História Prófugos - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Fairy Tail
Personagens Erza Scarlet, Gajeel Redfox, Gray Fullbuster, Juvia Lockser, Levy McGarden, Lisanna Strauss, Lucy Heartfilia, Metallicana, Minerva Orland, Natsu Dragneel, Sting Eucliffe, Yukino Aguria
Tags Gajevy, Gale, Gruvia
Exibições 53
Palavras 3.613
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Hentai, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Gente, eu to cheia de coisa nesse fim de ano (não, não estou de férias ainda, só dia 28 de dezembro) então me perdoem pela demora de atualização, não to tendo tempo de escrever e minha cabeça ta explodindo constantemente, minha glicose não tá estabilizando e ta um inferno com a minha vó aqui em casa, ENFIM.

Eu só tenho esse capítulo pronto, o 3º ta no segundo parágrafo, e pra quem acompanha Satisfaction, até dia 15 de dezembro receio deixar vocês esperando, sinto muito (as notas são fechadas dia 15, então fico mais tranquila).

É isso, vejo vocês nas notas finais, boa leitura <3

Capítulo 5 - Capítulo 2


Fanfic / Fanfiction Prófugos - Capítulo 5 - Capítulo 2

Alguns dias se passaram desde o embaraçoso encontro de Levy com os irmãos ciganos. Soubera que possuíam tal parentesco por ouvir transeuntes comentarem, e como aquelas pessoas sabiam ainda era um mistério. A cabeça da jovem noviça ora perdia-se em suas obrigações no convento e ora no rapaz de cabelos longos e rebeldes. Mesmo com a dor incômoda nos joelhos durante o terço matinal, esvaziar sua mente para pensar somente nas santidades tornava-se difícil, visto que as músicas tocadas na igreja eram substituídas pela melodia tocada pelo cigano e dançada por sua irmã de cabelos azuis-escuros. No fundo, a McGarden sabia que sua vocação não consistia numa vida casta e sacerdotal, mas considerava falta de respeito transportar-se àquele homem, que a olhara com indagação, em pleno momento de reza.

Era tarde de sábado, as noviças estavam se dirigindo ao orfanato chamado Saint Antoine, que era próximo do convento no qual viviam. O trabalho de caridade consistia em cuidar das crianças, seja cozinhando, brincando, ensinando e outras coisas. A obra já estava sendo realizada há um ano, e as crianças preferidas de Levy eram os primos Jet e Droy. O pai de Droy o abandonou após o falecimento de sua mãe, assim fazendo o menino ir viver com Jet e sua tia, porém, a tia – viúva – acabara por falecer de uma grave enfermidade e ambos foram parar no orfanato.

A garota de cabelos azuis mal pusera os pés para dentro do portão e já fora abordada pelos dois pequenos, que vieram correndo ao seu encontro.

– Irmã Levy! - gritaram, abraçando suas pernas sobre a saia do hábito, quase fazendo-a perder o equilíbrio.

– Boa tarde, garotos. - a garota rira, afagando a cabeça de ambos. - Como estão desde a última semana? - e, dando suas mãos para Jet e Droy, o trio seguia para dentro do orfanato.

– Eu consegui caçar mais cinco besouros pra minha coleção! - o garoto magro de cabelos laranjados exclamara, orgulhoso. - E Droy conseguiu engordar mais por ter comido a minha sobremesa quase a semana toda.

– Ei! Você me disse que não queria comer! - o menino de cabelos pretos e tez azeitonada revidara, com um verdadeiro ar de injustiçado.

– E realmente eu não queria, não é todo mundo que gosta de bolo de passas. Deveria ser melhor ter jogado fora, assim você não estaria tão rechonchudo.

– Não diga coisas assim, Jet. Comida nunca…

– Nunca pode ser desperdiçada. - Droy atravessara, complementando o ditado da jovem noviça e sendo seguido por Jet, que repetira apenas mexendo os lábios e revirando os olhos.

– Exatamente! Hoje vou ensinar jardinagem para vocês com a Irmã Yukino, assim vocês poderão colher da sua própria horta e ajudar o Irmão Freed no preparo das refeições! - Levy dissera como se fosse a coisa mais empolgante do mundo, e, realmente, quando estava com aquelas crianças sentia-se assim.

– Mas isso não é serviço de garota, Irmã Levy? - Jet perguntara, pensativo, ao adentraram os jardins do fundo do orfanato.

– Na verdade, se vocês visitarem a zona rural aqui de Paris, poderá ver famílias inteiras trabalhando em sua lavoura. Geralmente os homens se saem melhor preparando o terreno, pois são fortes e possuem maior vigor para o serviço braçal. Já as mulheres, por sua vez, são melhores colhendo os alimentos e selecionando os melhores para ir à mesa, devido as mãos menores e delicadas e a boa percepção. É um trabalho complementar, mas que pode ser feito tanto somente por um quanto somente por outro.

– Isso mesmo, só se dedicarem que estarão mestres na arte das hortas! - Yukino brincara, colocando as mãos na cintura como pose de determinação. - Agora, arregacem suas mangas e peguem as enxadas, nós vamos começar a preparar o terreno!

O jardim dos fundos do orfanato era extenso, de um lado possuía uma grama bem cuidada, com vasos cheios de flores plantadas pelas crianças do local, e do outro uma grama mais descuidada, destinada para as hortas que Jet, Droy, Levy e Yukino estavam construindo. Após remexer a terra várias vezes, jogar restos de hortaliças em decomposição para adubar o terreno, as duas noviças e os dois garotos estavam de joelhos sobre a terra fofa fazendo montinhos com as mãos para adequarem as sementes em seu interior.

Plantaram, ao todo, seis fileiras de cada coisa: couve, batata, cenoura, alface, tomate e pepino. Os ingredientes que Irmão Freed usava como temperos ficava em pequenos vasos retangulares na cozinha, como hortelã, agrião, tomilho, alho e cebola. Precisavam de todo o cuidado especial que somente o rapaz de cabelos esverdeados podia-lhe dar. A tarefa de não se sujar-se fora algo difícil para a Agria e a McGarden, pois seus joelhos estavam marrons e suas mãos cobertas de terra seca. Ao final, lavaram-se nos baldes de água que Padre Bob lhes providenciara.

– Não entendo que tipo de garotas vocês são que resolvem mexer com jardinagem usando o próprio hábito. - a Madre Superiora ralhara, esfregando as têmporas.

– Perdão Madre, da próxima vez procuraremos adereços adicionais. - a albina desculpara-se, enquanto a azulada também fazia uma reverência como perdão. Madre Poluchka, por sua vez, respondera com um suspiro entediado. Tantos anos vivendo naquele convento, já deve ter formado todo o tipo imaginável de noviças, mas, pela expressão que fazia para Yukino e Levy, elas superavam “as piores”. Afinal, o que de tão terrível podia se fazer num convento para ser considerada um castigo? As amigas refletiram.

Com o cair da tarde, Padre Bob providenciara mais cadeiras para as noviças do Convento de Sainte Geneviève – a padroeira da capital francesa. O jantar seria preparado pelo Irmão Freed e pelo Irmão Bickslow, seminarista recém-ingressado na ordem. As crianças ficaram do lado esquerdo da mesa, com um comportamento alegre e “incorrigível” - como lamentara o padre algumas vezes, enquanto as futuras freiras sentaram-se ao lado direito, silenciosas e numa postura impecável. Todas já devidamente limpas das recreações que fizeram junto dos pequenos e todos com seus terços entre as mãos para rezar uma Ave-Maria antes da refeição.

Freed surgira com um caldeirão quente exalando fumaça e um cheiro delicioso, Bickslow o ajudara a pô-lo sobre uma tábua de madeira para não queimar a mesa. E, com uma grande concha – igualmente de madeira – o mais novo Irmão, de cabelos curtos azuis-escuros e com uma marca de nascença um tanto peculiar entre os olhos, começara a encher as tigelas dos pequenos por primeiro. Terminando, começara com a da Madre Superiora e, precisava admitir, aquela mulher lhe causava arrepios. Sabe-se Deus que punição divina aquela senhora lhe rogaria se não começasse por si.

Ao chegar em Lisanna, a garota levantara para estender sua tigela, mas suas mãos estavam trêmulas de nervosismo. A pequena Strauss era muito tímida, quase toda e qualquer interação social lhe fazia tremer daquela forma. Levy, que estava sentada ao seu lado esquerdo, pensou em interferir quando o rapaz largara a concha e pusera suas mãos sobre as da albina.

– Está tudo bem, se continuar tremendo desse jeito posso ensopar suas irmãs sem querer. - Bickslow dera um sorriso travesso, arrancando risos das noviças que estavam próximas.

– Sinto muito. - a albina gaguejara.

– Não sinta, é uma atitude perfeitamente normal diante de estranhos. - o jovem seminarista pusera a tigela de madeira numa mão e, com a outra, enchera-a com o caldo quente cheio de legumes. Quando entregou-o para Lisanna deu uma piscadela, que quase a fez cair com seu prato novamente, sendo amparada por Yukino e Levy.

E mais risos, desta vez, por parte de todos, exceto da velha Poluchka.

Após todos estarem servidos, rezaram uma Ave-Maria e puseram-se a comer. Era permitido repetir até saciar a fome, afinal, Freed detestava desperdícios. Caso algo sobrasse, colocaria em uma panela menor para as garotas levarem ao convento para consumir como uma ceia. O jantar seguiu-se num clima agradável e leve com as conversas das crianças, o que Levy admirava no Padre Bob era que ele não censurava os pequenos, como grande parte dos sacerdotes faziam. Na verdade, o padre divertia-se até mais que aquelas criaturinhas enérgicas.

Assim que a noite já marcava nove horas, as noviças, lideradas pela Madre Superiora, despediram-se do orfanato e rumaram a passos apressados e em fila única ao convento. Tomariam um banho, colocariam suas respectivas camisolas, fariam o terço noturno e, por fim, iriam para a cozinha preparar os ingredientes para as refeições do dia seguinte.

– Ei, Yukino. - confirmando estarem completamente a sós em seu dormitório, Levy chamara a amiga, que procurava seu avental para logo dirigirem-se à cozinha depois do terço.

– Diga, Levy. O que pipoca tanto nessa sua cabecinha? - mesmo com o ar sonolento, a albina lhe dera um sorriso travesso. Ela e Levy pegaram pesado no serviço braçal naquele dia, mas quando a azulada possuía algo a cutucando em sua mente, diga adeus ao sono.

– Lembra-se daqueles ciganos? Aqueles de uns dias atrás, quando fomos à feira e dei as moedas a eles e aí você veio me buscar, Madre Poluchka brigou conosco e…

– Eu estava lá, Levy, apenas conte. - a Agria riu, sentando-se na beirada de sua cama. A McGarden estava sobre os joelhos no colchão fino, seus olhos castanhos estavam bem abertos, sinal de que possuía muitas coisas em mente.

– Pois bem, eu descobri que eles são irmãos. Ouvi algumas pessoas que passavam por lá comentarem, mas enfim, este não é exatamente o ponto no qual eu quero chegar. - e tendo um suspiro como resposta, Levy prosseguiu. - Eu estou fascinada por aquele homem, Yuki. O ar tão agressivo, como se fosse uma torre humana, uma fortaleza impenetrável, a pele morena, as cicatrizes, os olhos vermelhos… Tudo nele está me atraindo de uma forma que não sei dizer o que é. - a azulada terminara num suspiro. Dissera todas as características com tamanha propriedade que até assustara a amiga.

– Bem, se não a conhecesse, diria que está se apaixonando. - Yukino dera uma leve risada, fazendo a McGarden corar. - Mas, realmente, a aparência daquele sujeito era um tanto quanto… Exótica. Nada que eu tenha visto antes, mas vindo de ciganos… Até que ele está bem normal para o meu julgamento.

– Ah, Yuki… Eu não fiquei apenas impressionada, eu… Quero vê-lo novamente. - Levy murmurara num tom quase inaudível. Não sabia explicar o surgimento daquele sentimento de querer viver algo novamente.

– Isto é perigoso, Levy… Não o conhecemos, tampouco sua índole, apenas deixe as coisas tomarem seu curso, certo? - e, levantando-se, a albina terminara de amarrar o avental escuro sobre a camisola branca.

– Você está certa, eu só precisava conversar sobre isso com alguém. Mesmo que eu tenha muita empatia por todas aqui, você e Lis são as únicas que eu confio. - a garota de cabelos azuis suspirara, vestindo seu próprio avental e calçando seus chinelos.

– Vamos, todas já estão na cozinha nos esperando! - Yukino a alertou para fora da porta do quarto e então, ambas as amigas passaram o começo de sua madrugada descascando cebolas, alhos e batatas.

 

[…]

 

Não havia um adjetivo preciso para descrever como Gajeel acordara naquela manhã de sábado. Seus músculos estavam retraídos, o que denominava que uma boa sessão de alongamentos para estralar os ossos seria uma boa pedida antes do café da manhã. Oh, café da manhã… Nunca sonhou poder ter um tão completo como vinha tendo desde o incidente com a “freirinha”. Agora ele e Juvia podiam comer pão com manteiga e tomar leite com mel. Algo extremamente banal até nas casas mais pobres, mas que, para eles, estava sendo um luxo. Para economizar, muitas vezes ficavam somente no pão com manteiga ou iam desjejuar com os freis franciscanos.

Após estralar-se e alongar-se de todas as formas possíveis enquanto sua irmã não acordava, o moreno se dirigiu a um poço que ficava nas proximidades com um balde e o içara cheio de água, lançando o líquido gelado sobre o próprio corpo. Estava ainda descalços e usava roupas finas para dormir, portanto, considerava uma espécie de banho. Quando içara o balde novamente, bebera parte da água e o resto usara para lavar o rosto e as partes íntimas, afinal, era somente naquela hora do dia que podia fazer tal coisa.

Despindo-se atrás da tenda e colocando suas roupas habituais, já secas, pendurara suas roupas de dormir no varal improvisado, que fizera com cordas arrebentadas de seu violão. O lugar onde se instalaram era razoavelmente bem localizado, havia um poço próximo e, há alguns metros de caminhada, um riacho ótimo para lavar as poucas roupas que possuíam. Juvia acordara e fizera os mesmos passos do irmão, porém, ele manteve-se de costas, calçando suas botas. Não gostaria de causar constrangimento à azulada, mesmo que vivam juntos desde sempre.

– Está pronto? - a Lockser perguntara, surgindo em frente ao irmão, vestindo as roupas de praxe que, como as suas próprias, também haviam secado na noite passada. - Juvia está com fome, vamos Gajeel. - e, não esperando uma resposta, a mulher cruzara os braços e se pusera a passos firmes em direção ao mosteiro.

Revirando os olhos pela impaciência da irmã, o Redfox fechara sua tenda e a seguira a passos apressados. Mesmo descalça, Juvia caminhava rápido demais. As solas de seus pés acabaram por se adequar ao estilo de vida nômade que tiveram por muitos anos, tornando-se mais grossas e resistentes aos granitos das calçadas. Por um lado, Gajeel também poderia optar por andar descalço, mas passara tanto tempo confeccionando a própria bota que iria usá-la até o dia em que sua sola sumisse de tão gasta.

O caminho até o mosteiro fora calmo e silencioso, os irmãos gostavam de apreciar a ausência de som pela manhã já que o resto de seu dia era bem agitado. Ao chegarem, havia uma fila curta de mendigos e andarilhos em frente a porta dos fundos. Dois frades de meia idade distribuíam alimentos para aqueles que careciam, cada um recebia um pedaço de pão e uma tigela de sopa. Entrando na fila, Gajeel e Juvia cumprimentaram os mais necessitados com um aceno de cabeça e deixavam passar a sua frente quem chegasse, até que, em alguns minutos, todos estavam dentro do refeitório apreciando a primeira refeição do dia.

– Bom dia, garotos. - um senhor baixinho, de cabelos brancos nas laterais da cabeça e careca lustrosa, adentrara o recinto com sua batina gasta na barra. Os andarilhos e os demais frades responderam o cumprimento em uníssono, voltando a se concentrar em suas refeições e poucas palavras trocadas.

– Bom dia, frei Makarov. - Gajeel murmurara enquanto terminava de engolir um pedaço de pão. O senhor resolvera sentar entre os dois.

– Espero que não se importem que eu me sente aqui, gosto de sentar perto de moças gentis e jovens viris. - Makarov brincara, pondo sua pequena bíblia à sua frente enquanto ajeitava-se entre os irmãos. - E então, crianças, como estão de vida?

– Melhor do que em muitos dias. - Juvia respondera, mergulhando um pedaço de pão no caldo ainda quente. - Uma noviça do Sainte Geneviève fez uma caridade semana passada.

– É mesmo? - o frade arqueara as sobrancelhas, surpreso. - Que tipo de caridade?

– A menina tinha umas moedas de prata, pelo visto pra pagar as compras da madre, e simplesmente nos deu. - o moreno dera de ombros, ainda intrigado com a ação da jovem para consigo e sua irmã.

– Essa menina parece ser uma rebelde, gostei dela. Jesus também não se curvava às regras dos homens. - o pequeno frade rira, deixando ambos os ciganos atônitos.

– Eu ainda estou meio cabreira com essa história, na verdade… Ela deve ter recebido uma punição por ter feito aquilo. - a azulada suspirara, querendo mudar de assunto. A verdade é que não pensara na boa ação que uma completa desconhecida fizera, além de não ver necessidade de tocar no assunto, uma vez que não continha as respostas que desejava.

– Ou talvez não, conheço Madre Poluchka. É uma mulher sábia, é provável que a tenha feito ficar algumas horas a mais no terço matinal, no máximo. - frei Makarov dera de ombros, voltando à sua leitura.

– Bem, obrigada pela refeição. Irei esperá-lo lá fora, Gajeel. - Juvia terminara sua tigela em silêncio e saíra do refeitório, deixando o bondoso frade e o irmão sozinhos naquela mesa.

O Redfox não entendeu ao certo o por que de a azulada ter se retirado antes que ele terminasse, talvez ela não tivesse se sentido confortável com a menção da noviça que lhes dera dinheiro, mas, por que não? Fizera uma nota mental para não se esquecer de indagar a Lockser mais tarde. Agora que estava a sós com o frade, aproveitaria para perguntar coisas ao mesmo acerca da misteriosa garota que insistia em invadir sua mente em momentos inoportunos.

– Frei… - o moreno começara hesitante, encarando o restinho do caldo que sobrara me sua tigela.

– Diga, filho. - Makarov não levantara os olhos das páginas amareladas de sua bíblia em latim, pusera seus óculos arredondados há poucos.

– O senhor sabe da minha história e de minha irmã. - afirmara.

– Sim, sei. Está tendo dificuldades para dormir? Pesadelos?

– Não, não, de forma alguma. - Gajeel balançara a cabeça negativamente, como se para esquecer dos anos a fio em que acordara sobressaltado e febril após a fuga do Phantom Lord. Não foram tempos fáceis. - Apenas queria saber sobre… Sentimentos.

– Sentimentos? - o senhor erguera os olhos para o homem ao seu lado. Gajeel aparentava ser do tipo que não se importava com sentimentos, pois devia conhecer toda “fraqueza” humana muito bem, mas, no fim das contas, era apenas um jovem aprendendo a viver. Isso fez Makarov sorrir, nostálgico. - Pois vá em frente, rapaz. Pergunte.

– É possível que alguém como eu, com um passado marcado por violência e cicatrizes, possa sentir sentimentos românticos por alguém algum dia? - aquela pergunta era constrangedora e íntima demais ao Redfox. Seus olhos estavam encarando a madeira grossa e gasta da mesa, enquanto suas mãos mantinham-se fechadas sobre a mesma. A pose enrijecida do cigano fez o frade rir-se por breves momentos.

– Mas é claro, rapaz. O seu passado não define o que pode sentir agora, o que pode acontecer é você não saber como demonstrar os sentimentos que vierem. Como careceu deste tipo de afeto a vida toda, o único amor que conhece é o fraternal, que tem por sua irmã e que ela o tem por você. O mesmo amor que Metallicana teve enquanto lhe criou, e o mesmo que motivou Minerva a se sacrificar por Juvia. Agora, o amor de uma mulher poderá ser novidade para você.

– Compreendo… - Gajeel refletira sobre as palavras de Makarov, confirmando que o único amor que experimentara fora o fraterno, realmente, e ainda assim de forma precária. Nunca interessara-se por nenhuma garota, na verdade, nunca tivera tempo e nem cabeça para tal.

– Eu realmente fico feliz que tenha me perguntado sobre isso, filho. O amor é uma dádiva dada por Deus a nós, pobres seres, para tornar a nossa vida menos difícil.

O frade levantara-se assim que percebera que Gajeel acabara sua refeição. Ambos os homens andavam para fora do refeitório, a Lockser estava sentada ao lado do poço que tinha nos fundos do mosteiro, havia bebido muita água, pelo que se percebia por sua camisa molhada na gola.

– Obrigado por sanar minhas dúvidas, frei.

– Que isso, garoto, pode me procurar quando quiser, não só quando vier comer com sua irmã. Mas, ei, cá entre nós. Quem é a sortuda? - frei Makarov sussurrara a última frase ao moreno, que se assustara tanto com a pergunta ao ponto de corar.

– Não existe nenhuma, frei, eu apenas quis saber por… Curiosidade. - mesmo que gaguejando, o Redfox respondeu o senhor franciscano, que ria-se do embaraço do rapaz.

– Sem problemas, quando tiver, quero que me apresente a garota. - Makarov piscara para Gajeel, que ainda estava corado. Logo já estava acenando aos irmãos, que se despediram brevemente do frade para retornar à sua tenda pegar seus instrumentos e irem apresentar-se na praça central da capital francesa.

Enquanto voltavam, Juvia rodopiava e girava em seu eixo, com os braços abertos ao lado do corpo. Por pior que tenha sido o período em que passaram naquela companhia circense decadente, a azulada admitia que sentia falta da corda bamba. Seus pés nunca seriam livres dos calos e solas ásperas que adquirira, mas a mulher não se importava mais. Era essencial ter pés resistentes, não bonitos.

Lembrava-se da tensão ao adentrar o picadeiro, o coração acelerado enquanto subia as escadas até a corda suspensa, a insegurança por demorar a achar o equilíbrio e, por consequência, cair em frente a uma grande plateia. No fim das contas, nada dera errado em nenhuma apresentação. Juvia havia se tornado competente em seu número graças ao treinamento que recebera de Minerva. Pensar em sua mãe adotiva lhe deixava melancólica. Fazia alguns dias que não tinha pesadelos sobre a morte da mesma, e agradecia por isso. Gostava de lembrar da mulher morena de olhos verdes e postura imponente em seu auge. Sorridente, orgulhosa, carinhosa… Além de todas as características que uma boa mãe deveria ter. Olhou para o irmão com o canto dos olhos, mas Gajeel estava tão distante quanto ela.

Juvia não sabia qual foi a natureza da conversa do Redfox com frei Makarov, e provavelmente não saberia tão cedo. O moreno não gostava de conversar sobre si mesmo, tampouco sobre seus problemas e, mesmo que a azulada fosse parecida com ele nesse ponto, não gostava de manter segredos entre si. Eram a única família que possuíam, vivendo uma vida miserável. Talvez devesse aceitar que seu relacionamento com o irmão seria assim para sempre, apenas esperava que não se distanciassem ainda mais.


Notas Finais


Eu gostei muito de poder explorar mais o cotidiano do Gajeel e da Juvia nesse capítulo, assim como da Levy.
Espero que tenham gostado, mais surpresas pro próximo capítulo, provavelmente um encontro GaLe (??) e revelações sobre como a Levy foi parar no convento, TALVEZ fique pra mais tarde, ainda não sei ;;

Até o próximo e agradeço desde já a compreensão <3


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