História Proibido - Capítulo 22


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Personagens Originais
Tags Camren, Camren G!p
Exibições 339
Palavras 3.283
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Nudez, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 22 - Camila



    Nas últimas semanas, uma mudança extraordinária parece ter ocorrido. De repente, todo mundo parece muito mais feliz, muito mais à vontade. Chris começa a se comportar como um ser humano civilizado. Lauren faz dezoito anos – vamos todos ao Burger King para comemorar, e Sofia e eu fazemos um bolo delicioso, embora saia meio torto. Mamãe não se digna sequer a telefonar. O esquema de matar aula de vez em quando permite que Lauren e eu tenhamos algum tempo para nós mesmas, tempo para desbravar a montanha de coisas que já deviam ter sido feitas há séculos: idas ao médico, ao dentista, ao cabeleireiro. Lauren ajuda Chris ajuda a consertar a bicicleta e finalmente recebe dinheiro o bastante de mamãe para comprar novos uniformes e pagar algumas das contas vencidas. Juntos, fazemos uma faxina geral nos dois andares da casa, elaboramos um novo conjunto de regras domésticas para incentivar as crianças a assumir responsabilidades, mas, principalmente, arranjamos tempo para fazer coisas em família – brincar no parque, jogar à mesa da cozinha. Agora que Lauren e eu passamos as noites juntas e matamos aula sempre que as coisas começam a ficar estressantes demais, o tempo que passamos a sós não é mais tão limitado, e brincar com as crianças se tornou tão importante quanto cuidar delas.
   Mamãe vem “dar uma olhada em nós” de tempos em tempos, raramente ficando mais do que uma ou duas noites, e de má vontade nos dá a quantia que, sabe-se lá como, deve durar uma semana, uma expressão ressentida ao tirar da bolsa o talão de cheques para pagar as contas que Lauren põe na sua frente.
   Muito da sua raiva se deve ao fato de que Lauren e eu nos recusamos a largar os estudos para trabalhar, mas há um motivo mais profundo também. Ela ainda é obrigada a sustentar uma família de que não faz mais parte – de que escolheu não fazer mais parte. Mas, salvo do ponto de vista financeiro, nenhum de nós espera mais coisa alguma dela, de modo que ninguém se decepciona. Taylor e Sofia não correm mais para recebê-la, nem imploram por alguns minutos do seu tempo.
   Lauren já está começando a procurar um emprego para depois do A-Level. Na universidade, insiste, vai poder trabalhar em meio expediente para não termos mais que ficar mendigando dinheiro para mamãe. Como família, agora estamos completos.
   Mas eu vivo em função da noite. Acariciar Lauren, sentir cada parte do seu corpo, excitá-la apenas com o toque de minha mão, tudo isso me faz querer mais.
– Você às vezes imagina como seria? – pergunto a ela. – Chegar realmente a…
– O tempo todo.
   Há um longo silêncio. Ela me beija, seus cílios fazendo cócegas no meu rosto.
– Eu também – sussurro.
– Um dia – arqueja ela baixinho, enquanto meus dedos passeiam pela sua coxa.
– Um dia…
   Mas, algumas noites, chegamos muito perto. Sinto o corpo torturado de desejo, e intuo a frustração de Lauren tão intensamente quanto a minha. Quando ela me beija com tanta força que quase chega a doer e seu corpo pulsa contra o meu, desesperado para ir mais longe, começo a ter medo de que dividindo a cama com ela todas as noites estejamos nos atormentando. Mas toda vez que conversamos sobre o assunto, sempre concordamos que preferimos mil vezes ficar juntas desse jeito a voltarmos para os nossos quartos e nunca tocarmos uma na outra.
   Na escola, quando observo Lauren sentada sozinha no alto da escada durante o recreio e ela olha para mim, o abismo entre nós parece enorme. Trocamos um aceno discreto e eu conto as horas até poder vê-la em casa. Sentada no muro baixo ao lado de Dinah, toda hora perco o fio da meada e começo a sonhar acordada com ela, até que um dia, para meu espanto, vejo que ela não está sozinha.
– Ah, meu Deus, com quem será que ela está falando? – interrompo Dinah no meio de uma frase.
Os olhos dela seguem a direção dos meus.
– Parece que é Normani, aquela menina que entrou na turma dela há pouco tempo. Acho que a família dela acabou de chegar da Irlanda. Ouvi dizer que ela é superinteligente, e está se candidatando a um monte de universidades… Você já deve tê-la visto por aí!
   Não, não vi, mas também, ao contrário de Dinah, não passo todo o tempo devorando com os olhos cada aluno do último ano.
– Caramba! – exclamo, a voz atônita. – Sobre o que você acha que elas estão conversando?
– Elas almoçaram juntos ontem – informa Dinah.
   Eu me viro para encará-la.
– Sério?
– Seríssimo. E quando passei por Lauren pelo corredor outro dia, nós batemos um papinho. – Ela escancara a boca de um jeito bem exagerado.
– O quê?
– Pois é! Em vez de passar batido por mim, fingindo que não tinha me visto, ela parou e me perguntou como eu estava.
   Sinto um sorriso de incredulidade se abrir no meu rosto.
– Viu só? Ela pode falar com as pessoas, sim. – Dinah solta um suspiro melancólico. – Talvez eu consiga finalmente convencê-la a sair comigo.
Torno a olhar para a escada, com um sorriso encantado.
– Ah, meu Deus… – Normani ainda está lá. Parece mostrar algo a Lauren no celular. Vejo Lauren fazer um gesto engraçado e Normani rir.
   Ainda em estado de choque, decido saltar no escuro e perguntar a Dinah uma coisa que venho querendo lhe perguntar há tempos.
– Olha só, eu andei pensando numa coisa… Você… acha que quaisquer duas pessoas, se verdadeiramente se amam, têm o direito de ficar juntas, não importando quem sejam?
   Dinah me olha como se achasse graça da pergunta, mas então percebe que estou falando sério e franze os olhos, pensativa.
– Claro, por que não?
– E se a religião delas proibir? E se os pais ficarem arrasados ou ameaçarem cortar relações, por exemplo, você acha que elas devem ir à luta mesmo assim?
– É claro – responde Dinah, dando de ombros. – A vida é delas, portanto têm o direito de escolher quem quiserem. Se os pais forem doidos o bastante para tentar impedi-las de se ver, elas podem fugir, casar em outro lugar.
– Mas e se fosse alguma coisa ainda mais difícil? – pergunto, refletindo intensamente. – E se fossem… sei lá… um professor e uma aluna?
   Os olhos de Dinah se arregalam e ela segura meu braço.
– Não brinca! Quem é? O Sr. Elliot? Ou aquele cara do Departamento de Informática?
   Rindo, balanço a cabeça.
– Não sou eu, sua boba! Estava só pensando hipoteticamente. Como nós estávamos falando na aula de história, aquele lance de a sociedade ter mudado tanto nos últimos cinquenta anos…
– Ah. – O rosto de Dinah é o retrato da decepção.
   Olho para ela, bufando.
– O Sr. Elliot? Está brincando? Ele deve ter uns sessenta anos!
– Pois eu acho que ele tem o seu charme!
   Reviro os olhos.
– Porque você é doida. Mas falando sério. Hipoteticamente…
Dinah solta um longo suspiro.
– Bom, antes de mais nada, eles deveriam esperar até que a menina tivesse idade para transar do ponto de vista legal…
– Mas e se já tivesse? E se tivesse dezesseis anos e o cara quarenta e poucos? Eles deveriam fugir? Seria certo fazer isso?
– Bom, o cara perderia o emprego e os pais da menina ficariam péssimos, por isso seria melhor para eles ficar na moita durante uns anos. E depois, quando ela já tivesse uns dezenove, por aí, já nem seria mais nenhum bicho de sete cabeças! – Ela dá de ombros. – Taí, acho que seria maneiro sair com um professor. Imagina só, durante a aula, daria pra…
   Paro de prestar atenção ao que ela diz e respiro fundo, frustrada. Não há nada, percebo de repente, absolutamente nada que possa se comparar à nossa situação.
– Quer dizer então que nada mais é tabu? – interrompo-a. – Você está dizendo que não existem duas pessoas que, desde que se amem, devam ser forçadas a se separar?
Dinah reflete por um momento, e então dá de ombros.
– Acho que não. Pelo menos, não aqui, graças a Deus. A gente tem sorte por viver num país bastante liberal. Desde que uma das pessoas não esteja forçando a outra, acho que qualquer amor é permitido.
   Qualquer amor. Dinah não é nada boba. E no entanto, o único tipo de amor que jamais será permitido nem sequer passou pela sua cabeça. O único que é tão repulsivo e inaceitável que nem é mencionado numa conversa sobre relacionamentos proibidos.
   Não consigo parar de pensar na conversa durante as semanas seguintes. Embora não tenha a menor intenção de jamais contar nosso segredo a alguém, não posso deixar de me perguntar qual seria a reação de Dinah se descobrisse. Ela é uma menina inteligente, com uma cabeça muito aberta e um lado meio rebelde. Apesar da afirmação ousada de que nenhum amor é errado, desconfio seriamente que ficaria tão horrorizada quanto qualquer um se soubesse de minha relação com Lauren. Mas ela é sua irmã!, posso até ouvi-la exclamar. Como você pode ter coragem de fazer aquilo com o sua própria irmã? Que nojo! Meu Deus, Camila, você está doente, muito doente. Você precisa de ajuda. E o mais estranho é que uma parte de mim concorda. Sim, se Chris fosse mais velho e fosse com ele, seria nojento em último grau. A simples ideia é impensável. Nem quero imaginar. Chega a me dar náusea. Mas como explicar ao mundo exterior que Lauren e eu somos irmãs apenas por causa de um acidente biológico? Que nunca fomos irmãs na acepção da palavra, mas sempre parceiras, tendo que criar uma família real à medida que crescíamos? Como explicar que jamais senti Lauren como irmã e sim como algo muito, muito além disso – minha alma gêmea, minha melhor amiga, parte das próprias fibras do meu ser? Como explicar que essa situação, o amor que sentimos uma pela outra tudo que aos olhos da sociedade pode parecer doentio, pervertido e repulsivo –, para nós é totalmente natural, maravilhoso e…tão certo?
   À noite, depois que nos beijamos, aconchegamos e tocamos, ficamos deitadas conversando até tarde. Falamos sobre qualquer coisa, sobre todas as coisas: como as crianças estão indo, casos engraçados da escola, como nos sentimos em relação uma a outra. E como eu  vi na escada tendo uma conversa, discutimos essa nova faceta que ela parece ter descoberto. Embora ela tente diminuir a importância do fato, acaba confessando que fez uma espécie de amiga em Normani, que tomou a iniciativa de se aproximar porque ambas receberam ofertas da University College.
   Falar com os outros é algo que ela sempre evita, mas fico eufórica. O fato de ter criado um vínculo com alguém fora da família significa que ela pode criá-los, que vai haver outros, e que assim que ela for para a universidade vai finalmente conhecer pessoas com quem tem algo em comum. E na noite em que Lauren me diz que conseguiu ficar na frente da turma inteira na aula de inglês e ler uma redação em voz alta, solto um gritinho que tem que ser silenciado por um travesseiro.
– Por quê? – pergunto, ofegante, encantada. – Por quê? O que aconteceu? O que mudou?
– Eu andei pensando… no que você falou, que eu devia dar um passo de cada vez e… bom, principalmente que você achava que eu conseguiria.
– E como foi? – pergunto, fazendo um esforço para continuar sussurrando, olhando nos olhos que, mesmo à meia-luz, exibem um leve brilho de vitória.
– Horrível.
– Ah, Laur!
– Minhas mãos tremiam e eu gaguejava e as palavras na página de repente viraram um bolo de hieróglifos, mas, sei lá como, consegui ir até o fim. E quando terminei, algumas pessoas, e não eram só meninos, chegaram a aplaudir. – Ela solta uma curta exclamação de surpresa.
– Ora, é claro que tinham que aplaudir! Suas redações são maravilhosas!
– Também teve um cara… chamado Tyrese, que é até legal… ele veio falar comigo quando a aula acabou e disse alguma coisa sobre a redação, não sei o que exatamente, porque ainda estava meio surda de pavor – dá uma risada –, mas
deve ter sido vagamente elogioso, porque ganhei um tapinha nas costas.
– Está vendo? – digo com doçura. – Eles se sentiram inspirados pela sua redação! Não admira que sua professora estivesse querendo tanto que você lesse uma em voz alta. Você disse alguma coisa para o Tyrese?
– Acho que alguma coisa tipo assim ah-hum-tá-hã-valeu.–Lauren solta um bufo debochado.
Dou uma risada.
– Isso é ótimo! E da próxima vez você vai conseguir dar uma resposta um pouco mais coerente!
   Lauren sorri e se vira de lado, apoiando a cabeça na mão.
– Sabe, nos últimos tempos, mesmo quando você e eu não estamos juntas, às vezes eu penso que talvez consiga vencer esse troço, que um dia vou ser capaz de me tornar uma garota normal.
Dou um beijo na ponta do seu nariz.
– Você é uma garota normal, sua boba.
   Ela não responde, apenas começando a esfregar uma mecha de meus cabelos entre os dedos, pensativa.
– Às vezes eu me pergunto… – E se cala bruscamente, como se tivesse resolvido examinar meu cabelo com toda atenção.
– Às vezes você se pergunta…? – Inclino a cabeça e beijo o canto da sua boca.
– O que… eu faria sem você – conclui num sussurro, seu olhar evitando o meu.
– Iria dormir numa hora mais razoável, numa cama onde poderia rolar sem cair…
Ela ri baixinho no silêncio da noite.
– Ah sim, uma vida mais fácil sob tantos aspectos! Mamãe nunca devia ter engravidado tão depressa depois que me teve…
   Ela se cala. A piada deixa um clima pesado, a escuridão sugando o nosso bom humor à medida que a verdade nas entrelinhas fica clara.
   Depois de um longo silêncio, Lauren pergunta de repente:
– É óbvio que ela não nasceu para ter filhos, mas…não é que eu acredite em destino ou nada desse tipo, mas… e se nós estivéssemos predestinadas?
   Não respondo imediatamente, sem saber ao certo aonde ela quer chegar.
– Acho que o que estou tentando dizer é que talvez, o que parece ser uma situação horrível para milhares de crianças abandonadas, por causa do jeito como aconteceu com a gente, levou a uma coisa muito especial.
   Reflito sobre suas palavras por um momento.
– Você acha que, se nós tivéssemos tido pais convencionais, ou simplesmente pais, ainda assim teríamos nos apaixonado?
   Agora é ela quem fica em silêncio. O luar ilumina metade do seu rosto, banhando-a num brilho branco-prateado, a outra continuando imersa na sombra.
   Ela exibe aquele olhar distante que indica que está com a cabeça longe, ou refletindo seriamente sobre a minha especulação.
– Eu já me perguntei muitas vezes… – começa a dizer em voz baixa. Espero alguns momentos, e ela continua: – Muita gente afirma que as vítimas de abusos crescem e passam a cometê-los, por isso, para a maioria dos psicólogos, a negligência da nossa mãe, que é considerada uma forma de abuso, estaria diretamente associada ao nosso comportamento “anormal”, que eles também interpretariam como sendo abusivo.
– Abusivo? – exclamo, atônita. – Mas quem está abusando de quem? No abuso, há um agressor e uma vítima. Como nós poderíamos ser vistas ao mesmo tempo como as duas coisas?
   O brilho branco-azulado do luar ilumina o rosto de Lauren o suficiente para que eu veja sua expressão passar de pensativa a perturbada.
– Ora, Camila, basta pensar. Eu seria automaticamente vista como a agressora, e você como a vítima.
– Por quê?
– Porque eu tenho o pênis. Quantos casos de irmãs mais novas que abusaram sexualmente dos irmãos mais velhos você já viu nos jornais? Pensa bem: quantas estupradoras e pedófilas existem por aí?
– Mas isso é um absurdo! – exclamo. – Poderia ter sido eu a forçar você a ter um relacionamento sexual! Não fisicamente, mas sei lá, com suborno, chantagem, ameaças, o que for! Você está dizendo que mesmo que eu tivesse abusado de você, as pessoas ainda achariam que eu era a vítima só porque sou mulher, só porque não tenho um pênis, e sou um ano mais nova?
   Lauren balança a cabeça devagar, seus cabelos negros arrepiados no travesseiro.
– A menos que houvesse alguma evidência muito forte em contrário, uma admissão de culpa da sua parte, testemunhas ou algo desse tipo, achariam, sim.
– Mas isso é tão sexista, tão injusto!
– Concordo, mas as pessoas tendem a basear os julgamentos em generalizações, e embora às vezes a situação deva se inverter, imagino que seja bastante raro. Antes de mais nada, tem o aspecto físico da questão… Por isso não chega a ser tão espantoso assim que em situações como essa as pessoas pensem automaticamente que os homens são os culpados, principalmente se forem mais velhos.
   Encosto as pernas dobradas no estômago de Lauren e fico ruminando por algum tempo. Tudo isso parece tão errado. Mas ao mesmo tempo sei que também sou culpada dos mesmos preconceitos; sempre que escuto dizer que houve um estupro ou uma criança foi sequestrada, eu imediatamente penso no estupra dor, no pedófilo.
– Mas e se nenhuma das partes estiver sendo vítima de um abuso? – pergunto de repente. – Se for cem por cento consensual, como no nosso caso?
Ela solta um lento suspiro.
– Não sei. Ainda seria contra a lei. Ainda seria incesto. Mas não há muitas informações a respeito, porque pelo visto é algo que acontece muito, muito raramente…
   Paramos de conversar por um tempo. Por tanto tempo, na verdade, que começo a achar que Lauren pegou no sono. Mas quando viro a cabeça no travesseiro para descobrir, vejo que seus olhos estão bem abertos, fixos no teto, brilhantes e intensos.
– Lolo… – Viro de lado e passo os dedos pelo seu braço. – Quando você disse que não há muitas informações a respeito, o que quis dizer? Como você sabe?
   Ela está mordendo o lábio de novo. Ao meu lado, seu corpo parece tenso. Ela hesita por um momento, e então torna a se virar para mim.
– Eu… dei uma pesquisada na Internet… Só queria… Só queria… – Respira fundo antes de recomeçar. – Só queria saber em que pé nós estamos.
– Em relação a quê?
– À… lei.
– Para descobrir um jeito de mudarmos nossos nomes? De vivermos juntas?
   Ela esfrega o lábio, recusando-se a me olhar nos olhos, parecendo cada vez mais agitada e desconfortável.
– Que é? – pergunto em voz alta, começando a me assustar.
– Para ver o que aconteceria se fôssemos apanhadas.
– Apanhadas vivendo juntos? – pergunto, incrédula.
– Apanhadas… tendo uma relação…
– Transando?
– É.
– Por quem?
– Pela polícia.
   De repente começo a ter dificuldade para respirar, como se a traqueia estivesse se fechando. Sento bruscamente, os cabelos caindo no rosto.
– Olha só, Camila. Não é… Eu só queria checar… – Lauren se recosta na cabeceira da cama, lutando para encontrar palavras que me acalmem.
– Isso quer dizer que nós nunca vamos poder…?
– Não, não, não necessariamente – ela se apressa a dizer. – Só que não vai ser possível até as crianças crescerem e estarem seguras, e que mesmo nesse dia, vamos ter que tomar muito, muito cuidado.
– Eu sabia que era oficialmente ilegal – digo, desesperada. – Mas fumar maconha é ilegal, dirigir acima do limite de velocidade é ilegal, urinar em um lugar público é ilegal. Enfim, como a polícia poderia notar, e por que se importaria? Nós não estamos fazendo mal a ninguém, nem a nós mesmas! –Começo a ficar sem fôlego, mas estou determinada a expor meu ponto de vista. – E de todo modo, se nós chegássemos a ser apanhadas, o que a polícia poderia fazer? Multar a gente? – Solto uma risada nervosa. Por que Lauren está tentando me assustar desse jeito? Por que está levando tudo tão a sério, como se estivéssemos cometendo um crime real?
   Recostada na cabeceira da cama, Lauren me encara. Se não fosse pela expressão sofrida nos seus olhos, ela pareceria hilária, com aqueles cabelos todos em pé. Seu rosto irradia uma mistura de medo e desespero.
– Camila
– Lolo, o que é? Qual é o problema?
Ela sussurra:
– Se nós fôssemos descobertas, seríamos presas.



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