História Project Death - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Categorias Justin Bieber, Selena Gomez
Personagens Justin Bieber, Personagens Originais, Selena Gomez
Tags Apocalipse, Justin Bieber, Zumbi
Exibições 307
Palavras 12.335
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Científica, Hentai, Romance e Novela, Sci-Fi, Survival, Suspense, Violência
Avisos: Canibalismo, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Creio que vocês entenderam porque não apareci antes depois de postar o 10.
Esse capítulo ficou ENORMEEEEEEE
E não consegui colocar tudo que eu queria, ainda, que triste.
Enfim... HAHAHAH

Espero que gostem <3

Capítulo 11 - Higher Risks pt.3


Querido Deus,

Se você realmente existe, acho que te devo um pedido de desculpas.

Eu destruí em sete minutos toda a vida que você criou em sete dias.

Eu tinha os olhos fechados enquanto sentia a porta bater e voltar, sempre batendo e voltando, já que eles empurravam-na para abrir e eu empurrava para fechar.

Abri os olhos, focalizando os mesmos na sala e no que eu via.

Analisei o homem caído outra vez, a mulher apertando a filha contra o pescoço, protegendo-a.

O homem tinha uma meia idade, parecendo ter uns quarenta anos. A mulher devia ter no máximo trinta e cinco. Ele tinha os cabelos castanhos escuros e barba rala. Ela tinha os cabelos loiros e olhos castanhos, assim como uma ou outra marca de idade na testa. A garotinha tinha os cabelos loiros, e parecia ter os olhos azuis.

 

Eu, Scarlett Delilah Clarke, solenemente juro que irei apoiar e defender a Constituição dos Estados Unidos contra todos os inimigos, estrangeiros ou domésticos; que eu terei verdadeira fé e lealdade à mesma; que obedecerei às ordens do Presidente dos Estados Unidos e dos oficiais acima de mim, de acordo com as regulamentações e o Código Uniforme de Justiça Militar. Que Deus me ajude.”

 

Encarei a mulher após lembrar do juramento solene. Não que eu acreditasse em Deus, mas era o script.

Nenhum problema tinha uma única saída. Nenhum problema tinha um único fim.

Nenhum problema deveria incluir apenas se matar, apenar desistir e deixar cada um daqueles zumbis entrarem.

Desistir não fazia parte do meu vocabulário, e não ia ser agora que eu ia adicionar.

— Aquele sofá. — Apontei com a cabeça para um sofá próximo da janela, com ela concordando, curiosa. — Empurre-o até aqui.

A sala era pequena, não muito, era quase como uma sala de aula de ensino médio, tamanho médio. Ela tinha as paredes pintadas em cinza, chão com mármore marrom claro, teto também cinza, parecendo iniciar a descascar por causa de uma infiltração vinda do andar de cima. Tinha duas mesas com computadores em cima, assim como tinha cadeiras. Tinha um sofá, uma televisão. Também tinha uma mesa sem computadores em cima, apenas um vaso de flor pesado e um telefone, assim como o que parecia um jornal.

Ela soltou a filha, seguindo até o sofá, começando a empurrá-lo, ajudei-a a arrumar ele, segurando a porta por cima do sofá, mantendo meus pés firmes no chão, sentindo meu tornozelo latejar, assim como minha perna esquerda quase me derrubava com a dor.

— Aquela mesa. — Apontei com a cabeça para uma mesa com um computador em cima. — Pegue o computador e a CPU dele. — Ela concordou, pegando a tela, que era daquelas antigas, anos 90, em caixote, colocando-a em cima do sofá, comigo mantendo a porta firme. Logo em seguida ela colocou a CPU ali. — Vaso de plantas. — Apontei com a minha direita, com ela levando o vaso de plantas ali. — O outro computador e CPU. — Ela colocou ambos ali também. — Televisão. — Ela colocou em cima, apoiando no apoio do sofá. — O homem.

Ela levantou as sobrancelhas para mim.

— Ele é o pai da minha filha.

— Senhora, você não vai ter filha se não fizer o que eu estou pedindo.

Ela concordou, levantando o homem do chão e sentando-o no sofá, do lado mais longe da porta. Observei uma das mesas.

— A mesa também.

Subi em cima do sofá quando ela empurrou a mesa, ficando apenas na ponta dele, já que ele estava basicamente completamente ocupado, então olhando em volta.

Ok, uma lâmpada no teto, nada útil, a não ser que eu quisesse prejudicar a saúde de todos ali ao quebrar ela. Um quadro, também inútil.

Desci do sofá, passando por cima da mesa, conferindo se a porta se movia. Ela se movia, mas não abria. Arrumei as cadeiras na parede, para bem na reta da porta, deixando-as ao lado da única janela do local, a mesma que sequer persianas tinha.

Olhei em volta uma última vez, então olhando para meu rádio. Conferi ele, batendo no mesmo. Ele estava pegando, é claro, mas ninguém falava nada. Provavelmente sabiam que eu ouviria as estratégias caso continuassem se comunicando por ele, então era bom garantir mudar o rádio utilizado.

Olhei em volta, preocupada.

Foi quando a porta se moveu.

Foi um mínimo centímetro, mas isso me provou que não íamos aguentar por muito tempo. Ela parecia de metal, mas era metal vagabundo, não um metal forte como as portas do exército — ou de um helicóptero.

Incrível.

— Você tem reforços, não tem? — A mulher me perguntou, desesperada.

— Em teoria. — Falei, analisando a porta. Tirei a metralhadora de meu pescoço, colocando-a em cima da mesa, me apoiando com as mãos espalmadas na mesma, encarando o chão, a cabeça baixa.

Eu precisava toma uma decisão.

Três civis ou Sean.

Minha vida ou Sean.

Três civis ou Sean.

Confiar em Jason ou não.

Três civis ou Sean.

Minha família ou morrer.

Respirei fundo, abrindo meu casaco, pegando a foto que eu tinha pegado de meu escritório horas atrás, vendo a gatinha dormir tranquilamente, ronronando, comigo então notando que o sol já nascia, quase iluminando completamente a cidade.

O rádio apitou nesse instante, comigo ouvindo a voz de Jason.

Timing era tudo nos dias de hoje.

— Clarke, por favor, responda. — Pediu. — Você não vai sofrer nenhuma sanção, Oall só quer conversar na base, passe sua localização e vamos te resgatar.

Mantive-me em silêncio, colocando a foto de família ao lado da arma, respirando fundo enquanto encarava minha irmã sorrindo, meus pais. Eu também sorria.

Era como escolher entre tudo ou Sean. E eu não conseguiria sair daquele andar, mesmo que escalasse até o topo — com o que quer que fosse tornar isso possível, já que com a situação de meu corpo, não era —, sabia que a cidade estava cercada, sabia que aquela rua em particular estava lotada, eles sabiam que tinha um humano ali.

E, no meu caso, eram quatro.

Era suicídio, e eu não podia permitir isso, não podia simplesmente sair dali.

A única saída era a extração (ou morrer), por mais que eu odiasse.

Batuquei meus dedos na mesa, olhando para a garotinha assustada, sua mãe também assustada e um pai inconsciente.

— O que aconteceu com ele? — Perguntei, apontando com a cabeça para o corpo caído, com a mulher me encarando.

— Ele caiu quando subíamos as escadas, só consegui trazer ele até esse andar.

— Como despistou os mortos-vivos?

— Não sei. — Eu odiava essas duas palavras.

Abaixei o rosto novamente, encarando o sorriso de minha irmã.

Eu não conseguiria me livrar de tantos zumbis tão rápido e com tantas pessoas para salvar. Fora que eu estava machucada, não conseguiria correr com um homem em meus ombros por muito tempo.

Ignorar civis quando você sabia que iam morrer — você tentando ajudar ou não — era uma coisa, mas aqueles civis... Eles não precisavam morrer. Eles não precisavam ser mais um número da contagem de mortos devido ao vírus. Eu tinha a capacidade de salvá-los.

E, se eu não pedisse ajuda, íamos morrer.

Se eu pedisse ajuda, podia ocorrer de ser julgada por traição, por desertar. E Jason tinha me alertado quanto a confiar nele.

Ele já era confiável? Eu podia confiar nele?

Enquanto eu não tivesse certeza, não podia.

Parei de batucar meus dedos na mesa, pegando a foto e dobrando-a.

Eu não podia confiar em Jason, mas podia confiar em mim mesma.

E eu não ia morrer hoje.

— Moça? — A garotinha perguntou, comigo encarando-a. — Você vai salvar o papai?

Abri um sorriso fraco para ela, concordando.

— Claro, gatinha.

Sua mãe sorriu, balançando seu cabelo, comigo empurrando a mesa para seu lugar novamente, analisando a porta, que tinha se movido um pouco, mas agora já estava fechada novamente, graças a mim. Com certeza não íamos aguentar muito tempo.

Eu tinha feito tudo isso e ia voltar para casa sem Sean. Sem meu melhor amigo, sem quem eu queria a todos os custos salvar a vida, porque eu não podia deixar ele... Desacreditado. Ele era meu melhor amigo, inferno, ele era o cara que já tinha quebrado a cara de um ou outro por minha causa, ele era o cara que veio se borrando de medo quando disse que ganhou uma palestra para o presidente (e muitos outros engravatados e cientistas e médicos e pessoas importantes). Ele era meu melhor amigo, e eu tinha que desistir dele.

Mas ia salvar a vida de uma garotinha.

De uma mulher.

De um homem.

E eles eram civis inocentes, ao menos inocentes do que estava ocorrendo.

Eu não desistiria pra sempre. Provavelmente acabaria voltando para LA, com sorte, talvez, sem estar presa pelos militares, mas... Eu ia voltar. O mundo não acabava agora. Demoraria mais, Sean ia ter que se virar sem mim por mais tempo, mas não era impossível.

Se o apocalipse zumbi era impossível, que salvar Sean também fosse.

Impossível, agora, era só mais uma maneira de ver as coisas.

Levantei meu braço direito, apertando o rádio.

— Jason. — Chamei.

— Puta que pariu, Scarlett, onde você está? — Jason falou, o rádio chiando, mas foi compreensível.

— Um prédio no meio do centro de Raleigh. — Pausei, balançando meus dedos da mão direita enquanto segurava o rádio próximo à boca com a mão esquerda. — Preciso de extração, preciso de ajuda.

Eu não queria ver o sorrisinho dele, mesmo, já era suficientemente difícil fazer sair sem ver ele ao vivo, era difícil pedir ajuda quando se tratava de mim, eu gostava de acreditar que era autossuficiente.

— Diga que me ama. — Levantei as sobrancelhas, incrédula.

— Isso é sério?

— Diga que me ama e eu ordeno a busca. — Abri a boca, incrédula.

— Isso é assédio, sabia? — Ele não respondeu, comigo bufando. — Qual é, Jason.

— Diga que me ama. — Repetiu. Bufei pra essa.

— Eu estou quase morrendo, inferno. — Ele riu do outro lado.

— Mais um motivo. Quanto antes você falar, antes vamos te buscar.

Resmunguei um palavrão.

— Tá, eu te amo, inferno. — Pude visualizar o sorriso convencido dele, ouvindo uma risada próxima. Ah, Scorpion.

— Viu? Não foi tão difícil.

Revirei os olhos.

— Diga por você. — Andei pelo local, pensativa. — E tenho três civis comigo. — Acrescentei.

Ele parecia pensar do outro lado.

— Sem localização? — Sua postura mudou totalmente, ficando sério, assim como a minha.

— Não tenho GPS comigo. — Fiz uma careta. — O medidor de radiação... Meio que tirei o rastreador.

— Notei isso faz horas. — Ele riu fracamente do outro lado. — Ok, ouviu isso, Clarke?

Fiz uma careta. O quê?

— Isso o que?

— Jogamos uma bomba numa rua repleta deles.

— Não ouvi nada. Um segundo. — Abri a janela. — Tente de novo. — Pedi. “Tente jogar uma bomba no meio de uma cidade novamente, por favor.”, isso soava ridículo.

Nada. Absolutamente completo e total silêncio em uma cidade que só se podia ouvir grunhidos e vozes fracas vindas desses grunhidos, sem falar nada. Uma cidade fantasma repleta de destruição e morte.

— E agora? — Perguntou.

— Não faço ideia.

— Ok, você tem como levantar fumaça? Atirar em algo no alto que vá fazer barulho?

Parei, pensativa.

A gasolina servia para situações de emergência.

Essa era uma situação de emergência.

— Tenho uma ideia. — Falei. — Eu caminhei por aproximadamente quarenta minutos no centro de Raleigh. — Expliquei. — Vim do norte da estadual, isso significa que estou mais ao norte que ao sul no centro. — Pelo menos ele teria uma limitação do território para que local procurar.

— Ok. — Falou, pensativo, parecendo calcular algo com outras pessoas, conversando em segundo plano.

— E eu estou cercada, Jason. — Acrescentei.

— Imaginei, era a única explicação pra você entrar em contato.

Abri um sorriso fraco.

— Vou avisar quando fizer sinal, mas... — Fiz uma careta. — Creio que vocês vão encontrar.

— Eu tenho certeza. Bomba caseira?

Puxei o ar.

— Melhor.

Pude ouvir a risada de Scorp.

— Não me decepcione.  — Jason provocou, comigo sorrindo.

Eu nunca decepciono. Era por isso que eu me dava em qualquer área que insistia em trabalhar.

Se eu iniciei, eu vou até o fim com o meu melhor.

E meu melhor era mais do que bom.

Era ótimo.

— Ah, eu preciso de tratamento médico e tenho um civil inconsciente. — Falei.

— Você ou ele foram mordidos?
— Não. Acha que eu estaria aqui se tivesse sido? Eu teria... — Parei de falar ao ver o olhar da garotinha, curiosa com a conversa. Eu teria me matado. — Apenas venha quando ouvir. Ou ver. O que vier primeiro. — Ele concordou do outro lado. — Jason... Hm... Temos mais de cem mortos-vivos cercando um prédio ao lado, graças a mim.

— Ok. — Ele falou. — Só sinalize, Scarlett. — Ele parecia sério, talvez preocupado, difícil dizer. — O resto deixe conosco.

— Ok. Câmbio.

Ele apenas segurou o rádio, chiando para informar que desligara.

Abri minha mochila em cima da mesa, lembrando dos sanduíches. A garotinha ainda estava em pânico, principalmente porque ainda batiam na porta, ainda mais comigo falando. Peguei um dos sanduíches, desembrulhando ele e indo até ela, lhe mostrando ele ao me abaixar na sua altura.

— Está com fome? — Ela olhou para sua mãe, que concordou, com ela pegando o sanduíche. Eu estava indo para um helicóptero, provavelmente para a base logo após isso.

Não ia precisar daquele sanduíche, e ainda tinha outro.

Sorri, me levantando e pegando a garrafa de gasolina, abrindo-a.

Se eu atirasse, o som viria de cima, mais deles subiriam no prédio.

Agora, com uma explosão... Mesmo se eu usasse a arma para causar a explosão, nada se sobreporia ao som que faria.

A mãe da garota me encarava, preocupada.

— Você serve ao exército há quanto tempo?
Dei de ombros.

— Servi por seis meses no exterior, com o treinamento de sete meses no país. — Falei, abrindo a garrafa, parando na frente da janela. Nós jurávamos um ano servindo, mas em campo era em média seis meses. Abri a janela, colocando a garrafa para fora e então virando-a dali, deixando o líquido cair, balançando ele no ar enquanto via vários dos mortos-vivos voltando-se para mim, levantando as mãos. Assobiei alto o suficiente, chamando por mais deles. Assobiei mais duas vezes antes de voltar a virar a gasolina, espalhando várias vezes ela, então deixando os últimos pingos do líquido caírem. Quantos mais viessem, mais morriam.

Soltei a garrafa, respirando fundo e vendo ela se espatifar com força no chão, com vários dos mortos-vivos olhando, parecendo confusos por algo se mover e não ser vivo. Olhei para a mulher nesse momento.

— Preciso que você segure a porta. — Falei, com ela concordando, subindo no sofá e segurando, sua filha se encolhendo enquanto comia.

Fui até a menina, colocando a mão esquerda em seu ombro direito.

— Qual a princesa que você mais gosta?

Ela me encarou.

— A branca de neve. — Concordei com a cabeça, mexendo em sua mão, com ela engolindo o sanduíche.

— Você sabe por que ela era tão forte? Por que todos os sete anões gostavam dela?

Ela me encarou, negando.

Passei a mão por seus cabelos.

— Porque ela era tão corajosa quanto você.

Me levantei, batendo a mão em sua cabeça antes de respirar fundo. Eu entendia de traumas, tinha feito parte das disciplinas de psicologia durante meu curso de medicina, e mesmo que aquela menina tivesse sete anos, ainda ficaria traumatizada com cenas que veria ali, então eu tinha que encontrar uma maneira de diminuir o trauma. Poderia levar ela à loucura, dependendo do nível das cenas que ela veria. As chances disso acontecer eram altas, de 99 para 1.

Puxei a outra mesa, levando-a para o meio da sala quase vazia, então subindo nela, girando a lâmpada e a retirando.

O problema de caçar uma cientista?

Ela sabe como matar em massa.

E, quando eu digo em massa, eu quero dizer centenas em um segundo.

Joguei a lâmpada do andar, já na janela, assobiando outras três vezes antes, vendo ela se espatifar no chão, levantando um pouco de pó.

Peguei minha arma da cintura, olhando para trás.

— Tapem os ouvidos.

Mirei num dos espaços livres no chão, vendo a gasolina.

Atirei duas vezes, então entrando rapidamente no local, me escondendo atrás da parede, tapando meus ouvidos com a arma na mão direita, sentindo tudo tremer.

O estouro foi alto, estilhaçando a janela enquanto a fumaça levantava, preta e densa.

Por uns instantes tudo ficou confuso, preto, meus ouvidos tinham um som de assobio, tudo parecia... Girar.

E então parou.

Fechei a janela para impedir a fumaça preta de entrar, então pegando o rádio.

— Decepcionei, Major?

— Eu devia ter esperado por essa. — Foi ele quem falou. — Estamos indo, Scarlett. Consegue chegar no terraço? Já tenho visibilidade do prédio.

Olhei para a porta, preocupada.

— Não consigo sozinha. Não vou conseguir subir os andares que faltam, tenho um músculo distendido que não vai me deixar carregar o civil desacordado.

Ele ficou em silêncio, parecendo pensar, quando o rádio chiou novamente.

— Scarlett? — Era Scorp. — É o seguinte, vou descer, mas preciso que você sinalize a janela que está, do andar que está. Vou sair com você e com os civis.

— Ok. Vou colocar a M4 para fora da janela.

— Ok. Estou esperando. — Ouvi o som de um helicóptero bem acima do prédio, comigo pegando a M4, levantando meu braço direito depois de trancar o rádio nele, então tapando com o casaco minha boca, por causa da fumaça, colocando o braço para fora. — Já vi. Vou entrar. — Falou, comigo ouvindo Jason dar ordens de como proceder em inúmeras situações.

Mantive a M4 por alguns instantes, vendo então o ponto vermelho de uma mira em meu braço, comigo concordando, tirando o braço. Usavam a mira para sinalizar o andar para Scorpion, era uma tática útil, já que o laser passava a fumaça, só não passava um corpo físico como um ser humano ou paredes.

Enquanto esperava, voltei meus olhos para os computadores, notando uma coisa.

Eu não tinha passado na loja de informática para montar o gerador em casa.

— Então, moça, o que você vai fazer? — A mulher me perguntou. — Estamos sem saída de todos os jeitos, e você parece bem machucada.

Dei de ombros, encarando a janela.

Você e Chloe foram as melhores coisas que me aconteceram, então vá lá e mostre quem manda. — Lembrei de minha mãe, então voltando os olhos para a mulher.

— Vou mostrar quem manda.

Conferi o pente da M4, então da M9.

Foi quando Scorp entrou com tudo ali dentro, rolando e batendo no chão.

Ele negou com a cabeça para mim, se levantando e arrumando as armas que tinha com ele.

— Eu honestamente não consigo entender a sua capacidade de fazer merda, Scarlett. — Ele bateu em meu ombro, me cumprimentando, comigo fazendo uma careta. Ele fechou um olho, torcendo o canto da boca. — Machucada?

Concordei com a cabeça.

— Enfim. — Falei, apontando para a porta. — Pelo menos dez do outro lado, acho que uns quinze, pelo que posso prever. — Apontei para o corpo. — Inconsciente desde que encontrei-os.

A mulher falou, então.

— Ele está inconsciente há mais ou menos uma hora.

Scorp parecia preocupado, comigo também concordando. Eu era médica, mas não funcionava assim cuidar de alguém, encontrar uma solução. O fato dele estar desacordado — mas respirando — indicava algum trauma, possivelmente algo quebrado no próprio cérebro, simplesmente seguir para o modo “acordar” podia levar a sua morte, já que o desmaio era um mecanismo de defesa de um corpo exausto — ou muito machucado.

Ele me encarou, então.

— Sua mãe ligou para a base de LA algumas horas atrás, conseguiram entrar em contato com a base da divisão aérea e nos informaram meia hora atrás.

Engoli em seco, o que tinha acontecido com eles? Eu tinha até medo de fazer a pergunta.

Mas precisava saber.

— Está tudo bem?

Ele concordou.

— Sim, ela estava preocupada com o fato de você não estar em casa desde o horário previsto, então Rover apenas disse que você estava resolvendo algumas questões na base de CN, já que ele não sabe exatamente o que está acontecendo. Ela ficou mais aliviada. — Concordei com a cabeça, franzindo o cenho. — Você ficou louca para desertar assim, Scarlett. É a única explicação.

Neguei com a cabeça.

— Não. Eu precisava salvar ele.

Scorpion concordou, suspirando.

— Ok, então. — Ele deu de ombros. — E como você se saiu com isso? — Provocou.

— Cala a boca. — Ele tinha um sorriso brincalhão no rosto, então indo até a janela, comigo vendo uma corda, até eu sorri fraquinho para essa. Ele concordou para subirem a corda, então olhando para a porta, me encarnado.

— Você consegue segurar a porta? — Concordei com a cabeça. — Ok, então. Vamos ficar aqui dentro e matar os que estão nesse andar, chamando-os para a armadilha aqui dentro, então quando o andar estiver limpo, eu subo com o senhor, você — falou me encarando — sobe com a garotinha, e a senhora vai entre nós dois. Formação 1:1, você inicia, Scarlett. — Concordei. Era formação linha reta, isto é: um na frente, um logo atrás (a senhora) e ele logo por último, com o senhor.

Tirei a faca de meu braço, entregando-a para mulher.

— Levante o braço, segure o pescoço dele caso esteja de frente para você, e afunde no cérebro da vítima com toda a força que você tem. — Ensinei-a como matar alguém da maneira mais difícil possível quando usando as mãos.

Ela concordou, as mãos pareciam tremer.

— Não dê o exemplo errado para sua filha. — Rosnei. — Ela precisa de um apoio, um apoio forte e sólido com segurança, e você é ele. Se você ceder, ela cede. — Ela concordou com a cabeça, mas pude ver os olhos cheios de lágrimas. — É uma situação tensa e de perigo iminente, é verdade, mas é superável se todos colaborarem.

— E se eu estragar o plano?

Dei de ombros.

— Então vou ter que ser rápida no gatilho.

Scorp analisava a porta, vendo as melhores coisas para retirar primeiro, empurrando a mesa do caminho e ficando em cima do sofá tranquilamente, avaliando a sala enquanto ficava sentado no apoio para braços, balançando os pés tranquilamente, como se não estivesse no meio de uma das situações mais tensas da vida dele. Bom, eu não diria tensa, mas se enquadrava em perigosa. Em situações tensas que ele já devia ter passado — e que eu absolutamente já tinha passado —, aquela que passávamos naquele instante não era nada.

Encarei a garotinha, me abaixando em sua altura enquanto segurava minha metralhadora, já com ela pronta para combate. Sorri para a menina.

— Você gosta de videogame? — Perguntei para ela, formando uma estratégia de proteção para o psicológico dela. Scorp me encarava, perdido (e irritado com nossa demora). A garotinha concordou com a cabeça, os cabelos loiros balançando e batendo em seus ombros com força. Porra, obrigada. Se ela não gostasse, eu teria um problema. — Sério? Que incrível! — Abri um sorriso enorme, com ela sorrindo, também. — Então, eu tenho um desafio pra te propor. — Pisquei para ela, tratando tudo como uma brincadeira.

Ela concordou, animada.

— Você vai ficar nos meus ombros e vai se segurar em mim como se eu fosse o controle do jogo, pode ser? — Ela concordou, comigo balançando seu cabelo. Ela tinha acabado de terminar o sanduíche, mas ainda parecia faminta. Eu também estava com fome, mas era meu menor problema no momento. — Você vai ver tudo como se fosse um jogo, mas é só um jogo, não tem porque gritar ou levar a sério, né? — Ela concordou, sorrindo. — É só um jogo de todos os jeitos. — Ela concordou novamente, ainda sorrindo.

— Qual o nome do usuário? — Abri um sorriso.

Claro que sim.

— Você que escolhe, gatinha.

Ela sorriu também.

— Pode ser loirinhafoda10? — Abri um sorriso, concordando.

— Claro que pode.

Scorp tinha entendido minha estratégia alguns instantes antes, concordando com minha decisão. Aquela criança podia estragar nossa fuga em instantes, então era bom garantir que o estrago não acontecesse. Medir problemas e consequências deles era uma ótima especialidade minha.

Levantei ela, colocando-a em meus ombros, sentindo meu ombro direito doer com ela apoiando sua perna ali. Pedi para ela se segurar, então pulando para garantir que estava firme. Ela não caiu, mas se arrumou em meus ombros depois que toquei o chão, segurando-se mais firme.

— Seu cabelo é bonito. — Ela falou. — Por que você amarrou ele? — Abri um sorriso para ela, virando meu rosto para encará-la, colocando minha mão esquerda em sua perna.

— Me promete uma coisa?

Ela concordou, me encarando, séria.

— Se você cair dos meus ombros, você corre. Mesmo que seja para longe da mamãe. — Apontei para sua mãe, que sorria para ela, concordando comigo.

— Prometo. — Falou, ainda séria.

Concordei com a cabeça.

— Firme?

— Aham. — Falou, animada. — Vamos logo, loirinhafoda10.

Scorp tossiu, colocando a mão na frente da boca, escondendo um sorriso e uma risada, antes de eu balançar minha cabeça, negando de leve para ele. Ele então tirou tudo de cima do sofá, comigo olhando para a mulher.

— Você poderia abrir a porta? Assim que abrir, você sai correndo e fica atrás de mim e Scorpion. — Parei, notando. — Meu nome é Scarlett Clarke, a propósito. Desculpe. — Ela sorriu, negando num gesto de “sem problemas”.

Jason pegou o homem, colocando-o deitado no chão ao seu lado, me encarando, sério e preocupado. Apenas concordei com a cabeça, entendendo sua preocupação. Se não tivéssemos tempo, Scorpion poderia acabar comprometido apenas por tentar sair com aquele homem dali. E Scorpion, até onde eu sabia, era um dos caras não dispensáveis de Laehn, um dos mais fiéis a ele, e esse tipo de coisa demora anos pra se conquistar.

Ajudei a tirar as coisas dali, inclusive a mesa, então pedindo para a mulher segurar com força a porta, comigo e Scorpion empurrando o sofá. A garotinha parecia se divertir em meus ombros, já que jogava em 3D.

A diversão dela ia acabar em alguns segundos.

Eu e Scorpion paramos a cinco passos largos da porta, levantando nossas M4, encarando a porta. Ele olhou para baixo, conferindo o homem no chão ao seu lado, então levantando o olhar, mirando na porta. Mirei também.

— Pronta? — Concordei.

— Pronto? — Ele também concordou pela minha visão lateral. — Pode abrir.

A mulher soltou a porta, se abaixando enquanto corria para atrás de nós dois, a porta estourou, quase caindo, com os zumbis entrando.

Um. Dois. Três. Solavanco, solavanco, solavanco.

Quatro, cinco, seis. Corpo no chão, corpo no chão, corpo no chão.

Sete, oito, nove. Cartuchos tilintando ao tocar o chão.

Dez.

O último corpo caiu, com Scorpion se abaixando, pegando o homem.

— Vai, Scarlett! — Ordenou, comigo saindo correndo, apontando a arma. Tinham dois subindo as escadas, derrubei os dois. A mulher vinha logo atrás, segurando no apoio de minha mochila, para que eu pudesse saber que ela ainda estava ali. Inteligente da parte dela. Matei outros três antes de subir as escadas. No andar seguinte tinham outros dois, comigo atirando novamente.

Tiros, tiros, tiros.

A garota segurava com força em meu pescoço, mas ela não tinha força pra me enforcar, então não havia problema. Ela abraçava com a cabeça o topo da minha cabeça, se segurando firme. Eu só atirava, seguindo na frente em formação. A mulher entre eu e Scorp, Scorp por último. Eles estavam cercando, porra. Eles subiam em velocidade atrás, pelo que pude olhar ao virar uma esquina para subir outro lance de escadas. Scorp estava de costas, subindo e virando, então atirando, subindo novamente, virando e atirando.

— Você tem uma granada? — Gritei, ouvindo a concordância. — Estoure! — Saiu como uma ordem, apesar de eu não ter intenção.

Ouvi o pino ser jogado no chão, comigo segurando a garota com a mão esquerda, levantando a arma apenas com a mão direita.

— Tape os ouvidos, amor. — Bati na parede com tudo assim que o estouro veio, forte, a fundação tremendo por uns instantes, comigo perdendo o equilíbrio, sentindo a garota quase cair de meus ombros, já que ela não se segurava mais porque tapava seus ouvidos. Coloquei uma mão sua em mim novamente, para que ela lembrasse de segurar-se em mim, então voltando a subir. Bati algumas vezes na parede novamente, ouvindo os ruídos mais estranhos que o normal por causa do estrondo, conferindo se Scorp ainda vinha por último.

— Estão cercando, Scarlett! — Ouvi a voz de Scorpion.

— Eu sei! — Retruquei, levando o rádio à minha boca, levantando um pouco o braço direito. — Jason, diga que vocês já estão no terraço.

— Estamos. Onde vocês estão?

— Décimo segundo andar.

— Só tem mais três, Scarlett. Vocês conseguem.

Quase tropecei, mantendo-me firme enquanto subia. A garotinha já chorava, escondendo o rosto no topo de minha cabeça.

— Não sei se dá tempo. — Ouvi Scorp pelo rádio dele.

— Tem que dar. — Jason rosnou.

Chegamos ao décimo terceiro, comigo desviando com tudo de um braço, empurrando o corpo para trás com força, vendo ele escorregar no chão enquanto eu subia.

— Deixa comigo. — Ouvi Scorp, então ouvi o tiro.

Por favor, por favor, por favor.

Cinco deles desciam pelas escadas.

Estourei todos eles, vendo um sexto rolar pelos meus pés, comigo estourando-o no chão, segundo para o andar seguinte.

Só mais dois, só mais dois.

Desviei com tudo de um que tentara me abraçar, vendo ele rolar para cima de Scorpion, que escorregou, virando o corpo e estourando o cérebro por baixo, marcando todo o teto. Ele me encarou de olhos arregalados enquanto subíamos, levantando o corpo do homem caído novamente. Ele segurava o homem com uma mão, atirava com outra. Quando precisava usar as duas, andava encurvado, segurando o homem com nada exceto seu tronco.

Quando entramos no décimo quarto andar, vi dez zumbis.

— Só sobe! — Gritei, ouvindo Scorpion concordar. Continuamos subindo, comigo vendo mais cinco distantes no décimo quinto.

Foi quando vi o aviso do terraço em uma porta.

Soltei um suspiro aliviado, então batendo com força na porta, vendo que ela estava trancada.

Não, não, não.

Estourei o trinco inteiro da porta com dez tiros, pra garantir que ela abrisse de uma vez, então chutando-a com força, com a garotinha continuando a chorar em minha cabeça.

Subimos as escadas com velocidade, comigo vendo dois zumbis presos no meu caminho, agora já mortos.

Passei por cima deles, empurrando com força a porta do terraço, vendo Jason na porta de um helicóptero, parecendo ver a salvação da sua vida ao me ver.

Continuei correndo, então olhando para trás.

Soltei a garota com força de cima de mim, entregando-a para sua mãe, a mulher com os olhos arregalados, com Jason chamando as duas — gritando, na realidade.

— Vai! — Gritei para Scorpion com o civil nos ombros, que sequer esperou por uma segunda ordem, apenas seguiu correndo enquanto eu mirava a arma, ouvindo o helicóptero levantar alguns instantes depois. O som era alto, os tiros eram fortes, fazendo meu corpo ir e voltar cada vez que eu apertava o gatilho, com tudo tremendo. Ouvi Jason gritar meu nome nesse instante. Continuei atirando, levantando a mão direita para subirem o nível, já que os mortos-vivos se aproximavam rápido de mais. Se eles alcançassem o helicóptero, talvez não conseguíssemos decolar, e isso levaria à morte de todo o esquadrão e três civis. Abaixei a arma enquanto me virava, correndo e trancando ela em meu pescoço ao mesmo tempo. Laehn abaixou o corpo, ajoelhado no chão do helicóptero, se segurando na porta, mostrando a mão enquanto o helicóptero se afastava do prédio. Pulei da beirada, então vendo ele arregalar os olhos ao ver que minha mão não alcançaria a sua. Ele abaixou o corpo, nossas mãos bateram, mas escorregaram, minhas unhas arranhando a ponta de seus dedos. No último instante, consegui segurar no apoio do helicóptero, vendo ele de olhos arregalados. Meu corpo quase bateu na beirada do prédio, vendo o helicóptero subir enquanto eu chutava os filhos da puta desgraçados dos mortos-vivos.

Meu braço, puta merda, meu ombro direito. Eu não conseguia sentir meu braço. Jason parecia preocupado com a expressão em meu rosto enquanto o helicóptero subia.

— Eu deslouquei esse ombro. — Urrei, gritando alto para que ele ouvisse por causa do som do helicóptero, que era estridente, sentindo uma lágrima descer em meu rosto, por causa da dor.

Subi minha mão esquerda, usando minha força toda, para meu peito, tirando o filhote de gato dali, subindo a mão e então jogando o resto, vendo a gata voar por dois segundos, miando e chiando enquanto fazia uma cambalhota, antes de Laehn pegar ela, chocado com a companheira nova.

Jason entregou a gata para o soldado ao seu lado, esse que parecia ser da força aérea, então segurando minha mão depois de se esticar. Olhei para baixo, sentindo tudo gelar.

— Altitude! — Gritei, com ele voltando o rosto para o piloto, parecendo gritar, se descêssemos mais um pouco o helicóptero poderia acabar batendo num prédio, ou, no mínimo, me partir em duas. Jason segurava minha mão com força, mas ambas as mãos suavam. O porquê era óbvio.

Foi quando minha mão direita escorregou, a mão esquerda descendo por causa do suor. Jason caiu para me segurar com mais firmeza, soltando a mão do apoio, comigo vendo o soldado mais próximo, na sua esquerda, segurar ele por sua mochila, com ele pendurado pelo helicóptero, e eu pendurada por seu braço. Ele me encarava de olhos arregalados, comigo vendo o suor em sua testa. Engoli em seco ao olhar para baixo, vendo um grupo de mortos-vivos me esperar pela queda.

Eu morreria com a queda, mas não ficaria morta.

Levantei o olhar para Laehn, com uma careta no rosto.

— Não me deixe cair, por favor.

Ele riu, mas pude ver que estava tenso. A única coisa que me mantinha viva era sua mão segurando a minha.

— Jamais te deixaria cair.

Concordei com a cabeça, aumentando a careta.

— Espero que sim.

Pra ser bem sincera, eu estava tremendo de medo, minha mão suava cada vez mais.

— Não... — Respirei fundo, pausando. — Eu estou com medo.

Jason riu alto.

— Scar, olhe pra mim. — Acho que era a primeira vez que ele me chamava pelo apelido.

Levantei o olhar, com ele concordando com a cabeça.

— Esqueça tudo o que eu disse sobre confiança. — Falou, comigo concordando. — Você confia em mim? — Olhei para baixo outra vez, então para ele, nossas mãos suavam cada vez mais.

— Meio que não tenho escolha. — Foi minha resposta.

Jason sorriu ainda mais.

— Você tem. Segure firme e não solte. — Falou, comigo concordando. Nem parecia que eu podia morrer a qualquer instante. Ele então virou o rosto. — Não puxe! — Ouvi Jason gritar para o soldado, comigo sentindo minha mão escorregar mais um pouco para baixo. Ele então me encarou, balançando a cabeça. — Ponte. — Concordei com a cabeça, imaginando que ele pensaria nisso, era a única solução, então segurando sua mão o mais firme que conseguia, sentindo uma unha minha quebrar na sua mão, provavelmente machucando ele. Ele virou o braço, me balançando. Ele não parecia sequer ter sentido a unha, eu não sentiria.

Tudo bem. Concordei com a cabeça.

— Um. — Ele falou, sem som. — Dois. — Concordei com a cabeça, esperando, então veio o três. — Três. — Ele me levantou com tudo, soltando minha mão enquanto eu me segurava e me enrolava no apoio do helicóptero, trancando minhas pernas nele, vendo Jason ser puxado para dentro do helicóptero.

Puta merda.

Soltei um suspiro aliviado, mesmo que ainda em situação de risco.

Cacete, eu estava viva.

Jason apareceu logo em seguida, me mostrando uma corda com apoio, comigo trancando-a em meu uniforme, então sendo puxada para dentro do helicóptero por ele e outro soldado.

Jason me puxou para um abraço, ajoelhado na minha frente, comigo também ajoelhada, soltando um suspiro aliviado, comigo abraçando o de volta, tremendo. Ele riu ao notar que eu tremia.

Nos afastamos, comigo me sentando no chão, os olhos arregalados, vendo a mulher abraçar a filha em seus braços, que soluçava. O homem na sua frente, caído no chão. As duas usavam o mesmo banco.

Puta que pariu.

Passei a mão nos cabelos, sentindo eles úmidos por causa das lágrimas da garota, vendo os olhos de Jason em cima de mim, analisando o curativo em meu rosto antes de voltar-se para meus olhos.

— Não deixe nenhum soltado na sua frente, é uma ordem. — Ri fracamente, batendo minha mão direita na de Scorp, que segurava uma gata contra seu peito com a mão esquerda. Ele analisava a gatinha, me encarando e negando.

Olhei para baixo, soltando o ar de meus pulmões.

— Surpresa em estar viva? — Perguntou um dos soldados da força aérea, me encarando com um sorriso brincalhão no rosto.

Concordei, voltando meu olhar para a multidão.

— Você não faz ideia do quanto.

Tinha tudo pra dar errado.

Me encostei na parede livre, uma das poucas, encostando minha cabeça. Laehn me entregou um fone, então abrindo a mochila de primeiros socorros, pegando algo.

— Trouxemos algumas coisas. Notei durante sua fuga que você mancava, fora seu corpo. — Ele me entregou uma munhequeira e uma tornozeleira, comigo concordando, levantando meu pulso e trancando a munhequeira ali, fechando-a. Fiz o mesmo no tornozelo machucado, então respirando fundo. Outro dos soldados da força aérea me entregou uma garrafa de água, comigo virando-a em segundos, soltando o ar novamente.

— O que aconteceu? — Perguntou Jason. — Você obviamente está uma merda, e está fedendo. — Acrescentou a última parte com um sorriso malicioso.

Abri um sorriso brincalhão para essa.

— Bom, eu fugi de vocês. — Admiti o crime. — Então entrei na cidade, tive que pegar o caminho mais longo para despistar os grupos de busca, mas as entradas da cidade estavam fechadas, então entrei a pé. — Olhei para a gatinha, negando com a cabeça. — E então encontrei ela. Eu só... Precisava salvar ela. — Fiz uma careta. — Infelizmente, foi um ato estúpido que me impediu de seguir até Sean, tive que usar a arma, e isso chamou tantos que eu não pude mais me esconder, terminando no prédio que encontrei eles. — Apontei com a cabeça, com a mulher me encarando, agradecida.

— Muito obrigada, Sra. Clarke.

Abri um sorriso fraco, encostando minha cabeça novamente.

— Só fiz meu trabalho.

Jason concordou com a cabeça.

— Demos sorte, você saiu viva e salvou três civis, é lucro, Scarlett. — Concordei com a cabeça, tentando mover a perna esquerda, mas doía muito. Eu tinha esforçado muito dela, não era uma boa ideia mover ela mais, podia causar reações irreversíveis no músculo.

Jason seguiu meu olhar, preocupado.

— Quebrado? — Neguei.

— Distorcido.

Ele concordou, tenso, preocupado com a gravidade, então falando pelo fone.

— Oall, estamos com a carga. — Falou, me encarando e piscando. Ele não queria confirmar diretamente que eu estava naquele helicóptero, notei. Estratégia de agente secreto, na realidade. Você da a informação, mas sem detalhes. Eu tinha conhecido dois, já, que falaram abertamente sobre isso comigo. De resto, eu sabia quem eram, mas não havia conversa capaz de fazê-los falar. Que pena pra eles, não era a toa que eu era considerada um gênio.

— Ok. — Ouvi pelo fone. — Fico feliz que esteja viva.

Ele não mencionou meu nome.

Abri um sorriso.

— Eu também, senhor.

Foi quando ouvi um dos pilotos puxar o ar.

— Temos um problema, Major. — Jason se levantou, comigo abrindo um sorriso vencedor, com ele revirando os olhos para mim. — Três caças não identificados acabaram de entrar na área do nosso radar, estão vindo em alta velocidade na nossa direção. — Jason me encarou, preocupado, então jogando um paraquedas para Scorp, que colocou a gata em seu uniforme da mesma forma que eu tinha posto em meu uniforme, abrindo um furo no mesmo, colocando os paraquedas. Jason colocou paraquedas também, comigo vendo outros três soldados colocarem, cada um deles pegando um dos três civis. Um quarto soldado também colocava seu paraquedas, comigo vendo o co-piloto se arrumar, colocando o helicóptero para planar, com o piloto já terminando de fechar seu paraquedas.  — Merda, são os japoneses! — Falou o piloto. — ABORTAR, PORRA! — Ordenou, gritou, com Jason segurando meu corpo, então pulando de costas, trancando meu uniforme no dele, virei nós dois com força, com ele olhando para o lado e apontando para o telhado de um prédio, comigo vendo Scorp já na nossa frente, virando o rosto.

Enquanto isso, eu ouvia vários xingamentos, merda e filhos da puta estavam entre eles. Tirei os fones nesse instante, deixando-os caírem em queda livre, vendo Jason, Scorp e os outros soldados fazerem o mesmo.

A explosão veio com força, comigo ouvindo então tiros.

Estavam atirando contra nós depois de explodirem o helicóptero. Jason puxou o pino do paraquedas com força, então virando o mesmo, seguindo para a esquerda e desviando dos tiros.

— Estamos sem comunicação. — Falou, comigo vendo ele tentar mexer em seu rádio no braço. — Merda.

Caímos numa rua, ao invés de um topo de um prédio, comigo vendo Scorpion cair logo na frente, seguido de vários outros.

Foi quando ouvi três caças se tornarem apenas um bando de metal caindo, vendo nosso avião de guerra.

Jason abriu um sorriso brincalhão.

— Sempre úteis.

Ele acenou, informando nossa localização, comigo vendo uma hora de zumbis vir em nossa direção por vários lados. Jason soltou meu uniforme do seu, então soltando os paraquedas de suas costas, comigo vendo Scorpion já caminhar até nós, com os outros soldados no helicóptero também vindo. Olhei em volta, preocupada, enquanto conferia a munição.

— Tenho só mais um pente inteiro, depois disso tenho só oito balas. — Troquei o pente, com Jason concordando, tirando um pente de seu uniforme, me entregando o dele. Scorpion ainda tinha dois inteiros.

Os outros vieram até nós, comigo olhando em volta novamente, preocupada.

— Precisamos subir para um dos prédios mais altos. — Apontei, então vendo um novo caça surgir, vendo a bandeira japonesa nele.

— Merda. — Um dos soldados resmungou, conosco correndo, parando em baixo de uma marquise de um prédio. — Estão cercando, inferno, como diabos eles entraram no nosso espaço aéreo? Está super protegido em CN depois de Nova Iorque.

— Aparentemente não está protegido o suficiente. — Resmunguei, então observando o prédio que estávamos.

Foi quando vi no fim da rua. Dez japoneses caminhavam tranquilamente com armas nas suas costas, em seus braços estava amarrada a bandeira de seu país, informando exatamente quem eles eram.

E, devo mencionar, eles não carregavam uma bandeira branca.

Eles tinham as armas apontadas para nós.

Me abaixei com tudo, começando a correr e virando a arma, atirando o primeiro tiro, já que o poder de fogo inicial era nosso, por invasão territorial de exército alheio sem aprovação do governo.

Bom, duvidava que eles tivessem autorização do governo, pelo menos, afinal, eles miravam em mim, inferno. Várias armas atiravam, comigo me escondendo em uma esquina, vendo um zumbi próximo de mais. Atirei em seu cérebro com a M9, Jason me empurrando para o lado ao se esconder.

— Esses caras não morrem, inferno? — Abri um sorriso para essa, por causa do duplo sentido.

— Os japoneses ou os zumbis? — Provoquei, com ele sorrindo também, mas o rosto ficou tenso logo em seguida, comigo vendo um braço. Era Scorp, por causa do uniforme. Jason puxou ele com tudo, mas ainda assim pude ver a bala entrar em seu braço, manchando o braço do casaco com sangue.

Ele urrou, se encostando ao meu lado, batendo a cabeça na parede com a dor.

Virei Laehn, abrindo sua mochila e procurando pelos primeiros socorros que ele tinha, puxando a bandagem. Ele mantinha a arma pronta enquanto eu pegava as coisas. Fechei a mochila, então rasgando a manga do casaco de Scorp, amarrando com força o pano ali, vendo ele urrar de dor outra vez.

— Emoção o suficiente? — Abri um sorriso brincalhão, com ele bufando. Apertei outra vez a bandagem antes de amarrá-la firmemente uma segunda vez. Os soldados da força aérea surgiram logo depois, mas eram só três, não quatro, e a mulher gritava.

Seu marido (ou pai de sua filha, indiferente), não estava ali. A filha dela chorava nas costas de outro soldado, escondendo o rosto no pescoço dele enquanto trancava as pernas no peito dele.

Laehn tinha a cabeça encostada na parede, parecendo pensar.

Ele então encarou o esquadrão.

— Eles invadiram o nosso país. — Rosnou. — Nossa jurisdição. — Ele abriu um sorriso falso. — E tentaram atirar em mim. — Ele balançou a cabeça. — O último erro foi o pior.

Scorp sorriu, concordando.

Preparei a metralhadora, concordando também.

— Seja em qual Deus eles acreditem, é bom começar a rezar.

Essa fui eu.

— Scorpion e Scarlett, fiquem com os civis. — Os dois concordaram, com Scorp olhando triste para seu braço, já que sabia que era por isso que tinha ficado. Fiz uma expressão feia para Jason. — Sinto muito, Scarlett. Mas é bem óbvio que você não tem mais força na perna direita.

Suspirei, concordando com a cabeça.

Jason então tirou uma granada da cintura, apontando com dois dedos para a rua para os outros três soldados, com eles concordando.

Ele jogou a granada com tudo, comigo ouvindo um grito em japonês, provavelmente de aviso.

Tudo estourou, com eles preparando as armas e atirando.

Foi quando senti o vidro atrás de mim se quebrar, um desgraçado estourando ele e me virando, pronto para estourar minha cabeça. Virei ele, empurrando-o, com Scorp puxando as duas mulheres, colocando-as atrás dele enquanto ele levantava sua arma com a mão esquerda.

Derrubei a arma do cara, desviando de um soco, então indo para trás, tentando levantar minha arma, mas ela escorregou com ele derrubando-a.

— Zumbis! — Rosnei para Scorp, vendo pela visão lateral vários deles virem pela rua. O japonês saiu de dentro da loja, me derrubando com um chute. Virei o corpo segundo antes de uma faca rebater o asfalto. Dei uma rasteira nele, então me levantando num pulo, levantando minhas mãos acima do rosto. Minha M4 já estava no chão, também.

Levantei minha mão, deixando quatro dedos em pé e chamando ele. O olho puxado abriu um sorriso maldoso.

— Americana bosta. — Falou num inglês fuleiro.

Bom, a americana bosta aqui vai quebrar a sua cara.

Ele tentou me derrubar com um chute de quê? Kung Fu panda?

Dei uma rasteira nele, então abaixando meu corpo com tudo, dando um soco de esquerda em seu rosto, com ele me virando por cima dele, me fazendo cair com as costas no chão, quase tomando um tiro de um outro japonês no pé. Scorp estava ocupado de mais protegendo a luta de zumbis, então meio que eu não podia pedir reforços.

Desviei de outra faca, me levantando e me encostando na parede, me abaixando do soco do japa número um, desarmando o japa dois.

Minha perna quase cedia, meu braço direito já não tinha mais forças para levantar.

Tudo bem.

Segurei as duas cabeças com força, batendo uma na outra, então levantando uma perna, trancando-a no japonês um por trás, girando seu corpo e caindo com ele, mas derrubando o outro junto, abaixando com força sua cabeça contra o asfalto durante a queda, ouvindo o crack alto do crânio se partindo.

Fui levantada pelas pernas, sendo jogada contra a parede de concreto mais próxima, sentindo minha coluna doer.

O outro japonês abria um sorriso vencedor para mim.

Era o que tinha me chamado de americana bosta.

Eu nunca tinha gostado dos japoneses mesmo.

Levantei com o impulso das pernas, respirando fundo e levantando minhas mãos na posição básica de boxe.

Ele queria lutar o que chamavam de kung fu?

Eu ia ensinar porque os americanos eram os melhores no boxe.

E mais cruéis também.

Ele veio pra cima de mim, chutando o concreto enquanto eu virava meu braço direito, sentindo ele latejar por completo enquanto eu trancava seu corpo por trás, pelo seu pescoço, me abaixando e virando-o em cima de mim. Conforme ele caía, eu já levantava meu joelho, batendo com força em sua coluna, então virando seu braço direito com força, quebrando-o, vendo um osso se expor nesse momento.

— Quem é a americana bosta agora? — Rosnei, andando em volta dele, com ele segurando o braço, a dor óbvia em seus olhos.

— Você. — Rosnou de volta, ainda no inglês de merda.

Concordei com a cabeça, vendo seu braço se mover.

Ele tinha outra arma.

Me abaixei, indo em sua direção e derrubando-o com força no chão, mas ele nos virou, me trancando em baixo dele enquanto mirava em meu cérebro.

Tranquei minhas pernas em sua cintura, abrindo o pente de sua arma com a surpresa em seu rosto, batendo com força com o pente em seu rosto, vendo algumas das balas caírem enquanto isso. Virei então sua cabeça, nos virando também e batendo-a contra o concreto, sentindo meus joelhos arderem por causa do impacto. Bati outra vez com sua cabeça contra o concreto, com ele finalmente parando de se mover.

Me levantei, pegando minha M9 e M4, atirando com a M9 no cérebro dos dois japoneses que tinha matado, então virando e parando na esquina, atirando em outro japonês que seguia grudado na parede, pronto para pular em cima de um dos soldados. Laehn jogou uma faca no cérebro de um zumbi, acertando em cheio a mira.

Caramba.

Ele atirava em outro ao mesmo tempo, então se abaixando de uma faca passando por cima dele, jogada por um dos da força aérea, matando outro zumbi próximo dele. Levantei a arma para outro japonês, então vendo um zumbi próximo de mais de mim, comigo estourando seu cérebro, vendo dois japoneses caírem com o mesmo tiro da M4 de Jason.

Ele tirou outra granada da cintura, sua última, jogando-a em um grupo de zumbis.

Me escondi atrás do concreto, vendo Jason se abaixar, tapando os ouvidos. Gritei para Scorp e as duas civis fazerem o mesmo, então ouvindo o barulho alto, mas não tão alto como se eu não estivesse de ouvidos tapados.

Me encostei na parede, então sentindo minha perna bambear, cedendo.

Já era.

— Scorpion. — Urrei, me sentando, tentando sentir minha perna. Ele voltou seus olhos para mim, arregalando eles. — Não consigo sentir ela. — Fiz uma careta. — Preciso de uma tala para poder ficar em pé, mesmo sem dobrá-la, para podermos subir.

Ele olhou em volta, apontando para a horda.

— Não temos tempo. — Falou, passando a mão pelos cabelos. A garotinha olhou para mim.

— Let. — Chamou, comigo abrindo um sorriso para ela, ou tentando, a dor subia em pulsações, quase me fazendo perder a consciência. — Você disse que eu era tão corajosa quanto a branca de neve. — Concordei, gemendo de dor quando Scorpion tentou tocar na perna. — Você é a Lúcia.

Franzi o cenho.

— Lúcia?

— É, a rainha de Nárnia.

Ah, eu sabia quem era.

Abri um sorriso para ela.

— Não sou ela, meu amor. — Ela negou.

— Você é sim. Você ficou na frente de um bando deles por mim. Você é minha heroína.

Abri um sorriso, sentindo as lágrimas em meus olhos. Não eram de emoção, eram de dor, mas eu desejaria que fossem de emoção.

— Não vou conseguir. — Falei, então vendo Laehn. Ele riu, desdenhando.

— Ah, você vai. — Ele me levantou com força do chão. — Não passei por todo esse inferno por você só pra você morrer no fim do jogo.

Soltei um grito de dor quando ele arrumou minha perna, mordendo com força sua camisa, tentando parar de respirar rapidamente. Ele fez uma careta, mas não disse nada.

Jason corria comigo em seus braços, comigo apontando com a mão para um dos prédios mais altos.

— Dá de sinalizar de lá e tem apoio para segurança.

Ele concordou, informando nosso caminho.

Demoramos menos de cinco minutos para chegar até ele, então começando a subir. O prédio estava lacrado quando entramos, então provavelmente só havia um ou outro zumbi. Como previsto, encontramos apenas cinco durante a subida dos mais de vinte andares.

Jason trancou a porta do terraço daquele prédio, já que ela tinha uma trava externa, então me soltando no chão, encostada contra a parede. Scorp já ligava o sinalizador, levantando-o. Ele atirou para cima uma vez, fazendo um fogo de artifício estourar no céu.

Ouvimos um barulho de helicóptero se aproximar, com ele levantando a arma com a segunda munição, então atirando novamente.

Foi quando vimos o helicóptero.

Até Jason soltou o ar.

Ele pousou na nossa frente, com Laehn me levantando, tentando me fazer andar.

— Não posso encostar os pés no chão. — Fiz uma careta. — O pé torcido está quase quebrando.

Ele suspirou, concordando e me tirando do chão. Subimos tranquilamente no helicóptero, comigo vendo uma médica.

Parei por um instante, tentando lembrar dela. Não, não lembrava, era só parecida com uma das garotas da Síria.

Ela foi diretamente para Scorp, que era o mais ferido, então me encarando.

— Quão fundo você acha que foi, Clarke?

Fiz uma careta.

— Uns três centímetros dentro. Muita sorte se não perfurou o osso.

Scorp fez uma careta enquanto ela tirava a bandagem, conferindo e concordando com a cabeça para mim ao avaliar.

— Três centímetros. — Ela encarou ele. — Vou aplicar morfina próximo ao tiro para que você não sinta tanta dor até chegarmos na base, mas após isso você precisa ir para cirurgia. Como foram os japoneses, eles possivelmente podem ter colocado algum químico junto, não podemos arriscar.

Scorp concordou, abrindo a camisa e tirando a gatinha, que prontamente me encarou. Sorri para a filhote, vendo a garotinha encarar ela.

— Posso ficar com ela, mãe? — Pediu para a mãe, que sorriu.

— Não, amor. Não podemos ficar com a gatinha.

A garotinha suspirou, mas pegou a gatinha, segurando-a em seus braços, comigo me encostando na cadeira que estava sentada no helicóptero, colocando os fones só então. Até Laehn estava em silêncio.

A médica veio até mim logo em seguida, me encarando.

— Quais as lesões?

— Ombro direito, pulso esquerdo e antebraço também esquerdo. Caco de vidro próximo ao ombro esquerdo. Caco de vidro na coxa esquerda, músculo distendido na perna esquerda, que é o mais grave até o momento, tornozelo direito torcido e esse corte másculo no rosto. — Ela sorriu quando falei “másculo”, concordando.

— Ok, vou conferir sua perna.

Ela levantou a mesma, comigo respirando bem fundo. Ela então concordou, entendendo.

— Preciso colocar o músculo no lugar, e então vai cicatrizar normalmente. — Concordei com a cabeça, deixando ela levantar a calça, comigo tirando o microfone de frente da boca, vendo a mulher civil desviar o olhar.

Ela moveu minha perna, então passeando os dedos pelos músculos, procurando pelo problema.

Foi bem óbvio quando ela encontrou, porque meu próprio corpo deu um solavanco para trás. Ela sorriu, concordando.

— Creio que você saiba que vá doer.

Concordei com a cabeça.

— Perfeitamente.

Respirei fundo, fechando os olhos.

Ela moveu com força o músculo, massageando minha perna enquanto o fazia, comigo urrando de dor, trincando os dentes.

Eu tinha lágrimas no rosto quando ela terminou de arrumar minha perna, então trancando uma das bandagens na perna, enrolando-a firmemente, pra garantir que nada saísse do lugar até chegarmos à base. Quando ela terminou, arrumou seu fone.

— Preciso de uma maca para um dos soldados feridos. Outro precisa de um par de muletas. — Falou, me encarando. — Precisamos também de uma equipe médica para o soldado baleado.

Scorp parecia meio zonzo, mas ao menos estava acordado.

Chegamos menos de cinco minutos depois na base, comigo vendo Oall e vários outros generais, mas bem menos que da última vez que eu tinha estado ali, mais de quatro horas antes. Oall parecia bem cansado, mas completamente acordado.

Scorp foi o primeiro a sair, carregado por dois dos soldados, então sendo colocado numa maca. A médica seguiu sua equipe rapidamente, já tirando o casaco do exército, entregando para um dos oficiais parados na porta do terraço que pousávamos. Um enfermeiro me entregou as muletas, com outro dos soldados me ajudando a descer, comigo me apoiando nelas, tentando me adaptar.

Oall me esperava tranquilamente, com Jason e o outro um soldado restante caminhando ao meu lado. Parei ali, com Oall negando com a cabeça para mim.

— Foi a coisa mais imprudente para um soldado fazer, Srta. Clarke. — Vi os dois civis sendo levados para dentro do prédio, com a garotinha apontando para a gatinha para mim, comigo sorrindo. Eu acabaria sabendo onde as duas terminariam, e provavelmente levaria a gatinha para LA, já que não permitiriam animais na base, onde as duas deveriam ficar.

— Eu precisava fazer. — Ele concordou, dando de ombros.

— Satisfeita?

— Não. — Ele sorriu para isso. — Preciso salvar Sean, Sr. Oall. Sinto muito, mas não é algo que eu vá desistir.

Ele deu de ombros, indiferente.

— Sem problemas para mim. — Ele sequer parecia irritado, apenas estava satisfeito de me ver viva, apesar da baixa de um dos nossos e um civil. — Na realidade... — Ele me encarou, então olhando para um dos generais, que lhe entregou uma caixa preta de joias. Ele abriu a caixa, então pegando cinco coisas dali de dentro, vindo até mim e começando a trancar aquilo em meu uniforme já completamente esfarrapado do exército. Olhei para baixo, confusa. — São medalhas e insígnias. — Explicou, comigo levantando as sobrancelhas. — Eu, Robert Oall, como General de Exército dos Estados Unidos, o cargo mais alto em atividades militares nos Estados Unidos da América, com o poder e autonomia para isso, lhe declaro, Scarlett Clarke, General de Exército. — Ele então colocou as cinco estrelas de prata em meus braços, me encarando. — O único posto superior a você é eu e o presidente. Com medalhas por bravura, proteção de civis e de soldados, assim como combate em guerra, você é oficialmente uma das maiores superiores dos Estados Unidos, GA Clarke.

Eu estava chocada.

Ele sorriu.

— Você não pode negar o posto, deixando bem claro, por estarmos em guerra.

Vi um general sorrir pela minha expressão, com outro desviado os olhos, parecendo se divertir. Agora, todos os outros, pareciam a definição de putos.

Que merda devia ser um mero soldado subir toda a hierarquia, inclusive algumas que eu não deveria por não ter treinamento para elas, quando você podia ser daquela patente mas tinha perdido para uma mulher com a metade da sua idade.

Ouch, devia doer. No ego, mas devia.

— E por que isso? — Perguntei.

— Porque você é a pessoa no mundo com maior capacidade de comando caso Oall fique preso em alguma missão. — Explicou um general, comigo chocada, então encarando Oall.

— Era por isso que você queria... — Ele concordou, me cortando com o olhar.

Era por isso que ele estava feito louco me caçando. Ele queria falar comigo, mas não apenas isso.

Ele queria me tornar uma das pessoas mais importantes dos Estados Unidos. Ao menos naquele instante.

Ele então respirou fundo, comigo vendo Jason me encarar, orgulhoso.

— Agora você não pode mais me dar ordens. — Provoquei, com ele sorrindo.

— Foram bons tempos. — Sorri de volta, então encarando Oall, que também sorria.

— De todos os jeitos, você precisa tomar um banho. Já foi separado um quarto para você, assim como sua roupa oficial e uma nova roupa de combate já estão lá. Você tem uma reunião com o POTUS em vinte minutos.

Levantei as sobrancelhas.

— Com o chefão? — POTUS. President of the United States, presidente dos Estados Unidos. O fodão, o chefão, o cara mais poderoso do mundo.

Ele concordou.

— Você atualmente faz parte do grupo mais letal de estrategistas do mundo, Scarlett.

Abri a boca, chocada.

Eu fazia parte do conselho de guerra do presidente dos Estados Unidos.

Oall sorriu.

— Não se atrase. Já foi enviada uma médica ao seu quarto para tratar dos ferimentos após você tomar um banho.

Concordei, vendo um soldado caminhar até nós após Oall chamar ele com a mão.

— Ele vai lhe levar ao seu quarto.

Olhei para Jason, que piscou para mim.

— Não faça nenhuma gracinha, Scarlett.

Dei de ombros.

— Eu não faço gracinhas, eu dou minhas opiniões.

Ele abriu um sorriso fraco enquanto eu seguia para o prédio, então procurando por meu quarto com o guia-soldado, encontrando-o rapidamente.

Fechei a porta sem trancá-la, deixando minha mochila no chão, vendo uma cama de casal com cobertas brancas, uma mesa-escrivaninha, um telefone, uma televisão de parede, um guarda roupa pequeno e um balcão fixo na parede atrás da cama, formando uma mesa de cabeceira em cada lado da cama e um apoio em cima dela. O quarto estava vazio, mas obviamente era de luxo.

Fiz bico enquanto analisava ele, então abaixando meu corpo depois de largar as muletas, entrando no chuveiro depois de pegar as roupas íntimas que precisaria e a roupa oficial da patente mais alta, no caso, a roupa de GA.

Entrei em baixo do chuveiro depois de tirar a munhequeira do pulso e do pé, assim como tirei a faixa da perna, ligando-o ele enquanto sentia a água morna cair. Pisquei algumas vezes, notando o peso de tudo em cima de mim.

Eu provavelmente teria uma cerimônia oficial caso estivéssemos em um Estado sem problema algum ou guerra, mas com sorte eu faria o juramento, caso houvesse tempo. Com muita sorte. Como eu tinha o juramento de soldado, o de GA quase não era tão necessário, apesar de ser importante, e era. Significava uma enorme mudança, e muitos dos oficiais aceitavam ordens com maior facilidade caso viesse de um oficial com a cerimônia e juramento.

Encostei a cabeça no azulejo da parede, piscando enquanto via a água pingar, tirando meus curativos ali mesmo. Tirei o do rosto, então o do braço, o da perna, e então limpei o sangue de meu corpo.

Era muito poder. Era muito peso. Era algo... Devastador. Era estranho ter tantas vidas, tantas ordens, em mãos. E eu sequer tinha dado uma ordem sequer até aquele instante.

Alguém bateu na porta do banheiro.

— Estou no banho. — Falei.

— Estou entrando. — Era Oall. Ele entrou, mas não podia me ver, já que os vidros eram fumês, dos dois lados do box. — Temos que conversar, Clarke.

— Sobre? — Estreitei os olhos, vendo um shampoo ali, já que eu não tinha trago o meu. Era shampoo e condicionador, dois em um, mas era melhor que nada. Usei ele enquanto Oall me respondia.

— Um golpe de estado está sendo planejado. Não posso te dizer por quem ou como, porque não faço ideia de quem seja, apenas nomes, e alertar deles seria perigoso, mas creio que você tenha muitas das próprias conclusões.

— Pode apostar. — Foi minha resposta enquanto esfregava meu couro cabeludo.

— Então, Scarlett... — Vi uma toalha subir no box, apoiada nele. Oall lembrou bem, porque eu não lembrara da toalha. Eu estava avoada, pensativa. Isso não era muito bom. Eu andava armada agora, andar pensativa não era uma escolha, eu não podia permitir isso. — O presidente está mais visado que nunca, estamos cercados por mais de cinco nações, inclusive o EI, que já atacou Nova Iorque, o Secretário de Defesa morreu quatro horas atrás, a caminho da casa branca, num ataque da Alemanha.

— Patterson está morto?

— Sim.

— Graças a Deus. — Falei, ouvindo sua risada. A expressão saía engraçada, mas era a mais autoexplicativa no momento.

— Nem me diga. Mas devido ao momento, é perigoso. Alemanha e Japão já forjaram uma aliança, e estão buscando apoio dos franceses. Se chegarem à Inglaterra...

— A família real jamais apoiaria os Alemães.

— Só há um sobrevivente não localizado da família real, Scarlett. Fui confirmado nessa madrugada, enquanto buscávamos você, pelo próprio POTUS, que informaram à ele que apenas o príncipe Harry sobreviveu, um dos poucos da família real com treinamento militar. De resto, todos os outros familiares foram dados como mortos ou desaparecidos em situações de extremo risco e sem saída, na maioria das vezes sem seus seguranças. No caso, não temos o apoio que achamos que teríamos da Inglaterra.

— Nada bom.

— Exato. Fora que era a Rainha quem estava nos ajudando a manter o POTUS em segurança, com estratégias políticas de negociações, já que a segurança interna está comprometida.

— Então já entraram na Casa Branca, a oposição. — Notei.

— Sim. Entraram antes mesmo de você sair da base, mas não recebemos a informação até uma hora depois. E, um detalhe, o helicóptero de Patterson caiu exatos quinze minutos antes de entrar em D.C., isso significa que eles estão perto de mais. — Puxei o ar, deixando a água lavar o shampoo.

— Nada bom. O Presidente tem alguma ideia de contra-ataque ou pretende deferir paz?

— Então, ele precisa do conselho de guerra. Não podemos arriscar iniciar uma guerra sem sermos capaz de manter.

— Eu concordo. Não acho que tenhamos homens o suficiente. Tínhamos quantos a serviço em outros países? É perigoso, estamos desfalcados para uma guerra.

— Sim, e acho que você é a pessoa mais apta a explicar isso para ele.

— Mas eu acabei de chegar.

— Scarlett, você pulou de seis andares apenas para salvar seu melhor amigo, que pessoa melhor no mundo para salvar sete milhões de pessoas?

— Teoricamente, só seis milhões, novecentas e noventa e nove mil pessoas dessas, já que o um seria Sean. — Ele riu do outro lado. — Não sei se sou boa no cargo.

— É bom descobrir, não acha? Você jogou política bem com Laehn, ele está do meu lado, mas você fez o certo. Agora basta fazer isso com todos os congressistas do país.

Ri alto.

— Só.

— Só. A parte mais difícil vai ser quando chegar em LA, acredite em mim. — Estreitei os olhos. Era uma dica de quem poderia ser uma das pessoas que planejava o golpe. — Você tem três pessoas para desconfiar. Você conhece toda as três. Um é um político, um é um cientista, e um é um político-militar.

Abri um sorriso.

— O político, eu não sei, mas o cientista e um político-militar... — Johnson, meu supervisor, e Peterson.

— Imaginei que fosse entender. Note as palavras, Scarlett, elas dizem muito, e garanto que o político-militar deixou algo escapar sobre quem é o político, mesmo que você não tenha relacionado naquele instante.

— Eu não gosto de política, Oall. — Peguei o sabonete, esfregando-o em meu rosto. — É um jogo sujo.

— É verdade, é extremamente sujo. Mas todos estamos sujos, não acha? — Falou, bom, eu não podia negar, estava afundada em sangue. — Basta saber escolher com o que se sujar.

— Não acho que seja o fator mais importante da política.

— Concordo com você. — Ele falou. — O fator mais importante da política é saber jogar o jogo deixando bem claro quem você é para eles, mas não quem você realmente é. É um jogo perigoso, letal e que gera desconfianças, é por isso que você precisa ter pessoas confiáveis ao seu lado, é por isso que coloquei você e Laehn como meus olhos e ouvidos, é por isso que te dei o cargo, mas não por você ser meu braço direito, mas por você ser você. Você sabe jogar perfeitamente, Scarlett, você conhece o jogo dos pés à cabeça, você só precisava do cargo pra derrubar quem precisa cair e manter POTUS vivo.

— Por que eu? Sou só uma cientista.

Ele riu do outro lado do vidro, comigo enxaguando meu corpo uma última vez antes de desligar o chuveiro, deixando a água cair em cima do músculo magoado.

— Se você fosse só uma cientista, porque Peterson faria tanta questão de tentar te matar?

Eu estava certa de Peterson, e agora também sabia quem precisava morrer para Jason ser quem ele queria comigo.

Dois coelhos.

Uma única pessoa.

E só uma bala necessária.

Me enrolei na toalha, apertando meu cabelo para a água sair, então abrindo o box, vendo Oall, ele encarava meu rosto.

— Jogar política com quem você vai jogar é um dos jogos mais letais do mundo, Scarlett, então fique viva. Você, mais do que ninguém, é capaz de entender que quebra-cabeça foi montado desde que aquele vírus escapou de laboratório.

Parei, pensativa, enquanto amarrava meu cabelo para poder me secar sem que ele me incomodasse.

— E se não foi sem querer? E se foi proposital? — Perguntei à Oall, com ele parando, pensativo. — AJ obviamente está junto, já que é o cientista que você mencionou. — Falei, com ele concordando. — Isso significa que as coisas podem ter sido planejadas sem sequer sonharmos, e faria muito mais sentido, levando em conta a segurança do RTP, que sabemos que não era pouca, nunca foi.

Oall parou, pensativo.

— Ele tem três caixas de polônio com ele dentro da Casa Branca, Oall, não é o tipo de pessoa que você consegue conversar verdadeiramente sem ganhar uma ameaça de morte caso você ameace liberar um segredo, e ele está logo ao lado do Presidente, basta apertar o gatilho.

Ele franziu o cenho, me encarando.

— Andrew é mais perigoso do que eu poderia prever.

Concordei com a cabeça, avaliando meu machucado no antebraço.

— Você esqueceu de um detalhe, Oall. — Ele levantou as sobrancelhas.

— Em toda a história, sempre tivemos guerras. — Ele concordou, estreitando os olhos. — Elas sempre foram iniciadas por homens e terminadas por homens, porque eles estavam no comando. — Ele manteve os olhos focados em mim. — Sabe o que temos de diferente nessa?

Ele me encarou com as sobrancelhas levantadas, obviamente encarando a diferença.

— Andrew esqueceu que ele comprou briga com a mulher errada. Ele sabe exatamente quem eu sou, e ele sabe que eu sempre tive princípios. — Oall abriu um sorriso brincalhão. — Você não mexe com o princípio de poder de uma pessoa e espera que ela fique de boa com uma traição como um golpe de Estado acontecendo.

Ele concordou, sorrindo.

— Vou deixar você se secar.

Andrew me dava nojo, raiva, todos os tipos de sentimento passíveis de lembrar-se de ódio.

Mas, creio que seja bem óbvio.

Eu tenho uma meta.

Eu realizo ela.

A meta?

Impedir o golpe de Estado.

Considere-se feito.

Eu podia demorar um dia ou um ano, mas a democracia dos Estados Unidos não cairia.

Ele fechou a porta do banheiro, comigo então me secando e então colocando a roupa de oficial, penteando meu cabelo logo em seguida, mas deixando o terno sem ser colocado, já que eu tinha alguns curativos a fazer. Escovei os dentes, vendo uma médica sair do quarto, com Oall falando “só cinco minutos”.

Encarei-o, tensa, com ele voltando seus olhos para mim depois de conferir o corredor.

— Existe uma lista com todas as pessoas vivas que precisam morrer para ser permitido o golpe, não tive acesso a ela por completo, mas tenho os três primeiros nomes, é por isso que venho te alertando tanto desse golpe. É possível prever e impedir se feito da maneira correta, com as pessoas corretas, Laehn conseguiu parte da lista antes de vocês decolarem de LA, minutos antes de você chegar na base ele conseguiu encontrar os documentos, mas apenas me informou de parte deles, já que foi tudo que conseguiu antes de quase ser mandado para casa por invasão de local não autorizado, coisa que você não vai ter problemas em fazer — piscou para mim. Claro que eu não teria problemas, eu tinha aceso à base inteira em LA, por ser uma GA. — Se todas as pessoas da lista morrerem — continuou —, um golpe de Estado é permitido para quem tem a intenção de fazê-lo e que fez a lista.

Arrumei a camisa social, também arrumando a calça social enquanto ele falava tudo isso, tensa.

— Ok, e quais são os nomes? Precisamos proteger as pessoas dessa lista, não? — Falei o óbvio, com ele concordando com a cabeça. Era simplesmente proteger com homens confiáveis, não era tão difícil, bastava inventar uma desculpa política ou militar quanto à segurança dessas pessoas em particular, e nenhum outro oficial ou pessoa ligada ao lado que planejava o golpe poderia impedir a segurança desse mesmo.

— Sim, precisamos. — Oall falou. — Só há um problema, Scarlett.

— Qual?

— O primeiro nome é o presidente. O segundo é o seu.

Parei, levantando as sobrancelhas.

— Qual é. — Falei, abrindo um sorriso falso, não tinha como. Era mentira, é óbvio, ele estava blefando aquilo para me fazer me sentir importante, ou sei lá, para manter os olhos em mim. Era uma ótima estratégia.

Ele abriu um sorriso fraco.

— Scarlett, você é a única pessoa no mundo capaz de encontrar a cura. Se você morrer, o poder vai completamente para as mãos de quem está planejando o golpe.

Parei, encarando Oall.

Ele tinha razão, e tinha sentido, também, principalmente com Johnson fazendo parte do outro grupo, do grupo do golpe.

— Quem é o terceiro?

— Eu. — Respondeu.

Nós dois nos encarávamos, comigo então concordando.

— Agora entendi porque tanta preocupação em me deixar viva. Não era pelo cargo. Não era por que eu sou uma ótima estrategista.

Ele sorriu para isso.

— Você é uma ótima estrategista e com certeza merece o cargo, além de ser a única pessoa que eu considero capaz para assumi-lo, já que Laehn está num jogo duplo entre pegar informações para mim e tentar parecer do lado dos que planejam o golpe. — Ele pausou. — Em resumo, Scarlett, você literalmente é a única pessoa no mundo capaz de evitar a extinção humana.

Ele abriu um sorriso sem jeito.

— A reunião começa em cinco minutos, não se atrase. — Então saiu, permitindo que a médica entrasse alguns segundos depois, parecendo um pouco distante da porta, provavelmente à pedido dele para que ela não ouvisse nenhuma conversa.

Fazia sentido, mas ainda assim... Puta merda.

Me sentei na cama, informando meus machucados à ela, com ela fazendo curativos em todos os cortes. Próximo ao ombro, antebraço, perna, rosto. Então enfaixando o pulso e pé torcidos, estes com os aparatos necessários, como uma munhequeira e uma tornozeleira, ambos fofinhos e confortáveis. Como eu não estaria à serviço agora, ela me mostrou duas sapatilhas da cor da roupa de oficial, que era azul escuro, basicamente azul marinho. Eu tinha todas as insígnias, todas as tiras, todas as estrelas e todos os avisos importantes naquele uniforme, que antes não estavam completos no uniforme de soldado.

A própria médica parecia levemente intimidada enquanto eu colocava o terno, por assim dizer, depois dela conferir meu ombro para garantir que estivesse tudo certo.

Era chocante notar determinadas coisas, e era pesado. Era ter um peso enorme nas costas, um peso incapaz de sair.

Se eu morresse, não havia mais saída.

Não havia mais esperança, não havia mais solução.

Eu não era uma simples médica. Eu não era um simples soldado. Eu não era uma simples cientista.

Eu era a médica. Eu era a General de Exército. Eu era a criadora do apocalipse, e também a única pessoa capaz de pará-lo.

O POTUS que me perdoasse, mas...

Atualmente, a pessoa mais importante do mundo não era ele.

Era eu.

Se tinha uma coisa que eu nunca tinha previsto na minha vida, era isso.

Scarlett Delilah Clarke era a pessoa mais importante do mundo.

Não sabia o que era mais chocante, eu conseguir terminar o dia viva — porque, convenhamos... — ou terminar ali, com aquilo, com tudo isso descoberto e entendido, com todas as estratégias políticas finalmente fazendo sentido, com as pessoas confiáveis e não confiáveis se declarando, e com a descoberta que parecia óbvia, mas difícil de aceitar:

Atualmente, eu era a pessoa mais importante do mundo.


Notas Finais


Espero que estejam gostando! <3
Próximo capítulo é do Justin :3 Vocês também vão tomar uns sustinhos no dele, e não só no mau sentido, a propósito! Tem um muito bom! HAHAHAHAHA

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Enfim, obrigada por todo o apoio, cambada! Vocês sempre são as melhores!


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