História Primavera de Rulim - Capítulo 17


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ansiedade, Depressão, Drama, Drogas, Escolar, Machismo, Romance, Trafico, Violencia, Yaoi
Exibições 2
Palavras 2.094
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Romance e Novela, Slash, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Aquele capítulo só pra dar raiva!

Capítulo 17 - Do que me serve a coragem?


— Não, mano, tenho certeza que é pro zoológico. — Pedro insistia contra Guilherme enquanto descíamos a escada.

— Você é teimoso feito um jegue. — Guilherme afirmou e tomou a dianteira, enfurecido por ser contrariado. Ele não gostava de ser contrariado, ainda mais quando estava certo... ou alegava estar, eu não saberia dizer.

Elise riu do meu lado e eu olhei para ela em repreensão. Não gostava de tomar partido quando amigos discutiam.

— Véi, tem uma foto de um macaco no papel, para onde mais séria? — Pedro argumentou ajeitando os óculos, era como se tentasse se fazer valer e evitar julgamentos.

— Olha, eu nem desdobrei o meu, então não sei. — Disse, já que estava ao lado dele e foi para mim que ele olhou, Dido estava do outro lado.

A discussão era sobre o passeio que faríamos em breve, eu sequer tinha tirado o papel da mochila ainda e embora pudesse ter encerrado a discussão pegando o panfleto entregue pelo Inspetor Matarazzo, preferi não o fazer.

Tudo havia começado quando Guilherme esqueceu o nome do lugar para onde iríamos e Pedro começou a insistir que era o zoológico, agora que Guilherme havia partido furioso o assunto havia morrido.

Continuamos andando em silêncio mesmo, aquela situação de um pós-briga quando ninguém quer falar nada.

— Eu vou indo. — Dido de repente quebrou silêncio soando animado. — Até amanhã pra vocês! — Disse para nós quando chegamos no meio do pátio. Então, assim como Guilherme, acelerou o passo e nos deixou.

Continuamos andando sem muita pressa.

— Quem é aquela? — Questionei vendo Dido abraçar uma mulher no portão. Ela era da altura de Dido, cabelos lisos e roupas aparentemente caras. Os dois se abraçaram com força e sem nenhum pudor.

— Irmã. — Pedro afirmou. — Tava viajando pela faculdade fazia uns três meses, acho que voltou hoje, ele falou algumas coisas sobre ela.

— Tem o mesmo tanto de certeza sobre isso quanto ao passeio? — Elise questionou olhando de canto para ele e Pedro mostrou a língua para ela de uma forma que, não vou negar, foi bem sexy, rimos.

Eu poderia ter grilado com isso, mas de certa forma não conseguia mais me culpar por aquilo, ou talvez conseguisse, mas só em retrospectiva na hora de dormir quando podia repensar em tudo o que fiz e em como esses pensamentos são errados. Agora, no ato em que esses pensamentos me ocorrem, a única coisa que me vem na cabeça é o desejo e a necessidade de escondê-lo por questões óbvias.

— Nem sabia que Dido tinha uma irmã. — Disse ainda olhando para os dois no portão, que abraçados com os braços sobre os ombros um do outro iam embora. Aproveitei para manter o assunto longe de qualquer coisa que pudesse ser ligada a desejos.

— Se você não passasse tanto tempo trancado em casa ia saber mais coisas legais sobre a gente! — Pedro riu em tom zombeteiro e lembrei das conversas com Elise a respeito de Pedro ser o tipo que eu gostava e não pude deixar de notar que o sorriso era de certa forma encantador. — Acha que é melhor esperar o David? — Perguntou enquanto andávamos quase que parando e eu me senti travar.

O misto de pensamentos foi como um balde de água fria. Segundo atrás estava pensando em Pedro e seu sorriso, então David. De certa forma senti uma pitada de culpa, mas não soube o porquê!

— Ele foi ver o irmão primeiro, eles vão ir no cinema... eles, alguns dos gringos, Miles e os outros. — Elise disse. Eu não sabia daquilo, mas estava ignorando David fazia tanto tempo que não era surpresa não saber das coisas e seria menos surpresa ainda se ele fosse no cinema também.

— Então eu vou indo também, nossos caminhos são separados mesmo. Falou pra vocês pessoal estranho. — Deu um beijo em Elise e apertou minha mão, se virou e foi deixando apenas eu e Elise ali.

No pátio ainda tinha um bom pessoal do primeiro ano conversando alto, alguns dos alunos da outra turma do segundo e um pessoal do terceiro (os quais eu tenho medo até de olhar).

— E aí, vai esperar o David? — Ela me perguntou, já sabendo a resposta.

— Ele não vai no cinema? — Perguntei só para alimentar a conversa, tinha entendido que quem iria era Miles e alguns outros, talvez Mariah e então eles se pegariam. Quem sabe daqui uns dias eu e David não vamos ao cinema também? Pensei. Que mal fazia sonhar!

— Não, o irmão e uns amigos vão, ele vai ficar, só vai dar a conversa de irmão mais velho para o mais novo.

Eu olhei ao redor estranhando a demora, mas tinha que esperar ele. Fiz que sim com a cabeça para Elise, assim tentando evitar mais conversa fiada.

No entanto ela me falou de como estava orgulhosa de ter chegado naquele ponto.

Conversamos rapidamente sobre eu ter tomado a iniciativa e eu vacilei por um bom tempo em responder os motivos de ter tomado a iniciativa, mas por fim contei o que fiz no confessionário.

— Você não disse isso? — Ela perguntou abismada.

— Não foi nada demais. A gente não pode mentir no confessionário, então eu falei a verdade, só não toda. Depois daquilo eu to começando a entender. — Disse com uma careta confusa. — Não dá pra mim fugir disso.

— Para eu.

— Quê?

— Para eu fugir, não “pra mim”. — Elise riu apontando à saída. — Mim não conjuga verbo. Depois reclama das notas em português. Lucas, eu vou indo também, tá. Depois me conta se o David beija bem.

— Baixo. — Rebati enquanto ela sorria e jogando o cabelo saia andando, despreocupada.

Não era como se estivesse fazendo algo incrível, apenas iríamos conversar... que mal há nisso? Não teria beijo!

Esperei ali por um bom tempo, acho que cinco minutos ou mais, o pátio já estava vazio quando David saiu de dentro do prédio acompanhado de, provavelmente, os últimos alunos da manhã.

Eu mesmo já estava com fome e podia sentir o estômago pedindo pela refeição atrasada que só atrasaria mais se nossa conversa seguisse pelo rumo que eu esperava.

— Finalmente. — Suspirei para mim mesmo indo até ele, foi quando vi que entre os alunos e alunas estava Bianca e ela estava ao lado de David, que pelo visto tinha me notado em pé feito um idiota ali. Naquele instante percebi como fui idiota.

Que clichê patético. Senti até mesmo nojo, estava claro para todos verem!

David olhou para Bianca e eles falaram alguma coisa que eu não ouvi, nem fazia questão, ainda estávamos longe um do outro e eu parei de andar em direção a ele por questões de: Bianca.

Agora, me chame de ciumento e possessivo, mas Bianca me deixou com raiva!

Eu, mesmo assim ainda estava disposto a esperar e conversar, mesmo que talvez fosse acabar gritando com David ao invés de falar o que tinha planejado.

Foi então, quando David se virou e deixou Bianca vindo em minha direção com um sorriso no rosto que ela o segurou pelo braço e puxou de volta, nas pontas dos pés os braços se colocaram ao redor do pescoço dele para um beijo, e ele retribuiu segurando ela pela cintura de uma forma... intencional.

Você só pode estar zoando comigo!

Eu me mantive parado olhando para frente enquanto ouvia os risinhos de algumas meninas do grupinho de Bianca que tinha conseguido o prêmio máximo: Pegar o Gringo.

Não... chore. Mas alguma coisa fez essa tentativa falhar miseravelmente. Por que? Me questionei enquanto virava e começava a andar para fora da escola e para longe de qualquer um que pudesse me ver ou me reconhecer.

Cruzei o portão e as lágrimas cruzaram meu rosto, em fúria, queria voltar lá e bater a cara de David contra o cimento até ouvir os ossos do nariz quebrando, depois fazer o mesmo com Bianca... não costumo ser violento, mas... que raiva!

Ao invés disso eu corria, mas não para a minha casa. Não, em momento algum cogitei ir para minha casa. Eu disse que iríamos conversar, e conversar nós vamos! De fato, não seria a conversa que David estava esperando.

Fiz o caminho rumo à dele apenas metade do caminho seria o bastante.

Parei entre uma travessa e lá fiquei, esperando em uma esquina, como um sem teto, ou um bandido com uma vítima marcada, a diferença era que o sem teto usava roupas velhas e o bandido tinha uma feição dura e cruel. Eu usava uniforme e tinha um rosto vermelhe de raiva, molhado de lágrimas e olhinhos triste de um idiota que pensou que se daria bem.

Era vergonhoso fazer aquilo tudo, do começo ao fim, mas eu estava agindo por puro impulso e talvez devesse ter ligado para Elise, mas ela me convenceria a parar e repensar, e eu não queria repensar porque se o fizesse, hesitaria. O que eu queria era falar merda!

A verdade, porém, era que eu não sabia o que faria, ou porque faria aquilo. Não tínhamos nada, era neura minha, paranoia total. David podia beijar quem ele quisesse! Mas isso me machucou tanto. Ele sabia sobre o que eu iria falar, mesmo assim beijou ela, e pior: na minha frente, pior ainda: tinha me visto e mesmo assim beijou a vadia da sala que eu já tinha explicado, só queria ele como prêmio!

E agora tinha conseguido.

Parabéns, David, seu fantoche!

Até mesmo vontade de bater nele eu tive, não um tapa na cara, nada tão sutil. Ele foi muito babaca para algo sutil, merecia uns socos, isso sim!

Quanto mais pensava mais me enfurecia, mas as lágrimas já tinham partido e meu rosto agora era duro feito pedra, embora ainda choroso e tinha certeza que no momento que abrisse a boca seria como ouvir o som de um berçário de recém-nascidos.

Quando já estava sem paciência ele passou, sequer vi quanto tempo demorou, mas foi muito (tomei como base a minha fome crescente que só me deixava mais nervoso). David não me viu, eu estava na esquina, e ele passou reto indo para atravessar a rua.

Era o momento. Dei alguns passos e antes que ele chegasse na faixa de pedestres eu chamei, não queria que ele fosse atropelado e então tudo ficasse mais clichê ainda comigo indo no hospital falar “Não morra pensando que estou bravo com você”.

— David. — Fiz o possível para que minha voz soasse como se fosse um espírito chamando um ente querido, não para uma mensagem de paz, mas sim para assombrar.

Acho que nesse instante nós dois congelamos. Ele não olhou para trás, só parou de andar. Tentei imaginar o rosto dele, seria medo, arrependimento, tristeza, indiferença?

Ele ainda era um completo enigma e isso me frustrava, eu queria tanto ter ele que sequer me tocava que mal o conhecia. Quem era David? O que David esconde?

— Lucas, eu... não foi o que você... — Ele começou a se virar, seu rosto não estava vermelho ou choroso, o meu estava.

Levantei a mão para que ele se calasse, e ele o fez. Era minha vez de falar. Xingar. Gritar!

Você é melhor que isso.

Fechei os dedos fincando as unhas nas palmas das minhas mãos e respirando fundo para não voar com um murro naquele rostinho perfeito, eu realmente queria xingar, mas era uma situação de superioridade, um jogo delicado que eu tinha a chance única de jogra do jeito certo. Não ferre com tudo, Lucas! Disse para mim mesmo, então com a melhor expressão de indiferença tentei ser o mais ataráxico o possível.

— Eu realmente não sei nem como a gente vai fazer o trabalho juntos, David. — Juntei cada pedaço de força que poderia ter restado para aquilo, para falar sem tremer, sem choramingar, sem soluçar ou vacilar. — Porque agora eu não to conseguindo sequer olhar para você! — Minha voz soou extremamente pesada, eu pude sentir o teor em cada palavra, tinha funcionado.

Ele mudou de olhar, era culpa, entendi no mesmo instante que ele sentiu uma onda súbita de culpa.

— Lucas... — Um lamurio.

Me virei e antes que ele falasse qualquer outra coisa sai andando. Tinha muito para falar e como tinha, mas não valia a pena arriscar sentir tanta dor por aquilo. Valia a pena tanta dor para... isso?

Só depois de chorar muito enquanto andava até em casa (me recusei a, chorando e fungando, pegar um ônibus), que percebi o que tinha acabado de acontecer. Depois de muito tempo finalmente a história havia mudado. Não pude conter um pequeno sorriso por ter tido tanta força de falar o que falei da forma que falei e ter feito isso sozinho.

Finalmente, pela primeira vez acho, Elise estava errada!



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