História Profundamente Retorcido - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Lu Han
Tags Chanbaek, Chelsea Chu, Exo, Jesper Chu, Yaoi
Exibições 1.194
Palavras 4.943
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá!
ANTES TARDE DO QUE MAIS TARDE, né não?! :D
Dia das crianças, coisa mais colorida, não? Vocês aproveitaram? Eu espero que sim, eu aproveitei, por isso só estou postando agora, perdão.
Em dedicatória ao dia das crianças, hoje tem bastante Chelsea e Jesper <3
Espero que gostem!
Beijos e APROVEITEM A REVELAÇÃO. ;)

Capítulo 6 - Invasão


POV CHANYEOL

Um motivo conhecido apenas por mim, se trata de que Byun Baekhyun já havia se destacado para mim, bem antes de decidir me afrontar. Toda vez que eu o via, além da atração latente que eu senti assim que o vi pela primeira vez, eu passei a ansiar por ver a sua participação e atenção centrados em mim, porém não obtive nem uma coisa e nem outra. Apenas quando passei a repreendê-lo constantemente foi que os olhos do garoto vieram parar em mim, e ele enfim me notou, e ele foi audacioso e me surpreendeu, e eu desejei que fosse só pelo lado negativo de tudo, por me desrespeitar, mas não. Um lado meu, aquele que queria mais do que o aluno, gostou de tudo, apreciou o diferencial que o homem que depois de tanto tempo despertou atração e desejo em mim, causou. Mas claro, eu não podia deixar ele e nem ninguém perceber que a sua teimosia em fazer diferente, me agrada. Baehkyun me atrai tanto que passo a me irritar só de olhar para o amigo dele, o Luhan. É como se o resto das pessoas ao redor, sumisse assim que os dois se unem. E Baehkyun pode não ter notado, mas aquele a quem ele vê como seu melhor amigo, sente bem mais do que uma mera amizade por ele.

Além de nunca perder, eu raramente estou errado em algo. Como por exemplo, era de meu conhecimento que o Byun tinha um grande potencial a ser explorado. Ele só precisava estar disposto a me deixar entrar, e eu consegui. Apesar de ser péssimo aluno em minha matéria, eu conhecia o seu bom desempenho nas outras através dos meus colegas de trabalho, e tê-lo errando constantemente somente comigo, era inaceitável além de que me irritava profundamente. Um professor brilhante e muito bem sucedido como eu, obviamente, deve ter alunos brilhantes e à caminho de serem bem sucedidos. Então, o outro motivo é este. Eu exijo que Baekhyun se esforce comigo. Era inaceitável que ele desistisse. Por isso, o motivo do meu ultimato em tê-lo de volta às minhas aulas, e bem... mais uma vez, eu consegui o que eu desejei.

E já se foram duas semanas ensinando à ele, tirando as suas dúvidas e esclarecendo pontos e estratégias específicas para o seu melhor entendimento. Inicialmente ele se mostrou bastante receoso e nervoso. Mal falava, mal me olhava, e para que eu obtivesse alguma reposta referente aos estudos, eu precisei repetir ou falar em tom mais duro com ele. Primeiro, eu pensei que toda a sua falta de concentração era por motivo de medo de mim, — uma reação mais do que comum entre os meus alunos — entretanto, depois de três dias, eu consegui arrancar do Byun qual era o seu verdadeiro problema: a falta de dinheiro. Internamente, me recriminei por não ter cogitado a possibilidade. Já que era óbvio que o garoto não estava trabalhando, já que ele estava preenchendo as suas tardes tendo aulas comigo, quando deveria estar em um dos seus empregos, fora que ele já havia mencionado esse detalhe para mim.

Que grande idiota, eu fui em esquecer.

Olho para a tela da tv, onde eu antes assistia a algum filme, mas que agora, não faz sentido algum para mim. Minha mente o tempo todo teimando em divagar até o Byun, e em uma forma de poder ajudá-lo sem ser acusado de que estou sentindo compaixão, pena ou alguma coisa relacionado. Porque não é nada disso. Eu apenas, não vejo aquele garoto merecedor do peso de tantas responsabilidades. E sem mencionar, que ele necessita de tempo para estudar, e ele precisa manter uma bolsa de estudos.

Pensa, Chanyeol. Pensa!

O que você pode fazer para ajuda-lo?

Então a ideia me vem...

Porque eu não pensei nisso antes?

— Park Chanyeol, você é um gênio — digo à mim mesmo, comemorando dando um soco no ar.

X – X – X

POV BAEKHYUN

— Então, vocês se acertaram mesmo!  

Sim, hyung. E eu estou feliz, por estar tentando. Quero dizer... já estamos dando certo, mas ainda me sinto envergonhado pelos olhares que recebemos, e eu gosto dele, quero dizer, eu...

— Jongin! — Interrompo o meu primo, que já começava a se atrapalhar com as próprias palavras. — Calma! Respira. Está tudo bem. Vocês estão tentando, estão dando certo, já deram o passo inicial. Você está feliz, não está?

Muito feliz, hyung — ele responde deixando a felicidade transparecer em suas palavras, e não sorrir por isso se torna impossível.

— Então... é isso o que importa. Os outros são os outros, eles não tem nada haver com a vida de vocês dois, Jongin.

É o que o Kyungsoo vive dizendo. — Há um riso em sua voz, o que me deixa aliviado e contente por ver que meu primo e o homem que o salvou, estão juntos e dando mais do que certo juntos. — Nossa, hyung... eu estava um pouco receoso por você não aceitar.

— A sua sorte é que estamos em lados opostos da cidade, se não fosse isso, eu te daria uns bons tapas, garoto! — digo exasperado.

Desculpe.

— Eu acabo de dizer que os outros não tem nada haver com vocês, e você vem me dizer um asneira dessas... aish! — Digo, balançando a cabeça de um lado para o outro. — Isso serve para mim também!

Me desculpe.

— Esqueça isso — digo, num sopro.

Como estão as crianças?

Um largo sorriso se forma em meus lábios ao fitar Jesper e Chelsea sentados aos meus pés, enquanto montam juntos um quebra-cabeça.

— Eles estão bem. Mais espertos à cada dia, inteligentes, e mais lindos também — respondo-o, rabiscando mais um círculo ao redor de mais um anúncio de emprego, no jornal em meu colo.

Falou o pai coruja — Jongin diz, se desatando a rir.

— Isso! Vai brincando, achando graça... quando você tiver os seus, vai saber do que estou falando. E só para esclarecer, os seus priminhos são sim, tudo isso o que falei. — Respondo na defensiva, e um pouco corado, por Jongin estar certo. — Ah, Jongin, eles são os meus bebês, são o meu orgulho.

Eu sei, hyung. Estava brincando. Eu sei o quanto essas miniaturas de gente são o importantes pra você. E antes que prometa puxar a minha orelha, eu garanto-lhe que qualquer dia desses, vou vê-los. E só para esclarecer, eu não sei se um dia vou querer filhos.

— Acho bom mesmo, Jongin! Há tempos que aguardo essa visita. Aproveite e traga o seu namorado. E pode anotar o que estou dizendo... você vai sim, querer ter filhos!

Tem certeza que quer que eu leve o Kyungsoo? Não vai achar estranho? — Jongin indaga, com literalmente, um quilo de receio na voz.

— Eu vou fingir que não ouvi essas perguntas descabidas e sem sentindo algum, e apenas esperar que venham logo e de uma vez — digo, me esforçando muito para não xingar o meu primo.

Hyung!

— Cala a boca, Jongin! Você me irritou. E tchau! — e assim, encerro a ligação.

Inspiro e expiro profundamente, e sorrio. A felicidade de falar com meu primo, e saber das novidades e do quanto elas são boas, me trazem uma felicidade indescritíveis.

Meu celular volta a tocar, mas dessa vez é o alerta de uma nova mensagem.

Nini: “Por favor, não fique bravo comigo. É só que, é tudo muito novo para mim... Você me perdoa?”

Reviro os olhos. Não tenho dúvidas de que há um imenso bico nos lábios do meu primo.

Eu: “Não há o que perdoar, Nini. Está tudo bem. Fica tranquilo e aproveite a vida à dois. ;) E NÃO DEMORE A VIR NOS VISITAR!”

Começo a rir, ao imaginar o quanto enrubescido Jongin deve estar.

— Baek appa, faz bolo de chocolate?  — Jesper pede, assim que vê que já encerrei a ligação, arrancando de mim uma aflição, disfarçada de um sorriso.

— É oppa, faz bolo!

— Bolo? — pergunto, repassando rapidamente as coisas que temos na dispensa, e no quanto ainda tenho de dinheiro guardado, só para ter a absoluta certeza de que não temos o suficiente de nenhum dos dois.

Apenas o suficiente, que se resume em o salário da senhora Souma,  alguns complementos para que a nossa dispensa não fique totalmente vazia, e só. Por esse mês, ao menos, algumas contas ficarão quitadas em alguns dias de atrasado — é o que eu espero.

A senhora Souma sentada à nossa pequena mesa, não muito longe de onde estamos, ao ver a minha aflição, sorri compadecida e por mais que eu não goste desse tipo de olhar, eu resolvo aceitar, mas apenas dessa vez. A mulher levanta-se e dá-me uma piscadela — coisa que ameniza o meu humor.

— Quem quer ir ao super mercado comprar os ingredientes para o nosso bolo? — A senhora pergunta arrancando gritos e risadas das crianças, que nem pestanejam ao me dar um beijo, cada uma em um lado do meu rosto, e seguir a babá deles que sorri ao ver a alegria estampada nos rosto dos dois.

Quando a porta bate fechada atrás das crianças e a da senhora, eu me deixo deslizar pelo sofá, sufocando a vontade de gritar em frustração.

Há dias que não recebo nem uma ligação, para se quer uma entrevista, e isso, para mim, é pior do que receber uma resposta negativa de alguma vaga.

Olho mais vez em cada uma das cinco vagas pretendidas, e suspiro, lutando contra a tensão em meus ombros que só fazem tudo parecer mais pesado e lento de suportar e seguir em frente.

Uma olhada no relógio, me indica que já está quase na hora da minha “aula particular”. E em falar em aula particular, lembro de que agora ele sabe das minhas condições financeiras, e isso contribui para a minha vontade de gritar e não querer mais vê-lo.

— Ah se eu pudesse...

X – X – X

— Nenhuma novidade? — a voz de Park Chanyeol, me trás de volta à Terra, à minha vida e aos meus problemas.

Olho para ele, tentando processar uma resposta para a sua pergunta. Mas como estou — contra a minha vontade — mais distraído do que o normal, apenas consigo fazer uma careta para ele, que franze o cenho.

— Sobre as suas condições financeiras, Byun. Quero acreditar que essa sua desconcentração seja por esse motivo — meu professor completa, me encarando do mesmo modo de sempre. A diferença, é que agora que ele sabe, eu me sinto nu, literalmente nu, sempre que ele me olha.

O que acontece constantemente.

— Não, professor. Nenhuma novidade — respondo-o, desviando o olhar para a apostila postada a minha frente.

— Hum... — é o que o Park se limita a dizer.

Não sei se é porque ele prefere não se intrometer, — o que eu acho uma maravilha — ou meu professor, talvez esteja tramando algo.

Primeiro, porque Park Chanyeol não é um homem de poucas palavras, e ele anda se comportando um tanto estranho. E segundo, porque esse seu comportamento estranho, me deixa em alerta, e algo me diz que meu professor está tramando alguma coisa.

Alguma explicação deve haver para tudo isso.

Suspiro, encarando as letras que, aos poucos se tornam embaçadas.

 — Baekhyun, acho melhor ir para casa. Está me fazendo perder tempo aqui, com você — meu professor diz, e é nítido o quanto ele tenta controlar o tom da sua voz que já é naturalmente grave, para que ela não soe em tom repreensor.

— M-me desculpe, professor. É só cansaço — Digo, esticando os meus braços acima da minha cabeça. Entretanto, um longo e audível bocejo me escapa, e apenas quando ele acaba, é que vejo o olhar indecifrável do meu professor sobre mim. — Eu preciso estudar.

— Vá para casa! Do jeito que está, não vai conseguir aprender nada, hoje. — Ele diz de uma forma tão calma, que soa estranho. — E vê se tira um dia de folga. Você é um ser humano e não uma máquina! — E assim a “doçura”, se vai.

— Eu não mando no meu chefe, ele é quem manda em mim, Chanyeol — digo rindo, achando graça da sua súbita mudança de humor.

— Do que me chamou? — ele pergunta, inclinando a cabeça levemente para o lado.

Do que eu o chamei?...

— A-a-ah, professor, eu disse professor — aish, só era o que me faltava... chamá-lo pelo primeiro nome.

Chanyeol fica me encarando por um tempo que parece uma eternidade, me fazendo corar violentamente. Porém, mais uma vez, eu me vejo retribuindo-o, e tudo começa a esquentar, assim como a minha boca parece secar. E para piorar, Chanyeol tem a indecência de mordiscar o seu tão bem desenhado lábio inferior, e em seguida lambê-lo.

— Baekhyun...

— Professor... — o interrompo, me levantando e me afastando o máximo que me é permitido.

Respiro fundo, mas nada ajuda para estabilizar o meu coração, a minha mente, a minha respiração e esse frio esquisito na boca do estômago.

Quando viro-me de volta para olhar Chanyeol, ele continua me encarando da mesma forma que me deixa confuso. É uma mistura de sentimentos de uma só vez, que fica impossível para mim entender o que se passa na sua mente. O que os seus gestos, que um momento parecem querer me disciplinar, em outro querendo... o quê? Realmente não dá pra entender. Não enquanto ele se manter afastado, sem falar nada.

 — Eu acho que é melhor eu ir embora — digo, pegando a minha mochila, e jogando alguns dos meus pertences dentro, de qualquer jeito.

Chanyeol nada diz, e acho melhor assim. Não acredito que eu poderia entender alguma coisa agora.

Não do jeito que estou, com as ideias sem sentido misturadas aos meus problemas em geral.

Assim que chego a porta, meu celular começa a tocar, e rapidamente o tiro do bolso da minha calça, como se este fosse salvar a minha mente de algum possível colapso.

— Oi, meu amor. Aconteceu alguma coisa? — digo alarmado, assim que ouço a voz chorosa de Chelsea do outro lado da linha.

Baek oppa, hoje à noite o Olaf vai estar lá no parque de diversões, e eu quero muito, muito, muito ir... diz que vai levar a gente! Diz que vai! Por favor!

Por um instante acredito que meu coração tenha saído pela boca. Tanto que nem percebi quando me escorei contra a porta, e comecei a massagear meu peito numa tentativa ilusória de acalmar o meu coração. Só me dei conta desse pequeno fato, porque Chanyeol está parado bem perto de mim, com ambas as mãos a postos como se preparado para me aparar, caso eu desabe.

Detalhe que quase se concretiza.

Oppa! Ainda está aí?

— Chelsea... estou aqui. É só que, você me assustou, garota! Não faça mais isso — digo com a voz um pouco trêmula devido ao susto.

— Está tudo bem? Você está pálido, Byun — Chanyeol diz, dessa vez me tocando. Ele, praticamente, me arrasta até a cadeira que antes eu estava sentado.

— Olaf? O Olaf que... — Um copo com água é posto em minha mão. — Obrigado. — Sussurro para Chanyeol, que apenas assente com a cabeça e me presenteia com aquele sorriso lateral que me intriga tanto.

Que gosta de abraços quentinhos. — A garotinha completa, ao me interromper. — Vamos, oppa! Por favor.

— Ah claro... nós vamos, sim bebê. Daqui a poucos minutos estou aí. — depois de Chelsea repetir incontáveis vezes o quanto eu sou o melhor irmão do mundo inteiro, foi que encerrei a ligação. E foi também quando me senti mais calmo.

— Você não vai à lugar algum desse jeito.

— Ah bom — falo entre risos, achando nem tão engraçado assim o tom de ordem do meu professor.

Levanto-me da cadeira, só para ser empurrado de volta à ela. E para ser, praticamente, encurralado pelo Park, também. Com as mãos apoiadas em cada braço da cadeira, ele me impede duas vezes de levantar e sair correndo para longe dele.

Porque, sim. Park Chanyeol está começando a me assustar com essa mania de limitar perigosamente e repentinamente a distância entre nós.

— Estou falando sério, Byun! Você está pálido e tremendo. Está óbvio que não está se cuidando. Como acha que vai cuidar de duas crianças estando doente, hum?

E ele tem razão. Por mais que eu odeie, meu professor tem razão em tudo o que disse.

Mas não significa que eu vá acatar a sua “ordem”, porque não vou. Só me cuidarei mais. Apenas isso.

— Você está certo. Mas não vai me impedir de sair daqui — Chanyeol ergue uma sobrancelha, e seus olhos vagam perigosamente até os meus lábios, que num gesto impulsivo, é umedecido pela minha língua.

Uma de suas mãos vem até o meu rosto, mas não me tocam. Chanyeol permanece me encarando. Pedindo permissão com apenas um olhar.

Mas, permissão para o quê?

— Eu posso não te impedir de sair daqui, mas eu posso ir com você — ele diz, afastando-se de repente, me deixando totalmente desnorteado.

Meu professor enfia as mãos nos bolsos da calça, e com a cabeça meneia em direção à porta.

— Você vai o quê? — pergunto, me pondo em pé, sentindo as minhas pernas mais molhes do que antes.

— Se eu entendi direito, você vai levar alguém, à alguma lugar. E eu suponho que Chelsea seja a sua irmã... ou é a sua namorada?

— É claro que é a minha irmã! — respondo-o exasperado, porém me arrependo um pouco da rapidez com que revelei mais um detalhe da minha vida.

— Hummm... muito bem, então — E meu professor sai porta a fora, me deixando um tanto boquiaberto e um pouco mais estupefato com a satisfação estampada em suas feições.

Mas o que?...

X – X – X

Ando como se meus pés mal tocasse o chão, como se Park Chanyeol não estivesse subindo as escadas do meu apartamento bem atrás de mim.

Quão surreal isso pode ser?

Quero dizer... quais as possibilidades de um professor tão ocupado como ele diz ser, estar com um aluno fora da escola, e tratando de assuntos nada haver com estudos?

Possibilidades mínimas, se não, nulas.

E eu me pergunto... o que esperar de algo assim?

O que eu devo fazer?

Será que eu ligo para o Luhan? Isso! Vou ligar para o Luhan, ele vai saber o que me dizer. Eu só preciso...

— BAEK OPPA, VOCÊ CHEGOU! — Chelsea que está sentada ao sofá tentando fazer o laço em seu all star cor de rosa, grita assim que me vê. — JESPER, CORRE! O APPA CHEGOU! — Minha irmãzinha corre até mim com ambos os cadarços soltos fazendo o meu coração falhar uma ou duas batidas em temor por ela tropeçar. — Eu tava com saudade. — A garotinha diz, contra o meu pescoço.

— Eu também, bebê. — Dou-lhe um beijo na bochecha rosada. Coloco-a no chão, e me ocupo em fazer o laço em seus sapatos. — Cadê o seu irmão?

— Ele está se arrumando. Quem é ele, appa? — engulo em seco, e permaneço demorando um pouco mais nos cadarços. De soslaio, vejo o meu professor parado a soleira da porta.

Me apoio sobre os meus joelhos, ficando a altura dos olhos de Chelsea.

— Eu não demoro — com o meu indicador, toco ligeiramente na ponta do nariz da menina, fazendo-a franzi-lo graciosamente. Ela assente, sem desviar os olhinhos curiosos do homem parado as minhas costas.

— APPA! — Agora é a vez de Jesper correr ao meu encontro. E assim como a sua gêmea, ele só me dá tempo o suficiente para apará-lo no ar entre os meus braços. Num abraço apertado, e risadas incontidas e cheias de felicidade.

— Oi, bebê! Você está bem? — Indago, ainda o abraçando num embalo lento de um lado para o outro.

— Sim! Estou bem, appa. Quem é aquele? É seu amigo? Qual é o nome dele? — Pigarro, pondo o meu irmão no chão, resolvendo que não vou responder a nenhuma das suas perguntas, e nem de Chelsea. Não a respeito dele.

— Eu não demoro. Me esperem na sala — digo, quase alcançando a minha rota de fuga, vulgo o meu quarto.

A senhora Souma, sai do quarto das crianças, quase me fazendo esbarrar nela que se assusta comigo.

— Oh, desculpe — ela diz.

— Está tudo bem, só me dê um minuto e eu já saio com as...

— Oh! Quem é o seu amigo? — ela pergunta, e só então me atrevo a olhar para o meu professor, que permanece parado à porta. Ele parece meio perdido, com as mãos nos bolsos da calça, e olhando de mim para as crianças, mas mais para os gêmeos que sentados um ao lado do outro no sofá o encaram como se ele se tratasse de uma coisa de outro mundo.

— Não é...

— Eu me chamo Park Chanyeol — ele adentra o espaço, dando alguns poucos passos, não passando da mesinha de centro.

Chanyeol se curva para a senhora Souma, que para o meu torpor, enrubesce perante o homem que pela sua altura, a obriga olhar uns bons centímetros acima.

Antes que eu presencie mais alguma coisa surreal, entro as pressas no meu quarto. E é às pressas e com as mãos suando de nervosismo que ligo para Luhan.

***

Olá, aviso que cobro por hora, e hoje sou quem você quiser, baby — Luhan diz, aos risos assim que me atende.

Ignoro-o totalmente. Estou desesperado demais para lidar com isso agora.

— Luhan, me ajuda! Eu, e-eu não sei o que fazer. Park Chanyeol está no meio da minha sala, assustando as crianças e fazendo senhoras de idade enrubescerem. ME AJUDA! O que eu faço? Mando ele embora? Invento uma desculpa? E que desculpa seria?

Meu amigo quase me deixa surdo ao dar uma risada mais do que escandalosa ao fone do celular.

— Você está brincando, certo? Porra Baek, e eu pensando que eu que pegava pesado nas brincadeiras...

— Eu não estou brincando, caralho!

— Ui! Falou palavrão, então a porra é séria. COMO ASSIM O PARK ESTÁ NA SUA CASA? — Luhan surta do outro lado da linha, me deixando mais nervoso ainda.

— Ele só se ofereceu para me ajudar, eu não estava me sentindo bem, então ele veio e... e agora eu não sei o que fazer.

— Ah meu amigo... você só se fode, hein!

— AH NÃO ME DIGA! — grito indignado com a inutilidade do meu amigo.

Luhan volta a rir, me deixando com vontade de chorar.

— Mas é verdade! — Ele fala, aos poucos ficando sério. — Baek, mande-o embora. Se já te ajudou, despacha. Ah não ser que...

— Nem comece!

— Okay... vai ter que lidar com isso sozinho, amigo.

— Ai, eu não sei porque eu te liguei — digo, choramingando.

— É porque você me ama, baby.

— Aish! Tchau — encerro a ligação, jogando o meu celular contra a minha cama.

X – X – X

— O senhor não precisa ficar, se não quiser — digo, sem olhá-lo.

Estamos lado a lado — numa distância segura — enquanto esperamos Chelsea e Jesper completarem as cinco rodadas mais do que lentas no mini trem.

— Eu quero e vou ficar.

— Mas... você é muito ocupado, porque está aqui? — dessa vez, o olho, e detesto a nossa diferença de altura.

— Eu estou ocupado agora.

— Ah não está, não.

— Eu me ocupo no que eu quero, Baekhyun. E estou um pouco perdido aqui, por estar acompanhado de dois pingos de gente, e é estranho ver toda essa euforia delas, mas não é ruim.

Sorrio feito bobo, pelo modo como ele se referiu às crianças. Mas é só. Ainda tenho muito o que entender.

— Mas porque?... — Indago, deixando propositalmente no ar a pergunta em questão. são tantos “porquês”, que o que ele me der, vou aceitar e tentar entender.

— Porque eu estou aqui? — Assinto com a cabeça. — Porque eu quero. — Ele responde, e dá de ombros voltando a olhar as crianças.

Respiro fundo.

— Não é suficiente pra mim. Isso não faz sentindo algum, professor...

Chanyeol. — Ele me interrompe. — Aqui fora, eu sou Chanyeol pra você. Não sou seu professor e você não é meu aluno. — Ele dita, e eu apenas meneio a cabeça concordando, mas ainda receoso.

— Chanyeol... — Murmuro o seu nome, gostando de como ele soa em minha boca. — Você não faz sentindo algum estando aqui.

— E por acaso isso é alguma lei que eu deva cumprir? — ele pergunta, abrindo um mínimo sorriso.

— Talvez para mim seja — Respondo sério, acabando com qualquer traço de humor do rosto de Chanyeol. — Chanyeol, você não está pensando em usar algo da minha própria vida contra mim mesmo, não é? Porque se for isso...

— Baekhyun... — Ele respira fundo, pondo-se de frente para mim, dando mais um passo quase cessando qualquer distância entre nós. — Eu não vejo outra forma de mostrar isso, e nem uma oportunidade melhor, então... eu, apenas quero. É só isso que eu sei, e agora, nesse momento, é tudo o que vai ter de mim. Passei tempo de mais te observando de longe, e agora que eu tive a oportunidade de me aproximar, eu não vou deixar passar. — Ele aproxima o seu rosto do meu. — Lide com isto. Vou comprar alguma coisa para os seus irmãos, me espere aqui. — E assim, sem perguntar “se pode”, ele se vai.

***

— Oppa, vamos na roda gigante? — Chelsea pede, já me puxando pela mão em direção ao brinquedo.

— Você sabe que não dá, meu anjo. Não podemos ir os três numa só cabine.

— Mas o senhor Páki pode ir com um de nós dois — Jesper sugere, arrancando vários sim de Chelsea que se agarra em minha mão, deixando claro quem vai com quem.

— Não. O senhor Park, já fez muito comprando essas guloseimas para vocês.

Chanyeol! — Meu professor me interrompe, me fulminando com o olhar. — E eu não fiz nada demais.

— O Chanyeol não pode — continuo, como se ele não houvesse dito nada além do seu nome.

— Mas porque? — Jesper pergunta, alternando o seus pequenos olhinhos brilhantes entre mim e Chanyeol que os encara com um sorriso lateral, com o qual eu já estou começando a me acostumar.

— Porque ele cresceu de mais — respondo a primeira coisa que me vem a mente.

E meu professor me surpreende totalmente ao gargalhar alto. Uma grave, alta e contagiante gargalhada.

Assim que ele se dá conta do que acabara de fazer, a típica seriedade aos poucos volta a se instalar em suas feições. Ele olha da roda gigante para as crianças, e vise versa.

— Vamos lá. Qual dos dois pingos de gente vai comigo? — ele pergunta, estendendo uma das mãos, e é Jesper quem a agarra.

X – X – X

Assim que me certifico, pela terceira vez de que os gêmeos estão dormindo, saio do quarto dos pequenos, tomando uma longa respiração para encarar o homem que insistiu estar conosco a noite quase inteira.

— Eles estão bem? — ele pergunta, entregando-me um panda enorme que ele ganhara para Chelsea, no tiro ao alvo. Minha pequena ficara chateada depois de ter perdido três vezes consecutivas no jogo, e foi aí que o Park decidiu jogar por ela, ganhando de primeira o urso que deixou os olhinhos da minha irmã, literalmente, como duas pequeninas estrelas brilhantes. E para Jesper, uma capa e máscara do Batman, que deixou o garotinho com um sorriso de orelha a orelha que só sumiu quando ele adormeceu.

— Sim, eles estão bem — digo sorrindo, ao relembrar a noite divertida que tivemos.

Chelsea e Jesper se divertiram como eu nunca havia visto em tempos. A quermesse viera em um ótimo momento, principalmente por eu estar de folga numa noite de sexta-feira e poder participar com meus irmãos um momento tão divertido como foi esta noite.

— Eu preciso dizer, Byun... não sei como você consegue — Chanyeol fala, sorrindo. Ele parece mais relaxado e à vontade do que eu, e duvido que algum aluno, já tenha visto.

E admito, é algo muito bonito de se ver.

— Com jeitinho, tudo dá certo — murmuro.

O aconchegante silêncio aos poucos se finda, e para pôr um fim ao olhar constante de Chanyeol sobre mim, eu desvio o olhar, pigarreando.

— Eu acho melhor você ir. Já está tarde — digo, fitando o chão entre nós.

— Tem razão. — Ele concorda tão fácil, que imediatamente o olho, espantado, fazendo-o rir. — Mas antes, eu preciso fazer algo. Estive me controlando a noite toda.

E sem mais uma palavra, Chanyeol atravessa a sala, suas mãos me mantém preso no lugar segurando-me pela nuca enquanto a sua boca me toma num beijo possessivo.

E seus lábios são macios, quentes e sabem como beijar alguém a ponto de levar a outro nível de necessidade.

Chanyeol explora a minha boca com habilidade, o aperto em minha nuca afrouxa assim que ele nota que eu não pretendo desistir. Uma de suas mãos aperta a minha cintura com força, me fazendo gemer entre o beijo, me obrigando a me afastar em busca de ar.

— Não sabe a quanto tempo eu venho desejando isso.

Você é louco! É o que eu penso em dizer, mas não passa disso; pensamentos.

Os lábios úmidos descem pelo meu pescoço deixando um rastro de saliva, e quando os seus dentes raspam contra a pele sensível e mais do que arrepiada, uma fisgada abaixo do meu umbigo quase me faz perder o controle totalmente.

— Chanyeol, para — digo, o empurrando pelo peito.

— Tem certeza? — ele pergunta, mas se afasta o suficiente para me sondar por completo.

— Tenho sim. Não podemos. Isso não faz sentido nenhum — falo para ele, deixando a minha total confusão estampadas em minha face.

Chanyeol assente, ele beija minha testa, depois os meus lábios, e se distancia quebrando qualquer tipo de contato físico.

—Tudo bem. Eu sei que deve estar sendo uma loucura para você, e está sendo para mim também, mas por motivos diferentes. — Ele sorri ao dizer esta última parte. — Mas vou respeitá-lo, e espero que com o tempo você possa me entender.

Engulo em seco, assentindo. Sentindo a minha mente em um turbilhão de sentimentos, pensamentos e a procura de algum raciocínio lógico para Park Chanyeol.

— Tudo bem — me limito a dizer.

— Quando estiver melhor, me liga. Precisamos conversar — ele fala, indo em direção à porta, saindo por ela, me deixando confuso, excitado e mais do que inquieto.


Notas Finais


KKKKKK
Não sei o que sentir, mas gostei da atitude Byun.
Beijos e até semana que vem, ou antes. ;)


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