História Prostituta Profissional - Capítulo 5


Escrita por: ~ e ~aninhacarol1bts

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Romance, Violencia
Exibições 46
Palavras 13.168
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Hentai, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


;) boa leitura

Capítulo 5 - Four


Isabela: Repetir o que? Que ela é preta? É mesmo! Preta. Preta. Preta. – Ela gritava. – Preta nojenta.
Era inenarrável o ódio que eu senti daquela menina na hora. Regina a segurava pelo braço e aquela idiota xingava a Jack. Escorriam lágrimas dos olhos da Jack. Ela ficou sem reação. Envergonhada.
Flávia: Você não tem vergonha na cara, não!? O que tem a Jack ser negra? Ela é vinte vezes melhor do que você. E mais bonita também. E mesmo que não fosse, tu não tinha o direito de chamá-la assim. De chamá-la de "preta" como se fosse uma ofensa. Tu é muito escrota. 
Isabela: Preta. Nojenta. Suja. Isso que ela é.
Gabriel olhava inconformado pra ela e os outros também. Eu corri na direção dela e Guilherme não conseguiu me segurar. Eu "pulei" em cima dela e puxei os cabelos dela. Comecei a bate-la sem dó. Descontei toda a raiva anterior também. Puxava o cabelo e batia com força no rosto dela. Sentei-me na barriga dela e arranhei-a o máximo que consegui. Ela se debatia e tentava me bater, mas conseguiu só me arranhar.
Henrique e Samuka incentivavam a briga. Jack chorava e estava sentada no canto da sala. Bruna, Lua e Flávia gritavam pra gente parar de brigar. Regina tentava tirar Isabela debaixo de mim. Guilherme correu na minha direção e me tirou do colo dela. Gabriel veio pra ajudar e os dois me seguravam pela cintura, um de cada lado.
Manuela: Me soltem agora. – Gritei pros dois e eles não me ouviram. Continuaram me segurando.
Isabela se levantou com a ajuda de Regina.
Guilherme: Sai daqui agora com a Isabela. Gabriel e eu não vou conseguir controlar a Manuela por muito tempo.
As duas correram e saíram da sala. Só então os dois me soltaram.
Manuela: Deviam ter me deixado bater mais naquela... – Eu gritei o mais alto que pude. – Preconceituosa do caralho. Espero que enfie o preconceito no cu largo dela.
Ninguém riu. Não teve graça. Eu estava extremamente brava e fui até a Jack. Me abaixei até ela e a abracei. Ela chorava feito criança e aí todo mundo formou um circulo em volta dela, a abraçando.
Manuela: Não fica assim, Jack. Isso foi só o começo, uma amostra do que eu sou capaz. Ela já tinha me provocado antes, mas agora ela mexeu com algo que pra mim, não tem perdão. Se ela falar um "a" pra você, tu me conta, que eu acabo com a raça dessa cretina.
Ela assentiu com a cabeça e me abraçou mais forte. Todo mundo disse coisas legais pra ela e abraçaram-na. Ela parou de chorar, ajudei-a a colocar a blusa e nós voltamos por open.
Isabela e Regina tinham sumido. Nós bebemos e nos divertimos. Vi, por várias vezes, Jack amoada num cantinho. Ia sempre chamá-la. O que a Isabela tinha feito, eu ainda não tinha diregido. Ela ia pagar caro.
Eu não estava em clima de ficar com ninguém. Gabriel chegou em mim, mas nós não ficamos. Eu bebi horrores e estava muito animadinha. Uma musica começou a tocar e eu fui pro meio da pista dançar com todo mundo.
Flávia estava bêbada também. Nós dançamos juntas e todos os meninos nos secavam. Acabei puxando a Jack pra dançar junto. Nós ríamos e bebíamos mais ainda a cada musica que tocava. Uns meninos da sala de Jack chegaram em mim, mas eu não quis ficar com nenhum deles. Não estava sóbria o suficiente pra isso.
Flávia começou a passar mal e eu a levei pro banheiro. Segurei o cabelo dela e ela vomitou muito. Tava tão bêbada que nem senti nojo. Ela ficou sentada no chão do banheiro e eu fiquei com ela. Guilherme entrou no banheiro.
Manuela: Esse é o banheiro feminino, meu amor. Eu sei que tu quer ter buceta, mas entra na fila de mudança de sexo. Enquanto isso, usa o outro.
Guilherme: Seu senso de humor não acaba nem contigo bêbada.
Manuela: Agradeço. – Disse isso e vi tudo girar.
Guilherme: Vim ver como vocês duas estão. Uma bêbada cuidando da outra. Uma combinação péssima.
Flávia: Eu já to legal. Já vomitei e passou. A Manu ta alegrinha ainda
Manuela: Eu vou buscar água. – Sai do banheiro, peguei um copo de água e quando voltei, escutei os dois conversando. Parei do lado da porta e fiquei ouvindo.
Minha cabeça girava, mas eu podia escutar tudo que eles conversavam. Pude ver Guilherme ajoelhado do outro lado do banheiro.
Guilherme: Beijei a Manu. E não foi só uma vez. Foram várias.
Flávia: Prossiga... Guilherme: Ela acha que eu tenho algo com a Bruna e até me perguntou, mas eu não respondi.
Flávia: Todas nós achamos.
Guilherme: Isso não vem ao caso. Só que, eu queria saber se ela ta afim de mim. Porque, eu comecei a sentir algo por ela, mas não vou seguir em frente, se não tiver certeza do que ela sente por mim.
Flávia: Aí tu me complica, Gui. Ela já tinha me contado dos beijos. Mas não se iluda. Ela tem medo da sua mãe. Quer dizer, medo do que ela pode fazer se contrariar uma ordem dela. E não ter algo com você, é lei lá em casa, poxa.
Guilherme: Me da alguma pista, Flávia. Po, é complicado. Eu não quero me apaixonar pela Manuela e vê-la depois com o Gabriel ou qualquer idiota da escola.
Flávia: Duvido que ela vai querer se envolver com alguém. Ela quer mais é arrumar um jeito de sair do "ramo." Se é que me entende.
Guilherme: Já percebi que não vou conseguir arrancar nada de você. Mas valeu, Flá. Fica bem.
Ele disse isso saindo do banheiro, eu fingi estar voltando, dei um sorriso pra ele e entrei no banheiro.
Manuela: Ele quer se apaixonar por mim?
Flávia: Ouviu tudo, né!?
Manuela: Acho que não tudo, mas o suficiente.
Flávia: Agora ta nas suas mãos, amiga. Se quiser o bofe, investe. Se não quiser, joga pra escanteio. Mas saiba que se tu jogar, vão ter umas 3 prontinhas pro ataque. O mesmo serve pro Gabriel.
Manuela: Não me confunde. Eu já faço isso sozinha.
Uma hora depois, Helen passou pra nos buscarmos. Cheguei em casa e minha cabeça ainda girava. Tomei um banho e me deitei. Não demorou nada pra que eu dormisse.
No domingo, Guilherme me pediu ajuda pra estudar inglês com ele. Logo de manhã, eu fui pro quarto dele. Helen sumia de domingo, pelo menos isso.
Abri todos os livros de inglês que a escola tinha dado e comecei a ensinar o Guilherme.
Guilherme: Po, isso é muito difícil. Por que essa diferença de "him" e "his"? Não podia usar uma coisa só? – Eu dei risada.
Manuela: Não, Gui. Se conforme. E decora a hora certa de usar cada um.
Guilherme: Me chamou de Gui, não de Guilherme. Vejamos, um milagre.
Manuela: Vai jogar confetes também!?
Guilherme: Se eu tivesse, jogaria.
Manuela: To com fome.
Guilherme. Também to. Vou buscar bolo. Quer?
Manuela: Tem bolo do que?
Guilherme: Cenoura com cobertura de chocolate.
Manuela: Sim, por favor. Não quer que eu vá com você?
Guilherme: Precisa não, eu trago. – Ele disse e levantou-se. Saiu do quarto e eu me deitei na cama.
Estava morrendo de preguiça porque tinha acordado cedo. Afastei um poucos os livros e me acomodei na cama. Guilherme chegou com dois pedaços de bolos e dois copos com coca. Eu sorri e ele deixou tudo em cima do criado mudo.
Aproximou-se de mim e ficou em pé ao meu lado.
Guilherme: Que folga é essa?
Manuela: Não enche.
Guilherme: Po, complicado te ver aí. – Ele "me secou". Olhou pros meus seios e depois desceu o olhar pra todo o meu corpo. Eu fiquei sem graça e ele percebeu. Ele se aproximou mais de mim e sentou do meu lado na cama. Minha respiração começou a ficar ofegante, ele colocou uma mão no meu rosto e começou a alisa-lo. Eu fiquei imóvel. 
Minha vontade era beija-lo, mas não me movi.
Tentei me controlar, mas tudo piorou quando eu senti o perfume dele. Guilherme continuava a alisar o meu rosto e a me fitar. Eu não tirava os olhos dele. Ele aproximou o rosto do meu e enfiou a língua nos meus lábios que estavam entreabertos. Eu não resisti. Não consegui levantar dali e simplesmente dizer que aquilo era um erro. Ele mexia comigo. Me fazia ficar confusa e fazia meu coração disparar cada vez que se aproximava. Eu estava cansada de mentir pra mim mesma. Eu sabia que meu coração era dele. E naquele momento, naquele beijo, eu tive certeza. Ou melhor, eu tive coragem de assumir. Assumir pra mim mesma.
Nós nos beijávamos com tranquilidade. Sem pressa de nada. Eu levei a minha mão pra nuca dele. Alisei a mesma com carinho e entrelacei os meus dedos no cabelo dele. Dava leve puxadinhas durante o beijo e ele sorria. Guilherme continuo alisando o meu rosto e levou a mão livre pra minha cintura. Apertava a mesma conforme chupava a minha língua.
Ele deitou-se em cima de mim. Devagar e deixou uma mão apoiada na cama, pra não descontar o peso dele sobre mim. 
Ele aumentou um pouquinho a intensidade o beijo e ia deslizando a mão pelo meu rosto. Eu suspirei durante o beijo e ele mordeu meu lábio inferior. Me olhou por uns segundos e levou a boca pro meu pescoço.
Começou a beijar o mesmo e às vezes, dava chupões no mesmo. Inclinei um pouco a cabeça e coloquei a mão nas costas dele. Puxei a camiseta dele, mas não tirei. Ele mordeu o meu queixo e levou a boca pra perto do meu ouvido, sussurrou baixinho: – Preciso de você, Manu.
Eu sorri em resposta pra não quebrar o clima, porque não sabia o que dizer. Eu queria parar aquele momento e dar replay pra poder ouvir milhões de vezes aquilo.
Ele me beijou novamente. Dessa vez o beijo foi mais caloroso, mais intenso. Cheio de vontade, de ambas as partes, confesso. Guilherme apertou a minha cintura enquanto eu explorava toda a boa dele com a língua. O clima estava começando a esquentar, quando ouvimos o barulho da maçaneta se abrindo e alguém entrando. Quer dizer, eu ouvi. Guilherme pareceu nem se importar e continuou me beijando. Eu abri os olhos, meio desesperada.
Flávia: Vocês querem morrer? – Ela gritou e correu pra trancar a porta.
Nós ouvimos a Flávia gritar e automaticamente, Guilherme saiu de cima de mim e ficou de pé.
Guilherme: Caraca, que susto.
Flávia: Imagina que no meu lugar, poderia ser tua mãe. Tu ficou doido? – Ela aproximou-se dele e começou a bater nele. Foi engraçado. Ele se contorcia e ela batia nele enquanto o xingava. – Tu também tem culpa, Manuela. – Ela disse brava e eu tirei a expressão de riso da cara quando ela falou comigo. – Ta doida? Surtou? Esqueceu que a Helen é perigosa? Desculpa, Guilherme. Mas tu sabe que é. Se ela pega vocês dois, ela manda matar a família inteira da Manu e acaba com a vida da própria Manu em dois piscar de olhos.
Manuela: Calma, amiga. Calma. Não rolou nada demais aqui.
Flávia: Não aconteceu porque eu cheguei e estraguei tudo. Foi mal por isso, mas vocês tem sorte de ter sido eu quem pegou vocês no flagra. Tô com vontade de bater muito em vocês dois. Juro.
Guilherme: Já fez isso. 
Flávia: Fica na tua! – Eu me levantei da cama e fui em direção a porta, na intenção de sair do quarto.
Guilherme: A gente não terminou aqui, Manu.
Flávia: E nem vão. Ta doido? Quer que uma das meninas peguem vocês aqui?
Manuela: Amiga, ele ta falando da "aula" de inglês. Calma. – Eu dei risada e abracei ela.
Flávia: Vocês me estressam. – Eu dei um beijo no rosto dela e ela me abraçou. – Vou pra lá. É pra vocês estudarem. Vou ficar de olho. E tranquem a porta se forem se pegar. – Nós rimos e ela saiu do quarto.
Guilherme: Vamos continuar? – Ele disse do outro lado da cama. Eu estava encostada na porta.
Manuela: Estudar? Claro. – Pisquei e ele fez uma cara emburrada. Foi engraçado. – Antes eu vou atacar esse bolo aqui. – Peguei o prato com os pedaços do bolo e os copos de coca. Dei um coco pro Guilherme e fiquei com um. Sentamos na cama, um na frente do outro. Coloquei o bolo no meio. Eu peguei um pedaço e em seguida, Guilherme peguei também. Nós comemos e ele não tirou o olho de mim. Bebi o meu copo de coca e deixei em cima do criado mudo. – Bora terminar isso logo.
Guilherme: To comendo ainda. – Ele disse com a boca cheia.
Manuela: Porco.
Guilherme: Aprendi com a melhor.
Manuela: Agradeço, lindo. – Falei ironicamente.
Guilherme: Sou lindo mesmo.
Manuela: Muito, nossa.
Guilherme: Tu gosta, ta bom já.
Manuela: Cala a boca e come logo.
Guilherme: Tu é muito chata.
Manuela: "Tu gosta". – Imitei ele falando e ele tacou um travesseiro em mim.
Guilherme: Escrota. E eu não falo assim.
Manuela: Fala sim. – Eu dei risada e abracei o travesseiro.
Guilherme: Não vou deixar lavarem esse travesseiro jamais.
Manuela: Por que? – Olhei meio estranho pra ele.
Guilherme: Lerda! Esquece. Bora estudar.
Manuela: Odeio que me deixem curiosa. Odeio. Vai ter volta. – Ele riu e eu voltei a ensina-lo. Fiz o máximo que eu pude. Pelo menos daria pra ele ir bem no teste amanhã. – Acabamos por aqui. Agora é contigo, Gui. Tu estuda mais um pouquinho e vai dar pra ir bem. – Levantei-me e comecei a caminhar até a porta. Ele se apressou e parou na minha frente.
Guilherme: Não vai se despedir? – Eu ergui uma sobrancelha e ele sorriu. Me puxou pela cintura e me fez colar o rosto no dele. – Fica aqui comigo. – Ele inclinou a cabeça e começou a dar beijinhos no meu pescoço. Eu coloquei as mãos nos ombros dele e alisei. Guilherme deu um chupão no meu pescoço e foi aproximando o lábio do meu. Eu quase cedi, mas me controlei e me afastei dele.
Manuela: Não, Gui. Não. Não dá. – Eu coloquei a mão no peito dele e afastei-o de mim.
Guilherme: Ta legal. – Ele disse meio triste.
Manuela: Tchau. Boa sorte amanhã.
Guilherme: Valeu.
Eu saí do quarto, mas queria voltar. Jogá-lo na cama e beijá-lo. Sentir a mão dele deslizar por todo o meu corpo. Mas eu não podia. Não podia.
Meu coração estava acelerado. Eu corri pro meu quarto e me tranquei lá, antes que algo me fizesse voltar pro quarto de Guilherme e agarrá-lo. Eu não podia fazer isso. Eu queria e muito, mas não dava. Já era um pouco tarde, jantei e adormeci no sofá, assistindo televisão. Jack passou pela sala de manhã e me viu dormindo. Me acordou e eu me arrumei pra ir pra escola. Helen levou Amanda pra escola dela e nós fomos pra escola a pé. Guilherme puxou papo comigo, mas ele tava ansioso pro teste. Nem tocamos o assunto do beijo. Era melhor assim.
Chegamos na escola e Gabriel veio depressa me cumprimentar.
Gabriel: Bom dia, Manu. – Ele me deu um beijo no rosto e cumprimentou todo o resto. Felipe avistou a Flávia e veio com uma expressão péssima até ela.
Manuela: Bom dia, Gabriel. – Gabriel falou alguma coisa que eu não prestei muita atenção. Felipe puxou Flávia pelo braço e os dois foram meio afastados conversar. Ele falava bravo com ela e ela chorava. Ela tentou falar, mas aparentemente, Felipe não deixou. Eu queria saber o que estava acontecendo, mas Gabriel estalou os dedos e eu olhei pra ele.
Gabriel: Ta no mesmo planeta que eu, Manu!? – Eu assenti com a cabeça.
Manuela: Foi mal. Tava meio distraída. – Guilherme colocou a mão no meu ombro e apontou pra Felipe e Flávia brigando. – Eu vi. Tô preocupada. – Disse pro Guilherme.
Guilherme: Já já a escola toda vai sacar. Vai lá, Manu. – Assenti com a cabeça e fui em direção aos dois. Felipe falava alto e Flávia só chorava. Eu me aproximei e a abracei. – Por que você ta gritando com ela? Para!
Felipe: Manu, não se mete. É papo de casal.
Manuela: Não me meteria se você estivesse conversando com ela. Tu ta falando grosso e outra, ela ta chorando. O que ta acontecendo aqui? – Eu olhei pra Flávia. Ela soluçou, tentou falar algo, mas não saiu.
Felipe: Soube da palhaçada de sábado.
Manuela: Tu ta zuando que tu ta brigando com ela por isso, né!?
Felipe: Não é brincadeira, velho. Agora eu to com fama de chifrudo. Se ela quisesse se pegar com uma menina, tivesse terminado comigo.
Manuela: Para de ser idiota. Foi uma brincadeira. Ninguém ta te chamando de chifrudo. É bobagem da sua cabeça.
Felipe: Tão me chamando de chifrudo assim como tão chamando a Flávia e tu de lésbicas. E tem mais coisas sobre você, do tipo, barraqueira e fácil de pegar.
Manuela: Ótimo saber disso. – Respirei fundo e a minha vontade era de dar um murro na cara dele. Eu sempre achei ele bacana e gente boa. Flávia amava ele e ele fazia bem pra ela. Mas essa foi demais. – Dá pra perceber o quanto a opinião das pessoas importa pra você. Tu não vê que exatamente isso que elas querem? Elas invejam o namoro de vocês. Invejam o amor de você. Merda, Felipe! Larga de ser criança. Ela me beijou porque a outra opção era pagar um boquete pro Henrique.
Felipe: O que? – Ele olhou meio espantado pra Flávia. – Tu não fez isso, né!?
Flávia: Claro que não. Eu amo você, amor. Para com isso, por favor. Por favor. – Ela se soltou de mim e foi na direção dele.
Flávia o abraçou e ele ficou imóvel. Depois de alguns segundos, ele entrelaçou os braços na cintura dela. Pude ouvi-los conversar baixinho.
Felipe: Não faz mais isso. Eu surtei.
Flávia: Desculpa, meu amor. Desculpa.
Felipe: Ta legal. Esquece isso. É melhor assim.
Flávia: Desculpa mesmo, amor. Eu jamais te trairia. Foi só um jogo. – Ela encheu ele de selinhos e ele sorriu.
O sinal tocou e nós fomos pras nossas salas. A primeira aula era de inglês. Otávio ia refazer os testes com algumas pessoas que não foram tão bem.
Otávio: Pra quem vai refazer o teste, chame alguém pra formar uma dupla e direcionem-se para a sala de leitura. Por favor.
Guilherme: Vai comigo, Manu?
Manuela: Claro! – Eu sorri.
Nós fomos pra sala de leitura e Otávio realizou o teste com todo mundo. Um a um. Guilherme foi bem. Quer dizer, melhor do que da outra vez. Ficou com 7,5.
Guilherme: Valeu, Manu. Se não fosse por você, eu ficaria com zero.
Manuela: Imagina, Gui. Mérito seu. Você se esforçou. – Ele sorriu e me abraçou. Ah, como eu queria ficar envolvida naqueles braços o resto da vida. Mas todos começaram a sair e nós fomos em direção a porta.
Otávio me chamou antes que Guilherme e eu saíssemos.
Otávio: Manuela!?
Manuela: Sim!? – Eu virei de frente pra ele. Guilherme ficou atrás de mim.
Otávio: Você poderia ficar um instante?
Manuela: Posso. – Virei de frente com o Guilherme e ele me perguntou baixinho se eu ficaria bem. Assenti com a cabeça e ele saiu da porta. Sentei-me na cadeira de frente a mesa de Otávio. – Eu fiz alguma coisa de errado, professor?
Otávio: Otávio, Manuela. Otávio. Me chame de Otávio.
Manuela: Perdoe-me, Otávio.
Otávio: Você não fez nada de errado, Manuela. – Ele levantou-se da cadeira onde estava sentado, andou calmamente em minha direção e parou na minha frente. Inclinou o corpo e disse: – Muito pelo contrário. – Ele apoiou as mãos nos braços da cadeira onde eu estava sentada e me fez olhar pra ele. Eu queria sair correndo e pedir ajuda. Mas decidi ficar, queria saber as reais intenções dele. Queria saber o que ele queria comigo e até onde ele chegaria. – Você é certinha demais. Me provoca demais. – Ele tirou os óculos e colocou em cima da mesa dele.
Manuela: O que você quer dizer com isso?
Otávio: Você sabe bem, Manuzinha. – Ele colocou a mão no meu queixo e levantou o mesmo. Me fez encara-lo. Pensei que ele ia me agarrar, mas ele só ficou me olhando. Minha respiração estava ofegante. – Tu me deixa louco. Me desconcentra. – Ele aproximou o rosto dele do meu e quase, quase, me beijou. Eu virei o rosto e engoli a seco.
Manuela: Para! Você é meu professor e pode perder o emprego se continuar com isso. Eu sou sua aluna e não quero que você faça isso.
Otávio: Qual é o teu problema?
Manuela: Você que quer fazer sexo forçado com uma aluna e eu que tenho problemas? Me deixa sair daqui, sério. Eu vou gritar.
Otávio: Calma, Manu. – Ele tirou as mãos da cadeira e colocou-as pra cima. Como se tivesse se entregando. Eu fiquei mais aliviada ao vê-lo assim. – Pensei que tu também tivesse afim. Afinal, você me deu mole. Eu só pensei que...
Manuela: Calma aí. – Eu interrompi-o – Eu te dei mole? Eu só fui gentil e educada. Isso é diferente de dar mole.
Otávio: Perdoe-me, Manuela. Eu realmente pensei que você também queria. Não ia te forçar a nada. Não faria isso. Eu me enganei. Desculpa, de verdade. 
Manuela: Ta legal. Vou sair daqui. 
Otávio: Seria demais se eu pedisse pra você não comentar isso com ninguém?
Manuela: Ta. Mas nem pense em repetir isso e você vai dizer ao Guilherme que reviu o teste e viu que ele merecia um 9. – Ele ia falar algo, mas assentiu com a cabeça e eu sai da sala. Meu coração estava acelerado e eu ainda estava um pouco assustada. Pensei que ele ia tentar algo comigo. Professorzinho idiota.
Eu me acalmei e voltei pra aula. Queria esquecer aquilo. Meu Deus, como esquecer aquilo? Precisava falar pra alguém. Chamei a Flávia no meio da aula de biologia.
Manuela: Amiga.
Flávia: Fala.
Manuela: O Otávio deu em cima de mim.
Flávia: Novidade.
Manuela: Não, sério. Ele quase me agarrou.
Flávia: E você não pegou aquele gato? Tu ia virar a deusa da escola se fizesse isso.
Manuela: Como se eu me importasse, né!? Mas, cara, me deu medo. Pensei que ele ia me forçar a transar com ele.
Flávia: Deixaria aquele gato fazer qualquer coisa comigo.
Manuela: Para, amiga. To falando sério.
Flávia: Desculpa. Depois a gente fala sobre isso. Presta atenção aí nos fungos. – Ela deu risada e eu voltei a prestar atenção na aula.
O sinal do intervalo bateu e nós fomos pro pátio. A falação era enorme. Todo mundo contando o que tinha rolado no sábado. O que rolou no verdade e desafio já estava espalho aos quatro ventos. Uns idiotas do segundo ano passaram por mim e gritavam: "Lésbica", "Beia a Flávia aí, sapatona", "Tu precisa de piroca pra virar mulher". Que bando de preconceituosos! Queria mandar pro inferno. Mas fiz melhor, ignorei.
Uns mais "engraçadinhos" passavam pela Flávia e eu e diziam: "As duas juntas na minha cama seria uma delicia", "comia as duas", "desperdício serem lésbicas". Comi meu lanche sem dar um pingo de atenção pras falações. Vi Isabela do outro lado do pátio, com um curativo no rosto. Chamei Henrique e perguntei o motivo. Ele disse que meus arranhões obrigaram-na a usar o curativo. Eu dei uma risada bem alta. Ela merecia muito mais.
Tinham pessoas me chamando de "biscate", "mina fácil" e de "barraqueira". Eu queria falar pra cada um daqueles idiotas que eles não eram ninguém e não eram perfeitos pra me criticarem. Mas não fiz nada. E foi melhor assim. Flávia me assegurou que na quarta, ninguém ligaria mais pra isso, porque teriam outros assuntos pra eles fofocarem.
Nós voltamos pra sala e Guilherme veio todo alegre conversar comigo.
Guilherme: Po, Manu, acredita que o Otávio reviu a minha prova e me deu 9? Ele é muito foda.
Manuela: Muito. – Falei ironicamente e Guilherme fez uma cara de "hã", aí eu sorri e disfarcei. – Parabéns, Gui.
Guilherme: Valeu, Manu. – Ele sorriu e deu um beijo no meu rosto.
A aula passou meio devagar e depois nós fomos pra casa. Meu plano de me tornar a Puta Profissional estava meio de lado com todos os acontecimentos anteriores. Mas eu daria mais importância pra isso.
Eu já tinha mais clientes que as meninas. Isso era ótimo. Fazia o máximo de programa que eu conseguia por dia. As meninas começaram a não gostar disso. Bruna e Lua principalmente. Elas viviam reclamando da minha quantia de clientes pra Helen. Dizia que era injusto e que Helen deveria passar os clientes pra elas. Helen respondia sempre que os clientes escolhiam a garota que quisessem e elas ficavam mais irritadas.
Eu entrei pra todos os grupos de dança possíveis da escola pra me ajudar nas performances na boate. Tudo que me ajudasse, seria bem vindo.
Hoje na boate, eu fiz o show de abertura. Caprichei. Fiz pole dance e os homens juntaram-se na frente do palco pra me olhar. Foi melhor do que eu esperava. Eu vestia um corpete e uma meia arrastão. Um batom vermelhíssimo e um salto perfeito. Os homens encostavam em mim conforme eu dançava perto deles. Colocavam dinheiro na meia.
Eu fui lentamente tirando o corpete e eles babavam. Me chamavam de gostosa o tempo todo. Tirei a meia e joguei pra eles. Dois homens se estapearam pra ficar com a meia. O corpete eu só ameacei, mas não tirei. 
Saí do palco e fui pro camarim. Helen me chamou pra um programa e chamou a Flávia também.
Helen: Manuela e Flávia, mesa 17.
Manuela: Nós duas?
Helen: Sem perguntas. Andem logo. E tu tem 20 programas pra hoje, Manuela. Não enrola com esse.
Manuela: 20? – Perguntei meio assustada.
Helen: Que foi? Quer que eu passe pras outras?
Manuela: Nã-não. – Eu me apressei. – Não precisa.
Helen: Vamos! – Ela gritou e Flávia e eu saímos do camarim. 
Fomos até a mesa 17 e tinha um cara loiro, com barba. Aparentava ter uns 30 anos.
Flávia: Que gato! – Flávia sussurrou e eu assenti coma cabeça. Dei um sorriso pra ela. Ela riu e nós nos aproximamos dele. Apoiamos os braços na mesa e ficamos inclinadas, ou melhor falando, de "quatro".
Flávia: Podemos ajuda-lo? – Ele virou-se. Estava com um copo de whisky na mão e soltou assim que nos viu.
Manuela: Boa noite! – Eu disse e sorri maliciosamente pra ele. Mordi o meu lábio inferior.
Bernardo: Boa noite, senhoritas!
Flávia: Nos chamou aqui pra escolher uma de nós?
Bernardo: Que? – Ele olhou bem pros nossos seios e pras nossas coxas. Deu um riso ao ouvir a Flávia e falou com a voz rouca. – Sua cafetina não avisou que eu vou querer um programa com as duas? – Ele nos olhou com um sorriso safado no rosto.
 meio assustada. Eu nunca tinha feito um programa com outra garota. E pela expressão dela, ela também não. Mas eu não me "assustei". Ser profissional é isso. É aceitar tudo o que a vida propõe.
Flávia: O que? Não. Eu não... – Ela ficou assustada e não sabia o que dizer.
Bernardo: Eu paguei bem e a chefe ali disse que não teriam problemas.
Manuela: E não terão. – Puxei a Flávia pelo braço e disse em tom baixo, pra que só ela conseguisse me ouvir: – A Helen vai ter matar se tu recusar. Não faz escândalo. Ela assentiu com a cabeça. – Vamos pro quarto? – Direcionei a pergunta pro homem.
Bernardo: Mal posso esperar por isso. – Ele sorriu. 
Levantou-se e colocou os braços em volta da minha cintura.
Eu fiquei de um lado e Flávia do outro. Segurei o pau dele e comecei a dar linguadas. Flávia segurou o pau dele e começou a masturba-lo. Ele colocou as mãos nos nossos cabelos e puxava com um pouquinho de força. Nada que causasse uma dor enorme. Flávia passou a língua por todo o pau dele e ele gemeu. Nós rimos baixinho e começamos a lamber ao mesmo tempo. Ela enviou todo o pau dele na boca e eu chupei as bolas. Depois nós voltamos a passar a língua por toda a extensão do pau dele.
Bernardo: Se beijem, vadias. Se beijem. – Ele estava muito excitado. Flávia olhou pra mim meio constrangida e eu ri. Segurei a nuca dela e a beijei. Brinquei com a língua dela e nós parávamos o beijo pra passar a língua no pau dele, depois voltávamos a nos beijar. O cara levou a mão pra minha bunda e ia apertando cada vez que eu a Flávia chupávamos o pau dele. Ele tirou o meu corpete e ficou massageando meus seios. Eu gemia.
Flávia chupou o pau dele da cabeça, até o talo. Eu levantei e fiquei de frente pra ele. Ele me segurou e começou a passar a língua na minha buceta. Eu senti minhas pernas ficarem bambas. Mas ele estava me segurando com força. Ele enfiou dois dedos na minha buceta e eu apertei um de meus seios com força. Ele me jogou na cama e Flávia parou de chupá-lo. Ele segurou o pau dele e foi metendo devagarzinho na minha buceta. Começou a fazer um vai e vem rápido e delicioso (confesso). Bernardo: Faz alguma coisa, garota. – Ele falou meio bravo com a Flávia. Flávia me olhou com a cara de "Socorro, amiga. O que eu faço?" Eu sorri e a puxei. – Chupa os peitos dela. Vamos, anda. Ela ficou meio envergonhada, mas inclinou o corpo e colocou as mãos em um dos meus seios. Eu olhei pra ela e incentivei-a.
Ela colocou a língua no meu seio e começou a chupá-lo. O cara pegou a mão livre dela e colocou na minha buceta. Começou a estimular o meu clitóris e eu gemi alto. Flávia continuou sozinha a me masturbar. Aquilo era bom. Ela me tocava rápido e com força, o que tornava ainda melhor.
Eu segurei na nuca dela e puxei-a, fazendo com que ela me olhasse. Eu mordi meu lábio inferior e ela riu, depois me beijou. O cara aumentou a velocidade do vai e vem e fui pra nuvens.
Ele fodia extremamente bem. Colocou as mãos na minha cintura e fez com que o pau dele entrasse mais fundo.
Bernardo: Fica de quatro. – Ele disse pra mim. Eu ainda estava beijando a Flávia, mas parei assim que ouvi. Eu virei-me de quatro e ele apertou a minha bunda. Depois bateu com força – Vagabunda gostosa.
Ele mirou o pau pro meu cu e começou a meter. Eu mordi meu lábio inferior com força, porque deu aquela dorzinha. Flávia ajoelhou-se e beijou o cara. Ele tirou a calcinha dela e falou:
Bernardo: Vai lá na frente da sua amiguinha pra ela te chupar. Vai. – Ela assentiu e veio na minha frente.
Eu segurei as pernas dela e puxei-a pra mais perto do meu rosto. Chupei o meu dedo passei na buceta dela e ela gemeu. Eu sorri e comecei a lamber toda a buceta dela. O cara metia no meu cu enquanto eu chupava a Flávia.
A Flávia gemia e eu enfiei um dedo na buceta dela. Continuei a chupa-la. O cara tirou o pau do meu cu e começou a se masturbar. Sentou-se na cama e falou:
Bernardo: Quero ver as duas se chupando.
Nós nos ajeitamos na cama e Flávia ficou em cima de mim. Eu abri a perna e ela fez o mesmo. Voltei a passar a língua na buceta dela e eu soltei um gemido quando senti a lingua quente dela na minha buceta. Eu esfreguei com força os dedos no clitóris dela e ela gemia bem alto. Flávia enfiou a língua na minha buceta. Aquilo estava bom. Eu nunca pensei que ia gostar de transar com uma garota. O cara veio atrás de Flávia e meteu na buceta dela. Eu continuei chupando-a e passava a língua no pau dele quando ele tirava o pau pra estocar com força na Flávia. Ela logo gozou. O cara estava louco de tesão. Me fez ficar parar em sua frente e mamou um dos meus peitos, enquanto apertava o outro.
Ele tirou o pau da buceta de Flávia e nos deitou na cama. Ajoelhou-se perto dos nossos rostos e se masturbou com força. Finalmente ele gozou. Eu ainda não tinha gozado. O cara me chupou divinamente e fez Flávia me chupar junto com ele. Aquilo foi extraordinariamente bom. Eu gozei muito e estava com a respiração muito ofegante. Ele nos beijou e foi pro chuveiro.
Nós duas estávamos exaustas, mas tinha valido a pena. O cara era bom. Flávia e eu estávamos estiradas na cama. Ela me olhou e riu.
Flávia: Amiga, tu tem certeza que só tinha transado com um cara antes de ser garota de programa? – Ela riu e eu ri em seguida.
Manuela: Boba!
Flávia: Tu é boa pra caralho. Agora entendo a fila pra fazer programa com você!
Manuela: Cachorra. – Eu dei risada e subi em cima dela. Ela ria e me encarou. – Ta olhando o que?
Flávia: Como tu é gata.
Manuela: Ih, apaixonou? – Nós rimos alto.
Flávia: Será que tenho chances? – Ela fez um biquinho e eu dei um selinho nela. Foi impulsivo. Mas ela não achou ruim. – O que foi isso? – Eu ia responder, mas não deu tempo. Ela segurou na minha nuca, fez meu rosto aproximar do dela e me beijou. Me pegou de surpresa, porque eu realmente não esperava. Foi bom e eu não me esquivei. Estávamos no clima e estávamos sendo pagas pra isso. Ela envolveu minha língua na dela e eu chupei a língua dela. O cara saiu do banho e pegou a gente se beijando.
Bernardo: Vocês são cachorras mesmo, né!? Gostosas. Eu ficaria a vida toda fodendo com vocês. – Paramos de nos beijar assim que ele começou a falar. Eu saí do colo da Flávia e comecei a me vestir. Ela fez o mesmo.
Manuela: Paga pra isso que a gente pensa no caso. – Eu pisquei pra ele. Dei um selinho nele e saí do quarto junto com a Flávia.
Flávia: Amiga, você é demais. – Nós rimos e voltamos pro camarim.
Helen estava parada na porta, com uma expressão nada boa.
Helen: 20 clientes, Manuela. Vinte. E tu demora tudo isso com apenas um? Vou descontar de você o meu prejuízo se tu não atender todos eles.
Manuela: A buceta é minha. Não se mete. – As meninas me olharam apavoradas quando me ouviram. Eu não tinha medo da Helen.
Helen: Como é que é, garota? – Eu percebi que tinha falado merda quando ela me respondeu. Droga!
Manuela: Desculpa, Helen! Não foi minha intenção ser grossa. Desculpa mesmo. Saiu sem querer.
Helen: Primeira e última vez que tu me responde, Manuela. Ta tudo bem. E vai pra mesa 5. Rápido dessa vez. – Assenti com a cabeça e fui atender o próximo cliente.
Não enrolei e atendi os 20 clientes da noite. Estava acabada. Voltamos pra casa e tudo que eu queria era tomar um bom banho e me jogar na cama. Foi o que eu fiz e dormi até tarde. Tão tarde que quando acordei, não tinha ninguém em casa. Na estante do quarto tinha um bilhete: "Amiga, te deixei dormir porque tu deve ta morta. Descansa. Beijo, Flá".
Fiquei feliz por não ter ido pra escola hoje. Precisava realmente de uma folga, depois da noite anterior. Me lotei de comida e enfiei a cara nos livros. Fiquei estudando até quando todo mundo voltou do colégio. Flávia veio correndo pro quarto e me assustou quando entrou.
Flávia: Amiga! – Ela falava saltitante. Eu ria.
Manuela: O que foi, Flá?
Flávia: Boatos de que o Felipe vai me dar uma aliança.
Manuela: Jura, amiga? – Eu levantei-me da cama e abracei. – Parabéns! Vocês são muito fofos. Se eu não for madrinha, te espanco.
Flávia: Quem mais seria? Que tal a Amanda? – Nós rimos.
Descemos e almoçamos. No almoço, Bruna começou um assunto que não me agradou nem um pouco.
Bruna: Ai, gente, sabiam que tem um boato de que o professor de inglês de vocês, anda assediando umas alunas lá da escola? – Flávia olhou pra mim, meio séria. Eu bebi um gole do meu suco e fingi que nada estava acontecendo. – Umas três meninas foram reclamar que ele fica olhando, dando indiretinha e uma até falou que ele passou a mão nela.
Jack: Nossa, mas ele é tão gato, que eu deixaria ele passar o que quisesse em mim.
Lua: Safada. – Elas riram. Não achei graça, nem a Flávia. Demos um sorriso pra não ficar na cara que não gostamos do assunto.
Almocei e subi pro meu quarto. Peguei o meu celular e tinha uma mensagem de um número desconhecido: "Senti tua falta hoje. Topa vir na minha chácara com geral hoje? Chame as meninas também". Flávia entrou no quarto e eu a chamei.
Flávia: Ta louca? Eu que dei essa ideia.
Ela riu. Bora tomar um bronze. Tô muito pálida.
Manuela: Amiga, deixa eu te perguntar uma coisa... O pessoal na escola sabe que a gente mora juntas?
Flávia: Sabem.
Manuela: E qual a desculpa que vocês usam?
Flávia: Que a mãe do Guilherme é uma mulher incrível que nos recebeu e nos ajuda, porque nós temos problemas com os nossos pais e tivemos que sair de casa.
Manuela: Ela fica como boa moça na história ainda? – Falei meio revoltada.
Flávia: Pois é!
Resolvi esquecer aquilo, pra não ficar com mais raiva ainda de Helen. Coloquei um biquíni lindo e minusculo. Ia mostrar pra aquelas idiotinhas apaixonadas por Guilherme e Gabriel, quem é que mandava.
Passei protetor solar e bronzeador. Ajudei a Flávia a passar protetor nas costas dela.
Nós esperamos todas ficarem prontas e o Guilherme conseguiu demorar mais do que nós 6 juntas. A Amanda não era da turma, mas a Flávia ficou com "pena" de não levá-la. Todo mundo já conhecia. Pelo menos, todo mundo da nossa série. Apertamo-nos em um taxi e fomos pra chácara do Gabriel.
Estava com um shorts pequeno e um top cropped que dava uma valorizada nos meus seios e deixava a minha barriga amostra. Mal entramos na chácara e todo mundo olhou pra gente. Estávamos lindas. Guilherme foi conversar com os amigos dele e Gabriel veio na minha direção.
Gabriel: Tu é de verdade mesmo? – Nós rimos e ele deu um beijo no meu rosto. Ele estava sem camiseta e com a bermuda.
Manuela: Haha, que bobo! – Eu sorri, parecia estar envergonhada, mas tinha gostado do elogio do Biel. – Não entrou na piscina ainda?
Gabriel: Fui buscar as bebidas. Aí nem deu tempo.
Manuela: Entendi. Vou me trocar então. Aí tu entra comigo.
Gabriel: Fecho, gatinha. – Ele sorriu e eu passei pro ele. Puxei a Flávia pelo braço e nós fomos pro banheiro feminino.
Manuela: Amiga do céu, o Gabriel é muito gato, né!?
Flávia: Tu não me engana. Nem tenta.
Manuela: Tu podia fingir que sim, né!?
Flávia: Tu não consegue mentir nem pra si própria. – Nós rimos e eu resolvi não insistir no assunto. Tirei a minha roupa e coloquei na bolsa. Flávia fez o mesmo. Nós guardamos as bolsas no armário do banheiro. Abrimos a porta e saímos devagar.
Fomos caminhando devagar em direção a piscina e quando chegamos, todos os meninos tinham voltado os olhares pra nós. Todos.
Isabela e Regina estavam conversando com dois garotos que foram os primeiros a nos olharem. Elas cruzam os braços e fizeram uma cara emburrada.
Guilherme me olhou dos pés a cabeça. Ficou com a boca entre aberta. Ele percebeu que eu estava olhando pra ele e pronunciou: – "Já peguei". Eu fiz uma cara meio séria pra ele e depois eu ri. Gabriel apareceu do meu lado. 
Gabriel: Manuela, assim tu me mata. – Eu dei risada e entrelacei as mãos na nuca dele.
Manuela: Ah, é!? Bom saber. – Eu fingi que ia beijá-lo e o joguei na piscina. Ele mergulhou e depois foi pra superfície.
Gabriel: Isso não vale. – Ele veio pra beira da piscina e ficou me olhando. – Se bem que, a visão daqui é mais privilegiada.
Manuela: Idiota. – Eu dei risada.
Flávia e eu pegamos duas caipirinhas e sentamos em duas cadeiras pra tomarmos sol. O dia tava lindo.
Fiquei uma hora sentada ali, em paz. Foi bom pra relaxar. Eu peguei mais bebida e depois, entrei na piscina. Gabriel entrou também e veio em minha direção.
Gabriel: Ta sozinha aí por que?
Manuela: Não estou mais. – Eu sorri.
Gabriel: Boa! – Ele sorriu e foi se aproximando de mim. – Será que eu posso te beijar publicamente? – Ele dei um riso.
Manuela: Será? – Eu ergui uma sobrancelha e dei risada. – Isso foi um "fica comigo?". Porque não foi criativo. – Eu dei risada e me aproximei dele. Ele segurou na minha cintura e me puxou pra perto dele. Eu olhei pros olhos dele e ele sorriu.
Gabriel: Linda.
Eu fiquei sem jeito, mas tinha gostado do elogio. Gabriel aproximou-se mais de mim e encostou os lábios nos meus, mas ao começar a me beijar, alguém pulou na piscina e nos "atrapalhou". Virei o rosto pra ver quem era o engraçadinho. Ou melhor, era a engraçadinha. Isabela. Menina insuportável. Que coisa infantil.
Manuela: Lindinha, se não quisesse que ele me beijasse, era só ter dado um gritinho. Não fazer essa cena. Desnecessário.
Isabela: Hã? Ta falando do que? Nem vi vocês aí. – Ele foi extremamente cínica.
Manuela: Você realmente acha que engana alguém?
Gabriel: Ei, ei... Deixa dela. – Ele segurou o meu rosto e alisou o mesmo com o polegar. Eu sorri e ao olhar pro lado, eu vi Guilherme, meio cabisbaixo conversando com a Flávia e o Felipe. Aquilo me cortou o coração e Gabriel tentou novamente me beijar, mas eu travei. Não consegui. Não com o Guilherme encarando.
Gabriel entendeu e nós nos afastamos um pouco. Óbvio que eu não falei que não queria beija-lo por causa do Guilherme.
Eu sai da piscina e fui pegar bebida pra mim e pro Gabriel. Na volta, eu estava andando tranquilamente quando ouvi um barulho estranho. Dei um passo a frente e tropecei. Cai de boca no chão e derrubei as bebidas. Senti, imediatamente, uma dor enorme no meu pé. Várias pessoas vieram do meu lado pra ajudar. Isabela me olhava satisfeita e com um sorriso estranho no rosto.
Meu pé doía muito e eu fui me sentando aos poucos.
Flávia: Tu ta bem, amiga?
Manuela: Tô. Só o meu pé que ta doendo pra caralho.
Gabriel: Deixa eu ver. – Ele colocou a mão na minha perna e virou um pouquinho o meu pé pra poder olhar. Estava horrivelmente inchado. Uma bola. – Cara, isso ta muito feio. Acho que tu quebrou. Vou apertar aqui pra ver se dói. Porque se foi torção, tu não vai sentir tanto.
Manuela: Ta legal. – Eu tapei os olhos e ele apertou. Parecia que tinham derrubado uns 10 tijolos no meu pé. A dor era enorme. Eu dei um grito e ele tirou as mãos. – Para, para. Não faz mais isso. Ta doendo muito. – Eu olhei com cara de dor pra ele.
Gabriel: Tu tem que ir pro hospital agora, Manu. Antes que isso piore.
Flávia: Amiga, aqui é longe demais. A Helen só vem mais tarde. E agora?
Guilherme: Eu levo ela. – Ele surgiu no meio das pessoas que estavam em volta de mim. Segurou entre os meus joelhos e nas minhas costas. Me pegou no colo.
Flávia: E como pretende fazer isso? No seu caro? – Ela foi irônica.
Guilherme: Enquanto vocês viam se tinha acontecido algo, eu chamei um táxi. Deve estar chegando. Eu levo ela.
Gabriel: Pera aí... – Ele me olhou com um olhar meio triste e meio bravo ao mesmo tempo. – Po, eu podia ligar pra minha mãe e ela viria.
Guilherme: Já cuidei disso. Relaxa e curte aí. Afinal, a chácara é tua. Tu tem que tomar conta. Falou... – Ele nem deixou o Gabriel responder. Flávia entregou minhas coisas pra ele e saiu andando comigo em seu colo da chácara.
Manuela: Obrigada, Guilherme.
Guilherme: Não precisa me agradecer. Como viu, qualquer um faria isso também.
Manuela: Mas você quem fez.
O táxi chegou e ele me colocou no banco traseiro com cuidado.
Guilherme: Põe tua blusa. – Ele me olhou meio sério e fez um gesto com a cabeça, me fazendo olhar pro taxista, que me encarava e me secava. Eu peguei minha camiseta na bolsa e coloquei. Tentei por o shorts, mas era impossível com aquela dor no meu pé.
Rapidamente nós chegamos e Guilherme me tirou do taxi depois de pagar o mesmo. Me levou pra dentro do hospital. Logo ele fez minha ficha e um médico me atendeu.
Merda! Eu tinha quebrado o pé e foi feio. Meu pé estava super inchado ainda. O médico passou uma pomada pra desinchar e tirou raio-x pra ter certeza que tinha quebrado mesmo. Depois ele colocou gesso no meu pé. Odiei por aquele negócio. Ia estragar todos os meus planos. Merda mil vezes!
Guilherme não saiu do meu lado nem um minuto e me levou pra casa quando o médico me liberou. Me ajudou subir até o meu quarto e me deitou na minha cama. Foi um fofo.
Manuela: Obrigada mesmo, Gui.
Guilherme: Não precisa agradecer, estranha.
Manuela: Tua namorada deve ter ficado bolada por tu ter ido embora da chácara.
Guilherme: Que namorada?
Manuela: Tu sabe... Não se faz de desentendido. – Ele estava de pé e sentou-se do meu lado da cama, me fazendo me afastar um pouquinho pra ele caber.
Guilherme: A Bruna? Po, que nóia é essa? Ela não é minha namo...
Manuela: Ok. Ok.
Eu cortei-o. Impedindo dele de terminar de falar. – Tu não me deve satisfação. Namora quem quiser. Eu não tenho nada com isso.
Guilherme: Mas eu...
Manuela: Esquece isso! – O interrompi de novo.
Guilherme: Suave. – Ele ficou quieto e me encarou. Minha nossa, por que ele tinha que ser tão bonito? Ter um maxilar tão marcado? Tem lábios tão macios? Por que? – Ta olhando o que?
Manuela: Na-Nada, por que?
Guilherme: Sei não. Me olhou estranho.
Manuela: Besteira.
Guilherme: Ta com fome? Eu pego algo pra tu, se quiser.
Manuela: Vai me mimar assim e quando eu tirar esse gesso, tu ta fudido.
Guilherme: Posso aguentar. – Ele sorriu e eu fiquei admirando-o. Droga! Por que eu tinha que gostar do que era mais difícil de ser gostado? Do que podia me prejudicar?
Manuela: Quero qualquer coisa doce que tiver em casa.
Guilherme: Vou te trazer açúcar.
Manuela: Haha, engraçadão.
Guilherme: Valeu. – Ele riu e inclinou o corpo. Ele estava perto demais. Droga! Eu nem conseguia mais disfarçar o quanto ele mexia comigo. Minha respiração ficou meio abalada por ele estar perto demais. E pra piorar, ele colocou as mãos no meu rosto. Ficou me olhando e começou a sorrir. Eu respirei fundo e ele aproximou o rosto do meu. Eu mordi o meu lábio inferior de leve e ele encostou a testa na minha. Ficou me olhando daquele jeito. Eu sentia a respiração dele e a mão quente no meu rosto. Guilherme alisava o meu rosto e começou a me beijar. "Que insanidade, Manuela. Você prometeu que não se meteria com ele. Você prometeu. Sua fraca". Fala pra mim mesma, mas já era tarde. Nós já estávamos nos beijando. Eu coloquei as mãos na nuca dele e alisava devagar.
Eu não queria sair mais dali. Meu coração estava acelerado. Nós nos beijamos por um longo período de tempo. Fomos aos poucos parando o beijo e ele me olhou. Abriu novamente aquele sorriso. Ah, o sorriso.
Manuela: Tu não devia ter feito isso. 
Guilherme: Tu não pareceu não ter gostado.
Manuela: Vai buscar doce pra mim, vai.
Guilherme: Folgada.
Manuela: Tu que ofereceu, oras. – Ele riu e saiu do quarto. Fiquei ali sentada. Pensando no que tinha acontecido. Eu devia ter impedido. Devia mesmo. Droga. Ele logo voltou com um pedaço de torta e me entregou.
Comecei a comer ele sentou na cama da Flávia. Ficou me olhando. – O que tu ta olhando?
Guilherme: Nada.
Manuela: Aham. Claro.
Guilherme: Maluca.
Manuela: Ó pra tu... – Eu abri a boca cheia de torta mastiga e mostrei pra ele. Ele fez uma cara de nojo e me xingou. Nós rimos e eu voltei a comer.
Guilherme: Tu é muito nojenta.
Manuela: Tu não se importa de roubar beijos dessa nojenta.
Guilherme: Um caso a parte. Ei, estranha, eu vou pro meu quarto antes que a minha mãe chegue com as meninas e me pegue aqui. Bom apetite pra tu.
Manuela: Agradeço. – Ele saiu do quarto.
As meninas chegaram e Flávia veio correndo ver como eu estava. Ia ficar com o gesso por uma semana. Ou talvez, duas. Ia depender do estado do meu pé. Ia ser um saco ficar com esse negócio no pé por tanto tempo.
No outro dia, as meninas foram fazer umas compras e eu fiquei em casa. Brava, mas fiquei. Helen não me deixou ir. Disse para eu "repousar". Mulherzinha escrota. Guilherme também ficou e me fez companhia pra assistir filme.
Guilherme: Sério mesmo que tu vai me fazer assistir comédia romântica?
Manuela: Eu amo esse filme. Chama "amizade colorida". É demais.
Guilherme: Tu já viu o filme e quer ver de novo? Sério?
Manuela: Cala essa boca e assiste. – Eu dei play no filme e nós começamos a assistir. Guilherme trouxe pipoca e nós comemos durante o filme todo. Ao término do filme, Guilherme foi logo se manifestando.
Guilherme: Viu só? Da merda se relacionar assim, "sem compromisso". Um sempre acaba apaixonado pelo outro. Não adianta.
Manuela: Mas aconteceu, eles queriam só transar. Vai dizer que tu não tem ou teve uma amizade colorida com alguém?
Guilherme: Já, mas não acabamos juntos no final.
Manuela: Nem com a menina da sorveteria? – Não me contive. Tive que falar disso. Eu ainda ia descobrir quem era aquela.
Guilherme: Do que tu ta falando?
Manuela: Esquece.
Guilherme: Beleza, né...
Manuela: Queria tomar banho, mas sem a Flávia aqui vai ser difícil. Droga.
Guilherme: Quer ajuda?
Manuela: Tu vai ter que tirar a minha roupa debaixo. Acho que não vai ser muito sexy.
Guilherme: Po... – Ele riu. – Eu ajudo. Sem malicia nem nada. Juro.
Manuela: Só vou aceitar porque não consigo mesmo me virar sozinha com essa merda.
Guilherme: Bora lá, nervosinha. – Eu ia me levantando e apoiando nele pra conseguir andar, mas ele me pegou no colo e me levou até o quarto.
Manuela: Eu podia andar. Devagar, mas podia.
Guilherme: Estaríamos no terceiro degrau se dependesse de você.
Manuela: Gentil. – Ele me "desceu" no banheiro. Nós ríamos. Eu abri o zíper do meu shorts e comecei a descer o mesmo, ele ficou me olhando. Eu estralei os dedos e ele olhou pro meu rosto.
Guilherme: Que foi?
Manuela: É pra me ajudar, não me secar.
Guilherme: Posso fazer as duas coisas.
Manuela: HAHA. Vai, me ajuda. Tira o shorts do pé machucado. Não consigo. – Ele assentiu com a cabeça e me ajudou. Ele colocou um saco muito estranho em volta do gesso pra não estragar na água. – Agora xô que eu vou ficar nua aqui.
Guilherme: Por que eu não posso ficar? – Ele fez um bico e eu dei risada. – Tô zuando. Tô indo pra lá já. Quando acabar, é só gritar.
Manuela: Beleza, Gui. Obrigada.
Eu tomei banho e coloquei a parte de cima. Com certa dificuldade, consegui por a calcinha. Aí eu chamei o Guilherme e ele me ajudou com o shorts.
Guilherme: Precisa de mais alguma coisa?
Manuela: Eu queria pedir uma favor meio chato. Será que você poderia me ajudar?
Guilherme: Só mandar o papo.
Manuela: Queria ver como a minha mãe está. Ir até minha antiga casa. Mas pra olhar de longe. Vai comigo?
Guilherme: Claro. Ta pronta ja?
Manuela: Tô.
Guilherme: Bora então. – Ele novamente me pegou no colo e me levou lá pra baixo. Dali em diante, eu fui andando apoiada nele. Devagar, mas fui.
Nós fomos até o ponto de ônibus e ficamos esperando um tempo até o ônibus chegar. Demoramos uma hora e meia pra chegar até minha antiga casa. Caminhei em direção a mesma e parei do outro lado da rua. 
A casa estava quieta e não havia movimentação. Pude ver meu pai chegando bêbado da esquina. Aquilo fez meu coração disparar. Ele entrou em casa com certa dificuldade. Minha mãe apareceu na janela da cozinha. Ah, minha mãe. Como ela estava linda. Quer dizer, dava pra ver, mesmo de longe, um roxo na cara dela. Guilherme estava escondido atrás da árvore comigo.
Meu pai foi até a cozinha e viu minha mãe cozinhando. Ouvi gritos, mas não deu pra entender nada do que eles falavam. Ele pegou ela pelos cabelos e a jogou no chão. Meu coração quase saltou da boca. Eu desandei a chorar e Guilherme me virou de frente pra ele. Me abraçou e tapou o meu rosto para que eu não visse mais aquela cena.
Guilherme: Ei, ei. Vamos sair daqui. – Eu não conseguia falar. Não saia nada. Eu só conseguia chorar. Guilherme alisava o meu cabelo e beijou a minha cabeça. – Não fica assim. Por favor. Não quero te ver assim. Vamos embora. Faz mal pra tu ficar aqui.
Manuela: Nã-Não dá. Eu preciso que esse monstro saía da minha casa pra eu conversar com a minha mãe. Po-por favor.
Guilherme: Ta legal. Mas vamos sair de frente da janela. Seu pai vai te ver aqui ainda.
Manuela: Ta. – Eu disse entre soluços e lágrimas. Nós sentamos atrás de um carro. Ficamos esperando meu pai sair. Ele demorou horas, mas finalmente saiu.
Meu pai tinha deixado o portão de casa aberto. Eu caminhei até a casa. Guilherme veio logo atrás de mim. A casa estava aberta e eu entrei na sala. Minha mãe estava aos prantos na cozinha. Podia ouvi-la da sala. Corri até lá e ela estava deitada no chão, chorando.
Manuela: Mãe! – Eu gritei e ela me olhou assustada.
Carla: Meu Deus, é você! Eu não acredito. – Eu me aproximei dela e com cuidado, ajudei-a a levantar. Eu não tinha forças o suficiente e o gesso no meu pé não me ajudava muito, Guilherme aproximou-se e ajudou. Ela se levantou e estava toda machucada, mas pareceu não ligar pros ferimentos. Me abraçou forte e chorava muito. – Como você, meu amor? Por onde você se meteu? Por que saiu de casa e me deixou? – Ela segurou o meu rosto com as duas mãos e encheu a minha bochecha de beijos. Olhou pro meu pé com o gesso e estranhou. – O que fez no pé? Meu Deus, você está linda.
Manuela: Calma, mãe. Calma. Uma pergunta de cada vez. – Ela sorriu. – Vamos nos sentar? A senhora não está nas melhores condições, nem eu. – Ela assentiu com a cabeça e nós nos sentamos no sofá. Guilherme sentou-se do meu lado.
Carla: Onde você está vivendo, meu amor? E esse rapaz bonito? Seu namorado?– Ele sorriu pro Guilherme. Ele sorriu em resposta
Manuela: Fica tranquila, mãe. A mãe do Guilherme me abrigou na casa dela. Ele não é meu namorado. É um bom amigo só.
Carla: Não parece. Não do jeito que ele olha pra você.
Manuela: Mãe! – Falei olhando meio feio pra ela. – A senhora ainda não mandou aquele monstro pra prisão que é o devido lugar dele?
Carla: Eu não posso fazer isso, minha filha. Não posso. Não consigo.
Manuela: Sabe muito bem o que eu penso disso.
Carla: Esquece isso. E me da um abraço. – Ela me abraçou forte e eu correspondi. Que saudades que eu estava da minha mãe. Nada foi melhor do que estar ali.
Manuela: Acho melhor eu ir agora. Antes que aquele monstro apareça e me veja aqui.
Carla: É, ele não vai gostar muito. Não depois que você fugiu.
Manuela: Ta bom, mãe. Se cuida.
Carla: Me dê noticias. Não me deixa sem saber como você está. – Nós nos levantamos e ela me abraçou de novo. Depois abraçou o Guilherme e falou pra ele: – Cuide dela, hein!? Confio em você. – Ela sorriu e ele assentiu com a cabela.
Guilherme: Vou fazer isso, pode deixar.
Manuela: Tchau, mãe.
Saímos da casa e pegamos um ônibus. Já era noite. Eu fui chorando todo o caminho de volta. Guilherme me puxou e me fez deitar a cabeça no peito dele. Ficou fazendo carinho em mim e me consolando. Não disse nada, mas ele sabia que não precisava. Era só estar ali. Era o suficiente.
Chegamos em casa e eu não estava nada bem. Guilherme me ajudou a subir as escadas. Helen estava no ultimo degrau e gritou.
Helen: Dá próxima vez que quiser fazer uma visitinha pra mamãe, não leve meu filho a tira colo.
Guilherme: Você seguiu a gente?
Helen: Não interessa. Meu papo é com a Manuela.
Manuela: De-desculpa, Helen. Eu só pedi um favor pra ele. Ele quis me ajudar.
Helen: Sai da minha frente antes que eu te empurre dessa escada abaixo.
Guilherme olhou assustado pra própria mãe e me ajudou a chegar até o meu quarto. Eu me deitei na cama e sai de lá só no dia seguinte. Chorei durante horas antes de dormir. 
O outro dia foi triste. Vazio. Eu lembrava da minha mãe e chorava. Foi triste. Doía em mim ver ela sofrendo na mãe daquele monstro. Contei tudo pra Flávia e ela tentou me animar, mas não deu muito certo.
Tudo piorou quando eu lembrei do que a Helen me disse. Agora ela tinha certeza de onde minha mãe vivia. E poderia fazer mal pra ela. Aquilo me dava calafrios na espinha.
Na outra semana, eu tirei o gesso do pé. Não sentia mais dor e tinha tudo voltado "ao normal". Eu teria que fazer 10 fisioterapias, pra ter certeza que não teria sequelas. Eu estava menos triste, pelo menos, aparentava estar.
Voltei pra boate e a fila de clientes só aumentavam. A Flávia inventou de fazermos um show de máscaras. Onde os clientes teriam que nos escolher só pelos nossos corpos. Eu gostei da ideia. Ensaiamos e preparamos o show.
Na escola, havia um boato de que a Isabela tinha me feito cair e quebrar o pé. Não me esquentei com isso. Não agora. Depois aquela menina ia ter o dela. Já tinha me irritado demais.
Gabriel estava sendo fofo comigo. O que me confundia ainda mais. Quer dizer, eu sabia exatamente o que sentia, mas me confundia a ideia de ficar com ele e não ter nada que nos impedisse de ser feliz.
Vi outras vezes Guilherme e Bruna conversando pelos cantos da casa e na escola. Como ele conseguia? Ele disse pra Flávia que me queria. Ele disse. Eu ouvi. Por que ficar indo atrás dela agora? Comida de graça? Que ódio que me dava vê-los juntos. E não foi uma vez ou outra, foram várias. Que ódio. Que ódio. Que ódio mil vezes.
Amanda tinha voltado com as provocações dela. Algo que ainda me intrigava. Qual o problema daquela garota? Ela não perdia uma oportunidade pra me provocar. Além de me intrigar, ela me irritava.
O show de máscara tinha chegado. Estava animada, afinal era algo legal e novo na boate. Coloquei o vestido mais curto e que me deixava mais gostosa que eu tinha. E um salto lindo. Estava descendo as escadas e Guilherme apareceu no final da escada.
Guilherme:Nossa, velho, tu só pode ser miragem. – Eu dei risada e parei um degrau antes de chegar ao final da escada, onde ele estava.
Manuela: Sou de carne e osso, pra tua felicidade.
Guilherme: Já é difícil de ficar perto de tu normalmente, vestida assim, é mil vezes pior.
Manuela: Por que fica? – Droga! Por que eu disse isso? Não, Manuela. Não. Mas já era tarde.
Guilherme: Bela pergunta.
Ele ia colocar as mãos na minha cintura, mas recuou quando viu a Bruna descendo as escadas. As outras meninas logo ficaram prontas e a Helen nos levou pra boate.
Começamos o show perto das 10 horas. Durou meia hora e no final os clientes faziam filas pra fazer programa com a gente. Ficamos esperando a Helen nos chamar no camarim. Estava de frente pro espelho, penteava os cabelos distraidamente.
Helen: Manuela, quarto 10. Tô mandando todas direto pro quarto, sem cerimônia. Andem logo. – Eu não a respondi, porque realmente estava distraída, Helen berrou: – Vamo logo, projeto de vadia!
Manuela: Ei, não sou surda.
Helen: Não foi o que pareceu. Anda logo, queridinha.
Manuela: Tô indo. – Passei por ela e a encarei. Mandei um beijinho e pisquei pra ela. Não podia perder a oportunidade de zua-la. Entrei no quarto com pressa e nem olhei direito pro meu "cliente". Ele estava de costas, com as mãos nos bolsos. Era um homem alto, vestindo uma roupa mais formal. Fechei a porta, encostei-me na mesma e cruzei as pernas, no intuito de valoriza-las.– Psiu. – Disse "assoviadamente" e suavemente.
O homem virou, pra minha enorme surpresa e, confesso, decepção, era ninguém mais e ninguém menos do que o Otávio. Otávio, sim. O meu professor. Aquele que tinha quase me obrigado a transar com ele. Fiquei parada ali, encostada na porta. Meu coração estava acelerado. Meu sangue parecia estar fervendo. Minha cabeça latejava. Eu pensei em correr, fugir. Afinal, ele não saberia quem eu era. Eu estava de máscara.
Otávio: Olá, minha jovem. – Ele estava me encarando
Manuela: Olá! – Disse seca e friamente. Ele não pareceu notar a tenção em minha voz. Melhor assim. Que droga. Eu decidi seguir em frente, mas só porque a máscara estava no meu rosto e impediria-o de me ver.
Ele aproximou-se de mim e me segurou pela cintura. Puxou-me pela mesma e fez meu corpo colar no dele. Os braços dele eram fortes e ele estava com um perfume maravilhoso. Otávio inclinou o rosto e começou a beijar a minha nuca. Eu me concentrei apenas em que desculpa dar se ele me pedisse que tirasse a máscara. Não demorou nada pra eu pensar em uma que o convenceria.
Otávio: Posso ver esse rostinho lindo? – Ele mal terminou de falar e foi colocando as mãos na máscara, no intuito de tira-la. Me apressei e o impedi.
Manuela: Nada disso! Hoje é o dia da máscara. Você vai ter que me imaginar. Não vai poder me ver. – Forcei um pouquinho a voz, a tornando mais sensual. Ele me reconheceria facilmente se eu falasse normal.
Otávio: Mas não é cliente quem tem sempre razão? – Ele me olhava com um sorriso nos lábios. Apertou a minha cintura e aproximou mais o corpo dele do meu.
Manuela: Com certeza. Mas hoje é um dia especial. Um dia pra mexer com a tua imaginação. E chega de lenga lenga... – Eu logo cortei o papo quando levei a minha mão pro pau dele. Apertei o pau dele por cima da calça e ele mordeu o lábio inferior.
Otávio: Que delicia. – Ele segurou o meu cabelo e puxou o mesmo de leve. Fez minha cabeça ir pra trás e passou a língua nos meus lábios. – Gostosa. – Eu sorri e a essas alturas, esqueci quem ele era. Entrou naquele quarto, eu tinha que aceitar, seria apenas o meu cliente e nada mais. Não é assim que haje uma profissional? É assim que vou agir.
Eu segurei na gola da camiseta dela e empurrei-o pra cama. Fiz ele deitar-se na cama e fiquei em pé, olhando pra ele. Ela bateu na cama, como se tivesse me "chamando". Deite-me por cima dele. Coloquei as mãos nos braços dele e apertei. Ele colocou a mão na minha bunda e apertou.
O negócio começou a ficar mais quente. Era mordida de cá, apertão de lá. Comecei a esfregar o quadril no dele e ele começou a se excitar.
Otávio me beijou depois de algum tempo. Ele tinha pegada e beijava bem.
Ele mordeu os meus lábios e me beijava com vontade.
Eu levei um susto quando, no meio de um dos beijos, a máscara subiu. Olhei pra ele e ele estava com os olhos fechados. Por sorte. Tratei de aperta-la para que não corresse mais esse risco. Eu nem imagino o que faria se ele descobrisse.
Nós tiramos a roupa e ele começou a chupar os meus seios. Eu aproveitei pra alisar o pau dele. Masturbava-o com vontade. Ele beijou toda a minha barriga até que finalmente chegou na minha buceta. Abriu as minhas pernas e começou a me masturbar. Ele deslizava os dedos na minha buceta enquanto lambia ela por inteiro. Aquilo me deixou louca e ele percebeu. Ficou de pé na minha frente e meteu o pau dele em mim.
Ele meteu até o talo, me deixando ainda mais louca. Eu gemia alto e pedia pra ele meter mais rápido.
Otávio: Vagabunda. Vagabunda. Vagabunda. – Ele dizia enquanto metia em mim.
Eu apertei um dos meus seios e ele me pediu pra ficar de quatro. Foi o que eu fiz. Ele ficou esfregando o pau dele na minha buceta, aparentemente, pra me provocar. Eu pedia pra ele meter e ele meteu bem gostoso. Ele fazia um vai e vem que me fez pirar. Alucinar. Eu gozei e ele estava quase lá. Virei de frente pra ele e comecei a masturba-lo com força Chupei o pau dele enquanto apertava as bolas dele. Ele gozou na minha boca e engoli tudo. Sorria maliciosamente pra ele e ele me beijou.
O programa acabou e ele saiu do quarto. Eu tranquei a porta e me vesti. Estava retocando a maquiagem pra atender o próximo cliente e ouvi uma conversa fora do quarto.
Otávio: Flávia!? – Ele disse com certa estranheza na voz. Meu Deus! Ele tinha visto ela. Que droga!
Flávia: O senhor por aqui, professor? A Manuela está aí dentro? – Ela terminou de falar e meu coração acelerou. Sai correndo pra destrancar a porta e impedir a Flávia de continuar, mas depois que eu consegui fazer isso, percebi que sai do quarto sem a droga da máscara. 
Otávio: Eu sabia que te conhecia. Eu sabia.
Manuela: Por favor, não comenta isso na escola. Por favor.
Otávio: Fique tranquila. – Ele deu um sorriso satisfeito. – Mas você vai ter que me fazer uns favorezinhos.
Manuela: Eu faço o que você quiser, mas não comenta isso com ninguém. Por favor.
Otávio: Combinado. – Ele passou por mim e colocou as mãos no meu queixo, mandou um beijo de longe e saiu andando.
Manuela: Eu juro que te mato. – Disse pra Flávia.
Flávia: Amiga, eu não sabia que ele não sabia que era você.
Manuela: Jura!? – Eu estava morrendo de raiva dela, apesar de saber que ela não tinha culpa. Peguei minha máscara e a coloquei. Sai pisando duro até o camarim. Estava irritada com a Flávia. Agora aquele professorzinho ia me fazer de gato e sapato pra ficar de bico fechado. Que raiva!
Fiquei o resto da noite emburrada e de cara fechada com a Flávia. Aliás, com todo mundo. Fiz vários programas, mais do que o normal. A Helen me elogiou e me deu uma porcentagem a mais. Ela já estava começando a ficar na minha mão. Na época em que eu estava com o pé quebrado, ela perdeu clientela, que só foi recuperada com a minha "volta". O que era ótimo.
Eu sempre mandava clientes pra Flávia e pra Jack, pra dar uma forcinha. Sempre convencia os clientes de irem com elas. Eles voltavam e faziam questão de serem atendidos por mim.
A Helen já tinha reservado dois quartos exclusivamente pra mim. Amanda e Lua não gostaram muito. Acharam injusto. Afinal, os dois quartos eram os melhores da boate. Só os clientes ricos eram atendidos por mim. Eu podia escolher clientes. Estava cada vez melhor.
Fazia eles voltarem uma ou duas vezes na mesma semana.
Helen me elogiava em casa. O que eu não gostava muito, porque o Guilherme estava sempre perto. Ele sempre saia de perto quando Helen começava a falar em como eu era incrível como garota de programa.
A Bruna e o Guilherme estavam mais próximos. Ela estava com uma cara péssima nos últimos dias. Um dia desses eu os vi abraçados no sofá. Ela chorava e ele tentava consolar. Meu coração partiu-se em pedaços ao presenciar aquilo. Guilherme me viu e não fez questão de justificar nada. Olhou pra baixo e fingiu que me viu. O que me machucou ainda mais.
A Amanda estava estranha, começou a se aproximar de mim. Sinceramente, eu achei que seria pelos clientes. Mas deixei levar, queria ver até onde ela iria e o que ela queria.
A Isabela só faltava me pegar pelos cabelos quando me via com o Gabriel na escola. Nós estávamos mais próximos. O Guilherme tinha se afastado um pouco de mim. Eu não forcei a barra. Eu desculpei a Flávia um dia depois daquele incidente do Otávio e já tinham se passado um mês depois daquilo.
Falando nele, ele me olhava diferente e eu parei de participar das aulas. Ficava sem graça pela forma com que ele me olhava. A Flávia também percebeu. Eu evitava ao máximo, dirigir a palavra a ele.
Regina dava em cima de Guilherme todos os dias nas aulas. A Bruna estava mais distante de nós. De todo mundo. Eu achei aquilo mega estranho. Os olhos dela pareciam cansados e ela sempre parecia cansada. Pensei em oferecer ajuda, cheguei a pensar que ela estava doente, mas não ia me meter. A Lua "se declarou" pro Gabriel. Ele disse pra ela que não podia corresponder e nem ter nada com ela, mas que gostaria de ser amigo dela. Ela chorou uns 3 dias seguidos em casa. Flávia e as outras tentaram consola-la, mas não funcionou. Ela ficou com mais raiva de mim ainda, quando ela perguntou ao Biel porque ele não podia ter nada com ela. E ele fez o favor de fuder a minha vida e, responder que, estava apaixonado por mim. Ela tentou me bater em casa, mas Helen "cortou" a briga.
Me mostraram um vídeo em que aparecia a Isabela chutando uma pedra e me fazendo cair no dia em que quebrei o meu pé. Aquilo me deixou furiosa.
Fui imediatamente chama-la no intervalo. Ela estava na fila da cantina e eu cutuquei o ombro dela.
Manuela: Isabela!?
Isabela: Euzinha. Quem solicita a minha atenção? – Ela disse com uma voz fina e virou de frente comigo.
Manuela: Da próxima vez que quiser fazer algo pra me machucar, faz pra não me deixar me levantar nunca mais. Porque comigo, não se brinca. Quer o Gabriel? Ele não está preso em mim. Vai lá e tenta pega-lo. Me "tirar" do jogo não vai ter fazer andar mais uma casa. Se a sua luz não brilha, não tenta apagar a minha, querida. E não se atreva a mexer comigo de novo. Eu fui boazinha com você até agora, mas chega. Chega de ser infantil. Quer algo, corre atrás.
Todo mundo olhava pra gente com a boca entreaberta. Passei por todos satisfeita. As meninas do segundo murmuravam elogios pra mim e "parabéns".
Guilherme estava sentado em um banco no pátio com o Felipe. Ele me olhou e moveu a cabeça negativamente pra mim. Não respondi, fingi não vê-lo, na verdade. Foi melhor assim. Jack estava comigo. A Flávia estava sentada no banco com os dois. Ela me olhou estranho e veio na minha direção.
Flávia: O que tu fez?
Manuela: Dei um jeito naquela Isabela. Ela me fez cair e quebrar o pé.
Flávia: Aleluia alguém fez isso. Mas como assim ela te fez quebrar o pé, amiga?
Manuela: Me mostraram um vídeo dela empurrando uma pedra pra que eu caísse.
Flávia: Que vaca!
Manuela: Nem me fala. Ela me irritou, cara. Ela fez por merecer.
Flávia: Ta certa, amiga!
O sinal bateu e nós voltamos pra sala. Aula de inglês.
O Otávio continua me olhando estranho. A aula começou e eu não movi um músculo pra responder nada. Na verdade, eu estava bem distraída. Guilherme estava concentrado, escrevendo algo. Eu não consegui tirar o olho dele.
Otávio: Será que a senhorita Manuela poderia nos dizer pra que serve a voz passiva... Manuela!? – Eu me distrai totalmente e só quando ele me chamou, eu reparei que ele estava falando comigo.
Manuela: A voz passiva da enfatiza quem sofre a ação, no caso, o objeto.
Otávio: Sempre muito inteligente. – Olhei friamente pra ele e ele continuou. Passou a aula inteira me mandando responder as coisas
Guilherme: Por que ele ta com essa implicância com você hoje?
Manuela: Ele foi na boate e... – Eu não precisei continuar, ele entendeu.
Guilherme: Porra, tu transou com ele? 
Manuela: Fala baixo, Guilherme. – Nós estávamos cochichando.
Guilherme: Foi mal. Só tu ouviu.
Manuela: Claro que transei, né. Fui paga pra isso.
Guilherme: É...
Manuela: Agora ele fica me provocando, me olhando estranho. Pedi pra ele não contar nada pra ninguém e ele disse que eu teria que fazer uns "favores" pra ele. Mas ele ainda não me pediu nada. Tô com medo.
Guilherme: Estranho.
Manuela: Nem me fala. Ele já tinha tentado alguma coisa comigo, mas agora eu tenho medo dele "me obrigar".
Guilherme: Toma cuidado, Manu.
Manuela: Vou tomar.
A aula passou e o sinal tocou. Aula livre porque um professor faltou. Otávio me pediu pra ficar na sala com ele. Meu coração acelerou. Não tinha ninguém na sala, só ele e eu.
Manuela: Aconteceu alguma coisa, professor?
Otávio: To cansado de falar pra você me chamar de Otávio, Manuzinha. – Quem ele pensa que é pra me chamar de "Manuzinha"? Idiota!
Manuela: Desculpa.
Otávio: Eu ando tão estressado. Pensei se você não podia me dar uma ajuda nisso.
Manuela: E como pretende que eu ajude? – Ele me deixou terminar de falar e me encostou na mesa dele. Colocou as mãos em volta da minha cintura e aproximou o corpo do meu. Inclinou o rosto e começou a beijar o meu pescoço. 
Eu não me movi. Não tive reação nenhuma, nenhuma. Respirei fundo e ele continuou beijando o meu pescoço. Fechei os olhos e engoli a seco. Ele segurou o meu rosto e encostou os lábios nos meus. Eu tremia. Uma coisa era ele me pegar pra isso, outra era ele me forçar a fazer sexo com ele. Nesse momento, alguém arrombou a porta e entrou.
Guilherme: Solta ela. Agora. – Em menos de trinta segundos, a porta da sala lotou de alunos curiosos.
Otávio: Ah, é!? Ou senão o que? Você vai me obrigar?
Guilherme: Solta agora! – Ele disse firme.
Otávio: Ta legal, esquentadinho. – Ele tirou as mãos de mim e se afastou. Guilherme aproximou-se de mim e me puxou pra perto dele. Me abraçou forte e sentiu que eu tremia.
Guilherme: Calma. Fica calma. Ta tudo bem agora. Calma, Manu. – Ele beijou a minha cabeça e fazia carinho nos meus braços, tentando me acalmar. Eu chorava e tremia ao mesmo tempo. Pude escutas murmurinhos dos alunos, mas não ouvi nada específico.
Otávio: Ta defendendo ela por que? Quer ficar com ela? Com essa piranha? Pra que? Ser feito de otário? – Guilherme olhou pra ele com raiva, mas o deixou terminar de falar. – Ou vai dizer que tu não sabe que ela é uma puta? Uma piranha? Vai dizer que tu nunca desconfiou que nenhuma amiguinha delas tão são? Diz aí, defensor.
Ele terminou o discurso dele e a diretora da escola se manifestou.
Lurdes: O que está acontecendo aqui, Otávio? Essas ofensas todas são pra quem? Pra nossa aluna, a Manuela? – Ela aproximou-se de mim e de Guilherme e me viu amedrontada nos braços dele. – O que aconteceu aqui? – Ele nos olhou assustada.
Guilherme: Esse imbecil tentou forçar a Manu a transar com ele...
Lurdes: Pelo amor de Deus, Otávio, diz que o que esse jovem acabou de me contar é mentira. Por tudo quanto é mais sagrado.
Otávio: Forçar? Essa piranha queria. Ela sempre quer. Sempre.
Lurdes: Chega! Chega! Chega! Isso foi a gota d'água. Já pra minha sala, Otávio. Você, Guilherme, está dispensado junto com a Manuela. Leve-a pra casa e tente acalma-la. Depois tomem a decisão que acharem melhor. Tem meu total apoio se quiserem denuncia-lo pra polícia. – Guilherme assentiu com a cabeça e nós saímos da sala. 
Ele me abraçou, passou os braços por toda minha cabeça, me impedindo de ver as pessoas. Passamos pela aglomeração que tinha na frente da sala. Eu só conseguia chorar e tremer.
Nós chegamos rapidamente em casa. Ele me levou pro meu quarto e eu cai na cama aos prantos. Chorava feito uma criança.
Guilherme: Manuela, cara, não fica assim. Eu não sei o que fazer, como te consolar e não sei o que dizer. Eu não aguento te ver assim. É demais pra mim... Por favor. Olha pra mim. Quer um copo de água com açúcar? Manuela... Por favor, Manu. – Eu fui parando de chorar aos poucos e me sentei na cama. Ele estava ajoelhado ao lado da cama. Olhei fixamente pros olhos dele e solucei. Lágrimas escorriam dos meus olhos.
Guilherme: É isso aí, Manu. Não aguento mesmo. É foda te ver assim. E é pior não poder fazer nada pra te ver melhor. 
Manuela: E-eu... – Eu coloquei as mãos no rosto dele devagar e comecei a alisar. Ele colocou as mãos dele em cima das minhas. Eu sorri e solucei mais uma vez. Ele puxou as minhas mãos que estavam coladas nas dele e secou as lágrimas dos meus olhos. Depois, eu voltei as nossas mãos pro rosto dele. Comecei a alisar com um polegar. Eu respirei fundo e soltei o que estava a muito tempo entalado: – Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Amo. Amo. Amo. 
Ele ficou imóvel, parecia não estar respirando. Eu não sabia o que fazer. Na verdade, eu precisava da reação dele. Precisava saber o que ele ia me dizer depois de ouvir aquilo. Meu coração parecia estar saltando da boca de tanto que batia forte.
Pra minha surpresa, ele não disse nada, só aproximou o rosto do meu e começou a me beijar. Um beijo carinhoso, cheio de amor e eu senti no beijo que, se o mundo acabasse, estaria tudo bem, porque eu não ia morrer sem que ele soubesse o que eu sinto por ele. Só isso já me bastava. Ele foi devagar, parando de me beijar. Deu alguns selinhos em mim e me abraçou. Me abraçou muito forte.
Guilherme: Eu tô sem palavras, Manu. De verdade. E-eu... Manuela: Deixa eu te falar uma coisa antes. – Coloquei o dedo indicador nos lábios dele, impedindo-o de terminar. – Eu preciso que você saiba que eu te amo. Eu te amo com todas as forças que eu tenho dentro de mim. Eu suo frio quando você está perto. É difícil me concentrar quando você começa a falar ou então, quando você ri. Eu amo tuas piadas, por mais bobas que as vezes, elas pareçam ser. Eu amo o jeito que tu me trata. Amo o jeito que cuida de mim e o jeito que se preocupa comigo. Eu tentei jogar esse sentimento fora. Tentei, só eu sei como eu tentei.
Guilherme: Com o Gabriel?
Manuela: Isso. Eu tentei de todas as maneiras que eu consegui. Eu sabia que ficar com você era um erro. Mas não é que esse "erro" beija bem? – Ele riu e me deu um selinho, mas me deixou continuar. – Eu cansei de me policiar, de tentar te evitar. Cansei de tentar me enganar falando pra mim mesma que, eu jamais poderia me envolver com você.


Notas Finais


Favoritem e comentem ;)


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