História Profundamente Retorcido - Capítulo 11


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Lu Han
Tags Baekhyun, Baekyeol, Chanbaek, Chanyeol, Chelsea Chu, Exo, Jesper Chu, Luhan, Yaoi
Exibições 903
Palavras 5.113
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá! :'D
Cheguei no dia limite de atualização, mas cheguei, amém? Amém!
Agora "PROFUNDAMENTE RETORCIDO" tem beta! ~gritos e aplausos para essa corajosa~ Deem muito amor a ~Jooheoney ( para os íntimos: Camila; para mim: Cammi u.u) então qualquer bronca, vocês podem ir até ela também hehe xD

E hoje é O dia dele: Park Chanyeol. Muita saúde, sucesso e - Baekhyun -, opa, felicidade para o dono do vírus da felicidade <3

E sem, mais, boa leitura ;)

Capítulo 11 - Admirável Mundo Novo


Em alguns dias de namoro, Chanyeol mostrou-se um grande fã de beijos. E não me refiro a “gostar de beijar”, mas sim aos momentos recorrentes de sempre me beijar quando ele vê uma oportunidade. E uma “oportunidade para me beijar” e “Baekhyun estando por perto”, parecem ter o mesmo significado para Chanyeol, que começou a demonstrar esse seu grande apreço pelo ato naquela mesma noite em que tivemos a nossa conversa definitiva.

E eu precisei de muito autocontrole para não me expor assim, tão imediatamente. Porque se Chanyeol não só aprecia, como também sabe muito bem como usufruir da arte do beijo; eu, por outro lado, tenho um fraco pela prática, onde bastou o Park brincar — de uma forma muito habilidosa e perversa — com a minha língua na sua boca ou vise versa, para que eu me sentisse quente por toda parte.

E gemer. Vergonhosamente gemer.

Foi um pouco constrangedor em como eu me ouvi gemer apenas tendo a boca ocupada pela a de Chanyeol, e foi quase descomunal a força que eu precisei fazer para me conter um pouco mais, e agir “normalmente”.

Depois de uma intensa e longa sessão de beijos, Chanyeol — muito relutantemente — concordou que deveríamos parar por ali já que os gêmeos ainda estavam acordados; e internamente, eu agradeci por meus pequenos serem obedientes a ponto de em nenhum momento, ao menos, espreitarem pela fresta da porta. Caso contrário, Chelsea e Jesper teriam visto um Baekhyun rendido e, literalmente, sendo moldado pelas mãos, braços e lábios de um Chanyeol, que para eles se tratava apenas de um amigo meu, e obviamente, não era uma cena de que eu gostaria de compartilhar com os meus irmãozinhos.

Não querendo abusar da sorte, eu tentei fugir de Chanyeol e sua boca habilidosamente pecaminosa, mas não tive muito sucesso. O grandão me laçou pela cintura e me jogou de volta ao sofá, onde me cobriu com seu corpo quase me esmagando de propósito e em seguida cobrindo mais uma vez, a sua boca com a minha. E Park Chanyeol é um filho da mãe, por me beijar de uma forma tão gostosa, tanto que eu só percebi que precisava de um intervalo quando o oxigênio se tornou extremamente necessário em meus pulmões que protestaram por alívio.

Depois de alguns resmungos, Chanyeol me libertara, saindo de cima de mim, e mais uma vez eu tentei fugir dele, acabando por entrar numa brincadeira boba de gato e rato onde nos divertimos por uns breves minutos, até eu me cansar e correr até a porta do quarto das crianças — momento este que fez Chanyeol sossegar imediatamente, e adotar uma postura que não o delatava em nada.

Eu, por outro lado...

Com um sorriso imenso e inevitável nos lábios, eu entrei no quarto das crianças que logo quiseram saber o motivo das minhas risadas. Resposta essa, que Chanyeol fez questão de gritar da sala ressaltando com diversão evidente, ser ele mesmo o próprio motivo, — coisa que me fez revirar os olhos, mas ainda assim rir sem discordar. Meus irmãozinhos, sem entender muito bem o que se passava diante deles, tornaram-se um pouco desconfiados. Seguraram-se um em cada perna minha, olhando o Park de soslaio. E foi desse modo que fomos até a cozinha, onde, enquanto eu preparava um lanche leve para os gêmeos, Chanyeol, de uma forma descontraída brincou com as duas crianças até que essas ficassem a vontade e brincassem de volta com ele.

E por mais que eu tenha me controlado para não me deixar comover com a cena que se desenrolava a minha frente, não consegui conter o sorriso ou a risada que ora ou outra soava acompanhando a dos três. E principalmente, não consegui impedir que meu coração se aquecesse repleto de contentamento, por ver que Chanyeol não agia de forma forçada para com as crianças, e em como elas se mostravam animadas e à vontade ao interagir com o meu ex-professor, — agora — namorado.

Foi como ver uma aparição do que eu sempre ansiei por ter, mas que ainda brinca na minha mente como apenas uma mera ilusão.

Querendo ou não, sendo real ou não, a partir do momento em que Park Chanyeol ouviu o meu “sim, eu aceito”, minha vida passou a estar entre as suas mãos.

Depois de alimentados, dente escovado e devidamente vestido para dormir, a pedido dele, reuniu os gêmeos junto a nós na sala, e foi então que veio o que se tornara o meu presente favorito: Chanyeol cantando ao som das cordas do violão que ele mesmo tocava.

Ed Sheeran nunca mais será apenas um cantor britânico para mim. A partir daquela noite, Chanyeol transformou — indiretamente — o cantor e suas belas melodias em uma coisa só nossa. As canções que entoavam através de sua bela voz, o dedilhar das cordas do violão, os seus olhares, os seus sorrisos direcionados a mim... Tudo isso sempre me lembrará uma declaração única e diferente vinda de Chanyeol. E com certeza, uma nova fase em minha vida.

E naquela mesma noite, depois que ele me ajudou a colocar os gêmeos já adormecidos na cama, o modo como me abraçou e me embalou num doce beijo, calmo, porém voraz, talvez, e só talvez, eu tenha baixado um pouco a minha guarda e deixado ele se aproximar de mim e me deixado levar pelos seus cuidados.

Talvez, e só talvez eu tenha me apaixonado um pouco por Park Chanyeol.

 

X – X – X

— Chanyeol — cutuco a costela do meu namorado, encarando-o com um pouco de mal humor. — Hey, acorda! — só para irritá-lo, debruço-me sobre ele depositando quase todo o meu peso sobre seu corpo.

— Hum, o que é? — ele resmunga, remexendo-se todo para me expulsar de cima dele.

Meu humor rapidamente melhora um pouquinho.

— Acorda! — meio que me jogo em cima de Chanyeol, contendo a risada que ameaça a escapar ao vislumbrar o pequeno vinco de irritação entre as suas sobrancelhas.

— Me deixa dormir, amor.

— De jeito nenhum, seu tarado! — Seu corpo todo treme em uma risada silenciosa, só atiçando mais a minha irritação por ter dormido tão mal, mais uma vez.

— Até parece que você não gosta dos meus beijos. — Ele diz. O convencido.

Em poucos dias de namoro, Chanyeol notara meu evidente fraco por beijos. Na noite em que nos rotulamos “namorados”, foi um custo conter todos os gemidos e a vontade de só me deixar levar pela avalanche de efeitos que um beijo muito bem dado causa — e Chanyeol é muito bom no assunto. E é vergonhoso como o meu namorado já sabe que basta o toque de suas mãos e os seus lábios em mim para me deixar entre a cruz e a espada, literalmente falando.

— Chanyeol, você precisa me deixar dormir. Ser acordado toda madrugada, não é legal. E você também precisa dormir.

— É só você me deixar dormir com você, assim eu não vou precisar invadir a sua cama no meio da madrugada só para roubar alguns beijos seus, e depois você me abraçar e acabarmos adormecendo.

Rio sem humor algum, sentando-me de maneira desajeitada ao lado dele, na minha cama.

— Chanyeol, é sério... acorda. Eu preciso dormir mais confortável e você está tomando mais da metade da minha cama. — Reclamo, empurrando-o de leve.

A verdade é que poderíamos dormir tranquilamente bem juntos, mas é impossível sendo uma cama de solteiro, Chanyeol sendo enorme e eu tendo a mania de dormir o mais espalhado possível pelo colchão.

— Eu também falo sério, Baekhyun. — Ele diz, bocejando e virando-se de peito para cima. Sonolento e com os cabelos bagunçados, ele me encara de uma maneira que me causa frio na barriga. — É sério, me deixa dormir com você.

— Nesse espaço minúsculo? — indico a cama de solteiro abaixo de nós.

Chanyeol me encara com uma sobrancelha arqueada, enquanto os seus dedos massageiam a lateral da minha coxa.

— Nem pense em comprar alguma coisa para a minha casa. — Digo com meu indicador em riste, falando extremamente sério. — Juro que te faço devolver seja lá o que for, Chanyeol.

Com a maior calma do mundo, o maior envolve meu dedo entre a sua palma, e me puxa em direção a ele, que um pouco relutante, vou ao seu encontro.

— Não precisa ficar bravo desse jeito, amor — ele me faz deitar com a cabeça sobre o seu peito, e logo, os seus dedos brincam por entre os meus fios de cabelo. — Eu não vou fazer nada que você não queira, lembra? — Suspiro mais calmo, me deixando levar pela carícia gostosa que o carinho do seu gesto e das suas palavras me provoca.

— Tudo bem, Chanyeol, me desculpe. — Digo por fim. Passo um braço por cima do seu peito abraçando-o, aconchegando-me mais próximo ao calor convidativo do seu corpo.

Seus dedos buscam o meu queixo, fazendo-me olhá-lo; e nem posso descrever o que sinto toda vez que me deixo mergulhar no mistério tão envolvente que são os olhos de Park Chanyeol. A única coisa que sei, é que uma onda de calor e ternura me envolve por completo e sempre. E mal posso conter a vontade que tenho de apenas me entregar de corpo e alma ao meu ex-professor.

Porém, o receio de ele ser uma decepção ou de eu decepcioná-lo está sempre aqui... rondando-me.

— O que foi? — ele pergunta, quando tomado por este último pensamento, eu desvio o olhar, levantando-me da cama.

— Não foi nada. — Digo, apanhando a toalha, e seguindo sem demora ao banheiro.

Pelo menos, é o que eu tento; porque Chanyeol num segundo se encontra parado a minha frente, impedindo qualquer passagem minha.

— Me diz o que está acontecendo. — Não é uma pergunta. Ele coloca ambas as mãos sobre os meus ombros, passando-me um conforto e uma segurança que é quase demais para mim.

— Nada com o que precise se preocupar. — Digo, forçando um sorriso. — É sério! — Digo em resposta ao seu olhar semicerrado.

Chanyeol expira; e num segundo aflição está estampada em sua expressão. Puxando-me pelo braço, ele nos leva de volta à minha cama, onde sentando-se na beira dela, ele me põe sobre o seu colo de modo que fica quase impossível não encará-lo tão de perto.

— Você ainda não entendeu, não é? — ele pergunta claramente frustrado. Seus dedos penteiam os meus cabelos para trás, tirando-os dos meus olhos. — Tudo a respeito de você me interessa, Baekhyun! Não importa o que seja, por favor, sempre me diga. É muito importante que nós mantenhamos o diálogo. — Ele diz, segurando-me pelos ombros e me dando leve sacudidas sempre que quer dar ênfase a algo que ele fala. — Eu quero que nós dêmos certo, e você? Você me quer?

Desvio o rosto, envergonhado.

— Não é que eu não te queira...

— Me responde! — ele me interrompe, aproximando mais o seu rosto do meu, fazendo quase nossos narizes se tocarem.

— Quero. — Respondo, um pouco de má vontade. Não era esse o rumo que eu queria que a conversa tivesse tomado. — É claro que eu te quero.

E um sorriso enorme se forma no rosto dele.

— Repete pra mim? Eu não ouvi muito bem. — Ele diz, indicando o próprio ouvido. Sua expressão é brincalhona.

— Não vai ouvir essas palavras tão cedo, senhor Park. — Digo sorrindo para ele.

Eu esperava que Chanyeol continuasse a nossa pequena brincadeira, mas o que acontece é totalmente diferente. Apertando a minha cintura com certa força, seus olhos se demoram mais que o necessário em minha boca, onde logo o seu polegar brinca forçando-se um pouco mais sobre a pele sensível.

— Diz de novo. Diz que você é meu. — Sorrio, entrando numa outra brincadeira. Nego com a cabeça, olhando-o de frente.

Devagar, acaricio a lateral do seu pescoço, descendo pela clavícula, e sem que Chanyeol espere, abaixo-me o suficiente para mordiscar o seu pomo de adão, arrancando-lhe um gemido de surpresa que soam como música para os meus ouvidos.

Sorrindo, volto a encará-lo. Sorriso esse que morre aos poucos no instante em que as suas mãos adentram a minha blusa, subindo e descendo pela pele das minhas costas, deixando-me inteiramente arrepiado.

Chanyeol deposita um beijo em meu pescoço, deixando que a ponta do seu nariz brinque um pouco por ali. Sua respiração quente contra a minha pele faz o tesão, aos poucos, aumentar a cada toque seu.

— Eu também te quero, Baekhyun. — Ouvi-lo sussurrar tão rente ao meu ouvido faz tudo abaixo do meu umbigo latejar. E quando voltamos a nos encarar, a minha respiração não é a única desregulada. — Muito! De um jeito que não sei explicar. — Diz ele, quase como se sentisse raiva disso, mas sei que é por não poder controlar esse sentimento. — Você está me deixando louco, garoto.

Mal capto o momento em que os meus lábios se chocam contra os dele num beijo faminto. Deitando-me por cima dele, e sem desgrudar sua boca da minha, Chanyeol nos envolve num mundo só nosso.

Coberto pelos lençóis é mais fácil distinguir o calor latente que nos envolve, e pela primeira vez, eu o guio numa dança rítmica que alterna entre o rápido e o lento movimento de nossos lábios, língua e dentes; e não demora muito para que o meu corpo sinta a necessidade que só roga por ir em frente e se prolongar de uma forma mais profunda e mais intensa.

E ao deixar que o meu corpo roce mais no de Chanyeol, e senti-lo tão necessitado quanto eu, torna tudo mais difícil, mais embaçado e mais quente. Nossas bocas se aprofundam mais no beijo, assim como as mãos de Chanyeol passeia por meu corpo deixando a inebriante sensação de queimação pelo caminho.

No instante em que ele aperta a minha bunda, forçando uma fricção mais forte entre as nossas ereções, o pensamento de livrá-lo de todas as roupas que me impede de estarmos em contato direto, invade-me a mente.

— Tira essa roupa, Chanyeol. Eu preciso sentir mais de você. — Peço, já erguendo a sua camisa.

— Baek oppa, você está doente? — Meu coração falta sair pela boca ao ouvir a voz de Chelsea tão próxima a nós.

POV CHANYEOL

O susto que Baekhyun me causa ao ouvir a voz da garotinha é tão grande, que só posso dar graças aos céus por não ter nenhum problema cardíaco.

Em um momento não tão distante, ele estava tentando tirar a minha blusa, e no outro o baixinho está longe de mim; tão próximo a parede que eu arrisco dizer que se pudesse, ele a atravessaria.

— Che-che-chelsea, bo-bom dia, bebê! — Ouvi-lo tão nervoso me fez querer rir.

Dobro um braço por debaixo da minha cabeça, bastante despreocupado com a situação. Afinal, nem ela e nem Jesper, que está ao seu lado estudando-nos atenciosamente, puderam ver qualquer coisa entre mim e Baekhyun, já que estávamos protegidos pelas cobertas.

— Bom dia. — Digo, fazendo questão de sorrir para os gêmeos.

Deitado com as costas coladas à parede, Baekhyun me chuta por debaixo dos lençóis, arrancando-me uma exclamação que logo se torna uma risada.

Só para brincar um pouco com o meu namorado, com a outra mão brinco com o cordão da calça que Baekhyun veste recebendo em troca um tapa estalado na mão, que só aumenta mais o sorriso em meu rosto.

— Bom dia, oppa — a garotinha o cumprimenta. Sua voz enrouquecida pelo desuso.

— Já faz tempo que está aí? — Baek aperta mais o lençol abaixo do seu pescoço, e eu aperto os meus olhos fechados tentando não gargalhar do quão adorável ele está todo corado.

— Não. — Ela me encara desconfiada, agarrada à sua Minnie de pelúcia. — Oppa, você está doente? — Chelsea volta a repetir, e Baekhyun a encara confuso.

— Não. Por que, princesa?

— Você estava gemendo, appa. — É Jesper quem responde.

Baekhyun abre a boca, mas não diz nada. Seu rosto adota uma vermelhidão mais intensa, e acho que ele ficou mudo.

Dessa vez não aguento, escondo-me de volta debaixo do lençol e caio numa risada silenciosa, deixando um ou outro ruído escapar.

— E por que o tio Park está dormindo com você, oppa?

— Ele não tem uma cama, appa?

Com tantas perguntas vindas das crianças e nenhuma resposta vinda do irmão delas, mais calmo eu emerjo dentre os tecidos, e tentando muito não rir do bico imenso nos lábios que Baekhyun dirige a mim, eu olho para os pingos de gente.

— Eu não tenho uma cama aqui, pingos de gente — digo, numa falsa tristeza — e parece que o irmão de vocês não gosta muito que eu durma com ele, então talvez eu demore a vir visitá-los.

— Não os chame dessa forma — ralha Baekhyun.

— Eu não me importo — diz Jesper.

— Nem eu — diz Chelsea, que dá de ombros. — Eu sou pequena.

— Eles não se importam. — Eu digo, ganhando outro chute por debaixo dos lençóis.

Bufando, Baekhyun passa por cima de mim sendo propositalmente descuidado e quase machucando o meu amiguinho com uma joelhada.

 Sorrindo, assisto Baekhyun sair do cômodo levando os gêmeos junto com ele. Com um suspiro, viro-me de peito para cima. Fitando o teto do quarto eu reflito sobre como me sinto tão... completo, agora que estou com ele. Vê-lo, ver-nos interagindo junto com as crianças é como ter uma família completa. Algo que eu não almejava até saber como era a vida do Byun.

Eu passei a imaginar vivendo tantas coisas diferentes, — nós quatro juntos —, que toda vez que vejo o quanto Baekhyun ainda é inseguro sobre mim, causa uma dor perturbadora no meu coração. Por mais que eu diga que não iria deixá-lo me afastar caso ele decida terminar comigo, eu deixaria. Porque só a ideia de ser desprezado por esse baixinho me dói até a alma.

Por motivos assim que procuro corrigir erros meus antes mesmo de cometê-los, mas principalmente, porque quero sempre dar o melhor de mim para Baekhyun. E pode ser que aos olhos do baixinho, ainda seja cedo, mas eu já tenho tantos planos nos envolvendo que um deles, o que mais me deixou inquieto, já está em seu estado final de conclusão em minha casa.

E agora, o que me resta é fazê-lo entender que estamos certos juntos. Que ele, Chelsea, Jesper e eu seremos felizes juntos.

X – X – X

POV BAEKHYUN

O olhar que Chanyeol e eu recebemos da senhora Souma foi além de constrangedor. Por mais que não tenhamos feito nada demais, ver Chanyeol com os cabelos molhados e bagunçados, ainda terminando de vestir-se adequadamente e saindo do meu quarto rendeu à senhora idosa bons e maliciosos pensamentos, pois o sorriso matreiro que ela me dirigiu dispensou qualquer comentário que a senhora tenha pensado em fazer.

E Chanyeol... ah, Chanyeol agiu todo galanteador para com a babá dos meus irmãozinhos, deixando-a corada e cheia de sorrisinhos para cima de nós.

— Eu preciso mudar de roupa antes de sairmos, tudo bem? — Chanyeol diz, dando-me um selinho nos lábios antes de se levantar da mesa, onde eu e as crianças ainda estávamos terminando de tomar nosso café da manhã.

— E você pode, por favor, me informar onde é que eu vou com você? — pergunto brincando com ele, que sorri largo.

— Vamos fazer um piquenique! — Chanyeol anuncia arrancando gritinhos animados das crianças, que pulam nele num abraço coletivo. — Vamos ver se um pouco de ar livre faz bem à sua cabecinha, amor. — Ele dá uma piscadela, bagunçando os meus cabelos.

— Está querendo dizer o quê exatamente, senhor Park? — indago, entrecerrando os olhos.

— Nada, amor. Só que acho que muito trabalho, estudos e tantas coisas mais estão desgastando você. Quem em perfeito juízo esquece que hoje é sábado? — Bufo, revirando os olhos.

— A culpa é toda sua, por não me deixar dormir bem. — Digo, fazendo questão de não olhá-lo.

— E eu pensando que era porque você não consegue parar de pensar em mim... — Chanyeol diz forçando um bico nos lábios, que eu acho até fofo e acabo rindo.

— É isso também, mas só esse tantinho aqui — quase encosto o meu indicador ao polegar deixando uma mínima distância entre os dois dedos.

— Ai — Chanyeol leva a mão ao peito esquerdo, bem em cima do coração forçando uma careta de dor. — Bem, crianças, me deixe ir logo antes que o irmão de vocês torne o meu ego do tamanho desse pensamento dele por mim.

As crianças, assim como eu, caíram na risada. Meus irmãozinhos pouco entendem da situação; eu, por outro lado, permaneço com um sorriso um pouco contido nos lábios, encarando a porta fechada por onde Chanyeol passou a pouco tempo, apreciando o calor gostoso que se apoderou do meu peito ao processar o que acabamos de fazer juntos.

E, sinceramente falando... espero ter muito mais disso.

X – X – X

— Hey, pingos de gente, vão com calma com esses doces — Chanyeol fala enquanto ele mesmo enfia na boca mais um pedaço de chocolate.

Um dos tantos, que para a felicidade de Chelsea e Jesper, ele — sob muitos dos meus protestos e manobras falhas — jogou dentro de um carrinho de supermercado durante as compras que fizemos a caminho do parque, onde agora estamos.

— Vou fazer questão de que eles gastem a energia deles movida a doce em exagero, com você. — Digo, de olhos fechados e deitado com a cabeça apoiada em seu colo, apreciando o calor brando do sol. — E só com você, Chanyeol.

Ouço a risada contagiante do meu namorado, depois as brincadeiras que Jesper e Chelsea trocam entre si. Chanyeol fizera questão de nos trazer para o parque mais distante da cidade, alegando que assim eu me sentiria mais à vontade estando em público com ele.

E Chanyeol acertou.

Porque, com certeza, eu estaria sempre em vigília se estivéssemos aos arredores de nossas casas e trabalho.

E também porque eu ainda não estou preparado para receber olhares julgadores por estar namorando o meu ex-professor.

— Baek oppa, já podemos ir brincar? — Pergunta a minha garotinha, olhando ansiosa para os brinquedos um pouco distante de onde estamos.

— Por favor, appa! — Jesper pede, juntando as mãozinhas e me lançando um olhar pidão.

Sento-me, cruzando as pernas, deixando que meu corpo se apoie ao lado do de Chanyeol, que logo passa um de seus braços por cima dos meus ombros.

— Só tenham cuidado para não se machucar, e cuidem um do outro, por favor! — Digo já para as costas dos gêmeos que mal deixaram eu terminar de falar, e saíram correndo de mãos dadas em direção aos brinquedos.

Com o olhar, fuzilo Chanyeol, que me olha assustado.

— Que foi? — ele pergunta confuso.

Aponto para os gêmeos.

— A culpa é toda sua! — acuso-o.

— O quê? Mas, por quê? O que eu fiz?

— Eles só ficam assim quando exageram no açúcar, e adivinha quem deixou? — pergunto, meio afirmo, acusador.

— Culpado. — Ele ergue as mãos em sinal de rendição, sorrindo meio sem graça. — Desculpa, amor. Foi só dessa vez, prometo.

— Acho bom, hein! — Dou-lhe uma cutucada na costela, fazendo- saltar no lugar, rindo em seguida.

— Por que você é tão mal comigo?

Começo a rir.

— Eu não sou mal com você, Chanyeol. — Digo, olhando os gêmeos brincando ao longe.

— É sim! Agora tudo é culpa minha.

— E não é, não? — Pergunto retoricamente.

— Não... é?

— É claro que sim! Se você ainda não percebeu, Park Chanyeol... — digo, passando um braço por trás de suas costas, num abraço desajeitado. — Desde que você entrou na minha vida, e principalmente, desde que se tornou o meu namorado, você tem sido uma distração constante para mim. — Sorrio singelo.

Chanyeol me encara daquele jeitinho sério e totalmente indecifrável por segundos que parecem longos minutos, sem dizer uma palavra. E ao contrário das vezes de quando éramos professor e aluno, em que o seu olhar e silêncio me deixavam tensos, agora, como namorados, essas duas ações mais que habituais de Chanyeol apenas me passam certa segurança. É uma forma muda, mas sincera dele de expressar o quanto sente de mais para pôr em palavras tantos sentimentos.

— Eu vou te beijar. — E ele me beija.

Embora o beijo seja lento e doce, — tanto pelo sabor do chocolate em sua boca, quanto por seu jeitinho carinhoso — é o suficiente para me deixar desejoso por mais, mas não o faço, pois em algum canto da minha consciência eu lembro de que estamos em um parque, e que mesmo que há poucas pessoas próximo à nós, não é todas que acharão “legal” ver dois homens trocando afeto.

E é o olhar recriminador de uma senhora, a primeira coisa que vejo ao abrir os olhos e me afastar de Chanyeol. Vidrado e com o estômago embrulhado vejo quando ela cochicha algo para o homem ao seu lado, que imediatamente olha em nossa direção, parecendo espantado. Como se tivesse visto algo assustador, ele agarra a mão da mulher e sai quase a arrastando para longe de nós.

— Apenas ignore. Eles não têm nada a ver conosco, Baekhyun. — Chanyeol diz, agarrando a minha mão. Mas tanto o que ele disse, quanto o seu toque, parecem demasiados longe para a curta distância que estamos um do outro.

— Eu quero ir pra casa. — Digo num fio de voz. Minha visão embaça, e só quando pisco é que me dou conta de que estou chorando. Rápido, enxugo as lágrimas para longe, mas elas não param de escorrer dos meus olhos.

— Calma, Baekhyun. Não fique assim, por favor. — Chanyeol pede, me puxando para um abraço que eu resisto, o empurrando para longe.

Não! — Contenho a vontade de berrar a minha vontade para ele, e apenas sibilo ainda assim alto o suficiente para atrair mais olhares curiosos para nós. — Eu quero ir embora, Chanyeol!

— Baekhyun, por favor...

Não! Me leva embora agora mesmo, ou eu vou sozinho. — Algo em minha expressão deixa Chanyeol receoso, e muito preocupado, senão assustado; e sem dizer mais nada, ele joga as coisas que trouxemos de qualquer jeito dentro da cesta, jogando com certa agressividade o resto dos alimentos numa lixeira não muito longe de nós, enquanto grita o nome dos gêmeos, que não demoram a vir correndo até nós.

X – X – X

— Você está triste, appa — diz Jesper, olhando-me com seus olhinhos atentos da sua cadeirinha de segurança no banco traseiro do carro.

— Algo aconteceu, oppa? Por que estamos voltando tão cedo do passeio? — pergunta Chelsea.

Forço um sorriso, olhando rapidamente para trás, para os gêmeos.

— Eu não estou triste. Só devo ter comido algo que me fez muito mal. — Minto.

— Você comeu doce demais? — Jesper estende a mãozinha para mim que a agarro, acariciando-a com meu polegar. — Quando a gente chegar em casa, eu vou dar remédio pra você, appa, e você vai sarar rapidinho. — Sorrio engolindo em seco.

— É, oppa. Não gostamos de ver nosso irmão triste e nem dodói. — Diz Chelsea, colocando a sua mão também por cima da minha e da de Jesper.

— Obrigado, crianças. Prometo que logo, logo essa dor passa. — Digo, ajeitando-me corretamente no banco ao lado de Chanyeol, que não dissera nada desde que saímos do parque.

Arrisco uma olhada em sua direção, mas tudo o que noto é a sua expressão indecifrável, e aquele vinco entre as sobrancelhas que denotam quando ele está mergulhado em algum pensamento muito sério.

— Será que você pode deixar as crianças com a babá por alguns minutos? — Chanyeol pergunta depois de muito tempo.

— Posso — respondo depois de um tempo pensando no que mais dizer.

— Ótimo.

* * *

— Você pode, por favor, me explicar o que foi aquilo lá no parque?

Dou uma risada soprada; nervoso, começo a brincar com o meu cinto de segurança.

— Não tem o que explicar, Chanyeol. Está mais do que óbvio o que aconteceu.

— Não para mim! — Ele diz, sentando-se de lado em seu banco.

Estamos dentro do seu carro, porque eu preferi não me afastar de casa, já que antes de sair eu havia dispensado a senhora Souma, e apenas a pedido de Chanyeol, eu a deixei olhando as crianças por alguns minutos que eu espero serem breves.

Não consigo respondê-lo, tampouco olhá-lo. A lembrança dos olhares daquelas pessoas sobre mim martela forte em minha cabeça, deixando-me enjoado.

— Você sentiu vergonha, foi isso? — ele pergunta, e eu posso jurar que a sua voz tão firme, agora, soara vagamente trêmula.

Exalo pela boca, tentando obter alguma calma. Tentando manter sob controle a queimação em meus olhos, e o nó em minha garganta que parece querer me sufocar.

Foi isso, Baekhyun? — seus dedos se fecham em meu queixo, obrigando-me a olhá-lo.

— SIM! — Grito, deixando que por fim, o nó em minha garganta se desfaça ao liberar mais das lágrimas que antes, eu havia contido. — Está contente agora, Chanyeol? Eu não queria falar isso, podíamos fingir que nada do que ocorreu no parque não aconteceu de verdade e ficaríamos bem, por que você...

— Eu não quero uma vida de fingimentos, Baekhyun. Eu pensei que já estivesse mais do que claro, que eu não quero fingir nada com você! É tudo ou nada! Você ficou assustado com aquelas pessoas? Ótimo! Bastava você me dizer, que eu providenciaria um jeito de irmos para outro local mais tranquilo. É tão difícil assim entender que eu te amo tanto a ponto de abrir mão de tudo por você? Será que é, realmente, tão difícil assim acreditar em mim? — Chanyeol respira descompassadamente, mas em nenhum momento ele altera a sua voz. Ele fala de um jeito tão seguro, como se fosse algo que estivesse o tempo todo ali, na minha frente, estampado para eu ver e rever quantas vezes fosse necessário.

Como se fosse mais do que óbvio.

— Me perdoe. — Digo depois de um tempo. Chanyeol mantém a cabeça deitada sobre o volante do carro. — Chanyeol?

— Está tudo bem, Baekhyun. Não há nada o que perdoar. — Ele diz, ajeitando-se sobre o banco.

— Então olha pra mim, e diz isso de novo. — E ele olha. E dói ver o quão magoado Chanyeol parece estar.

— Está tudo bem, okay? — Seus dedos tocam a minha bochecha e depois o meu pescoço, parando em minha nuca, que é por onde me puxa em direção à ele. — Eu te amo. — Sou totalmente surpreendido por Chanyeol. Mais uma vez.

— Está bem. — Um sorriso de lado surge em seus lábios, embora não alcancem os seus olhos, fazendo o meu coração arder.

— Vá para casa, e dê um beijo nas crianças por mim. — E dando um beijo em minha testa e depois na boca, Chanyeol abre a porta do carro atrás de mim, por onde eu logo saio.

Da calçada, fico observando o automóvel sumir pela curva da rua, deixando a sensação de vazio, para trás. A impressão de que eu deveria ter feito alguma coisa diferente dentro daquele carro.

A passos lentos, subo cada degrau da escada que me levará até o meu apartamento, sentindo cada vez mais o meu coração pesar; é quando eu ouço o derrapar de pneus sobre o asfalto.

Correndo, desço os degraus de volta ao térreo, e ao chegar à saída do prédio, não é Chanyeol quem eu encontro descendo de um Hyundai preto.

— Jongin?


Notas Finais


Ah meu Kaisoo <3333
Me sigam no twitter, vamos conversar (aquela carinha) @SOODELIGHT
CAMILA, OBRIGADA PELO APOIO/ AJUDA/ AMOR <3
Profundamente Retorcido está quaaase no final, faltam uns 3, 4 capítulos (eu acho). Um beijo e até logo.


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