História Prostituta Profissional - Capítulo 2


Escrita por: ~ e ~aninhacarol1bts

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Pp tortura, Romance, Sadomasoquismo, Violencia
Exibições 119
Palavras 7.475
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Bjs

Capítulo 2 - One


Narração: Manuela.

Aquele pesadelo estava acontecendo de novo. Eu estava trancada no meu quarto, com as braços abraçados ao meu joelho, o rosto encostado no mesmo e tentava tapar os ouvidos com as mãos. Mesmo com a tentativa de não ouvir nada que vinha da sala, era inevitável. Eu podia ouvir os gritos da minha mãe, pedindo para aquele monstro parasse de machuca-la e ele só a batia, como se ele não ouvisse absolutamente nada dos pedidos de socorro dela.
Foi então que, criei coragem, abri a porta do meu quarto com um pedaço de madeira a tira colo que deixei escondido no meu quarto. Gritei: – Se você não parar de bater na minha mãe agora, eu acabo com você.
Meu coração estava acelerado. Eu estava morrendo de medo. Não sabia o que meu pai tinha se tornado. Ou melhor, o que a bebida tinha feito com ele. Era aterrorizante ter que falar com ele naquele tom.
Jorge: Ah, é!? Jura, Manuela? – Ele virou-se de frente para mim e o tom de ironia em sua voz era perceptível. O cheiro de bebida era forte. Olhei para minha mãe, deitava no canto da sala, com o olho direito roxo e a testa sangrando. Foi o fim para mim. – O que você pretende fazer? Me acertar com esse pedaço ridículo de madeira? E depois? – Ele fez uma pausa, olhou para minha mãe e depois volto a me olhar. – Você sabe muito bem que o que está por vir, vai ser muito pior... Então, vai. Siga em frente.
Eu tremia e lágrimas escorriam dos meus olhos. Ele tinha se tornado um monstro, um doente. Como alguém muda tanto? Como alguém que era totalmente entregue a família e ao trabalho se entra pro álcool assim? Eu demorei aproximadamente 20 segundos depois do discurso do meu pai e então dei uma paulada em sua cabeça.
Ajudei a minha mãe se levantar. Ela estava completamente apavorada.
Manuela: Vou arrumar um jeito de te levar pro hospital ou então, vou chamar uma ambulância.
Carla: Não. Não, Manu. Não faz isso. – Ela gemeu de dor após ter dito isso e colocou a mão na barriga, no intuito de amenizar a dor.
Manuela: Olha o seu estado, mãe. Por favor. Ele não pode continuar fazendo isso com você. Comigo. Com a gente. Por todos os santos que a senhora ora, vamos ao hospital.
Carla: Chegando lá, eu vou falar o que? Como vou explicar como me machuquei tanto? Eu não posso, filha.
Manuela: Mãe, pelo amor de Deus. A senhora vai permitir mesmo que ele continue fazendo o que faz? – Levantei a blusa dela e pude ver como estava roxo e haviam outras marcas de outras brigas. – Olha pra você. Olha esses machucados. Olha pra mim. – Foi então que eu virei de costas e levantei a minha camiseta. Haviam marcas de espancamento por toda parte. Virei de frente e mostrei também os ferimentos nas coxas. – Chega, mãe. Chega desse inferno. Eu não aguento mais... – Eu comecei a chorar e a abracei.
Carla: Eu não posso, meu amor. – Ela levou a mão direita pro meu cabelo e fez carinho enquanto falava. – Ele é seu pai e meu marido. Eu não posso entregá-lo assim para a polícia. Ele vai mudar. Eu acredito. Você também deve acreditar. Pela família.
Eu teria mil e um motivos para discutir e tentar convencer a minha mãe de ir até a delegacia e denunciar o meu pai, mas ela estava muito ferida e eu tinha total certeza que ela não iria tão cedo a delegacia. Ajudei minha mãe com os ferimentos. Lágrimas escorriam ao vê-la tão machucada e gemendo de dor cada vez que eu passava remédio em cima dos machucados. Terminei e a deixei deitava em minha cama. Peguei um casaco para sair de casa e passei pela sala, onde meu pai estava estirado no chão, desacordado. 
Sai de casa e estava frio. Muito frio. Fui caminhando pelas ruas de meu bairro. Um bairro simples. Sem muito luxo. Sentei-me num banco de uma pracinha. Apoiei o cotovelo no meu joelho e coloquei a mão na minha testa. Fechei os olhos e fiquei imaginando o que fazer. Aquele inferno não era mais lugar pra mim. Eu não aguentava mais tanto apanhar e não aguentava ver minha mãe naquele estado. Passei a mão livre pelos machucados em minha coxa, senti uma dor horrível. E a pior dor era saber que o autor delas, era o meu próprio pai.
Depois de uma hora sentada naquela pracinha e chorando muito, decidi sair de lá. Não queria voltar mais pra minha casa. Peguei um ônibus e fui para o outro lado da cidade. Caminhei por volta de uma hora e meia. Eu estava distraída enquanto caminhava, de repente alguém esbarrou em mim e pela pressa, acabou não desviando.
Guilherme: Dá pra tu olhar pra onde anda?
Manuela: Foi você quem esbarrou em mim. – Era um menino alto. Lindo, diga-se de passagem. Não que isso fosse importante.
Guilherme: Po, sério, foi mal. Eu to mega pilhado e... – Ele fez uma pausa. Passou a mão no cabelo e parou a mesma na nuca, aparentava estar apertando-a, pela tensão. – Enfim, foi mal. Desculpa mesmo.
Manuela: Tá tudo certo. Relaxa. Mas vai pra casa e tenta relaxar. Você está realmente "pilhado". – Mudei o tom de voz quando disse "pilhado".
Guilherme: Será que eu devo seguir conselhos de uma desconhecida que eu esbarrei na rua?
Manuela: É... – Ele conseguiu me deixar sem graça.– Desculpa. Você tem razão. É, eu vou indo. – Acabei de falar e fui caminhando, o menino seguro meu braço, me fazendo virar de frente pra ele.
Guilherme: Guilherme, estranha. Prazer e desculpa por ter esbarro em você.
Manuela: A estranha te desculpa. Adeus, Guilherme.
Sai andando e peguei o ônibus de volta para casa. Cheguei bem tarde. Meu pai não estava mais desmaiado no chão. Não estava em nenhum lugar de casa. Tranquei a mesma e dormi no quarto da minha mãe. Fiquei com dó de acorda-la e mudar de quarto com ela. 
Foi difícil encontrar uma posição para dormir. Todas as partes do meu corpo estavam machucadas e doíam muito. Depois de muito tempo, eu peguei no sono.
Acordei mais cedo que a minha mãe no dia seguinte. Entrei no meu quarto e peguei todas as minhas coisas com todo o cuidado para não acordá-la. Peguei minha mala e comecei a fazê-la. Dobrei uma boa quantidade de roupas e guardei tudo na mala. Peguei coisas básicas e coloquei junto com as roupas.
Eu tinha tomado a minha decisão. Eu não poderia mais viver no mesmo teto que aquele monstro que meu pai tinha se tornado. Terminei de fazer a minha mala e a escondi debaixo da minha cama.
Já era relativamente tarde, meio dia. Preparei o almoço e levei na cama para minha mãe. Acordei-a com cuidado.
Carla: Bom dia, minha querida. – Ela disse ainda meio sonolenta. 
Manuela: Já é Boa tarde, mãe. – Sorri para ela e dei um beijo em sua testa. – É melhor a senhora se sentar. Trouxe seu almoço.
Carla: Você é maravilhosa, meu amor.
Servi a minha mãe e dei uma arrumada na casa que, por sinal, estava uma bagunça.
O dia passou bem rápido. Nem sinal do meu pai. Eu poderia apostar milhões de reais que ele estaria sentado no fundo de um bar.
Anoiteceu. Eu esperei minha mãe dormir, coisa que demorou mais do que eu tinha planejado. Escrevi uma carta de despedida pra minha mãe e deixei em cima do criado mudo dela.
Peguei minha mala que estava escondida e fiquei uns 5 minutos olhando pro meu quarto e para a casa. Era triste e doloroso ter que sair dali e pensar que minha mãe continuaria naquele inferno. Eu ainda iria tira-la de lá.
Sai de casa arrastando a mala. Peguei um ônibus circular e fui pra casa de uma amiga. Clara me deixou ficar na casa dela por essa noite. Ela era a unica amiga que eu tinha. Fui me afastando de todo mundo depois que meu pai começou a me bater. Morria de vergonha dos machucados. A Clara era a única que não me fazia um milhão de perguntas a respeito. Eu gostava disso e ela era uma boa amiga.
A mãe de Clara não era lá muito minha fã e, no dia seguinte, eu fiquei com vergonha de pedir para continuar lá. Eu pedi então, para poder deixar minha mala em sua casa. Ia tentar achar um lugar pra ficar. Clara não viu problema.
Eu tomei um banho e sai para procurar um emprego. Não tinha como eu arrumar um lugar pra ficar, se eu não tivesse condições de pagar.
A falta de um curso e experiência não me deram minimamente nem condições de ir, se quer, para uma entrevista de emprego.
Já era quase 6 da tarde e nada. Decidi voltar pra casa de Clara e buscar minha mala. O desespero começou a tomar conta de mim. O que eu iria fazer dali em diante?
Caminhei por ruas e ruas, até que achei um barracão abandonado. Peguei um moletom na minha mala, coloquei-o no chão e me deitei sobre ele. Não demorou nada e eu adormeci ali mesmo.
Eu continuei procurando um emprego e voltava sempre para o barracão abandonado para dormir. Dias depois e o máximo que eu tinha conseguido foram uns bicos em uma padaria que me deram um pouco de dinheiro. Usava o dinheiro para conseguir tomar banho em bares.
A vida estava difícil. Eu tive sorte de ter, pelo menos, comida. Mas era complicado demais. Voltar pra casa não era mais uma possibilidade.
Vi-me sentada em uma calçada de uma avenida movimentada. Estava desolada e com fome. Morrendo de fome. Era noite e faziam dias que a dona da padaria não me chamava para fazer bicos lá. Olhava a movimentação dos carros, quando me encolhi e fiquei ali, quieta e com medo do que viria a frente.
De longe, pude ver uma mulher alta, com um vestido extremamente curto e grudado no corpo. Um corpo lindo. Ela vestia um salto enorme e veio em minha direção mexendo nos cabelos. Parou na minha frente, ficou com o corpo na rua. Os carros passavam muito perto dela.
Flávia: Tá fazendo o que aí sentada?
Manuela: Tô tentando descobrir ainda.
Flávia: Bacana. – Ela soltou um riso. Andou pra a calçada e se sentou do meu lado. – E essa mala? Saiu de casa?
Manuela: Como sabe? Eu poderia estar esperando um ônibus para viajar. – Virei-me de frente para ela.
Flávia: Jura? Com esse cabelo? E essas roupas? – Segurei meu cabelo e olhei lateralmente para ele. Droga. Ela tinha razão. Estava ridículo. E eu estava imunda – Saiu de casa por que?
Manuela: Meu pai não é bem o pai do ano. – Sorri sarcasticamente. 
Flávia: Sei bem como é. – Ficamos alguns segundos em silêncio, até que ela quebrou o gelo novamente. – E você tem onde ficar?
Manuela: Se você considerar um barracão abandonado e imundo um lar. Sim, eu tenho. 
Ela riu e me fez rir da sua risada.
Flávia: Seu senso de humor é ótimo. Tenho um lugar pra você ficar hoje e talvez, consiga ficar mais uns dias. – Ela se levantou e deu a mão para me ajudar a levantar. – Ou anos.... Ah, eu me chamo Flávia.
Não disse nada, mas foi bem estranho a proposta. Se bem que, eu não estava lá em condições de poder recusar algo assim. Flávia começou a andar e eu simplesmente caminhei ao seu lado. Não fazia a menor ideia de onde ela ia, ou então, em qual bairro a gente já tinha passado. No caminho, fomos conversando. Quer dizer, ela me fez um milhão de perguntas e eu contei todo o meu drama familiar. Pegamos uns dois ônibus e andamos meio quarterão até ela parar de frente para um casarão enorme.
Flávia: Aqui. Seja bem-vinda! – Ela sorriu.
Entramos na casa e haviam três meninas na sala. Uma estava estirada no sofá e as outras prestavam atenção na televisão que estava num volume irritantemente alto.
Flávia deu um berro e na hora, o volume estava no mudo.
Bruna: A manda chuva chegou. – Disse num tom muito irônico.
Flávia: Sendo um amor sempre, não é, Surfista!?
Jack: Uma pausa na briga das madames, mas quem é essa?
Na mesma hora, todas olharam para mim. Eu estava meio suja e com o cabelo detonado. A situação me envergonhou um pouco.
Flávia não deu tempo nem para as meninas pensarem muito e foi logo dizendo:
– Ela é a futura moradora do bor... – Ela mudou rapidamente de palavra. – da casa. – Abriu um sorriso leve ao terminar de falar.
Bruna: Tu bateu com a cabeça, Flávia? Como assim? Você sabe ao menos o nome dela?
Resolvi me manifestar, já que Flávia tinha me trazido ali.
Manuela: Manuela.
Flávia: Viu, Bruna!? Agora todas nós sabemos. E deixem a Manu em paz.
Luana: Cara, claro que não. Não é assim que funciona. Não foi assim com a gente e não é justo ser assim com ela.
Jack: Mas vocês são implicantes, não!? Puta que pariu. Qual o problema de mais uma aqui? É mais grana pra Helen e menos estresse pra gente, para de k.o.
Elas continuaram numa discussão pela minha presença, mas minha mente parou de prestar atenção assim que ouvi as palavras da garota: "É mais grana pra Helen e menos estresse pra gente". Opa, calma aí. Do que ela estava falando? Só podia ser brincadeira, cara. Flávia tinha me trazido pra um bordel? Sério? Isso era inaceitável. Ela estava maluca? Como ela pode acreditar que eu ia vender meu corpo assim? Meu Deus, eu tô em choque. Acompanhava com o olhar as meninas brigando, mas eu estava apavorada. Elas todas seriam prosti... Não, para. Eu não quero pensar nisso. Sacudi a cabeça na intenção de tentar fugir dos meus próprios pensamentos e peguei a fala de uma das garotas.
Luana: Ta legal, ela pode ficar, mas vai ter que passar por tudo que a gente também passou. Nada de moleza.
Manuela: Calma aí. Do que vocês estão falando? Eu não to entendendo nada.
Depois que terminei de falar, uma menina morena com longos cabelos cacheados desceu as escadas. Desceu rebolando e com o nariz totalmente empinado. Ou seja, se achando.
Amanda: Nova integrante? Aposto um boquete que foi a fofa da Flávia que a trouxe.
Jack: Alguém vai ter que pagar um boquete de graça. – Ela riu e duas meninas riram com ela. 
Flávia: Não que seja um sacrifício fazer alguma coisa de graça pra Amandinha, né!? Amanda: Só não mando tu se foder, porque tu ia gostar.
Flávia: Não mais do que você e cala essa boca, vagabunda.
Amanda: Me chama assim como se você também não fosse. E cara, a Helen já aprovou a nova integrante do clube da bolinha?
Bruna: Clube do bolinha é de menino. Tu é muito burra, cara.
Todas elas caíram na risada e tenho que confessar que foi realmente engraçado. Dei risada junto com elas.
Uma mulher alta, bonita e aparentando seus 35 anos entrou na sala, bateu com a mão na estante da tv e gritou:
Helen: Posso saber por que as bonitas estão nessa farra toda?
Flávia: A Amanda demonstrando sua enorme inteligência, como sempre, e nos fazendo ter o prazer de rir da cara dela. 
Helen: Vocês são más. – Ela soltou um riso e caminhou pela sala, passou por mim e depois voltou. Por fim, parou na minha frente. – Você eu não conheço. Não ainda. Quem é você? O que faz aqui? – Ela me olhou de cima a baixo.
Fiquei meio sem jeito com o olhar de Helen. Eu acredito que ela esperava a minha resposta, mas eu travei. Fiquei paralisada enquanto a encarava.
Flávia: Helen, ela estava sozinha na rua e não tem pra onde ir. Saiu de casa. Aí eu pensei que...
Helen não permitiu que Flávia terminasse de falar, a cortou e continuou:
– E aí você pensou que trazer uma desconhecida pra cá seria uma ótima ideia.
A Amanda fez uma cara de satisfação e não fez a minima questão de disfarçar a alegria.
Flávia: É só que eu... Eu... – Ela gaguejou. – Eu pensei que, como ela é gata e tem um corpo bonito, podia trazer novos clientes.
A frase da Flávia me deu calafrios na espinha. Ela estava muito enganada se acreditava realmente que eu ia trabalhar ali, sendo prostituta.
Helen soltou um riso e seguro em meu queixo.
Helen: Você me decepciona com essa reação, Flávinha. Você sabe muito bem que quase sempre concordo com você. Por que deixaria de fazer isso agora? Ela é linda. – Ela falou isso enquanto dava a volta em torno de mim e me olhava. – Espero que haja fila de homens pra ela e muita grana pra mim.
Manuela: Não. Calma aí. – Eu finalmente destravei e tomei coragem de falar alguma coisa. – Eu não quero isso pra mim. Eu não posso e não vou fazer isso. Vocês estão ficando malucas. Eu não vou me prostituir. Não, não e não.
Flávia olhou furiosa para mim e falou extremamente alto.
Flávia: E tu vai pra onde? Pretende fazer o que? Morar naquele barracão nojento o resto da tua vida? Ou voltar pra casa dos teus pais e continuar com essas manchas roxas pelo corpo? – Uma enorme vontade de chorar tomou conta de mim. As lembranças de casa e dos espancamentos do meu pai. Foi horrível relembrar aquilo tudo. Sempre vai ser. – Isso aqui é a sua única opção, Manu. Eu sei que não é a melhor e nem a mais digna, mas é o que resta pra você. Acha mesmo que vão te contratar em algum lugar? Maltrapilha e sem lugar pra morar? Nunca. Se você sair por essa porta agora, dou um mês pra você entrar pra prostituição, ou então, um cafetão de pega na rua e te obriga trabalhar pra ele. Nós aqui, não temos uma vida de rainha, mas ninguém trabalha escravizada não, Manu. A gente ganha nosso dinheiro.
Não é uma fortuna, mas da pra viver bem, poxa. Eu só queria te ajudar, por isso te trouxe pra cá. Mas a decisão é toda sua. Tu sabe o que faz.
Helen: Só que tem um porém nisso tudo. Se sair por essa porta, não volta mais.
Eu estava com medo e tudo o que Flávia falou piorou meu medo. Eu não sabia o que fazer. Eu não queria aquilo pra mim, mas eu sabia que o que viria, era muito pior.
Manuela: Eu fico.
Jack: Isso, garota. Seja bem-vinda! – Ela sorriu pra mim e deu uma piscadinha.
Luana: Tá tudo certo pra mim, se ela passar por tudo que a gente passou. Fim de papo.
Bruna: Vocês cansam a minha beleza.
Amanda: Não dou algumas semanas pra ela desistir.
Helen: Dá pra vocês calarem a boca? Tô de saco cheio de ouvir vocês resmungando. Manu, é esse seu nome, né!? – Afirmei com a cabeça. – A casa agora também é sua. Mas pro bom funcionamento da casa, tem algumas regrinhas que devemos seguir aqui. Sente-se para conversarmos melhor.
Não falei nada, apenas segui as "ordens" de Helen. Sentei-me no sofá e as meninas sentaram no sofá ao lado. Helen sentou-se do meu lado e virou de frente pra mim.
Helen: Bom, todas as meninas tem tarefas domésticas a serem realizadas. As meninas organizaram-se entre elas e decidiram qual seria o dia de cada uma nos afazeres. Isso você combina com elas depois. Caso deixe de cumprir, fica sem a sua porcentagem a semana toda. Então, é melhor fazer. – Eu continuei quieta. Só assenti com a cabeça. – Não quero cenas na frente dos clientes. Vocês podem se odiar e se matar aqui, mas vão se tornar a melhores amigas do mundo quando algum cliente estiver por perto. Falta no trabalho, sem que o motivo seja doença ou algo realmente importante relacionado a escola, será cobrado de vocês e ficarão sem a porcentagem do dia. O cliente tem sempre razão. Você deve fazer exatamente o que foi paga pra ser feita e é pra fazer bem feito. 60% meu e 40% seu de cada programa feito. Ah, nem pense, em se meter com o meu filho. Todas aqui são permanentemente proibidas de se quer sonhar com o Guilherme – Esse nome me lembrou o menino que esbarrou em mim na rua enquanto eu ainda morava com os meus pais.
Loucura pensar nisso agora. Voltei do mundo da lua quando Helen voltou a falar. – Estamos acertadas? Se houver mais alguma coisa que eu esqueci de falar, eu te conto depois.
Manuela: Ta bom, Helen. Obrigada por me deixar ficar.
Helen: Obrigada você, queridinha. E agora, vai tomar um banho. Tu ta realmente precisando. 
Flávia: Vem, eu te mostro o teu quarto.
Flávia me levou para um quarto grande. Haviam três camas ali, duas de casais e uma de solteiro. Pensei ser o quarto dela e de Amanda, já que elas eram as que pareciam mandar ali.
Manuela: A Amanda não vai se incomodar com a minha presença aqui?
Flávia: Por que? Ta louca? O quarto é meu e agora é seu também.
Manuela: Mas eu pensei que... – Fiz uma pausa e resolvi não seguir em frente na minha fala. – Deixa quieto.
Flávia: O.k. Eu durmo nessa cama aqui. Tu pode ficar em qual quiser. – Peguei a cama de casal que tinha sobrado e coloquei minha mala ao lado. – Agora vai tomar banho e depois veste isso aqui, ela abriu o guarda roupa e pegou um vestido bem curto para eu vesti-lo.
Flávia me deu uma toalha e eu tomei o banho mais demorado da história. Fiquei minutos debaixo do chuveiro, pensando no que minha vida viraria a partir dali. Chorei de soluçar e soquei a parede várias vezes, mais um roxo pra minha coleção. Terminei o banho e sai do mesmo mais aliviada e finalmente, limpa. Vesti o vestido minusculo que Flávia tinha me dado. Ela não estava mais no quarto quando eu sai do banho, decidi então descer para a sala com todas as meninas.
Coloquei juntamente com o vestido um salto divino que Flávia deixou em cima da cama. Me maquiei também. Flávia foi a primeira a me ver descendo as escadas. 
Flávia: Caralho, tu ta uma gata. Eu tenho um dedo ótimo.
Helen: Está divina.
Bruna: Nossa, que gata. Mas se roubar meus clientes, te mato e faço parecer um acidente. – Dei risada.
Manuela: Prometo nem olhar pros teus clientes. – Sorri e ela deu uma piscadinha pra mim.
Amanda: Nada que uma maquiagem não salve.
Jack: Recalque de puta, Deus não escuta. Tu ta linda, Manu.
Manuela: Obrigada.
Flávia: Não sei se tu já sabe quem é quem, mas ó, essa é a Bruna. Ou Sufista, se tu preferir. Ela é a pirralha daqui. – Sorri para ela. – Essa é a Jack. Nossa negra linda. Essa é a alternativa, Luana. – Antes que Luana se manifestasse, Flávia se pronunciou: – Mas ela te enforca se chama-la assim, é Lua. – Ela revirou os olhos ao terminar de falar. – E essa é a chata e com muitos neurônios a menos, Amanda.
Manuela: Oi, meninas. – Abri um sorriso e dei uma ajeitada no cabelo.
Ao terminar as apresentações, nós combinamos em que dia eu ajudaria nas tarefas domésticas. Estávamos reunidas no sofá. Ouvi as histórias de como as meninas chegaram ali e contei a elas tudo sobre mim. Ou quase. Já estava anoitecendo quando a maçaneta da porta gira e a mesma se abre.
Um menino lindo, moreno e alto entra na casa. Opa, calma aí, eu conheço ele.
Guilherme? Não, calma. Esse é o Guilherme filho de Helen? Que mundo minusculo.
Guilherme: E aí, piriguetes. – Ele deixou várias sacolas em cima da mesa de jantar e deu um beijo na testa da Helen. – Oi, mãe. – Ele olhou pra mim com estranheza. – Você eu não conheço – Ele ergueu uma sobrancelha.
Manuela: É, realmente não. Sou uma "estranha". Guilherme: Ah, ta brincando que você é a estranha da rua que foi embora e nem me falou seu nome?
Lua: Ela era a menina linda e loira que tu falou esses dias?
Guilherme: Valeu por queimar o meu filme. – Ele pegou uma almofada e tacou nela.
Manuela: Manuela. A estranha chama Manuela. – Ele me achava linda? Bom saber.
Guilherme: Tu é a nova pirigue... Quer dizer, garota da minha mãe?
Manuela: Pode-se dizer que sim. Mas isso ainda é uma meia verdade. – Helen já havia saído da sala para preparar o jantar, as meninas estavam com as antenas ligadas no meu papo com o Guilherme.
Guilherme: Po, tu ta linda. – Ele olho pra cada centímetro do meu corpo. Me secou até o ultimo.
Manuela: Valeu. Flávia me falou pra vestir isso. É tudo novo pra mim ainda. To me acostumando.
Guilherme: Já já tu pega jeito. Po, eu vou subir pro meu quarto. Depois a gente se fala mais. – Ele passou por mim e me deu um beijo no rosto. As meninas só faltaram pular no meu pescoço.
Flávia: Nem pensar. Desencana. Ele é o rei e tu a plebeia. Nem se ilude. – Eu arregalei os olhos ao ouvi-las.
Manuela: Nossa, calma. Não to me iludindo. Eu entendi que vou me ferrar se me meter com ele.
Foi bem assustadora a reação das meninas. Mas achei besteira. Eu não queria problemas com ninguém, ainda mais com a Helen. Não era louca.
O resto do dia foi chato. Fui me deitar não muito tarde e fiquei horas enrolando pra dormir.
Minha mente estava a milhão. O medo era o mais forte dos meus sentimentos. Droga. O que eu tinha escolhido fazer com a minha vida? De menina espancada pelo pai a garota de programa. E pior não tinha minimamente chegado. A ideia de um programa, de homens de tudo quanto é jeito pegando em mim, me tocando, transando comigo me causou repulsa. Eu estava decepciona. Com medo. Morrendo de medo.
Peguei no sono em seguida. Acordei cedo, fiz minha higiene e desci pra comer alguma coisa.
Havia alguém deitado no sofá e assistindo a tv num volume baixo. Andei discretamente até a pessoa e vi Guilherme, quase pegando no sono. Resolvi voltar pra trás e subir, mas ao virar, bati no sofá sem querer. Merda.
Guilherme: Que susto. – Ele arregalou os olhos e depois se espreguiçou. 
Manuela: Ai, mil perdões, sério. Sou uma desastrada. Que droga, eu te acordei.
Guilherme: Ei, ei, ei... Fica de boa. Eu tava no chove não molha aqui. Perdi o sono e vim pra cá. Senta aí, estranha. – Ele riu ao me chamar daquele jeito.
Manuela: Vai pra sempre me chamar assim, né!? – Eu ri ao passar por ele e me sentar no outro sofá.
Guilherme: Enquanto eu não enjoar, vou sim. – Ele continuo deitado no sofá, mas agora estava olhando pra mim. Na verdade, ele olhava pra minha bunda, que estava amostra por causa do minusculo tamanho do shorts do meu pijama.
Manuela: Eu ainda prefiro Manu. – Dei uma disfarçada e tentei abaixar o shorts, sem muito sucesso pelo comprimento.
Guilherme: Posso fazer uma pergunta inconveniente? 
Manuela: Pode.
Guilherme: Como adquiriu todas essas manchas roxas? Metade delas eu aposto que conseguiu batendo nos lugares. – Merda! Ele estava olhando pros meus roxos, não pra minha bunda. Como eu sou idiota. E como eu penso mal das pessoas. 
Que merda!
Manuela: É... – Meu cérebro demorou um pouco pra formular a resposta.
 – Meu... Meu pai me presentou.
Guilherme: Que barra. Foi mal pela brincadeira de mal gosto.
Manuela: Tu não faz nem ideia. Fica tranquilo.
Guilherme: Não ta com fome não?
Manuela: Morrendo.
Guilherme: Partiu fazer um sandubão pra gente?
Manuela: De manhã? Ta louco? Nem pensar. Quero leite só.
Guilherme: Ih, mina fresca eu mando logo pra escanteio. Falou!?
Manuela: Não se eu for artilheira. – Abri um sorriso satisfatório pra ele.
Guilherme: Zuou que saca de futebol?
Manuela: Se bobear, melhor que tu. – Eu ri.
Nós fomos para a cozinha, peguei um copo de leite e coloquei achocolatado.
 Ele fez um lanche enorme com mil coisas dentro. Que coragem de comer aquilo pela manhã...Eca.
 Continuamos conversando enquanto ele comia. Eu contei toda a minha história, a real história.
 Pras meninas eu tinha maquiado um pouco. Escondi um detalhes que achei que elas não precisariam saber. Mas eu me sentia mais a vontade com o Guilherme.
Guilherme me passava a imagem de irmão mais velho. Eu gostava daquilo. Sem segundas intenções. Eu estava criando um vinculo de amizade com ele. Nada mais. Se bem que, na condição de futura garota de programa, eu não posso me dar ao luxo de me apegar a ninguém.
Guilherme terminou de comer e nós estávamos sentados na mesa da cozinha.
Manuela: As meninas não vão levantar nunca?
Guilherme riu antes de me responder: – Po, elas estão aproveitando pra acordar mega tarde durante a reforma da "casa de show" da minha mãe.
Manuela: Ninguém tinha me falado nada disso.
Guilherme: É, po, elas... Ou no caso, vocês, dançam e depois fazem o programa lá. Ou achou que minha mãe fosse tão doente que deixaria os caras entrarem, fazerem os programas com as meninas com o filho dela no quarto ao lado?
Manuela: Ah, vai saber... – Ele riu absurdamente e eu ri junto, apesar de não ter achado tanta graça assim.
Guilherme: E tu, ta preparada?
Manuela: To claro. Sempre foi meu sonho ser garota de programa.
Guilherme: Sério?
Manuela: Claro que não. – Eu ri. – Esse é um dos maiores pesadelos. Mas a outra opção que eu tenho é ficar na rua e morrer lá, então...
Guilherme: Foda.
Manuela: Chega de falar de mim. Me fala de você. Tu deve amar todas essas meninas bonitas, rodando pela casa com roupa curta, né!?
Guilherme: Confesso que essa parte não é ruim, mas não é bem assim que eu imagino o paraíso. – Ele sorriu. – Eu demorei pra "aceitar" o que minha mãe fazia. Mas eu enchi o saco de tentar fazer ela parar. Ela sabe o que faz.
Manuela: Entendi... E tu deve ter pego todas as meninas já, né não!?
Guilherme: Todas não, agora falta você. – Ele riu e eu ri mais ainda. – Zueira. Po, minha mãe não te falou das "regras da casa"?
Manuela: Falou. Eu só achei que se eu jogasse verde, tu me contaria algo.
Guilherme: Esperta, mas isso tu vai ficar na curiosidade.
Manuela: Ta. Mas tu vai ter que me responder outras coisinhas pra compensar essa "não resposta"– Ele assentiu com a cabeça e eu continuei: – Qual a mais gata?
Guilherme: Antes? Flávia. Agora? Tu. – Fiquei sem graça.
Manuela: Obrigada. Eu sei. – Me fiz de durona. – A mais gostosa?
Guilherme: Isso é mesmo necessário? – Eu ri e afirmei com a cabeça, incentivando-o a continuar. – Bruna não é de se jogar fora não, apesar de ser a mais novinha.
Manuela: Discordo de tu. A Jack é muito mais gostosa.
Guilherme: Ihhhhhhh, é lésbica também, é?
Manuela: Seu sonho me ver pegando uma das meninas, cala a boca.
Guilherme: Cheio de marra já, que isso, ein!? Mas não seria uma visão do inferno. – Eu bati na cabeça dele de vagar. – Para, ou, vou contar pra minha mãe. – Ele fez cara de neném e depois nós rimos juntos.
A Amanda apareceu na cozinha e estava com uma cara de zumbi horrível.
Amanda: Obrigada por me acordarem.
Guilherme: Não tem de que.
Amanda: Do que tanto os pombinhos riam?
Guilherme: Não era da sua cara, fica tranquila. A gente só faz isso na sua frente, é mais hilário.
Ela fez uma cara de nojo, pegou algo pra comer e saiu.
Eu e o Guilherme demos uma geral na cozinha, já que tínhamos bagunçado um pouquinho. As meninas acordaram bem tarde. Helen não estava em casa.
Fui pro meu quarto enquanto a Jack preparava o almoço. Eu era totalmente desprovida de sabedoria de culinária. Mal sabia fritar um ovo e fazer um miojo. Fora isso, eu queimava tudo.
Pela primeira vez, desde que tinha saído de casa eu lembrei do meu celular. Ele estava no fundo da mala, que eu nem tinha desfeito ainda. Peguei-o e tinha umas mensagens da Clara e de uns "amigos" antigos. Minha mãe deve ter falado com eles que eu "sumi". Ou não. Resolvi ignorar o conteúdo de todas as mensagens. Nem olhei, só apaguei. Respondi só a mensagem de Clara. Depois eu acabei pegando no sono.
Acordei com a Flávia entrando no quarto. Toda produzida. Já era muito tarde. Tão tarde que o sol já estava se pondo e eu senti uma fome do cão.
Flávia: Olá, Bela Adormecida.
Manuela: Eu dormi tanto assim? – Me espreguicei e levantei.
Flávia: Ta quase de noite já. Então, sim. – Ela riu. – Guardei um prato pra tu lá no microondas. Sou um anjo, eu sei. A gente vai pra boate hoje. Helen quer dar uma organizada lá e uma ensaiada no nosso showzinho pra inauguração da boate semana que vem.
Manuela: E você me fala isso agora? Como vou me arrumar em 5 minutos?
Flávia riu e falou: – Calma, gata. Você não vai. Não hoje. Helen quer bater um papo contigo antes de tu começar. Não me pergunte do que se trata, porque eu não faço a menor ideia. 
Manuela: Nossa, agora você me tranquilizou. – Disse ironicamente e depois ri. – Ai, eu vou comer.
Flávia: Vai lá.
Desci pra cozinha e as meninas estavam na sala, umas terminando a maquiagem e as outras na indecisão de qual sapato por.
Amanda: Esse azul não combina com o meu vestido preto.
Manuela: Coloca o listrado. Vai ficar lindo.
Ela pegou e colocou o sapato que eu falei. Ficou realmente lindo. Ela me deu um sorriso seco como "agradecimento".
Lua tinha feito umas mechas rosas no cabelo loiro. Ficou lindo. Diferente, mas lindo.
Elas estavam lindas. A Helen chegou com uma van e elas foram pra "boate" que eu estava louca pra conhecer.
Fui pra cozinha, peguei o meu prato e ouvi um barulho vindo dos quartos. Me assustei e peguei uma panela. Fiquei escondida atrás da porta da cozinha. Alguém veio caminhando pela cozinha e eu apareci na frente, ameaçando bater com a panela.
Guilherme: Porra, tu quer me bater com uma panela? – Guilherme falou e coloco a mão na panela, me impedindo de bater nele com a mesma.
Manuela: Ai, que merda, Guilherme! Que susto. Eu esqueci que você estava em casa. Saco.
Ele riu durante um minuto inteiro. Eu estava tão assustada que só ri nos segundos finais.
Guilherme: Tu é lerda, ein, Manu!? Achou que era um assaltante?
Manuela: Vai saber.
Guilherme: Doida de pedra. E solta essa panela antes que me bata de verdade, sem querer. Do jeito que tu é desastrada...Manuela: Gentil! – Guardei a panela e esquentei minha comida.
Guilherme: Por que tu não foi com todo mundo?
Manuela: Tua mãe quer falar comigo antes. Não sei se to fudida ou muito fudida.
Guilherme: Minha mãe não é tão monstro assim.
Manuela: Eu sei, lindo. Mas nunca se sabe o que ela pode querer comigo.
Guilherme: Lindo? Tu só não é mais irônica por falta de tamanho.
Manuela: Eu guardei a panela, mas posso pega-la de novo, sem problema nenhum.
Guilherme: Que medo.
Manuela: Palhaço.
Guilherme: Delicia.
Manuela: Não sou a Valdirene, mas um milho seria legal na minha vida. – Dei risada. – Brincadeira. Jamais viveria a custa de homem.
Guilherme: Eu te sustentaria, se tivesse grana.
Manuela: Quem disse que eu ia te querer?
Guilherme: Joguei verde.
Eu ri. Guilherme era muito engraçado. Eu estava gostando cada vez mais da companhia dele. Terminei de comer, me levantei pra lavar o meu prato mas ele pegou e lavou toda pra mim.
Manuela: Obrigada, Guilherme.
Guilherme: Não foi nada, estranha.
Eu não estava nada afim de ficar em casa, mas não conhecia nada no bairro.
Manuela: Qual o lugar que eu vá me distrair mais aqui no bairro, Guilherme?
Guilherme: Me chama só de Gui, estranha. Tem um lugar foda. Quer que eu te leve lá?
Manuela: Não vai te atrapalhar?
Guilherme: Ta me vendo fazer alguma coisa muito importante? Não, então vamos.
Assenti com a cabeça. Ele pegou um casaco e nós começamos a andar pelo bairro. Era um bairro normal. Guilherme foi entrando em um prédio abandonado e eu só o segui.
Fomos parar no terraço do prédio. Dava pra ver grande parte da cidade dali. Era incrivelmente lindo.
Manuela: Que lugar lindo.
Guilherme: Esse é o lugar que eu mais gosto de toda a cidade. Eu venho aqui e esqueço tudo. É bom.
Eu me sentei na beira do terraço, pude sentir Guilherme me encarando. Ele parou de pé do meu lado.
Manuela: Olha ali. – Apontei pra um prédio, onde um casal aparentava estar discutindo. A mulher sumiu do campo de visão da janela e depois voltou segurando um bebê. – Ela descobriu que ele a traia, pegou o bebê e deve ter jogado na cara dele que ele não sabe o que significa família. Dou 10 minutos pra ela fazer a mala dele e o expulsar.
Guilherme riu e em seguida falou: – Que imaginação fértil.
Manuela: Espera 10 minutos, se ele não sair. Tu pode me pedir o que quiser. Caso contrário, quem pede sou eu.
Guilherme: Feito.
A gente continuou olhando a cidade. Ele se sentou do meu lado. Estava bem frio e eu não tinha me lembrado de pegar uma blusa de frio. Burra. Comecei a tentar me esquentar, mas não deu muito certo.
Guilherme: Quer meu casaco? – Ele percebeu. Merda.
Manuela: Não precisa, Gui. Valeu.
Guilherme: Precisa sim. Tu ta morrendo de frio. – Ele não me deu tempo pra responder. Tirou o casaco e foi logo colocando em mim.
Não rejeitei o casaco e nem o devolvi. Estava realmente com muito frio. E nossa, como Guilherme era cheiroso.
Não se passaram 5 minutos e o homem que eu tinha falado, saiu do prédio com duas malas na mão.
Manuela: Há! Eu falei.
Guilherme: Droga.
Manuela: Eu sabia!
A gente continuou conversando por uns 30 minutos. O homem voltou com a mala e a esposa estava a vista na janela. Falava com alguém no celular. Chorando e com o bebê no colo.
Guilherme: E agora, senhora cartomante? Por que ele voltou?
Manuela: Provavelmente está acontecendo alguma coisa com o bebê e ele veio socorre-lo.
O homem subiu para o apartamento e os dois estavam a vista na janela. Ele colocou as malas em um canto da sala. Aproximou-se da esposa e a beijou. Depois eles conversaram de pé em frente a janela. A mulher saiu do campo de visão e voltou sem o bebê. Um tempo depois os dois sumiram e a luz apagou.
Guilherme: Rolou um sexo. E tu perdeu.
Manuela: Merda.
Guilherme: Como boa perdedora, tu tem que fazer o que eu quiser agora. 
Me virei de frente pra ele. Ainda continuávamos sentados na sacada.
Manuela: O que eu vou ter que fazer? Não pede nada que eu vá me envergonhar publicamente, por favor.
Guilherme: Prometo ser bonzinho. E como tu quase acertou, eu vou te deixar pedir algo também.
Manuela: Feito. Pede aí.
Guilherme: Quero um beijo.
Estranhei o que ele pediu. Droga. Ele sabia que eu não podia e outra, por que me beijar? Pra eu entrar na lista e ele falar que já tinha pegado todas as meninas?
Manuela: Gui... – Neguei com a cabeça. – Você sabe que eu não posso.
Guilherme: Coé. Pela minha mãe? Ela não tá aqui. Ninguém está. Desencana.
Manuela: Não quero problemas com ela. – Desviei.
Guilherme: Tu perdeu e eu poderia escolher o que quisesse. Para de graça, Manu.
Manuela: Tu me chamou de Manu, não de estranha. – Desviei de assunto.
Guilherme: Não tenta mudar de assunto.
Manuela: Merda. Ta bom, mas é um beijo e acabou.
Ele assentiu com a cabeça. Eu me aproximei dele e fechei os olhos lentamente. Pude sentir a mão fria dele no meu pescoço. Ele alisou o mesmo e aproximou o rosto do meu. Senti a respiração dele e o perfume. Nossa, que perfume. Ele colocou os lábios perto dos meus e começou a me beijar devagar. Entrelacei minha língua na dele e ele chupou a minha língua. Coloquei a mão no rosto dele durante o beijo. Nos beijamos por mais tempo do que devíamos, mas eu simplesmente não quis sair dali. Ele beijava bem e eu estava gostando. Mas acordei pra realidade, puxei o lábio dele. Ele mordiscou o meu lábio inferior, impulsionou o beijo a inciar novamente, mas eu me esquivei. Afastei o rosto do rosto dele.
Manuela: Aposta paga. Agora falta você.
Guilherme: Vai querer o que?
Manuela: A gente vai pegar metro pra tu pagar a tua aposta. 
Guilherme: Seja boazinha. Eu fui legal contigo.
Manuela: Muito legal.
Nós saímos do prédio e fomos pra estação de trem. Ele pagou os nossos bilhetes e nós entramos no trem.
Sentei-me do lado dele e comecei a cobrar a aposta. Sussurrei em seu ouvido: – Pega a minha mão e finge que somos namorados. Vou pegar o meu celular, fingir mandar uma mensagem e tu vai surtar. Fazer uma cena de ciúmes enorme. Boa sorte.
Ele riu e pegou na minha mão. A mão dele estava muito fria ainda. Ele devia estar morrendo de frio, já que ele tinha me dado o casaco. Tadinho. Ele começou a alisar a minha mão, eu me distrai por alguns segundos.
Guilherme: Pega o celular. – Ele falou baixinho.
Eu peguei o celular, fingi responder uma mensagem e ele se levantou. Começou a gritar comigo:
 – Droga, Manuela. Da pra tu me dar atenção só um pouco? Esses teus amiguinhos são tão importantes que tu tem que responde-los ao ficar comigo? Porque se a resposta for sim, tu pode ficar com eles. Engula-os. Mas tu me esquece. Eu to de saco cheio de aguentar isso. Deu pra mim.
Entrei no papel e comecei a interpretar. Fingi olhar assustada pra ele. 
Manuela: Amor, para com isso. Você sabe que isso é coisa da sua cabeça. Você vem em primeiro lugar. Sempre. Eles são meus amigos e me convidaram pra uma festa, eu só...
Guilherme: E tu correu pra responder que ia, né!? – Ele me cortou. Eu me segurei muito pra não rir. – Ta vendo? – Ele gritou mais alto. – É dessa merda que eu to falando. Tu não da a minima pro nosso namoro. Pra mim. Eu to de saco cheio, eu quero termin...
Não o deixei terminar de falar, levantei e o beijei. Droga, o que eu tava fazendo? Pude notar que todos no metrô olhavam pra gente e sorriam. A gente se beijou por um período curto, mas foi muito bom. Ele se envolveu. Enfiou a língua na minha boca e eu chupei a língua dele. Senti as mãos dele na minha cintura e ele puxou o meu corpo pra mais perto do corpo dele. Senti o calor do peito dele. Suspirei e finalizei o beijo com um selinho. Falei baixinho no ouvido dele: bom trabalho.
Guilherme: O beijo fazia parte do repertório? – Ele sussurrava.
Manuela: A pegada na minha cintura também? –Eu ri baixinho e ele roubou um selinho de mim. Foi bonitinho. A gente passou o resto da viagem meio grudadinhos, porque roubaram os nossos lugares.
Descemos na estação e voltamos pra casa.
Eu ainda estava em dúvida de porque tinha aceitado beijar ele e depois, ter beijado ele por minha iniciativa. Nada de se apagar, Manuela. 
Fui pro quarto e ele foi pro dele. Não consegui pegar no sono fácil. Flávia chegou mais de 3 da manhã e eu ainda estava me afogando nos meus pensamentos. Dormi logo depois.
No dia seguinte, acordei cedo porque ouvi a voz de Helen. Tomei um banho, coloquei uma roupa e fui conversar com ela.
Manuela: Bom dia, Helen. Você queria falar comigo?
Helen: Queria não, eu quero. Vamos pro seu quarto. A Flávia não está lá, né!?
Manuela: Não. Quando eu acordei ela já não estava mais na cama.
Helen: Tudo bem... Subimos pro quarto, fechamos a porta e ela começou a falar: – Bom, eu queria te perguntar uma coisa bem indiscreta, mas necessária... Você já perdeu a virgindade?
Manuela: Já. Mas por que? –A pergunta me deixou meio envergonhada e eu não menti. Perdi minha virgindade com um quase ex namorado. Melhor qualificá-lo como ex ficante. Eu tinha 16 anos e foi bom, mas isso é coisa pra se falar outro dia.
Helen: Poxa, que pena...
Manuela: Pena?
Estranhei a reação de Helen.
Helen: É. Eu pensei que você fosse virgem e, não me entenda mal, mas você valeria mais.
Não entender mal? Vou entender como? Bem? Porque isso foi super chato.
Manuela: Ta tudo certo. É uma pena mesmo.
Helen: Bom. Era isso. Se quiser, não precisa falar pras meninas o que conversamos aqui. Invente qualquer besteira. Hoje a noite tu vai com as meninas pra boate, pra elas te passarem a coreografia e te ensinarem o esquema de lá.
Manuela: Ta.
Helen saiu do quarto e eu continuei lá. Valer mais? Mulherzinha nojenta. Eu odiava aquele mundo e isso porque, ia começar nele ainda. Raiva.


Notas Finais


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