História Prófugos - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Fairy Tail
Personagens Erza Scarlet, Gajeel Redfox, Gray Fullbuster, Juvia Lockser, Levy McGarden, Lisanna Strauss, Lucy Heartfilia, Metallicana, Minerva Orland, Natsu Dragneel, Sting Eucliffe, Yukino Aguria
Tags Gajevy, Gale, Gruvia
Exibições 88
Palavras 2.426
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Hentai, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


É, eu sei, eu deveria segurar pelo menos até a manhã de segunda, MAS essa parte é a mais extensa e a que mais mexeu comigo, pra ser sincera. É a partir disso que a fanfic vai realmente começar e que os capítulos vão ser postados a cada 5 prontos, o que pode levar até duas semanas, peço que sejam pacientes.
Vejo vocês nas notas finais, boa leitura ^^

Capítulo 3 - Parte III


Fanfic / Fanfiction Prófugos - Capítulo 3 - Parte III

A rotina na companhia Phantom Lord estava mais difícil e insuportável do que nunca. Após aquele último espetáculo em Paris, a caravana circense reiniciara suas viagens, apresentando-se em Versalhes por três meses, logo em Amiens, Rouen, Le Havre, e todo o litoral nordeste no período de dois anos. Gajeel e Juvia vinham sofrendo constantes castigos por parte de Jose Porla, e só não estavam aleijados graças a inúmeras intervenções de Metallicana e Minerva. Numa delas, o dragão de ferro ferira-se consideravelmente numa luta de igual para igual com o homem tirano, mas fora o suficiente para Porla perceber que, caso “exagerasse”, teria sua vida reduzida a cinzas.

Os números vinham ficando mais exigentes, a corda bamba de Juvia estava cada vez mais alta e agora fazia acrobacias junto aos trapezistas enquanto atravessava a superfície fina e instável. Seu irmão, por sua vez, estava tendo de desviar das “Facas Flamejantes” em vez de atirá-las a um alvo de qualquer ângulo ou altura. Porém, o moreno parecia divertir-se, pois passava por argolas e barras de ferro para realizar tais números. Devido ao árduo treinamento, numa das vezes em que não estava concentrado o suficiente enquanto seu mestre atirava as lâminas, Gajeel adquirira uma cicatriz grossa no braço direito.

– Ei, moleque. - Metallicana surgira na tenda, depois de ter sumido por duas horas no acampamento.

– O que? - Gajeel sentara em seu colchão improvisado de palha e um fino lençol, um tanto sonolento.

– Você não me disse que queria ter “esses troços bizarros e escrotos” na sua cara? - o homem perguntara num tom sério, apoiado com um joelho no chão.

– Nossa, você ainda lembra disso? - o moreno esfregara os olhos com ambas as mãos, bocejando. Ao estar com a vista mais focada, percebeu vários pregos com o pino curto e grosso, com a ponta arredondada, na mão direita de seu mestre.

– São poucos perto dos que tenho por todo o meu corpo, mas se eu não fizer isso agora, creio que não terei tempo para fazê-lo mais tarde. - dito isso, Metallicana pegara uma pequena navalha e um prego comprido e fino prateado. Tinha trazido consigo uma panela pequena com água quente, pelos calos recentes em suas mãos, estava forjando os pequenos itens no tempo em que esteve fora.

– Isso dói? - Gajeel perguntara um tanto receoso. Não tinha medo de sentir dor por pequenas perfurações, mas estava realmente curioso se aquilo doeria depois de ter em seu corpo.

– Conforme os dias passarem, eles serão parte de você, e vai ser como se já tivesse nascido com eles. Agora, não se mexa. - o homem de cabelos prateados disse, molhando os pregos e a navalha na água quente e iniciando seu serviço.

A surpresa por parte de Juvia fora grande no dia seguinte. De repente, seu irmão possuía três pregos no lugar de cada sobrancelha, dois nas laterais do nariz e abaixo do lábio inferior, e mais quatro em cada lado dos braços. Não sabia se era uma espécie de ritual que Metallicana fazia com seus discípulos – se é que teve algum antes do Redfox – mas não pudera evitar de rir-se de Gajeel ao encará-lo pela manhã para os treinamentos matinais.

– Ei! Pare de rir! - o moreno gritara novamente para a irmã, mais irritado do que nunca.

– Desculpe, mas você sem sobrancelhas é muito engraçado. - a azulada segurava a barriga com ambas as mãos de tanto que gargalhava, mas algo também estava diferente na mesma. Os antes longos e ondulados cabelos azuis estavam curtos, na altura do queixo.

– Juvs. - após uma pausa na crise de risos da Lockser, Gajeel chamara. - O que aconteceu com o seu cabelo?

– B-bem, Minerva achou que seria melhor Juvia cortá-los antes que eles enroscassem nos trapézios… - a garota ficara séria, mantendo o olhar para seus pés descalços.

Conheciam-se desde que nasceram, o irmão sabia que ela estava ocultando parte da verdade de si, e até mesmo dela mesma. Quando Porla vinha os castigar com seu chicote, geralmente acertava os quadris e coxas de Juvia, e muitas vezes tentara segurá-la pelos seios – que já estavam grandes para a idade, mas Gajeel sempre o impedira, nem que o próprio rosto lhe fosse açoitado. Aquele nojento estava assediando sua irmã, e sabe-se Deus o que gostaria de fazer com ela. Provavelmente Minerva pedira para a aprendiz cortar seus cabelos na tentativa de ficar menos atraente aos olhos do tirano.

Nos cinco anos seguintes, Gajeel começara a reagir às agressões de Jose para que tivesse sua total atenção e que Juvia pudesse fugir, ficando sob a proteção de Minerva, que transferira sua tenda próxima da de Metallicana, por precaução. As lutas do moreno com o homem apenas contribuíram para seu treinamento físico, porém, adquirira mais três cicatrizes em seu braço direito naquele período feitas pelo chicote – agora com lâminas – de Porla. Orgulhava-se de tais marcas, afinal, por mais grotescas que tenham se tornado à visão, foram consequência para proteger sua querida irmã. O real medo do Redfox era não conseguir mais persuadir Jose Porla com suas reações e que, assim, o tirano fosse atrás da Lockser e fizesse seja lá o que desejava com ela. Algo dizia para o jovem que a azulada acabaria por ser abusada sexualmente por Porla mais cedo ou mais tarde, todavia, agradecia aos céus por conseguir ter adiado cinco anos e ter tornado a vida de Juvia o mais tranquila que pôde nesse tempo.

Os próximos quatro meses foram marcados pela passagem da companhia circense até o litoral das cidades e províncias do sul. Estavam em Marselha já há um mês, apresentar-se-iam apenas na semana seguinte, mas o clima entre os acrobatas, trapezistas, palhaços e toda sorte de artistas do Phantom Lord encontrava-se tenso. A moça que escalava um longo pedaço de tecido havia falecido há três dias graças a uma forte febre, devido às bruscas mudanças de temperatura de região para região e falta de uma boa alimentação. Milliana era muito querida de todos ali, e não era só o clima de luto que pesava o ambiente. Se a garota saudável e ágil, em seu auge aos vinte anos de idade, falecera tão de repente pela condição que consideravam de praxe, quem deles seria o próximo?

Já era noite, como estava quente, todos estavam para fora de suas tendas partilhando pães e uma sopa rala de repolho e batata, que serviria como janta. A comida estava parca já que o Phantom Lord beirava a falência. Os artistas haviam emagrecido consideravelmente e alguns – que já eram magros – tinham suas costelas bem visíveis mesmo através de roupas.

– Fique com a minha parte. Não estou com fome. - Gajeel insistira mais uma vez em oferecer seu pão dormido para a irmã, que se negava a deixá-lo sem comer.

– Dê mais comida a esse projeto de vadia que, logo, logo, ela estará tão gorda que a corda arrebentará com seu peso. - ninguém menos que Jose Porla surgira dentre os circenses, abatidos pela precariedade alimentícia. O moreno teria levantado num salto e esmurrado aquele rosto zombeteiro caso seu mestre não lhe tivesse segurado pelo braço. Era incrível como, em apenas uma mão, Metallicana possuía a força de dois homens.

– Deixe minha filha em paz. Se não fosse por mim e por ela, esta porcaria que você chama de companhia teria falido há muito tempo. - Minerva levantara-se, tomando a frente de Juvia, que ainda estava sentada ao lado do irmão.

– Ora, ora… A vadia mãe resolveu defender a cria. - e, com uma gargalhada monstruosa, o homem estapeara a face da morena, fazendo apenas o rosto da mesma mover-se. O corpo da dama das ervas estava rígido como nunca, o desprezo misto com o ódio que sentia pela figura à sua frente lhe motivava cada vez mais a não aceitar mais aquela situação.

– Todos. Recolham-se às suas tendas, não quero ninguém vendo o que acontecerá aqui. - a Orlando trincara os dentes. Seu tom fora tão autoritário que todos obedeceram sem pestanejar. Gajeel dirigira um olhar suplicante ao mestre de “por favor, deixe-me ficar”, mas fora arrastado para sua tenda.

– Dando ordens aos meus empregados, não me lembro de tê-la promovido, Minerva. - Porla pusera as mãos na cintura, afastando sua capa de seus ombros.

– Não aceito mais que continue com este comportamento com o irmão de Juvia e com ela. Estas crianças não serão mais tratadas como aqueles tigres que você matou no período de dez anos no passado. - a mulher tirara duas adagas das costas da faixa que cobria sua cintura.

– Veja só, a dama das ervas quer lutar contra o magnífico e soberano Jose Porla. Devo conceder a esta mulher ordinária tal honra? - monologando como se estivesse numa peça teatral, Jose desembainhou a espada de lâmina torta de sua cintura.

Juvia encolheu-se até ter suas costas de encontro a um arbusto próximo, nem mesmo quando era surpreendida pelo chicote de Porla sentia tanto medo como estava sentindo agora. Sua mestra era uma excelente lutadora, extremamente hábil com o par de adagas e capaz de desviar dos golpes mais inesperados. Porém, num certo momento da luta, Jose investira sua lâmina com total peso e força contra as pequenas lâminas de Minerva, que tinha os músculos do braço saltando pelo esforço que fazia.

– Juvia, corra! - a morena gritara assim que conseguira fugir do ataque violento do homem bizarro e tirano, mas, infelizmente, seu aviso acarretaria algo pior do que pretendia.

Simplesmente dando as costas para a Orlando, Jose Porla fora atrás da azulada, que correra para a tenda que dividia com sua mestra. Não havia com o que se armar, o que lhe restava era esconder-se atrás da cômoda frágil de madeira na qual continha suas roupas e da mulher que lhe criara.

– Não irá botar um dedo nela! - e, surgindo por trás de Porla, Minerva investiu contra as costas do mesmo. O que ninguém esperava era que aquela fosse a última frase e o último movimento da mulher até ser decapitada.

A Lockser tremeu ainda mais detrás do móvel ao ouvir somente silêncio após o grito de Minerva. Lágrimas violentas desciam de seus olhos, apenas haviam duas opções para o silêncio que se instalou: ou a Orlando fora bem-sucedida em matar Jose Porla, ou o mesmo a matara. Não querendo sair para descobrir o que se sucedera, Juvia apenas procurara ficar o mais quieta possível em seu esconderijo precário até a mestra chegar e lhe dizer que estava tudo bem. Pelo menos era isso que desejava.

Quando a cômoda fora brutalmente chutada para longe, o susto fizera a azulada saltar de seu lugar e seu braço direito fora agarrado por seu maior pesadelo.

– Olha só quem voltou?

Gajeel andava de um lado para o outro em sua tenda, Metallicana permanecia deitado, sobre o colchão de palha no qual dormia, com os braços atrás da cabeça. Ambos os homens não estavam nada calmos, mas a diferença entre eles era clara: o moreno era como o ferro em brasa, sendo forjado, já o homem de cabelos prateados era como o ferro frio das grades de um calabouço. O silêncio após o grito de Minerva fizera o Redfox congelar na posição que estava, e o dragão de ferro cortara sua respiração por um momento.

– Mas o que será que… - Gajeel fora interrompido por um grito que lhe penetrou não somente os tímpanos, mas também a alma. - Juvia!

O rapaz, desesperado para socorrer sua irmã, estava pronto para sair correndo com uma barra de ferro nas mãos, quando seu mestre o segurara pelo pulso. Como sempre, não podia competir com sua força – pelo menos no momento – então apenas virara o rosto para Metallicana, que não surpreendera-se em encontrar os olhos escarlates do aprendiz em chamas e formando lágrimas.

– Você é como o ferro em chamas, moleque. Ainda está sendo formado e causa estragos para aquele que entra em contato consigo.

– O que quer dizer com isso? Solte-me, eu preciso salvar a Juvia! Aquele homem pôs as mãos nela! Eu… Não pude impedir por mais tempo… - Gajeel parara de segurar as lágrimas que se formavam em suas córneas. Quase vacilara pela impotência que sentia, porém o aperto mais forte de Metallicana em seu pulso lhe acordara.

– Você irá salvar a sua irmã. Assim como você irá causar muito estrago. - soltando o pulso do discípulo, o homem pegara a barra de ferro das mãos do Redfox e colocara fogo em sua ponta, como se fosse uma tocha.

– Mas como você fez…

– Não há tempo para respostas. Faça o que tem que fazer, garoto.

E, dando uma última olhada para aquele que fora seu mestre por dez anos, Gajeel correra com a maior velocidade que suas pernas aguentavam e se deparou com a cena que mais temia por tantos anos. Sua irmã com a saia levantada, a intimidade encharcada de sangue, os olhos opacos cheios de lágrimas e Porla limpando sua genitália num antigo vestido de Minerva, rindo sadicamente como se tivesse cometido o ato mais normal concebível existente. O sangue do moreno fervia em suas veias, e, num único ato, enfiara a lança da barra de ferro nas costas do homem que desgraçara com a própria vida e com a de sua irmã.

– No fim você se vingou, seu montinho de merda… - após sua queda no chão da tenda, Jose rira ao cuspir sangue.

– Eu não vou te matar agora, Jose Porla. - o Redfox rosnara, forçando um pé sobre o peito de Porla. - Você irá queimar com esta tenda e toda esta companhia decadente que você criou. - com a última palavra, Gajeel fizera as chamas da barra de ferro encontrarem-se com a ferida que fizera no tirano, fazendo-o urrar de dor e rir-se descontroladamente, como monstro e animal que era.

Torturaria mais aquele que sequer merecia ser chamado de homem, mas tinha que cuidar de Juvia. Pegara a garota e a ajeitara sobre seu ombro, saindo da tenda que pertencera a ela e a Minerva Orlando, fazendo o fogo beijar suas paredes de tecido, para, gradativamente, ser engolida pelas chamas. Mas, o dever de Gajeel ainda não estava completo. Faltava queimar a estrutura do circo, o que não seria difícil pela quantidade de palha que havia ali dentro. Largando a barra de ferro flamejante num monte enorme de palha, o moreno saíra a passos determinados da tenda, com sua irmã – que perdera a vontade de viver – em seus braços, dando às costas para aquilo que um dia fora o Phantom Lord, e que agora estava sendo devorado pelas chamas da justiça.


Notas Finais


Gente, tudo estava planejado, desde a morte da Minerva ao estupro da Juvia e à suposta morte do Porla (não responderei nada sobre isso, tirem suas conclusões). É uma fanfic mais pesada em vista de Satisfaction, mas que eu estou amando demais escrever e explorar <3
Aí vocês me perguntam, "mas autora, por que esses três primeiros capítulos se chamam Parte I, II e III e os outros vão ser Capítulo 1, 2, 3 etc?", então, amadinhos.
Na sinceridade, a autora aqui fez essas 3 partes pra evitar flashbacks futuros kkk
Eu realmente detesto ter que trabalhar passado de personagens principais no meio do enredo, é muito complicado, por isso fiz questão de escrever estas três partes pra situar vocês do passado do Gajeel e da Juvia (os principais, no caso).
O passado da Levy e do Gray são mais fáceis de serem trabalhados ao longo do enredo, então não se preocupem com isso.

Comentem o que gostaram, não gostaram, críticas, opiniões, e vejo vocês no próximo capítulo! (daqui há algum tempo -q)


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