História Promessa entre irmãos: uma lenda medieval! - Capítulo 18


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Exibições 6
Palavras 4.228
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Magia, Romance e Novela
Avisos: Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 18 - Octavodecimo


Os viajantes, depois de descobertos, resolveram revelar suas verdadeiras identidades, contaram de onde vieram e para onde pretendiam ir.

- Incrível... – Disseram Clare e Luke, juntos.

- Mas...vocês querem ir para o Reino de Inflayster mesmo!? Que coragem vocês têm... – Disse Luke, impressionado.

- E vieram de bem longe! Agora faz mais sentido! Estou muito contente de estar diante de um elfo, uma fada e um dragão! – Disse Clare, contente e animada. – Me contem mais de suas aventuras!

- Clare! Não fique chateando os convidados! – Disse Luke.

- Poxa irmão...não seja tão implicante! Você está curioso também! – Retrucou Clare, emburrada.

Ao observar aquela pequena briga entre irmãos, Chris sorriu inconscientemente. Ele não podia deixar de se lembrar do tempo em que vivia discutindo com Teresa, e ficava imaginando se eles agiriam assim agora também, depois de se reencontrarem.

- Enfim! Vou jogar esses restos lá fora! – Disse Clare, chateada e se dirigindo para a saída da caverna.

- Ah...cuidado lá! – Luke tentou dizer isso, mas foi totalmente ignorado. – Minha nossa...

- Há há há! Irmãs mais novas são assim mesmo! – Disse Chris, rindo.

- Com licença Luke, mas quem é você? E quem é a Clare? – Perguntou Feanor, curioso.

Luke suspirou e ficou sério de repente.

- Ela é uma maga legítima. Por isso ela ficou tão contente em ver outros seres místicos na frente dela. – Respondeu Luke.

- Nossa! Que incrível! – Disse Penny, contente. – Então você também é?

- Não...eu não sou, por que não temos o mesmo sangue. – Disse Luke. – Faz vinte e cinco anos que eu a encontrei perto do reino ainda bebê.

- Como assim? – Perguntou Eiden.

- Pelo que ela me contou: ela nasceu um ano antes do ano que aconteceria o Massacre das Raças, e nesse dia fatídico, os pais dela usaram uma magia de proteção e de tempo para manter ela segura. Quando era criança, eu encontrei uma pedra estranha com um selo, quando o removi ela apareceu, viva e respirando. – Explicou Luke. – Ano passado ela me contou isso de repente, as lembranças deviam ter sido implantadas pelos pais dela e ativadas quando tivesse mais idade, para que ela se lembrasse de quem era.

Chris e seus amigos ficaram surpresos com a história.

- O pessoal do reino sabe? Eu os ouvi chamando-a de “aberração”... – Disse Feanor.

- Ah...a cada dia que passa, fica mais difícil viver aqui. – Disse Luke, cobrindo o rosto de preocupação. – Os soldados de Inflayster, de uns anos para cá, começaram a procurar por um mago de verdade! A Clare sempre usou a magia dela em coisas pequenas para me ajudar e para ajudar os outros...mas as pessoas nem sempre são gentis, elas espalharam o boato de que um mago de verdade vivia aqui. Eles já estão muito desconfiados de que é a Clare...só mais um pouco, e podem queima-la na fogueira! Só estão esperando o momento certo...

- E por que não fogem!? – Disse Chris, preocupado.

- Tentamos...não dá para sair daqui, a segurança é muito forte. Quando tentamos fazer isso, só chamamos mais atenção para nós. Eu disse para ela sair menos...e tentei agir lá em cima, mas as pessoas começaram a desconfiar de mim também. – Disse Luke, preocupado.

- Entendo...por isso vivem aqui em baixo, e explica os olhares das pessoas. – Disse Eiden, sério.

- Ouçam...sei que parece repentino, já que nos conhecemos há pouco tempo, mas por favor, tirem minha irmã daqui! – Pediu Luke, fazendo uma reverência. – Ela sempre quis sair...Se conseguirem tira-la daqui, eu acredito que ela pode se virar! Ela é forte!

- Até podemos tentar, mas... – Disse Penny, nervosa.

- Mas e você!? Vem também não é? – Disse Chris.

- Não posso...Tenho que ficar aqui, e dar um fim nessa busca deles por um mago! Se não fizer isso, todos dessa cidade vão acabar morrendo e minha irmã também! – Disse Luke, corajosamente.

Os viajantes ficaram chocados com as palavras de Luke, quando ele disse que “daria um fim na busca por um mago” ele queria dizer...

- Você é louco!? Vai querer morrer!? – Disse Chris, nervoso.

- Não tem jeito. Eles já desconfiam de mim, se eu me entregar, eles nem vão se preocupar com a Clare...é perfeito. – Disse Luke, sério. – Eu já pretendia fazer isso antes de vocês chegarem.

Chris deu um soco do rosto de Luke, derrubando o homem no chão.

- E como você acha que a Clare vai ficar!? Acha que ela merece te perder!? Ver seu irmão queimar até a morte!? Ela não merece isso! – Disse Chris, irritado.

- Ela não merece ser morta assim e ser caçada como uma aberração...Eu sei que ela vai sofrer, mas eu confio que ela vai superar e seguir em frente! Eu só quero o melhor para ela! – Retrucou Luke, irritado. – Chris...você também tem uma irmã, e está indo salva-la; então me diga: se estivesse no meu lugar, e a Teresa estivesse na mesma posição da Clare, o que você faria?

O rapaz ficou paralisado, ele não sabia o que dizer, pois ele sabia, no fundo, que agiria do mesmo jeito para salvar Teresa.

- Eu sei...eu entendo. Mas...eu também sei como é a dor de ver alguém que você ama partindo bem na sua frente, e você não poder fazer nada! – Disse Chris, nervoso. – Não desista de viver! Podemos dar um jeito! Podemos enganar os soldados daqui...ou sei lá! Mas vamos sair daqui todos juntos! Não vou deixar a Clare te perder!

Luke ficou espantado com as palavras de Chris, o homem sorriu e se levantou.

- Me desculpe...Obrigado Chris, você é um rapaz incrível. – Disse Luke. – Ah! Clare está demorando muito...Eu vou lá-

- Deixa que eu vou! – Interrompeu Chris, seguindo pela caverna.

- Ai ai ai...Quando o amor está no ar, tudo fica mais leve... – Disse Penny, rindo.

- O QUE!? – Disseram Luke, Feanor e Eiden, surpresos.

Depois de voltar à superfície, Chris não encontrou Clare próxima a entrada do túnel. Ele teve de andar um pouco pelo lugar, e viu a garota em cima de um telhado de uma casa, observando o céu da tarde mudar de cor. Chris subiu e sentou ao lado da garota.

- Vista legal... – Começou Chris, nervoso e olhando para o céu.

- Há há há! Sim, eu gosto de olhar para o céu...me faz pensar nas coisas que tem nesse mundo enorme! – Disse Clare, sorrindo.

- São muitas, eu garanto! – Disse Chris, rindo.

- Chris... Conte-me mais sobre suas aventuras até aqui! Por favor! – Pediu Clare, curiosa.

- S-sim! Pode deixar! – Disse Chris.

Chris contou tudo em detalhes para Clare, a garota ouviu tudo com atenção, riu bastante e se impressionou muito também; eles ficaram até tarde da noite nisso.

- Caramba! Você é um homem incrível Chris! É bem louco! – Disse Clare, rindo.

- Há há há! Todos dizem isso de mim... – Disse Chris, sem graça.

- Você é o primeiro homem, além do meu irmão, a me tratar tão bem...mesmo sabendo o que eu sou. – Disse Clare, com um sorriso triste. – Aposto que ele contou sobre mim para você e para seus amigos.

- Ah sim...Eu acho incrível você ser uma maga! Deve saber fazer muitas coisas legais! – Disse Chris.

- Há há há! Sei sim! Vai ver amanhã alguns truques, quando formos pegar seus mantimentos! – Disse Clare, orgulhosa. – Mas...você não é um mago também? Sinto um poder grande vindo de você...

- É? Eu sou humano! A única coisa estranha sobre mim é que eu me curo sempre sozinho... – Disse Chris, confuso.

- Então não pode ser um mago...Magia de cura é a única magia que nenhum mago consegue aprender, tanto para se curar quanto para curar os outros. – Disse Clare, pensativa. – Que estranho...você é bem curioso.

- Hum...escuta, Clare...você não tem medo do que esses soldados podem fazer com você? – Perguntou Chris.

- Eu tenho sim...todo dia eu fico com medo de ser queimada viva, mas como tenho meu irmão eu consigo aguentar! Eu acredito que nós ainda vamos conseguir sair daqui! E viver direito! – Respondeu Clare, séria.

- Assim que se fala! Podem vir junto conosco! Nós vamos para um lugar bem perigoso, mas podemos deixar vocês em qualquer lugar que quiserem! – Disse Chris, determinado.

- Sério!? Eu não me importaria de viajar junto com vocês e ajuda-los...mas meu irmão é bem preocupado. – Disse Clare, envergonhada. – Muito obrigada Chris! Não sei como lhe agradecer...

- Não se preocupe com isso! – Disse Chris, contente.

Enquanto os dois conversavam na maior alegria, os três amigos de Chris e o irmão de Clare espiavam a conversa toda, só curiosos com o que a fada havia dito antes. Então, no dia seguinte, Clare e Penny saíram primeiro para conseguir tecido para fazer capas mais grossas e para fabricar mais cantis. Com a distração da fada, e a magia de invisibilidade de Clare, o roubo foi bem sucedido e sem maiores problemas. O restante dos dias foi para conseguir os estoques: Clare saiu com Feanor para conseguir remédios e ervas medicinais; no outro dia foi acompanhada de Eiden para pegar comida e no outro dia, Chris e Clare saíram para procurar itens de amolar a espada do rapaz e as flechas de Feanor. Nessa vez eles arrumaram confusão, Chris acabou não conseguindo distrair o ferreiro tempo suficiente, e Clare foi vista no flagra; os dois tiveram que correr muito para despistar o ferreiro irritado. Com isso, Clare e Luke ficaram muito próximos dos viajantes, principalmente Clare. Eles passaram o restante do dia e o próximo, dentro da caverna, arrumando as coisas e conversando.

- Chris não serve para distrair! – Disse Penny, rindo do rapaz.

- Eu fiz o melhor que podia! – Retrucou Chris, nervoso.

- Certo, certo...Se acalmem vocês dois! No fim, conseguimos tudo! – Disse Clare, acalmando os ânimos.

- Sim. Estou muito satisfeito com as medicações que peguei, ficaremos bem por um bom tempo. – Disse Feanor, sorrindo.

- Temos comida e água suficiente também, e roupas para o frio. – Concluiu Eiden, erguendo sua nova capa.

- Sinceramente, estou surpreso com as habilidades de artesanato das fadas! Conseguiu fazer cantis para cada um, bolsas para os mantimentos e até fez as capas mais resistentes ao frio... – Disse Luke, surpreso.

- Não foi nada... – Disse Penny, envergonhada.

- Obrigada Penny! Fez até para mim e para o meu irmão! – Disse Clare, contente.

- Já devemos ir embora inclusive, passamos muito tempo aqui. – Disse Feanor, sério. – Esses dias eu observei uma melhor rota de fuga, e vi que o portão nordeste é o que menos tem vigias, os que têm podemos enfrentar. Mas teremos que fugir rápido depois dessa confusão.

- Certo! Amanhã à noite partimos! – Disse Chris, determinado.

- Se é assim, vamos à taverna hoje! Tenho o suficiente para pagar uma bebida barata para cada um. – Disse Luke, sorridente. – Não se preocupem, soldados não vão muito lá há essa hora.

- EBA! – Disseram todos os cinco, juntos e contentes.

De noite, os amigos foram para a taverna e fizeram algo que não faziam faz tempo: se divertiram. Apesar da situação triste da cidade, a taverna era o lugar mais animado: tinha música e dançarinas. Eles beberam, riram, dançaram e conversaram bastante. Muitas concubinas flertaram com Feanor, Chris e Eiden, que tiveram que recusar muitos pedidos estranhos. Com as identidades dos três seres místicos em perigo, os amigos resolveram sair do estabelecimento e voltaram para a caverna.

- Ah, podem ir entrando! Preciso ir ao banheiro antes de descer. – Disse Luke, fechando a porta do túnel.

Realmente, ele foi à fossa, mas depois foi para outros lugares suspeitos. Ele passou por todas as lojas que Clare e os viajantes haviam passados nos dias anteriores, depois disso ele retornou para casa. Todos já estavam dormindo profundamente, as bebidas da taverna derrubaram todos. Luke aproveitou e, antes de se deitar, começou a escrever algo em um papel de carta. Depois disso, ele dobrou o papel, colocou em cima da mesa e dormiu. No dia seguinte, os viajantes e Clare acordaram praticamente à tarde, beber não foi uma coisa boa para eles, estavam todos com terríveis dores de cabeça.

- Lembrei por que não gostava de beber tanto... – Disse Feanor, passando a mão na cabeça.

- Eu nunca tinha bebido aquilo...Não sabia que doía tanto... – Disse Eiden, se espreguiçando.

- Que coisa boa...Tá doendo agora, mas valeu a pena ontem! – Disse Penny, sorridente.

- Quem diria...Velha e bêbada! – Brincou Chris, se alongando.

- SEU GROSSO! – Disse Penny, irritada.

- Há há há! Mas foi divertido mesmo, nunca tinha parado para ir lá...mas gostei muito. – Disse Clare, sorrindo. – Mas...onde está o Luke?

Só então, depois de acordarem, tomarem uma erva para a ressaca e comerem, que eles perceberam que Luke não estava em casa.

- O cheiro dele leva lá para fora... – Disse Eiden.

- Será que ele não voltou desde ontem? – Disse Chris, confuso.

- Não, o cheiro dele está aqui também. Ele voltou, dormiu e saiu hoje cedo. – Disse Eiden.

- Eu só o vi sair ontem...que estranho. – Disse Feanor, pensativo.

- Ei...tem uma carta aqui! – Disse Penny, apontando para a carta em cima da mesa.

- Deixe-me ler! – Disse Clare, pegando a carta, nervosa.

A carta dizia o seguinte:

“- Querida Clare, estou aqui para pedir desculpas, mas, principalmente, estou aqui para lhe agradecer. Sou grato todos os dias por ter te encontrado há muito tempo, fui muito feliz sendo seu irmão mais velho, apesar de todo o trabalho que me deu, e tenho muito orgulho de você. Por sempre ser gentil, e ter me ajudado várias vezes, eu quero poder, pela primeira vez, te ajudar de verdade. Sei que é difícil, mas entenda que isso é uma escolha minha, e eu só quero o melhor para você. Antes eu tinha receio de tomar essa decisão, pelo simples fato de te deixar sozinha...Mas você não está mais sozinha, agora quatro anjos caíram do céu e vão te proteger. Chris, eu gostei muito do que me disse há alguns dias atrás, mas, como irmão mais velho, você entende que não podia me parar. Sou grato por vocês terem aparecido, e peço que cuidem da minha irmã. Chris, Feanor, Penny e Eiden...obrigado por serem meus amigos, e desejo toda a sorte do mundo para vocês em sua jornada. Só lamento agora em saber que farei você chorar, Clare, mas essa dor fará você crescer e abrirá um futuro melhor para você! Não se esqueça que eu sempre estarei com você...e que eu sempre irei te amar muito. (Luke)”

Chris e seus amigos gelaram na hora, pois sabiam bem o que Luke queria dizer. Clare estava nervosa e confusa, mas no fundo ela também sabia o que aconteceria. Então, eles começaram a ouvir o badalar de um sino.

- Essa não... – Disse Clare, soltando a carta e correndo na direção da saída da caverna, levando apenas seu casaco.

- Clare! – Gritou Chris, que pegou seu casaco e seguiu a garota, seus amigos fizeram o mesmo.

Clare correu em disparada em direção à praça do reino, com seus amigos logo atrás. Quanto mais se aproximavam do lugar, mais difícil ficava andar, pois havia uma multidão enorme de pessoas em volta do lugar. Clare começou a empurrar as pessoas e a tentar passar pela multidão, Chris e seus amigos fizeram o mesmo, só o rapaz conseguiu ir mais longe. O lugar, além de estar completamente cheio, estava repleto de soldados de Inflayster, por toda parte; parecia a vigia do lado de fora dos muros. Então, eles viram que, amarrado ao tronco do centro da praça, estava Luke. Ele estava bem machucado, parecia que ele tinha sido espancado antes de ser amarrado. Enquanto ele estava lá, havia um soldado do seu lado esquerdo lendo um imenso pergaminho de “acusações”.

- ...Por ter assaltado inúmeros estabelecimentos, utilizando magia de transformação e invisibilidade; Por ter se escondido do Reino de Inflayster e por desafiar nosso Rei Deysmon! Sua sentença é morrer na fogueira! – Disse o soldado, fechando seu pergaminho.

As pessoas gritavam muitas palavras cruéis e ofensas ao rapaz: “aberração”; “morte ao bruxo”; “ele merece!”; “queimem-no logo!”. Clare estava parada, entre a multidão, mas perto o suficiente de seu irmão. Ela estava paralisada, ela respirava pesadamente, e não conseguia tirar os olhos de seu irmão. Chris já estava perto da garota, e estava indignado com toda a situação, assim como seus amigos, que estavam bem atrás. Então, um outro soldado, um ogro, se aproximou da fogueira onde Luke estava preso, segurando uma tocha em chamas em uma de suas mãos. No momento em que ele estava para por fogo nos gravetos, os olhos de Luke encontraram Clare no meio da multidão; ao ver sua irmã, totalmente apavorada e quase chorando, Luke abriu um delicado e sincero sorriso, para tentar acalmar Clare. No mesmo instante, o ogro ateou fogo e o tronco, e tudo que estava nele, começou a arder em chamas. Boa parte das pessoas aplaudiu e gritou de felicidade, então Luke começou a gritar de dor e, no instante que Clare começou a chorar desesperadamente e queria gritar o nome de seu irmão, Chris apareceu e ficou entre ela e a visão horrenda de seu irmão em chamas. Ele abraçou a garota, e apertou a cabeça dela contra seu peito.

- Não olhe! Aguente firme! – Disse Chris, com uma voz chorosa, muito irritado.

Chris falava isso tanto para Clare, quanto para ele mesmo, ele mal conseguia aguentar tudo aquilo. Clare desabou em lágrimas nos braços de Chris, que tentou tapar os ouvidos da garota, para que não ouvisse o sofrimento do irmão. Eiden não conseguiu olhar mais, ele abaixou a cabeça e ficou firme em seu lugar; Feanor estava chorando em silêncio, e se abaixou para colocar a cabeça de Penny contra seu corpo, a mesma atitude que Chris fez, para protegê-la daquela visão horrível. Os olhos cheios de lágrimas de Chris encontraram os de Feanor, naquele momento, era como se eles conversassem só com o olhar:

“- Droga! Não podemos fazer nada!?”

“- Não...São muitos para nós, e se fizéssemos agora, o que Luke fez terá sido em vão. Temos que ser firmes...Você precisa ser firme.”

“- Maldição!”

Como se tudo já não fosse doloroso e cruel o suficiente, os soldados de Inflayster ficavam rindo sem parar, e incitando a população a aplaudir mais. Chris nunca tinha sentido tanto ódio e dor ao mesmo tempo na vida. Depois que tudo acabou, os companheiros voltaram para a caverna. Clare estava inconsolável, ela ainda chorava muito e não saia de sua cama; Penny também chorava bastante e os rapazes estavam muito tristes e sérios, não sabiam bem como reagir àquilo. Por mais que a tristeza fosse grande, eles precisavam decidir algo importante.

- Agora sim precisamos mesmo sair daqui... – Começou Feanor, sério. – Luke transferiu a culpa de tudo para ele mesmo, para livrar a Clare, mas...

- Sim, eu também duvido que as pessoas daqui, e os soldados de Inflayster, vão deixar ela em paz. – Concluiu Eiden. - Nesse momento eles devem estar procurando por ela. Detesto ter que dizer isso...mas o que Luke fez abriu caminho para nós, todos os soldados daqui vão começara a se mover de seus lugares para buscar a Clare. Talvez possamos sair daqui sem muita confusão.

- Ainda tem a questão dos vigias de fora, se não cuidarmos deles logo, não vamos poder fugir rapidamente. Se demorarmos muito na luta, chamaremos mais atenção e aí estaremos perdidos. – Disse Feanor, pensativo.

Chris não falava nada, ele estava encostado na parede, de cabeça baixa. O rapaz só escutava tudo em silêncio. Já estava para anoitecer, Penny finalmente havia parado de chorar e tentava consolar Clare, que ainda estava muito arrasada.

- Ei...Feanor... – Disse Chris, se levantando. – O portão que devemos passar é o nordeste, certo?

- Sim, esse mesmo. – Respondeu Feanor. – Mas vai demorar para chegarmos lá, e ainda tem os vigias e tudo o mais...

- Certo, se arrumem! Todos vocês! – Disse Chris, pegando sua espada e suas coisas. – Vou agir agora, quando perceberem muito movimento lá em cima...saiam e corram para o portão!

Clare parou de chorar aí, e os amigos de Chris estavam com medo do que o rapaz pretendia fazer.

- Chris! Não pode lutar contra todos! Sei que quer vingança, todos queremos, mas não podemos fazer nada agora! – Disse Feanor, preocupado.

- Não sou idiota...Não vou para me vingar, vou para fazer valer o sacrifício do Luke! Se preparem para sair! – Disse Chris, saindo da caverna.

Chris, ao sair, começou a andar com cuidado pela cidade. Ele foi andando, sorrateiramente, até o portão nordeste: havia dois vigias humanos lá, eles guardavam a porta, fechada, que dava para o lado de fora. Esse portão ficava bem perto de uma das entradas do castelo, onde havia mais dois guardas, dessa vez ogros. O rapaz, então, desembainhou sua espada e imediatamente avançou contra um dos vigias do portão, matando-o na hora.

- O que é isso!? Quem é você!? – Disse o outro vigia, nervoso e sacando sua espada.

- Cale a boca! Vocês me deixaram de muito mau humor! – Gritou Chris, socando o soldado, sem se importar com a espada dele.

O ataque inusitado do rapaz fez o soldado ficar com reação lenta, sem saber o que fazer. Isso fez com que ele ficasse com muitas brechas visíveis, Chris aproveitou e cortou a cabeça do soldado com sua poderosa espada. Ao fazer isso, ele pegou a cabeça do soldado que matou, e jogou do outro lado do portão. Na mesma hora, a porta se abriu e dois soldados humanos, acompanhados de lobos gigantes, apareceram, furiosos e confusos. Os ogros que guardava uma das entradas do castelo, e que viram toda a ação de Chris, começaram a se dirigir até o rapaz também. Em pouco tempo, soldados de Inflayster já tinham cercado Chris, que estava no meio, bem tranquilo. Chris respirou fundo, inflou o peito e desferiu o grito mais alto que pôde.

- REINO DE INFLAYSTER! EU JAMAIS VOU PERDOAR VOCÊS! – Gritou Chris.

Os soldados ficaram confusos e se incomodaram com a atitude do garoto, Chris aproveitou e começou a se atirar em cima dos soldados, atacando eles freneticamente com sua espada. Os lobos tentavam se aproximar de Chris, que desviava de todas as investidas, e os ogros tentavam impedir que o garoto se mexesse. O rapaz conseguia desferir vários golpes em seus inimigos, mas em compensação ele estava ganhando muitos ferimentos também, e não estava dando a mínima para isso. Em pouco tempo, o povo da cidade começou a entrar em pânico, sem saber direito o que estava acontecendo, e os soldados espalhados tentavam desfazer o pânico. Nesse momento, Feanor saiu da caverna, seguido de seus amigos e de Clare. Chris já estava bem machucado, ele conseguiu eliminar um lobo gigante, um dos humanos e um dos ogros; mas se não vencesse os que sobraram logo, ele estaria em sérios apuros. O ogro restante segurou Chris pelas costas, e o soldado humano aproveitou esse momento para tentar atacar o pescoço de Chris com uma lança. O rapaz conseguiu desviar, e fez com que o atacado fosse o próprio ogro; ao se soltar, Chris empurrou o monstro contra uma das portas do castelo, arrombando-a. Isso chamou a atenção de uma senhora que ficava presa no ponto mais alto do castelo, ela estava observando a batalha de Chris por uma pequena janela.

- Já estou farto...da maldade que vocês causam neste continente! Podem ter certeza...de que não vou...deixar aquele demônio desgraçado ficar impune de tudo! – Disse Chris, lutando contra o soldado.

Feanor, Eiden, Penny e Clare já haviam chegado perto do portão, eles ficaram espantados com a ferocidade que Chris lutava, sem se importar com nada. O portão estava livre, mas logo todo o local ficaria impenetrável outra vez. Feanor se apressou em disparar duas flechas no soldado e no lobo que Chris enfrentava, o rapaz estava ofegante, ele se apoiou na própria espada para ficar de pé.

- Temos que sair agora! – Disse Feanor.

- Mas o Chris está muito mal... – Disse Penny, preocupada.

- Eu levo ele! Sobe nas minhas costas Chris! – Disse Eiden, ajudando Chris a se segurar nas suas costas.

Os viajantes passaram pelo portão aberto, e começaram a correr com toda a força em direção ao norte. Os soldados do reino estavam confusos, nenhum deles chegou a tempo de ver Feanor passar junto de seus amigos, eles não sabiam o que tinha acontecido. A senhora do castelo observou tudo e ficou muito admirada com os cinco viajantes, ela não ficava assim há tempos: ela era Katarine, a Rainha do Reino de Stráuvia. Depois de correrem horas e horas, sem parar, os viajantes decidiram parar atrás de umas rochas, numa clareira; Eiden colocou Chris deitado no chão, e Clare olhava com muita preocupação para ele.

- Poxa Chris...você não serve mesmo para distrair... – Disse Penny, preocupada.

- Que loucura...Tinha que ser ideia dele mesmo. – Disse Feanor, inconformado.

- Chris... – Disse Clare, olhando preocupada para o rapaz.

Os amigos do rapaz conseguiram ouvir um murmuro, Chris falou bem baixinho, todos tiveram que se aproximar para ouvir.

- Desculpa...Clare... – Disse Chris, desacordado.

No mesmo momento, Clare, que segurava a mão de Chris, a levou até sua cabeça e começou a chorar de novo. Os viajantes resolveram não fazer mais nada, eles apenas deixaram acontecer. Eiden e Penny ficaram perto dos dois, usando suas capas para aquecê-los, enquanto Feanor ficou o resto da noite de vigia em cima da rocha onde estavam todos. 



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