História PS I'm (still not) over you - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Inuyasha
Personagens Rin, Sesshoumaru
Tags Inuyasha, Longfic, Sessrin, Velvetsins
Exibições 137
Palavras 3.303
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Josei, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hey, pessoas!

Conforme prometido, aqui está a minha SessRin longfic. Eu tava pensando em postar lá pra dezembro, mas me deu um fogo gigante no rabo então decidi postar hoje, hehe E porque passei em todas as matérias. FÉRIAS. UHUL.

Eu já tenho 5 caps prontos, mas adianto que costumo ser uma autora lerda (sorry, rs, mas sou). Por enquanto to pensando em postar toda terça e sexta, que acham?

Ah, eu costumo escrever em english, daí as aspas ao invés do travessão ^^
Obrigadinha pra todos que me ajudaram com essa fic, Roberta, Flávia e Ludmilla (amo vocês)

Bem... acho que é isso. Capa feita por mim... Hiraku é meu original... E é isso...
Espero que curtam!

Capítulo 1 - Duas Crises


Fanfic / Fanfiction PS I'm (still not) over you - Capítulo 1 - Duas Crises

 

“Explique-se.”

O maço contendo três jornais de grande circulação diferentes e mais duas revistas de tabloide caíram com um baque surdo na mesa de carvalho do CEO das Empresas Takahashi.

Sesshoumaru levantou os olhos do relatório de lucros que lia calmamente até então, agora submerso na montanha de jornais diferentes, para fitar a figura altiva de seu pai.

“InuTaisho,” murmurou, como se demandasse uma explicação que não poderia tardar.

Nunca o chamava por pai na Empresa. Sempre lhe dispensava o tratamento mais formal possível. Detestava a mera ideia de que alguém acreditasse que alcançara a posição que agora detinha apenas por ser filho do grandioso e excelente InuTaisho. Era, acima de tudo, um homem que acreditava em meritocracia. Se estava onde estava, no topo, é porque trabalhara duro.

“Eu exijo uma explicação, Sesshoumaru.”

Em silêncio e sem se abalar pelo tom raivoso porcamente contido de seu pai, ele voltou os olhos para os jornais jogados em sua mesa.

Em letras garrafais lia-se:

 

ESCÂNDALO: HERDEIRO DAS EMPRESAS TAKAHASHI ABANDONA NOIVA APÓS SABER DE SUA GRAVIDEZ.

 

Se InuTaisho não conhecesse seu filho tão bem, diria que seus olhos se arregalaram levemente.

“Isso?” Deu de ombros, “não passa de invencionice barata da Nikkan Gendai. Além do mais essa notícia é antiga. Kagura e eu já a desmentimos.”

InuTaisho ergueu uma sobrancelha.

“Você não viu todos.”

Certo de que não ficaria mais surpreso, Sesshoumaru abriu um dos jornais de maior circulação do país. Na capa do Asahi Shimbun lia-se:

 

URGENTE: AÇÕES DA COMPANHIA TAKAHASHI DESPENCAM.

 

No subtítulo havia maiores informações:

 

De acordo com investidores, escândalos atuais e passados de seu CEO justificam a ação: “empresa não é mais confiável.”

 

Não houve arregalar de olhos, não houve nenhuma reclamação ou reação visível, um mero trincar da mandíbula forte do yokai sentado à sua mesa.

Embora Sesshoumaru contasse longos anos, não aparentava mais do que 33 anos humanos e assim apresentava sua idade para quem quer que lhe perguntasse: 33, a idade de Cristo ou qualquer outra baboseira que quisessem conferir ao número “místico”.

Entretanto, naquele momento pareceu ser muito mais velho. O cansaço o tomou por completo.

Havia tido uma noite horrível e uma manhã pior ainda. Há anos tentava terminar de uma vez por todas a relação tóxica que tivera com Kagura, mas a mulher insistia em não o largar. Uma hora era uma gravidez, depois o aborto espontâneo — como se yokais fossem tão frágeis ao ponto de perder um filhote daquela forma. Patética — depois as juras de amor e uma doença que fora curada milagrosamente.

Por sua vontade, já teria metido duas balas na testa de Kagura — não que isso fosse matá-la tampouco — e se livrado dela de uma vez por todas, mas, sempre que tentava, um escândalo gigante se sobrepunha entre ele e sua tão sonhada liberdade. E não havia nada que Sesshoumaru prezasse mais do que a boa imagem de sua empresa. Talvez ver as Empresas Takahashi dominando a bolsa de Tóquio.

Poucas coisas lhe davam mais prazer do que ver-se como o poderoso CEO de uma das empresas mais renomadas da Ásia; ser nomeado pela terceira vez consecutiva o empresário do ano ou comparecer a eventos em que sua empresa se destacaria.

Mas os escândalos pouco a pouco foram minando o respeito que levara anos para conseguir. O prestígio já lhe passava longe e se as Empresas Takahashi ainda desfrutavam dos holofotes em muito se devia ao fato de seu pai, o grande InuTaisho, sempre o grande e admirável InuTaisho, prometer dias melhores. E um tanto também devido ao medo que Sesshoumaru inspirava.

Medo, não respeito.

Enquanto o yokai sabia que medo era uma das bases de qualquer relação hierárquica, o homem de negócios sabia que o medo inspirava traições.

E Sesshoumaru nunca aceitaria traições.

O The Wall Street Journal Asia, um dos maiores jornais especializados em economia alardeava:

 

BOLSA DE TÓQUIO ABRE EM BAIXA. AÇÕES DA TAKAHASHI CO. DESPENCAM.

 

No subtítulo enterravam de vez a figura do jovem CEO.

 

Investidores alertam que as Empresas Takahashi não são mais confiáveis. Integrantes da mesa diretora pedirão a renúncia do atual CEO, Takahashi Sesshoumaru.

 

Um baixo rosnado emergiu do peito de Sesshoumaru. Com força descomunal, atirou o maço com jornais e tablóides para o lado, por pouco não acertando seu irmão mais novo.

“Ei, calma aí, valentão.”

“InuYasha!” Ambos se viraram para o homem que acabava de entrar no escritório.

“Saia,” InuTaisho ordenou, sem desviar o olhar para o filho mais novo. Mantinha-se fixo em Sesshoumaru, encarava-o seriamente.

“Eu só...”

“Você ouviu, vira-lata,” Sesshoumaru disse entredentes.

A provocação fez com que InuYasha se irritasse.

“Eu só vim avisar que a imprensa toda está aí embaixo e que o conselho de diretores está pressionando para uma imediata reunião, pedigree.”

Ninguém respondeu a provocação. Pai e filho continuavam a se fitar intensamente.

“Se eu fosse você...”

“Mas você não é, não é mesmo, vira-lata?”

Da mesma forma que o insulto chegou em seus ouvidos, o hanyou se preparava para rebater. Não pensou, apenas disse e disse o que bem sabia atingir seu meio-irmão.

A relação de Sesshoumaru e InuKimi não era das melhores, mas se havia algo que ele não tolerava era que a ofendessem, não importava o quão disposto a criticá-la sempre estivesse.

“Filho da pu...”

Antes mesmo que pudesse terminar a frase, Sesshoumaru estava sobre ele, o braço pressionado contra a garganta do irmão mais novo. InuYasha fincou suas garras no antebraço, tentando afastá-lo sem sucesso. Ao menos conseguira fazê-lo sangrar. Gotículas de sangue manchavam-lhe a camisa branca imaculada.

“Contenham-se os dois, antes que eu os contenha.” A voz baixa e autoritária de InuTaisho fez com que os dois se separassem imediatamente, ainda que se encarassem com receio, prontos para pularem um no pescoço do outro.

“Podemos discutir feito homens civilizados que somos? Ou terei que assistir meus dois filhos se pegando como dois cães sarnentos?”

#

Rin suspirou diante da diretora do colégio. Colocou a cabeça entre as mãos e pensou em chorar, mas sabia que isso não levaria a nada.

“Eu já não sei mais o que faço, Kikyou.”

A diretora lhe sorriu, empática.

“As aulas de aikidô não funcionaram.”

“Ouvi dizer que ele consegue derrotar mesmo os garotos mais velhos,” respondeu com uma meia risada.

Eram amigas de longa data, ela, Kikyou, Kagome e Sango. Enquanto Kagome casara-se com o importante diretor financeiro das Empresas Takahashi, Rin fora... — ela sequer saberia definir, amante talvez, embora, alguma parte de si, continuasse a se apegar ao relacionamento que tinham. Era mais do que carnal — namorada, talvez, do atual CEO, Takahashi Sesshoumaru. Sango estava noiva do pervertido e ex-monge Miroku e Kikyou era esposa de Naraku — dono de uma editora na qual Rin trabalhava.

“O que eu vou fazer com ele? Meu baby boy virou um bad boy antes da época.”

“Adolescência precoce.”

“Cinco anos antes? Ele só tem seis anos. Fará sete em breve! É um bebê...” sua voz ia ficando cada vez mais fraca, “meu bebê.”

“Um bebê hanyou. Obviamente você sabe que ele é mais forte do que todos os outros coleguinhas de sua idade.”

Rin não tinha mais forças para falar.

Desde que se mudaram para o Japão, comparecer à diretoria da escola era quase uma rotina. Hiraku estava sempre metido em alguma encrenca, invariavelmente terminava batendo, espancando, os demais coleguinhas.

“E não ajuda nada que as crianças o chamem de vira-lata, sem-pai, demoniozinho e demônio burro.”

Rin franziu o cenho. Demônio burro? Não entendia... Hiraku era um dos garotos mais inteligentes de sua idade. Não conseguia contar, verdade, sempre reclamava que os números lhe pareciam embaraçados — o que a princípio achou que fosse miopia, mas era discalculia — mas sabia ler e escrever como ninguém. Hiraku seria brilhante em qualquer área que escolhesse.

Por mais que ele se sentisse seguro em relação a muitas coisas, isso sempre o afetara. Não ajudava muito que Kagome tivesse deixado escapar que seu verdadeiro pai era extremamente inteligente e mexia com números. Hiraku aspirava ser como o pai e com discalculia...

Não ajudava muito o fato dele ser um hanyou, tão poucos no mundo, e que tivesse sotaque. Tendo vivido boa parte da vida fora, Holanda, onde conhecera Sesshoumaru e viveram um tórrido romance na simpática e cosmopolita Amsterdã, e estando há menos de um no Japão era de se esperar que o garoto falasse estranho.

Mas brincar com algo que afetava a tanto a seu pequeno... Oh... isso era tão cruel da parte das demais crianças.

“Rin...” Kikyou chamou sua atenção. “Você já sabe o que eu penso.”

A garota engoliu em seco.

“Não...”

“Sim,” foi incisiva. “Você não pode esconder a verdade para sempre. Hiraku merece saber. Sesshoumaru também.”

“Ele nunca quis saber do filho.”

“Você está sendo irracional.”

Suspirou.

Sabia disso. Sesshoumaru não a abandonara grávida. Tinham um acordo e ela tentara contato, mas... Mas nunca conseguira falar com ele. Aos poucos decidiu e se conformou a viver sua vida na Holanda.

“As crianças são mal-educadas.”

“Rin, você não vive mais na Holanda. Mãe solteira lá é comum, aqui é um absurdo. Fim de mundo!”

“Machismo batendo na minha cara...” Suspirou. Odiava, pela primeira vez, sua terra natal. “Eu sou capaz de pagar minhas contas. Hiraku sempre viveu muito bem na Holanda. Os amiguinhos dele nunca o julgaram por nada disso. Talvez o que precisem é de...”

“Estamos falando do Japão, Rin. Não do país em que se pode pagar gasolina com sexo.”

“Ei, não funciona bem assim!”

“Mas acham que é assim que funciona. As outras mães acham que você é má-influência.” Pigarreou. “Uma prostituta.”

Rin a encarou, horrorizada. Até tentou falar alguma coisa, mas palavras lhe faltavam.

“Eu...”

“Aceite a nossa proposta, Rin... Ou conte a ele, ou arrume um namorado. Hiraku precisa de uma figura masculina mais do que nunca.”

#

Flashes de luz estavam por todos os cantos. Absolutamente todos os repórteres renomados estavam na coletiva de imprensa convocada por Sesshoumaru naquela tarde.

A conversa com seu pai e InuYasha não fora das melhores. Se bem se lembrava, havia sido pressionado loucamente por ambos os homens. E se havia algo que Sesshoumaru odiava era ser pressionado.

Nunca fora caça, ao contrário. E seus instintos de caçador disparavam, loucos, toda vez que era encurralado.

A reunião com o conselho de diretores fora breve, não deixara ninguém se pronunciar.

A situação será resolvida, dissera. Como e quando não lhes interessava. Sesshoumaru não era homem a quem se cobrava explicações.

Agora, na frente dos jornalistas no auditório das Empresas Takahashi, encarava-os com um meio sorriso nos lábios. Havia apenas duas ocasiões em que sorria de forma genuína. Uma delas estava relacionada a sair por cima e a outra...

Era melhor não pensar.

O ultimato de seu pai lhe irritara profundamente.

Ou peça desculpas publicamente ou saia com uma mulher, humana, de minha escolha.

InuTaisho sabia porque Sesshoumaru detestava humanos, sabia ainda mais que após Rin não queria ver uma mulher humana nem que fosse pintada de ouro em sua frente. E, no entanto, lá estava ele colocando seu filho entre a cruz e a espada.

O sorriso se alargou ao ouvir a repórter do mesmo tabloide que arruinara sua imagem naquela mesma manhã.

“Então, você quer dizer que a renomada modelo Kagura estava se relacionando com outro homem?”

Sesshoumaru por pouco não conseguiu disfarçar o sorriso que queria tomar seus lábios.

Kagura, aquela vadia, acreditava que poderia arruiná-lo, mas quem acabara com uma carreira destruída no fim?

“É com pesar que eu anuncio que Kagura esteve me traindo pelos últimos meses.”

Traindo... a palavra ainda trazia um gosto amargo à boca, mas Sesshoumaru engoliu seu orgulho, sabendo que a melhor forma de lidar era devolvendo o feitiço com maior potência. Se Kagura sabia usar a imprensa, a mesma coisa poderia ser dita dele.

Nunca iria admitir, mas aquelas fotos que conseguira salvaram sua vida.

O que poderia ser mais chocante do que o irresistível herdeiro de uma das maiores companhias do oriente sendo traído por sua noiva de anos?

E mesmo que Kagura não o estivesse traindo, qualquer mulher que se desse ao respeito não seria fotografada no carro de um estranho, beijando-o no rosto. Certamente não uma mulher compromissada.

O resto... Era história.

Tudo que Sesshoumaru precisava era fazer cara de coitado e deixar a imprensa preencher as lacunas com histórias sensacionalistas.

A princípio pensara em pintá-la como louca, mas de louca a infiel...

Sorriu de canto.

Kagura mal podia esperar para ver.

De canto, olhou para o seu pai. InuTaisho o encarava com profundo horror. O sorriso em seus lábios se alargou ainda mais.

Não precisaria sair com uma humana patética. Resolvera o problema Kagura ele mesmo e, olhe só, sem precisar da ajuda de seu pai.

 

#

Rin olhou para o vinho que o maître lhe trouxera. Um bordeaux que lhe fazia lembrar da viagem à França, das tardes ensolaradas na cidade parisiense e da sensação dos lábios ávidos de Sesshoumaru contra os seus.

Respirou fundo e caminhou em direção às grandes janelas do restaurante.

Quanta pompa...

Nem sabia porque aceitara aquele jantar. Muito menos porque aceitara se encontrar com um completo desconhecido.

Ah sim... Suas amigas, que belas amigas, convenceram-na de que seria legal conhecer alguém. Que Hiraku precisava de uma figura masculina em sua vida.

Bom, ela sequer conseguia pensar na outra opção.

A ideia de ver Sesshoumaru novamente ou contar a ele que tinham um filho juntos a aterrorizava.

Era uma tola. Ainda amava Sesshoumaru e a mera ideia de estar no mesmo cômodo com o homem, demônio, que amava sem que ele lhe retornasse os sentimentos era torturante.

Sim. Ele nunca a amara.

Não importa que tivesse dito as palavras quando fizeram amor em Versalhes. Juras de amor trocadas no meio do calor do sexo eram nulas. Era apenas isso... sexo, desejo, luxúria.

Ele próprio as desmentira quando terminara a relação e Rin sabia que sequer precisava que ele desmentisse. Sesshoumaru se afastara pouco a pouco e quando estavam de volta à Holanda veio a confissão.

Nunca te amei. Yokais são incapazes de amar.

Boba, ingênua e tola Rin teria dito algo como eu posso amar por nós dois, mas ele já havia partido salvando o pouco que restava de sua dignidade.

E semanas depois vieram as súbitas ondas de mal-estar e a confirmação do que ela já suspeitava: estava grávida.

Tentara contato, óbvio, mas Sesshoumaru não a atendia. Era impossível contatá-lo.

Com o passar dos meses desistira.

Claro, ele não fora seu último, mas certamente o último e único que amara.

Suspirou.

Não.

Estava ali para se dar uma nova chance. Talvez funcionasse dessa vez.

Olhou-se no vidro e admirou seu reflexo. Sango fizera um ótimo trabalho com sua maquiagem e cabelo e Kikyou fora certeira com o vestido.

A cor magenta contrastava com sua pele de alabastro.

Magenta...

A mesma cor das marcas de Sesshoumaru. As marcas que ele possuía nas maças do rosto, nos pulsos, ao redor dos bíceps poderosos e nos quadris finos que ela costumava enlaçar com suas pernas tantas e tantas vezes...

Arregalou os olhos.

Não. Não podia fazer isso.

A quem estava enganando? Não podia se encontrar com outro homem. Não hoje e não agora. Certamente não no Japão em que Sesshoumaru residia e estampava as capas de jornais e revistas, fosse como o empresário do ano ou com seus escândalos épicos.

Hiraku não precisava de uma figura masculina em sua vida. Precisava se ver livre daquele país misógino que a condenava por ser mãe solteira e que condenava seu filho por algo que ele sequer tinha culpa.

Suas amigas que a desculpassem.

Rin faria as malas e voltaria para a Europa. Sua amada e querida Amsterdã onde ninguém a julgava por ser quem era.

Onde as memórias de Sesshoumaru eram doces e não amargas como no Japão. Onde tudo permaneceria no platônico, sem correr o risco de trombar com ele a cada esquina.

Sacudindo a cabeça, deu meia volta e caminhou em direção à saída.

Mal percebeu que por ela passavam o maître e a figura altiva daquele que jamais esperava encontrar.

#

Sesshoumaru encarou a porta do restaurante em que se encontraria com a humana selecionada por seu pai.

Humana...

Queria saber o que InuTaisho tinha na cabeça para acreditar que ele aceitaria sair com uma humana por muito tempo.

Apenas aceitara aquele encontro porque odiaria pedir desculpas ao conselho de diretores. Já se desculpara para a imprensa e acabara com a carreira de Kagura, não se rebaixaria ao ponto de pedir desculpas aos velhos babões.

Claro que ninguém esperava que ele fosse falar de Kagura daquela forma, mas sabia que tampouco acreditariam em sua ex amante caso fizesse mais escândalos. Ah, a vantagem de ser homem, rico e bonito no Japão...

Mas seu pai, ah o grandioso e ético InuTaisho, o colocara contra a parede. Ou saía com a humana, ou ele revelaria à imprensa que Sesshoumaru mentira e esse seria o fim de sua carreira, qualquer que fosse.

Estava, de novo, encurralado.

A única humana com quem se relacionara e dera certo fora Rin, com quem vivera um romance tórrido na Holanda durante dois anos.

E mesmo dela se livrara. Franziu o cenho diante da lembrança de que ao contrário das demais, não se separara de Rin porque se cansara dela, mas pelo contrário, porque se afeiçoara a ela.

Paixão...

O inu daiyokai costumava despertar paixões avassaladoras em outros, no entanto com Rin fora justamente o contrário. Cerrou os olhos diante da mera lembrança dos lábios suculentos contra os seus, da pele macia e do corpo responsivo sob o seu e do sorriso... o sorriso pelo qual se apaixonara perdidamente.

Sendo o mestre na arte da manipulação que era, Sesshoumaru sabia muito bem os efeitos devastadores que uma paixão poderia ter em alguém. O poder que conferia ao ser amado... e ele não poderia, jamais, sob hipótese alguma, deixar que qualquer mulher tivesse tamanho efeito sobre ele. Muito menos uma humana qualquer.

E Sesshoumaru preferiria morrer a admitir que estava apaixonado.

Antes que pudesse se perder naqueles sentimentos mais do que humanos, inúteis e avassaladores, terminou a relação. Terminou tudo de forma limpa, respeitosa, mais respeito do que prestaria até mesmo ao seu próprio pai, mas não a contatou mais na vida.

Era definitivo.

Ela tentara contatá-lo, mas uma vez que Takahashi Sesshoumaru tomava uma decisão ela era para sempre.

Essa fora a última vez em que se relacionara com uma humana. Nunca mais tocara em uma, eram todas frágeis, patéticas. E mesmo as yokais com quem se relacionavam sempre pareciam pálidas perto de Rin. O sexo, mesmo o mais selvagem e primitivo, não se comparavam a uma noite de amor lento e sensual com Rin.

Trincou a mandíbula. Estava pensando demais numa história que acabara há sete anos. Mais do que deveria.

No espelho do elevador checou sua aparência mais uma vez e, satisfeito, voltou-se em tempo de ver as portas se abrirem.

O restaurante ficava na cobertura e, após o escândalo colossal, estava reservado apenas para ele e sua acompanhante.

De onde estava ouvia a música francesa preencher seus ouvidos. Parole, Parole ecoava melódica e ele quase podia sentir em seus lábios o gosto do bordeaux suave compartilhado com Rin nas férias de verão na maravilhosa Versalhes, quer fizessem amor por horas a fio enrolados nos lençóis do hotel, quer saciassem a curiosidade mórbida por museus que ela nutria.

Acompanhado pelo maître, dirigiu-se à mesa onde encontraria a humana escolhida por seu pai; excitação zero.

Porém antes que pudesse dar um passo adiante, uma moça trajando um vestido de seda magenta, estatura baixa, ombros desnudos e cabelos cor-de-corvo longos, caindo em volumosas ondas às costas, passou por ele em direção ao corredor; cabeça baixa.

Não pode ver seu rosto, mas não seria necessário.

O aroma era inconfundível. Ainda mais por ter algo dele misturado nela. Mesmo depois de tantos anos.

Rin...

 


Notas Finais


E aí? Que acharam? Espero que tenham gostado.
Vai ter um bocado de cenas hots, mas né... primeiro capítulo não dava pra fazer nada WOW porque eu preciso introduzir o problema.

Os jornais mencionados existem de fato e são populares no Japão, cada um na sua área. Os lugares, marcas e etc mencionadas serão sempre reais e não me pertencem, ok?

Well... Esquema de postagem, como falei... terça e sexta. Agora que to de férias poderei escrever mais, e aí, quem sabe, dependendo dos reviews, postarei com mais frequência. Caso não haja comentários, a fanfic será interrompida porque eu escrevo essa e mais 6 fanfics, 4 delas em inglês. Muita coisa para dar conta sem retorno.

E é isso ^^


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