História Promessa entre irmãos: uma lenda medieval! - Capítulo 23


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Categorias Originais
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Palavras 2.209
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Magia, Romance e Novela
Avisos: Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 23 - Viginti trium


Penny dormia em sua cela, ela estava exausta, assim como todos; Clare estava muito fraca, assim como Eiden; mas Chris, apesar de tudo, não parava de bater nas grades de sua cela.

- Estou com tanta fome... – Disse Eiden, fraco.

- Acho que já passamos um dia aqui...É terrível...essa escuridão e esse silêncio... – Disse Clare.

- Droga! Onde está o Feanor!? Ele...não voltou ainda Eiden!? – Disse Chris, preocupado.

- Já disse que não...Ninguém mais veio aqui... – Disse Eiden.

- Tomara que ele esteja bem... – Disse Clare, preocupada.

- Tem algo errado...Não estou gostando disso! – Disse Chris, nervoso.

Depois de mais algumas horas, drows começaram a entrar na prisão. Eles tiraram os viajantes de suas celas e, ainda amarrados, foram levados para fora dos túneis. Mesmo lá fora ainda sendo escuro, era mais claro que dentro do túnel, principalmente pelas luzes mágicas. Eles levaram uns minutos para conseguirem se acostumar com a luz novamente. Os drows jogaram as armas e coisas dos viajantes no chão, em frente a eles, e os libertaram das amarras.

- O que está havendo? Onde está o meu amigo Feanor!? – Disse Chris, confuso e irritado.

- Ah, por favor, você não cala a boca nunca!? Já faz um dia inteiro que não para de fazer barulho no meu lar! – Disse o Rei Drow, se aproximando dos viajantes.

- Um dia inteiro... – Disse Penny, impressionada e cansada.

- Onde está o Feanor!? – Insistiu Chris.

- Tragam-no. – Ordenou o Rei.

Então, dois drows se aproximaram com Feanor, que estava desmaiado, e jogaram-no aos pés dos viajantes. Os amigos ficaram chocados ao ver a situação do elfo: ele estava coberto de sangue, com muitos ferimentos de flecha, estava também sem a parte de cima da roupa.

- FEANOR! – Gritaram Chris e seus amigos, se aproximando do amigo.

- Ele está vivo, é por isso que estou libertando vocês. Afinal, eu tenho palavra. – Disse o Drow, sério.

- Como assim!? O que fez com ele!? – Disse Chris, furioso e tocando em sua espada.

- Vai mesmo fazer isso? Se lutar, tudo o que seu amigo fez terá sido em vão. – Disse o Drow.

- Explique! – Disse Eiden, irritado.

- Ontem conversamos, e ele me propôs um acordo: ele se submeteria aos meus métodos de tortura por um dia e, se sobrevivesse, eu libertaria todos vocês. – Explicou o Rei. – Detesto admitir, mas estou surpreso com ele. Feanor realmente aguentou tudo até agora, e sem gritar ainda por cima. A lealdade que ele tem para com você, humano, é impressionante, e bem longe do meu entendimento.

Chris e seus amigos ficaram mais surpresos ainda, eles não sabiam o que dizer. O rapaz desistiu de atacar na mesma hora e, junto de Eiden, começou a levantar Feanor com cuidado.

- Mas se não cuidarem dele logo ele vai morrer, afinal era para ter acontecido isso ontem. – Completou o Drow. – Sumam daqui, não faremos mais nada contra vocês. Vão!

Os viajantes se afastaram da ruina, seguindo em frente o mais rápido possível.

- Bem, eu prometi que os libertaria...mas nada me impede de alertar o Deysmon. Avisem os goblins do ocorrido, e ordenem para que avisem o Rei de Inflayster! – Ordenou o Rei Drow, voltando para o subterrâneo.

Depois de correrem, os viajantes encontraram uma série de árvores, elas eram frias e possuíam poucas folhas. Eles foram para lá imediatamente, e colocaram Feanor no chão.

- O coração dele está batendo fraco! – Disse Eiden, preocupado.

- Droga! Penny, Clare! Não podem cura-lo!? – Disse Chris, desesperado.

- N-não! Não posso! – Disse Penny, preocupada.

- Você sabe que não posso curar ninguém, o máximo que posso fazer é minimizar a dor... – Disse Clare.

- Temos que cuidar dele! Já! – Disse Chris, pegando as ervas.

- Que crueldade...Eles atiraram várias flechas...Não sei se conseguiremos salva-lo... – Disse Eiden, tristemente.

- Vamos sim! Nós vamos! Não vou deixa-lo morrer...Por favor pessoal, me ajudem! – Disse Chris, com os olhos marejados.

Clare usou seu poder para criar um grande escudo em volta do local em que eles estavam, e depois começou a usar sua magia para diminuir a dor que Feanor sentia. Penny, Eiden e Chris começaram a cuidar de Feanor com as ervas medicinais que tinham, eles se esforçaram muito e fizeram o melhor que podiam. Depois de cuidarem dos machucados, de limparem e enfaixarem, os viajantes ficaram esperando e rezando para o elfo acordar. Eiden fez uma fogueira para aquecer a todos, Penny usava seu poder para dar mais vida àquelas árvores e ao local onde estavam; Clare preparou um pouco de comida para todos e Chris não saia do lado de Feanor, ele ficava observando o amigo desacordado.

- O coração dele está voltando a bater normalmente, mesmo que devagar, então descanse um pouco Chris. – Disse Eiden, preocupado.

- Não...Descansem vocês, eu fico de vigia. – Disse Chris.

Penny, Clare e Eiden dormiram, estavam exaustos de tudo o que passaram. Chris também estava, mas sua preocupação com Feanor era maior. Em certo momento, quando Chris estava começando a cochilar, ele ouviu um gemido. Chris despertou na mesma hora, e viu que Feanor estava começando a acordar.

- Feanor!? Você está bem!? – Disse Chris.

- Chris...onde...estamos? – Perguntou Feanor que, ao tentar se levantar, sentiu muita dor.

- Calma! Estamos fora das ruinas! Estamos bem! – Disse Chris, preocupado com o amigo.

- Entendo...Ainda bem... – Disse Feanor, aliviado.

- Que ideia foi aquela!? Por que aceitou tudo isso!? Podia ter um jeito melhor de sair de lá! – Disse Chris, nervoso.

- Não tinha...Eu conheço aquelas...criaturas...Não nos libertariam...e nem nos entregariam... Se eu não desse...algo que queriam...nunca sairíamos de lá. – Disse Feanor.

- Mas...você podia ter morrido! Quase morreu na verdade! – Disse Chris.

- Eu não morreria... - Disse Feanor.

- Como poderia saber!? – Retrucou Chris.

- Há há há...assim como você disse...Eu não sei...apenas senti... – Disse Feanor, sorrindo. – Só pensei na promessa...que fiz a você...e que gostaria de ir com vocês...Assim eu consegui...suportar a dor.

- Caramba...e você ainda me chama de louco! – Disse Chris, sorrindo. – Por favor, não faça algo assim de novo...Eu entendi sua intenção e agradeço muito, mas todos ficamos com medo de perdê-lo...E eu não quero perder mais ninguém que eu amo.

- Entendido...Eu não levo jeito mesmo...para ser o maluco do grupo. Esse posto é seu... – Brincou Feanor.

Os dois amigos riram um pouco, aliviados por toda a situação terrível de antes ter terminado. Então, Chris começou a puxar mais assunto, com medo de Feanor desmaiar de novo.

- “Olhos de águia”...O que foi aquilo? – Perguntou Chris, curioso.

- Elfos com muita habilidade e renome...costumavam ganhar apelidos de guerra. Por causa da minha pontaria...e da minha visão, eu ganhei esta alcunha na guerra. Particularmente eu não gosto muito....acho extravagante demais. – Respondeu Feanor, aparentemente envergonhado.

- Há há há! Na verdade, eu acho muito legal, combina mesmo com você. – Disse Chris, contente. – Mas então...Você é rei? Eu sabia que era filho de um líder, mas não filho do rei dos elfos!

- Ah...Um rei e um líder... são quase a mesma coisa. Hoje...isso não importa mais. – Disse Feanor.

- Por que não nos contou isso? – Perguntou Chris.

- Por que não importa...Meu pai me preparava para ser rei...e eu o admirava...Imaginava que seria um rei tão bom quanto ele. Mas não consegui defende-lo...e nem ao meu povo... – Respondeu Feanor. – Um rei sem seu povo não é nada.

Chris não pôde deixar de lembrar do rei de seu próprio reino. O Rei Leonardo havia feito muitas coisas que Chris não concordava, mas ao longo da viajam o rapaz refletiu e considerou que, talvez, seu rei estivesse fazendo o melhor que podia pelo seu povo.

- Quando criança eu detestava os reis...Principalmente o do meu reino, pois eu não compreendia sua função. Mas acho que você seria um bom rei. – Disse Chris, sinceramente.

- No passado não, mas agora talvez. Eu acho que você também seria um rei excelente, daqueles que vale a pena seguir. – Disse Feanor, sério.

- Hum...Nunca pensei nisso, por que sempre desprezava esse posto. Mas vejo agora que é incrível. Eu não poderia ser rei, sou incompetente e precipitado, além disso, alguém que não consegue proteger seus amigos e que não consegue salvar sua irmã...não pode ser chamado de rei. – Disse Chris.

- Reconhecer essas falhas é uma boa qualidade para um rei...Mas você é quem sabe...sendo rei ou não, eu estarei ao seu lado... – Disse Feanor. – Vamos dormir...estamos precisando...

- Verdade... – Concordou Chris, bocejando.

No dia seguinte, Penny e Clare abraçaram e choraram muito ao verem Feanor acordado, Eiden também ficou contente. Eles decidiram continuar por ali até Feanor melhorar, pelo menos o suficiente para andar. Penny e Clare estavam fazendo um ótimo trabalho revitalizando as árvores ao redor, elas já estavam com folhas verdes, e algumas davam frutos. Com a comida, as ervas e a determinação de Feanor, o elfo estava melhorando aos poucos. Penny se empenhava em fazer uma nova roupa de cima para o amigo, ela e Clare usaram folhas e a capa antiga do amigo para providenciar algo. Chris e Eiden treinavam sem parar e, em certo dia, Feanor estava bom para ficar de pé e começou a treinar junto dos amigos. Os viajantes passaram uma semana inteira ali, aguardando a recuperação de Feanor. Ao final, o elfo estava bem melhor, ele não sentia mais tantas dores e conseguia agir normalmente, porém ganhou muitas cicatrizes, por sorte, nenhuma grande no rosto.

- Muito obrigado a todos, estou bem melhor. – Agradeceu Feanor. – Obrigado pela roupa nova garotas.

- De nada... – Disse Penny, sem graça. – Não ficou muito boa por que não temos muitos materiais...

- Fico aliviada de ver você bem! – Disse Clare, contente.

- Sim...Podemos continuar então? – Perguntou Eiden.

- Vamos! – Disse Chris, determinado.

Ao mesmo tempo em que os viajantes seguiam sua jornada, Beniesh havia acabado de contar todo o ocorrido na grande floresta para Deysmon, no Reino de Inflayster. O demônio estava bem surpreso, e levemente irritado, com as informações.

- Beniesh...você não havia me dito que matou o garoto há anos atrás? – Perguntou Deysmon.

- S-sim...Era o que eu pensava, mas ele está vivo! Eu juro! – Disse Beniesh, nervoso. – Ele deve ter herdado um poder da deusa!

- Hum...Tem razão, ele também tem o sangue sagrado em suas veias. – Disse Deysmon, sério. – Quer dizer que ele pretende vir salvar a irmãzinha...Que gracinha da parte dele! Segundo suas informações e as do goblin que chegou a pouco, eles já passaram pelas ruinas de Waardy.

- Senhor...O que faremos? – Perguntou Beniesh, sério.

- Todos os meus parceiros estão em alerta, não há necessidade para tanto alarde. Confesso que estou impressionado com tanta confusão, mas eles acabaram de entrar em meus domínios. Não chegarão até aqui. – Disse Deysmon, sorrindo. – Entrem em contato com a guarnição das montanhas, diga para que reforcem a segurança e para que matem qualquer coisa que tentar passar; entrem em contato com os piratas e alertem nossos soldados no mar. Harpia, continue seu trabalho; Beniesh, você, Pazugorn e todos os outros ogros, estão liberados para atuar nas áreas das montanhas para cá, caso eles consigam passar vivos, por algum milagre, vocês cuidarão de elimina-los.

- Sim! Mas senhor...Como posso matar aquele rapaz? – Perguntou Beniesh.

- Ora, ele não é imortal! Tirem o coração, arranquem a cabeça...usem a imaginação! Segundo o que diz, ele ama muito a princesinha, então a use para irrita-lo! Desestabilizar o rapaz fará com que sua magia não funcione bem, isso vale para qualquer ser. – Disse Deysmon, se levantando de seu trono. – Vou contar para Teresa, aposto que ela deve estar cheia de esperança...e eu odeio isso.

Ao entrar no calabouço, Deysmon fez questão de contar todos os detalhes para Teresa sobre seu irmão, e do que havia feito. A garota não pôde sorrir, mas não conseguiu disfarçar a alegria no olhar.

- Não me mostre esses olhos! – Disse Deysmon, dando um tapa na garota, jogando-a no chão. – Não tenha tanta esperança, eles não chegarão aqui.

- Você não conhece o meu irmão...Ele chegará sim! E o vencerá! – Disse Teresa, corajosamente.

- Você me conhece...Sabe que eu poderia ir lá e mata-lo. – Disse Deysmon, sério.

Teresa ficou assustada na mesma hora.

- N-não faça isso! Por favor, não faça nada com meu irmão! – Implorou Teresa.

- Apenas não faço por que tenho certeza de que ele morrerá no caminho. Isso não muda o seu dever, continue trabalhando no ritual! Eu posso mudar de ideia sempre...principalmente se continuar me enganando! Sei que está mais forte, e sei que é capaz de ir mais longe! – Disse Deysmon, furioso.

- Fa-farei o que mandar...Perdoe-me por tudo... – Disse Teresa, nervosa e apavorada.

- Espero mesmo...Por estar de mau humor, vou deixar nossa terceira tentativa para mais tarde. E...princesinha, não adianta ficar rezando pelo seu irmão, isso não vai protegê-lo de mim. – Disse Deysmon, saindo do calabouço.

A cela de Teresa estava cheia de livros, como sempre, muitos desenhos e papeis espalhados. Mas havia muitos lenços cheios de sangue, e a moça parecia bem fraca e cansada. Teresa sentou-se na cama, e começou a rir baixinho, olhando para seu colar.

- Incrível...Irmãozinho...Você é incrível! Perdoe-me...eu sou fraca, e covarde...mas vou tentar ser forte mais uma vez, e te esperar aqui! Você já foi tão longe...e fez tantas coisas...Só...por favor...tome mais cuidado agora! – Disse Teresa, segurando firme seu colar.



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