História Proibido - Capítulo 27


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Personagens Originais
Tags Camren, Camren G!p
Exibições 425
Palavras 3.383
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Nudez, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 27 - Epílogo


Camila


   Olho para minha imagem no espelho que fica na parede do quarto. Posso me ver com nitidez, mas é como se eu não estivesse ali. O reflexo que o vidro me devolve é de outra pessoa, uma cópia, uma estranha. Alguém que se assemelha a mim, mas parece muito normal, muito concreta, muito viva. Meu cabelo está preso num rabo de cavalo bem-feito, mas o rosto parece chocantemente familiar, e os olhos são os mesmos – grandes, castanhos. Minha expressão é impassível – calma, composta, quase serena. Uma aparência de uma banalidade chocante, de uma normalidade devastadora. Só a palidez e as olheiras fundas traem as noites de insônia, as horas e horas de escuridão olhando para o teto familiar, minha cama um túmulo frio no qual agora jazo sozinha. Os tranquilizantes já foram suspensos, a ameaça de internação abandonada, agora que estou conseguindo me alimentar novamente, agora que recuperei a voz, que encontrei um jeito de fazer os músculos se contraírem e relaxarem para poder me movimentar, andar, funcionar. As coisas quase voltaram ao normal. Mamãe parou de tentar me alimentar à força, Dave parou de mentir para protegê-la das autoridades, e os dois já voltaram a morar do outro lado da cidade, depois de porem um mínimo de ordem na casa e fazerem uma encenação convincente para a Agência de Serviço Social. E eu voltei ao papel familiar de cuidadora, só que nada mais me é familiar, principalmente eu mesma.
   Uma rotina básica foi retomada: acordar, tomar banho, me vestir, fazer compras, cozinhar, limpar a casa, tentar manter Taylor, Sofia e até mesmo Chris tão ocupados quanto possível. Eles grudam em mim como cracas – na maioria das noites acabamos nos deitando os quatro naquela que era a cama de nossa mãe.
   Até Chris voltou a ser uma criança assustada, embora seus esforços sinceros para ajudar e me apoiar me deixem devastada. Aconchegados debaixo do edredom na grande cama de casal, às vezes eles querem conversar; mas, na maioria das vezes, querem apenas chorar e eu os conforto o melhor que posso, embora saiba que nada vai ser o bastante, que nenhuma palavra vai compensá-los pelo que aconteceu, pelo que os fiz sofrer.
   Durante o dia há muito a fazer: falar com os professores deles sobre sua volta à escola, ir às sessões com a orientadora e prestar contas à assistente social, cuidar para que eles estejam limpos, alimentados e saudáveis… Sou forçada a manter uma lista, me lembrar do que devo fazer em cada ponto do dia – a que hora acordá-los, a que hora servir as refeições, a que hora pô-los na cama… Tenho que dividir cada tarefa em pequenos passos, se não quiser me pegar no meio da cozinha com uma panela na mão, desorientada, perdida, sem saber por que estou lá ou o que devo fazer em seguida. Começo as frases e não consigo terminá-las, peço a Chris para me fazer um favor e então esqueço o que ia pedir. Ele tenta me ajudar, tenta tomar as rédeas e fazer tudo, mas então fico com medo de que ele esteja fazendo demais, que também acabe sofrendo algum tipo de colapso, e acabo pedindo que pare. Mas ao mesmo tempo compreendo que ele precisa se manter ocupado, sentir que está me ajudando e que preciso dessa ajuda.
   Desde o dia em que aconteceu, o dia em que a notícia chegou, cada minuto tem sido uma agonia em sua forma mais simples e extrema, como se eu enfiasse a mão numa fornalha e contasse os segundos sabendo que jamais terminariam, me perguntando como posso suportar mais um, e mais outro, atônita por ver que apesar da tortura continuo respirando, continuo me movimentando, embora saiba que desse jeito a dor jamais vai passar. Mas eu mantive a mão na fornalha da vida por uma única razão – as crianças. Encobri a negligência de nossa mãe, menti por nossa mãe, até mesmo instruí as crianças sobre o que dizer antes de a assistente social chegar – mas isso foi quando eu ainda tinha a arrogância, a ridícula e vergonhosa arrogância de acreditar que elas estariam melhor comigo do que com uma família adotiva.
   Agora vejo as coisas de modo diferente. Embora tenha pouco a pouco restabelecido uma espécie de rotina, uma fachada de serenidade, eu me transformei num robô e mal posso cuidar de mim mesma, que dirá de três crianças traumatizadas. Elas merecem um lar normal, com uma família normal que as mantenha juntas e possa orientá-las e apoiá-las. Merecem começar de novo – embarcar numa nova vida onde as pessoas que lhes querem bem sigam as normas da sociedade, onde os entes amados não as abandonem, percam a razão ou morram. Elas merecem coisa muito melhor. Sem dúvida, sempre mereceram.
   Eu sinceramente acredito em tudo isso agora. Demorei alguns dias para me convencer plenamente, mas por fim cheguei à conclusão de que não tinha escolha: na verdade não havia uma decisão a tomar, nenhuma opção, a não ser aceitar os fatos. Não tenho forças para continuar a viver desse jeito, não posso suportar mais um dia: a única maneira de enfrentar uma culpa tão esmagadora é me convencer de que, pelo seu próprio bem, as crianças vão estar melhor em outro lugar. Não vou me permitir pensar que eu também as estou abandonando.
   Meu reflexo não se alterou. Não sei há quanto tempo estou parada aqui, mas tenho consciência de que algum tempo se passou porque estou começando a sentir muito frio outra vez. Esse é um sinal já meu conhecido de que cheguei a um limite, ao fim do passo atual, e de que esqueci como se faz a transição para o próximo.
   Mas talvez agora o atraso seja deliberado. O próximo passo vai ser o mais difícil de todos.
   O conjunto que comprei para a ocasião é bonito sem ser excessivamente formal. O blazer preto dá um toque de sobriedade ao momento, como convém.
   Preto porque é a cor favorita de Lauren. Era a cor favorita de Lauren. Mordo o lábio e o sangue aflora à pele. Chorar é bom para as crianças – alguém me disse isso, não lembro quem –, mas aprendi que, para mim, como tudo que faço agora, perdeu totalmente o sentido. Nem chorar, nem rir, nem gritar, nem pedir. Nada pode mudar a dor. Nada pode trazê-la de volta. Os mortos continuam mortos.
   Lauren teria achado graça das minhas roupas. Ela nunca me viu usar nada tão fino e caro. Teria brincado que eu estava parecendo a diretora de algum banco importante. Mas então teria parado de rir e dito que eu estava linda. Teria rido baixinho ao ver Chris num terno tão elegante, de repente parecendo tão mais velho do que seus treze anos. Teria implicado com a gente por comprar um vestido para Taylor, pois sabia que ela odeia, mas teria gostado do cinto estampado com bolas de futebol em cores vibrantes, o toque pessoal de Taylor. No entanto, teria que fazer um grande esforço para rir da roupa escolhida por Sofia. Acho que vê-la com o seu adorado “vestido de princesa” roxo, nosso presente de Natal para ela, a teria deixado à beira das lágrimas.
   Demorou muito – quase um mês por causa da autópsia, do inquérito e todo o resto –, mas finalmente a hora chegou. Nossa mãe decidiu não comparecer, portanto vamos ser só nós quatro na igrejinha bonita que fica no alto de Millwood Hill – a fria penumbra do seu interior deserta, ecoante e silenciosa. Só nós quatro e o caixão. O Reverendo Dawes vai pensar que Lauren Jauregui não tinha amigos, mas vai estar errado – ela tinha a mim, tinha a todos nós… Vai pensar que Lauren não era amada, mas era, muito mais do que a maioria das pessoas em uma vida inteira…
   Depois do curto serviço, vamos voltar para casa e nos confortar uns aos outros.
   Passado um tempo, vou para o quarto escrever as cartas – uma para cada um deles, explicando a razão, dizendo o quanto os amo e pedindo perdão de todo coração. Garantindo a eles que serão bem cuidados por outra família, tentando convencê-los, como convenci a mim mesma, de que vão ficar muito melhor sem mim, muito melhor começando uma nova vida. Então o resto vai ser fácil, egoísta, mas fácil –já está tudo cuidadosamente planejado há mais de uma semana.
   Obviamente não posso continuar em casa e deixar que as crianças me encontrem, por isso vou para o meu refúgio em Ashmoore Park, o lugar que chamei de Paraíso e um dia compartilhei com Lauren. Só que, dessa vez, não vou voltar.
   A faca de cozinha que deixei guardada debaixo da pilha de papéis na gaveta da escrivaninha vai estar escondida debaixo do meu casaco. Vou me deitar na grama úmida, olhar para o céu cravejado de estrelas e então levantar a faca. Sei exatamente o que fazer para que tudo acabe depressa, muito depressa – do mesmo jeito que espero que tenha sido para Lauren. Lolo. A mulher que um dia amei. A mulher que ainda amo. A mulher que vou continuar amando, mesmo quando minha participação neste mundo chegar ao fim. Ela sacrificou sua vida para me poupar de anos de prisão. Pensou que eu poderia cuidar das crianças. Pensou que eu era a mais forte de nós duas – forte o bastante para seguir em frente sem elaPensou que me conhecia. Mas se enganou.
   Sodia irrompe pelo quarto adentro, me dando um susto. Chris penteou os longos cabelos castanhos dela e lavou seu rosto e suas mãos depois do café. Seu rostinho de bebê ainda é tão doce e inocente que me dói olhar para ela. Fico imaginando se quando tiver minha idade ainda se parecerá comigo. Espero que alguém lhe mostre um retrato. Espero que alguém lhe diga o quanto foi amada – por Lauren, por mim –, embora ela não vá poder se lembrar por si mesma. Das três crianças, é a que tem mais chances de se recuperar totalmente, mais chances de esquecer, como espero que aconteça. Talvez, se lhe permitirem guardar pelo menos um retrato, alguma parte dele desperte suas lembranças. Talvez ela se lembre de alguma brincadeira nossa ou das vozes engraçadas que eu fazia para os diferentes personagens nos livros que lia para ela na hora de dormir.
   Ela hesita na porta, sem saber se avança ou recua, louca para me dizer algo, mas com medo.
– O que é, meu bem? Você está tão bonita com esse vestido. Está pronta para ir?
   Ela me olha fixamente, como se tentasse prever minha reação, e então balança a cabeça devagar, seus olhos grandes se enchendo de lágrimas.
   Fico de joelhos, estendendo os braços, e ela se joga neles, suas mãozinhas apertando os olhos.
– N-não quero… não quero ir! Não quero! Não quero! Não quero dizer adeus pra Lolo!
   Eu a aperto mais, seu pequeno corpo soluçando baixinho contra o meu, dou um beijo no seu rosto molhado, aliso seu cabelo e a embalo contra o corpo.
– Eu sei que não, Sofia. E nem eu. Nenhum de nós quer. Mas nós precisamos fazer isso, precisamos dizer adeus. Não significa que não possamos visitar o túmulo dela no cemitério, ou pensar nela e conversar sobre ela sempre que quisermos.
– Mas eu não quero ir, Camila! – chora ela, sua voz recortada por soluços, quase suplicante. – Eu não vou dizer adeus, não quero que ela vá embora! Não quero, não quero, não quero! –Ela começa a se debater nos meus braços, tentando se libertar, desesperada para escapar do tormento, da finalidade do fato.
   Abraço-a com mais força, tentando aquietá-la.
– Sofia, presta atenção. Lolo quer que você vá se despedir. Ela quer muito isso. Ela te adora, você sabe disso. Você é a menininha que ela mais adora no mundo. Ela sabe que você está muito triste e muito revoltada no momento, mas espera que um dia você não se sinta mais tão mal assim.
   Ela vai parando de se debater aos poucos, o corpo enfraquecendo, as lágrimas aumentando.
– Q-que mais que ela quer?
   Tento às pressas pensar em alguma coisa. Que algum dia você consiga perdoá-laQue esqueça a dor que ela te causou, mesmo que para isso tenha que esquecê-la. Que toque em frente e leve uma vida da mais extrema felicidade…
– Bom… ela adorava os seus desenhos, lembra? Tenho certeza de que adoraria que você fizesse alguma coisa para ela. Um cartãozinho com uma imagem especial, de repente. Você pode escrever uma mensagem dentro, se quiser, ou só o seu nome. Depois a gente manda plastificar, e aí, mesmo que chova, não vai molhar. E você pode levar quando for visitar o túmulo dela.
– Mas se ela vai dormir pra sempre, como vai saber que está lá? Como vai ver o cartão?
   Respirando fundo, fecho os olhos.
– Não sei, Sofia. Honestamente, não sei. Mas talvez… ela veja, talvez ela saiba. Então, para o caso de ela ver…
– T-tá. – Ela se afasta um pouco, o rosto ainda rosado e úmido de lágrimas, mas com uma centelhinha de esperança nos olhos. – Acho que ela vai ver, Camila – diz, como se me pedisse para concordar. – Eu acho que vai. E você?
   Faço que sim devagar, mordendo os lábios com força.
– Também acho.
   Sofia soluça e funga mais uma vez, mas posso ver que já está pensando na obra de arte que vai criar. Ela solta meus braços e se dirige para a porta, mas então, como se uma súbita lembrança a assaltasse, torna a se virar.
– Mas e você?
Fico tensa.
– Como assim?
– E você? – repete ela. – O que vai dar pra ela?
– Ah… acho que umas flores, alguma coisa assim. Não sou uma artista como você. Não acho que ela iria querer um desenho meu.
Sofia me olha longamente.
– Não acho que Lolo quer que você dê flores pra ela. Acho que ela quer que você faça uma coisa mais melhor.
   Eu me viro bruscamente, vou até a janela e dou uma olhada no céu sem nuvens, fingindo procurar sinais de chuva.
– Olha só, por que não vai logo começando a fazer o cartão?Eu vou descer em um minuto, e aí nós podemos sair todos juntos. E não se esqueça, na volta vamos lanchar na…
– Isso não é justo! – grita Sofia de repente. – Lolo te ama! Ela quer que você faça alguma coisa pra ela também!
   Ela sai correndo do quarto e pouco depois escuto o som familiar dos pezinhos batendo com força na escada. Ansiosa, sigo-a até o fim do corredor, mas quando a escuto pedir ajuda a Chris para procurar os lápis, relaxo.
   Volto para o quarto. Volto para o espelho, que pareço não largar mais. Se continuar me olhando, posso me convencer de que ainda estou aqui, pelo menos por hoje. Tenho que estar aqui hoje pelas crianças, por Lolo. Tenho que desligar o interruptor só pelas próximas horas. Tenho que me permitir sentir, só por ora, só durante o enterro. Mas agora que minha mente está degelando, voltando à vida, a dor começa a crescer novamente, e as palavras de Sofia não me dão trégua. Por que ela ficou tão zangada? Será que intuiu que desisti de tudo? Será que pensa que, porque Lolo se foi, eu não me importo mais com o que ela teria desejado de nós, para nós?
   De repente, eu me apoio aos lados do espelho. Estou pisando em terreno perigoso; essa é uma linha de raciocínio que não posso me dar ao luxo de seguir.
   Sofia amava Lauren tanto quanto eu, mas não está se escondendo por trás de um anestésico; ela está sofrendo tanto quanto eu, mas procurando maneiras de enfrentar esse sofrimento, embora só tenha cinco anos. No momento ela não está pensando em si mesma e na sua dor, e sim em Lolo, no que pode fazer por ela. O mínimo que posso fazer é me perguntar o mesmo: se Lolo pudesse me ver agora, o que me pediria?
   Mas é claro que já sei a resposta. Sempre soube, o tempo inteiro. Que é a razão por que tive o cuidado de não pensar no assunto até agora… Vejo os olhos da menina no espelho se encherem de lágrimas. Não, Lolo, digo a ela, em desespero. Não! Por favor, por favor. Você não pode me pedir isso, não pode. Eu não posso, não sem você. É difícil demais. Difícil demais! Doloroso demais! Eu te amava demais!
   Mas será que uma pessoa tão bondosa como Lolo pode ser amada demais? Será que o nosso amor estava realmente destinado a causar tanta infelicidade, tanta destruição e desespero? No fim, será que foi errado? Se ainda estou aqui, não quererá isso dizer que tenho uma chance de manter o nosso amor vivo? Não quererá dizer que ainda tenho uma oportunidade de extrair algo de bom disso tudo e não perpetuar a tragédia?
   Ela sacrificou a vida para salvar a minha, para salvar as crianças. Era o que ela queria, foi a sua escolha, o preço que se mostrou disposta a pagar para que eu continuasse vivendo, para que tivesse uma vida que valesse a pena ser vivida. Se eu morrer também, seu sacrifício extremo terá sido em vão.
   Eu me inclino para o espelho até a testa tocar no vidro frio. Fecho os olhos e começo a chorar, lágrimas silenciosas descendo pelo rosto. Lolo, eu posso ir para a prisão por você, posso morrer por você. Mas a única coisa que sei que você quer, não posso fazer. Não posso continuar vivendo por você.
– Camila, a gente tem que ir andando. Vamos chegar atrasados! – a voz de Chris me chama do corredor. Estão todos esperando, esperando para se despedir dela, para dar o primeiro passo rumo à superação. Se eu viver, vou ter que começar a superar a perda também. Superar a perda de LoloComo, mesmo em mil anos, eu poderia fazer isso?
   Olho meu rosto mais uma vez. Os olhos que Lolo dizia que eram negros como a noite. Há apenas alguns momentos eu disse a mim mesma que ela nunca me conheceu se achou, por um segundo, que eu poderia sobreviver sem ela. Mas e se for eu que estiver errada? Lolo morreu para nos salvar, para salvar a família, para me salvar. Não teria feito isso se tivesse achado, por um momento, que eu não era forte o bastante para seguir em frente sem ela. Talvez, apenas talvez, no fim das contas ela estivesse certa e eu errada. Talvez eu jamais tenha me conhecido tão bem quanto ela me conhecia.
   Caminho em passos lentos até a escrivaninha e abro a gaveta. Enfio a mão sob a pilha de papéis e fecho os dedos em volta do cabo da faca. Retiro-a, seu gume afiado cintilando ao sol. Escondo-a debaixo do blazer e desço a escada. Na cozinha, abro a gaveta de talheres e a coloco bem no fundo, longe da minha vista.
   Então, fecho a gaveta com força.
   Um soluço violento me escapa. Apertando o pulso na boca, meus lábios encontram a prata fria do presente de Lauren. Agora, é a minha vez. Fechando os olhos para afastar as lágrimas, respiro muito fundo e sussurro:
– Tudo bem, eu vou tentar. É só o que posso te prometer no momento, Lolomas eu vou tentar.
   Quando saímos de casa, todos estão discutindo e reclamando: Sofia perdeu o prendedor em formato de borboleta, Taylor reclama que o cinto está muito apertado, Chris se queixa de que o chororô de Sofia vai nos atrasar…  Atravessamos o portão quebrado em fila indiana para a rua, vestindo as roupas mais elegantes que já tivemos. Tanto Taylor quanto Sofia querem me dar a mão. Chris fica para trás.
   Sugiro que ele segure a outra mão de Sofia para podermos balançá-la entre nós.
   Ele faz isso, e quando a suspendemos bem alto, o vento levanta a saia do seu vestido, revelando uma calcinha rosa-choque. Quando ela pede que façamos de novo, os olhos de Chris encontram os meus com um sorriso divertido.
   Caminhamos pelo meio da rua de mãos dadas, a calçada estreita demais para os quatro juntos. Uma brisa quente sopra em nossos rostos, trazendo o cheiro de madressilva de um jardim. O sol de meio-dia brilha no céu turquesa, a luz cintilando entre as folhas, espalhando confete dourado sobre nós.
– Ei! – exclama Taylor, sua voz surpresa. – Já é quase verão!


Notas Finais


Acabouu... O que acharam? Em que estado estão?
Chorei de novo.
A parte da Sofia 💔


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