História Protect - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Anjos, Anjos Da Guarda, Jimin, Romance, Taehyung, Vmin
Visualizações 8
Palavras 3.401
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fantasia, Fluffy, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


AAAA cap fresquinho depois de ficar inspirada pela bighit postar sobre o comeback do bts, so vem conceito love yourself me faz chorar mais ainda por bangtan. Eu tava muito animada então só escrevi, nem revisei, não se incomodem com os erros de português tabo? e esse cap ainda ta muito enrolado aff, mas pelo menos tem contato visual vminjjkkkkk... opa, spoiler.

Capítulo 3 - Lie


Fanfic / Fanfiction Protect - Capítulo 3 - Lie

— Hyung! Hyung! — ouvi um tom de voz brincalhão por fora do meu quarto. Sorri lembrando que já estava na hora de descer para a Terra.  

— Já vou, garoto. Entre, é melhor. Preciso terminar isto aqui primeiro, não vou demorar — respondi, dobrando minha roupa lentamente para provocar o mais novo.

— Caramba... eles já vão sair. Não vai ter graça chegar lá na metade do passeio — Jungkook entrou no meu quarto, resmungando como uma criança.

— Jeon... você sabe o que eu acho sobre se imaginar parte daquele grupo de amigos — reclamei pela incontável vez com o meu amigo mais novo — E, não me chame de “hyung” aqui, você está louco? Quantas vezes tenho que te lembrar que coisas mundanas...

— Ficam no mundo — o resmungão balbuciou, completando o que eu iria falar — Blá blá

Conheci Jungkook não muito depois de ter Jimin oficialmente como protegido. Há uns anos atrás, Jimin foi para Seoul com a família em busca de uma vida melhor — um tanto financeiramente e um tanto para o pequeno filho do casal ter a chance de fazer amizades melhores —, ele conheceu um garoto na escola que acabou se tornando amigo, e esse amigo tinha um anjo da guarda. Claro, esse anjo da guarda passaria a ser meu amigo fiel e uma grande criança resmungona, que me faria ser anjo da guarda de mais um.

— Acabei — fechei a minha gaveta de somente blusas brancas que acabara de arrumar — Acho que podemos ir agora.

— Ei! — meu amigo exclamou surpreso — Aquela blusa ali no canto direito é igual a minha. Deu pra me imitar agora, é?

— Vamos! — o puxei pelo braço, tentando não rir de mais uma de suas bobagens.

Ficamos um de frente para o outro e seguramos as mãos. Acostumados com aquela cena, soltamos um leve sorriso e em seguida, vi seus olhos se fecharem devagar. Fiz o mesmo; fechei os olhos e concentrei-me, imaginando meu ponto de chegada.  Abri meus olhos assim que pude ouvir o barulho de trânsito, sabia que estava no lugar desejado. Olhei para a minha pulseira e vi a última bolinha vermelha se tornar azul. Seria mais uma semana concluída.

— Ótimo, estamos atrasados — Jungkook disse dentro do bar e colocando só a cabeça para fora da entrada para falar comigo — Os meninos já começaram a beber, entre logo.

Depois de sair de Busan, Jimin conseguiu — finalmente — fazer amizades. Um de seus amigos se chama Kim Seokjin, foi o primeiro a virar amigo do meu protegido. Jin, como a maioria o chama, é o mais velho do grupo. O fato é que Seokjin era vizinho de Jimin, e o menino gentil por mais velho que fosse, insistiu na amizade com o mais novo, que cedeu com muita dificuldade. Kim Seokjin tinha lá seus contatos. Dois contatos, na verdade: Kim Namjoon e Min Yoongi. Era certo de no final todos serem apresentados e virarem amigos.

No primeiro dia de aula em sua nova cidade, Jimin teve medo de ficar sozinho por já ter feito amizade fora da escola e acreditava que o destino não seria tão bom com o pobre coitado em pôr mais alguém em sua vida, acreditava que era demais. Errado, claro, o menino merecia muito mais. Apesar de ter feito apenas um amigo no colégio, Jung Hoseok futuramente faria parte do grupo de amigos de Jimin e de brinde me daria de presente seu anjo da guarda como irmão. Era o que bastava para meu protegido se tornar feliz: ele tinha um grupo de amigos. E, com ele feliz, eu estava feliz.

Como viviam grudados, eu e meu amigo acabamos criando uma afeição demais nos meninos, achávamos que fazíamos realmente parte daquela família. Ficamos tão ligados com eles que ultrapassávamos o tempo certo de estar lá embaixo, e como tinha sido avisado, era algo perigoso. Era errado. Certo tempo depois, percebi que aquilo deveria acabar.

— E, céus, será que mesmo depois de tanto tempo fazendo isso você nunca irá aprender a parar no lugar certo? — Jungkook reclamou. Não era culpa minha, eu ao menos tentava.

— Você só reclama? Seu projeto de ranzinza — andei em direção ao bar, colocando em dia as implicâncias já que não nos vimos o dia inteiro. Jungkook me olhou sério, soquei seu braço para descontrair o clima e levei um mais forte. Você cuida e dá amor para depois suas crianças crescerem e te darem socos... Está bem, então.

Entramos no bar, chegando mais perto da mesa onde os cinco meninos estavam. O sentimento de estar em casa e encontrar sua família dominou todo o meu corpo. Era uma felicidade inexplicável.

Em todo o mundo havia uma energia negativa, por qualquer lugar que passasse ou qualquer pessoa que conhecesse você sentiria o clima pesado. Porém, com aqueles garotos, juntos, sorrindo, sendo sempre eles mesmos, eu conseguia me sentir no céu. Era algo que só eles tinham. Entristecia-me por não fazer parte daquilo.

Chegamos na mesa ampla, onde sentei na ponta da mesa, de frente para Jimin, e Jeongguk na outra ponta de frente para o seu protegido, Hoseok.

— Ei, você tem notícias do Jongsuk? — Jungkook me perguntou, lembrando-me dos últimos dias em que não víamos Jonsuk.

— É verdade, não vejo ele há um bom tempo, estou começando a ficar preocupado — respondi, pensativo.

Eu não sabia por onde Jongsuk andava por pelo menos duas semanas e não sabia nem por onde a sombra dele teria passado pela última vez. Sumiu pouco tempo depois de perguntarmos sobre os anjos da guarda de Jin, Yoongi e Namjoon, que nunca nem ouvimos falar sobre. Era estranho com todo esse tempo de aprendizagem, ver pessoas que nascera sem um anjo por perto.

— Bom, do céu ele não saiu — o mais novo riu com seu sorriso adorável e eu sacudi seu cabelo, sabia que ele odiava tal coisa, mas não podia resistir.

Foquei em Jimin e analisei seu rosto, era o que sempre fazia. Por mais que eu sempre soubesse o que ele estava sentindo, nem precisava trabalhar muito nisso, ele nunca conseguia fingir seus sentimentos já que sua expressão e seu jeito entregavam tudo. Dessa vez parecia perdido e triste, olhava para um ponto fixo na mesa pensando em algo que infelizmente eu não podia descobrir. Pensamentos são como um tesouro trancado a sete chaves.

— É, mas... — Namjoon falava sobre algo e virou-se para Jimin — Por que você disse que estava triste mesmo?  

— Pensando bem, eu também não lembro — a voz adocicada do meu protegido sobressaiu nos meus ouvidos e sorri. — Estou triste e não me lembro o porquê de estar triste, agora estou tentando me lembrar do motivo de estar triste e isso acaba me deixando triste.

— Ahn, acho que me perdi no "estou triste" — Hoseok soltou sua risada contagiante e eu podia ver Jeongguk se encantar ao meu lado.

— Não, é sério. Hoje cedo ele falou o motivo de estar triste pra nós e eu realmente não consigo me lembrar — Seokjin falou com seu jeito engraçado e expressivo de ser, soltei uma risada. Agradecia mentalmente por não poderem me ouvir — Tanto faz, vamos pedir mais bebida.

— Verdade, estamos parecendo velhos no auge dos seus setenta anos com Alzheimer e conversando sobre Alzheimer — Yoongi brincou. — Garçom, por favor!

Enquanto o garçom chegava perto de nossa mesa agitada para anotar o devido pedido, Jungkook puxou minha jaqueta com força — que aliás, não teria acabado de passar ela para qualquer um puxar deste jeito —, fazendo-me tombar na mesa e cair para o seu lado.

— Olha a minha pulseira — meu amigo disse a frase bem rápida, quase virando uma única palavra. Ele parecia assustado, colocando seu braço em que usava a pulseira próximo demais do meu rosto. Afastei para ver melhor.

Estávamos no sábado, de acordo com os dias mundanos. Nossa pulseira deveria estar na última bolinha acesa para que amanhã retornasse com sete bolinhas. Mas, sua pulseira estava toda apagada, não havia nada aceso sendo que tínhamos completado todo os nossos dias de expediente. Exceto esse, que ainda terminaríamos de completar.

— Mas, o que é isso? — levantei-me, tentando raciocinar melhor. Jeon negava repentinamente com a cabeça, tentando pensar sobre algo que eu já imaginava e me recusava a seguir seu pensamento. Percebi seu olhar pausar na minha pulseira, um pouco mais assustado. Era a primeira vez que via seus olhos tão arregalados.

Meu olhar foi lentamente em direção ao objeto grudado no meu braço, com medo do que veria em seguida. E lá estava ela, totalmente apagada. Entrei em pânico. Foquei meus olhos de volta ao rosto assustado do meu amigo, eu tinha certeza sobre o que ele pensava. Era a possibilidade de... de...

— Não! — Exclamei, apontando para ele, recusando-me a ouvir qualquer coisa que ele falasse sobre o assunto. — Não mesmo. N-ã-o estamos presos aqui. Não. Deve ter apenas pifado ou algo assim.

— Por que pifaria? Céus, Taehyung, isso veio... do céu. Nada que venha de lá simplesmente dá errado — ele continuava com seus olhos grandes arregalados. Suas palavras me socaram no estômago e eu podia senti-lo revirar — Cara, estamos presos.

— Não estamos — ri, soando um pouco nervoso — Quer ver? Aposto que aconteceu com os outros anjos. Vamos perguntar para um.

Minha visão passou em volta de todo aquele lugar e o mesmo parecia bem mais vazio, principalmente por não ter rastros de alguém com asas. Franzi meu cenho, negando mais pensamentos pessimistas.

— Cadê todo mundo? — Jungkook parecia assustado tanto quanto eu. — Quer dizer, cadê todo o céu?

— Não pode ser. Não pode! — Apertei os ombros do meu amigo, totalmente desesperado. — Não fizemos nada de errado; descemos todos os dias, protegemos os meninos mais que tudo em nossa vida.

— E-eu não entendo.

— A não ser que... — pensei por um momento em tudo de errado em que havíamos feito, e pelos meus cálculos só existia uma razão. — Você! Você por tantos dias passou mais tempo que o normal aqui. E ainda me obrigou a ficar.

— Espera, do que você está falando? Nem foram tantos dias assim e... — ele encheu o peito para falar, parecia bravo. Eu nunca o vi assim — Não te obriguei a nada, tá bom? Você ficou porque quis, além do mais, parecia se divertir muito. Escuta, vamos resolver isso. Amanhã é dia de revisão, vão ver que estamos faltando.

— E o que acontece com a gente por enquanto? O que aconteceu, na verdade — eu não queria ficar exaltado, mas não tinha como não ficar. Estávamos presos. O que eu vinha todo esse tempo esperando não acontecer, simplesmente aconteceu.

— Será que morremos?

— De novo? —perguntei assustado, minha voz já falhando.

— Bom, eu já vim do céu, acho que posso morrer ainda, sei lá. Você é outra história.

— Aha — soltei uma risada sarcástica. — Já que o senhor aqui veio do céu, deveria saber mais e tirar a gente dessa.

— Dá pra parar de estresse? — Jungkook aumentou a voz. Eu sentia que estava prestes a ter uma crise. Nós nunca havíamos brigado, não desse jeito.

Não! — eu respondi com uma voz grave, o que assustou a mim mesmo.

Tive uma breve sensação de olhares sobre nós e senti algo me cutucando ao lado da barriga. Olhei rapidamente na espera de ser uma salvação.

— Não quero me meter na briga do casal mas... Vocês meio que estão discutindo, e tá alto isso aí né... Estão perto de nós... atrapalhando nossa conversa — Namjoon disse fazendo o restante da mesa rirem. Ele, junto com os outros meninos, intercalava o olhar em mim e Jungkook, como uma dança de olhos.

Aquilo só podia ser um sonho. Os olhares sobre nós fizeram uma corrente estranha subir no meu corpo. Nunca tinha sido percebido. E, antes de sentir minhas pernas fraquejarem, olhei para Jimin, que pela primeira vez em toda a minha vida, me encarava.

— Por que deveríamos ser um casal? Amigos também discutem, ué — Jeongguk entrou na conversa normalmente, como se não tivesse acabado de descobrir que estava preso em outro mundo correndo perigo.

Ver aquele momento totalmente fora da minha rotina fez minhas pernas bambearem mais ainda. Por reflexo, segurei firme os braços do meu amigo, colocando todo o meu peso nele. Tentei olhar para Jimin novamente, mas tudo o que vi foi o lugar se escurecendo. Senti minha cabeça ser esmagada, meu estômago embrulhar e tudo se apagar.

 

 

Minha cabeça pulsava e eu podia jurar que meu coração tinha se mudado para perto do cérebro. Sempre ouvi reclamações dos humanos sobre dores de cabeça, mas nunca tinha sentido algo tão horrível na minha vida.

— Não era para você ter negado o relacionamento bem na frente do seu suposto amigo. Para você pode ser apenas amizade, mas para o coitado pode ser mais que isso. Olhe bem para o que você fez com o menino — reconheci a voz de Seokjin e as risadas que  também reconheceria de longe, até mesmo do Jungkook. Menos de Jimin.

Abri os olhos e vi uma imagem de pessoas embaçadas sobre mim, fechei rapidamente os mesmos pela pontada forte que senti no fundo deles.

— Aish — murmurei.

Tentei abrir novamente os olhos e consegui ver perfeitamente uma espécie de roda de seis cabeças, todos com os pares de olhos fixamente grudados em mim.  

— Oh, você acordou — Jungkook suspirou de alívio, colocando a mão no peito. Quem ele queria enganar? Parecia interagir muito bem com os outros e não faria falta de mim.

— Quer conversar sobre relacionamentos mal resolvidos? Posso te ajudar, se quiser — Hoseok pronunciou, com um sorriso estridente no fim.

— Está dando em cima de um homem que acabou de acordar de um desmaio? — Yoongi deu um empurrão de leve com a cabeça em Hoseok.

— Pensando bem, olhando aqui de cima — Namjoon fez cara de pensativo. Eu estava começando a ficar tonto novamente intercalando o olhar em cada um deles. — Nada mau seu rostinho, garoto.

— Vocês não podem falar sério um minutinho? — finalmente ouvi Jimin falar, olhando seu rosto pela primeira vez depois de desmaiar. Ele empurrou mais as cabeças para dar espaço a sua. Mais uma troca de olhar. Meu corpo gelou.

Eu podia ver em câmera lenta, suas mãos chegando para perto de mim até tocar minha testa.

— Não parece com febre — Jimin tirou suas mãos de mim e só então percebi que estava contraindo o corpo. — Está se sentindo bem?

Ele estava falando comigo? De qualquer maneira, nada saiu de minha boca, preferi apenas assentir com a cabeça.

— Vamos, levante. — Jungkook se afastou e todos fizeram o mesmo. Suas mãos se esticaram em minha direção, segurei as mesmas, nas quais peguei impulso para levantar. Tudo pareceu dar uma última volta.

— Está bem mesmo? — Jimin perguntou mais uma vez. Ele estava preocupado? Assenti, sem conseguir proferir uma palavrinha novamente. Fico preso na Terra e perco a minha voz, eu estava vivendo algum tipo de drama infantil?

— Você fala, por acaso? — Jin perguntou. Assenti. Mas, o que eram todas aquelas perguntas? Eu parecia estar em uma floresta tendo contato com animais selvagens pela primeira vez.

— Acho melhor sentarmos. Vem vocês também — Namjoon chamou eu e meu amigo com os dedos. — Vou pagar uma bebida. Sinto que causei esse drama todo.

Jungkook foi o primeiro a agir, seguindo-os com um sorrisinho. Eu queria bater em seu rosto. Queria socar bem forte seu nariz por agir como se nada grave estivesse acontecendo.

— Você não vem? — Jeon perguntou a mim antes de se sentar. Prendi meu maxilar tentando manter a calma, soltei um suspiro e caminhei com receio até a mesa.

Era tudo um sonho, só podia ser. Isso tudo não passava de uma brincadeira sem graça de Jonsuk, por isso ele sumiu esse tempo todo. Para isso acontecer, precisava de algo muito bem planejado. Sim, era isso, certeza.

Os garotos se sentaram um de frente para o outro, de modo que ficassem três em casa lado da mesa e fazendo-me escolher em qual ponta sentar. Com Jimin e Jungkook na ponta, sentei ao lado do meu amigo, eu poderia me imaginar desmaiando novamente se tivesse mais um contato sequer com Jimin. Minha escolha foi um grande erro, na verdade. Fiquei de frente para Jimin, que parecia me analisar profundamente e remexer minha alma. Não consegui manter contato visual por mais de dois segundos.

— Então, vão querer o que? — Yoongi perguntou. Seus olhos que sempre achei fofos, agora pareciam ameaçadores.

— Ei, eu vou pagar a bebida, eu pergunto — Namjoon se virou para nós. — Vão querer o que?

— Não bebemos — abri a boca para falar, por fim.

— Wow! Ele fala mesmo e, que voz — Hoseok fez uma concha com a sua mão envolvendo a boca. Segurei o riso, ainda me sentia desconfortável.

Inevitavelmente, olhei para o meu protegido que continuava a me olhar, mas voltei a atenção para os meus dedos que, naquela situação, pareciam atrativos. Consegui contato visual por três segundos com Jimin, desta vez. O recorde é de três segundos.

— O que estavam fazendo em um bar se não bebem? — Namjoon perguntou. Eu não sabia o que responder, e pela cara do Jungkook, ele também não. Estávamos perdidos, era isso. A qualquer momento fariam mais perguntas e eu não tinha a menor ideia de como mentir.

— Jin deu um tapinha no ombro do seu amigo. — As pessoas também vão em bares para procurar empregos, sabia?

— É, ele já está bêbado — Yoongi coçou as sobrancelhas, fazendo cara-de-quem-não aguenta-mais.

— Eu acho melhor vocês irem pra casa — dessa vez, Jimin falou. — O melhor seria você descansar.

Você. Ele se referiu a mim. Senti meu coração acelerar, eu nem ao menos conseguia olhar para ele. Estava tentando inventar algo para safar eu e meu amigo, que provavelmente não estava nem se dando o trabalho de pensar em algo para nos tirar dessa.

— Não temos para onde ir, na verdade — Jungkook falou e pude sentir uma pontada de desespero em sua voz. Por mais que ele parecesse feliz com aquela pequena oportunidade, eu tinha certeza de que estava com medo. Eu também estava.

— Como assim? Vocês não têm casa ou...? — Hoseok diminuiu o tom de voz, desconfiado.

— Hmm... É que... é complicado já que viemos de um lugar, bem...

— De um orfanato! — cortei Jungkook imediatamente, lhe dando um olhar matador. Ele ia mesmo dizer que viemos do céu? No que raios estava pensando?

Imaginava ter uma reação suspeita deles, mas pareciam surpresos e tocados com a minha primeira mentira. Será que foi uma boa?

— Sim! E... — meu amigo me olhou confuso, seu cérebro parecia fritar para pensar em algo — Fomos expulsos de lá.

Expulsos? — os meninos perguntaram em uníssono. Eu queria sair correndo. Aquela mentira definitivamente não tinha sido boa. Pior mentira já inventada na Terra veio de um anjo, que situação, viu, Taehyung?

— Sim, porque... — Eu jurava poder ouvir Jungkook engolir seco.

— Porque... — como se eu já tivesse planejado antes, comecei a explicar mais sobre a mentira em que acabara de inventar, esperando que Jeon a entendesse para assim, toda aquela invenção ficar por dois. — Porque já somos adultos e as pessoas preferem crianças. Crianças mais novas. É. Acabamos sobrando por tempo demais e fomos expulsos. Por isso não temos onde ficar e nem para onde ir.

— Sim! — Jungkook exclamou, feliz demais para ser um menino que acabara de ser expulso de um orfanato.  

Por algum motivo, me senti mal e com peso na consciência por mentir, mas a verdade seria irreal demais. A mentira se encaixava melhor com a realidade; ela era necessária.

— Uau, que pesado — Yoongi parecia sem graça, enquanto os outros nos olhavam perplexos.

— Eu sinto muito — Namjoon colocou uma mão sobre a minha e sua outra mão sobre a de Jeon, enquanto Jin começava a acariciar nossos cabelos como um ato de reconforto.  

Nós, definitivamente, éramos os piores anjos da guarda que já existiram.

— É uma pena. Não querendo ser rude, mas de início achei suas roupas bregas por serem todas brancas, mas agora que você explicou a situação, entendo que deve ser o uniforme do orfanato, certo? — Hoseok parecia estar perdido e procurar algo para falar. Não sabia exatamente do que ele estava falando, por isso fiquei em silêncio.

— Céus! — Ouvi Jimin falar a expressão que eu mais tinha mania de pronunciar, saía bem melhor pelos seus lábios e eu quis sorrir. Ele revirou os olhos, mas ainda sim pude o ver rir finalmente de perto, com seu sorriso cativante e que me enchia o peito de alegria toda vez que o fazia. Todos estavam rindo e então ri também, sem saber o porquê. Sempre foi apenas eu e Jungkook, mas naquele momento era eu, Jungkook e os outros caras. Todos juntos, pela primeira vez.


Notas Finais


vou tentar arranjar mais tempo nos meus dias pra atualizar isso aqui rapido, enos


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