensei que você comprasse daquele cara no Ibirapuera. — Questionei tentando parecer normal, mas sentia uma vontade de encarar Miles e ver se ele me encarava de volta, se ele tinha um olhar de deboche do menino estranho que fugiu.

— Só de vez em quando, aquele cara é meu amigo, ele cultiva a própria, mas só o bastante para si mesmo, quando sobra eu compro pra ele não ter que jogar fora, saca! Normalmente compro com o pessoal que vende pro Thomas, mas o próprio Thomas não é o produtor, ele só revende. Eu pego direto com quem faz porque não gosto desse pessoalzinho daqui, são um bando de vacilão. — Dido contou e fez um sinal de silêncio quando chegamos na porta. — Por isso que você precisa comprar mais fichas no fliperama, bro.

Em um momento eu estranhei a última parte, mas percebi que era apenas um engodo e entrei no jogo.

David, porém, estava saindo da sala. Olhei para Elise, porque David me olhava, e queria saber se ela tinha feito mais alguma coisa sem me avisar (o que era a aposta mais provável).

O sinal soou.

— Comigo. — David passou do meu lado e me puxou sutilmente pela manga de camisa da escola.

Dido olhou para trás me encarando e eu dei de ombros. Bianca, Alvo e Sofia, que sentavam próximos da porta, olharam com estranhamento, mas saímos em seguida e os olhares sumiram. Eu poderia ter ignorado, me virado e continuado rumo a carteira, na verdade, deveria ter feito exatamente isso. Por que não fiz? Tirando, claro, o fato que se fizesse todos iriam olhar para mim.

— O que você acha que...

— Calado. — David disse em inglês. — Sem desculpa, ninguém entende mesmo!

— O professor logo vai chegar... — Respondi em inglês também, por algum motivo eu gostava mais de falar em inglês mesmo, então não havia porque não o fazer, embora a possibilidade de me faltar alguma palavra fosse aumentada, eu acredito que me saio melhor debatendo em inglês que em português mesmo.

— Para de me ignorar. — Ele disse olhando para mim fixamente, mas eu desviava o olhar buscando qualquer um que pudesse estar nos encarando nos corredores, mas ninguém o fazia. — Você acha que está fazendo o quê? Conseguindo o quê?

— Não é o que estou conseguindo... você sequer entende...

— Me explica então. — David olhou para o lado de onde viria o professor, mas ainda não tinha ninguém ali. A voz dele em inglês era bem mais aguda, porém mais sentimental também, mais expressiva. — Por que você sabe né? Não importa se você fica de frescura, a gente ainda tem que fazer o trabalho!

— Frescura... — Repeti com desdém.

— Trabalho, Lucas. Precisamos fazer aquele trabalho. — David se virou e foi para o corredor com o timing perfeito do professor surgindo na extremidade.

— Jackass. — Disse baixinho e ele levantou o dedo do meio para mim, aparentemente me ouviu.

Tomará que o professor tenha pensado que foi para ele. Refleti entrando na sala.

Cruzei as cadeiras de Alvo, Andréa, Guilherme, Pedro, e pôr fim a de David na frente da minha, vazia. Me sentei e Elise estava ao meu lado, como de costume.

— Essa é sua chance, Lucas. — Elise disse puxando a cadeira dela para perto de mim.

Mas que inferno. Será que posso ficar dez minutos sozinho!?

Olhei para ela com pouco carinho. E acho que Elise notou, fez uma careta em retorno.

— Pensei que não estivesse bravo...

— Não estava, mas você fica de fofoquinha com o gringo. — Disse bravo.

— Eu estou te fazendo um favor...

— Você já pensou em me perguntar se eu quero um favor? — Disse para ela com sinceridade e um tanto de grosseria. — Ninguém me pergunta nada. Você não é diferente dos meus pais querendo que eu vá à igreja. Fica me empurrando às coisas sem sequer saber se eu quero...

— Ele tá afim de você. — Ela disse entre minhas próprias palavras e nossas vozes se confundiram por um curto momento, mas então eu me calei sentindo uma pontada na boca do estômago, olhei para Elise sem saber como continuar, então olhei ao redor preocupado que alguém tivesse ouvido, mas ela continuou a falar. — Você precisa deixar de ter medo e falar com ele sobre o que está acontecendo, ele vai entender...

— Não sei sequer o que você já falou pra ele...

— Nada, Lucas, não falei nada! Só ele que fala. Inclusive, ele fala como você foi um babaca. — Ela garantiu e eu senti corar as bochechas enquanto me envergonhava de ter fugido depois da festa e do beijo, mas se não tivesse fugido o que teria feito? Esfregado uma bíblia na cara de David e chamado ele de pecador sujo então tacar água benta nele? Porque é assim que estava me sentindo desde aquele dia.

— Espera, você quem mandou ele ir no banheiro quando eu tava entrando? — Olhei para Elise sabendo que era bem dela criar aqueles planos maquiavélicos para esbarrarmos um no outro, nos encontrarmos sozinhos, nos beijarmos...

Elise, em resposta, deu de ombros.

— Ele me contou tudo que vocês fizeram, Lucas, dá uma chance... nem para David, de uma chance para você mesmo. — Ela disse com aquela voz serena de amiga. — Usa ele para se descobrir, aí se não gostar é só terminar tudo.

David então voltou.

Só então percebi que o professor já tinha entrado na sala, e já escrevia algo na lousa. Enquanto isso eu olhei para Elise e sussurrei.

— A propósito, escrevi aquela carta estúpida.

— Colocou todo esse sarcasmo idiota e teimosia crônica nela? — Ela perguntou rindo. — Vai ver o quão bom isso é daqui um tempo.

David tinha parado na mesa de Bianca, que o puxou pela mão.

— Bom vai ser quando minha mãe encontrar a carta. — Disse com sarcasmo que ela fazia questão de frisar.

— Veja pelo lado positivo, — David vinha em nossa direção e Elise abaixava o tom de voz. — Ao menos você não vai precisar se assumir mais.

Elise piscou com um olho só para mim, então puxou a cadeira dela de volta para sua mesa e me deixou ali, eu me ajeitei enquanto David desviava o olhar para não nos encararmos, mas eu subitamente quis encarar ele.

Se sentou na minha frente e olhou para o lado, Elise fez que sim com a cabeça. Para quem foi isso? Eu ou David?

Não saberia dizer, mas era a verdade. Eu precisava agir, essa era a verdade. E eu não queria mais negar para mim mesmo aquilo que não mudava independente de quanto eu me culpasse: David quer algo... e eu também quero!

Era burrice dar murros na ponta da faca sem ter esqueleto do Wolverine. E eu tinha feito a escolha, só precisava abraçar o destino. Eu não me arrependia, não poderia continuar me culpando sem sequer ter feito algo errado. Estava na hora de dar o primeiro passo.

De costas para mim eu encarei a nuca de David, pude sentir em lembrança os dedos dele na minha nuca, a respiração morna e a os lábios finos e quentes, o medo e minha indecisão, o terror e a culpa... eram coisas horríveis, sim. No entanto eu não me sentia tão feliz assim em tempos. Finalmente eu queria de novo, queria aqueles dedos me segurando, aquele corpo contra o meu. Eu o queria, e sabia que depois iria me culpar por isso, iria chorar, sofrer, iria ter medo de entrar em casa, de falar com meus pais. Depois falaria com Elise, e iríamos rir, mas tudo isso custaria tão caro.

Valeria a pena arriscar?

É um preço que eu estava disposto a pagar?

— David. — Me inclinei para frente cutucando o ombro dele. Não olhei para o lado, sabia que Elise teria grandes olhos de jabuticaba tentando me encorajar, mas eu só vacilaria mais. Então ele se virou me encarando, aqueles olhos, os lábios, a barba rala abaixo do queixo e rente nas costeletas. — A gente pode conversar depois da aula?


Notas Finais


Bem, o fim da parte 1 está próximo!


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