História Proibido - Capítulo 23


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Personagens Originais
Tags Camren, Camren G!p
Exibições 350
Palavras 2.777
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Nudez, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 23 - Lauren



   Felizmente estamos exaustas demais para continuarmos conversando sobre o assunto por muito mais tempo aquela noite. Antes de pegarmos no sono, no entanto, Camila quis saber mais detalhes: a que tipo de pena poderíamos ser condenadas, se a lei era diferente em outros países – mas só pude repetir o pouco que tinha apurado com minha pesquisa secreta na Internet. Na verdade, há pouquíssimas informações disponíveis sobre incesto consensual, embora não faltem artigos sobre o tipo não consensual, que parece ser o único que a maioria das pessoas conhece. Fiz uma busca extensiva de depoimentos, mas só encontrei dois que tivessem chegado ao domínio público – nenhum deles no Reino Unido, e ambos entre irmão e irmã separados ao nascer que se reencontraram em adultos.
   O assunto só volta a ser mencionado por alto no dia seguinte, para então ser abandonado de vez. Apesar de sua reação inicial, o choque e a indignação de Camila parecem ter se amenizado quando afirmei que a única informação jurídica que encontrei foi hipotética – em tese, sim, um casal acusado de incesto poderia ser condenado à prisão, mas isso raramente aconteceria caso se tratasse de dois adultos. Agora sou legalmente uma adulta, e Camila está quase lá, por isso não vamos ter que esperar muito mais. A polícia não sai por aí atrás desse tipo de coisa. Mesmo que alguma pessoa aleatória descobrisse – o que seria extremamente improvável –, por que tentaria mandar nos prender, ou nos processaria? Por nos odiar? Por estar em busca de algum tipo de vingança? E a menos que tivéssemos filhos biológicos – o que seria insano –, como alguém poderia reunir provas suficientes para sustentar uma acusação no tribunal? A pessoa teria que nos apanhar em flagrante, e mesmo nesse caso seria a palavra dela contra a nossa.
    Minha maior preocupação em relação ao futuro é como impedir que Chris, Taylor e Sofia sejam discriminados caso comecem a circular boatos de que eu e Camila estamos vivendo juntas e nunca nos relacionamos com pessoas do sexo oposto.
   Mas a essa altura eles já teriam suas próprias vidas, Camila e eu, espero, já teríamos ido embora e, se necessário, mudado nossos nomes através de uma escritura de declaração unilateral. Sim, nós poderíamos simplesmente mudar de nome e viver tão aberta e livremente quanto qualquer casal não casado. Sem termos que nos esconder, sem termos que ficar atrás de portas fechadas.
   Liberdade. E o direito de nos amarmos sem perseguições. Mas no momento Camila e eu temos é que estudar às pressas para as provas.
   Ficamos pasmas quando, sem mais nem menos, Chris se oferece para levar Taylor e Sofia ao cinema, para nos dar tempo de estudar. Em outra ocasião, ele as leva ao parque para jogar uma pelada. Desde a época daquela partida de buldogue na rua, ele parou de ficar me hostilizando, de bater as portas, de provocar as crianças e de tentar minar minha autoridade o tempo todo. Não chegou propriamente a se transformar num anjo da noite para o dia, mas parece não se sentir mais ameaçado pelo meu papel na família. É quase como se tivesse aceitado a mim e a Camila como seus pais substitutos. Não faço a menor ideia do que ocasionou essa mudança. Talvez ele tenha arranjado um grupo de amigos melhores na escola. Talvez esteja apenas amadurecendo. Mas, qualquer que seja a razão, ouso acreditar que Chris ealmente começou a virar a página.
   Uma noite ele desce as escadas correndo para jantar, brandindo um papel, triunfante:
– Vou participar de uma excursão com a minha turma quando as aulas acabarem! Yesss, yesss, yesss! – Faz uma careta para provocar as outras duas.
– Pra onde? – grita Sofia, excitada, como se também estivesse incluída.
– Ah! Que injustiça! – exclama Taylor, o rosto decepcionado.
– Aqui, rapidinho, você tem que assinar isso num vapt-vupt! – Chris acena com a folha acima do meu prato, enfiando a caneta na minha mão.
– Não sabia que o seu professor está esperando na porta!
Chris faz uma careta.
– Engraçadinha. Quer assinar esse troço logo de uma vez?
   Dou uma olhada na carta e fico meio baqueada ao ver o preço, na mesma hora pensando num jeito de descolar a quantia. Sustar o cheque da conta de telefone que só depositei ontem, comer feijão durante os próximos quinze dias, inventar para mamãe que estamos sem água corrente e pedir grana para chamar o bombeiro…
   Falsifico a assinatura de nossa mãe. Fico um pouco triste ao ver como Chris está delirando de excitação com a viagem; é só uma semana de atividades na Ilha de Wight, mas ele nunca foi mais longe do que Surrey.
– É no exterior! – diz ele para Taylor. – Nós vamos ter que tomar um navio! Vamos pra uma ilha no meio do oceano!
   Abro a boca para corrigir sua visão de uma ilha deserta cercada por palmeiras, para que ele não tenha uma amarga decepção, mas Camila olha para mim e balança sutilmente a cabeça. Ela tem razão. Chris não vai se decepcionar. Mesmo fria, chuvosa e barrenta, a Ilha de Wight vai parecer o paraíso para ele – e a um milhão de quilômetros de casa.
– O que vocês vão fazer lá? – pergunta Taylor, desolada, costas jogadas na cadeira, cutucando pedaços de frango com o garfo.
   Chris se esparrama na cadeira, lendo a carta recém-assinada:
– Canoagem, camping, rapel, corrida de orientação… – Sua voz se ergue com prazer crescente. – … equitação? – Tira as pernas da cadeira, plantando os pés no chão com um baque perplexo. – Eu não tinha visto isso. Yesss! Eu sempre quis andar a cavalo!
– Eu também! – exclama Taylor. – Por que não posso ir? Você pode levar irmãos?
– Vai ter cavalo! – Os olhos de Sofia estão arregalados de incredulidade.
– Por que a minha escola nunca leva a gente pra fazer excursões? – O lábio inferior de Taylor começa a tremer. – A vida é tão injusta.
   Não me lembro de já ter visto Chris tão animado. O único problema é seu medo de altura. É uma coisa que ele jamais admitiu, mas houve uma ocasião, para sempre gravada na minha memória, em que ele desmaiou na beira do trampolim mais alto e despencou inconsciente na piscina. E ainda no ano passado, teve uma vertigem e caiu quando tentava escalar um muro alto com os amigos. Ele nunca praticou rapel e, como sei que preferiria morrer a ficar só sentado assistindo aos colegas, resolvo dar uma palavra com o Sr. Wilson, o professor encarregado da excursão, tendo o cuidado de lhe pedir que Chris não seja excluído, só que um adulto fique de olho nele. Mesmo assim, continuo preocupado. As coisas com Chris estão indo bem, quase bem demais. Tenho medo de que a viagem fique aquém das suas expectativas; e ainda mais medo de que, com sua natureza inconsequente, ele sofra algum acidente. Então me lembro do que Camila disse sobre eu sempre pensar na pior hipótese, e me obrigo a tirar todas as preocupações da cabeça.
   No fim do trimestre, Camila e eu estamos exaustas de tanto ralar, e o feriadão da Páscoa se aproxima. Mal posso acreditar que em breve a escola vai ser uma coisa do passado. Salvo por algumas revisões depois do feriado, só faltam as provas, mais nada. Naturalmente, estou um pouco preocupada com elas, porque a localização da minha futura universidade pesa na balança, mas elas são a promessa de uma nova vida.
   Nunca tive tão poucas chances de ficar a sós com Camila, e eu a quero toda para mim, mesmo que só por um dia. Mas Chris vai viajar em cima da Páscoa, e vamos ter que arranjar uma brecha para fazer as revisões finais durante essas duas semanas, sem descuidar das crianças. Tenho a sensação de que nunca vamos ter uma chance de ficar realmente a sós. Depois de passar o dia na escola, brincar com as crianças a tarde inteira, fazer as tarefas domésticas correndo e então meter a cara nos livros durante horas, mal sobra tempo para mais do que uns beijos antes de dormirmos nos braços uma da outra. Sinto falta daquelas horas que tínhamos no fim de cada dia; sinto falta de acariciar cada parte do seu corpo, de sentir suas mãos nas minhas, de conversar até pegarmos no sono. E me sinto profundamente revoltada com o fato de que, só por considerarem nossa relação errada, todas essas horas de felicidade que poderíamos viver nos estão sendo roubadas, e somos obrigadas a ficar nos esgueirando pelos cantos, sempre com medo de sermos apanhadas.
   Estou louca para poder fazer até as menores coisas – dar a mão a ela a caminho da escola, um beijo de despedida no corredor antes de seguir cada uma para a sua sala, almoçar juntas, passar o recreio aconchegadas num banco ou nos beijando apaixonadamente atrás de algum dos prédios, correr para um abraço quando nos encontramos nos portões depois da última campainha. Todas as coisas que os outros casais na Belmont fazem naturalmente. Seus namoros provocam assombro e inveja nos alunos que ainda estão sozinhos, apesar do fato de raramente durarem mais do que algumas semanas, logo desfeitos por causa de alguma briguinha boba ou porque pintou uma candidata mais bonita no pedaço.
   Não sinto horror ou nojo dessas pessoas por serem frívolas e levianas. Vejo tantas relações superficiais ao meu redor, tantos caras que só estão interessados em sexo, em mais um troféu para a sua coleção de conquistas, antes de passar para a próxima. É difícil de entender por que alguém entra num relacionamento sem qualquer sentimento verdadeiro, substancial, e no entanto ninguém os julga por isso. Eles são “jovens”; estão “só se divertindo” e, é claro, se é o que querem, por que não fariam isso? Mas, nesse caso, por que é tão terrível assim que eu fique com a mulher que amo? Todo mundo tem o direito de fazer o que quiser, de expressar seu amor como bem entender, sem medo de assédio, ostracismo, perseguição ou mesmo a lei. Até relacionamentos emocionalmente violentos e adúlteros costumam ser tolerados, apesar do mal que causam aos outros. Na nossa sociedade progressiva e permissiva, todos esses tipos de “amor” daninhos e doentios são permitidos – mas não o nosso. Não consigo pensar em nenhum outro tipo de amor que seja tão unanimemente rejeitado, embora o nosso seja profundo, apaixonado, generoso e forte a tal ponto que uma separação forçada nos causaria uma dor intolerável. Estamos sendo punidas pelo mundo por uma única e simples razão: o fato de termos sido gerados pela mesma mulher.
   A raiva e a frustração me roem por dentro, embora eu tente controlá-las, embora procure me concentrar no dia em que Camila e eu finalmente vamos ser livres para viver juntas abertamente, livres para nos amarmos como qualquer casal. Às vezes, ainda pior do que vê-la a distância na escola é vê-la em casa, ao meu alcance, juntas mas separados, tão perto e tão longe. Ter que recolher a mão quando sinto o impulso de segurar a dela na mesa do jantar, tentar roçar nela “por acaso” só para sentir aquele arrepiozinho de prazer causado pelo contato com a sua pele. Olhar para o seu rosto quando ela lê para Sofia no sofá, desejar sentir seus cabelos, seu rosto, sua boca. Embora mal possa esperar que a Páscoa chegue, para poder passar cada minuto do dia com ela, sei que essa distância ínfima mas impenetrável entre nós vai ser uma tortura.
                                  ★ ★ ★
   

E então, faltando dias para o trimestre acabar, um milagre acontece. Camila acaba de falar ao telefone uma noite e volta para a mesa de jantar anunciando que Freddie e a irmãzinha convidaram Taylor e Sofia para passar o fim de semana na casa deles. A coincidência não poderia ser mais oportuna – no mesmo dia em que Chris vai viajar para a Ilha de Wight. Dois dias – dois dias inteirinhos de horas ininterruptas uma com a outra. Dois dias de liberdade...Disfarçadamente, Camila olha para mim com uma expressão de pura felicidade, e eu me sinto encher de euforia como um balão de hélio. Enquanto Taylor finge cair da cadeira de entusiasmo e Sofia bate com os sapatos embaixo do tampo da mesa, sinto vontade de dar pulos de alegria, de sair dançando pela sala.
– Uau. Quer dizer então que sábado nós três vamos cair fora – comenta Chris, quase pensativo, olhando primeiro para Camila, depois para mim. – Vão ficar só você e Camila presas em casa.
   Balanço a cabeça, dando de ombros, fazendo o possível para não deixar a euforia transparecer.
   Não temos chance de comemorar até Camila pôr Taylor e Sofia para dormir, mas assim que ela termina, volta correndo para a cozinha, onde estou agachada, esfregando a geladeira com uma esponja de aço.
– Nós merecemos tanto isso! – sussurra numa alegria quase histérica, segurando meus ombros e me dando uma sacudida.     Eu me endireito, rindo de sua expressão, seus olhos brilhando de entusiasmo. Largo a esponja e seco as mãos no jeans, enquanto ela passa os braços pelo meu pescoço e me puxa para si. Fechando os olhos, eu me perco em um beijo longo e apaixonado, afastando seus cabelos dos olhos. Ela começa a acariciar meu rosto, mas então se afasta bruscamente.
– Que foi? – pergunto, surpresa – Está todo mundo lá em cima…
– Eu ouvi alguma coisa. – Ela olha fixamente para a porta da cozinha, que por descuido deixamos aberta.
   Por um breve momento Camila e eu nos entreolhamos, alarmadas.      Então reconhecemos a batida distante da música de Chris e as vozes de Taylor e Sofia brigando no quarto acima de nós. Começamos a rir.
– Meu Deus, nós estamos com os nervos à flor da pele! – digo baixinho.
– Vai ser tão bom poder relaxar um pouco – diz Camila, suspirando. – Mesmo que seja só por dois dias. Esse clima de paranoia constante… com medo até de nossas mãos se roçarem!
– Dois dias de liberdade – sussurro, com um sorriso, puxando-a para mim.
   Quando o grande dia finalmente se aproxima, começo a contar as horas. Chris deve ir para a escola à hora de sempre, e vamos levar Taylor e Sofia para a casa dos amiguinhos pouco depois. Quando forem dez horas da manhã de sábado, vamos descartar os rótulos sem sentido de irmã e irmã e ficar livres, finalmente livres do vínculo que nos separa.
   Na noite de sexta, Chris já está pronto, suas sacolas enfileiradas cuidadosamente no corredor. Todo mundo está eufórico e eu me dou conta de que nos esquecemos de fazer a compra semanal e não há nada para comer em casa. Para meu espanto, Chris se oferece para ir ao mercado comprar alguma coisa para o jantar. Mas minha surpresa logo se transforma em aborrecimento quando ele volta com uma sacola cheia de batatas fritas, biscoitos, barras de chocolate, balas e sorvetes. Mas Camila só acha graça.
– É o fim do trimestre, a gente bem que podia comemorar um pouco! 

Meio de má vontade, concordo, e a noite logo descamba numa folia generalizada, nós cinco fazendo piquenique no carpete em frente à tv. A glicose de Taylor vai às estrelas e ela começa a saltar cambalhotas do sofá, enquanto Chris tenta provocar um pouso forçado, ficando na sua frente. Sofia quer participar, e começo a achar que alguém vai quebrar o pescoço, mas eles estão rindo tanto dos golpes de caratê de Chris que desisto de tentar pôr ordem na casa. De repente Chris tem a brilhante ideia de ir buscar os alto-falantes no sótão e improvisar um karaokê. Logo estamos todos espremidos no sofá, fazendo um esforço sobre-humano para não rir enquanto Sofia nos brinda com sua interpretação de “Mamma Mia”, errando a letra toda, mas cantando com tanta vontade que eu tenho certeza de que os vizinhos vão bater aqui em casa. A interpretação de Chris de “I Can Be” é impressionante, apesar dos palavrões, e Taylor continua pulando pela sala, correndo e se jogando com as mãos espalmadas nas paredes como uma bola de borracha.
   Às dez da noite, Sofia já desmaiou de exaustão no sofá. Levo-a no colo para a cama, enquanto Camila arrasta Taylor e seu pico de glicose para o banheiro. Esbarro com Chris no corredor e paro.
– Tudo pronto para amanhã? Tem tudo de que precisa?
– Yes! – responde ele com uma nota de satisfação, os olhos brilhantes.
– Chris, obrigada por essa noite – digo. – Você foi… enfim, muito legal.
   Por um momento ele parece não saber ao certo como responder ao elogio.
   Parece constrangido, mas então sorri.
– É, mas toma cuidado. Os artistas costumam cobrar cachê.
   Dou um empurrãozinho brincalhão nele e, quando ele sobe a escada com os enormes alto-falantes debaixo dos braços, percebo que a diferença de cinco anos entre nós já não parece tão descomunal assim.


Notas Finais


Vou postar o próximo capítulo ainda hoje, e na minha opinião é o melhor até agora.
Obs: só faltam 3 capítulos para o final.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...