História Project Death - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias Justin Bieber, Selena Gomez
Personagens Justin Bieber, Personagens Originais, Selena Gomez
Tags Apocalipse, Justin Bieber, Zumbi
Exibições 309
Palavras 8.338
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Científica, Hentai, Romance e Novela, Sci-Fi, Survival, Suspense, Violência
Avisos: Canibalismo, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


"Terceira guerra mundial", em tradução.
SURPRESAAAAAAAAAA.


Espero que gostem desse cap tanto quanto eu.
Acredito que vocês vão se surpreender com o que vão ler (e com o rumo).
Lembrando uma coisa: Justin está horas na frente de Scarlett. Ela está aproximadamente as 9 AM em LA (6 AM em Raleigh), enquanto ele está depis das 3 PM (é falado no cap). Já estão no mesmo dia, mas ele continua à frente dela!

Boa leitura :3

Capítulo 12 - World War III


POV Justin

Lei básica número um: Eu dava um soco muito bom.

Engoli em seco, esperando ouvir mais alguma coisa, mas não ouvi mais nada, então eu teria que tentar a sorte. Ok, tudo ótimo, perfeito. Tudo incrível.

Eu não estava surtando, absolutamente não, afinal, eu não surtava.

Nunca, jamais, surtava.

Sempre tem uma primeira vez.

Saí da cozinha, seguindo pelo corredor e vendo a abertura das escadas por todo um hall, comigo dando a volta nas escadas e encarando o corredor que levava às portas duplas de trás.

As portas duplas estavam abertas, e uma havia acabado de bater naquele instante.

Ok, eu tinha duas bolas no meio da perna, era capaz de bater a porta na cara de alguém, ou, no mínimo, correr rápido pra caralho. Não devia ser muito diferente de correr das fãs, devia?

Fiz uma careta com a comparação. Tudo bem, lá vamos nós. Pelo menos minhas fãs não arrancavam pedaço (ainda).

Caminhei lentamente pelo corredor, fechando a mão direita em punho, pronto para o soco, eu era canhoto, mas meu soco de direita era mais forte. Abri a porta com tudo, vendo ninguém mais ninguém menos que Xavier Smith, ou, como o filho da puta gostava de ser chamado, Lil Za.

Lei básica número dois: Za era um filho da puta.

Segurei o soco a centímetros de seu nariz, com ele arregalando os olhos, surpreso, levantando as mãos. Ele era quase negro, tinha o rosto achatado nos lados, mas era bem comprido, tinha os olhos castanhos, cabelo preto e meio enrolado, mas hoje usava um boné vermelho, as calças pretas caíam, mostrando parte da cueca azul marinho, e usava uma blusa branca caída, assim como uma coleira (era uma corrente de prata). Ele também usava tênis.

— Você só pode estar brincando. — Falei, afastando minha mão de seu rosto, irritado. — Porra, Za, isso é sério? — Ele levantou as mãos, comigo puxando-o para dentro, batendo a porta e então fechando a outra, também. Ia precisar procurar pelo chaveiro da casa que eu nunca usava.

— Credo, Bieber. — Ele falou. — Parece que viu um defunto. — Encarei ele, puto.

— Porra. — Coloquei a mão no coração, então respirando fundo. — Você não estava na fila?

— Bom, eu estava trinta minutos atrás, te liguei pra te zoar mesmo e te dar um susto. — Ele me encarou de cima abaixo. — Aparentemente, desafio concluído.

Revirei os olhos, me encostando na parede, ainda não sentia meus dedos da mão.

— Credo, Justin, o que foi? — Ele falou.

— Bom... — Franzi o cenho. — Agora são que horas? Quatro da tarde?

Ele concordou com a cabeça, comigo concordando.

— Três e meia, na realidade. — Falou.

— Ok, temos tempo de sol pra pelo menos três horas. — Parei, pensativo.

— Justin, tais me assustando, cara.

Fiz uma careta.

— Desculpa, desculpa. — Olhei em volta, focalizando no primeiro portão traseiro. Ele parecia fechado, mas não era ele que me preocupava. Era o depois do jardim, o que eu não conseguia ver. — É o seguinte, você não andaria armado, andaria? — Ele fez uma careta.

— Justin, eu servi o exército, meio que gosto de garantir uma arma comigo.

Levantei as sobrancelhas.

— Isso é sério?

— Seríssimo, nunca te falei porque sei que você não gosta, então eu deixo a arma no meu car... — Eu já ia diretamente até minha garagem nesse instante, sequer esperando ele terminar de falar. — Justin, porra, calma aí. — Ele me alcançou rapidamente, mas eu já pegava minha chave do bolso da calça, abrindo a porta separatória da cozinha para a garagem. Foi nesse instante que ele colocou a mão em meu ombro, me virando. — Olha pra mim e me explica que porra tá acontecendo.

Respirei fundo, concordando.

— Ok, ok. — Franzi o cenho. — Você viu algo suspeito? Alguma coisa estranha?

— Exceto você? — Revirei os olhos para ele, com ele abrindo um sorriso brincalhão, então fazendo uma careta. — Sim, vi.

Levantei as sobrancelhas.

— Sério?

Ele concordou com a cabeça, comigo virando a chave da garagem novamente, com ele pegando o celular do bolso, então pegando o cabo da TV e conectando ele nela, abrindo um vídeo.

— Saca só.

O vídeo começou a rodar, comigo me sentando na bancada, surpreso. Ele se apoiou no balcão, empinando a bunda enquanto encarava a tela.

Era um cara na nossa estadual, numa das principais vias até chegar em Calabassas, onde estávamos. Ele caminhava na direção de um policial, que atirou em sua perna, mas ele não parou, simplesmente continuou a andar. Pisquei, surpreso. Até onde eu sabia, um tiro doía pra caralho, nível você pedir para terminarem o serviço (no caso, te matarem).

O policial então deu dois tiros no peito do cara, um no centro, um no coração.

O cara continuou andando.

Como diabos isso era possível?

— Tiro pra matar. — Foi o que Za falou, narrando, comigo vendo o tiro certeiro no cérebro do cara, então finalmente derrubando ele.

Eu tinha notado as descrições do exército, eram as mesmas, mas...

— É alguma montagem, cara, não... Não faz sentido você tomar um tiro no coração e não parar.

Za negou, me encarando.

— Não é montagem, Drew.

Levantei as sobrancelhas novamente.

— Como você pode garantir? Não faz nenhum sent...

— Quem gravou foi eu.

Parei de falar com o corte, encarando ele, chocado.

— Eu estava parado na fila mesmo, então... Peguei meu celular e peguei o momento certeiro. — Ele negou, franzindo o cenho. — Cara, foi muito louco, não sei nem como diabos eu saí de lá, mas quando vi só tinha arrancado, passado por volta da mureta e pegado uma via secundária. O policial simplesmente atirou pra matar. — Za tinha uma expressão tensa no rosto, quase dura. — Só em guerra fazemos isso, e é muito raro, cara, é muito difícil acontecer, não funciona assim. E os policiais não tem autorização pra tiro letal, apenas em perseguições policiais confirmadas com uma mira que você tem confirmação de que é culpado pelo crime, e olhe lá, e o exército há anos não tem autorização para matar dentro do país, só em missões autorizadas e secretas, basicamente.

Concordei com a cabeça, franzindo o cenho.

— Então, Za, acho que temos um problema. — Falei. — Me alertaram, o próprio jornal alertou. — Cocei a nuca. — Precisamos fechar a casa toda. O problema? — Ele fez uma careta. — Meu portão principal está fechado.

— Os outros dois não. — Ele mesmo falou, comigo concordando. — Por isso você estava tão louco. Você viu...

— O mesmo que você, só não vi o tiro. Vi um desses que você mostrou ser morto no vídeo, mas ele... — Senti a ânsia de vômito subir. — Bom, ele arrancava um pedaço de outra pessoa com os próprios dentes. — Za fez uma careta.

— Cara, que merda está acontecendo?

— Não faço ideia, mas não vou ficar sentado esperando chegar até mim. — Ele concordou, comigo me levantando, abrindo a porta e seguindo até seu carro, que eu imaginava que ele tivesse escondido na garagem para me dar um susto, com ele destravando o mesmo. Abri o porta-luvas, vendo a arma ali e a entregando, com ele travando o carro e deixando a chave no apoio ao lado da porta. Eu tinha alguns outros carros ali, inclusive uma Ranger, mas sentia que não ia usar eles tão cedo.

— Ok. — Za falou, então fechando a mão em punho e levantando os dedos conforme falava. — Fechar todas as saídas do terreno, fechar a casa. — Dois dedos, já. — Comida. — Concordei com a cabeça ao ver seu olhar curioso, esperando por uma confirmação de ele estar certo ou errado com a lógica — E mais o que?

Franzi o cenho, fazendo uma careta.

— Não sei, cara, não vamos a nenhum lugar hoje à noite, mas acho que seria bom garantir, vai que precisemos sair de casa às pressas? Roupa, que tal? — Ele concordou, pensativo.

— E armamento. — Ele falou, franzindo o cenho. — Só tenho uma arma com dez balas, Justin, isso talvez...

— Não seja o suficiente. — Completei, com ele concordando. — Ok, enfim, vamos por partes, primeiro vamos fechar a parte externa da casa. Mas vou fechar as portas abertas agora, e quando sairmos vou fechar a última, e ficamos com as chaves. Não vou arriscar.

Ele concordou com a cabeça, comigo fazendo exatamente isso com as portas. Ao passarmos pelas traseiras que levavam à piscina, encarei ele.

— Eu abro caminho, e se algo se mover, você atira. — Ele concordou com a cabeça, então me analisando.

— Bieber, eu não estou a serviço. Se eu disparar essa arma, você precisa me prometer que nunca vai abrir a boca.

Abri um sorriso brincalhão.

— Você alguma vez me entregou pra polícia?

Ele retribuiu o sorriso brincalhão antes de seguirmos caminho.

Coloquei meu molho de chaves da casa no bolso da frente da calça, segurando apenas o chaveiro com as chaves da parte de trás.

Eu estava prestes a abrir o portão para pedestres quando ouvi um estouro alto, me abaixando no susto, com Za fazendo o mesmo.

Ouvi o som de algo pesado caindo no chão, e então boom, ouvi o estalo. Za fez uma careta ao me encarar, tenso.

— Isso, Drew, foi a rede elétrica.

Levantei as sobrancelhas.

— Alguém derrubou um poste?

Ele concordou.

— Provavelmente bateram num dos geradores ou separadores de energia aqui perto, numa bifurcação dos bairros. — Ele bufou, se levantando, comigo também me levantando, e então me encarou. — Você tem um gerador, não tem?

Concordei com a cabeça.

— Nunca fiquei tão feliz pela escolha que você fez de mansão. — Ele adorava minha sauna privada, e ele sabia que eu sabia disso.

Abri um sorriso fraco ao abrir o portão, quase caindo duro ao ver minha vizinha de trás acenar para mim ao colocar o lixo em uma das caixas na rua. Acenei de volta, então fechando o portão rapidamente, arregalando os olhos enquanto trancava ele.

— Dois de três fechados. — Ele concordou com a cabeça, respirando fundo antes de estalar os ombros, apontando com a cabeça para o jardim. — Cara, você me faz um favor? — Perguntei antes de começarmos a andar, com ele concordando com a cabeça, me encarando.

— Claro, o que foi?

— Se eu não terminar o dia, por qualquer motivo que seja, você vai atrás de Selena por mim. — Ele fez uma careta para mim. — Qual é, Za, você sabe que ela vai surtar, e eu não posso simplesmente...

— Eu sei, Drew, mas você realmente acha que ela tem chances de terminar o dia?

Concordei com a cabeça.

— Sim, acho, eu já liguei pra ela e pedi para que ela tome precauções. — Ele suspirou, concordando, comigo pegando meu celular do outro bolso da calça, então destravando a tela.

Franzi o cenho, confuso.

— Estamos sem sinal de celular. — Ele levantou uma sobrancelha ao pegar seu celular com a mão livre, vendo que também estava sem sinal.

Ele negou com a cabeça, puxando o ar.

— Nada bom.

Confirmei com a cabeça, concordando com ele.

— O que diabos está acontecendo? — Perguntei, confuso, então começando a andar.

— Eu pretendia ligar pro exército assim que terminássemos de fechar sua casa.

— Que bom que você não pensou em ligar antes. — Falei entredentes, com ele rindo baixinho.

Uma rajada de vento veio forte nesse instante, balançando a copa de uma árvore pequena que eu tinha no terreno, me fazendo olhar para cima, vendo que o tempo estava fechando. Fiz uma careta. Tudo o que eu precisava era de uma tempestade.

— Creio que eu fui convocado a serviço, também. — Za falou, parecendo pensativo. — Eles só provavelmente não conseguiram contato direto, mas a convocação já deve ter acontecido.

Concordei com a cabeça, entendendo a lógica dele. Se estava tão ruim quanto diziam, provavelmente era necessário chamar todos os soldados fora de atividade.

Fui até o portão, conferindo-o, também. O de correr, como o de antes, para carros, estava lacrado por ser automático, e sem luz era ainda mais difícil de abrir, já o de pedestres eu abri, conferindo a rua. Pisquei, surpreso com o que via. Fechei o portão com tudo, trancando e dando um passo para trás. Za me encarou, preocupado, mas manteve sua arma com a mira no portão.

— O que você viu? — Me aproximei novamente, conferindo o trinco, estava fechado mesmo.

Foi quando o cara bateu com tudo no portão, me fazendo dar dois passos para trás. Za me acompanhou.

— Autoexplicativo. — Falei o óbvio, com ele concordando.

O cara bateu mais algumas vezes, mas desistiu quando não ouviu mais nada, provavelmente imaginando que não tinha mais ninguém ali.

Ou não. Será que aquilo pensava? Tipo, ninguém comia a própria espécie quando em sã consciência.

Eu e Za saímos dai, seguindo para dentro de casa novamente, comigo trancando tudo. Tranquei todas as portas, deixando Za conferindo elas e as janelas, então indo fechar as janelas dos andares superiores.

Quando voltei para o primeiro andar, ele mexia em seu celular, negando com a cabeça para mim.

— Nada. Nenhum sinal. A rede está horrível, vez ou outra volta, mas, em compensação, a internet está pegando. — Levantei as sobrancelhas. — Seu wi-fi caiu por causa da luz, então é só você ligar o gerador que ele deve pegar. Vários vizinhos seus estão com as internets ligadas.

— Isso significa que a internet pega, mas não o sinal. — Falei, com ele concordando. Conferi meu celular, vendo o sinal dele zerado, concordando. — Estranho.

Za fez uma careta, dando de ombros.

— Pra ser bem honesto, Justin, nem tanto. O sinal de telefone pode ter sido cortado para segurança, assim como a luz, mas, enquanto isso, a internet precisa pegar para que o governo possa manter contato entre si. É provavelmente assim que o POTUS tá falando com os governadores e as patentes do exército.

Concordei com a cabeça, batucando meus dedos na bancada da cozinha.

— Será que vai voltar? — Perguntei, com Za pensativo, parecendo raciocinar.

— Talvez. A luz e o sinal podem acabar reativados se ainda tivermos alguma reserva de energia elétrica, e o sinal pode voltar se o governo manter os satélites. — Ele fez uma careta, pensativo. — Você sabe de mais alguma coisa?

— Bom, foi dito no noticiário com o que devíamos nos preocupar e correr, e ligar pro exército. — Acrescentei, com ele concordando.

Foi quando meu celular apitou.

Franzi o cenho, confuso, vendo sinal.

Arregalei os olhos para isso, com Za também olhando para seu celular.

— Cacete. — Ele digitou um número rapidamente. — Aqui é Xavier Smith. Sou um soldado em afastamento do exército, gostaria de saber se fomos chamados a postos? — Ele ouviu algo do outro lado, então concordando. — Ok, certo. Então estamos a postos, mas sem ir em atividade para a base? — Ele pausou, ouvindo alguma coisa do outro lado. — Há previsão de queda de sinal? — Ouviu algo do outro lado novamente. — E energia elétrica? — Ele concordou novamente, então desligando.

Levantei as sobrancelhas novamente.

— Eu estou a postos, mas não preciso ir à base, isso significa que preciso ajudar civis — apontou com a cabeça para mim —, se precisarem, mas não preciso me apresentar. — Levantei as sobrancelhas, com ele dando de ombros. — Parece que eles estão tentando manter o sinal de celular e energia elétrica ao máximo antes de tudo cair, porque o GA Clarke tem um comunicado a fazer. — Concordei, com ele continuando. — Não me disseram sobre o que, mas ele precisa de algo pra então poder informar o que está acontecendo, então estão comprando tempo com o que quer que seja, foi isso que falei.

Franzi o cenho.

— Eles disseram algo de uma guerra nos noticiários, e Scooter disse de o país estar em estado de Sítio. — Za deu de ombros, concordando.

— Não me surpreenderia. Pelo que eu entendi, o GA está sem o único superior acima dele. — Concordei com a cabeça.

— O general Oall desapareceu essa manhã, falaram no noticiário.

Za olhava para seu celular, franzindo o cenho.

— GA é um posto de guerra, Justin. Esse posto só é ocupado quando o país está em guerra.

Levantei as sobrancelhas.

— O noticiário falou que o presidente declarou paz. — Za abriu um sorriso para mim, quase como se eu fosse inocente.

— Justin, declarar paz não significa que ela exista. É bem provável que meu superior máximo no momento esteja tentando encontrar uma saída com o presidente para evitar invasão ao país, é estratégia militar, é por isso que devem estar tentando comprar tempo antes de avisarem algo a população e sofrerem com as consequências de liberar uma informação errada. — Za tinha o cenho franzido. — E, além do mais, não sei, a mulher que me atendeu no telefone parecia muito tensa, como se algo pior pudesse vir. — Ele passou a mão na barba rala que tinha no queixo. — Parece desorganizado, tipo, o exército é organizado, tem a organização básica impossível de ser quebrada, mas parece algo deturpado, meio que tem algo faltando. — Ele puxou o ar, parecendo preocupado. — Temos que esperar pra ver esse GA dar um depoimento público, mas sei lá, cara, acho que ainda não vimos o pior.

Não era a primeira vez que eu ouvia esse tipo de frase hoje.

Concordei com a cabeça, passando a língua nos lábios.

— E o que fazemos?

Za deu de ombros.

— Arrumamos nossas coisas para uma fuga rápida. Sua mansão é enorme, vamos ter sorte caso não invadam ela, e você tem gerador, o que causa ainda mais chances de alguém tentar invadir para ter um local quentinho e mais seguro por uma noite. — Ele coçou a nuca. — Não sei, Justin, é algo que eu nunca previ, mesmo em treinamento com o exército.

Concordei com a cabeça, lembrando de meu celular e vendo o que tinha apitado. Era uma mensagem na caixa postal. Franzi o cenho, clicando nela, para ouvi-la.

— É o Jeremy, filho. Ouça-me atentamente: Eu e seus irmãos estamos bem, mas a qualquer momento o sinal aqui pode cair. Estamos seguros, não venha atrás de nós. Consegui falar com Pattie, ela também está bem, não venha atrás de nós ou dela. — Ele pausou para pegar fôlego antes de continuar. — Eu te amo, ok? — Parecia uma merda de uma despedida, aquela frase em particular doeu. — Se arme, filho, não sabemos o que está acontecendo, mas é letal, mate se vier para cima de você. Não hesi... — E a ligação caiu, cortada por ter dado o tempo máximo. Encarei Za.

— Meu pai acabou de me encorajar à cometer um assassinato caso seja necessário.

Za conferiu o pente de sua arma, pensativo.

— Infelizmente, Justin, acho que vai ser necessário.

Ele me mostrou a arma, vindo até mim, então trancando o pente nela, me ensinando a abrir ele e recolocar. Então me mostrou onde eu preparava e onde eu atirava, assim como me ensinou a mirar.

Quando entreguei a arma novamente para ele, pude ver que meu amigo tinha uma postura completamente diferente. Za era extremamente brincalhão, sempre rindo e sorrindo, mas agora... Ele estava sério, firme, o corpo também estava tenso, e ele não sorria, muito menos ria. Ele tinha os olhos quase frios.

Za suspirou para mim.

— Esse vírus que vinham falando... — Za analisava. — Sinto que é a causa de uma possível guerra iminente. Por isso existe um GA e por isso que ele está no controle.

Dei de ombros, analisando a rua.

— Seja o que for, creio que é bem óbvio que o principal é andar armado.

Za sorriu, negando.

— Não, Justin. — Levantei as sobrancelhas. — O principal não é andar armado, o principal é saber quem é a sua mira.

Fazia sentido, mas ainda assim parecia estranho.

— Enfim, vamos fazer nossas mochilas. — Ele apontou com a cabeça para as escadas, com nós dois subindo. Ele pegou algumas roupas minhas, informando o que era necessário. Peguei três mudas de roupa, além de pôr uma roupa mais confortável, e tirei meu boné. Troquei meu relógio, colocando o melhor deles e o que eu sabia que a pilha também era mais recente, então coloquei minha escova de dente ali dentro, assim como desodorante, qual é, eu não podia sair fedendo por aí. Za parecia preocupado. — Você não teria um kit de primeiros socorros, teria?
— Tenho um na cozinha, porque Scott pediu para eu ter um. — Ele concordou, satisfeito.

— Scooter é inteligente.

Revirei os olhos para essa, pegando meu notebook e levando-o para a cozinha, deixando-o na tomada, já que a luz parecia ter voltado, fosse da maneira que fosse. Deixei meu celular também carregando, então mostrando para Za a notícia que tinha visto mais cedo.

Ele concordou, pensativo.

— Acho que estão planejando estratégia de guerra. O GA deve estar em contato com o presidente, buscando saídas. É bem provável que estejam planejando invasão territorial, se ainda não foi feita, mas... Não sei. — Ele fez uma careta. — Difícil prever, ainda mais de um general que eu nunca conheci.

Concordei com a cabeça, ligando a TV, esperando por algo, com Za olhando em volta, vendo um antigo rádio meu. Eu tinha um muito melhor na sala de jogos, além de um na sala de festas, mas aquele ali tinha ficado perdido na cozinha depois de tantos anos inutilizado, era de sei lá... 2009? 2000? Eu nem lembrava mais. Ele ligou o rádio, conferindo as linhas e indo para a 50.5, que estava em completo silêncio, repassando apenas a mensagem “fique conectado nesta linha, a qualquer momento poderá surgir uma transmissão”. Era uma voz feminina robotizada, mas era melhor que nada. Nada mal.

Foi quando o som parou. Eu e Za paramos, confusos, com então surgindo uma voz feminina, mas essa não era robotizada.

— Transmissão nacional de emergência. — Pausou. — Transmissão nacional de emergência. — Repetiu. — Transmissão nacional de emergência. — Novamente. — Fique em casa. Estoque comida e não dê abrigo a desconhecidos. Não mantenha-se próximo de ninguém pálido, com olhar vazio e que segue em sua direção sem falar nada. Não tente contatá-lo, saía imediatamente do local, de preferência encontrando uma maneira de isolar essa pessoa. — Levantei as sobrancelhas. — Repete-se: Fique em casa. Estoque comida e não dê abrigo a desconhecidos. Não mantenha-se próximo de ninguém pálido, com olhar vazio e que segue em sua direção sem falar nada. Não tente contatá-lo, saía imediatamente do local, de preferência encontrando uma maneira de isolar essa pessoa.

Ela repetiu novamente três vezes “transmissão nacional de emergência”, então repetindo duas vezes a mesma explicação, voltando o canal do governo a avisar para manter-se conectado à ele.

Za fez uma careta, negando com a cabeça.

— Nada bom.

— O que?

— Eles não falaram nada de conflito armado com outro país, estão tratando só do interno.

— O que isso significa?

Za fez uma careta.

— Que foi declarada guerra. — Meu corpo estava tenso nesse instante, encarando Xavier . — No caso, é provável que o GA fale isso quando fizer o comunicado oficial.

Concordei com a cabeça, respirando fundo, então ouvindo novamente o aviso robótico parar.

— GA Clarke estará fazendo um comunicado oficial exatamente às 05h00min PM no horário da Califórnia, tanto via Rádio quanto no canal oficial, na CW. Mantenham-se informados e repassem a informação para o maior número de conhecidos possível. — Pausa. — Repete-se: — Pausa. — GA Clarke estará fazendo um comunicado oficial exatamente às 05h00min PM no horário da Califórnia, tanto via Rádio quanto no canal oficial, na CW. Mantenham-se informados e repassem a informação para o maior número de conhecidos possível. — Pausou novamente. — Informações básicas repassadas anteriormente: Fique em casa. Estoque comida e não dê abrigo a desconhecidos. Não mantenha-se próximo de ninguém pálido, com olhar vazio e que segue em sua direção sem falar nada. Não tente contatá-lo, saía imediatamente do local, de preferência encontrando uma maneira de isolar essa pessoa. — Pausa. — Repete-se: — Pausa. — Fique em casa. Estoque comida e não dê abrigo a desconhecidos. Não mantenha-se próximo de ninguém pálido, com olhar vazio e que segue em sua direção sem falar nada. Não tente contatá-lo, saía imediatamente do local, de preferência encontrando uma maneira de isolar essa pessoa.

Voltou ao aviso normal, comigo conferindo o horário.

Eram quatro e quinze da tarde. Tínhamos quarenta e cinco minutos.

Encarei Za, suspirando.

— Vou avisar pra Selena.

— Não só ela, Justin, todo mundo que você conhece. Envie um SMS para ligarem o rádio às 5h00min ou a CW para todos os seus contatos, independentemente de quem seja. — Concordei com a cabeça, vendo ele fazer o mesmo. Assim que enviei o SMS, liguei para Selena.

— Oi. — Falou, parecendo sorrir. — Acabei de ler seu SMS, o que está acontecendo?

— Só ligue a televisão no horário, S, vou ligar hoje a noite, ainda, pretendo, ao menos, mas não venha atrás de mim caso algo aconteça, fique em casa, ok? Se algo acontecer, por favor, deixe que eu vou até você.

— Ok, mas você está me assustando, Justin.

Suspirei.

— Desculpa, mesmo, mas você vai entender quando ver. Está tudo bem?

— Sim, tranquei tudo como pediu, mas sei lá, fico ouvindo uns barulhos estranhos.

Senti tudo gelar.

— Barulhos estranhos?

— É, como se eu não estivesse sozinha em casa, mas chamei e ninguém apareceu, óbvio que não ia aparecer, só que sei lá, estou com medo. As empregadas tinham tirado folga hoje porque eu ia ficar em casa, então não são elas, mas... — Ela suspirou. — Estou com medo, Justin.

— Se tranque no quarto, Selena. Pegue comida, e então se tranque no seu quarto. — Pedi, sério.

— Ok, ok. Vou fazer isso, até dep...

— Não desligue. Fique comigo enquanto faz isso. — Pedi, passando a mão na boca, encarando Za, meus dedos tremiam.

— Mas...

— Selena, só faça. — Pedi, com ele me encarando, preocupado. — Por favor. — Acrescentei, tentando não soar mandão.

— Ok. — Ela resmungou contragosto.

Ela seguiu o caminho, pegando as coisas, comigo ouvindo tudo. Ela parou um instante.

— Você ouviu isso?

— O que? — Perguntei, preocupado.

— Sei lá, parecem passos.

— Selena, saía daí, só vá pro quarto, pegue o que deu e vá pro quarto. — Pedi, quase ordenando.

Ela não respondeu, mas ouvi ela fazer o que pedi, e também ouvi sua respiração vacilar, ela estava com medo, muito medo.

Ela subiu as escadas correndo, comigo ouvindo os três lances.

Foi quando ela gritou.

— O que? — Eu me levantei da cadeira que tinha me sentado, na bancada da cozinha, preocupado. Ela se manteve em silêncio, mas pude ouvir ela soluçar, parecendo correr ou bater em algo, eu não sabia dizer. — Selena! — Pedi.

— Tem um cara, meu Deus do céu, ai meu Deus, ai meu Deus. — Ouvi uma porta bater, então ouvi a chave girar. Algo bateu na porta logo em seguida, comigo ouvindo o soluço dela. — Ai meu Deus. — Ouvi várias coisas caírem no chão, comigo me remoendo, tentando ajudar ela de alguma forma. — Ai meu Deus. — Ela soltou o ar, parecendo mais aliviada. — Eu... Eu cheguei no terceiro andar. — Descreveu. — E vi um cara começar a subir as escadas, me seguindo lentamente, quase como se tivesse todo o tempo do mundo. — Ela puxou o ar, a respiração vacilando. — Ele tinha essa expressão, ele parecia só querer chegar até mim, mas não parecia realmente me ver, tipo, estava focado em mim, mas era como se eu não fosse eu, sabe? — Ela soluçou. — Meu Deus, é... Assustador. — Ela soluçou outra vez. — O que eu faço, Justin? — Ela choramingou. — Ele está batendo na porta, não sei com o que, não parece a mão, mas está batendo tentando arrombar.

— Calma. — Pedi. — Fique em silêncio. Não fale mais nada, ok? Só mantenha-se em silêncio, finja que não está aí. — Meu coração estava na boca, isso sim. — Você quer que eu vá aí?

— Isso vai mudar em algo? — Ela falou num sussurro, comigo sorrindo.

— Não sei.

— Não sei se vale a pena, vamos esperar um pouco, ok? Vai que esse aí não é o único. Estou morrendo de medo, mas não quero... — Ela não queria se preocupar comigo também. Abri um sorriso para isso. Era corajoso da parte dela, mas estúpido. — Eu vou ficar bem, ok? Se algo acontecer, eu aviso de alguma maneira, nem que eu vá até aí a pé e correndo, mas eu aviso.

Sorri para isso.

— Ok, S. E, por favor, faça uma mochila com alguns itens extremamente necessários. Vou te buscar assim que o dia amanhecer, que tal?

— Parece ótimo para mim. Me liga hoje a noite?

— Ligo. Qualquer coisa me ligue também, e eu estou com Za, a propósito.

— Ok. Te amo.

— Também te amo. — Revirei os olhos para isso, com ela rindo baixinho, desligando.

Za fingiu vomitar quando desliguei o telefone, comigo rindo, mas ele então ficou sério, suspirando.

— Talvez ela não dure até amanhã de manhã, talvez você não dure até amanhã.

Dei de ombros, batucando meus dedos no computador antes de olhar para o fogão.

— Que Deus nos ajude, então. — Za abriu um sorriso fraco, concordando. — Será que macarronada é muito forte para essa parada toda que está acontecendo? Me deu vontade de comer.

Za deu de ombros.

— Coma enquanto pode, pequeno Bieber.

Fiz uma careta.

— Eu sou o irmão mais velho, Smith.

Ele deu de ombros outra vez.

— Continua pequeno.

Revirei os olhos para ele, pegando os ingredientes e fazendo a macarronada. Eu terminava ela quando deu cinco horas, com Za ligando a televisão, desligando o rádio para não ouvirmos a mesma coisa com interferência, então abaixando a tela de meu notebook, que mexia até dar o horário.

O jornalista do canal apareceu, abrindo um sorriso fraco.

— A transmissão está um pouco atrasada devido a um pequeno imprevisto na base, onde estaremos transmitindo o sinal. Em alguns segundos será transferido o sinal, mas, enquanto isso, gostaríamos de repassar o já informado pelos canais de emergência: — Um áudio começou a rodar, com apenas a insígnia do exército na tela e uma legenda em sinais aparecendo o canto da tela. — Fique em casa. Estoque comida e não dê abrigo a desconhecidos. Não mantenha-se próximo de ninguém pálido, com olhar vazio e que segue em sua direção sem falar nada. Não tente contatá-lo, saía imediatamente do local, de preferência encontrando uma maneira de isolar essa pessoa. — Era o mesmo do rádio, notei.

Quando parou de repetir a mesma transmissão de antes, uma tela diferente da do jornalista anterior apareceu, mostrando um apoio de microfone, esse de madeira, com a insígnia do exército. Ele tinha inúmeros microfones nele, e tinha uma mulher atrás dele. Ela encarava a câmera, esperando autorização. Ela usava um uniforme de oficial do exército, e tinha inúmeros outros oficiais atrás dela, inclusive um sem insígnia alguma, apenas de terno. Todos os oficiais estavam em postura, exceto esse, também. A mulher parecia tensa. Ela tinha os cabelos amarrados em rabo de cavalo, e não em coque, como eu imaginava que as mulheres do exército usavam seu cabelo. Os cabelos eram castanhos, eu não podia ver a cor de seus olhos, mas ela tinha o rosto tenso, devia ter uns trinta anos, e tinha um curativo do lado direito do rosto, parecia ser de um corte, já que era um curativo pequeno.

Ela então concordou, começando a falar.

Ela não parecia ansiosa, nem com medo. Tensa e preocupada sim, mas não estava intimidada com as câmeras.

— Cacete, o GA Clarke não é um homem. — Ouvi Za falar, chocado. — É a GA. Eu não sabia nem que as mulheres tinham autorização para esse posto de comando. — Levantei as sobrancelhas, então vendo ela falar.

— Boa tarde. — Começou. — Meu nome é Scarlett Clarke. — Ela não tinha nenhum papel em mãos, notei, estava simplesmente falando sem nada. — Nos últimos quatro dias, desde segunda-feira, até hoje, quinta-feira, vários estados dos Estados Unidos declararam estado de calamidade pública, então terminando em Estado de Sítio. — Me sentei numa das cadeiras, vendo Za fazer o mesmo. — Ninguém entendeu porque esses estados foram declarados, e muito menos o que estava acontecendo. Transmissões de emergência foram sendo repassadas através do rádio a medida que o sinal de telefone, internet e televisão foi caindo, assim como energia elétrica. Todos os estados com esses sinais já fora do ar ainda têm água corrente, mas qualquer outra coisa não, exceto o rádio em níveis baixos, que é onde o exército está trabalhando para entrar em contato com sobreviventes que não têm informações estritamente necessárias. — Ela franziu o cenho. — Oficialmente, sou o maior posto em comando nos Estados Unidos desde duas horas atrás, quando obtivemos nosso último contato com nosso Presidente. Após isso, a Casa Branca se manteve em silêncio. O posto acima do meu, ocupado pelo General Oall, foi dado como cortado após me informarem que Oall foi dado como desaparecido em Carolina do Norte, o primeiro estado do país a registrar um dos casos do vírus.

Ela pausou, respirando fundo longe dos microfones antes de continuar.

— Mais cedo, entrei em contato com quase todos os canais principais de TV e rádio dos EUA, informando o necessário, principalmente o fato de não estarmos em guerra e estamos em estado de Sítio, além de calamidade pública. Infelizmente, logo após isso, tivemos novas informações. O presidente havia declarado estado de paz, mesmo com dois ataques seguidos à Cidade de Nova Iorque e um à Raleigh, em Carolina do Norte. — Ela franziu o cenho. — Eu estava presente no ataque à Raleigh, e após isso recebemos confirmações de ataques em outros estados, como Connecticut, Califórnia, Washington, Virginia, Flórida, dentre tantos outros. Tivemos confirmação e declaração de guerra de exatas seis nações. — A GA Clarke parecia não dormir há dias, o que eu não duvidava muito. — Não pude entrar em contato com o Presidente, devido ao repassado anteriormente, pela Casa Branca se encontrar em completo silêncio. Esperamos todo esse tempo para o comunicado oficial para esperar nossos técnicos informarem caso fosse possível obter contato. Não foi. — Acrescentou. — Então, dez minutos atrás eu declarei oficialmente, assinando o termo oficial, com o apoio dos generais atrás de mim, estado de guerra contra as seguintes nações: — Clarke não parecia nada feliz em dizer isso, mas pude notar que ela não tinha nenhuma outra opção. — Japão, Alemanha, Rússia, Suíça, China, Itália, Emirado dos Árabes Unidos e Cuba. — Ela tinha os ombros tensos enquanto falava os países. — A aliança de países ao nosso lado foi feita com o Primeiro Ministro da Inglaterra, França, Brasil, Argentina e Polônia. Muitos outros países não conseguimos entrar em contato devido ao vírus. — Ela pausou, respirando fundo e tomando um gole de água de um copo que tinha ali.

Za me encarara de rabo de olho, comigo concordando, ele estava certo. Quanto a guerra.

Scarlett Clarke parecia carregar o mundo em seus ombros, e isso não parecia ser uma boa coisa.

— Temos várias informações pelo país, temos vários estados destruídos e sem salvação, temos mais de quinhentas mil mortes confirmadas apenas nos estados da costa leste.  — Ela tinha o cenho franzido, as sobrancelhas quase juntas, então deixando o cenho normal, continuando. — O vírus não foi confirmado de onde veio, não tivemos conhecimento total, e também estamos estudando com o apoio de inúmeros cientistas de base, temos o apoio do MIT, CIA, FBI, várias áreas do exército, operações especiais e INTERPOL. — Ela pausou, continuando logo em seguida. — Tudo o que sabemos até o momento é que o vírus é causado pela letalidade e contaminação direta. Isto é: Se você tiver contato direto com alguém infectado, seja por mordida ou arranhão, você será levado ao falecimento em menos de vinte e quatro horas, variando no tempo de reação do metabolismo de seu corpo, sendo as variações já encontradas por nós de duas ou vinte e uma horas. Após isso, seu corpo ficará morto, e você voltará a vida em menos de uma hora, as informações recebidas variam de quinze minutos à cinquenta minutos com seu coração parado. Quando o cadáver retorna à vida, o que parece estranho, e realmente é, mas está acontecendo, apenas algumas áreas de seu cérebro encontram-se ativas, com vida, e é por isso que o morto, agora vivo novamente, busca poucas coisas e é incapaz de se comunicar. Esse morto-vivo busca saciar sua fome, que não acaba, jamais. Eles busca por seres vivos, sejam humanos ou outros animais, contanto que tenham o coração batendo. Eles lhe levarão à morte, caso lhe alcancem e você seja contaminado.

Ela então pausou, tomando novamente a água. Pude ver que ela se apoiava com a mão esquerda com força no palanque, parecendo não ter força em uma das pernas.

— Eu estive em contato com o presidente durante a manhã e tarde do dia de hoje, com uma lei sendo aprovada no congresso americano. Essa lei está disponível em todas as sedes em atuação do governo e do exército, ela permite algumas questões em particular que antes não eram permitidas no nosso estado. Se for comprovado por você alguém com as descrições a seguir: — ela pausou, então continuando logo a seguir — pele pálida, olhos desfocados, grunhido vindo da garganta e passos lentos, é permitido o tiro letal. — Za me encarou, preocupado. — É também permitida a morte por misericórdia. Se alguém lhe pedir para morrer, você poderá assassiná-lo. Caso alguém tenha uma mordida ou arranhão, e você tenha a confirmação de que foi feito por um morto-vivo, o tiro letal também será permitido. Quanto me refiro à tiro letal ou assassinato, todo tipo de morte é permitida, contanto que sem crueldade ou busca por prazer através da morte. A mira deverá ser o cérebro, outra parte do corpo não é permitida para assassinato.

Ela molhou os lábios antes de continuar.

— Durante essa madrugada, recebi um posto que, para muitos, eu não estaria preparada para assumir. — Ela falou. — Além de comandante do exército, sou uma cientista e médica, sou uma das poucas mentes no país, vivas, capaz de buscar entender o que está acontecendo no mundo todo, e estamos buscando, acreditem. E, mesmo se não acreditarem, coisa que não posso culpá-los por fazer, mantenham-se em segurança. Não tentem fazer contato com os mortos-vivos, estoquem água potável e comida, mantenham-se em locais seguros, não tentem ajudar pessoas feridas pelos mortos-vivos, e, caso confiem na pessoa, abriguem-na. Não é um teste, não é uma brincadeira. Estamos em guerra durante o acontecimento de uma catástrofe mundial que não pôde ser prevista por ninguém no mundo, com vários governos desfalcados. Se precisarem de ajuda, busquem-na, mas, do contrário, fiquem em segurança. — Ela parou, preocupada, respirando fundo uma última vez. — É provavelmente a última vez que vocês veem uma declaração oficial de algum órgão do governo, então, creio que seja justo ressaltar. — Ela parecia segurar cada vez com mais força o palanque. — Estamos na terceira guerra mundial e um vírus letal foi espalhado pelo mundo. Toda a segurança possível deve ser buscada. Enquanto houver chances, manteremos todas as organizações públicas funcionando. A única base confirmada na costa leste, que ainda está em funcionamento, é a Base Aérea de Carolina do Norte. Enquanto isso, temos as bases do exército funcionando em outros estados, sendo esses a Califórnia, Nevada, Texas, Wyoming, Minnesota, Nebraska e Illinois. Todas as outras bases no país foram comprometidas, então busque ajuda nessas.

Ela esperou alguns instantes antes de continuar.

— Nenhum hospital ou delegacia de polícia, além como corpo de bombeiros, tem alguma autorização para funcionar. Todos os oficiais, médicos, enfermeiros, bombeiros e outras funções já receberam a ordem de deixarem seus postos. Apenas o exército e o governo Federal tem autorização para funcionamento na jurisdição do país. — Ela pausou. — Qualquer dúvida, problema ou necessidade de ajuda, há uma lista de números que estaremos divulgando no nosso site e passando-a repetidas vezes aqui no canal e no rádio 50.5. Não hesitem em entrar em contato conosco, estaremos ajudando a todos sempre que possível. — Ela parecia ter chego ao fim do discurso, porque então abriu um sorriso fraco depois de olhar para algo do lado da câmera, parecendo tensa. — Se for possível, estaremos com transmissões pelas próximas horas e dias. Seja eu ou outro oficial encarregado. Obrigada pela sua atenção, e boa sorte. — Ela sequer esperou a câmera desligar, apenas se desapoiando do palanque, comigo vendo um oficial sair da formação, ajudando-a a ficar de pé enquanto pegava o telefone. A câmera cortou nesse instante.

Caralho, se até a GA estava tão machucada...

Za encarava em silêncio o jornalista repassar as informações principais.

Éramos dois.

Quando o choque passou, eu e Za começamos a comer em silêncio.

Só quando coloquei meu prato na lavadora, foi que eu falei.

— Estamos fodidos.

Ele concordou, olhando fixamente para um ponto.

— Só tenho dez balas e estamos em guerra com várias potências que tem bombas atômicas apontadas para nós nesse instante.

Concordei com a cabeça.

Recebi um SMS de Selena.

Você ouviu tudo que eu ouvi?

Respondi ele.

Sim. Não sei o que dizer.

Enviei, não recebendo resposta até os minutos seguintes.

Dois.

Eu e Za arrumávamos as coisas, fizemos tudo o que era necessário, comigo vendo o dia dar lugar à noite, então ficando cada vez mais escuro. A luz piscava e voltava até às dez da noite, quando finalmente caiu.

Liguei o gerador, então, comigo e Za sem interesse algum de ir dormir, os dois tensos. Eu e ele estávamos na minha sala de jogos, comigo enviando um convite de facetime para Selena, que atendeu.

Conversamos por algo que pareceu uns quinze minutos, com ela me informando que o morto-vivo tinha desistido do quarto dela, mas parecia no mesmo andar, tanto que ela estava no banheiro de seu quarto — uma suíte — falando comigo, para que ele não pudesse ouvir nada. Ela tinha se trancado no quarto, inclusive as janelas, tudo fechado, para garantir. Estava no escuro, também, mas tinha sinal de 4G porque ainda tínhamos sinal de celular.

Desliguei o telefone logo depois, com Za me mostrando o controle do videogame.

— Acho que podemos jogar uma última vez antes de não existir mais diversão no mundo, não acha? — Abri um sorriso de canto de rosto, concordando.

Za e eu sentados lado a lado no sofá principal, ele com a arma no encosto na sua direita, sendo o mais perto da porta, também. Tínhamos fechado ela e trancado-a, para garantir, assim como nossas mochilas estavam ali, apesar de que eu e ele estávamos apenas de meia, sem os tênis.

— Como você se sente sabendo que está presenciando a terceira guerra mundial? — Perguntei, acelerando meu carro no jogo, com ele dando de ombros.

— Uma bosta. Eu me sentiria mais útil estando na linha de frente.

Abri um sorriso fraco, vendo ele tentar me ultrapassar, sem ter muito sucesso.

— Se você fosse pra linha de frente, terminaria morto.

— Mas com alguma utilidade.

— Você tem utilidade, está aqui protegendo a vida de um civil.

Ele revirou os olhos para mim, mas abriu um sorriso fraco.

— Aquela mulher... — Ele falou, negando. — Eu nunca tinha visto isso. Tipo, além dela ser uma mulher no comando, coisa que deve ser difícil de engolir para muitos dos militares de direita — concordei, com ele continuando —, ela parecia mal, Justin. Não sei dizer, mas ela não tinha uma postura totalitária. Algo por trás estava acontecendo. Tanto que se você olhar, ela estava tão machucada que parecia ter sofrido uma tentativa de assassinato, e nem todos os generais ao fundo pareciam estar de acordo com ela ali.

— Você notou isso? — Levantei as sobrancelhas, com ele concordando.

— Sim, prestei muita atenção, inclusive no político perto dela. Era um antigo desgraçado, conheci ele faz uns anos numa missão minha, ele é um filho da puta, o Peterson, sei que ela já deve saber disso, mas não tem muito o que fazer com políticos. E ela não parece ter o apoio deles.

Levantei as sobrancelhas.

— Tá, e daí? A mulher tem o comando de tudo, deve ter todos eles na palma da mão.

— Exatamente, Justin, aí que está. Acho que ela está prevendo um golpe de Estado. Como o presidente caiu e estamos em guerra, o posto mais alto seria o Oall, mas Oall está desaparecido, então é ela. É ela quem sofre o golpe de estado.

Franzi o cenho.

— Isso significa que a situação do país pode piorar?

Ele concordou, soltando o ar.

— Mais do que isso, Justin. Imagine o controle de todas as bombas atômicas que o país tem nas mãos de um tirano.

Engoli em seco.

— Ele poderia provocar a destruição do mundo. — Supus, com Za concordando. — Por isso ela tinha aquela expressão, ela está tendo que fazer o que vários cargos fariam ao mesmo tempo pra impedir qualquer merda de acontecer.

Za concordou, fazendo uma careta quando ganhei aquela corrida.

— É bem provável que ela e o presidente tenham tido algumas conversas em particular, principalmente de segredos de Estado. Os militares sempre tiveram isso com o POTUS, mas sei lá, ela parece esperta de mais, provavelmente sabe jogar o jogo.

Dei de ombros.

— Vários presidente sabiam jogar o jogo, e muitos deles foram assassinados.

Za concordou.

— Por que acha que mencionei “golpe de estado”?

Jogamos mais algumas rodadas, com Za pausando o jogo segundos antes de eu ganhar mais uma.

— Ouviu isso? — Falou baixinho, comigo estreitando os olhos.

— Isso o que?

Ele colocou a mão na boca, comigo então ouvindo uma janela bater.

A chuva já caía forte há horas na rua, e tinha muito vento, o que explicava a janela bater.

Só não explicava ela estar aberta para poder bater.

Coloquei meus tênis, com Za segurando a arma enquanto eu o fazia, então me entregando a arma e colocando seus próprios tênis. Entreguei a arma novamente para ele, colocando minha mochila em minhas costas, conferindo o horário.

11h49min PM.

Ainda nem era sexta-feira.

Abri a porta, com ele apontando a arma para o corredor. Não tinha nada. Ele tinha sua mochila nas costas, eu tinha a minha, andando atrás dele, com ele apontando a arma para qualquer coisa que pudesse se mover. Mas todos os quartos tinham as portas abertas para que pudéssemos saber o que estava do outro lado caso passássemos por ali. Nenhuma porta fechada naquele andar, assim como nenhuma janela aberta.

Segundo andar se encontrava da mesma forma, com nós dois fazendo a varredura por ele.

Eu sentia tudo gelar enquanto descia as escadas para o primeiro andar.

A opção menos pior? Eu podia ter esquecido uma janela sem travar e Za não ter conferido, mas era muita coincidência.

A pior das opções? Mortos-vivos pularem janelas.

Conferimos o hall, então seguindo para a cozinha, Za apontou com a cabeça para o outro lado num gesto de “depois”, comigo concordando, a cozinha era a primeira porta depois da porta principal, e era a mira para qualquer invasor, apesar de que mortos-vivos não queriam comida enlatada — ou macarronada.

Olhei para o lado, vendo a janela bater, indo até ela e fechando-a. Quando me virei, vi no balcão as chaves que tinha deixado antes ali.

Correção, eu não vi as chaves.

Apontei com a cabeça para o balcão, com Za olhando para ele, comigo falando sem som “chaves”. Ele concordou, comigo observando a porta da garagem. Acendi a luz da cozinha só então, vendo uma marca de sangue próxima ao trinco.

Era bem óbvio que aquela marca não tinha estado ali mais cedo.

— Quem está aí? — Za falou, firme, apontando para a porta. Nada.

Ouvi vários sussurros, dando graças a Deus por lembrar do que Clarke tinha falado: mortos-vivos não falavam.

Então eram humanos, na melhor hipótese desarmados.

Na pior? Com uma metralhadora prontos para estourarem meu cérebro e invadirem minha mansão que custava mais de dez milhões.

Toda a situação era surreal, tanto guerra quanto vírus, mas eu só tinha entendido a gravidade naquele momento. Eu não tremia, porque sabia que só pioraria a situação, nunca tinha tido um ataque de pânico, porque quando a passei a ter mais fãs, tinha visitado uma psicóloga para saber como controlar tudo isso, então sabia que tremer feito alguém com mal de Parkinson não era a solução.

Mas, ainda assim, chegar naquele estado era de fazer qualquer um repensar em tudo o que acreditava.

Inclusive começar a orar.

Quem está aí? — Za rosnou em uma ordem, dando um passo para perto da porta depois de falar. Veio um sussurro mais firme, comigo então ouvindo alto.

— Por favor, não atire! — Era uma voz nada firme, vacilando. Parecia quase de criança. — Vou sair, mas não atire, por favor! — A garota pediu.

— Não vou atirar, mas saía com as mãos levantadas. — Vi uma mão abrir a porta, ensanguentada, uma menina surgiu, jogando uma bolsa do exército, cheia de armas, no chão, e uma mochila rosa logo em seguida, então tirando a metralhadora do pescoço, levantando as mãos.

Ela devia ter no máximo dezoito anos, tinha os olhos assustados, quase surtando, os cabelos eram castanhos, mais claros que os de Selena, apesar de nada perto de castanho claro, mas estavam amarrados em cima da sua cabeça.

E ela tinha as mãos cobertas de sangue, sendo que as duas tremiam.

Za abaixou a arma, notando que ela não estava mais armada, apesar de ainda tirar uma faca de dentro do tênis que usava, jogando nos pés de Za.

Ela engoliu em seco.

— Meu nome é Chloe. Chloe Clarke. — A voz dela vacilou.

— Clarke? — Za perguntou, curioso, com ela concordando.

— E eu preciso de ajuda. — Ela olhou para trás, comigo vendo outra mão surgir. Za levantou a arma, comigo vendo uma mulher mais velha aparecer. Ela soltou com força uma maleta de primeiros socorros no chão. Ela segurava o peito, logo acima do coração, com a mão direita, sendo que com a mão esquerda estava segurando a maleta. No ombro direito tinha uma mochila, que soltou no chão com força, então colocando a mão no coração novamente.

Ela estava mais pálida que um cadáver.

— Ela não foi mordida. — A tal Chloe falou, com a mulher então levantando o rosto, mas cambaleou, batendo na porta, a mesma que sujou completamente de sangue.

Foi quando notei. Za notou um segundo depois.

Uniforme do exército, cinco estrelas pratas, todas as insígnias.

Ela abriu um sorriso tenso, parecendo quase beirar a inconsciência.

Notei que o peito dela pingava sangue, então arregalando os olhos.

Tinham tentado atirar no coração dela. A tal Chloe olhava para a mulher.

— E essa é minha irmã. — Ela voltou o olhar para nós.

Voltei o olhar para a General de Exército, o sangue pingando por seu braço.

Eu não entendia de medicina, muito pelo contrário, mas tinha certeza de uma coisa.

Todo aquele sangue... Ela tinha perdido quanto até ali?

Ela ia morrer em no máximo algumas horas, uma morte lenta e dolorosa.

Até Za estava chocado.

— Prazer. Eu mostraria minha mão, mas ela está meio ocupada. — Ela abriu um sorriso amarelo, a dor era óbvia em sua voz. — Pela expressão de vocês, acho que vocês já me conhecem, mas, em todos os casos... Scarlett Clarke.


Notas Finais


Dispensa comentários, as always.
Realmente espero que estejam gostando! Nem eu previ um capítulo tão grande, mas nunca dá certo pra mim, escrever capítulos pequenos não anda sendo muito do meu feitio.
Qualquer erro não hesitem em me avisar!

Caso queiram falar comigo: http://ask.fm/CleliaM e https://twitter.com/CamsLaFont
Página das minhas fics no fb: https://www.facebook.com/groups/1507397299492399/

Obrigada por todo o apoio, todos os elogios e tudo mais, mesmo! Obrigada <3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...