História Proibido Amar - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Camren, Norminah
Exibições 317
Palavras 4.468
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Famí­lia, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Salve gayzada.

Para alegrar a noite de vocês. Ainda falta o último cap de TG, não esqueci. O fds promete.

Obrigada pelo carinho e resposta que vcs estão tendo, não tenho palavras pra tanta gratidão!

Espero que estejam gostando e comecem com as teorias. Para os assustados com a diferença de idade, deixo aqui uma frase da nossa queridinha Amor e Outras Drogas: as garrafas, pernas e mente, são melhores abertas.

Promete tratar o tema com cuidado.

Aquele cheiro, e aquele axé.

Capítulo 4 - The Heart Wants What It Wants


A operação «Olímpica» finalmente chegava a seu fim. Isma e seus 27 cadetes acabavam de ser presos graças à intervenção dos G.E.O (Grupo Especial de Operações) junto ao CNP. Normani avisava pelo rádio que o último suspeito estava a caminho para ser interrogado.

Vários agentes, alguns com a farda, capacete e armamento do GEO, outros à paisana e com o colete florescente da CNP, revisavam a situação do prédio em que estavam. Os inspetores não usavam farda, por tanto eram identificados pelos coletes e o brasão, na maioria das vezes pendurado no pescoço. Os outros agentes usavam a farda normal.

Entre algumas risadas, se mostravam aliviados por mais um caso complicado.

A Polícia Científica, algo assim como CSI, assumia o mando pelo momento. Ana Valdés, uma morena alta com pernas grossas e o traseiro bastante chamativo, era a responsável pela equipe, mas estava conhecida por seus envolvimentos com “certas agentes”. Ana tinha um sorriso perfeito, brilhante, mãos finas e cabelo longo. Costumava ser educada e profissional em cenários, mas sua personalidade encantadora estava sempre à mostra. Dinah sabia disso muito bem.

Enquanto ela conversava com Lauren sobre os próximos passos, Ana passou desfilando. Também usava o colete verde florescente, o brasão no pescoço e segurava uma caixa plástica.

- Inspetoras. – a criminóloga disse sorridente ao chegar. Lauren arqueou as sobrancelhas segurando o riso, enquanto Dinah parecia sem graça. Apenas assentiu, deixando que as duas mantivessem o duelo de olhares.

- Agente Valdés. - a loira cumprimentou formalmente.

- Tudo bem por aqui?

- Sim, estava contando a Jauregui o procedimento.

- É verdade! – Ana exclamou. – Você estava com os yankis aprendendo a investigar. – debochou. Lauren revirou os olhos, guardando as mãos no bolso da calça.

- Nem vem com o deboche, Valdés, foi só um curso preparatório.

- Claro que sim. E eles pelo menos te ensinaram a ligar para as pessoas no outro dia? – os olhos de Dinah quase pularam para fora quando a morena a atravessou com a indireta. Lauren abaixou a cabeça apertando os lábios para não rir. – Ou isso é um problema dos espanhóis? – coçando a nuca, Lauren não perdoou:

- Acho que isso é mais um problema das que não são românticas. – Ana esboçou um meio sorriso, desviando finalmente o olhar de Dinah e encarando a menor:

- E você é romântica, agente Jauregui? – perguntou com toda sua malícia. Lauren sorriu sem demorar para responder:

- Não mesmo. – Ana arqueou a sobrancelha esquerda, suspirando:

- Uma pena. – disse finalmente, mas alguém a chamou e com um aceno ela simplesmente se foi, deixando-as a sós novamente.

- Um problema das que não são românticas?! – Dinah perguntou exasperada. – Que merda foi essa?

Lauren não pôde evitar rir enquanto caminhavam até o carro.

- O que você queria que eu dissesse?

- Qualquer coisa, menos isso!

- Ah, vamos, Hansen! Você nem tem intenção de repetir com ela...

Dinah revirou os olhos entrando no assento do motorista.

- Ela não precisava saber assim.

- É a Ana, a viúva negra do departamento. Você acha que ela está ofendida de verdade? – debochou fechando o cinto no assento do copiloto. Dinah deu de ombros:

- Provavelmente não, mas só pela audácia você que vai fechar o relatório de hoje.

- Porra, Dinah, está cheio de estagiário lá! – bufou irritada.

- Mas os estagiários não participaram no operativo, então você vai sentar a bunda no quarto do horror e só vai sair de lá com esse relatório pronto.

Lauren bufou olhando pela janela.

***

 Enquanto isso, Camila se preparava para mais um dia no departamento. Sofia já havia começado a escola, mas a latina ainda tinha mais uma semana de férias. Olhava pelo vidro do carro de Alejandro distraída, quando percebeu o rádio se calar:

- Como foi o seu primeiro dia? – o comissário perguntou tentando quebrar o gelo.

- Foi legal. – Camila respondeu sem mais.

- Se comportaram direito com você? – a latina sorriu, finalmente encarando-o:

- Claro, papai. Quem não sabe que eu sou a filha do comissário? – ele assentiu satisfeito.

- Que bom, então... – e o silêncio novamente se fez, até que ele falou de novo: – Fecharam mais um caso hoje, provavelmente devem chegar com muitas coisas para catalogar...

Camila suspirou olhando para o pai:

- Tudo bem, Paco já me explicou um pouco. – ele sorriu sem mostrar os dentes. – Agora você já pode falar o que está te incomodando.

Alejandro riu negando com a cabeça:

- Tão perspicaz como sempre... – parando em um semáforo, o homem olhou para filha arqueando as sobrancelhas. – É sobre aquele garoto, o Francisco.

Camila revirou os olhos, sem paciência:

- Ai, papai...

- Sem essa de tédio, Camila. Estou falando sério. Esse garoto continua na sua escola.

- E?

- Como que e?

- Eu nem falo mais com ele! – disse exasperada.

- Você sabe que o pai dele está envolvido em um processo por corrupção do partido que trabalha? – Camila franziu o cenho negando. – Está nos jornais!

- Eu não leio jornal! – disse como se fosse óbvio.

- Pois deveria! Enfim, ele está sendo processando por uma caixa dois, obstrução à justiça na investigação e, se fosse pouco, várias contas na Suíça com dinheiro ilegal.

- E por que você está me contando isso mesmo?

- Porque a imprensa está em cima da família Bárcenas e não quero você, sob nenhum conceito, perto desse moleque, entendido?

Camila assentiu:

- Tudo bem, ele nem deve estar na minha sala mesmo...

- Melhor assim. Já me deu muita dor de cabeça. E só por precaução, Lauren vai te levar todos os dias para a aula. – a latina franziu o cenho imediatamente, encarando o pai.

- Por quê?! – Alejandro deu de ombros.

- Precaução, Camila. A porta do colégio vai estar cheia de câmeras, quero você longe dos holofotes.

Satisfeita e sorrindo cada vez mais com a ideia, Camila deu de ombros:

- Tudo bem. – Mas Alejandro achou tudo muito suspeito.

- Tudo bem? – ela assentiu. – Não vai fazer um escândalo sobre maturidade e autossuficiência? – Camila sorriu negando:

- Não, papai. Eu entendo a gravidade do problema e é melhor assim. De qualquer forma... o Isco é um babaca, não tenho interesse em me reaproximar dele.

Disse olhando novamente pela janela. E Alejandro podia ter certeza que ela dizia a verdade porque, no fundo, Camila tinha outros planos.

Quando chegaram no CNP e depois do longo caminho desejando bom dia a todo mundo, Camila viu como seu pai chamava os inspetores da operação «Olímpica» e agradecia pelo trabalho. Do alto, Camila pôde espiar o que acontecia no andar debaixo.

Camila POV

Quando me enviaram ao internado, de cara achei que seria a ideia mais insuportável de aguentar. Outro país, outro idioma, outras pessoas... estava longe da comodidade de algo seguro, certo. Foi quando me deparei com a aula de Literatura Universal. Confesso que no começo era um saco. Na verdade saco é um elogio. Aquela aula parecia interminável. A professora tinha uma voz de apito, magra, cabelo na altura dos ombros e saias longas. Parecia uma bruxa. Era obrigatório ler alguns livros para as provas. Quem se importa com a Odisseia de Ulisses? Provavelmente a antiga Camila diria isso. Mas depois de ler pude apreciar a criatividade de Homero. Depois desse livro, quando estudávamos a literatura clássica, que me interessei por histórias escritas. Quando chegamos em Romeu e Julieta, ler era mais que uma obrigação. O ponto é que, entre todos eles, a professora me apresentou Federico Moccia. Não sei como aquela velha descobriu que eu estava gostando das idiotices que dizia na aula, mas simplesmente se aproximou da minha mesa com um exemplar de Scusa ma ti chiamo amore e me rendi aos seus pés. Desde então, em cada momento da minha vida me pergunto o que Moccia diria aos seus personagens.

Nesse caso, aqui de cima observando o discurso do meu pai no andar de baixo, como todos os inspetores se olham orgulhosos e em silêncio escutam a gratidão do comissário por mais uma missão, eu só consigo enxergar ela. Digo, vejo todos e o que fazem, mas minha atenção é toda dela. A cara fechada, como quem pensa que não fez mais do que sua obrigação em concluir mais uma missão. Apoiada em uma mesa, a perna e os braços cruzados. De vez em quando suspira e outras troca um olhar rápido com Dinah, quem parece se divertir com alguma piada interna.

O que Moccia diria?

Provavelmente que «alguns filmes fazem a vida parecer muito mais fácil do que ela é. Por isso as decepções chegam».

E não é verdade?

De tanto ver e ler essas histórias, de certa forma acabamos acreditando no amor. Acreditando que há alguém aí fora para viver uma história como a dos filmes e livros, ou talvez melhor. Mas aí, essa pessoa não aparece, ou não corresponde... E a gente entende que o problema não está na nossa forma de amar, e sim que não vivemos em um filme. Não há um roteiro ou um escritor para definir o final feliz. Acontece que, as decepções chegam porque, não somos personagens. Somos humanos. E como tal, nossa vida não é um conto de fadas.

A vida é a mais pura e puta realidade.

Provavelmente ele diria que eu estou delirando. Porque «o amor mais bonito é um cálculo errôneo, uma exceção que confirma a regra; aquilo que você sempre disse "nunca"».

O que isso significa?

Não faço a menor ideia. Mas já que ela está subindo com o meu pai, o melhor é parar de pensar em besteira e voltar ao trabalho.

Hoje ela está mais linda do que o normal. Mas meu coração já está se acostumando ao estado constante de desespero. Suponho que estou me acostumando a ideia de que Lauren Jauregui é o amor da minha vida. Só espero que ela não descubra... pelo menos por enquanto.

Narrador POV

 - E a volta? – Lauren questionava na sala do comissário. Alejandro afrouxou o nó da gravata, encostando-se na cadeira.

- Ela vem direto para o departamento. Sinuhe concordou em que assim ela vai ficar centrada. Tendo que chegar aqui na hora certa, não vai perder tempo conversando na saída.

Lauren assentiu.

- Por mim já sabe que não há problema. Ela... – pigarreou para continuar – ...concorda com a ideia?

- Sim... – o comissário disse estreitando os olhos. Lauren parecia incômoda. – Não colocou objeção em ir com você.

- Tudo bem então. – sorriu sem mostrar os dentes e foi se levantando.

- Lauren, só mais uma coisa. – a agente ainda em pé olhou para o padrinho. – Quero a Camila longe desse moleque de qualquer jeito. Se ela quiser sair para algum lugar...

A jovem franziu o cenho, mas ele nada disse. Parecia envergonhada.

- O senhor quer que eu siga ela? – Alejandro negou rapidamente:

- Seguir o que se diz seguir, não... Mas se puder ter um olho em cima... – Lauren continuou confusa.

- Seguir sem que ela saiba que eu estou me intrometendo na vida dela? – Alejandro suspirou, percebendo o que estava pedindo.

- Sim, é uma loucura. Esquece. Obrigado. – tirou o telefone do gancho e marcou um número.

- Padrinho... – Lauren insistiu, mas ele já havia decidido:

- Era só isso, agente Jauregui. – disse ríspido.

Lauren mostrou as palmas e saiu. Quando voltou a sua mesa, Dinah colocou uma pilha de pastas a sua frente, fazendo um estrondo. Lauren suspirou deixando a cabeça cair para trás.

- Vamos, Hansen... – quase suplicou. Normani que estava a frente delas, estreitou os olhos encostando-se na cadeira:

- Castigo? – perguntou risonha. Dinah deu de ombros:

- Quis pagar de engraçadinha com a Valdés.

- Você nem tem mais interesse nela! – Lauren falou um pouco mais alto, fazendo Dinah arregalar os olhos e olhar ao redor, mas ninguém parecia ter escutado.

- Quarto do horror, agora! - apontou para o fundo do corredor. Lauren abaixou a cabeça suspirando. – E quero chegar aqui amanhã com o relatório oficial na mesa!

E Lauren não pôde fazer nada a respeito. Havia um acordo implícito entre elas. Ensinavam tudo à Lauren, porém Lauren continuava sendo a novata. Apesar do respeito, a diferença de idade era pouca. De vez em quando elas se aproveitavam disso.

Com uma caixa de papelão cheia de pastas, Lauren se dirigiu ao final do corredor chamando o elevador.

Apertou no -2 e como quem estava arrastando a alma com bolas de ferro, ela observou sem ânimo a porta se fechar.

O “quarto do horror” tinha aquele nome porque, como o nome já diz, era uma espécie de cômodo onde armazenavam caixas de provas e relatórios. Os agentes responsáveis pelos operativos se reuniam ali para catalogar e preencher a burocracia. Depois levavam um resumo para o comissário e o resto ficava armazenado em outro lugar.

Tinha uma mesa grande com várias cadeiras ao redor. Um banheiro ao fundo, uma máquina de café e caixas. Muitas caixas.

A parte do horror era porque nenhum inspetor gostava da burocracia. Preencher papel era a pior fase de uma investigação.

Com muita paciência, Lauren começou a esvaziar sua caixa em cima da mesa e se sentou, lendo uma por uma.

E nisso o dia foi passando.

Um pouco mais em cima, Camila repetia a si mesma frente ao espelho que não tinha problema nenhum descer para almoçar com os estagiários e inspetores.

Mas quando chegou, o motivo principal de seu nervosismo não estava.

Olhou ao redor, até que uma Dinah distraída se topou com ela.

- Desculpa! – a loira disse segurando a latina pelo braço. Camila franziu o cenho e sorriu sem jeito:

- Nada, eu que parei na porta. Tudo bem? – Dinah assentiu.

- Vai comer com a gente hoje? – a latina olhou ao redor com a boca aberta, quase respondendo.

- Lauren não está. – Dinah concluiu. Camila fechou a boca e abriu novamente, sem saber o que dizer.

- Oh, não... Não, eu... – a loira riu puxando-a pelo braço.

- Anda, eu sei que é assustador esse bando de gente te olhando por ser a filha do comissário.

Camila franziu o cenho, mas aproveitou a deixa para seguir com a confusão.

- É... é bem chato mesmo.

Dinah a puxava até a mesa ao final do refeitório, distraída.

- Lauren está preenchendo uns relatórios no quarto do horror, mas a gente vai cuidar de você.

- Quarto do horror? – perguntou confusa, mas Dinah apenas negou com a cabeça e fez um gesto de desdém com as mãos:

- O cubículo da burocracia. Enfim, senta aí.

E assim o fez. Camila observava as pessoas um tanto incômoda. A mesa parecia marcada, já que todo mundo passava com a bandeja e não se sentava ao seu lado.

Dinah voltou com um talão de tickets, entregando-o a latina.

- Isso é para mim? – perguntou olhando o conteúdo.

- Vale para comer aqui ou em qualquer estabelecimento que tenha esse símbolo no caixa. – apontou com o dedo indicador o símbolo azul no canto.

A latina assentiu assimilando.

Allyson chegou com a sua, se sentando ao lado de Dinah:

- Lauren não vai subir? – perguntou pegando um pedaço de pão.

- Com a quantidade de papel que tinha naquela caixa, não.

Quando Allyson riu, Camila franziu o cenho, se metendo:

- Por que ela não almoçar?

- Ela está de castigo. – Normani respondeu também se sentando. – Tem que entregar o relatório ainda hoje.

Apesar de tudo, para Camila não foi tão ruim. Passou o almoço conversando com as outras agentes e rindo bastante das histórias que elas contavam. Por várias vezes em que olhou seu prato, pensou em levar algo para Lauren. Mas logo se recriminava por ser tão besta. Lauren não merecia sua preocupação.

***

Pouco depois do almoço, a pausa para o café era quase uma regra. O ambiente estava bem calmo e não havia movimento algum pelo departamento. Camila voltou ao seu posto se encontrando com Paco.

- Camila! – o homem disse sorridente. – Acabei de pegar o resto das multas, se você não se importa. – a latina negou.

- Não, tudo bem Paco. – mas então ela viu uma caixa com plásticos que isolavam algumas provas e uma sacola de papel do Mc Donald’s.

- Ainda não almoçou? – perguntou ao homem que riu enquanto revisava os papeis.

- Não, isso é para Lauren. Vou descer as provas para ela.

E uma ideia cruzou sua mente.

- Paco?

- Sim? – disse encarando-a.

- Tem mais alguma coisa pra fazer? – o agente franziu o cenho, mas negou.

- Seu pai disse que você só vai ajudar com meia jornada, então... suponho que não? – disse sem graça. A latina sorriu torto.

- Tudo bem. Então eu já vou indo... – pegou a bolsa e o fular [n/a: é tipo um cachecol, porém um tecido mais fino, utilizado como assessório quando não está fazendo frio] e o colocou no pescoço com uma volta. – Se... você quiser eu posso levar isso pra Lauren antes de ir embora.

- Você não se importa? – ele parecia aliviado e ela sorriu abertamente.

- Não, é caminho.

- Ah, você me faria um grande favor! Tenho que levar isso para tráfego...

- Pode deixar.

Esboçou seu sorriso mais doce e pegou a caixa, descendo até o elevador. No caminho se cruzou com Dinah que estava enchendo a xícara de café.

- Aonde você vai? – questionou confusa.

- Paco me pediu para levar isso pra Lauren.

Dinah pegou a sacola do fast food e olhou o que tinha dentro. Pegou uma batata frita e a colocou de volta. Chupou o saldo do indicador e apontou para Camila:

- Diga a Jauregui que daqui a quatro horas estou indo embora!

Sorrindo, a latina caminhou até o elevador.

-2 e em alguns segundos estava entrando no pesadelo do departamento.

Lauren estava jogada em cima dos papeis, batendo a testa de leve sobre a superfície.

Camila colocou a caixa com um pouco de força em cima da mesma, fazendo um estrondo. Lauren nem se molestou em se assustar. Levantou a cabeça devagar e a olhou suspirando, mas franziu o cenho ao ver quem era:

- Estava esperando um velho gordo. – Camila riu entregando a sacola com a comida.

- Deus ouviu suas preces.

Ainda envergonhada pelo olhar que deu ao traseiro da menor, Lauren se concentrou em tirar seu lanche da sacola. Depois encarou a garota com um sorriso sem jeito:

- Obrigada.

- Paco que comprou. Falta muito?

Lauren suspirou olhando ao seu redor:

- Bastante.

- Dinah disse que daqui a quatro horas vai embora.

Lauren se encostou na cadeira suspirando.

- Isso é tortura! – disse com a boca cheia. – Só porque não ajudei ela com a Valdés.

- Valdés? A da científica? – Lauren assentiu bebendo pelo canudo.

- Por culpa estou aqui!

Camila riu negando com a cabeça.

- Nesse caso, bem feito! – debochou. – Sorte com isso. – e deu as costas para ir embora.

- Ei! – ao ouvir o chamado, apenas se virou. – Quando você vai me contar suas aventuras sendo guiri? – Camila deu de ombros. Olhou ao redor e se aproximou.

- Você precisa de ajuda? – Lauren franziu o cenho. Olhou as caixas e o relógio, então deu de ombros:

- Se você não se importar em perder o resto do seu dia nesse cubículo catalogando provas...

Camila nada disse. Apenas tirou o fular e a jaqueta, se sentando ao lado da maior.

***

Lauren voltava à mesa com duas xícaras de café. Camila escrevia algo enquanto olhava para uma das sacolas plásticas que conservava uma arma.

- Não estou duvidando, só é difícil imaginar a Camila que se metia em problema toda hora sendo uma boa aluna. – a maior disse se sentando.

- As pessoas mudam, Lauren. – contestou revirando os olhos. – Amadurecem e aprendem com os erros... essas coisas. – a agente sorriu abertamente.

- Pelo menos o humor ácido você ainda conserva... – Camila revirou os olhos de novo, se concentrando no que fazia.

Lauren ficou brincando com a xícara em silêncio, encarando-a. Os pômulos estavam mais marcados, havia crescido e as bochechas junto aos laços já não estavam.

- Então você gostou de Brighton? – Camila respondeu sem olhá-la:

- Uhum. Frio... mas é legal.

- Por isso não quis vir nas férias? – a latina franziu o cenho e deixou a caneta cair, encarando a agente.

- Que?

- Eles ficaram triste porque você não veio nas férias.

- Precisava de tempo para organizar as coisas... O processo de se desfazer da velha Camila... já sabe.

Lauren sorriu entristecida:

- É, suponho que sim.

Ficaram em silêncio até que a menor o quebrou:

- E você? Como foi por lá?

- Interessante. – foi a única coisa que Lauren respondeu, voltando aos papeis que tinha a sua frente. Camila estranhou porque ao longo da conversa ela se mostrara muito comunicativa.

- Pela sua animação, parece que sim.

- Foi bom, digo... eles me ensinaram muitas coisas... algumas táticas que a gente não usa aqui nem aprende na academia... – deu de ombros olhando-a por fim – Coisas de yankis, já sabe.

- E... – Camila pigarreou para continuar – Conheceu alguém? Por isso o mistério todo?

Lauren riu com escárnio, se encostando na cadeira.

- Por que a pergunta?

- A única coisa que você mais gosta de falar, depois de você mesma, é sobre o trabalho. – a policial abaixou a cabeça rindo. – E nesse caso, você está esquivando falar dos dois.

- Sou tão previsível assim? – Camila deu de ombros.

- Talvez eu te conheço melhor do que você imagina. – Lauren coçou o queixo e assentiu.

- Talvez...

- Então, qual o nome da americana que fez você voltar assim? – Camila a olhava séria, quase que desafiante. Por dentro seu corpo estava queimando de raiva, mas por fora mantinha a pose. Lauren por outro lado, parecia aceitar o desafio do olhar da latina, correspondendo do mesmo jeito. Mas ela finalmente sorriu torto, negando.

- Não é bem assim.

- Que? Não foi uma mulher? – Lauren negou engolindo seco. – E então? – Camila quase suspirou de alivio.

- É outro mundo, outra forma de tratar as coisas... suponho que não gostei de algumas coisas e por isso não perco o tempo falando delas. Não foi tão relevante... – a menor estreitou os olhos:

- Ok, essa foi a desculpa mais estupida que eu já ouvi de você. – Lauren gargalhou puxando a menor contra si e abraçando-a com força.

O coração de Camila paralisou por uns segundos, voltando a bater quando ela respirou o perfume da agente.

- Senti sua falta, pirralha... – confessou abraçando-a ainda de mal jeito. Camila fechou os olhos por uns segundos e sorriu, afastando-se lentamente:

- Eu também senti sua falta, babaca.

- Mas e você? – Lauren insistiu pegando outro plástico para olhar. – Nenhum namorado? - Camila sorriu sem jeito, comemorando por dentro.

- Algo do tipo... – desconversou concentrada em suas anotações.

- Oh, então temos um pretendente! Quem é? – a latina sorriu arqueando a sobrancelha esquerda, saboreando a resposta audaz:

- Não é da sua conta. – Lauren sorriu ainda mais.

- Ele que te fez amadurecer?

- Não, Lauren. – desdenhou revirando os olhos.

- Não, Lauren... – a imitou com voz fina. – Você já foi mais legal, sabia?

- Você não, desculpa.

- Falar dele te deixa tensa? – insistiu provocando. Camila riu com deboche, ainda olhando os papeis e anotando:

- Quem te disse que é ele? – Lauren ficou séria imediatamente.

- Que? – Camila sorriu jogando a caneta na agente.

- Para de drama, foi algo sem importância.

- Foi por ele que você não quis vir? – Camila deu de ombros:

- Algo assim. Mas como eu já disse, não é da sua conta. Agora me diz por que vocês usam nomes tão estupidos para os operativos...

- Essa conversa não acabou! – devolveu a caneta a latina. – O nome sempre tem a ver com os detalhes. Por exemplo, «Operação quebra-cabeça». Foi de 2007, um colombiano foi encontrado esquartejado em San Martín de la Vega... tivemos que reunir as pistas como em um quebra-cabeça... e tem o plus do corpo em pedaços...

- Ew! – a latina fez cara de nojo. – Vocês são escrotos. – Lauren apenas riu dando de ombros.

- Também teve «Pecado original»...

- Oh céus... – Lauren já estava rindo.

- Foi ideia da Dinah...

- Deixa eu adivinhar, padres que traficavam maçãs ilegais?

- Quase! Prendemos 16 pessoas de um clã de narcos. Entre as 16 tinha um colombiano que se chamava Adão... coincidentemente, outra se chamava Eva. Achar o nome foi a coisa mais fácil do mundo.

- Deus, Dinah... – disse negando com a cabeça. – E por que Olímpica?

- Fácil. Os que prendemos hoje, eles eram uma organização que se dedicava a roubar. O primeiro lugar que eles assaltaram foi uma concessionaria da Audi, lá em Tres Cantos. Quando estávamos pensando em um nome, a Normani disse que o logotipo da Audi parecia com os aros olímpicos, e tadam!

- Pelo jeito as ideias estupidas sempre saem de vocês... – Lauren revirou os olhos. – Por que será?

- O importante é ninguém desconfiar do operativo, e que os agentes saibam facilmente do que se trata.

- Com certeza ninguém deve desconfiar, com esses nomes... – ironizou.

- Ei, é bem difícil nomear um operativo, tá?

- Para você e as outras, não.

- Porque somos criativas.

- Eu não diria isso, mas tudo bem. Acabei. – mudou repentinamente colocando a última sacola plástica na caixa. – Agora só falta assinar.

Lauren olhou ao redor e de fato faltava pouco. No relógio marcava as 21:00h, Dinah havia ido embora. Camila estava recolhendo as coisas, e apesar do impulso em impedi-la, Lauren sabia que ainda tinha que preencher outros papeis. Tirou um cartão do bolso, entregando-o a Camila:

- Pega um táxi. Está tarde pra você ir de trem.

Mas a latina franziu o cenho.

- Tarde? Não são nem as dez ainda.

- Só pega, Camz. Você vai chegar mais rápido e... é pela ajuda que você me deu.

A latina ponderou até que disse:

- E por que eu não te espero e você me leva?

- Hoje eu tenho plantão.

Desmotivada, Camila golpeou o cartão na mão e assentiu:

- Tudo bem...

Em um pedaço de papel Lauren escreveu o pin.

- Vê se não deixa ele se aproveitar, hein.

Camila revirou os olhos, se curvando para deixar um beijo na bochecha da agente, quase na boca.

- Boa noite, Lauren.

E se foi sem esperar resposta. Enquanto caminhava, Lauren não evitou sussurrar um “boa...noite” e sorrir.

Depois de preencher o que faltava, passou a recolher tudo dentro da caixa, ficando apenas uma pasta com o selo de confidencial em ingês e o símbolo do FBI.

«Operação Sereia»

Era o nome do novo caso.

Ou não tão novo.

Envolvia mar e o mito de um ser que desaparecia no mesmo.

Algo familiar, talvez.

E que Lauren fez questão de esconder dentro da jaqueta enquanto subia com as caixas.


Notas Finais


Surpresa, surpresa!


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