História Proibido - Capítulo 24


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Personagens Originais
Tags Camren, Camren G!p
Exibições 359
Palavras 3.379
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Nudez, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Abram o spotify de vocês e procurem a música " Like i'm gonna lose you - Jasmine Thompson". Gente, tem que ser a versão dela.
VOU AVISAR A HORA PARA DAR PLAY, E DEIXEM NA OPÇÃO PARA FICAR REPETINDO.
Vai dar o clima certo.
Se não tiverem spotify tentem baixar pelo navegador.
Boa leitura.

Capítulo 24 - Camila



   Nunca vi Chris tão ansioso para ir à escola. Quem dera que fosse assim todos os dias, penso, abatida. Depois de devorar a torrada em três mordidas e engolir o suco em dois goles, ele pega o pacote com o lanche que Lauren lhe estende e vai depressa para o corredor a fim de apanhar o resto das coisas.    Quando volta com as sacolas, olho para ele em sua nova jaqueta cáqui, comprada especialmente para a ocasião, contrastando com o jeans esburacado de que se recusa a se desfazer e o suéter rasgado e grande demais, e sinto uma pontada de tristeza. Seu cabelo castanho está todo despenteado, e ele parece pálido das noites viradas em claro – magro, vulnerável, quase frágil.
– Lembrou de colocar o carregador do celular na mala? – pergunto.
– Lembrei, lembrei.
– Não esquece de dar uma ligada quando chegar, OK? – acrescenta Lauren. – E, de repente, no meio da semana também, só para a gente saber como você está.
– Tá legal, tá legal. – Ele cruza a alça de uma das sacolas no peito, pendurando a outra no ombro.
– Está com o dinheiro que eu te dei? – pergunta Lauren.
– Não, gastei.
Os olhos de Lauren se arregalam.
Chris dá um risinho debochado.
– Vocês todos são tão ingênuas!
– Muito engraçado. Mas não vai gastar com cigarros, ou vão te mandar direto para casa.
– Só se eu for pego! OK… fui! – grita antes que Lauren possa responder, avançando pelo corredor.
– Tchau! – diz Sofia de longe. – Vou sentir saudades!
– Me traz um presente! – grita Taylor, otimista.
– Divirta-se e comporte-se! – grita Lauren.
– E tome cuidado! – acrescento.
     A porta é batida, fazendo as paredes trepidarem. Dou uma espiada no relógio da cozinha, olho para Lauren e rio. Oito e meia: só pode ser um recorde. Menos um, penso, com expectativa crescente: só faltam dois.
   Depois de um café da manhã forçado, Taylor começa a pular de um lado para o outro, dizendo que não tem problema ser cedo demais, Freddie não vai se importar, a gente tem que ir! Sofia se refugia no meu colo, remexendo os sucrilhos já ressecados na tigela, dizendo que está em dúvida se passar uma noite inteira na casa de outra pessoa é uma ideia tão boa assim. Ainda mais porque ela tem medo de escuro, às vezes tem pesadelos, Susie pode não querer deixá-la mexer nos seus brinquedos e quatro quarteirões é muito longe se ela decidir voltar para casa de madrugada. Lauren dá as costas para a pia e nos olha com uma expressão de tamanho horror que não posso deixar de rir.
   Vou logo relembrando a Sofia das vantagens de passar a noite com uma amiga da escola que não apenas tem um jardim com uma casinha, como também ganhou um filhote de cachorro. Sofia se anima e de repente decide que na certa seu novo joguinho de chá vai ser muito útil, e então corre para o quarto a fim de incluí-lo na sacola de brinquedos. Assim que ela sai, Lauren se vira da pia com espuma até os cotovelos.
– E se ela mudar de ideia? – pergunta, preocupada. – Ela nunca dormiu fora antes. Poderia dar um piti de madrugada ou resolver voltar para casa assim que escurecer. Nós teríamos que ir buscá-la.
Caio na risada.
– Não se preocupe tanto, meu amor! Ela não vai fazer isso. Taylor vai estar lá, ela adora a Susie e tem um filhotinho de cachorro, pelo amor de Deus.
Ela balança a cabeça, com um lento sorriso.
– Tomara que você tenha razão. Se aquele telefone tocar, eu juro por Deus que vou arrancar da tomada…
– Você faria isso com a sua irmã de cinco anos? – exclamo, fingindo estar chocada.
– Por uma noite inteira sozinha com você? Eu a venderia para os ciganos, Camila!
Rindo, vou pegar uma coisa na mesa do corredor.
– Adivinha só o que eu consegui. – Estendo o punho para ela, bem-humorada.
   Lauren segura minha mão com delicadeza e desdobra os dedos.
– Uma chave?
– A chave de mamãe. Roubei do chaveiro dela quando deu um pulo aqui em casa no fim de semana passado para pegar umas roupas.
O rosto dela se ilumina.
– Uau, grande sacada!
– Concordo! É muito improvável que ela dê as caras, mas agora a gente sabe que mesmo que fizesse isso, não poderia entrar em casa!
– Que pena que a gente não pode impedi-la de entrar para sempre!
   Depois de deixar as crianças na casa de Freddie, corro como fazia quando pequena: eufórica, livre, veloz. Meus sapatos afundam nas poças de lama, respingando as pernas de salpicos imundos, levando umas senhoras de idade curvadas sob os guarda-chuvas a sair da frente depressa, me encarando, enquanto continuo em alta velocidade. O branco céu aguado abre as comportas, grossos cordões de chuva, um vento gelado fincando as farpas finas no meu rosto, espetando minha pele. Estou ensopada até os ossos, meu casaco se agitando aberto, a camisa quase transparente, a água escorrendo dos cabelos para as costas. Continuo correndo cada vez mais rápido. Sinto que estou prestes a ser levada pelo vento, elevada no ar como uma pipa, ora mergulhando, ora girando lá no alto, acima das árvores, rumo ao horizonte distante. Nunca me senti tão viva, transbordando de liberdade e alegria.
   Batendo a porta e correndo para a cozinha, levanto os braços.
– Uau. – Fico olhando para ela, a felicidade ameaçando estourar em mim como um jorro de bolhas efervescentes. –Não acredito. Eu literalmente não acredito. Pensei que esse momento nunca chegaria.
Lauren começa a rir.
– Que foi? – pergunto.
– Você está parecendo um rato afogado.
– Muito obrigada!
– Vem cá! – Ela contorna a mesa depressa e me segura pelo pulso. – Me beija!
   Rindo, inclino a cabeça, e ela leva as mãos quentes ao meu rosto.
– Ai, você está gelada! – Ela me dá um beijo leve, e então outro um pouco mais sério. Percebo que meu cabelo está pingando em cima dela.
– Me deixa trocar de roupa, então!
   Subo as escadas correndo para o meu quarto. Quando puxo a toalha de baixo de uma pilha de roupas, Lauren entra e se joga na minha cama, sentando com os joelhos no peito, as costas na cabeceira. Esfrego o cabelo e seco o rosto, e então tiro a saia encharcada, tentando abrir o botão mais alto com uma das mãos enquanto me curvo para procurar uma calça jeans com a outra. Não consigo encontrá-la, e percebo que o botão está preso. Com um suspiro irritado, começo a puxá-lo com as unhas.
   Vejo com o canto do olho Lauren se levantar e se aproximar.
– Argh, você é ainda mais desajeitada do que a Taylor!
– É porque está molhado! Acho que a porcaria dessa camisa encolheu na chuva, ou sei lá o quê.
– Calma lá, calma lá… – Suas mãos quentes roçam as minhas, puxando com delicadeza o tecido encharcado. Tiritando, solto os braços e sinto seu cabelo fazer cócegas na minha testa quando ela se inclina para mim, cabeça baixa, o fôlego quente no meu rosto. Seus olhos estão franzidos de concentração, enquanto, sob seus dedos insistentes, o botão começa finalmente a afrouxar. Ela continua a remexê-lo, cabeça ainda curva, e eu sinto sua respiração acelerar, o calor
irradiando do seu rosto. O botão de cima se abre e, sem levantar os olhos, ela começa a abrir o próximo.
   Não me mexo, consciente de que nenhum de nós fala há vários segundos. Uma tensão estranha parece encher o espaço como um pensamento não revelado pairando entre nós. Lauren está determinada a abrir minha camisa, mas parece não acertar, as mãos trêmulas. Observo seu rosto com cuidado, imaginando se estará pensando o mesmo que eu. Quando ela chega ao terceiro botão, a camisa se abre, revelando o alto do sutiã. Ouço a respiração de Lauren acelerar enquanto ela continua a descer em silêncio, concentrada na tarefa. A beira de sua mão roça o alto do meu seio; ela está abrindo o último botão, e tenho consciência do rápido sobe e desce do meu peito, o toque dos seus dedos através do tecido fino e molhado arrepiando a minha pele. A camisa se abre, e ela a puxa pelos meus ombros, deixando-a cair no carpete. Quando está prestes a tocar meu sutiã, ela para de repente, uma das mãos acima dos meus seios, e basta esse único momento de hesitação para que eu entenda.
– Tudo bem – sussurro, minha voz subitamente fraca. – Eu quero.

[Dêem play na música que eu falei no começo]

   Os olhos dela voam nervosos para os meus, o sangue quente nas faces, sua expressão uma mistura de medo e desejo.
– Tem certeza?
– Absoluta!
   Lágrimas e risos redemoinham dentro de mim. Roço o rosto no dela com tanta delicadeza que sua pele parece as asas de uma borboleta. Fecho os olhos e passo os lábios de leve pelo seu rosto, mal o tocando, de modo que minha boca inteira começa a formigar. Ela também fecha os olhos, respirando fundo e soltando o ar muito lentamente. Meus lábios seguem uma trilha pelo seu pescoço até a reentrância sob a clavícula. Seus dedos se apertam ao redor dos meus e ela prende a respiração. Levantando a cabeça, beijo de leve o canto da sua boca antes de passar para o rosto. Sua boca segue a minha e eu a provoco, não permitindo que nossos lábios se encontrem, até que seu fôlego fica mais rápido e ela solta minha mão para segurar meu rosto, puxando minha boca para a sua. Finalmente começamos a nos beijar – beijos macios, suaves, levíssimos. Arrepios de prazer correm pelo meu corpo inteiro, e sua mão treme no meu rosto. Sua respiração se aprofunda, ela quer me beijar com mais força, mas eu resisto, tentando prolongar o momento o máximo possível. Ela toca meu rosto, passa os dedos pela face, e continuamos nossos pequenos beijos leves como plumas, pele contra pele, tão quentes, tão suaves, até que ela cruza os braços por minhas costas e abre o sutiã.
   Ela acaricia os meus seios com dedos trêmulos, rodeando os mamilos, meu corpo inteiro se arrepiando de excitação. Olhos fixos, testa franzida, ela parece estar prendendo a respiração. Então, de repente ela solta um pequeno gemido, o ar saindo de seus pulmões como um jorro. Com gestos inseguros, pego a barra de sua camisa. Como ela não reclama, puxo-a com delicadeza pela sua cabeça. Quando ela reaparece, cabelos desgrenhados, passa as pontas dos dedos pela minha pele, beijando meus seios. Desabotoo sua calça jeans e ela respira com força, o corpo imediatamente se contraindo quando o toco. Seu hálito é quente e úmido, a respiração rápida no meu rosto, e ela procura minha boca, me beijando ainda com mais força. Quando me puxa para perto, um tremor forte percorre seu corpo, passando para o meu. Seus braços me enlaçam com força, e o calor dos seus seios apertando os meus quase me faz gritar. Ela está beijando meu pescoço, meus ombros, meus mamilos, se interrompendo para respirar em pausas curtas, as mãos nos meus seios, meu estômago, dentro da minha calcinha, puxando-a pelas pernas. Termino de tirá-las, e então ficamos totalmente nuas, pela primeira vez em plena luz do dia.
   Como é maravilhoso ficarmos assim, juntas, com a porta aberta, a janela aberta, as cortinas esvoaçando na brisa! As nuvens de chuva se foram e o sol saiu, e tudo no meu quarto parece branco e brilhante. Lauren tem o reflexo de tatear a maçaneta, mas então para, rindo. E de repente é como se toda a alegria e a felicidade do mundo estivessem aqui, bem aqui, entre nós, nesse quarto. Nosso amor, nosso primeiro gostinho de liberdade – até o sol parece irradiar a sua bênção –, e eu finalmente sentindo que tudo entre nós vai dar certo. Não vamos ter que nos esconder para sempre: as pessoas vão aceitar, vão ter que aceitar.
   Quando virem o quanto nos amamos, quando perceberem que sempre estivemos destinadas a ficar juntas, quando compreenderem como estamos felizes – como poderão nos rejeitar? Foram todas as nossas lutas que nos permitiram chegar a esse momento, esse momento perfeito – finalmente nos abraçarmos, nos tocarmos, nos beijarmos sem medo de sermos apanhadas, sem culpa ou vergonha – compartilhar nossos corpos, nossos seres, cada parte de nossas almas.
   Ela me segue até a cama, deitando ao meu lado e continuando a me beijar, acariciando meus mamilos com as pontas dos dedos, lambendo meu pescoço. Toco no seu pênis, mas ela afasta minha mão, respirando com força.
– Espera… – Olha para mim, seu corpo retesado junto ao meu irradiando energia como um fio de alta tensão. – Camila, você… tem certeza?
   Faço que sim devagar, começando a sentir uma pontinha de medo.
– Vai doer?
– Se doer, a gente… a gente para. Basta falar que eu paro. Vou ser super-cuidadosa, prometo…
O fervor do seu tom me faz sorrir.
– Mas só se você tiver certeza… – Suas mãos parecem garras em volta dos meus pulsos, ainda tentando me impedir de tocá-la.
   Respiro fundo, como se me preparasse para saltar num abismo.
– Tenho. Absoluta.
   Nossos olhos se fixam, selando um acordo silencioso, e em seu rosto vejo meu próprio medo e desejo refletidos.
– Você se lembrou de comprar…
– Lembrei. – Ela se levanta depressa e sai do quarto.
   Momentos depois, volta com o pacotinho na mão. Sinto um tremor de pânico no coração. Sem uma palavra, Lauren senta de costas para mim e começa a rasgar a embalagem de papel metalizado roxo. Recostada nos travesseiros, eu me cubro com o edredom. Meu coração martela no peito. Não posso acreditar que vamos mesmo fazer isso. Observo a curva lisa e branca da sua espinha, os ângulos agudos das espáduas, o tórax se expandindo e se contraindo depressa, os músculos dos braços se retesando enquanto suas mãos continuam ocupadas entre as pernas.
   Noto que ela está tremendo.
   Finalmente ela se vira para mim, a respiração curta e rápida. Eu me inclino para beijá-la e nós nos deitamos, sua boca feroz e urgente na minha. Dessa vez ela está em cima de mim, apoiada sobre os cotovelos, esfregando o rosto no meu.
   Passo as mãos pelo sua barriga e a sinto estremecer. Hesitante, afasto as pernas e dobro os joelhos. Sinto uma cutucada na minha coxa.
– Mais para cima – sussurro.
   Agora ela parou de me beijar, seu rosto centímetros acima do meu, um vinco de concentração entre as sobrancelhas enquanto ela se remexe ligeiramente, tentando encontrar o lugar certo. Depois de várias tentativas, ela se inclina de lado e tenta guiar sua virilidade com a mão. Seus dedos esbarram na minha perna.
– Me ajuda – sussurra ela.
   Levo a mão à sua e, depois do que parece uma eternidade, dirijo-a ao ponto certo. Retiro a mão e na mesma hora fico tensa. Lauren pressiona contra mim; eu tremo de antecipação; nunca vai caber. Por um momento, nada acontece. Então, sinto-a começar a entrar em mim.
   Respiro com força. O rosto de Lauren paira acima do meu, olhando para mim, respirando depressa e com esforço. Seus olhos estão bem abertos, as íris verdes com pontinhos azuis. Posso distinguir cada cílio, os vincos nos lábios, as gotinhas de suor na testa. E posso senti-la dentro de mim, seu corpo tremendo com o desejo de ir mais fundo.
– Você está bem? – pergunta ela com voz trêmula.
Faço que sim.
– Posso… continuar?
   Faço que sim novamente. Dói, mas isso não tem importância no momento. Eu a quero, quero abraçá-la, quero senti-la dentro de mim. Ela começa a ir mais fundo. Uma punhalada aguda me faz estremecer, mas então de repente ela está toda dentro de mim. Estamos o mais perto que duas pessoas podem estar. Dois corpos que se fundiram em um…
   Lauren ainda está olhando para mim, um olhar urgente, sua respiração recortada, curta, ofegante. Ela começa a se mover devagar para frente e para trás, os cotovelos afundados no colchão, agarrando o lençol de cada lado da minha cabeça.
– Me beija – peço, arfando.
   Ela abaixa o rosto em direção ao meu, os lábios roçando meu rosto, meu nariz, lentamente se aproximando da minha boca. Ela me beija com delicadeza, muita delicadeza, agora respirando com força. A dor entre minhas pernas começa a passar enquanto ela continua a se mover dentro de mim, e eu sinto outra sensação que faz meu corpo inteiro tremer. Passo as costas das mãos pelo seu peito e barriga, pelas depressões entre os quadris até os lados, incentivando-a com as mãos a ir mais depressa. Ela faz isso, apertando os lábios e prendendo a respiração, o rubor no seu rosto aumentando, se espalhando pelo pescoço e pelo peito. O suor brilha no seu rosto inteiro, uma pequena gota escorrendo por ela e caindo no meu. Quando ela se move, sua franja roça minha testa. Escuto o som da minha própria respiração, pequenas baforadas de ar escapando da boca, se misturando com as dela. Não quero que isso jamais acabe: esse medo misturado com êxtase, todo o meu ser pulsando de desejo, a pressão do seu corpo contra o meu. A sensação dela dentro de mim, se movendo contra mim, me fazendo tremer de excitação. Inclino a cabeça para outro beijo e seus lábios descem sobre os meus, dessa vez com mais força. Fechando os olhos, ela se afasta e prende a respiração por alguns segundos, e então a solta de uma vez. De repente ela volta a abrir os olhos, a expressão desesperada e urgente.
– Está tudo bem – tranquilizo-a depressa.
– Não posso… – As palavras travam na sua garganta e eu a sinto tremer contra mim.
– Tudo bem!
  Com um curto arquejo, seus movimentos começam a ficar mais rápidos.
– Desculpe!
   Sinto-a se remexer dentro de mim, sua pelve afundando na minha. De repente ela parece presa no seu próprio mundo. Ela fecha os olhos e seus arquejos recortados rasgam o ar, seu corpo ficando cada vez mais rijo, suas mãos crispando os lençóis. Então, respirando fundo e alto, ela pressiona o corpo com força dentro de mim, e de novo, e de novo, tremendo violentamente com uma série de gemidos ferozes.
   Quando ela fica imóvel, o peso inteiro do seu corpo me pressiona e descai, seu rosto se enterrando no meu pescoço. Ela me abraça com muita força, seus braços pressionando os meus, os dedos cravados nos meus ombros, o corpo ainda se contorcendo. Expirando lentamente no frio ar do quarto, passo a mão pelos seus cabelos úmidos, pelo pescoço e pelas costas, sentindo seu coração bater com violência contra o meu. Beijo seu ombro, a única parte que alcanço, olhando assombrada para o velho teto azul desbotado.
   A realidade foi alterada, ou pelo menos minha percepção dela mudou drasticamente. A sensação de tudo é diferente, a aparência é diferente… Por alguns momentos nem sei mais quem sou. Essa menina, essa mulher deitada entre meus braços se tornou parte de mim. Temos uma nova identidade juntas: as duas metades de um todo. Nos últimos minutos, tudo entre nós mudou para sempre. Eu vi Lolo como ninguém jamais a viu, eu a senti dentro de mim, no auge da vulnerabilidade e, por minha vez, eu me abri para ela. Naqueles minutos, eu a recebi dentro de mim, eu me tornei parte dela, tão próximos quanto dois seres separados possam ficar.
   Ela levanta a cabeça devagar do meu ombro e me olha com ar preocupado.
– Você está bem? – pergunta, arfando.
Faço que sim, sorrindo.
– Estou.
   Ela solta um suspiro de alívio e dá um beijo no meu pescoço, o suor escorrendo entre nós. Ela me beija entre arquejos, e quando vejo seu rosto vermelho e transtornado, começo a rir. Olhando para mim, ela também começa a achar graça, todo o seu ser parecendo irradiar alegria. E de repente, penso: Durante todo esse tempo, durante toda a minha vida, aquele caminho acidentado e pedregoso me conduziu a esse único ponto. Eu o segui cegamente, cambaleando, arranhada e exausta, sem saber aonde levava, sem jamais me dar conta de que a cada passo eu me aproximava da luz no fim de um túnel longo e tenebroso. E agora que a alcancei, agora que estou aqui, quero pegá-la em minha mão, me agarrar a ela para sempre, para relembrá-la – o ponto em que minha vida realmente começou. Tudo que eu já quis, aqui e agora, foi capturado nesse único momento. O riso, a alegria, a imensidão do amor entre nós. Esse é o momento em que nasce a felicidade. Tudo começa agora.
  Então, da porta, vem um grito estilhaçador.


Notas Finais


Quem vocês acham que abriu a porta?


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