História Príncipe de Gelo - Capítulo 3


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Gravidez, Riqueza, Romance
Exibições 10
Palavras 2.417
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela
Avisos: Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Desculpas pela demora!

Capítulo 3 - Capítulo 2


Eu não podia acreditar no que eu acabara de ouvir. Como ele pôde? Será que eu sou mesmo tão inútil e ingênua assim? Eu sonhava ficar com ele. Não deu sinais? E todas as vezes que me ajudou e que eu estava passando e ele ficava me olhando? E as vezes aqui em Macau que ele me olhou com todo aquele carinho? E por que ele segurou minha mão se não queria nada comigo? Por que me fez acreditar? Por que me chamou para ir a piscina e por que me abraçou tantas vezes nessa maldita viagem?

Eram tantas perguntas sem resposta que me deixava completamente irritada.

Aquele desconhecido me puxava pelo braço, mas eu nem ao menos sabia seu nome. Ele me diria se eu perguntasse?

- Por que ouviu aquilo tudo sem fazer nada? - questiona parando numa das varandas, perto do restaurante.

- O que eu poderia fazer? - pergunto e ele apenas me encara.

- Você é idiota? - questiona exaltado.

- Idiota?

Como ele podia falar algo assim? Será que ele sabia como eu me sentia? Imaginava, ao menos? Eu me sentia um lixo de pessoa e agora ele vinha me dizer isso? Àquela hora da manhã? Ele queria morrer?

- Sim! Por que ficou lá? - pergunta passando as mãos nervosamente pelos cabelos.

- Meu colar estava no chão. - o aperto nas mãos.

- Eles são tão caros ao ponto de valerem sua dignidade? - pergunta.

- Dignidade? Você sabe quem é aquele lá? - Ele fica quieto e eu continuo - Aquele é o homem com quem eu queria passar minha primeira noite! - Explodi - Meu pai fez esse colar para mim antes de morrer, então sim, vale minha dignidade!

- Pri... Primeira? - pergunta meio relutante.

- Sim. - respondi com os olhos cheio de lágrimas. Eu não sabia bem o motivo. A verdade é que por mais que eu não lembrasse, eu havia transado com ele.

- Você ainda pode... Ter sua primeira noite... Com... Hmm... Alguém que você goste. - diz constrangido.

- Como? E a noite passada? Como posso reviver a noite passada? Nós transamos, não foi? - digo enquanto minhas lágrimas rolam.

- Vamos apenas fingir que aquela noite não existiu. Para mim não existiu. Foi apagada e de qualquer jeito... Eu não me lembro de nada. - Então ele também não lembrava?

- Como posso deletar da mente as palavras que ele me disse? Eu achei que amava aquele homem. Queria ter não só a primeira noite, como todas até o fim da minha vida com ele. Ele era um dos únicos que não me chamava de garota adesivo, era o único por quem meu coração batia mais forte. - digo chorando.

Ok. Aquilo não era totalmente verdade, mas eu estava chorando e chateada. Meu coração acelerou para esse homem que eu nem sabia o nome, mas ele jamais saberia.

- Garota adesivo? - quationa, assim como o esperado.

- Sim. Todos no trabalho me chamam assim, um adesivo que é bonito e fútil, você o usa para enfeitar e quando não quer mais joga fora.

- Como é o nome completo desse cara? - pergunta completamente sério.

- Fernando Park. - digo confusa - por quê?

Ele pega o celular e digita alguns números, ainda me olhando fixamente. Alguns segundos depois volta a falar.

- Quero saber onde Fernando Park vai hoje. - fez uma pausa - Ok. Eu espero. Vira para mim, guardando o celular no bolso da calça. - Mantenha a calma - alguns segundos e o celular volta a chamar - OK. Obrigado. - desliga e novamente guarda o celular - Vamos à uma festa hoje.

- Eu... Acho que não tenho roupa para ir.

Como eu poderia ir ver aquele canalha agora? Nesse mesmo dia? Com que cara eu ia chegar? Ele só iria me fazer mais mal.

- E você acha que eu ia te deixar se vestir sozinha? Vamos à um lugar. - fala me arrastando consigo.

Após me arrastar para fora do hotel, entramos em um carro e uma hora depois chegamos a uma espécie de loja. Quando entramos ele se dirige a uma dupla que me parecia serem gays. Nada contra.

- Façam dessa mulher bonita! Mudem tudo! E principalmente tirem esse óculos. - diz puxando-os de mim e me segando por instantes - Preciso dela pronta até as 19:00.

-Meu amor, temos cara de São Judas Tadeu? - debocham e ele os olha feio.

- Agora. - ele parecia frio. Glacial.

-Okay. Vá em paz e volte depois. - dizem e eu apenas tento focar em algo, mas não consigo encheegar.

- Certo. Te vejo mais tarde. - diz à mim e se vira.

Só balancei a cabeça.

Me arrastaram para uma sala onde havia uma banheira, depois para uma massagem super relaxante, depois para a depilação, depois para a maquiadora e cabeleireira, e após muita discussão, à um vestido.

[Longas 3 horas depois]

Ouvi os "homens" que me arrumavam falando com o desconhecido. Descobri que eram italianos e tal como eu imaginei, gays, uma casal na verdade. Eles até tinha um filho de 7 anos, Paco, o menino era lindo.

- Única vez na vida.. O trabalho foi criado. - começou um deles.

- Se a mudamos tanto assim, não diria que é uma mulher diferente? - diz o outro.

- Se prepare para pagar o dobro. Isso foi realmente uma tranformação. - disse o primeiro.

- Entendi. Agora mostrem-na. Estou com muita pressa. - diz checando o relógio.

Ele estava usando um smoking completamente preto, com a camisa social azul bem escuro e os cabelos bem penteados e para cima. Ele era lindo.

Fizeram um sinal para que eu descesse as escadas e o fiz. Nunca me senti bonita até aquele dia.

Usava o cabelo preso, uma maquiagem super leve, um salto absurdamente alto -acho que eles abusaram do salto porque sou muito pequena.

O vestido por si era um show a parte: o vestido era azul royal todo em renda e costa nua vazada. O forro do vestido era até o meio das coxas, e para baixo, completamente transparente em renda, um decote frontal bem discreto, e completamente justo. Nunca tinha ficado tão feliz por ter uma cintura tão fina.

A expressão que o desconhecido tinha fixa no rosto fez eu me sentir melhor e mais bonita do que estava, me olhava como se tivesse um alien bem na sua frente, completamente de boca aberta.

- Não está tão ruim. - foi o que disse, mas sua boca continuava aberta, e eu sorri.

~ X ~

O desconhecido me disse que estávamos indo à uma festa, mas por mim, chamaria de grandioso baile. Todas as pessoas ali estavam impecavelmente bonitas e bem vestidas. Tantos corpos elegantes dançando ao som da música clássica, tocada por uma pequena orquestra. Tudo ali cheirava a gente rica.

Estávamos em um grande salão dourado, com um lustre no teto alto e uma escadaria onde uma mulher de vestido preto com alças prateadas conversa com um homem de paletó branco.

O chão era de mármore claro com um enorme losango preto no centro, mesas com toalhas de linho e arranjos centrais de rosas brancas.

Meu acompanhante gentilmente me giou ao centro do salão, onde algumas pessoas o cumprimentaram e eu apenas sorri. A moça elegante no alto da escadaria sorrio para o meu acompanhante oferecendo-lhe um brinde a distância. Ele por sua vez apenas me empurrou gentilmente, colocando a mão direita nas minhas costas, fazendo um calafrio percorrer meu corpo.

Ao longe vejo Fernando Park sentado ao lado da moça que estava com ele no quarto e me retraio, mas o homem me faz continuar andando. Penso que talvez ele vá passar direto, mas ele apenas para em frente a mesa.

- Connor! - um homem saúda meu acompanhante, se levantado brevemente da mesa.

- Mr. Pavarotti. - diz encantador e aperta a mão do homem.

O nome do meu acompanhante era Connor? É um bom nome, não é?

- Podemos nos sentar com o senhor? - pergunta e o homem sorri abertamente.

- Claro que sim. Será um enorme prazer. - sorri e Connor gentilmente (novamente gentilmente), puxa a cadeira para que eu me sente.

Fernando me encarava de boca aberta, sem ao menos ter a decência de disfarçar.

- Elle? - pergunta e eu não o olho, apenas olho em volta.

- E quem é essa bela moça, Connor? - pergunta o homem e Connor sorri.

- Essa é a minha bela acompanhante, senhorita.. - começa, mas para. Ele não sabia meu nome.

- Amy. - sorrio ao falar meu nome de guerra - Amelia Burns. - estendo a mão e o homem a aperta sorridente.

- Amelia? - pergunta Fernando e dessa vez eu o encaro - Está brincado de que?

- Desculpe-me, mas... Nós nos conhecemos? - pergunto fingindo culpa - Se sim, mil perdões, mas não o reconheço.

- É brincadeira? Quem vestiu você? - insistiu.

- Como se chama? - pergunta Connor à Fernando.

- Fernando. - diz estendendo a mão.

- Connor. - diz e aperta sua mão - E essa aqui é a minha adorável namorada, Amy. - diz e eu balanço a cabeça, sorrindo - Vocês se conhecem?

- Creio que não, mas não tenho certeza. - digo e ele sorri.

- Ela é um pouco esquecida. Perdão. - pede desculpas e eu também peço.

Nos minutos que se passaram, Fernando tentou entrar na conversa a todo momento, sendo completamente ignorado por mim.

- Vamos dançar? - Connor pergunta ao pé do meu ouvido, me arrepiando.

- Vamos. - pigarreio e sorrio sem graça - Com licença.

Connor me conduz até o centro do salão, onde as pessoas mexem seus corpos ritmadamente, sorrindo uns para os outros, enquanto bebem das suas taças, e dançam a música lenta que começava a tocar.

- Seu nome é mesmo Amelia? - perguntou sorrindo ao me abraçar e começar a dançar.

- Não. Amelia é o nome que uso quando vou à balada com minha melhor amiga. - rio - Quando não quero dar meu nome verdadeiros aos homens que a paqueram.

- E então, qual seu nome verdadeiro?

- Ele é bem ordinário e comum. - digo sorrindo e ele me encara a espera da resposta - Elle. Elle Kim.

- Não é ordinário. Um pouco comum, porque é um nome popular. - sorri - Sou Connor Cameron.

- É um prazer conhecê-lo, Connor Cameron. - sorrio - Obrigada por me salvar desde ontem.

- Não foi nada, Elle. - sorri - Somos pessoas que se ajudam, no final das contas.

- Realmente. - rio e ele me acompanha.

Alguma música ainda mais melodiosa começa a tocar, me fazendo ficar ainda mais perto de Connor. Ele tem um cheiro bom. Menta misturado com perfume bom. É uma incrível e indescritível mistura perfeita. Sem me dar conta, encosto o nariz em seu pescoço e rio comigo mesma. É viciante de tão bom.

- Elle, eu sei que meu cheiro é bom, mas estamos na presença de várias pessoas que ficam olhando para nós.

Imediatamente me afasto, sentindo minhas bochechas quentes logo depois. Com o nível de vergonha que estou enfrentando agora, posso dizer que não só minhas bochechas, como meu rosto inteiro está vermelho.

- Você fica linda com o rosto assim. - diz colocando as costas da mão na minha bochecha e sorrindo, me fazendo ficar ainda mais vermelha - Fernando está vindo para cá.

- Agora? - quase grito.

- Elle, pare de se fazer. - diz ele, levantando a voz - Eu sei que é você. Pare de mentir e me diga o que está acontecendo. Está na cara que esse cara não tem nada sério com você. Olha só para ele, e depois para você. Basta olhar com atenção. Você cheira a pobreza.

Doeu e muito. Doeu meu coração todo. Seguro as lágrimas para não parecer ainda mais patética. Minha mãe nunca teve muito, mas o pouco que tínhamos sempre foi mais do que suficiente para mim. Nunca reclamei de não ter tudo o que os outros tinham, mas ele havia insultado indiretamente minha mãe. E ninguém fazia isso.

- O que foi que você disse? Pois saiba, senhor-eu-tenho-muita-grana, eu sou imensamente feliz com a vida simples que eu levo. Sou feliz mesmo tendo pouco. - digo e ele me encara - Sou mais feliz que você e seu dinheiro. Eu tenho minha mãe dizendo que me ama todos os dias, e não sou como você, que a mãe tem tanta decepção que nem olha na sua cara há anos porque te despreza. Minha mãe ter orgulho de ter alguém batalhadora e vencedora como eu. E você? Vale a pena roubar e ser o imbecil que você é, e não ter um amigo ou parente para contar? Valeu a pena se tornar esse nada endinheirado, que nem é tanto assim, e perder quem você ama? Porque eu sou extremamente feliz em ser pobre e ter amor. Coisa que você nunca terá.

Seus olhos estão marejados. Sei que peguei pesado, mas ele precisava deixar de ser tão babaca. Era ridículo tudo aquilo. Toda a situação.

- Sai daqui, cara. - fala Connor e eu volto a razão.

- Você não tinha o direito, Elle. - diz apertando os punhos.

- Por que eu não tinha? Por que o meu cheiro de pobreza me impedia? Saiba que mesmo tendo esse tal cheiro, minha mãe sempre me deu o melhor que pôde. E quer saber? Por que eu não poderia estar com um homem como ele? - num pico de coragem tirada do além, puxo o queixo de Connor e o beijo.

Minha intenção era só um selinho, mas ele aprofundou o beijo, colocando a língua e segurando meu cabelo. Aquele homem tinha uma senhora pegada. Era ótimo e muito, muito bom. Não sei dizer a importância daquele homem, mas o que eu sei, é que todos agora nos olhavam boquiabertos.

Apesar de saber que eu e Connor jamais aconteceria novamente, e nós não nos veríamos novamente, me entreguei perdidamente aquele beijo, e numa centelha de lembrança, lembrei de um beijo assim no chão do elevador.

Descolamos nossas bocas e abrimos nossos olhos simultaneamente, ainda ofegantes e sem saber o que fazer em seguida. Todos os convidados observavam nossas reações. Apenas sorrimos tímidos e então voltamos a dançar.

E pela segunda vez na vida, me senti bonita e sorridente.


Notas Finais


Espero que tenham gostado. Até a próxima.


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