História Prostituta Profissional - Capítulo 9


Escrita por: ~ e ~aninhacarol1bts

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Pp tortura, Romance, Sadomasoquismo, Violencia
Exibições 59
Palavras 13.842
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Byeeee

Capítulo 9 - Eight


Guilherme: O que foi que eu te disse?
Manuela: Se disser "eu te avisei", eu juro que te arranco tuas bolas com as minhas próprias mãos. – Ele riu e me ajudou.
Parecia que eu ia vomitar minhas tripas. Mas finalmente vomitei tudo. Eu lavei a boca e saí do banheiro com o Guilherme.
Gabriel: Cadê a Bruna?
Manuela: Ta dormindo lá no quarto.
Gabriel: Qual quarto?
Manuela: Lá do fundo.
Gabriel: Eu acabei de sair de lá. Estava trancado e não tinha ninguém lá dentro. Destranquei pra pegar outra roupa pra mim.
Manuela: Eu tranquei porque justamente ela estava dormindo. – Comecei a ficar preocupada. – Onde essa menina se meteu?
Flávia: Gente! –Ela gritou do fundo da casa. Nós corremos pra lá.
A Bruna estava jogada no chão. Guilherme, Felipe e Gabriel correm pega-la. Levaram-na pro quarto. Eu não sabia o que fazer.
Manuela: Ela vai me matar, mas eu vou procurar um médico.
Lua: Prepare-se pra morte. Porque ela vai te matar mesmo.
Manuela: Ela faz o que quiser depois. Mas eu quero vê-la bem. Só um médico vai ajuda-la.
Foi o que eu fiz. Liguei pra um médico e ele nos mandou leva-la no consultório dele.
Não encontramos a Amanda em lugar nenhum. Ela tinha desaparecido com o carro. Guilherme chamou dois taxis e nós nos dividimos neles. Fomos até o consultório do doutor e só Guilherme e eu entramos com a Bruna.
As enfermeiras dele colocaram a Bruna em uma maca. Eu estava nervosa. Guilherme percebeu e segurou a minha mão.
Guilherme: Calma. – Eu assenti com a cabeça.
O doutor veio nos atender. Olhou a Bruna e começou a fazer perguntas.
Luiz: Faz quanto tempo que a encontraram desmaiada?
Manuela: Uns 15 minutos. Mas ela devia estar desmaiada antes.
Luiz: Certo. Ela ingeriu álcool ou semelhante?
Guilherme: Provavelmente. Álcool é certeza.
Manuela: Ela usou droga injetável. Só não sei qual.
Luiz: Certo. – Ele terminou de examina-la e sentou-se de frente pra nós. – De imediato, vou coloca-la no soro. Vocês sabem se ela é alérgica a algum remédio?
Manuela: Não. Doutor, ela está grávida.
Luiz: Já percebi isto. Fique tranquila. Vou medica-la adequadamente. Se puderem, esperem na sala com os outros. Vou fazer uma série de exames nela. Ela precisa de cuidados mais avançados. Depois a encaminharei pra um hospital. Vou acompanha-la lá.
Assentimos com a cabeça e saímos do consultório. Fomos pra sala de espera.
Lua: Como ela está? – Ela disse preocupada.
Manuela: A mesma coisa ainda. O médico vai fazer uns exames.
O doutor terminou os exames e encaminho a Bruna pro hospital. Eu passei a noite com ela. Quando era de manhã, ela ma chamou.
Bruna: Manu... – Eu acordei. Estava dormindo em uma cadeira dura do hospital, ao lado da cama dela.
Manuela: Oi, Bruna. Precisa de alguma coisa?
Bruna: Tu passou a noite aí?
Manuela: É... Mas não importa. Tu ta bem?
Bruna: O que o médico disse?
Manuela: Nada ainda. Faltam alguns exames ficarem prontos. Ele não quis adiantar nada.
Bruna: Droga.
Manuela: Fica calma. Vai dar tudo certo.
Bruna: Assim espero.
A enfermeira apareceu e deu comida pra ela. Eu voltei pra casa assim que a Lua ficou no meu lugar.
Estava cansada e passei o resto da tarde dormindo. Helen me acordou na hora de ir pra boate. Jack tinha ficado com a Bruna. Helen não gostou muito dessa história. Nós impedimos-a de ver a Bruna. Ela mataria a Bruna se soubesse das drogas e da gravidez. Inventamos qualquer besteira que vez Helen não se interessar por ajudar a Bruna. Foi melhor assim.
Nós fomos pra boate e eu fiz uma boa quantia de programas. Cheguei em casa morta e só queria ver o Guilherme. Entrei no quarto dele e ele não estava lá.
Já era bem tarde. Eu estanhei a ausência dele, mas estava tão cansada que deitei-me na cama dele e dormi ali mesmo. Tive a impressão de ver alguém entrar no quarto no meio da noite, mas voltei a dormir. Acordei no outro dia com o Guilherme me dando um beijo.
Manuela: Que jeito gostoso de ser acordada. – Ele estava em cima de mim, eu coloquei as mãos no rosto dele e ele me beijou mais uma vez. Terminei o beijo em um selinho. – Onde é que tu se meteu ontem a noite?
Guilherme: E-eu? Nenhum lugar. – Ele pareceu meio estranho.
Manuela: Tem certeza? – Ele me olhou e deitou-se do meu lado.
Guilherme: Claro que tenho, amor. Eu tava no banheiro, por isso tu não me viu. Vim pra cama no meio da noite e dormi aqui contigo.
Manuela: Eu ouvi alguém bater a porta depois de entrar...
Guilherme: Como isso, Manu? Eu estava aqui o tempo todo. – Ele me olhou. Falou sério.
Manuela: Sei não... Mas ta. Tu sabe da Bruna?
Guilherme: Não. Não sai do quarto ainda. 
Manuela: Vou ver as meninas sabem. – Dei um selinho nele e sai do quarto com cuidado. Fui pro meu quarto e a Flávia estava se arrumando pra ir pro colégio. – E a Bruna?
Flávia: A Jack acabou de voltar do hospital. Lua trocou de lugar com ela. Bruna pediu pra tu ir lá a tarde, porque o médico vai dar o resultado dos exames. Ela quer tu lá.
Manuela: Obrigada por avisar, amiga.
Nós nos arrumamos e fomos pro colégio. Eu passei a manhã toda preocupada com a Bruna. Vi a Isabela se esfregando no Samuka. Gabriel estava meio cabisbaixo.
Guilherme fazia questão de me beijar cada vez que ele olhava pra mim. Achei desnecessário, mas não contrariei. Não estava no clima pra começar uma briga com ele. Na verdade, eu não estava no clima pra nada. Mal prestei atenção na aula.
Felipe e Flávia estavam num clima meio estranho, mas eu não perguntei nada a ela. Ela parecia meio emburrada.
Nós voltamos pra casa, eu engoli alguma coisa só pro meu estomago não ficar vazio e fui pro hospital.
Lua estava lá ainda.
Manuela: Como ela está? – Bruna estava dormindo.
Lua: Com medo.
Manuela: Ela já te contou?
Lua: Da gravidez? Todas as meninas já sabem lá em casa. Acho que todo mundo da escola desconfia também. Samuel espalhou.
Manuela: Ele é um canalha. Eu tenho vontade de acabar com a raça dele.
Lua: Somos duas.
A Bruna acordou e logo o doutor chegou com os resultados dos exames.
Luiz: Boa tarde, senhoritas.
Manuela: Boa tarde.
Lua: Boa tarde, doutor. E o resultado?
Luiz: Muita calma. Eu preciso de uma maior pra acompanhar a amostra desses exames.
Lua: Eu tenho 18 anos. Posso me responsabilizar por isso.
Luiz: Tudo bem. Vamos até a sala ao lado. Traga seu documento de identidade, por favor. – Ele caminhou e saiu do quarto.
Bruna: Eu não vou poder ir junto? Sou a mais interessada. Qual o problema dele? Eu quero saber esses resultados. Por favor, Manu.
Manuela: Depois a gente vem e te conta tudo.
Lua: A gente? – Ela ergueu uma sobrancelha.
Manuela: Posso ir com você?
Lua: Ta. Vamos logo.
Ela não pareceu muito contente com o meu pedido, mas eu fui com ela. Nós entramos na sala e o doutor apontou a cadeira, para que sentássemos. Foi o que fizemos. A Lua teve que assinar milhões de papéis antes que o doutor mostrasse os resultados dos exames.
Eu estava apreensiva, queria saber logo o que estava escrito naqueles papéis.
Luiz: Senhoritas, o que vocês são da paciente em questão?
Lua: Amigas. Mas atualmente, somos a família dela. Longa história. Precisa do histórico familiar dela pra dar esse resultado?
Luiz: Sem ironias e pressa, senhorita. Não preciso do histórico, só queria fazer umas perguntas aos pais dela.
Manuela: Impossível.
Luiz: Tudo bem... Vamos continuar. Ele abriu os papéis que estavam fechados. Uns já haviam sido abertos.
Manuela: Do que se trata tanto exame, doutor?
Luiz: Realizei diversos exames nela. Um deles foi o teste de drogas. Nele é possível detectar a droga e a quantia ingerida pelo paciente em um certo tempo. Detectamos cocaína nesse exame. – Eu fiquei sem reação. Olhava atordoada pra Lua. Nós continuamos ouvindo o médico. – O teste de gravidez deu positivo, como já era esperado, pelo que a senhorita me disse. – Ele direcionou a fala pra mim. – Como a senhorita me disse que ela tinha usado droga injetável, me preocupei com a realização de mais um exame... – Ele fez uma pausa. Pegou o exame e virou de frente para nós. Li no papel "Teste de HIV". Meu coração quase saltou da boca. – Infelizmente, o teste de HIV da senhorita Bruna deu positivo.
Manuela: Meu Deus. Meu Deus. Meu Deus. – Eu coloquei a mão na boca. Estava chocada. Acho que eu nunca tinha recebido uma notícia tão forte em toda a minha vida. Nem a gravidez dela. Meu Deus, é tanta coisa junta que eu não sei qual é pior. 
Eu comecei a chorar, a Lua também. Eu não sabia o que fazer. Eu queria gritar, gritar muito. Mas só consegui chorar. O médico continuou a falar.
Luiz: Eu realmente sinto muito em dar essa notícia a vocês. É realmente uma fatalidade. Ela vai precisar de muita ajuda. Muita. Vai precisar sair das drogas pra, primeiramente, não fazer nenhum mal ao filho que ela está esperando. Farei um exame de ultrassom pra averiguar quais são as condições do bebê. O uso da cocaína pode ter afetado ele. E de formas bem negativas. Torçam pra amiga de vocês conseguir sair desse vício. Caso contrário, ela perderá o bebê ou ele nascerá com muitos problemas.
Manuela: E o HIV?
Luiz: Ela vai precisar tomar antirretroviral pro resto da vida. Isso é certo. Mas, primeiramente, ela terá que fazer um encaminhamento com um infectologista. Ele sim vai ajuda-la com isso.
Manuela: Como se conta pra alguém que a pessoa está com AIDS?
Luiz: Nossos psicólogos podem fazer esse trabalho. Falar isso com calma é sempre uma boa solução.
Manuela: Calma? Ela precisa se cuidar. Não dá pra esperar o psicológico dela estar preparado. Ela nunca vai estar preparada pra isso. Ninguém nunca vai estar preparado pra uma notícia dessas.
Luiz: Fique calma, senhorita. Eu posso dar a notícia ou vocês. Fica a critério de vocês.
Lua: A gente precisa decidir isso logo?
Luiz: O mais rápido possível, ela vai estranhar se encaminha-la pra um infecto.
Manuela: Amanhã nós falaremos com o senhor. Por enquanto, mantenha isso em confidencial.
Eu ainda não tinha "digerido" a informação que o médico tinha acabado de me dar. Lua e eu fomos pro oratório do hospital e choramos. Eu pensei muito em como contar isso pra Bruna. Nós voltamos pra casa com essa horrível notícia. Concordamos em não dizer nada com ninguém. Depois íamos decidir como contar tudo pra Bruna.
Eu cheguei em casa e me tranquei no quarto. Flávia tinha ido passar a tarde com o Felipe. Eu só consegui chorar e pensar como seria a vida da Bruna a partir dali.
Eu nunca tinha me sentido daquele jeito. Era como se eu tivesse recebido a noticia de uma morte de um parente bem próximo. A dor era a mesma. Eu me sentia responsável pela Bruna. Talvez porque ela fosse a caçula. Não sei direito.
Alguém bateu na porta no final da tarde. Eu lavei o meu rosto e fui abrir a porta.
Guilherme: Ei, onde tu se meteu a tarde toda?
Manuela: Eu... – Eu não aguentei, desandei a chorar. Ele me abraçou.
Guilherme: O que aconteceu, amor? Por que você ta chorando. – Eu não consegui responder, só chorava. – Amor, tu ta me deixando preocupado. Fala comigo. – Ele me olhou e viu que eu não estava em condições pra responder. Me conhecia o suficiente pra saber que ele só precisava ficar ali enquanto eu me acalmava. 
Nós entramos no quarto e nos sentamos na cama. Fiquei abraçada com ele até me acalmar. Ele trouxe um copo de água pra mim. – Ta melhor agora, amor?
Manuela: Não. – Eu o abracei com força, mas não chorava mais.
Guilherme: O que aconteceu? Quer me dizer?
Manuela: Só quero te abraçar.
Guilherme: Ta legal. – Ele colocou as mãos no meu cabelo e fazia carinho.
Nós ficamos um tempo assim. Eu me acalmei e estava um pouco melhor.
Manuela: A Bruna, amor. – Ele ficou me olhando. – Ela ta mal. Muito mal.
Guilherme: Do que você ta falando? Disso a gente já sabe. Gravidez e drogas, sabemos. O que foi que o médico disse pra vocês?
Manuela: Eu não posso dizer. – Eu coloquei as mãos no rosto dele. Fiquei alisando.
Guilherme: É tão grave assim?
Manuela: Mais do que você pode imaginar.
Ele não me forçou em contar nada pra ele. Chegou o horário de irmos pra boate. Eu estava desanimada, sem vontade de nada. Fiz 15 programas porque Helen me "forçou". Disse que ela tiraria uma porcentagem de mim se eu não fizesse os programas.
Eu voltei pra casa. Ia até o quarto do Guilherme, mas decidi ir dormir. Não estava em clima pra nada.
Acordei cedo no outro dia. Lua e eu conversamos e concordamos em contar tudo pra elas juntas. Fomos pro hospital. Bruna estava acordada, parecia um pouquinho melhor. Meu coração doía de saber que contaríamos tudo pra ela.
O médico nos deixou sozinhas com ela.
Bruna: O que ta rolando aqui?
Manuela: Precisamos conversar com você.
Bruna: O que ta acontecendo, Manu? Vocês estão me deixando assustada.
Lua: Amiga, você vai precisar ser forte. Muito forte.
Manuela: É complicado contar isso pra você. Mas achamos que seríamos melhores pessoas pra contar isso pra você do que um médico.
Bruna: Falem logo. – Ela olhava assustada
Manuela: Você ta com HIV.
Bruna: Que? – Ela olhou apavorada. Começou a berrar desesperada. O doutor e as enfermeiras apareceram.
Luiz: O que está acontecendo aqui?
Bruna: Diz que ela estão mentindo pra mim. Diz que isso é mentira. Pelo amor de tudo quanto é mais sagrado. Eu não posso estar com HIV. Não... – Ela começou a chorar e a gritar. As enfermeiras colocaram calmante no soro que estava no braço dela. Foi melhor assim. Ela acordou uma hora depois.
Luiz: A senhorita está mais calma?
Bruna: Não. Não. Não. Não pode ser possível. Diz que é mentira, doutor. Por favor.
Luiz: Senhorita, Bruna, suas amigas não mentiram pra você. Infelizmente. Eu sinto em dizer isso. – Bruna ficou com a boca entreaberta. Começou a chorar. – Você está com HIV. Com estágio um pouco avançado de AIDS. A senhorita está com diversos problemas. O uso de drogas precisa ser cortado urgentemente. O bebê que a senhorita está esperando corre risco de vida se esse vício continuar.
Bruna: Não. – Ela chorava. Lua abraçou. Eu também fiz o mesmo. Ela me olhou. – Diz que isso é um pesadelo, Manu. Por favor.
Manuela: Eu queria mudar isso. Queria que fosse mentira ou pesadelo. Mas Bru, é verdade. Eu sinto muito. Do fundo do meu coração.
Bruna: Eu quero esclarecer umas dúvidas.
Luiz: Estou disponível pra isso.
Bruna: Como foi que eu adquiri isso?
Luiz: Sua amiga me disse que você estava usando drogas injetáveis. Senão houve penetração sem camisinha, foi por uma agulha contaminada.
Lua: O Samuel...
Manuela: Ele deve ter passado pra ela. Eu juro que meu ódio por ele aumenta a cada coisa que eu descubro dele.
Bruna: Não falem assim. Doutor, meu filho vai morrer?
Luiz: Se a senhorita não começar o tratamento da AIDS imediatamente e não parar o uso de drogas, provavelmente. – Ele foi direto.
Bruna: Tem cura?
Luiz: Não. Mas você pode negativar o vírus e assim, ter uma vida normal.
Bruna: O que você quer dizer com normal?
Luiz: Remédio você terá que tomar até o seu ultimo dia de vida, se não quiser adianta-lo. Mas sua vida pode ser normal. Se você negativar o vírus, poderá fazer o que qualquer pessoa normal faz. Enquanto isso, precisa se cuidar.
Sua imunidade está baixa e assim, você fica suscetível a pegar qualquer doença mais facilmente. Eu preciso atender outras pessoas agora. Vou fazer um encaminhamento pra uma psicóloga, você vai precisar. Qualquer coisa, estou disponível.
Manuela: Obrigada, doutor.
Bruna chorou muito. Ficamos um bom tempo com ela. Depois deixei-a só com a Lua e voltei pra casa. Não fui a aula. Ia chegar atrasada mesmo. Decidi ficar estudando. Ia ser melhor pra eu não pensar tanto na Bruna.
Fiz alguma coisa pra comer e a Lua chegou. Eu me sentei na mesa e ela também.
Manuela: E a Bruna?
Lua: Não parou de chorar até agora.
Manuela: Eu não sei o que faria no lugar dela.
Lua: Nem eu.
Manuela: E você e o Gabriel?
Lua: Estamos bem. – Ela me olhou estanho. – Por que?
Manuela: Por nada! Só fico feliz que vocês estejam se dando bem.
Lua: É... E o Guilherme?
Manuela: Estamos bem demais. Se melhorar, estraga.
Lua: Que bom. Gabriel é incrível. Ele fez sozinho aquela festa pra mim.
Manuela: Faz o Gabriel feliz, tá!? Ele merece.
Lua: Manu, não provoca. – Estranhei.
Manuela: Tá falando do que?
Lua: Tu ta provocando. Sabe que ele gosta de você. Faz de propósito.
Manuela: Que besteira, Lua. Eu realmente torço por vocês.
Lua: Só não se mete com ele, tá!? Se você realmente torce pela gente, não se envolva com ele.
Manuela: Ta bom, Lua. Não sei qual a ideia que você faz de mim, mas espero mudar isso.
Lua: Acho improvável. Não vamos forçar a amizade. Não somos amigas. Nunca seremos.
Manuela: Eu sei.
Ela saiu da cozinha. O que tinha dado nela? Droga! Eu não queria que ela "puxasse" o meu saco. Não queria. Só não queria esse clima. Que droga!
Eu fiquei na sala assistindo tv até todos chegarem da escola. Flávia estava triste, correu pro quarto assim que chegou. Guilherme me deu um beijo e meio segundo depois Helen e Amanda entraram na sala.
Guilherme: Foi por pouco.
Jack: Meio segundo e isso ia dar merda.
Helen foi direto pro quarto dela. Ignorou qualquer coisa que nós dissemos.
Manuela: Nunca mais faz isso, Guilherme. – Eu disse brava.
Guilherme: Por que ficou tão brava?
Manuela: Por que? A sua mãe quase nos pegou beijando. Pirou? Quer morrer? Eu não quero.
Guilherme: Relaxa. Ela não pegou.
Manuela: Mas podia ter pego. – Eu me virei, comecei a andar e ele segurou o meu braço. Me puxou e colou o meu corpo no dele.
Guilherme: Marrentinha. – Ele me beijou. Eu cedi.
Jack: Vocês gostam de correr perigo, né!? – Ela riu e ele riu durante o beijo. Eu não achei graça.
Cortei logo o beijo e ele ficou me encarando.
Guilherme: Te amo.
Manuela: Eu também.
Guilherme: Linda. – Eu sorri e ele me abraçou.
Nós subimos e ficamos no quarto dele. Jogamos vídeo game juntos e rimos horrores. Saímos pra tomar sorvete. Ele me levou em uma sorveteria longe de casa.
Manuela: Gui...
Guilherme: Diz, amor.
Manuela: Posso te fazer uma pergunta chata?
Guilherme: Pode. Só não prometo que vou responder.
Manuela: Ta... – Eu tomei sorvete e fiquei olhando pra ele. – E seu pai? Por que você nunca falou dele?
Guilherme: Ah, não... Tu não quer mesmo falar disso, né!?
Manuela: Na verdade, eu quero.
Guilherme: Não gosto desse assunto.
Manuela: Por que?
Guilherme: Po, Manu...
Manuela: Sério, amor.
Guilherme: Ta legal. Ele me deixou quando eu tinha uns 3 anos. Eu nem lembro da fuça dele. Nem quero lembrar.
Manuela: Tu nunca viu uma foto dele? – Estranhei.
Guilherme: Minha mãe tem raiva dele. Rasgou tudo quando ele abandonou-a. 
Manuela: Que coisa injusta com você. Você tem o direito de saber como ele é.
Guilherme: Era, Manu. Ele ta morto pra mim. Eu não quero saber como ele era. Nunca quis, nunca vou querer.
Manuela: Por que ele largou vocês? Você sabe?
Guilherme: Manu, sério. Chega desse assunto. Por favor. – Ele parecia chateado. Eu não insisti.
Manuela: Desculpa, amor. – Eu passei sorvete no nariz dele e ele riu. Depois me beijou.
Voltamos pra casa e eu fui correndo até o quarto. Vi a Flávia deitada na cama e chorando muito.
Manuela: O que aconteceu, Flá? – Ela estava encolhida na cama e chorava feito criança. – Fala comigo, amiga.
Flávia: O Felipe. – Ela soluçou. – Ele terminou comigo. Terminou tudo.
Manuela: Meu Deus, amiga. Por que? Levanta, amiga. – Eu ajudei-a e ela sentou na cama. Estava com o rosto vermelho de tanto chorar.
Flávia: Ele não me explicou nada. Só disse que não dava mais. Disse que não me amava mais. Você tem noção, Manu? Como alguém deixa de amar assim? Amiga, eu não aguento ficar sem ele. Não da. – Ela me abraçou.
Manuela: Foi do nada, amiga? Ele não disse mesmo o motivo?
Flávia: Não, amiga. Me ajuda. Eu preciso dele.
Manuela: Calma. Vocês vão se ver na escola. Lá vocês se resolvem. Agora os dois estão de cabeça cheia e não vai dar certo discutirem sobre isso. Toma um banho, amiga. Se a Helen te pega nesse estado, vai ficar puta contigo. Se acalma. Não adianta chorar, tem que conversar com ele.
Flávia: Você tem razão. Você sempre tem razão.
Ela foi pro banho e eu bati na porta do quarto do Guilherme.
Guilherme: Já ta com saudade? –Ele acabou de falar e a Helen passou pelo corredor. A sorte que eu vi. Comecei a falar rude com o Guilherme, pra ela não desconfiar de nada.
Manuela: Avisa pro teu amiguinho que eu vou acabar com ele. Vou quebrar osso por osso e cortar dedo por dedo das mãos dele se ele não se justificar pra Flávia.
Guilherme: Eles terminaram? Por que tu ta falando brava comigo? Eu não tenho culpa disso.
Manuela: É sério. Eu vou arrebentar ele.
Guilherme: Ta legal, Manu. Eu mando o recado. Se acalma. Tu ta estranha.
Manuela: Foi só um aviso. –Ele me olhou estranho. Ele não estava entendendo nada. Eu saí da porta do quarto dele e voltei pro meu.
Flávia estava enrolada na toalha, sentada na cama chorando.
Manuela: Ah, não, amiga. Levanta esse astral. Não vou te deixar ficar mal por causa de homem.
Flávia: Eu amo ele, Manu. Amo muito. Ele não podia ter feito isso comigo.
Manuela: Chega de chorar. Vamos nos arrumar. Ta quase na hora de irmos pra boate. Vamos, Flá.
Ela me ouviu. Nós nos arrumamos. Eu estava passando pelo corredor e a Helen me parou.
Helen: Muito bem, Manuela. É assim que eu quero que você tenha uma relação com o meu filho. Sendo exatamente do jeito que vi hoje.
Manuela: Eu jamais me meteria com ele. Não é pro meu bico. – Fui irônica, mas ela não percebeu.
Helen: A Bruna ainda não saiu do hospital? Isso ta estranho. Vocês estão me escondendo algo.
Manuela: Ah, ela sai hoje. Acredita que ela pediu uma revisão de todos os exames? Aí o médico pediu que ela ficasse mais um dia lá. – Inventei uma desculpa.
Helen: Estou desconfiada que ela está tendo algo com o meu filho. Caso eu confirme isso, quero que você me ajude.
Manuela: Ajudar como?
Helen: Acabar com ela.
Manuela: Como pretende fazer isso? Caso mal lhe pergunte.
Helen: No tempo certo, você verá.
Manuela: Claro, claro. Conta comigo. –Eu ia acabar era com a Helen. Não com a Bruna.
Helen nos levou pra boate. Sai de lá e quando voltamos, era bem tarde. Guilherme não estava no quarto dele. De novo. Aquilo começou a me intrigar. O que ele fazia tão tarde da noite? Eu queia explicar a cena de mais cedo, mas desisti de espera-lo.
Eu dormi no meu quarto e no outro dia, fui pra aula com todo mundo. No caminho, puxei Guilherme pro meu lado.
Manuela: Sabe que é bem suspeito tu não estar no seu quarto tão tarde da noite, né!? Não me venha com esse papo que estava no banheiro, não caio mais.
Guilherme: Eu estava cansado, amor. Sai pra dar uma volta.
Manuela: 2 da manhã? Sei.
Guilherme: Ta bravinha? – Ele me puxou, me fez parar de andar e me beijou. Ficamos pra trás dos outros. Ele puxava a minha língua e eu explorava toda a boca dele. Parei o beijo com o selinho.
Manuela: Quero uma explicação mais aceitável.
Guilherme: Essa é a única que eu tenho pra dar. E aquela cena de ontem? Tu me deixou com medo.
Manuela: Ta bom então. – Ele passou o braço pelo meu ombro e nós andamos assim até o colégio. – Sua mãe apareceu e me viu na porta do seu quarto. Foi a unica coisa que eu pensei em fazer. 
Guilherme: Flávia e Felipe terminaram mesmo?
Manuela: Ele terminou com ela sem explicar nada.
Guilherme: Ele não me falou nada. Depois procuro saber mais.Manuela: Por favor. – Ele riu.
Resolvi que iria conversar com o Samuka. Chamei-o em um canto no intervalo.
Samuka: Mande o papo, Manuzinha.
Manuela: Não te dei a liberdade de me chamar desse jeito. – Cruzei os braços e fiquei olhando pra ele.
Samuka: Opa, ela ta bravinha, ta!? – Ele segurou o meu queixo e apertou. Eu bati na mão dele.
Manuela: Não encosta em mim.
Samuka: Tu é gostosinha, mas o que tem de gostosa, tem que fresca. Manda logo o papo, porra.
Manuela: Você já sabe que a Bruna está grávida, certo?
Samuka: Sei, po. O que eu tenho com isso?
Manuela: Fora ser o pai do filho dela?
Samuka: Não sou o pai. Não inventa, Manuela. Ela deu pra metade de escola. Por que justo eu seria o pai?
Manuela: Não vim discutir isso.
Samuka: Veio fazer o que então?
Manuela: Saber das drogas que tu vende.
Samuka: Ta interessada? – Ele olhou sorridente pra mim. Aproximou-se mais.
Manuela: Não. Não sou idiota. Só quero saber se isso é bem higienizado.
Samuka: Claro, po. Tudo limpinho. – Ele foi irônico.
Manuela: Tu é muito irresponsável, cara. – Eu estava morrendo de ódio dele.
Samuka: Irresponsável eu? Po, eu só revendo e outra, o que eu uso ta tudo limpo. 
Manuela: Claro, né!? Os outros que se ferrem...
Samuka: É bem isso. Deu o teu recado? Eu quero zarpar daqui.
Manuela: Só abre o teu olho.
Samuka: Durmo com um aberto, se tu quer saber.
Manuela: É melhor mesmo.
Ele apertou a minha cintura e saiu, eu bati no braço dele antes que ele saísse. Trouxa. Que raiva que eu tinha desse garoto. Felipe estava emburrado no outro canto do colégio. Não parava de olhar pra Flávia. Ela não quis conversar com ele. Não ali na frente de todo mundo. A aula passou e Flávia me pediu pra ir com ela na conversa que teria com o Felipe.
Nós fomos atrás da escola e Felipe estava lá. Olhava pra baixo e estava apoiado na parede.
Flávia: Fê... – Ele olhou pra ela.
Felipe: O que você quer conversar comigo? Por que a Manuela veio junto?
Flávia: Não precisa ser grosso. Eu quero ela aqui.
Felipe: Vão dar outro beijo? – Ele me olhou feio, mas eu continuei quieta.
Flávia: Para, Felipe. Calma... Tu não vai me dizer que terminou comigo por isso, né!?
Felipe: Não, po. A gente já conversou sobre tudo o que tinha pra conversar, Flávia. Não dá mais pra gente ficar junto. Já era.
Flávia: Me explica o motivo. – Ela começou a chorar depois que falou. – Eu não posso ficar sem você.
Felipe: Eu vou me mudar, Flávia. Vou sair de São Paulo. Não da mais pra gente ficar junto.
Flávia: Que? – Ela correu na direção dele e o abraçou. Ele ficou olhando pra frente. Não teve nenhuma reação. – Vai mudar? Como assim, meu amor? Não. Você tem que ficar aqui comigo. Por favor. – Ela beijou o rosto dele e ele colocou as mãos na cintura dela.
Felipe: Não faz isso, Flávia. Por favor. Vai ser melhor assim. Eu não queria essa reação. Por isso, terminei sem te contar nada. Não da pra mudar essa decisão. Até porque não depende só de mim. Não chora. Eu não quero te ver chorando. – Ele olhou pros olhos dela e ela o beijou. Eles ficaram se beijando por pouco tempo. Decidi sair dali. Não ia ser muito útil eu ficar ali. 
Andei em direção a frente do colégio, estava bem distraída quando senti alguém puxar o meu braço com força. Me fez virar de frente para ele quando me puxou.
Meu coração disparou quando viu o Otávio. Ele estava sério. Me olhava com rancor.
Otávio: Olá, Manuela.
Manuela: Olá, Otávio. – Não demonstrei medo, apesar de estar morrendo.
Otávio: Alguma coisa me fez ter certeza que eu ia te encontrar.
Manuela: Talvez eu estude nessa escola ainda, por isso a facilidade. – Eu fui irônica. – Poderia soltar o meu braço se não for incomodo? – Ele me soltou.
Otávio: Ta feliz?
Manuela: Sinceramente? Tô. Por que a pergunta? – O tom de ironia era nítido na minha voz.
Otávio: Para de ironia, Manuela. Eu to falando sério contigo.
Manuela: Eu também estou. Então, me responde.
Otávio: Ta feliz que tirou meu emprego?
Manuela: Diga-se se passagem que não fiquei triste por isso.
Otávio: Vagabunda. Tu não tem medo?
Manuela: De você? Parece que eu tenho. – Ele me olhava fixamente. Eu falei segura, sem estremecer. 
Otávio: Eu posso espalhar o seu segredinho pra escola toda. Já pensou os seus coleguinhas sabendo que a Manuela Bosi é prostituta? Será muito legal. Fora que tem suas amiguinhas também.
Manuela: Se você não fez isso até agora, deve ter algo melhor em mente pra se vingar de mim.
Otávio: Sempre admirei sua inteligência.
Manuela: Agradeço. Vai me contar seu plano?
Otávio: Com todo prazer, apesar de ele não estar finalizado ainda. Tu vai comer na minha mão, Manuela. Vai fazer absolutamente tudo que eu mandar, se não quiser que todos saibam do seu segredinho.
Manuela: Sério, Otávio? Jura? Você é tão melhor do que isso. Quer saber? Segue em frente, entra nessa escola e diz pra tudo mundo a verdade. Eu não ligo. Quem eu gosto, me aceita assim. Vai lá. Boa sorte. – Eu blefei, eu não deixaria-o ir pra escola e contar tudo. Não queria isso. Mas ele caiu na minha.
Otávio: Tu me paga, Manuela. Tu me paga. Toma cuidado comigo.
Manuela: Ui, to morrendo de medo.
Ele saiu em uma moto e eu joguei um beijo no ar pra ele. Voltei pra frente da escola e estava meio nervosa. Corri abraçar o Guilherme e ele me olhou preocupado.
Guilherme: Parece que tu viu um fantasma, Manu. Tá mais pálida que o normal. – Eu estava realmente transtornada. Com medo de Otávio. Respirei fundo.
Manuela: Um fantasma eu não diria, ta mais pra monstro. O Otávio.
Guilherme: Sério? Ele estava por aqui? Ele fez alguma coisa com você? Eu vou acabar com ele.
Manuela: Não. Não. Só me ameaçou, mas ele não seguiu em frente com o plano dele.
Guilherme: Melhor assim. – Ele me apertou no abraço. Colocou as mãos nos meus cabelos e ficou fazendo carinho até que a Flávia apareceu.
Manuela: E aí, amiga? – Ela deu um sorriso. – Nem precisa falar. Já entendi tudo. Se resolveram?
Flávia: Sim e não. Ele vai se mudar mesmo, mas vamos continuar juntos e pensar no futuro só depois.
Manuela: Que ótimo, amiga. – Ela me roubou dos braços do Guilherme e me abraçou. Ele olhou bravo e nós rimos.
Voltamos pra casa. Almoçamos e Guilherme me acompanhou ao hospital com a Bruna. Ela estava tendo alta. Os médico passou vários encaminhamentos para outros médicos.
Ela estava gastando uma fortuna com médicos e remédios. Nós fomos de taxi até em casa com ela. Bruna foi direto pro quarto. Ela ainda estava bem fraca.
Guilherme e eu ficamos na sala com as meninas. Ela estavam assistindo um filme. Foi triste não poder ficar agarradinha com o Guilherme durante o filme. Mas discretamente, ficamos com as mãos dadas. Ele me beijava quando tinha certeza que a mãe dele não estava perto. Depois eu evitei os beijos, era perigoso demais.
Helen desceu do quarto dela e parou pra assistir o filme com a gente. Estava inquieta. Olhava pro celular de meio em meio segundo.
Manuela: Helen, ta tudo bem?
Helen: Tudo perfeito, querida. Fique tranquila. – Ela não parecia nada tranquila. Saiu de casa as pressas.
Manuela: O que tua mãe tem? – Perguntei pro Guilherme.
Amanda: Da pra prestarem atenção na droga do filme? – Sim, a velha Amanda estava de volta. Chata, rude e grossa de sempre. Preferia a outra.
Manuela: Ok. Desculpa.
Eu fiquei abraçada com o Guilherme até o filme acabar.
Quando acabou, ele subiu pro meu quarto comigo.
Guilherme: Só eu que percebi que a Jack anda estranha ultimamente? – Eu estava virada de frente pra ele. Me deitei na cama.
Manuela: Não. Ela ta mais quietinha. Era mais alegre, comunicativa.
Guilherme: Ta geral estranho nessa casa, puta merda.
Manuela: Eu to estranha? – Ergui uma sobrancelha e ele sorriu. Deitou-se sobre mim e começou a beijar o meu pescoço.
Guilherme: Você ta cada vez mais gata, isso sim. – Eu sorria.
Guilherme começou a me beijar. Passava a mão por toda lateral do meu corpo e apertou a minha cintura. Eu elevei o quadril e encostei mais meu corpo no dele. Ele começou a roçar o quadril dele em mim. Nós nos beijávamos com intensidade. Eu coloquei as mãos nas costas dele e alisava.
Estávamos sem fôlego de tanto nos beijar, até que a Flávia entra toda agitada no quarto. Guilherme saiu imediatamente de cima de mim. Meu coração estava acelerado. Pensei ser outra pessoa, não a Flávia.
Flávia: Ai, que droga! Estraguei o clima, né!?
Manuela: Com certeza, amiga. – Ela riu e eu também. Guilherme parecia meio bravo.
Flávia: Foi mal, gente! Mas a Helen ta aí e ta super nervosa. Quer uma reunião.
Manuela: Ela não acabou de sair?
Flávia: Já voltou e tá totalmente sem paciência. Fez até a Bruna ir pra reunião.
Manuela: A gente já vai.
Flávia: Vão separados pra evitar que ela brigue. Vão rápido. Andem.
Nós nos ajeitamos, Guilherme saiu primeiro e eu, em seguida.
Helen estava em pé na frente de televisão. Sentei no sofá do lado da Flávia.
Helen: Quem é que roubou 500 reais que estavam naquele vaso? – Ela apontou pro vaso. Todo mundo ficou meio em dúvida do que ela estava falando.
Flávia: Roubar? Ali tinha dinheiro? Eu nem sabia da existência desse dinheiro ali. Não tem como eu ter pego.
Manuela: Somos duas.
Jack: Três.
Lua: Quatro.
Amanda: Cin... – Helen a cortou.
Helen: Calem a boca. Eu não quero saber que número vocês são. Quero saber quem é que pegou essa merda de dinheiro. Vou dar 10 segundos pra uma de vocês se manifestarem. É sério. Senão, vou descontar 500 reais de todas as diárias de vocês, durante 6 meses. – Foi bafafá quando ela acabou de falar aquilo.
Lua: Que? 500 reais por dia?
Flávia: Isso é injusto. Eu não peguei esse dinheiro.
Amanda: Eu não aceito isso. Não peguei e não tenho que sofrer as consequências.
Helen: Calem essas bocas. – Ela berrou. – Esse dinheiro sumiu hoje. Eu quero saber quem foi. Vou contar até 10. Começando... Agora. Um.
Jack: Isso é injusto. Eu não peguei.
Helen: Dois.
Guilherme: Po, mãe, da uma chance delas tentarem descobrir quem foi.
Helen: Três. Não se mete, Guilherme.
Lua: Não fui eu. – Ela levantou as mãos.
Helen: Quatro.
Jack: Gente, quem foi? Sério? Falem. É injusto todas sofrerem pela merda que só uma fez.
Helen: Cinco. Seis. – Ela começou a contar mais rápido.
Amanda: Porra, velho, falem logo.
Helen: Sete. Oito.
Manuela: Helen, por favor. Dá um tempo pra gente. A gente vai descobrir quem roubou.
Helen: Nove. – Ela me olhou séria.
Bruna: Fui eu.
Helen: Eu sabia que alguém ia se manifestar. Vem aqui, Bruna. – Ela se levantou e foi até a Helen. Helen sorriu pra ela e bateu com toda força no rosto dela. Puxou-a pelo cabelo e a fez cair no chão. – Eu quero a droga desse dinheiro em duas horas na minha mão. Se vira. Eu to me fudendo pra como você gastou. Só quero meu dinheiro. Putinha miserável. – Ela bateu no rosto da Bruna de novo.
Helen saiu de casa. Ajudamos Bruna a se levantar. Ela começou a chorar.
Manuela: Por que tu pegou o dinheiro.
Bruna: Eu não peguei. – Ela me olhou com lágrimas nos olhos.
Manuela: Então por que você se entregou?
Bruna: Vocês não entenderam que a minha vida ta uma droga? Você sabe toda a verdade, Manuela. Sabe o que eu tenho e que é o fim pra mim. Eu não me importo mais com nada. Nada. Eu quero acabar com a minha vida. Eu quero morrer. Já não faço questão de ficar viva. Não desse jeito.
Amanda: Que jeito?
Guilherme: É, po. O que é que tu tem?
Bruna: Aids. É isso que eu tenho. – Ela desmoronou. Começou a chorar feito louca. Eu não aguentei, chorei com ela. Lua a abraçou.
Amanda: Meu Deus!
Flávia: Eu não acredito.
Jack: Como tu pegou?
Bruna: Isso não importa. Agora já era. Eu me entreguei porque eu não quero que as pessoas me olhem como vocês estão me olhando agora. Com dó, com pena. Com preconceito. Eu não aguento isso. Eu não quero isso pra mim. Eu prefiro ser morta pela Helen do que viver assim.
Manuela: Não fala isso. Você tem a vida toda pela frente. Tu pode ter uma vida normal. Tu ouviu o médico.
Bruna: Normal? Tomando remédio de 12 em 12 horas? Tomando cuidado pra não ultrapassar qualquer limite, senão eu morro? Isso não é normal pra mim. Eu não quero viver assim. E outra, eu não quero esse filho. Não quero. Eu amava o Samuel. Amava. Ele me dava carinho, amor... Até descobrir a existência dessa coisa... – Ela chorava e colocou a mão na barriga. Apertou com força e "puxou" a mesma. Todas nós olhávamos com pena pra ela. Era impossível olhar de outra maneira. – Eu pedi pra ele me dar drogas, mais do que antes. Muito mais. Queria abortar. E ainda quero. Esse filho não é querido. Nunca vai ser. Como eu vou amar o filho de alguém que me bate? Me maltrata? Alguém que não me ama?
Manuela: Seu filho não tem culpa do Samuel ser um merda.
Bruna: Não adianta. Ele vai continuar sendo filho do Samuel.
Guilherme: Po, Bruna, para com esse nóia. De verdade. Tu é melhor do que isso. Eu tentei te ajudar, mas tu não quis a minha ajuda. Pelo visto, não quer a ajuda de ninguém. Mas sua vida não acabou. Ter aids não significa atestado de morte. Tu tem amigos que te querem bem.
O Samuel vacilou, isso é, mas cara, o teu filho tem culpa disso? Ele está aí, crescendo na sua barriga, dependendo de você. E tu vai querer tirar a vida dele? Ou pior, a sua?
Bruna: Não tem mais sentido viver. Eu não quero mais viver nesse inferno. Não quero. – Ela começou a gritar. – Não quero.
Manuela: Calma, Bruna. – Ela se soltou da Lua e correu pra fora de casa.
Jack: Eu não quero pegar aids dela.
Manuela: Nossa, Jack, tu me surpreende, cara. Tu sabe muito bem que só pega aids transando sem camisinha. Ou por transfusões de sangue. Tu sabe o que é sofrer preconceito e agora tem essa reação? A Bruna precisa de todo nosso apoio. Como vocês viram, não ta sendo fácil pra ela. Ela ta pensando em se matar. Isso é muito grave.
Jack não me respondeu. Cruzou os braços e ficou me olhando. Eu fui atrás da Bruna. Andei por várias ruas, mas não achei em nenhum lugar.
Eu sentei em uma calçada numa rua próxima a casa da Helen. Fiquei lá um tempo, pensando em tudo.
Pensando no que eu tinha me tornado e como minha vida tinha mudado. Pensei na minha mãe e na falta que ela me fazia. Pensei em milhões de coisas. Depois decidi voltar pra casa.
Pra minha enorme surpresa, Gabriel estava lá quando eu entrei. Estava na sala com a Lua. Nunca nenhuma das meninas tinha levado o "namorado" pra casa. Helen nunca proibiu, mas nunca ninguém tinha levado. Por isso eu estranhei.
Gabriel me viu entrando. Ele estava abraçado com a Lua no sofá e se levantou ao me ver. Eles estavam assistindo um filme.
Lua: Tinha que ser... – Ela fez uma cara emburrada.
Manuela: Só estou entrando, podem ficar a vontade.
Gabriel: Não, Manu. Fica aqui com a gente.
Lua: Que? Não. Ela vai lá em cima com o Guilherme. Não é, Manuela!? – Ela se levantou e me olhou brava.
Manuela: É. É... Isso mesmo. Ele está me esperando lá em cima.;
Gabriel: Que pena. Então ta bom. – Eu sorri em resposta e subi as escadas. Gabriel voltou se sentar com a Lua.
Eu fiquei observando os dois. Ela ficou emburrada com ele, mas ele a abraçou como antes. Ela olhou pra trás e me viu no topo da escada. Segurou o rosto dele e o beijou. Eu me virei e fui pro meu quarto.
Manuela: E esses dois? Helen permite isso? – Flávia estava deitada na cama.
Flávia: Nunca proibiu. Acho que ela não contava que alguma de nós trouxéssemos namorados pra cá. Por que a pergunta? Ciúmes?
Manuela: Ciúmes? Do Gabriel? Não. Claro que não. Pirou? Eu que fiz Lua e ele ficarem juntos.
Flávia: Algo me diz que tem uma pontinha de sentimento ainda.
Manuela: Não viaja, Flá. Eu amo o Guilherme. Tu sabe muito bem disso.
Flávia: Ta legal. Não ta mais aqui quem falou.
Manuela: Acho bom. – Ela riu. – Amiga, to com medo.
Flávia: De que?
Manuela: Otávio.
Flávia: Por que? – Contei tudo a ela e ela ficou meio preocupada. – E se ele contar pra todo mundo mesmo?
Manuela: Ele não vai fazer isso.
Flávia: Como tem tanta certeza?
Manuela: Intuição. O problema dele é comigo. Ele quer me prejudicar. Contando tudo, ele prejudicaria vocês também. Acho que não é essa a intenção dele.
Flávia: Nossa, amiga...
Nós ficamos conversando, depois eu fui estudar. Helen voltou e Bruna não estava em casa. Ela estava furiosa, queria o dinheiro dela de volta. Se não foi a Bruna, quem tinha sido?
Chegou a hora de irmos pra boate e a Amanda fez o show de hoje. Ficamos no camarim esperando.
Flávia: E o Gabriel, Lua?
Lua: O que tem ele? – Ela estava se maquiando. Olhou pra Flávia pelo espelho.
Flávia: Já transaram?
Lua: Que pergunta imprópria.
Jack: Aposto que não pela resposta que tu deu Lua.
Lua: Por que vocês querem saber disso?
Flávia: Curiosidade. Ele é bom de cama?
Lua: Ele é maravilhoso de cama.
Flávia: Ele foi carinhoso ou mais selvagem?
Lua: Selvagem.
Manuela: Na primeira vez de vocês também? – Estranhei.
Lua: Sempre.
Manuela: Estranho.
Lua: Estranho por que, Manuela? Por que agora ele está comigo? Qual é o seu problema?
Manuela: Ei, ei... Calma! Por nada, só estranhei. Não pode?
Lua: Tu é cínica. Se faz de sonsa, mas fica armando esse teatrinho.
Helen: O que ta acontecendo aqui? – Ela entrou no camarim e viu a briga.
Jack: A Lua ta dando uma ceninha de ciúmes.
Lua: A Manuela que me provoca. Ela quer o que é meu.
Helen: Duvido muito que a Manuela se preste a isso. Já o contrário, eu não colocaria minha mão no fogo. – Lua não falou mais nada. Ficou calada.
Helen me chamou pra fazer programa com o cliente mais rico e poderoso dela. Ele era alto, moreno e gostoso. Me comeu deliciosamente. Atendi mais uns 20 homens. 
Voltamos pra casa e eu fui pra cozinha. Estava morta de fome. Pro meu susto, Amanda apareceu na cozinha e acendeu a luz.
Manuela: Que susto.
Amanda: Desculpa.
Manuela: Quer um pão? – Apontei o meu pão que estava na minha mão. – Faço um pra tu.
Amanda: Não. Só quero você.
Manuela: Amanda...
Amanda: A gente não conversou depois que eu me "declarei".
Manuela: Achei que fosse brincadeira. Tu tava bêbada.
Amanda: Não era. É verdade, Manu. Eu to apaixonada pra você. – Ela foi se aproximando de mim e eu ia dando uma passo pra trás. – Eu não quero mais disfarçar esse sentimento. – Eu comecei a ficar com medo. Não dela em si. Mas de ela me agarrar. Eu não queria ficar com ela. E fora que eu estou namorando. Guilherme não aceitava o meu "trabalho", mas sabia que eu não tinha escolha.
Manuela: Amanda, o que você está tentando fazer?
Amanda: Eu quero sentir você. Sua boca. Seu corpo. – Eu fui me afastando e ela se aproximando. Até que cheguei na geladeira e me encostei nela. Amanda se aproximou depressa, sem me dar tempo de fugir. Segurou o meu pulso e colocou pra cima, prensando contra a geladeira.
Manuela: Me solta.
Amanda: Não quero. Não posso. – Ela me olhava diferente. Amanda colocou os lábios na parte de cartilagem da minha orelha. Começou a morder devagar. Colocou a mão livre na minha cintura e começou a apertar a mesma. Eu coloquei a minha mão livre na barriga dela e empurrei. Me soltei e andei pra longe dela.
Manuela: Tu não tem o direito de me forçar a isso. Eu não sinto atração por meninas.
Amanda: Mas você beijou a Flávia. Transou com a Flávia.
Manuela: Uma das vezes, me pagaram pra isso. Nas outras, foi em um jogo. – Ela começou a me seguir. Eu andava rápido pela cozinha. – Amanda, para. Você ta me assustando.
Amanda: Por que você não pode me beijar? Eu só quero um beijo. – Ela não ia desistir tão fácil.
Manuela: Eu não posso. Você sabe que eu estou com o Gui... – Meu coração saltou. Eu vi a Helen parada na minha frente. Eu não tinha completado o nome do Guilherme, mas o medo dela ter entendido me invadiu completamente. Era o fim. Minha vida ia acabar. A vida da minha mãe. Só consegui pensar no pior. O que ela faria comigo se soubesse que eu estava com o Guilherme? Eu me arrepiei por completo. O medo tomou conta de mim.
Helen: Por que vocês ainda estão acordadas? – Eu travei. Não consegui pronunciar uma palavra. – O que tem o meu filho no meio da conversa de duas prostitutas.
Amanda: A Manuela estava me contando que ela ajudou o Guilherme hoje e vai ajuda-lo amanhã com inglês. Por isso ela não pode me ajudar.
Helen: Guilherme tem muita dificuldade nisso mesmo. Manu, tu sempre sendo um anjo. Assim você vai longe, garota.
Eu sorri e assenti com a cabeça. Ela pegou uma fruta e foi pro quarto dela.
Manuela: Obrigada. – Falei aliviada.
Amanda: Eu faço tudo por você.
Manuela: Não começa de novo, por favor.
Amanda: Perdi a batalha, não a guerra. – Ela não me deixou responde-la, saiu da cozinha rápido.
Eu terminei de comer e voltei pro quarto. Flávia estava toda pensativa.
Manuela: Que foi, amiga?
Flávia: Nada.
Manuela: Sabia que você não me engana, né!?
Flávia: Eu sei. Só respondi "nada", pra ter um tempo pra arrumar uma boa desculpa que te convencesse. – Ela me olhou meio triste.
Manuela: Por que precisa de uma desculpa?
Flávia: Amiga, eu não to aguentando mais isso... – Ela desandou a chorar. Eu corri abraça-la.
Manuela: Flá, por que você ta chorando? Meu Deus!
Flávia: Eu não aguento mais esse inferno. Eu quero sair dessa vida. Eu quero ser feliz com o Felipe. Quero o perdão da minha mãe. Eu quero minha vida de volta.
Manuela: Calma, amiga. Por favor. Eu também quero. Você sabe. Eu to lutando pra isso. Eu só preciso que o destino fique ao meu favor, só um pouquinho. Porque se ele me ajudar, a gente destrói a Helen e se livra dela.
Flávia: Eu já pensei em fugir tantas vezes. Mas só de lembrar o que ela fez com a Jack quando ela tentou, me da calafrios.
Manuela: A Jack já tentou fugir?
Flávia: Sim. Bem no começo dela aqui. Helen judiou muito dela. A tratou mal. Mais do que a todas aqui. Você foi tratada como rainha, em comparação as outras. Helen tem uma simpatia estranha por você.
Manuela: Pensei que ela tinha sido assim com todas.
Flávia: A Lua é a mais revoltada pelas maldades que a Helen já fez. Jack, Amanda e eu nos conformamos. Bruna sempre foi estourada. Sempre respondeu a Helen e sempre era castigada. Mas isso foi no começo dela aqui também.
Depois a Helen mudou da água pro vinho. Ficou mais generosa, sabe!? Ela nos deixou voltar pra escola e ter uma vida normal.
Manuela: Antes vocês não tinham?
Flávia: Não. Amanda perdeu um ano por isso. Fora que éramos tratadas como escravas quase. Era um horror. Hoje em dia, ela nos da muito mais liberdade. Guilherme mudou com ela também. Eles não eram tão próximos quando ela nos tratava mal. Ele tinha medo dela. Mas aí depois de tudo, eles são carne e unha.
Manuela: Por isso eu tenho que tomar cuidado pra destruí-la. Ele não vai me perdoar se souber que fui eu.
Flávia: Amiga, não vai mesmo. Ele é doido pela mãe dele. É orgulhoso e as vezes, parece que não gosta tanto da mãe, mas não se engane. Ele faria tudo por ela.
Manuela: Disso eu sei. Quem não sabe? Ele defende uma mulher que prostitui seis meninas. Quatro delas ainda são menores de idade. Tenho certeza do amor dele por ela. E não o condeno, eu amaria minha mãe de qualquer modo. Sendo ela, o que fosse.
Flávia: É, amiga... Sinto tanta falta da minha mãe. – Ela voltou a chorar. Eu a abracei de novo.
Manuela: A gente vai sair dessa. Juntas. De cabeça erguida e pisando na Helen. Acredita, amiga.
Nós decidimos ir dormir porque já era tarde.
No outro dia, acordei super bem disposta. Fui tomar café toda alegre. Bruna estava melhorzinha. Era bom vê-la assim.
Manuela: Bom dia, flores do dia. 
Jack: Nossa, que menina feliz. – Eu dei risada ao ouvi-la.
Manuela: To de bom humor hoje.
Guilherme: Viu o passarinho verde, amor?
Manuela: Nossa, essa tu roubou da tua bisavó. Certeza, amor. – Todo mundo riu. Eu me aproximei dele e beijei-o.
Guilherme: E o medo de que minha mãe nos pegue, passou? – Ele interrompeu o beijo pra falar. Eu sorri e mordi o lábio inferior.
Manuela: Ouvi a bruxa má saindo mais cedo. – Ele me olhou feio e todas as meninas riram.
Guilherme: Tua sogra. Vai falar mal dela mesmo? – Eu assenti com a cabeça, querendo dizer que sim. Ele me cutucou e deu risada. – Tu não presta.
Manuela: Mas tu gosta. – Sentei na mesa ao lado de Guilherme.
Bruna: Po, se fosse eu que tivesse xingado tua mãe. Tu tava quase me batendo.
Guilherme: Tem um direito nacional, talvez seja internacional, que permite xingamento na sogra. Não posso interferir nisso. – Nós rimos e Bruna olhava brava pra ele. Ele tacou um pedaço de pão nela e ela mostrou o dedo no meio pra ele. Ele colocou o braço em volta do meu pescoço.
Flávia: Se vocês não me chamarem pra madrinha do casamento. Eu mato os dois. – Eu olhei pra Guilherme e ele entendeu. Ficamos sérios e olhando pra ela.
Manuela: Então, amiga, a gente já convidou outra pessoa...
Guilherme: É, po, o Felipe aceitou ser padrinho junto com a Isabela ou a Regina. Já era. – Prendemos o riso e esperando a reação dela.
Flávia: Vocês tão me zuando, né!? – Ela olhava apreensiva pra gente.
Guilherme: Claro que não. Felipe amou a ideia até.
Flávia: Eu vou matar aquele... – Nós não aguentamos e começamos a rir. Flávia entendeu que era brincadeira e nos bombardeou com xingamentos. – Odeio vocês.
Manuela: Sabemos que não.
Amanda: Bom dia. – Ela tinha acabado de chegar na cozinha.
Flávia: Não vai pra aula, madame?
Amanda: Perdi hora e a Helen não me levou. Não to afim de pegar ônibus e chegar na segunda ou terceira aula. Que se foda. Não preciso de escola mesmo.
Bruna: Eu não diria isso com tanta certeza. – Nós rimos.
Flávia: Nem eu.
Amanda: Se ferrem.
Lua: Ah, o Biel quer vir me buscar aqui. – Ela disse toda empolgada.
Flávia: De carro?
Lua: Óbvio, né. Ele faz 18 esse final de semana e o pai dele já deu um carro pra ele.
Guilherme: E ele já vai dirigir? Espero que a policia pegue ele.
Manuela: Amor... – Eu disse rindo e dei um selinho nele.
Lua: Ele ta sendo tão fofo comigo. Tão maravilhoso.
Guilherme: Calma aí que eu vou lá vomitar e já volto. – Ele disse ironicamente. Nós rimos, menos a Bruna.
Amanda: Que papo chato.
Lua: Isso é inveja. Porque eu tenho ele.
Amanda: Pena que não é bem o que ele quer.
Lua: Pois, é, né, Amanda!? Nem todo mundo tem o que quer. Você, por exemplo, nunca vai ter o que quer. – Ela estava se referindo a mim. As duas brigavam, mas ninguém interferiu.
Amanda: É, pode até ser. Mas o que eu quero, o "seu" Gabriel também quer.
Lua: Vadia. – Ela saiu brava da mesa.
Manuela: Muito obrigada, Amanda! – Disse ironicamente.
Amanda: Foi mal...
Guilherme me olhou meio estranho, eu segurei o rosto dele e enchi de beijos. Nós terminamos de nos arrumar e um carro buzinou na frente de casa. Olhei pela janela da sala e era o Gabriel.
Manuela: Lua, é pra você.
Lua: Eu sei. – Ela foi seca.
Lua saiu com a mochila nas costas e foi em direção ao carro. Fiquei olhando da porta e Gabriel me viu. Lua olhou pra trás e viu Gabriel me encarando. Ele sorriu pra mim e eu sorri em resposta.
Ela entrou no carro e deu um selinho nele. Ele não tirou os olhos de mim.
Gabriel: Manu, vem também. Chama as meninas.
Jack: Eu aceito a carona. – Ela disse aparecendo na porta e indo em direção ao carro.
Flávia: Eu também. Não sou a pé não.
Bruna: Nem eu. – Elas foram pro carro e entraram.
Gabriel: Vem, Manu.
Lua: Gabriel. – Ela olhava brava pra ele.
Guilherme apareceu na porta de casa e eu o abracei.
Manuela: Não tem mais lugar aí. Fica tranquilo, Gabriel. Vou com o Guilherme. Obrigada por oferecer a carona.
Gabriel: Fica pra próxima então.
Manuela: É...
Ele ligou o carro e dirigiu. Eu fiquei olhando pro Guilherme. Ele parecia meio triste.
Guilherme: Não vou com a cara dele.
Manuela: Ele ta com a Lua agora. Você não tem com o que se preocupar.
Guilherme: A Lua parece estar com ele. Ele não. Da pra ver de marte que ele é louco por você.
Manuela: Pena que eu sou louca por você. – Eu o abracei e ele correspondeu.
Nós pegamos nosso material e fomos pra escola a pé. Chegamos e fomos pra sala.
Flávia: Amiga, Gabriel só faltou te pegar no colo e te por dentro do carro.
Manuela: Eu percebi. Guilherme não curtiu muito isso não. –Falávamos baixinho e perto uma da outra.
Flávia: Ele veio o caminho todo falando de você.
Manuela: Perto da Lua? Merda!
Flávia: Falou bem de tu. Lua ficou meio bolada, mas não fez nada. Ela não tem nada pra fazer. Ela sabe que ele tem um amor encubado por você. Todo mundo sabe.
Manuela: Para, amiga. Eles tão juntos e ponto final. Eu não quero ele.
Flávia: Diz isso pra ele então. – Ela riu e o sinal pra aula começar bateu.
As provas finais do primeiro bimestre estavam chegando. Eu tinha estudado bastante, mas precisava me dedicar mais. Chegamos da escola e eu me tranquei no quarto e só sai de lá no final da tarde.
Bruna foi a um médico infectologista e ele passou milhares de medicamentos e exames pra ela fazer. Ela também foi em uma médica para acompanhar a gravidez dela. Ela, provavelmente, estava com um mês e meio de gravidez.
A semana de provas foi cansativa, tirou toda minha atenção e tempo, mas eu tinha ido bem. Pelo menos isso. Guilherme ainda estava com dificuldade em inglês e por isso, eu ajudei ele. Flávia não entendia matemática por nada no mundo. Guilherme e eu tentamos ensina-la, mas ela esquecia de tudo meia hora depois. Bruna tinha ido mal nas provas. Não estudava e não estava preocupada com as notas dela. Eu tentei incentiva-la, mas não funcionou. Ela estava empenhada em se afundar ainda mais.
Meu número de clientes sumiu na boate. Eu era cada vez mais procurada. Isso era ótimo. Fiz todo tipo de programa imaginável. Com velhos, novos, gordos, magros. Com caras viciados em sexo e até mesmo, virgens. Um casal pediu um programa comigo. Foi diferente, porque eles eram malucos. Pediram posições loucas. O programa mais estranho foi com uma garota. Ela e eu sozinhas. Foi bem diferente. Eu já tinha feito em três, com a participação de um homem, mas só nós duas foi algo novo. Foi bom, porque ela se preocupou em me dar prazer e não só receber.
Guilherme e eu estávamos cada vez mais próximos. Parecia que nada podia nos abalar. Nada mesmo. Eu pensei que essa calmaria, era bom demais pra ser verdade. Mas era verdade e eu estava feliz. Ele me fazia feliz e eu não acreditava que nada pudesse interferir no nosso relacionamento. Nada a não ser a mãe dele.
Mas logo, logo, eu iria acabar com a Helen e ela não seria mais um problema entre nós dois.
Nós sempre nos pegávamos em casa. Helen quase nos flagrou um dia. Foi pro pouco que escapamos. A Lua e o Gabriel estavam definitivamente namorando. Ouvi as meninas dizerem pela casa que Lua "forçou" ele a pedi-la em namoro. Mas Gabriel não faz do tipo que cede tão fácil. Ele deve mesmo estar gostando dela.
Jack andou meio estranha essa semana. Como o Guilherme disse uma vez, parecia ter visto o passarinho verde. Flávia e Felipe tinham reatado e continuaram firme. Estava dez vezes mais grudentos do que antes. Grande novidade.
Amanda me dava umas indiretas que me deixavam sem graça. Guilherme brigava com ela toda vez, mas ela insistia com as indiretas.
Na escola, Samuel nem olhava pra cara da Bruna. Parecia que eles não se conheciam. Ela não deu muita bola. Isabela estava sempre pendurada no pescoço dele e atrás, a vela do casal, a Regina.
Henrique andava estanho também. Tinha se afasto do Gabriel e do Samuka. Vai saber. 
A festa de aniversário do Gabriel seria no sábado. Na quarta-feira, Lua veio nos entregar os convites. Ela entregou o de todos e deixou o meu por ultimo. 
Lua: Estou de entregando porque o Gabriel fez questão. Mas se puder me fazer um favor, nem apareça lá. – Ela disse baixo e só eu pude ouvi-la. Dei um sorriso e assenti com a cabeça depois que ela me entregou o convite.
O convite era todo chique e descolado. A festa seria em uma boate meio longe daqui, mas era uma das melhores e maiores.
Eu nem tinha cogitado a ideia de ir a festa do Gabriel. Mesmo. Não estava afim. Guilherme me chamou pra ir com ele em um lugar, que seria uma surpresa pra mim. Eu aceitei. Ele foi convidado pro aniversário, mas também não fez questão de ir.
Na sexta de manhã no colégio, eu estava voltando do banheiro feminino e Gabriel me parou na metade do caminho.
Gabriel: Manu...
Manuela: Oi, Biel.
Gabriel: Tu vai, né!?
Manuela: Ir onde? – Estranhei.
Gabriel: Na minha festa, po. Faço questão que tu vá.
Manuela: Ah, Biel, não vai dar. De verdade. Queria muito ir, mas tenho outro compromisso.
Gabriel: Não acredito que tu não vai. Po, Manu... – Ele me olhou meio triste.
Manuela: Todos os teus amigos vão estar lá. A Lua vai estar lá. Tu nem vai sentir minha falta. Sério. – Eu sorri. Cheguei mais perto dele, fiquei meio sem graça, mas o abracei. – Parabéns adiantado, Biel. Muitas felicidades pra ti. Tu merece.
Gabriel: Eu... – Ele aproximou o lábios na minha orelha direita e falou baixinho: – Eu queria merecer você. – Ele apertou o meu corpo no dele. Eu desviei do abraço e afastei o meu corpo do dele.
Manuela: Bom, vou já vou indo. Guilherme está me esperando.
Gabriel: Vou sentir tua falta. – Eu sorri em resposta e sai dali.
Encontrei todo mundo na cantina. Abracei Guilherme e nós combinamos tudo pro final de semana. Ele não me contou pra onde me levaria, estava mega curiosa.
A aula passou voando depois da realização da ultima prova da semana. Não via a hora de tudo acabar. Nós voltamos pra casa e as meninas foram comprar roupa nova pra ir pro aniversário de Gabriel.
Eu fiquei em casa com o Guilherme. Ele estava jogado no sofá, assistindo televisão. Fui até ele e me sentei no colo dele.
Guilherme: Sai daqui, tu ta gorda. – Ele disse rindo e segurou a minha cintura. Eu mostrei a língua e ele me beijou.
Manuela: Bem tu que gosta dessa gorda. – Disse interrompendo o beijo.
Guilherme: Vou te dizer que gosto um pouco de nada. Bem pouquinho mesmo.
Manuela: Pouquinho quanto?
Guilherme: É tão pouco que eu nem sei falar quanto. – Nós rimos e ele me beijou. 
Deito no colo dele e nós ficamos assistindo televisão. Depois ele me ajudou a dar uma geral na casa. Estava uma bagunça.
Depois nós fomos pro quarto dele e pegamos no sono abraçadinhos na cama. Acordei com os berros da Helen nos chamando pra irmos pra boate.
A noite na boate foi lucrativa. Fiz mais clientes do que o normal. Voltei pra casa exausta e capotei. Acordei com as meninas entrando no meu quarto umas 10 da manhã.
Jack: Me empresta seu rímel, Flá?
Flávia: Falem baixo. Vão acordar a Manu.
Manuela: Já fizeram isso. – Disse tapando a minha cara com o travesseiro.
Elas pegaram o que precisavam e saíram do quarto. Eu me sentei na cama e fiquei olhando a Flávia arrumando as coisas de maquiagem dela.
Manuela: Dez horas da manhã e vocês já começaram a se arrumar? Sério?
Flávia: Óbvio. A gente daqui a pouco vai pro salão. Bora?
Manuela: Eu não vou, amiga.
Flávia: Pro salão de beleza ou pra festa?
Manuela: Ambos.
Flávia: Por que?
Manuela: Longa história. Mas resumindo, vou sair com o Guilherme.
Flávia: Hm... Safadinhos. – Nós rimos.
Ela desceu e eu fiquei no quarto por um longo período de tempo. Fiquei deitada, estava morrendo de preguiça de levantar.
Na hora do almoço, Flávia me empurrou até a cozinha. Todos nós almoçamos. Helen almoçou com a gente. As vezes, ela aparecia e ficava um tempo com o filho dela. 
A Bruna ainda estava com enjoo. Passava a maioria do tempo no banheiro vomitando ou deitada. Helen achava estranho, mas nós dissemos que ela estava desnutrida. Foi a unica desculpa que conseguimos inventar.
As meninas foram pro salão umas 3 da tarde. Amanda ficou, ela não tinha sido convidada, porque não era amiga do Gabriel.
Guilherme saiu, tinha ido preparar a tal surpresa pra mim. Amanda apareceu na sala, onde eu estava assistindo tv.
Amanda: Ta assistindo o que?
Manuela: Bob esponja.
Amanda: Desenho, Manu? – Ela riu. 
Manuela: Eu gosto, ta legal? – Disse prendendo o riso. Continuei prestando atenção na televisão.
Amanda: Ta legal, marrentinha. – Ela disse em um tom estranho e foi sentando no meu lado.
Na mesma hora, Guilherme entrou em casa. Ele veio até o sofá e me deu um selinho.
Guilherme: Ciscando no terreno dos outros, Amanda?
Amanda: Vai que cola. Tenho que tentar. – Ela riu e bateu de leve na cabeça dele. Subiu pro quarto dela.
Guilherme: Essa garota é doida.
Manuela: Jura? – Disse ironicamente e ele sentou-se do meu lado. Eu beijei o rosto dele e nós ficamos assistindo televisão. – Vamos onde hoje, amor?
Guilherme: Acha mesmo que eu vou te dizer assim? É surpresa. – Ele me deu um selinho.
Manuela: Joguei verde, confesso.
Guilherme: Eu saquei. Mas não caí. – Nós rimos e nos beijamos. Subi em cima dele e ele apertou minha cintura. Nós ficamos naquela posição nos pegando por um tempinho. Mas não rolou nada mais do que isso.
As meninas voltaram do salão umas 6 da tarde. Estavam lindas e arrumadas. Colocam as roupas que iriam pra festa e ficaram maravilhosas.
Flávia colocou um vestido curto que deu aquela valorizada no corpão que ela tinha. Jack colocou uma camiseta de cetim e uma saia linda. Bruna colocou um vestido soltinho, mas curto. Lua estava com uma saia curtíssima e uma blusinha mais solta com um decote enorme.
Manuela: Vocês estão lindas.
Flávia: Eu sou linda.
Bruna: Me sinto uma baleia.
Manuela: Você ta linda, Bru. Deixa de bobagem.
Bruna: E gorda. – Todas nós rimos.
Guilherme: É só o começo.
Bruna: Obrigada por aumentar minha auto-estima, Guilherme. – Falou ironicamente.
Guilherme: Não tem de que.
Elas terminaram de se arrumar e Helen levou-as pra festa. Eu fui me arrumar pra sair com o Guilherme. Não sabia como me vestir, ele não tinha me dado nenhuma pista.
Quando terminei de me arrumar, sai na sala e ele estava de terno. Todo lindo e arrumado. Eu estava com o shorts simples e uma camiseta.
Manuela: Eu não to pronta, tá!? Só tenho que me trocar, calma aí. – Disfarcei o máximo que consegui, mas ele me conhecia bem. Começou a rir.
Guilherme: Se arruma logo, amor. É quase 9 horas já. – Ele disse rindo e eu corri pra me trocar. Coloquei uma saia curta e um cropped, simples , mas era chique. Mais social mesmo. Coloquei um salto maravilhoso que me deixou muito mais alta. Passei perfume de novo e desci. Ele estava depois da escada, me esperando.
Guilherme ficou com a boca aberta ao me ver. Eu sorri em resposta. Ele segurou a minha mão quando eu cheguei no ultimo degrau.
Manuela: Ta bom assim?
Guilherme: Você está maravilhosa. Como sempre. – Eu sorri e ele me deu um selinho. Ele colocou as mão em volta da minha cintura e nós saímos de casa.
Tinha um taxi esperando por nós na frente de casa. Ele abriu a porta de trás pra eu entrar e entrou do outro lado assim que eu entrei.
Ele entregou um papel com o endereço pro motorista. O suspense era enorme.
Manuela: To curiosa. – Fiz um bico e ele sorriu.
Guilherme: Falta pouco. Você aguenta a curiosidade.
Manuela: Será? – Eu ri e ele me abraçou.
Demorou uns 15 minutos para chegarmos ao tal lugar. Eu estava apreensiva. O taxi parou na frente de um edifício enorme e totalmente chique. Eu olhei impressionada pro Guilherme. Ele sorriu, pagou o taxi e nós saímos.
Paramos e ficamos olhando o edifício. Ele percebeu que a surpresa ainda era um incógnita.
Guilherme segurou a minha mão e nós entramos. Tinham pessoas arrumadas elegantemente por toda a parte. Ele foi caminhando pelo salão do edifício e eu caminhava ao seu lado.
Eu admirava cada detalhe do lugar. Nunca tinha visto nada tão luxuoso. Estava tendo um evento no local. Achei que iríamos jantar ali, mas ele passou pelo salão inteiro até que chegou no elevador. Nós entramos e ele apertou o botão do ultimo andar.
Manuela: Onde está me levando?
Guilherme: Não adianta, amor. Não vou te contar. – Ele riu e deu um beijo no meu rosto.
O elevador subiu até o ultimo andar. Abriu quando chegou ao mesmo. Eu fiquei impressionada. O chão estava coberto de pétalas de rosas vermelhas. Fazia um tapete, direcionando pra onde nós devíamos ir. – Pensei. 
Ele continuou andando na direção indicada pelas pétalas. As pétalas acabam nas escada que dava pro terraço.
Manuela: Eu não acredito. – Virei de frente pra ele pra falar.
Eu sorri empolgada e colocou a mão na minha cintura.
Guilherme: Pode acreditar. – Ele sorriu e me virou de frente pra escada. Nós subimos a mesma e deu pro terraço como eu tinha imaginado.
Lá estava a surpresa. A minha surpresa. Eu não podia acreditar que ele tinha feito aquilo sozinho. Era incrível.
Quando eu pisei no terraço, os músicos começaram a tocar violino. Foi lindo. Tinha uma mesa com os talheres pra um jantar a dois. Castiçais e velas acessas. Nós andamos até a mesa e eu sorria encantada.
Guilherme: O que me diz? Aprovado?
Manuela: Tem alguma duvida? – Eu sorri. Ele me deu um selinho.
Guilherme puxou a cadeira para que eu me sentasse. Foi o que eu fiz. Ele sentou na minha frente. Um garçom apareceu e nos entregou o cardápio. 
Guilherme: Vai querer o que, amor?
Manuela: Não sei. – Eu dei uma olhada no cardápio.
Guilherme: O que o senhor nos sugere? – Ele fez a pergunta pro garçom. 
Garçom: Gostam de frutos do mar? – Assentimos com a cabeça. – Então eu sugiro Salmão gratinado com espinafre.
Manuela: Esse que vem acompanhado de mascarpone e pilaf de berinjela com pistache?
Garçom: Esse mesmo.
Manuela: Pode ser.
Guilherme: E pra beber, amor?
Manuela: Se não estou enganada, fruto do mar pede vinho branco. Estou errada? – Direcionei a pergunta ao garçom.
Garçom: Pelo contrário, está certíssima. Já trago a entrada. Só um minuto. – Eu sorri e ele saiu de perto da mesa.
Guilherme: Que menina elegante. Ta sabendo de tudo, né, amor!? – Ele riu e colocou as mãos em cima da mesa. Fez um gesto para que eu colocasse as mãos em cima das dele.
Manuela: Ah, eu vi em um filme. Só por isso eu sei. – Nós rimos juntos e eu coloquei as minhas mão em cima das dele. Ele fez carinho. – Te amo. Você é incrível.
Guilherme: Eu sei. Te amo mais. – Eu fiz uma careta. O garçom trouxe a entrada com os aperitivos. Nós comemos e depois de um tempinho, o prato principal chegou. Estava totalmente luxuoso e cheirando bem. – Dá até dó de comer, né!? – Eu assenti com a cabeça e nós rimos.
O garçom nos serviu e depois saiu. Nós comemos e ficamos conversando durante uma hora quase. Eu já estava cheia, mas o Gui quis pedir uma sobremesa. Eu não neguei.
Manuela: Posso fazer uma pergunta indiscreta?
Guilherme: Você pode tudo.
Manuela: Como vai pagar isso tudo?
Guilherme: Não se preocupa. Eu tenho o dinheiro e é isso que importa.
Manuela: Sua mãe te deu o dinheiro? – Perguntei.
Guilherme: Mas é insistente, não!? – Eu dei risada e dei uma colherada na minha sobremesa. – É, ela me deu.
Manuela: Ela vai amar saber que tu gastou comigo. – Eu ri satisfeita.
Guilherme: Não ri, chata. Po, eu disse que queria fazer uma surpresa pra minha namorada e ela me deu o dinheiro que eu precisava.
Manuela: E quando você pretende apresentar sua namorada a ela? – Disse em tom irônico. Continuei comendo. 
Guilherme: Só quando ela for só minha. – Eu fiquei sem graça. Limpei a boca e ele comeu a sobremesa dele.
O clima ficou meio chato, até que os músicos começaram a tocar. Guilherme se levantou, veio na minha direção e ofereceu a mão dele para eu por a minha. Ele me ajudou a levantar e nós começamos a dançar com calma.
Parecia que tudo era perfeito. Que minha vida era perfeita. Meus problemas ficaram minúsculos perto daquele momento. Era tudo tão lindo e eu estava com o homem que eu amava. Nada poderia estragar aquilo. Ele parou de dançar e segurou na minha nuca. Eu sorri e ele fechou os olhos. Colocou a língua nos meus lábios, abrindo-os. Começamos a nos beijar com calma. Eu levei as mãos pra nuca dele e ele colocou as mãos na minha cintura. Me puxou mais pra perto dele e fez carinho na mesma.
Ele sorriu durante o beijo. Eu mordi e chupei a língua dele. Queria ficar ali o resto da minha vida. Era um sonho. Um sonho lindo. Mas pra minha sorte, não estava perto do fim.
Guilherme fez um gesto pro garçom e ele trouxe uma caixa aveludada. Era grande, então anulei a chances daquilo ser um anel.
Manuela: O que é isto?
Guilherme: Eu ia te dar uma aliança, mas isso eu vou te dar quando... – Eu coloquei o dedo indicador nos lábios dele, impedindo-o de continuar.
Manuela: Não diz mais isso. – Ele assentiu com a cabeça e abriu a caixa. Era um colar maravilhoso de diamantes. Devia ter custado uma fortuna. Eu fiquei com a boca aberta com tamanha beleza do colar.
Guilherme: Posso por em você?
Manuela: Claro. Claro. É.. É lindo. Eu to encantada. – Eu sorria e virei de costas pra ele. Ele pegou o colar e colocou em mim. Virei de frente pra ele e o abracei. Ele me apertou no abraço. – Muito obrigada por essa noite maravilhosa.
Guilherme: Quem te disse que já acabou? – Ele riu e me deu um selinho. Ele encostou os lábios na minha orelha e sussurrou: – Mas pra continuar, nós teremos que ir em um dos quartos lá em baixo. 
Eu entendi tudo. Sorri em resposta e ele me pegou no colo. Fomos assim até chegarmos no quarto. Ele abriu a porta e entrou no quarto.
Era todo vermelho e preto. Lindo e óbvio, luxuoso. Ele me deitou na cama redonda que tinha ali e trancou a porta. Ficou parado em frente a cama e eu sorria pra ele. Tirou os sapatos e começou a tirar o terno. Tirou primeiro o paletó e depois tirou o cinto. Ele veio na minha direção e subiu em cima de mim.
Eu levei as mãos pro rosto dele e comecei a beija-lo. Ele foi logo colocando as mãos na minha cintura. Alisava e apertava a todo instante. Eu coloquei as mãos na camiseta dele e comecei a desabotoar. Deslizei as mãos pelo ombro dele quando acabei e fiz a blusa deslizar pelos braços dele. Ele tirou-a sem atrapalhar o beijo.
Guilherme passou os carinhos pra minha coxa. Deslizou a mão até a minha bunda e fez com que minha saia subisse.
O beijo estava quente e acelerado. Ele explorava toda a minha boca com a língua. Eu alisava o peito dele e arranhava a barriga devagar. Desci uma mão pro pau dele e fui alisando por cima da calça. Pude senti-lo começar a se animar. Eu sorri durante o beijo e ele mordeu o meu lábio ao sentir minha mão no pau dele mesmo por cima da toda aquela roupa.
Nós nos ajoelhamos na cama, eu estiquei os braços e ele puxou o meu cropped pra cima. Pelo bojo existente, não precisei colocar sutiã. Assim que ele tirou minha blusa, meus peitos saltaram. Ele me olhou maliciosamente e colocou as mãos neles. Eu inclinei o rosto pra trás um pouquinho. Ele abaixou o rosto e começou a beijar o biquinho do meu seio. Ele sabia como me deixar louca. Ele mordeu e chupou os biquinhos dos meus seios diversas vezes enquanto apertava o mesmo. Eu aproveitei pra animar ainda mais o pau dele. Alisava e apertava por cima da calça. Enfiei a mão dentro da calça dele e apertava o pau dele por cima da cueca.
Ele levantou o rosto e me beijou. Ambos estavam morrendo de tesão, o beijo só nos provocou ainda mais.
Guilherme tirou a própria calça e a cueca foi junto. Eu abaixei o rosto, passei a língua na barriga dele e segurei firme em seu pau. Ele me olhou com um sorriso sacana no rosto. Eu passei a língua no pau dele e ele soltou um gemido rouco.
Guilherme: Me chupa inteiro, amor. – Ele disse e depois gemeu de novo porque eu coloquei a cabeça do pau dele na minha boca. 
Ele levou a mão pro meu cabelo e afundou a minha cabeça no pau dele. Senti o pau dele crescer na minha boca. Eu chupei até o talo e ele ficou maluco. Não tirei os olhos dele. Aquilo o provocou ainda mais. Masturbava o pau dele enquanto chupava ele todo. Comecei a dar linguadas no mesmo e depois chupei as bolas.
Nós cochilamos assim, mas logo eu acordei. Pensei ser bem tarde, mas vi no relógio que tinha no quarto que era meia noite. Guilherme acordou e ficou me olhando.
Guilherme: Passaria a minha vida toda olhando pra você.
Manuela: Só olhando? – Eu ergui uma sobrancelha e prendi o riso.
Guilherme: Você sabe que não. – Ele sorriu e eu também. –Agora eu posso te fazer uma pergunta indiscreta?
Manuela: Pode. – Eu me sentei na cama e ele ficou deitado. Peguei o lençol e coloquei em volta de mim.
Guilherme: Podia ficar com o corpo descoberto. Não ia me importar. – Ele riu e continuou. – Por que não quis ir a festa do Gabriel?
Manuela: Eu fui proibida.
Guilherme: Como assim? – Ele me olhou sem entender nada.
Manuela: A Lua não me quer lá.
Guilherme: E quem disse que a Lua tem que querer alguma coisa? – O que ele estava fazendo? Não entendi nada.
Manuela: Ela está com o Biel agora. Não quero me meter.
Guilherme: Mas não foi você que juntos os dois? Essa Lua tem que parar de marra. Cadê a Manu que eu conheço? A Manu que não obedece regras e que cria as próprias leis? – Ele me olhou sorridente. Eu sorri pra ele.
Ele tinha toda a razão. Eu não podia deixar a Lua me ameaçar ou "mandar" em mim. Ninguém fazia isso comigo. Ela não seria a primeira.
Manuela: Ta afim de ir pra festa?
Guilherme: Se for pra estar contigo, eu vou pro inferno.
Manuela: Eu te faço ir pra lua, precisa de mais? – Ele riu e me deu um selinho.
Guilherme: Vamos direto? Não precisa mostrar o convite não?
Manuela: Ah, eu acredito que tenha uma lista com os nomes dos convidados. É questão de segurança. Vai dar trabalho ir até em casa pra pegar os convites.
Guilherme: Tem razão. Você sempre tem razão. – Eu sorri.
Nós nos vestimos e eu retoquei a minha maquiagem. Meu cabelo estava todo bagunçado e eu deixei-o solto. Estava liso e com as pontas enroladas. Estava melhor assim. Guilherme colocou o terno e me pediu ajuda com a gravata. Eu dei um nó e nós ficamos prontos.
Manuela: To bem?
Guilherme: Eu tenho muita sorte mesmo. – Ele estava sentado na cama. Eu fui na direção dele.
Manuela: Quer me contar o motivo?
Guilherme: Por ter você. – Eu inclinei o corpo e deu um selinho demorado nele.
Nós saímos do quarto, pegamos o elevador e saímos do hotel de mãos dadas. Guilherme chamou outro táxi e nós fomos pra boate onde a festa estava acontecendo. Deixe uma mensagem no celular da Flávia avisando que nós estávamos indo, porque apesar de eu ter ligado umas milhares de vezes, ela não me atendeu.
Nós chegamos na boate onde era a festa e saímos do carro depois de Guilherme paga-lo. Tinham pessoas ainda entrando na festa e por isso, tivemos que ficar na fila por uns 2 minutos, no máximo.
Quando chegou nossa vez o recepcionista perguntou nossos nomes.
Manuela: Manuela Bosi e Guilherme Cardoso. – Falei e Guilherme me abraçou por trás.
Recepcionista: Sejam bem-vindos a festa de 18 anos do Gabriel Porto. Ele espera por vocês na pista de dança. Não esqueçam de tirar fotos pro álbum e pra recordação de vocês.
Guilherme e eu entramos na festa. Passamos pelo hall onde teríamos que tirar as fotos. Foram duas. Podíamos fazer a pose que quiséssemos. Na primeira, nós ficamos com os rosto coladinho e apenas sorrimos. Na segunda, eu continuei virada pra frente. Guilherme virou de lado e me deu um beijo do lado da testa. Foi extremamente fofo. O fotografo tirou a foto e um outro recepcionista nos direcionou pra entrada.
Nós entramos e eu fiquei encantada. Estava tudo lindo e muito bem arrumado também. A decoração era toda no cinza e preto. Ficou divino.
Nós procuramos nossa "turma". Todo mundo da escola tinha sido convidado e mais uns amigos dos Gabriel. E haja amigo. Eu não conhecia a maioria das pessoas ali. Guilherme achou a Flávia e o Felipe sentados em um dos puffs. Andamos até eles.
Flávia: Você veiooooooooo. – Ela estava visivelmente bêbada. O copo que estava na mão dele quando tombou quando ela levantou e me abraçou. Eu segurei o copo dela e correspondi o abraço.
Manuela: Sim! Pra tua felicidade. – Eu dei risada. – E tu já tá bêbada? Tão rápido?
Felipe: Ela não parou de beber desde que chegamos.
Flávia: Manu, devolve meu copo. – Ela disse firme, ela ainda estava nos meus braços. Eu ajudei-a a sentar novamente.
Manuela: Nada disso. Chega de beber por hoje. 
Flávia: Ta bom, mãe. – Ela disse ironicamente e cruzou os braços. Parecia uma criança emburrada. Eu sei risada.
Manuela: Vamos dançar, amor? – Falei pro Guilherme.
Guilherme: Só se for agora. – Ele estava animado. Segurou a minha mão e nós fomos pra pista de dança.
Começamos a dançar uma musica eletrônica remixada que era muito animada. Ele segurou na minha cintura e me beijou diversas vezes durante a música. Depois que ela acabou, nós ficamos nos olhando e eu dei um selinho nele. Nisso, Gabriel passou pela gente e quando me viu, voltou pra trás.
Gabriel: Po, tu veio. – Ele disse todo alegre. Parecia que estava um pouco bêbado. Pouca coisa. – E aí, Manuzinha... – Ele se aproximou e envolveu os braços no meu pescoço. Me deu um abraço meio desajeitado e me deu um beijo no rosto.
Manuela: E aí, Biel. – Eu ria do jeito desengonçado dele e Guilherme ficou olhando com os braços cruzados pra gente. Aquela carinha de bravo dele me deixava louca. Ele era lindo com ciúmes.
Gabriel: Eu sabia que viria. Tinha certeza que tu não ia decepcionar. – Eu sorria. Não sabia o que dizer. Ele falava as coisas perto do Guilherme e qualquer coisa que eu dissesse, depois, Guilherme usaria contra mim. Preferi só ouvir. 
Regina apareceu na pista de dança. Ela logo viu Guilherme e veio na direção dele. Ele estava meio longe de mim, porque Gabriel tinha me puxado. Gabriel falou, falou e falou. Eu parei de prestar atenção quando a Regina cumprimentou o Guilherme e eles começaram a conversar. Ela colocavas as mãos nos braços dele que estavam cruzados. E ele soltou os mesmos. Ela colocou a mão na barriga dele. Ele tentava tirar, mas ela insistia em por a mão lá. Eu comecei a ficar irritada, mas Gabriel tirou minha atenção de novo.
Gabriel: Alô. Planeta terra chamando Manuela. – Foi inevitável não rir. – Tu não prestou atenção em uma palavra do que eu disse, né!?
Manuela: Desculpa, Biel... – Disse com uma carinha triste. Ele riu.
Gabriel: Tudo bem. Mas só desculpo se tu dançar a próxima música comigo.
Manuela: Mas tá tocando música eletrônica.
Gabriel: A próxima não é. Eu penso em tudo, Manu. – Ele sorriu. O sorriso dele era lindo.
Manuela: Ta legal. – Eu disse sorrindo. Ele segurou a minha mão e me puxou. – Não, não. Vamos ficar por aqui.
Gabriel: Seu namorado parece que arrumou companhia. Vem comigo. Rapidinho. Vamos só buscar bebida. – Eu assenti com a cabeça.
Ele me puxou até o barman. Ele pegou um copo pra mim e outro pra ele. Tinha vodka com morangos no meu copo, eu amava aquilo. Comecei a tomar. A musica começou a tocar e Gabriel segurou a minha mão.
Fomos com calma a pista de dança. Eu olhei pra todos os cantos e não vi Guilherme. Nem a Regina. Minha mente começou a pirar e eu já pensei no pior. Ele estaria me traindo? Eu o mataria.
Gabriel colocou as duas mãos na minha cintura e eu levei as mãos pra nuca dele. Começamos a dançar. Meu olhos não saiam da pista. Nada do Guilherme e nem da Regina. Gabriel percebeu.
Gabriel: Onde ele foi?
Manuela: Me trair. – Disse brava. Gabriel riu.
Gabriel: Como tem tanta certeza disso?
Manuela: Não tenho. Aquela Regina apareceu e os dois sumiram.
Gabriel: Talvez ele não tenha ido de trair. Só tenha ido resolver alguma problema.
Manuela: Se fosse ele no seu lugar, estaria de linchando.


Notas Finais


Beijos,até o próximo.


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