História Proibido Amar - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Camren, Norminah
Exibições 260
Palavras 3.961
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Famí­lia, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Salve gayzada!

Como vocês estão, meus dengos? Espero que bem. Marminina, pisquei e já vou estar comendo as sobra do natal daqui a uns dias, quando foi isso? Que ano, hein meu povo? É desgraça atrás de desgraça, já tá demorando de acabar, isso sim.

Enfim, mais um capitulozinho maroto pra vocês. Estao gostando??????

Vamos desenrolar as coisa né pq ficar só nesse chove não molha não alimenta ninguém.

Pra quem pergunta se vai ser só Camren, vocês não me conhecem não seus posers? NUNCA é só Camren.

Todo mundo tem rabo preso.

Entao vamos lá?

Aquele cheiro e aquele axé.

Capítulo 5 - Wild Things


Camila POV

«Quando você segue um sonho, encontra no caminho muitos sinais que te mostram a direção a seguir, mas se você tem medo, não consegue enxergá-las», diria Moccia. Poucas coisas são tão casuais como um sonho que se torna realidade.

A chuva caía castigando o outono. Estava frio e eu mal conseguia enxerga-la a apenas alguns passos frente a mim. Depois de tanto tempo, cansada de lutar contra esse sentimento estupido por Lauren, ela simplesmente decide me contar que correspondia, mas que não podíamos ficar juntas porque não era certo.

- Camila... – Lauren me chamou suavemente.

- Não... Lauren...

Como ela se atreve a depois de tudo isso, querer conversar?

- Camz, por favor.

Por favor?

Primeiro ela me dá esperanças para depois destruir meu coração em pedaços?

Eu quero ir embora, mas ela me segura.

Me solta! Estupida! Por que você não me deixa em paz?

- Camila!

- Babaca estupida!

Espera...

Mas eu estou me remexendo de verdade e... e tem alguém me segurando.

Oh merda, não é um sonho.

É de madrugada e tem alguém no meu quarto querendo me acordar.

E esse alguém é... merda.

- Não!

Narrador POV

A latina se levantou assustada, olhando para os lados e ofegante.

- Camila! – Lauren disse sussurrando. – Sou eu, Lauren!

- Lauren? – perguntou ainda desnorteada, tirando o cabelo do rosto. A policial franziu o cenho:

- Você estava sonhando comigo?

Camila abriu e fechou a boca diversas vezes, mas nada disse. Olhou ao redor vendo a porta aberta, e por fim encarou a maior:

- Que diabos você está fazendo no meu quarto, Lauren?!

- Esqueci a chave de casa e estou cansada demais pra voltar lá... como o padrinho sempre deixa a escada na garagem, quis pegar a chave reserva, mas aí lembrei que tem alarme e foi o jeito mais fácil de entrar.

- No meu quarto?! – perguntou exasperada e Lauren deu de ombros:

- Melhor você descer e pegar do que alguém acordar e me encontrar na cozinha... seria estranho. – Camila bufou irritada e se deixou cair na cama olhando para o teto. Lauren a observou por um tempo com o cenho franzido. Ela parecia conversar consigo mesma, fazendo caras e bocas. – Camila! – disse um pouco mais alto:

- Que?! – respondeu assustada.

- Você está bem?

A latina respirou fundo tirando o lençol e sentando na cama. Passou a mão no rosto frustrada e antes de se levantar empurrou Lauren pelos ombros.

- Idiota! – reclamou enquanto calçava o chinelo.

- Ei! – mas a policial não entendia nada. – O que eu fiz?

Em pé e de frente para ela, Camila abriu e fechou a boca, mostrou as mãos abertas, logo as fechou e depois grunhiu irritada:

- Nascer, Lauren!

E se foi pisando firme.

Confusa, Lauren ficou encarando a parede.

Fazia tempo que não entrava ali, tanto, que não seria capaz de perceber as pequenas mudanças na decoração. Agora já não havia rasto dos anos anteriores. Apenas fotos da família, os livros novos e... Bom, isso ela percebeu.

Se levantou até a prateleira que ficava na parede. Deslizou a ponta dos dedos esquerdos enquanto lia alguns títulos, Perdona Si Te Llamo Amor, A Três Metros Sobre El Cielo, Tengo Ganas de Ti, Esta Noche Dime Que Me Quieres... Então ela era daquelas? Românticas empedernidas? Puxou o exemplar com a moto vermelha, «Três Metros Acima do Céu», a história era curiosa, um tanto clichê... mas curiosa. Enquanto olhava a sinopse, despertou da distração quanto Camila pigarreou.

Lauren a encarou e ela estava com o cenho franzido. Então a policial percebeu o tamanho do pequeno short que Camila usava, com uma blusa de alças finas, abraçando o corpo agora mais formado da latina. As pernas estavam sutilmente mais definidas e a barriga...

Outra tosse.

Lauren enfim a olhou nos olhos, sem graça.

- Um livro... interessante.

Camila arqueou a sobrancelha esquerda, se controlando para não comemorar. Mas por dentro estava pulando de alegria.

- Claro, o livro. Não tem chave nenhuma aqui. – disse fingindo tédio. Foi a vez de Lauren se mostrar confusa:

- Como assim?

- Tia Clara deve ter pego ou eles guardaram em outro lugar... – deu de ombros. – Acho que você vai ter que dormir na rua hoje.

Lauren deixou a cabeça cair para trás, colocando o livro em cima da mesa de qualquer jeito.

- Porra...

- Ou... – Camila se aproximou com um sorriso sonso, parando bem ao lado da policial. – Você pode dormir comigo. – arqueou as sobrancelhas e, apesar de que em outros tempos Lauren não se importaria, algumas coisas haviam mudado.

- Errrr.... – engoliu seco. Camila deixou um beijo no rosto da agente e voltou para cama.

- Quando sair fecha a porta, Lauren.

Lauren suspirou longamente, e assim o fez. Dessa vez pela parte de dentro. Fechou a porta do quarto e desceu sem fazer muito barulho até a sala. Tirou a jaqueta e os coturnos, deitando-se no sofá. Antes de fechar os olhos admirando a escuridão do teto, suspirou mais uma vez.

Várias coisas haviam mudado.

***

Antes que o despertador soasse, Camila acordou espreguiçando-se. Havia dormido muito bem para pequena invasão noturna. Mas o sol invadia a fresta da cortina, o que a fez congelar.

Olhou para o despertador na cama, estava sem bateria.

- Oh, merda...

Pegou o celular e, para variar, também.

Correu para o notebook sobre a mesa, mexendo no mouse com pressa.

10:17 AM.

Seu pai não lhe acordou? Mas e o estágio?

Correu para o quarto dos pais, vazio. O de Sofia, também.

Desceu as escadas correndo e foi até a cozinha, encontrando um bilhete na geladeira:

Kaki, a escola pediu o título do curso em Brighton. Você tem que ir na Secretaria de Educação e solicitar antes que comecem as aulas. Lauren está dormindo no sofá, hoje é o dia livre, ela vai te levar.

Tem café pronto, acorde-a com educação.

Beijos, mamá.

Um pouco mais calma, ela jogou o bilhete em cima da mesa. Passou devagar pela sala vendo uma Lauren toda espalhada no sofá. Estava de bruços, o braço direito caído assim como as almofadas. Os pés estava para fora já que havia escolhido justo o de dois lugares. Camila voltou para o quarto negando com a cabeça enquanto ria.

Escovou os dentes e quando estava prestes a descer para tomar café, uma ideia lhe cruzou a cabeça.

Tirou o short do pijama, ficando apenas com a calcinha. A blusa era vermelha e a calcinha preta com a costura também vermelha. Excelente.

Desceu saltitante, foi até a cozinha preparar seu cereal, mas não se importou em não fazer barulho.

Se apoiou no balcão que dava para a sala, comendo enquanto olhava o celular carregando. Distraída, não percebeu quando Lauren acordou.

A agente espreguiçou e enfim chamou a atenção da latina.

- Bom dia, bela adormecida. – ironizou sem desviar o olhar.

- Bom dia... – a voz de Lauren ainda estava sonolenta, grave e rouca. – Que horas são?

- Quase as onze.

- Você não vai para o CNP hoje?

- Nop. Tenho que ir na secretaria de educação e você vai me levar. – Lauren riu com escárnio.

- É meu dia livre. – espetou se levantando e prendendo o cabelo em um coque.

- Era. – Camila pegou a nota que estava em algum canto, colocando-a em cima da mesa. Lauren se aproximou para ler, deixando os ombros caírem.

- Você já tem 16 anos, pode resolver isso sozinha. Tem metrô e Madri é uma das cidades mais seguras da Europa.

- Fala isso pros seus padrinhos... – sussurrou se fazendo de interessante, olhando para o celular e comendo distraída. Lauren optou por ir ao banheiro de baixo, deixando a porta aberta enquanto lavava o rosto.

- Espero que o dono da escova verde não tenha herpes. – gritou. Camila levantou a cabeça imediatamente e correu até o banheiro.

- A escova verde é mi... – mas a frase morreu quando a policial olhou por cima do ombro, com a escova já na boca fazendo espuma.

Camila ficou olhando para as costas definidas da agente, que estava apenas de sutiã e calça, enquanto Lauren cedeu ao pecado, deslizando o olhar pelo corpo da menor lentamente. Mas quando percebeu o que estava fazendo, olhou para frente e cuspiu.

- Era. – disse sem jeito e sem olhá-la. Camila respirou fundo mordendo o lábio inferior. Estava prestes a ir embora, mas preferiu aproveitar a ocasião.

Se aproximou ficando atrás da maior, muito perto. Seu torso chegava a encostar nas costas de Lauren. Esticou o braço para pegar um pacote de escova fechado, na parte de cima do armário. Abriu o pacote colocando a mesma escova, porem nova, dentro do estojo de escovas.

- Nojenta.

Lauren nada disse, continuou escovando os dentes e olhou pelo reflexo do espelho o traseiro da menor desfilando pelo corredor. Sacudiu a cabeça rapidamente e se concentrou em seu reflexo:

«Que porra, Lauren, é sua quase sobrinha...»

E repetindo aquilo como um mantra, preferiu tomar banho em sua casa.

***

Era aquele dia do mês que Alejandro já havia estabelecido em seu calendário que deveria estar atento. Coincidia sempre com a reunião de todos os comissário, e como de costume, Allyson não aparecia de jeito nenhum.

- Brooke! – ele gritou desde sua sala e nenhum sinal da agente. O novo estagiário da vez que por ali passava, se aproximou colocando apenas o rosto dentro da sala.

- Senhor, a inspetora Brooke pediu para avisar que teve um problema com a moto e vai chegar um pouco tarde.

O comissário nada disse, apenas respirou fundo e assentiu.

- Obrigado, Matias.

«Dónde carajos te metes, Brooke»

Longe de problemas com a moto – e antes fosse, Brooke estava bem longe do CNP. O mesmo barraco de sempre. Cheiro de cigarro barato e mofo. A mulher de cabelos sujos, bata e aparência deteriorada permanecia ali, sentada no sofá.

- Eu não tenho tempo para essas coisas. – a agente disse impaciente. Havia perdido a conta das vezes que olhou seu relógio naquela manhã.

- Ora, o tempo está passando e você cada vez mais ingrata. – a mulher disse com dificuldade, tossindo um pouco mais. – Você achou que essa doença do demônio ia te ajudar a ficar em paz? – Ally fez uma expressão de nojo ante o estado. Falava devagar, mas não largava o cigarro. – Sinto desfazer seus planos.

- Você não sabe do que está falando. – disse ríspida. – Podia pelo menos parar de fumar...

A mulher riu deixando os dentes amarelados a mostra.

- Tonterías. [n/a:idiotices]

- Senhora... – um homem gordo, alto e com macacão azul se aproximou. Suava e parecia asfixiado. – O problema era na caldeira, mas já foi resolvido. A água deveria esquentar normalmente... – ele olhou ao redor com certo nojo, mas visivelmente doido para ir embora. – São 150.

- Que?! – a agente perguntou perplexa. – Foi só um maldito cano! – ele deu de ombros:

- Mão de obra e visita. – disse acanhado.

Ally tirou a carteira da jaqueta, pagando ao homem que foi embora imediatamente.

- Agora se me desculpa, eu tenho trabalho e uma desculpa que inventar. – espetou indo embora, mas quando estava na porta, a mulher ainda disse:

- Isso, se faz de ocupada, mas se desprezasse tanto assim, não estaria aqui cada mês. – Allyson apertou os olhos e enrijeceu o maxilar, virando-se imediatamente.

- Porque diferente de você, eu não sou um verme. – a mulher começou a rir e tossir. – E se ainda estou aqui é por pena, não por medo de você.

Mas Allyson sabia que aquilo era totalmente em vão e novamente se foi até a porta, mas a mulher voltou a provocar:

- Me pergunto o que seu chefe diria se soubesse a verdade sobre você.

A policial não se virou, apenas virando a cabeça para o lado, ela respondeu:

- Provavelmente que perdi muito tempo tentando compensar a merda de vida que você escolheu viver.

E sem esperar por resposta, ela foi embora.

***

O centro estava caótico. Se metade da cidade estava trabalhando, por que havia tantos carros na rua?

- Já contei sete infrações. Se eu estivesse em horário de trabalho eu-

- Mas você não está. – Camila a cortou bloqueando o celular e encarando-a. Estavam no carro da agente e no meio de um engarrafamento. Lauren grunhiu se concentrando no transito. – Vocês precisam parar com esse mal de achar que podem resolver tudo só porque tem uma arma e uma placa.

Lauren riu com desdém e enquanto passava a marcha, respondeu olhando-a:

- Mas nós podemos.

Camila revirou os olhos por longos segundos, apoiando o braço direito na janela. Lauren fez o mesmo com o seu, apoiando a cabeça na mão enquanto andava lentamente. Começou a pensar em como sua vida havia mudado nos últimos anos e foi inevitável não chegar aos últimos acontecimentos. A volta de Camila, aquela mania irreconhecível de andar olhando para ela...principalmente quando estava com o mínimo de roupa possível... Entre os anúncios do apresentador e uma música de sabe Deus quando, Camila abaixou o volume e olhou para Lauren. Pensou alguns segundos e então, sem filtro, soltou:

- Com quantos anos você perdeu a virgindade? – Lauren freou o carro bruscamente, encarando-a abismada:

- Que?!

- Com quan-

- Eu ouvi a maldita pergunta, Camila!

A latina se fez de desentendida:

- E por que você está tão irritada?

- Isso é lá coisa de perguntar? – a latina deu de ombros:

- Curiosidade. Por que, você tem vergonha de falar de sexo comigo? – Lauren revirou os olhos disfarçando a vergonha, sempre concentrada na frente:

- Podemos perguntar ao seu pai o que ele acha disso. – a latina riu mordendo o lábio inferior e jogando o cabelo para trás. Lauren olhou o ato pelo canto, engolindo seco.

- Claro, podemos... – zombou cruzando as pernas. Lauren também olhou, mas logo se reprimiu, olhando para frente. Ela estava de calça jeans. Qual o problema, Lauren? Talvez que tenha lembrado dos acontecimentos matinais... Camila pela casa, Camila de calcinha, Camila no banh... – E um piercing? – questionou sorridente.

Lauren pareceu se assustar, saindo finalmente do engarrafamento.

- Piercing?

- É, o papai nunca me deixaria fazer um, mas se você me levar...

Enquanto entrava no estacionamento, Lauren preferiu evitar o contato visual:

- Claro, e depois ele dá um tiro na minha testa por te ajudar com isso.

- Mas é no umbigo, e ele não vai ver. Posso esconder até os 18! – juntou as mãos em um pedido, mas Lauren só revirou os olhos. – Por favor, Laur!

- Vamos ver suas notas do primeiro trimestre, então eu penso no piercing... – disse fechando o assunto, mas enquanto saíam do carro, Camila reclamou:

- Você tem duas tatuagens!

- Mas eu sou maior de idade, Camila.

- Mis iu siu maior di ididi, Cimili. – imitou com desdém fechando a porta com força. Lauren sorriu negando.

- Tá vendo? Por isso eu tenho e você não.

A menor bufou, mas logo percebeu que em vez de segui-la, Lauren se encostou no carro.

- Você não vai comigo? – Lauren negou.

- Tenho que ligar pra Dinah para falar do relatório. Te espero aqui.

Camila revirou os olhos e se foi sussurrando um estupida baixinho:

- Eu ouvi isso!

A latina se virou e mostrou o dedo do meio, fazendo Lauren rir ainda mais enquanto tirava o celular do bolso.

***

Sinu terminava de conferir que todos os salgados e pasteis estavam a ponto no forno quando chegou no balcão, onde Clara anotava algumas coisas em uma esquina. A cafeteria estava meio vazia, então ela se sentou ao lado da amiga com sua xícara de chá.

- Os fornecedores ofereceram um desconto caso comecemos a colocar painéis de propaganda... – Clara disse com desdém. – A gente paga uma fortuna e esses descarados ainda querem levar benefício. – Sinu sorriu assoprando o líquido antes de beber. – Eles sim deveriam levar propagando da cafeteria nos caminhões! – a mulher jogou a caneta de qualquer jeito. – E Lauren me manda um mensagem agora de “estou bem”, vê se pode?

- Oh! – Sinu disse de repente. – Ela esqueceu a chave no departamento e amanheceu no meu sofá.

- Ela tem a chave da sua casa, mas a dela não? – Sinu deu de ombros rindo:

- Provavelmente ela entrou com a chave que deixamos no jardim.

- Essa menina... – Clara bufou negando com a cabeça. – Se não bastasse me preocupar pelo trabalho, ainda tem a cabeça desastrada dela.

- Se acalme, mulher. O que houve para que você reclame tanto?

- Não sei... – confessou coçando a testa. – Pode ser coisa da minha cabeça...

- Clara... – Sinu a olhou séria. – O que houve?

- Desde que ela voltou dos Estados Unidos anda estranha... – a loira franziu o cenho:

- Estranha?

- Às vezes sai no meio da noite quando não fica até tarde lendo não sei o que de uns casos... Eu até entendo que o trabalho é difícil, mas ela não fazia isso antes!

- Ale não me disse nada sobre um caso novo... – disse bebendo mais um gole. – O que é estranho porque quando ele não está falando de trabalho, está reclamando de como os agentes são incompetentes...

- Estou com um pressentimento ruim, Sinu... – confessou encarando-a:

- Pressentimento de que?

- Não sei, mas ela anda metida em alguma coisa.

Antes que Sinu pudesse responder, Allyson e Dinah entraram se aproximando da barra.

- Bom dia! – Dinah disse sorridente.

- Bom dia... – Ally cumprimentou não tão feliz assim. Os gritos do comissário ainda ecoavam em sua cabeça.

- Dinah, estávamos falando de você ainda agora! – Sinu disse risonha.

- Sim? Eu não fiz nada, juro! – brincou mostrando as palmas enquanto se sentavam.

- Oh não, querida. É que Clara estava me contando sobre a preocupação da Lauren com o caso novo...

Mas a agente franziu o cenho, sem entender:

- Caso novo?

Clara se fez de desentendida:

- É, ultimamente ela fica até tarde lendo umas coisas...

- Vocês pegaram caso novo? – Ally questionou pegando uma azeitona. Dinah negou veemente.

- Ainda nada... Depois que fechamos a Olímpica estamos à espera de algo. Tem certeza que é um caso? – Clara deu de ombros:

- Não sei, pensei que fosse...

- Não sei disso não, dona Clara.

- Deve ser algo do treinamento... – Sinu desconversou. – O que vocês vão querer?

- Eu quero um suco de laranja. – Dinah pediu.

- E eu um café bem forte, por favor!

- Já venho! – Sinu disse saindo da barra, seguida logo por Clara que a chamou no canto enquanto cortava as laranjas:

- Viu só!

- Pode ser alguma coisa antiga, algo que Ale pediu que ela olhasse...

Então de repente elas se encararam, sérias e alarmadas. Mas depois de uns segundos, responderam ao mesmo tempo:

- Impossível.

***

Enquanto Camila saía da secretaria em direção ao carro, percebeu de longe que Lauren falava com alguém no telefone de uma forma nada amigável. Gesticulava e parecia xingar sem parar. Mas quando a viu se aproximar, imediatamente desligou e entrou no carro.

- Tudo bem? – Camila inquiriu ao entrar.

- Sim, precisamos passar em um lugar antes de ir para casa.

- Okay.

Disse sem mais, mas o resto do trajeto foi em silêncio absoluto. Lauren tinha o cenho franzido, como se estivesse pensando em algo que lhe irritasse muito. Camila preferiu não cutucar, mas não estava mais aguentando de curiosidade.

Seria uma mulher? Era difícil ver Lauren tão irritada daquele jeito. Tudo bem que ela não gostava de ninguém no mundo e costumava ter a cara sempre fechada, mas...

De qualquer forma engoliu a língua. Estava tendo um dia bom e seu plano parecia dar frutos antes mesmo do esperado, não queria tentar a sorte.

O caminho era desconhecido, um bairro que Camila jamais frequentara em sua vida. Um conjunto de prédios e no centro a pista. Alguns carros estacionados, pessoas transitando e parando para olhar o veículo. Não devia ser todo dia que um BMW aparecia por lá. Lauren encostou perto da lixeira e abriu o porta-luvas, pegando uma arma. Verificou as balas e a colocou nas costas.

- Que porra... – Camila disse com os olhos arregalados.

- É uma informação importante para um caso. Fica aqui e por nada no mundo saia, ok? – a latina assentiu lentamente enquanto Lauren saía e ativava o alarme do carro, trancando-o.

Um homem magro e baixo estava apoiado em um dos veículos estacionados. Tinha um casaco surrado e fumava. Não pôde ver muito, só que Lauren se aproximava dele e acenava com a cabeça.

- Sua irmãzinha? – o homem questionou quando a policial chegou.

- Não é da sua conta. O que era tão importante que você não podia esperar? – O homem continuou olhando para o carro, distraído. – Eh! – Lauren estalou o dedo na frente do rosto dele. – Tá surdo?

A contragosto o homem a olhou:

- Pois claro que é importante, ou você acha que eu quero todo mundo comentando que eu falo com maderos?

- Então cospe que eu não tenho o dia todo.

- É aquela sua colega, a negra. – Lauren franziu o cenho. – A policial bonita... Normandia...

- Normani.

- Isso! – Lauren não pôde dissimular a surpresa. – Ela andou por aqui perguntando a uns garotos. Não sei o que exatamente, só me informaram que ela tava bisbilhotando. – Lauren passou a mão pelo cabelo, jogando-o para trás. – Te disse que não queria saber de topo na minha zona...

Disse irritado, mas Lauren se aproximou mais, encarando-o com raiva:

- Eu não tenho nada a ver com isso.

- Sim... – ele fungou dando um passo atrás. – Claro...

- Tem certeza que era ela? – ele deu de ombros:

- Tem poucos maderas negras do CNP com nome de gringa que eu saiba.

- Quando isso?

- Há dois dias...

Lauren suspirou pensando por uns segundos e depois disse:

- Você contou a alguém? – ele negou rapidamente.

- Para quem eu ia contar que tenho trato com você? Enlouqueceu?

- Acho bom. – disse firme, encarando-o novamente. – Espero que tenha sido mera casualidade porque se eu descobrir que você foi pela língua...

- Ei, ei, ei! Posso ser tudo menos x9!

Lauren assentiu repetidamente, olhando ao redor. Então viu como Camila olhava tudo do carro:

- Obrigada por informar, mas da próxima vez mande uma mensagem.

Ele cuspiu no chão, fechando a cara:

- Não sou seu secretário não, dona. Ainda acha que avisei. – reclamou se afastando.

- Piérdete. [n/a: mete o pé? Dá o fora?]

Ela disse irritada e voltou para o carro as pressas.

- Quem é esse cara? – Camila inquiriu preocupada.

- Um informante. Ninguém importante.

- E uma merda, não se encontra informante de dia e em lugar público e você sabe. – Lauren fechou a acara ainda mais, saindo quanto antes de lá. Mas Camila a encarava a espera de explicações. – Quem era esse cara, Lauren?

- Ele está me ajudando a encontrar uma pessoa! – disse impaciente. – Ok? Só isso.

- Que pessoa? Você está metida com algo ilegal? – Lauren revirou os olhos e respirou fundo, se acalmando quando já estavam saindo da zona de perigo. Então olhou para a jovem e sorriu torto:

- Claro que não, Camz. É trabalho, tá? Não se preocupa...

A menina estreitou os olhos, mas preferiu aceitar.

- Só se você me pagar um lanche.

Lauren riu assentindo.

- Você se vende por tão pouco...

Camila deu de ombros, aumentando a música do rádio. Correr el Riesgo sempre a deixava feliz, independentemente das circunstâncias. Para sorte de Lauren era justamente a que estava tocando. Ela simplesmente abriu a janela do carro e colocou a mão para fora, formando ondas ao vento, de olhos fechados e sorrindo.

Lauren a admirou por uns segundos e quando percebeu estava sorrindo.

«Por que Camila estava disposta a correr o risco?».

Não, Lauren.

A pergunta não é por que, senão por quem.


Notas Finais


Aiai...


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