História Psique - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias X-Men
Tags Dom, Drama, Lancaster, Mercurio, Psique, Romance, Sage, Xavier, X-men
Exibições 17
Palavras 2.595
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Super Power, Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Heey, gente! Tudo bem? Só quero dar uns avisos prévios, ok?
> Sim, a protagonista da fanfic é a rainha Kaya Scodelario!
> Os eventos da fanfic baseiam-se, na maior parte, no período de "X-men: Apocalypse", ou seja, anos 80, baby! Yaaay!
> Plágio é crime! Se virem algum plágio por aí, por favor, me avisem!
Boa leitura.

Capítulo 1 - Prólogo


Fanfic / Fanfiction Psique - Capítulo 1 - Prólogo

Eu corria, esbaforida, arquejando por ar e com as pernas fraquejando a cada passada. Minha face infantil era trilhada por lágrimas quentes, enquanto sentia o medo me consumir por completo, ali, naquela mata fechada e fria.

Não passava dos oito anos, tinha certeza, apesar da situação não ser nada favorável: estava escuro e uma densa neblina cobria o meu redor, formando sombras assustadoras que tentavam me alcançar. Conseguia, no entanto, ver que eu usava o meu vestido favorito — azul da cor do mar —, o qual havia ganhado de aniversário da tia Imogen, aos meus oito anos, acompanhado de meias de lã e botinhas de passeio, conjunto utilizado quando eu saía para ir ao parque com papai, época em que era só uma garotinha. O adorado traje, todavia, estava cheio de rasgos, manchas de terra e algo mais, desconhecido por mim.

O único som audível era o dos meus pés contra as folhas caídas no solo, o da minha respiração acelerada, junto aos soluços que, vire e mexe, escapavam por minha garganta, e um barulho rouco ao longe, semelhante a um motor. Eu não poderia parar de correr, embora meu peito queimasse pelo esforço. Há quanto tempo eu não estaria correndo? Muito, pelo visto, pois estava exausta mesmo em minha aura infantil.

De repente, eu tropecei em alguma raiz e meu corpo foi de encontro ao chão imediatamente. Demorei alguns segundos para me levantar, ainda atordoada por essa “ freada” brusca, mas foi tempo o suficiente para escutar o som de hélices aproximando-se rapidamente. 

Em um raio de três metros, uma luz cegou-me e, instintivamente, coloquei um braço por cima do rosto para bloquear a claridade repentina. Cordas foram jogadas e homens estranhos e uniformizados por completo desceram, alcançando-me facilmente. 

Ao sentir mãos me agarrarem, comecei a gritar, desesperada, debatendo-me loucamente para tentar escapar, porém, senti uma picada na base do pescoço e, no mesmo instante, meu corpo amoleceu e meus olhos começaram a pesar. Tudo, então, começou a ficar confuso e eu não entendia mais qualquer coisa. Tive plena noção de estar subindo e chegar ao lugar de onde aquelas pessoas vieram, mas o ambiente encontrava-se embaçado e o som do helicóptero com o das vozes de um dos homens pareciam mil vezes mais intenso. 

— Elemento de estudo, A-75, capturado e extraído com sucesso. 

E tudo ficou negro.

X

Acordei em um ímpeto, sentindo o suor frio escorrer pela minha têmpora e o coração palpitando descontroladamente rápido. Era o mesmo pesadelo de sempre e eu não aguentava mais despertar no meio da noite e encontrar meu quarto... Diferente. 

Eu mantinha os olhos cerrados, tentando normalizar a minha respiração, mas, na verdade, eu só estava tentando arranjar uma desculpa para não precisar olhar para as paredes do recinto. Se eu o fizesse, eu sabia que não voltaria mais a dormir, algo que já vinha acontecendo há alguns meses. Só que eu sempre abria os olhos...

Como se estivesse criando coragem, suspirei, passando a mão pelo cabelo e fitei o quarto, arquejando. As paredes estavam cinzas e marcas de mofo cresciam pelos cantos das paredes, igual a uma criatura viva espreguiçando-se. O cômodo estava congelando e eu conseguia escutar murmúrios e ecos em minha cabeça; palavras desconexas e sem sentido, as quais perturbavam meus pensamentos. 

Inevitavelmente, algumas lágrimas começaram a escorrer por minha face e passei a tremer, tanto de medo, como de frio. Estava tudo tão errado. Eu não sabia o que estava acontecendo e tudo que pude fazer foi me encolher e tentar esquecer a existência dos sussurros cortantes e a sensação de estar no lugar errado e na hora errada. Logo, amanheceria e eu, como sempre, faria de tudo para esconder esse estranho evento repetitivo, tentando levar uma vida normal.

X

Era um novo dia. Eu estava há meia hora em frente ao espelho, fitando minhas olheiras profundas, as quais já haviam se tornado companheiras de todas as manhãs, e a extrema palidez de meu rosto. Meus olhos estavam opacos também, não possuíam mais aquele tom azul vibrante e meus lábios estavam rachados, contribuindo para a minha aparência estar ainda mais fantasmagórica. 

O quarto estava de volta ao normal, sem quaisquer indícios da noite passada. As paredes estavam com o papel azulado, pôsteres colados davam a impressão de que eu era uma simples e comum adolescente e a luz do sol transpassava as cortinas, iluminando uma parte do cômodo. 

Eu precisava me arrumar e ir à escola, ou seja, cabular as aulas, na realidade. Desde que eu saísse de casa, já estava ótimo: não aguentaria passar muito tempo com a presença vazia daqueles corredores e retratos e mais retratos de minha família. Aquelas fotos eram simples mentiras, lembranças do que já haviam sido os Lancaster. 

Com um considerável desânimo, virei de costas e alcancei a maleta de maquiagem. Ao tornar, entretanto, assustei-me ao encarar meu reflexo e deixei tudo cair no carpete do quarto. Era eu mesma e não era ao mesmo tempo. Meu reflexo sorria de maneira medonha, um semblante quase impiedoso, como se esfregasse como minha vida tinha se tornado uma porcaria; e eu observava, estática, a outra de mim se gabar de sua sorte de viver por trás do vidro, longe da culpa, confusão e melancolia. Ao piscar duas vezes, todavia, as coisas voltaram aos seus conformes e eu peguei a maleta caída, tentando esquecer o que ocorrera. Minha mente deveria estar me pregando peças... De novo. 

Respirei fundo pela décima vez, após me recuperar do susto, e comecei a me maquiar. Ao final do processo, eu mal conseguia me reconhecer: as olheiras estavam disfarçadas, meus olhos envoltos por sombra preta, revivendo o azul de minha íris, e meus cílios estavam cobertos por várias camadas de máscara. Nem parecia que eu não dormia direito a meses ou que o luto me consumia quase que por completo. Viver uma mentira era mais fácil do que enfrentar a verdade, tentava me convencer disso todos os dias depois do incidente. 

Antes de deixar o recinto, enfim, abri uma das gavetas da cômoda, mesmo que o meu subconsciente gritasse para não o fazer. Dentro, havia um único e carregado de memórias objeto: uma pulseira. Toquei-a delicadamente e vários flashes surgiram em minha cabeça, podendo ouvir claramente o som da voz dele, como se ainda sentisse sua presença ao meu lado. 

Meu pai tinha morrido há um ano em um acidente de carro, cujo único sobrevivente havia sido eu. Ainda lembrava-me de estarmos sorrindo, apesar de estar especialmente cansada após a visita ao parque em que sempre íamos desde minha infância, até minha visão nublar e a próxima lembrança que eu possuía do evento era estar em uma maca do hospital da cidade e receber a notícia de que, o único que sempre havia me amado, falecera. 

Eu não pude me despedir. O velório e o enterro tinham sido no período em que eu ficara em coma, uns cinco dias na UTI, e eu me sentia desesperançada. A partir daí, tudo desandou. Minha mãe me ignorava ainda mais, culpando-me de simplesmente existir, coisas inexplicáveis começaram a acontecer e superar a perda era difícil demais para uma simples adolescente. 

Os pesadelos surgiram algumas semanas depois do acidente. As primeiras vezes foram as mais difíceis: acordar assustada e me deparar com o quarto naquela situação... Eu não era capaz de compreender o teor dos pesadelos, afinal, não faziam o menor sentido, mas as consequências da insônia faziam-se presentes desde aquela noite até a passada e, quase certamente, a de amanhã também. 

Às vezes, eu achava que estava louca; acabaria em um hospício em breve. Talvez fosse impressão, mas eu fazia coisas sem sentido e minha cabeça latejava só de lembrar de todas as vozes, lamúrias e sons entrecortados retumbando em meu cérebro. Quando uma das linhas de trem explodiu, em minha cidade, por exemplo, eu fiquei acamada por dias a fio, sentindo uma dor lancinante que me cortava de dentro para fora, como adagas cravadas em série tentando emergir. Muitas foram as vítimas e entendi à risca a dor que todas elas sentiram quando estavam morrendo. Parece mórbido demais e, provavelmente, era só uma coincidência, mas depois das notícias sobre a existência de mutantes, há alguns anos, eu me esforçava bastante para manter a mente aberta. Se eu fosse ou não uma superdotada, não teria muita importância para minha mãe, única família que me restava, então, para que se dar ao luxo de me preocupar com a possibilidade, não é? 

Ok, eu me preocupava um pouco, sim. Minha curiosidade despertava sempre que ouvia a palavra “mutante” e o medo dominava-me quando eventos estranhos aconteciam. Se fosse apenas o acordar no meio da noite ou o sentir dores terríveis, talvez meus problemas fossem mais simples, porém, não era somente isso. Eu precisava tomar cuidado com as minhas palavras, pois, dependendo da situação, eu era capaz de obrigar alguém a fazer coisas, no mínimo, anormais. Já fizera o guarda da escola não me ver, também, sendo que eu estava bem em frente ao homem. Por cauda disso tudo, portanto, que eu deveria estar indo a uma palestra no dia seguinte. Uma palestra sobre mutantes, ministrada pelo professor Charles Xavier, se eu não estivesse enganada. Mal não faria, certo? 

Fechei a gaveta, prendendo minhas memórias, deixei o quarto e, consequentemente, toda a minha fragilidade e medo. Ao redor das pessoas, eu precisava me mostrar forte, se não eu seria pisoteada. Assim, já me preparava para algum breve comentário ácido de mamãe, só para “alegrar” o meu dia, enquanto descia a escada de madeira lenta com a mochila em meus ombros. 

Ao chegar à cozinha, a mulher torceu o nariz em desagrado ao me ver e voltou a fazer anotações na agenda, ignorando-me. O noticiário estava ligado e a repórter falava sobre a mais nova lei aprovada pelo Congresso, referida como “vitória da cidadania e exemplo concreto da eficiência da democracia americana de direitos igualitários”, em que qualquer ato contra mutantes teria o mesmo nível de julgamento que quando a questão era a de humanos vitimados, pois todos eram cidadãos americanos, independente das diferenças genéticas e físicas ou algo assim. 

Revirei os olhos. Eu prestava um pouco de atenção às palavras que saíam da televisão, ao mesmo tempo em que despejava o leite nos cereais, porém, fui interrompida pela voz de outra pessoa. 

“Essa menina acha que usar tanta tinta no rosto faz com que pareça mais rebelde e adulta, mas...”

— Bom dia. — Cortei sua reflexão, não querendo ouvir o que ela achava ou deixava de achar de meu comportamento. — Vou voltar tarde hoje, se é que isso importa para você. 

A mulher levantou o olhar para mim, depositando a caneta na mesa e tentando me intimidar. 

“Quem ela pensa que é? Provavelmente só vai ficar vadiando por aí e...”

— Vou ao cemitério hoje. — Declarei, seca. — Não sei se poderei ir amanhã.

Ela suspirou e voltou a encarar as anotações, tentando retomar de onde havia parado.

— Você precisa chegar cedo hoje. 

Abri a boca para protestar.

— Sem discussão, Sage. — Travou o maxilar. — Precisamos atender ao memorial de seu pai, na empresa. Finalmente ficou pronto e, de início, eu nem a levaria, mas qual imagem passaremos se a própria filha de Finn Lancaster não comparecer, não é? 

Paralisei, surpresa. Eu não fazia a mínima ideia da existência de um projeto para lembrar eternamente a existência de papai. Ele era um homem nobre e sua partida fora terrível para todos os seus conhecidos, principalmente para mamãe. A mulher tentava não demonstrar, contudo, eu sabia o quanto ela sofria em silêncio, maltratando-me diariamente por te sido a última pessoa a olhar nos olhos dele e ser, de alguma maneira desconhecida por mim, culpada por sua morte. Ninguém me contara, porém, ela fazia questão de afirmar veemente que eu era, sim, culpada e, com o tempo, eu havia aprendido a aceitar essa ideia e sofria a cada instante ao lembrar de nossos momentos juntos, questionando-me sobre o que eu poderia ter feito. 

— Eu não sabia de nada! — Depositei a tigela na mesa, frustrada. — Por que não me contou antes?

— Como eu poderia saber se você seria capaz de ter maturidade o suficiente para levar a ideia adiante, Sage? A única coisa que você faz é sair de casa cedo, cabular as aulas, retornar tarde da noite e se trancar naquele quarto! — Rebateu, ácida. — Um memorial para o seu pai é algo sério e que demanda controle. Você não honra o trabalho duro de seu pai, mesmo depois de ter sido a culpada pela morte dele! Eu decido o que você vai ficar sabendo ou não nesta casa e, sem reclamações, você vai a esse memorial, se vestirá apropriadamente e tirará esse monte de maquiagem do rosto, entendeu? 

Engoli em seco, sentindo a energia negativa da situação entrar por cada poro de minha pele e, imediatamente, comecei a sentir fraqueza. Por algum motivo, eu não conseguia ler os pensamentos de minha mãe, mas seriam relacionados ao ódio por me ter como filha, com certeza. 

— Eu levaria esse memorial a sério, sim. — Anunciei depois de sentir as vibrações ruins se dissolverem dentro de mim. — Eu me comporto em relação às pessoas de acordo com o modo como essas pessoas me tratam e merecem ser tratadas. Eu irei ao memorial, mas não pense que é porque você está intimando minha presença. Vou única e exclusivamente por ele, nada além disso. 

Peguei a tigela intocada e depositei na pia, agarrando a mochila e saindo da cozinha, extremamente irritada. Ela sempre fazia isso: deixava-me a ponto de um colapso mental.

Abri a porta de entrada com violência e, antes que pudesse agarrar a maçaneta e fechá-la, como em um passe de mágica, ela foi de encontro ao batente, sozinha, gerando um estrondo seco. Arfei, surpresa, mas já sentindo certos olhares sobre mim, continuei a andar, com a cabeça baixa. 

Não bastava discutir com mamãe para meu dia a dia ser “perfeito”, afinal, um turbilhão de palavras de desconhecidos martelava dentro de mim, enquanto eu seguia em direção ao mercado mais próximo a passos rápidos. As vozes e o som de buzinas e carros estavam tão altos e confusos que eu precisei fechar os olhos por alguns segundos, tentando normalizar minha respiração. 

Ao chegar ao comércio, logo peguei uma caixa de cigarros e fui pagar, sentindo extrema urgência em colocar um maço na boca e tentar esquecer o que estava acontecendo. Uma televisão mostrava imagens de Magneto, um mutante que era procurado há muito tempo, que aparentemente deu sinal de vida na Polônia, já causando grande tumulto na mídia internacional. 

Na minha vez de pagar, assim, saquei uma nota de dez dólares, bem amassada por sinal, e esperei meu troco, meio impaciente. O homem do caixa, entretanto, parecia demorar propositalmente e não parava de me encarar de cima a baixo com um olhar malicioso.

Tentei não ler seu pensamento, porém, suas reflexões pareciam flutuar à minha frente, obrigando-me a ouvir suas palavras sujas de qualquer maneira. Fiz uma leve careta em resposta e, sem pensar duas vezes, consegui fazê-lo adicionar mais duas caixas de cigarro, de graça, à compra e, em seguida, recebi o troco, em silêncio. 

Sem mais delongas, deixei o local, já acendendo um dos maços e sentindo alívio imediato. A fumaça acalmou-me parcialmente, mas já era alguma coisa. Mordi meus lábios, então, fitando a rua e escutando as vozes abaixarem de modo gradativo até virarem apenas sussurros dentro de minha cabeça. Seria uma longa semana e, em breve, se eu tivesse sorte, eu entenderia o que acontecera comigo e compreenderia quem eu, de fato, era ou me tornara.

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


E então? O que acharam? Espero que tenham gostado e, se puderem, deixem a opinião de vocês lá embaixo... Adoro críticas construtivas para que eu melhore minha escrita, ok?
Bom, é isso. Até o próximo capítulo.
Xxxxxx


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