História Promessa entre irmãos: uma lenda medieval! - Capítulo 14


Escrita por: ~

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Categorias Originais
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Palavras 2.395
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Magia, Romance e Novela
Avisos: Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 14 - Quartadecima


Devagar, os três amigos seguiram os rastros de sangue e árvores caídas, deixados pelo dragão. Todos estavam bem cansados, Feanor e Chris muito machucados, mas o jovem cavaleiro insistiu para seguir a fera ferida. A chuva já estava mais forte, e já havia anoitecido. Os viajantes começaram a notar algo estranho no caminho: antes, o rastro de sangue do dragão era bem grande, por causa de seu tamanho e de sua cauda e asas, arrastando pelo chão; mas agora eles viam um rastro um pouco menor...como se fosse mais de um homem bem ferido. Não precisaram andar muito, e logo começaram a ouvir uma respiração ofegante, e alguns gemidos de dor. Ao se aproximarem de onde o som vinha, eles viram um rapaz encostado em uma árvore: ele tinha cabelos brancos, havia duas pequenas protuberâncias em sua cabeça, só estava usando uma calça toda rasgada, e seu corpo estava muito machucado, e cheio de sangue. O rastro que os três seguiram levava diretamente para o rapaz ferido, ele estava com uma de suas mãos em seu olho direito, totalmente destruído.

- Ei...ele é o...? – Disse Chris, surpreso e cansado.

- Sim, ele é o dragão de antes. – Disse Feanor.

O rapaz dragão ficou surpreso e assustado ao ver Chris e seus amigos por perto, ao olhar para eles, os viajantes puderam ver a dimensão do seu estado: estava horrível, eles estavam muito tristes de ver, e até de imaginar a dor que ele estava suportando.

- Saíam logo...daqui! – Disse o rapaz, se esforçando para falar.

- Como assim!? Eu...ouvi você pedindo ajuda! Viemos aqui...para terminar de socorrê-lo! – Retrucou Chris, se afastando de Feanor, que o estava ajudando a ficar de pé.

- Não me levem...a mal, eu agradeço muito...por me libertarem de lá...mas não tenho salvação, é desperdício de tempo de vocês. – Disse o Dragão, tossindo sangue. – Eu...já estou cansado...nem lembro mais...por quanto tempo eu tenho fugido...daqueles soldados.

- Sabe por quê? – Perguntou Feanor.

- Parece...que queriam um dragão no exército deles, e como sou o último vivo...eles começaram a me caçar. – Respondeu o rapaz. – Não aguento mais...como se já não fosse doloroso o suficiente...viver anos sozinho...passei muitos deles sendo caçado e torturado...é melhor que eu morra logo.

- Não diga isso! Nós já...acabamos com aqueles monstros! Ninguém mais vai te caçar! – Disse Chris, ofegante, mas nervoso. – Vou salva-lo sim!

Chris tentou se aproximar do rapaz, mas Feanor o impediu, segurando seu braço.

- Por que!? Qual é...o seu problema Feanor!? – Disse Chris, irritado.

- Me escute: ele está todo coberto de sangue, você não pode toca-lo assim. É perigoso. – Disse Feanor, sério.

- Sangue de dragão, por ser muito poderoso e raro, sempre foi cobiçado por humanos e criaturas ambiciosas. Muitas lendas se espalharam, dizendo que quem bebesse o sangue de um dragão se tornaria imortal. – Explicou Penny. – Mas na verdade, o sangue de dragão é venenoso. Só de uma gota tocar na pele de uma criatura mais fraca, ela pode morrer. Muitos morreram pela lenda, ou até lutando contra um dragão, graças ao sangue.

- Isso mesmo...por causa desse sangue, minha família inteira também foi caçada e morta...É uma droga de maldição, isso sim... – Disse o rapaz, exausto. – Por isso que disse...que é perda de tempo. Não quero que vocês morram por causa...desse sangue, então vão e me deixem.

Feanor estava muito triste com a situação, e Penny estava segurando as lágrimas. Chris ficou sem palavras com as coisas que escutou, e muito nervoso com toda a situação.

- Não, não vou deixa-lo morrer, Senhor dragão! – Disse Chris, pegando a mochila de Feanor e se aproximando do rapaz ferido.

- Chris! – Disse Feanor, preocupado.

- Ei! Afaste-se! Você é louco!? – Disse o rapaz, preocupado e tentando sair do lugar.

- Não...sou só um idiota, que não vai morrer de jeito nenhum até cumprir seu objetivo! Seu sangue não vai me matar, eu garanto! – Disse Chris, sentando-se na frente do dragão. – Agora limpe essas suas orelhas draconianas e me ouça bem: Não vou morrer, e muito menos vou deixa-lo morrer aqui! Ser um dragão não é maldição nenhuma! E também você não estará mais sozinho!

- Como pode afirmar...tantos absurdos assim!? – Disse o rapaz, confuso.

- Por que agora eu vou cuidar de você! Você não se livrará de mim facilmente! – Disse Chris, pegando várias ervas médicas da mochila do elfo. – Agora não fale mais nada! E...hum...Feanor, onde eu coloco o que aqui!?

- Ah...minhas deusas...tomara que você esteja certo... – Disse Feanor, suspirando. – Certo, siga minhas instruções!

Então, com as instruções de Feanor e Penny, e com a ajuda deles também, Chris passou boa parte da noite chuvosa tratando dos ferimentos do dragão. Ele estancou o sangue de todos os ferimentos, e isso demorou bastante. O rapaz humano já estava bem sujo com o sangue do dragão, mas continuava a trabalhar normalmente. O dragão estava extremamente surpreso com tudo. Após uma longa noite de tratamento, Chris desmaiou devido aos seus machucados da luta; o dragão também havia desmaiado. Feanor e Penny ficaram muito preocupados, imaginando que Chris teria morrido envenenado. Mas ele estava vivo, apenas precisava dormir. Feanor usou o pouco das ervas medicinais que sobraram para o ferimento de Chris e os seus também. Já era quase metade do dia seguinte quando o rapaz dragão acordou. Ele estava quase que completamente enfaixado.

- O que...o que houve? – Perguntou o rapaz, confuso e tentando se levantar.

- Espere aí! Precisa ficar sentado, você ainda não está bem. – Disse Feanor, fazendo o rapaz se sentar novamente. – Tome. Precisa comer e beber um pouco, eu peguei alguns coelhos e pode tomar a nossa água.

O dragão, ainda sem entender muito a situação, começou a comer a carne que Feanor lhe deu, e bebeu bastante água também. Então Penny apareceu, e ficou muito feliz de ver que o rapaz estava acordado.

- Que bom! Está acordado! – Disse Penny, aliviada. – Olha, você precisa descansar mais um pouco. Nós cuidamos bem de você, e graças aos remédios você não corre mais risco de morrer. Mas...não conseguimos salvar seu olho direito, desculpe por isso.

No mesmo instante, o rapaz tocou seu olho direito por instinto. Seu rosto, na parte direita, estava coberto por faixas. Foi aí que ele se lembrou de Chris.

- E o humano!? – Perguntou o dragão, preocupado.

- Ele está bem, está só dormindo ali. – Disse Feanor, apontando para Chris, que estava dormindo atrás de algumas árvores ali perto. – E ele não está envenenado, está muito cansado e se recuperando do ferimento de ontem.

- Mas...como? Isso é impossível... – Disse o rapaz, incrédulo.

- Pois é...mas esse é o Chris! Ele consegue transformar o impossível em possível mesmo! – Disse Penny, sorridente. – Vou voltar para o campo de batalha de ontem, vou conseguir alguns materiais para fazer roupas para você!

Penny partiu voando, e Feanor e o dragão começaram a conversar.

- Ele é estranho...conseguiu me entender como dragão, se meteu em uma luta para me libertar...e podia ter morrido ontem ao me salvar. – Disse o dragão, confuso. – Por que ele é assim?

- É...O Chris é um idiota impulsivo, teimoso como um cavalo...mas ele é o humano mais corajoso e gentil que conheci em toda minha vida. Incrível, eu ainda me surpreendo com ele... – Respondeu Feanor, suspirando. – Não sei bem a razão de ele ser assim...talvez por que conhece a dor de perder pessoas que gosta, ou apenas por que os tempos mudaram. Olhar para ele me faz ter vontade de pensar que o mundo realmente mudou...

- E você é o que dele? Um elfo e uma fada...pensava que todos estivessem mortos também. – Disse o dragão.

- Eu sou...amigo dele. A Penny também. O Chris nos encontrou...e nos salvou também, decidimos ajuda-lo em sua jornada, e nos tornamos amigos dele. – Disse Feanor.

- Nossa...ele parece um milagre em pessoa. – Disse o rapaz, impressionado.

- Há há há! É verdade, além disso, ele tem uma habilidade misteriosa que faz com que seu corpo se cure sozinho. – Disse Feanor, rindo. – Por isso, não se preocupe. Logo que acordar, ele estará novo em folha. Meu nome é Feanor, e é um prazer conhece-lo.

- Eu é quem digo isso...obrigado por ter me ajudado. Meu nome é Eiden. – Respondeu Eiden, acenando a cabeça para o elfo. – A fada se chama Penny...certo?

- Sim, e o humano tolo lá atrás se chama Christopher. – Disse Feanor. – Durma mais um pouco, vou pegar mais comida e água aqui perto.

Depois de mais um tempo dormindo, Eiden acordou mais tarde, e encontro Chris conversando com Feanor e Penny. Feanor estava, novamente, dando uma bronca em Chris, que estava comendo sem ligar para o sermão do amigo.

- Certo, certo...mas estou vivo né? Não tem para que fazer escândalo por isso! – Disse Chris.

- Ah certo...eu desisto, você nunca me ouve mesmo. – Disse Feanor, suspirando.

- Há há há! Dê um desconto para ele dessa vez! – Disse Penny, contente.

- Opa! Eiden...né? Como se sente? – Disse Chris, contente ao ver o dragão acordado.

- Sim...eu estou melhor, graças a vocês. – Disse Eiden, sorrindo. – Obrigado mesmo Chris...mas como sabia que meu sangue não te afetaria?

- Ah...eu não sabia! Apenas decidi que não iria morrer... – Disse Chris, sem graça. – Ainda bem que o “querer é poder” funciona comigo!

- Viu o que eu disse? – Disse Feanor, olhando para Eiden.

- Nem sei o que dizer... – Disse Eiden, rindo.

- Olha só! Chris fez um dragão rir! – Disse Penny, surpresa.

- Ah! Por favor, me responda umas coisas! – Disse Chris, curioso. – Por que você parece um humano? Antes vimos você como um dragão enorme! Se não fosse esses pequenos projetos de chifres na sua cabeça eu até diria que você não é um dragão!

- Ah...mas todos os dragões faziam isso, não sabia? – Disse Eiden, surpreso.

- Ele não prestou atenção nos livros de seu treino para cavaleiro. – Disse Feanor, segurando a risada. – Dragões podem se transformar na aparência de humanos, como acha que eles ficavam por toda parte no passado?

- Mas só os mais fortes tinham a habilidade de fazer isso mais fácil e sempre que queriam... – Acrescentou Eiden.

- Uau! Então você é um desses!? – Disse Chris, impressionado.

- Não sei bem...afinal, uma das coisas mais primordiais dos dragões eu ainda não sei fazer. – Disse Eiden, sem graça. – Cuspir fogo.

- Não sabe!? – Disse Penny, surpresa.

- Eu sei fazer algo parecido...mas não isso. – Disse Eiden. – Espero conseguir um dia...já que estou vivo.

- Há há há! Vai sim! Mas...não querendo deixa-lo triste, mas como sobrou só você da sua espécie? – Perguntou Chris.

- Hum...minha espécie tem sido morta bem antes do dia do Massacre das Raças, já que muitos humanos nos viam como símbolos do mal, mas não era tão frequente. No dia do massacre, meu ninho foi invadido por um grande exército de humanos e outras criaturas. Eu era um dragão bem jovem na época...meu pai me deu tempo para fugir através de um lago. – Explicou Eiden, sério. – Depois eu procurei por algum sobrevivente...mas não achei ninguém.

- Lamento por tudo... – Disse Chris, tristemente. – Mas me tire uma dúvida: é verdade que os dragões são ambiciosos por ouro!?

- É mentira. – Respondeu Eiden, rispidamente.

- Ah...por que!? Eu achava tão legal essas histórias... – Disse Chris, desapontado.

- Pelo fato dos dragões serem criaturas raras e de grande longevidade, muitos humanos criaram mitos sobre nós. Isso aí é um deles, assim como a história do sangue deixar alguém imortal. Praticamente nós erámos uma raça boa que não atacava ninguém, só poucos faziam isso. – Explicou Eiden. – Mas...agora quero que você me responda algo: qual é o tal objetivo que mencionou ontem?

- Ah sim...eu vou salvar minha irmã Teresa! Ela foi levada por soldados de Inflayster há alguns anos, e estou partindo para lá para salva-la! – Disse Chris.

- Entendo... – Disse Eiden, sério.

- Hã? Não vai dizer que é loucura e outras coisas assim? – Disse Penny, surpresa.

- A julgar pelo que fez ontem e pelo que seu amigo me contou, você já deve ter escutado muito isso. Não faz sentido eu dizer também, eu já sei que você está determinado a fazer isso...e não duvido que consiga. – Disse Eiden.

Chris, Feanor e Penny ficaram surpresos com a reação de Eiden, e Chris ficou especialmente feliz.

- Obrigado! E como disse que não ia deixa-lo sozinho...você vem com a gente? – Disse Chris, sorrindo.

- Eu...eu posso!? – Disse Eiden, surpreso.

- Claro, será muito bem-vindo. – Disse Feanor.

- Sim! Quanto mais ajuda melhor! – Disse Penny, sorrindo.

- Obrigado...prometo que farei tudo o que puder para ajudar sua irmã e vocês... – Disse Eiden, emocionado. – Agora devo minha vida a você Chris...

- Nada disso...agora somos amigos, não precisa me dever nada! Mas...é isso aí! Podemos ir voando às vezes agora! – Disse Chris, animado.

- Desculpe, mas minhas asas vão demorar mais para melhorar. – Disse Eiden, sem graça. – Além disso, nunca ninguém montou em mim.

- Que folgado...pedir para um dragão servir de transporte... – Disse Feanor, incrédulo.

- Ah sim! Eu fiz umas roupas para você! Usei os uniformes dos soldados para fabricar uma camisa de couro, uma calça, um tapa-olho e uma capa cinza também! – Disse Penny, entregando as roupas para Eiden. – Aqui, pegue também essas botas, devem servir.

- Nossa...obrigado, você é uma grande artesã. É a primeira vez que visto roupas assim... – Disse Eiden, surpreso.

- Não vai rasgar tudo quando se transformar? – Perguntou Chris, curioso.

- Não vai, minha transformação é por mágica, o que eu visto como humano some e fica intacto depois. – Disse Eiden. – Não sei explicar na verdade...sempre foi assim.

- Consegue andar Eiden? Sei que você ainda não está muito bem...mas precisamos seguir em frente, tem lobos gigantes atrás de nós. – Disse Feanor.

- É verdade! Havia esquecido deles! – Disse Chris.

- Posso sim...estou bem melhor, e eu me recupero rápido também. – Disse Eiden, se levantando. – Vou me vestir, então podemos partir.

- Viva! – Disse Penny, contente.

Eiden se vestiu, ficou muito bem na roupa e capa novas, e todos os outros começaram a arrumar as coisas para partir. Logo após tudo pronto, chegou a hora de continuar a viagem.

- Vamos voltar, de lá seguiremos o caminho normal. – Disse Feanor, seguindo em frente.

- Isso aí! Vamos lá! – Disse Chris, contente.

Agora Chris havia conseguido três companheiros inusitados: um elfo, uma fada e um dragão. E continuavam a jornada pela grande floresta, rumo ao Reino de Inflayster.



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