História Protegidos — A lenda dos Sete - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Aventura, Fantasia, Mistério, Romance
Exibições 7
Palavras 4.447
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Fantasia, Harem, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Qualquer erro avise por favor

Capítulo 5 - White Lies


Fanfic / Fanfiction Protegidos — A lenda dos Sete - Capítulo 5 - White Lies

Diários de Anthony

Vinte de agosto de 1865

  Luca me presenteou com este diário com objetivo de registrar todas as minhas aventuras, mas eu acho que ele nunca chegou a cogitar a possibilidade de que essas aventuras não existem.

  Hoje eu completo vinte e três anos, o dia das grandes promessas.  

 Catherine me prometeu por todos esses anos que quando eu fizesse vinte anos tudo mudaria, mas quando o dia chegou a enrolação continuou até hoje.

 Diferentemente dos meus outros aniversários hoje ela foi até a cidade, sozinha como sempre, para comprar mantimentos e fazer uma pequena festa.

  Luca deve querer que eu conheça o mundo sobre o qual eu tanto leio nos livros que Cath compra, poderá eu ser livre.

  Eu sei que ela vai se zangar, mas não tenho outra escolha.  

***

     Shadow estava descansando nas sombras das árvores, era um milagre Catherine não ter escondido ele. Esse era o momento perfeito para tomar coragem e ir até a cidade, Cath vai ficar ocupada no centro comprando as coisas e eu poderia muito bem dar uma volta pelos cantos. Shadow deve ter pressentido que minhas intenções não eram boas, pois não queria deixar que eu subisse.

 — Vamos lá Shadow, eu prometo que desta vez ela não vai saber. — Ele baixou a cabeça em resposta.

  Para aqueles que não conheciam as direções certas a floresta poderia ser mortal. Vários caminhos levavam à locais sem saída ou com armadilhas fatais, sem dizer que animais nada amistosos moravam lá. Foi exatamente por isso que estranhei ao ver alguém sentado em uma das trilhas.

  Shadow ficou agitado ao ver outra pessoa, então eu tive que descer. A pessoa estava tão entretida descansando ao sol que nem notou quando parei ao seu lado, não dava para ver se era homem ou mulher, pois usava um capuz branco.

— Não sabia que mais alguém conseguia andar por essa floresta — Ao retirar o capuz depois de notar a minha presença eu consegui ver seu rosto nitidamente, era uma mulher com cabelos amarelados, a primeira pessoa que eu vi sem ser Catherine. — Acho que vou ter de trocar meu esconderijo. — Ela sorria ao me olhar.

— Ninguém tem coragem de vir aqui, todos que entram acabam se perdendo ou morrendo. Você não deveria ter entrado aqui.

— Disse o homem que acabou de sair dela.

— Eu já a conheço muito bem.

— Ótimo! Consegui um guia.

— Você ouviu a parte em que eu disse que é perigoso aqui? — Eu havia perguntado aquilo mais para mim mesmo do que para ela, se concentrar no que falar sendo encarado por olhos tão azuis quanto o céu era extremamente difícil.

— Sim, eu escutei. Não pretendo ficar por mais tempo aqui, mas eu não sabia como ir embora então decidi aproveitar o clima agradável.

— Sentada ai?

 — Uma vez me disseram que o melhor jeito de encontrar o caminho para casa e ficar parada no mesmo lugar, e por incrível que pareça funcionou.

— Se eu não tivesse passado por aqui você ficaria sentada ai por horas até um animal da floresta aparecer e te atacar.

— Eu não acredito no acaso.

— Talvez seja verdade, eu estava indo para a cidade.

— Se importaria em ter uma completa estranha como companhia?

— Qual é o seu nome?              

— Lucya Belabary

— Eu me chamo Anthony Hartz, agora você não é mais uma completa estranha.  — disse estendendo a minha mão.

— Você é estranho Anthony Hartz.  — Ela sorria enquanto eu a ajudava a subir em Shadow

— Vou considerar isso como um elogio

  Agora que Lucya havia montado em Shadow comigo era fato que eu teria que ir até o final com isso, ir até a cidade. Eu a encontrei perto dos limites da floresta, mas mesmo assim a emoção de finalmente ver outras pessoas me cegava ao ponto de ter errado o caminho duas vezes. 

  Quando finalmente achei a saída tive que descer de uma colina até o inicio de uma rua feita de pedras.

 Tudo o que eu li nos livros não parecia real até o momento em que entrei em uma das ruas, havia tantas pessoas andando por todos os lados e elas eram tão diferentes umas das outras.

   Por mais que eu visse milhares de pessoas com variados tipos de cores de cabelo e pele nenhuma delas tinha os mesmos cabelos laranja de Cath ou os amarelos de Lucya.  A variedade de cores no cenário era nítida, se eu tivesse nascido com o dom da pintura eu provavelmente gastaria horas tentando registrar aquilo.

  Nenhuma daquelas casas se parecia com a minha, pois nenhuma era feita de madeira e sim de tijolos. 

Eu estava tão entretido na paisagem quando minha visão focou em um grupo de mulheres seminuas dançando em minha direção fazendo gestos para que eu fosse de encontro a elas.

— Gostou do que esta vendo, Anthony?  — Ela disse me abraçando mais forte.

— É muito diferente do que eu já tenha visto ou lido a minha vida inteira.

— Como pode você nunca ter visto concubinas antes? Em todas as cidades em que eu ta estive elas sempre estão presentes pelas ruas.

— Esta é meio que a primeira vez que vejo uma cidade.

— Você é do interior?

 — Por aí.

— Eu sempre quis morar no interior, um lugar afastado de tudo e de todos só com a natureza em volta.

— Eu já discordo.

— Isso porquê você não viu como o mundo pode ser cruel.

— Mesmo assim eu desejo viver isso.

— Então o que você acha de pararmos para comer? Você pode ter essa experiência no lugar.

  Paramos em frente de uma pequena casa de pedras onde tinha um grande movimento de pessoas, Lucya nem me esperou ajudar ela a descer e foi direto para essa casa parando apenas na porta para me esperar.

  Aquela casa na realidade parecia com um bar que eu já havia lido sobre em um de meus livros, a única diferença é que nesse havia pessoas muito estranhas dançando ou brigando entre elas. Foi fácil perder Lucya de vista quando um homem deu um encontrão em mim. “Que rosto mais lindo o seu.” Uma mulher me disse enquanto tentou me puxar para beber com ela. “Desculpa, já tenho companhia.” Eu tive que responder isto para cinco pessoas antes de achar Lucya sentada em uma mesa ao lado de uma janela.

— Você demorou — Ela riu ao ver o meu estado

— Nunca mais me deixe sozinho assim

— Prometo, mas foi você quem quis experimentar coisas novas.

— O que vão querer? — Perguntou um senhor baixinho

— Vamos querer duas bebidas e dois Blanquete de veau. — O homem concordou e depois se retirou.

— O que é isso que tu pediu?

— Deixe para ser surpresa

— Você já esteve por aqui antes?

— Eu já vim aqui com dois amigos meus

— Eles foram achados caminhando na floresta também?     

— Não — Ela riu — Esta mais para uma floresta de pedras.

  O senhor baixinho trouxe dois copos com um liquido amarelado, quando ele estava indo embora eu consegui ver ao fundo do bar dois homens enfeitando algo que pareciam mascaras. Ao observar bem parecia que todos no bar carregavam uma mascara presa a cintura.

— Por que todo mundo carrega uma mascara?

— Ah é mesmo, esqueci que você é do interior. Isto é por causa de uma lenda mundial. Mesmo assim é estranho você não saber nada sobre.

— Eu não faço ideia do que seja.

— Essa lenda é bem famosa no mundo inteiro e essa é a época em que os devotos dela fazem festas em comemoração. — Lucya pareceu que não ia continuar a falar sobre, pois ficou mais interessada vendo a rua, ou ela estava tendo um devaneio?  

— Em comemoração ao que?

— É um dia dedicado a comemorações para as Virtudes e Pecados. Todos usam mascaras representando aquele a quem deseja agradecer ou pedir ajuda.

— Parece interessante, mas por que alguém iria querer agradecer a um pecado?

— Nem todo mundo tem intenções boas e é por isso que eles fazem tais pedidos para os pecados.

— E mesmo assim o feriado é para eles também.

— Sim, agradeça ao Anjo.

— Anjo?

— O Anjo é o motivo principal desta lenda ter começado eu poderia te contar, mas ela é uma historia muito longa.

— Acho que temos bastante tempo antes da comida chegar

— Tudo bem então. — Ela tomou praticamente todo o liquido do copo antes de começar a falar.

A lenda começou há milhares de séculos atrás em uma época sombria para qualquer ser vivo. Todos os seres humanos travavam uma guerra infinita entre eles mesmos em disputa por terreno e recursos, isto gerou milhares de mortes. Crianças órfãs, mulheres viúvas e a falta de recursor eram evidentes em todos os vilarejos.

  A guerra durou anos até que alguém dos céus notar o que estava acontecendo: O líder dos anjos. Ele não suportava a ideia de que um mundo tão bonito estava tão corrompido em violência e ganância, para dar um basta nisso ele mesmo desceu para ajudar.

  Ele viajou por todo o mundo procurando por almas que ainda sentisse compaixão pelo próximo.  O primeiro que ele encontrou foi um líder nato de uma pequena aldeia no norte do que hoje é a Inglaterra. Todos o receberam de braços abertos mesmo não sabendo o quão grandioso ele era, o líder fez questão de oferecer o melhor para o visitante, mesmo tendo tão pouco.

  O Anjo viu a honestidade dele e de toda a sua aldeia então o ofereceu um acordo.  Ele ofereceu poderes para que o líder usasse para salvar a vila do estado decadente em que estava, mas não apenas isso, ele teria o poder de ajudar todos no mundo. O anjo disse que a única condição seria de que o líder sempre priorizasse a vida dos outros acima da dele, e que tivesse certeza de fazer sempre o bem.

  O homem então aceitou.

  Os poderes que o Anjo deu para o líder passaram para o filho dele assim que ele morreu e assim a dádiva foi sendo passada por incontáveis gerações daquela família.

Enquanto isso o Anjo continuou viajando pelo mundo procurando outras pessoas para seus dons. A última a ser escolhida foi uma mulher que vivia em um dos países gelados, encerrando assim os quatorze escolhidos.  

  Satisfeito com o que tinha feito ele retornou para casa, mas assim que olhou novamente para a humanidade viu que seus escolhidos já não cumpriam mais com a promessa.

  O atual bisneto do líder da primeira aldeia que ele visitou agora era o responsável pelas dádivas que o Anjo havia dado, mas ele não estava ajudando os outros, pelo contrario, estava destruindo tudo o que bisavó havia feito.

  O Anjo indignado desceu novamente para tirar satisfação. Assim que o encontrou logo percebeu que o homem estava envolto por uma ira incontrolável, ele havia perdido a esposa grávida enquanto viajava em nome da promessa que havia sido feita anos atrás. O homem alegou ter pedido ajuda para que o Anjo ajudasse a mulher dele, mas nada aconteceu.

“Minha família passou todos esses anos cumprindo a promessa que fizemos para com você e a única vez em que precisei de ajuda você deu as costas”.

  O Anjo deu um aviso para que o homem deixasse todo o ódio que estava o consumindo, mas ele o ignorou e voltou a destruir qualquer ser que ousasse aparecer em sua frente, ele não fazia isso sozinho, pois tinha a ajuda de um dragão que ele havia encontrado em uma de suas viagens.

  Indignado por ter sido ignorado o Anjo foi atrás de outro escolhido que morava por perto para punir o homem, o Anjo não conseguiria fazer isto, pois ainda tinha consideração pelo velho líder.

  Quando chegou ao vilarejo do outro escolhido se deparou com o mesmo vivendo uma vida de luxo enquanto o restante de seu povo sofria na miséria. O Anjo mesmo assim pediu ajuda para ele, mas foi ignorado novamente.

Revoltado ele retornou aos céus para ver o que os outros escolhidos estavam fazendo, todos menos o ultimo que ele havia escolhido se corromperam e usavam seus poderes para bens próprios. O Anjo explodiu em raiva por ter visto que foi traído, ele desceu dos céus e foi de encontro com cada um dos escolhidos.

  Foi assim que o Anjo amaldiçoou suas almas.

O primeiro foi o bisneto do líder que foi castigado a carregar para sempre o titulo de Ira, o dragão dele acabou fundindo-se com ele, assim toda vez que tinha um excesso de raiva acabaria se transformando em uma fera incontrolável.

  Todos os outros seres mágicos que não tiveram contato com os escolhidos foram levados para o paraíso do anjo para ser poupados de conviver com aquelas pessoas corrompidas.

  Para ter certeza de que os protegidos iriam cumprir com seus deveres o Anjo decidiu usar seus iguais para vigiar os traidores. Um anjo para cada traidor desceu dos céus.

 Nenhum deles havia concordado com a ideia do superior, há quem diga que ele fez isso para não ter quem o desafiasse.

  Todos eles quando chegaram a terra tiveram suas asas arrancadas, cada um derramou duas simples lagrimas que acabaram endurecendo, tomando assim a forma de uma pedra do tempo, amaldiçoando com a eternidade todas as gerações não apenas dos protegidos, mas dos Anjos também.

 Pobres inocentes retirados de seu paraíso para cuidar de traidores.

Nascendo assim a eterna maldição dos salvadores.

— Você esta prestando atenção — Lucya perguntou me olhando séria. 

  Enquanto ela estava explicando essa tal lenda eu não conseguia desgrudar o meu olhar do dela, eu não entendia como aqueles olhos conseguiam transparecer uma calmaria tão grande.

— Sim eu prestei atenção.    

— Aqueles que cometeram as piores atrocidades foram autointitulados de Virtudes.

 — Mas por que? Quem deveria receber tal titulo deveria ser a garotinha que foi a ultima a ser escolhida

 — O Anjo decidiu ser assim para que essas pessoas sigam a risca o nome da dádiva deles. Como por exemplo, a virtude da Castidade.

— Mesmo assim

— Já que você mora no campo  não deve fazer a mínima ideia de que eles existem até hoje, não é mesmo? — Ela alterou o tom de voz ao dizer isso, por um segundo parecia que eu estava em um dos testes que Catherine me faz passar.

— É apenas uma historia, não é mesmo? Não tem como Anjos e pessoas imortais estarem andando por ai numa boa.

— Não é apenas uma história, é um fato que vem sento presenciado há anos na guerra.

— Se esses seres amaldiçoados realmente existissem eu acho que estaria registrado nos livros sobre uma criatura gigante voando nos céus e cuspindo fogo.

— Sim, você esta certo. Eu estava apenas tentando ver se é fácil te enganar. — Outro de seus sorrisos encantador — Não é justo eu ser a única bebendo aqui, vamos tome. — Ela me entregou o copo de madeira com o estranho liquido amarelado. — Sabe tem algo que eu ainda não consigo entender sobre você, por quê só agora você decidiu sair do interior? Eu sei que quando se trabalha em locais assim vocês tem que de tempos em tempos na cidade.  

— Eu tenho uma amiga que cuida destas coisas, ela sempre cuidou de tudo e por isso nunca deixou que eu chegasse perto da cidade.

— Ela parece ser bem rigorosa, acho que provavelmente agora ela estaria batendo em mim por esta de dando bebida alcoólica. — Ela riu para depois gritar pelo homem baixinho pedindo mais.

— Como se chama esta bebida?

— Cerveja.

— Olha eu tenho outra pergunta sobre essa historia. Se eles foram amaldiçoados com a eternidade como pode ter passado por gerações futuras? E como pode eles terem vivido tanto?

— Você não prestou atenção na historia então.

— Eu me distrai por causa do seu sorriso.

— Eles não sobreviveram. A maldição passa para o primogênito do amaldiçoado.

— Mas e se este não tiver um primogênito?  

— Ele continua amaldiçoado pela eternidade, a pedra do tempo congela o desenvolvimento do corpo da pessoa deixando assim eles jovens ou velhos para sempre.

— E os Anjos que ficaram responsáveis por eles?

 — Eles renasceram em corpos humanos, ao contrario dos protegidos os guardiões deles não são imunes à morte. Assim quando eles são mortos acabam renascendo o mais próximo possível do protegido.

— Mesmo assim eles seriam humanos normais tendo que tomar conta de um ser imortal capaz de matar ele a hora que quisesse.

— O guardião tem os poderes de seu protegido. Como por exemplo, se o protegido for regido por um animal símbolo da água ele vai acabar tendo poderes relacionados a isso.

— Não são informações demais sobre uma lenda?

— Dizem que toda lenda tem seu fundo de verdade.

— Mesmo assim

— Como é época do feriado vai ter milhares de barraquinhas vendendo livros sobre isso e só você escolher um e comprar. É por isso que sei tanto sobre o assunto.

— Eu não posso.

— Vai ter que voltar para o interior?

— Mais ou menos isso, na realidade eu nem deveria estar aqui no momento.

— Você saiu escondido? Retiro qualquer pensamento puritano que eu tinha sobre você.

— Como eu havia dito minha amiga não gosta que eu saia.

— Eu não entendo, por quê justo hoje, então?

— Eu estou fiz vinte e três anos e nunca tive a chance de sair e conhecer qualquer coisa que não fosse às malditas paredes velhas de madeira da minha casa.

— Eu sei que a gente mal se conhece, mas se você quiser eu adoraria te levar junto comigo em uma das minhas viagens. Amanhã eu vou partir  rumo a Espanha.  

— Eu adoraria aceitar a sua oferta, mas não sei se sou capaz de deixar a minha amiga sozinha.

— Eu entendo, mas se mudar de ideia saiba que eu vou estar esperando amanhã no porto.           

— Agradeço por isso Lucya.

— Lucy, por favor. Já que é seu aniversario deveríamos estar comemorando.

  Depois disto o resto me parece um borrão sem fim, apenas lembro de algumas partes, como Lucy pegando outros tipos de bebidas e começando a dançar. Eu acho que acabei falando para ela onde minha casa ficava, pois não lembro como vim parar de volta.

 

Diários de Catherine

Vinte de agosto de 1865

Este ano Anthony completou vinte e três anos, está mais do que na hora de entregar o colar do tempo para ele, e finalmente relevar quem ele realmente é, mas o problema é que eu não sinto que ele está pronto. Anthony tem a imagem de um mundo perfeito esperando por ele, eu sempre tento conversar com ele sobre como é lá fora e do porquê é melhor ficar aqui, mas ele sempre ignora. Eu realmente não sei quando que virei à bruxa má das historias, mas parece que é assim que ele prefere me ver.

  Eu realmente queria tornar a data de hoje especial, faz vinte anos que estou cuidando dele, vinte anos que consigo manter ele em segurança. Sei que você não concorda com os meus métodos Luca, mas esse é meu dever. Espero que ele acabe entendendo.

  Eu resolvi ir até a cidade comprar uns doces que vi em uma das lojas no cento, e quem sabe até uns livros novos para ele.   

***

 

  Eu tinha conseguido encomendar os doces na padaria, tudo o que eu tinha que fazer era esperar por uma hora e eles estariam prontos, eu também tinha que passar na livraria e tentar encontrar um bom livro.

— Ai minha queria eu realmente sinto muito pela demora do seu pedido, como estamos perto do feriado todos vem a nossa procura para comprar doces.

— Não tem problema minha senhora — A dona da padaria me conhecia há um tempo, já que eu praticamente todo mês vinha aqui comprar bolos.

 — O seu pedido infelizmente também vai demorar meu senhor

— Não se preocupe Adelaine — Um homem disse isso antes de sentar em uma das mesas.

  Adelaine a dona da loja ficou conversando comigo sobre o feriado e suas tarefas extras por causa disto, maldito seja esse feriado inútil e fútil.

  Depois de quase meia hora um dos empregados de  Adelaine apareceu com uma caixa branca e deixou no balcão.

— Bolo de chocolate — Ele gritou. Finalmente

Ao me aproximar do balcão o mesmo homem de antes esbarrou em mim.

— Me desculpe mademoiselle

— Não foi nada — Algo nele me parecia perigoso

 A uma quadra dali fica uma loja pequena sobre livros, era a única na cidade que não vendia nada sobre o feriado. Conclusão: A minha loja favorita.

  Em uma pequena mesa empoeirada ao fundo tinha vários livros sobre curiosidades do mundo, perfeito para Anthony.

— É incomum ver mulheres tão belas quanto você interessadas sobre o mundo, geralmente o sonho delas esta na França. — O homem da padaria novamente.

— Felizmente nem todas gostam de moda e perfumes caros. — Ele baixou levemente a cabeça para dar um sorriso discreto.

— Se houver mais pessoas como a senhorita eu vou acabar indo a falência. — Não dava para ver direito o rosto dele, pois o mesmo usava uma cartola grande e um pequeno óculos com vidros escuros.

— Sinto muito — Me retirei da loja ao pagar pelo livro que estava vendo antes.

— A senhorita por um acaso mora nesta cidade? — Perguntou o mesmo homem novamente ao me acompanhar fora da loja.

— Nas redondezas.

— Suspeitei disto. Eu teria notado alguém com tanta beleza.

— Obrigada, mas eu tenho que ir. Sozinha

— Eu devo estar parecendo um maníaco, não é mesmo?  — Concordei com a cabeça sem pensar duas vezes — Eu apenas fiquei entusiasmado ao ver a cor dos seus cabelos. Não é algo comum por aqui.

— Eu sei

— Perdoe-me eu nem ao menos me apresentei. Meu nome é Derek Lancaster — Ele disse tirando a cartola enquanto fazia uma reverencia. — Eu sou dono de uma loja de roupas, se um dia você estiver interessada em um emprego me procure. Ficaria honrado em ter alguém tão bela quanto você trabalhando para mim. — Derek tinha os cabelos castanhos e sem a cartola o sol batia em seu rosto dando assim a oportunidade para ver nitidamente seus olhos azuis por de trás daqueles óculos. O sorriso que ele fez ao me oferecer um emprego poderia muito bem ser o motivo de qualquer um pecar na vida.

— Obrigada pela oferta. — Eu falei antes que ele notasse minha possível vermelhidão.

 Meu bom humor depois de ter encontrado este homem havia sido elevado até proporções desconhecidas. Tudo parecia estar indo bem, até eu chegar em casa.

  Quando cheguei tudo estava muito quieto, quieto demais para o meu gosto. Procurei por Anthony onde ele costuma deixar Shadow, mas o mesmo ainda estava preso ao muro, pelo menos ele não tinha sido teimoso em ficar dando voltas por ai com o pobre cavalo. Isto era o que pensei até encontrar Anthony sentado no chão do meu quarto falando sozinho.

— Eu adoraria ir Lucy — Ele disse para o guarda casacos — Ficaria honrado em te acompanhar. — Pareceu que ele estava prestes a beijar meu guarda casacos.

— Anthony? — Eu fiquei de joelhos ao lado dele esperando que ele me notasse, mas quando vi que ele não o fez toquei no ombro dele e o mesmo deu um pulo.

— Shiu Shadow!  — Ele colocou o indicador na minha boca — A Cath não pode saber.

 — Eu não posso saber sobre o que? O que foi que você fez, Anthony? — Ele estava cheirando a bebida e eu tenho certeza de que não tem nenhuma garrafa aqui em casa. — Eu não acredito Anthony!

— Não grita Cath — Ele choramingou tapando os ouvidos.

— Onde você conseguiu bebida?

— Na cidade — Quando ele pronunciou isso com a maior inocência eu tive vontade de fazer ele engolir o livro que eu comprei.

— Você ousou ir na cidade mesmo depois de todos os meus avisos, Anthony! — Puxei ele pela gola da camiseta até o chuveiro do lado de fora da casa — Que merda tu tem na cabeça?

— Eu estava cansado de ficar preso aqui! - Empurrei o com força em direção ao chuveiro, mesmo com roupa o obriguei a ficar em baixo d’água.

— Eu te disse milhares de vezes que é perigoso chegar perto da cidade.

— Não foi nem um pouco perigoso, Catherine! — Disse segurando meu pulso quando tentei tocar nele.

— Você não sabe de nada!

— Eu realmente não sei Catherine. Justamente porquê você nunca me conta nada! Eu tive que ir escondido ate a cidade para finalmente conhecer alguém que me expliquecasse o que está acontecendo fora dessa floresta.

— Quantas pessoas te viram?

— Além da Lucy apenas as pessoas que estavam no bar.

— Lucy? — Eu acabei repetindo esse nome com desgosto, o que fez Anthony revirar os olhos.

— Sim — Ele se virou e baixou a cabeça.

— Quem é ela?

— Eu conheci ela na floresta quando estava dando uma volta, eu apenas levei ela de volta para a cidade.

— Você sabe que ninguém em sã consciência entra nessa floresta.

— Ela vem pra ficar sozinha e eu acabei levando ela de volta.

— Nossa o cavaleiro branco pronto pra salvar a donzela.

— Catherine não me enche, eu não teria que ir lá escondido se você não fosse tão egoísta! — Ele começou a gritar comigo e saiu do chuveiro indo em direção da casa, nessa hora nem parecia que ele estava bêbado.

— Egoísta?! Anthony eu estou tentando te proteger seu imbecil!

— Proteger? Você esta me mantendo prisioneiro isso sim! Eu deveria arrumar alguém para me proteger é de você - Ele entrou no quarto dele e se trancou.

— Anthony! Abre essa merda!

— Eu não preciso mais da sua ajuda Catherine! — Ele gritou por de trás da porta.

  Escutei um barulho vindo do quarto dele logo em seguida era como se algo pesado tivesse caído no chão, o que provavelmente foi ele por estar bêbado.

— Você tem que entender que isso é pro seu bem.

  Depois disso eu o deixei sozinho, não ia levar em nada discutir enquanto ele estava bêbado.

 

Diários de Anthony

Vinte e um de agosto de 1865

  O efeito do que eu bebi com Lucy havia passado no momento em que Catherine me puxou para fora da casa. Ela gritava comigo, dizia que era pro meu bem, mas eu não consigo ver o porquê isso seria pro meu bem. Por isso fui ate o meu quarto e me tranquei lá fingindo que acabei caindo, quando começou a amanhecer eu peguei algumas roupas e fui em direção da cidade eu não quis levar Shadow porquê faria barulho e Catherine acordaria, eu estava decidido que esse era o melhor jeito, não deixei nem mesmo uma carta de despedida.

Lucy estava me esperando no porto, quando me viu ela sorriu. Vendo o sorriso dela todas as minhas fraquezas sumiram.

— Fico feliz em saber que aceitou a minha proposta Anthony — Disse me abraçando.

— Como recusaria quando uma dama me convida para sair em uma aventura?

  Naquele dia eu parti em uma aventura com Lucy e mais duas pessoas, eu não fazia ideia do que iria acontecer comigo ou com Catherine. A única coisa que espero é que um dia ela me perdoe.  

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...