História Psique - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O
Tags Angst, Chanbaek, Chanbaeksoo, Chansoo, Exo, Políamor, Yaoi
Visualizações 129
Palavras 2.656
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Slash, Yaoi
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


olá, eu to postando um bilhão de historias <3 vou deixar alguns links nas notas finais.

Capítulo 5 - Four


Chanyeol perdeu-se em pensamentos pelo que pareceram séculos, enquanto os dias da semana se arrastavam em uma lentidão agonizante; buscou de todas as formas algo que o levasse até eles, algo que o mostrasse que ainda havia esperança. Naquele mesmo dia em que descobrira sobre a separação e sobre a morte do patriarca, decidiu que os encontraria, ligou para os pais e tudo que recebeu foi empatia, sem questionamentos, sem desculpas, sem conselhos que o fizessem decidir parar com tudo que planejava. Eles prometeram o ajudar, independente da loucura em que toda aquela história se resumia, haviam passado sete anos, muitas coisas haviam acontecido e ele nem ao menos sabia se os irmão continuavam ali naquela cidade, mas se havia algo que tinha aprendido em todo esse tempo, é que a esperança não morria, pois até que fosse decretado o fim, ela o faria caminhar para frente.

Chanyeol caminhava a passos largos pelo próprio apartamento, teria duas semanas antes que suas aulas retornassem, era o último semestre e logo estaria formado, só começaria a trabalhar no próximo mês e todo seu tempo livre era direcionado as teorias sobre os irmãos, como estariam? Se lembravam de si? Rezava, mesmo que não soubesse para quem, pedindo que eles estivessem bem, que estivessem vivos e acima de tudo, perto de si, pois se nada estivesse no lugar correto, ele consertaria cada pedacinho daquele espelho quebrado, até que o mesmo refletisse a felicidade que os três sentiram um dia. A ligação do seu pai veio como um alivio e um novo medo, o mais velho havia contratado um detetive particular para ajuda-lo, mas ao contrário do que Chanyeol esperava, ele não havia encontrado os irmãos, mas sim a senhora Byun em um hospital psiquiátrico.

- Você é parente dela? – A enfermeira perguntou com um olhar desconfiado e Chanyeol sorriu sem jeito.

- Sou um amigo dos filhos dela. – Falou e viu os olhos da mulher se expandirem em clara surpresa.

- Eles sabem, ele vão vim? – Perguntou com um mínimo sorriso que logo se desfez ao notar o semblante confuso do rapaz.

- Desculpa, eu não sei onde eles estão. – Falou enquanto deixava que sua feição se fechasse completamente naquela tristeza que já lhe era tão conhecida.

- Eu te levarei até ela. – Foi tudo que a enfermeira falou antes de continuar o seu caminho.

Chanyeol seguia por aquele pequeno caminho de pedras, os muros altos se escondiam por detrás de cada arvore daquele jardim milimetricamente planejado para passar paz e bem estar, deixou que seus olhos vagassem pelas poucas pessoas que haviam ali, um garoto pálido ao sol, uma senhora que pintava feliz e ao longe, sentada sozinha em um banco, ele a viu. Se perguntou se o tempo realmente poderia ser tão gentil assim, a senhora em nada havia mudado nesses sete anos em que não a viu, talvez estivesse um pouco mais magra, um pouco mais pálida, seus cabelos negros, antes tão longos, agora mal cobriam as orelhas e seus olhos antes tão gentis, pareciam não transmitir nenhum sentimento. Chanyeol sentiu seu estomago embrulhar, a imagem da mulher sentada a sua frente emanava uma aura tão densa e solitária que o fez querer chorar, talvez o tempo não fosse tão bom assim; não quando fossilizava uma casca em perfeito estado, mas que por dentro se encontrava totalmente vazia. Vazio, era o que aquela imagem gritava, tão linda entre as flores, mas tão solitária e frágil. A enfermeira preferiu não se aproximar enquanto incentivava o garoto a continuar a andar.

- Eu estarei bem aqui. – Falou lhe sorrindo triste e desviando o olhar para a mulher. – Tente faze-la sorrir. – O pedido saiu como um suplica e Chanyeol sorriu fraco, aquela enfermeira se apegara a mulher.

Chanyeol se aproximou a passos lentos esperando alguma reação da mulher que apenas permanecia parada; sentou-se ao seu lado e ainda assim, a mesma não demonstrou nenhuma reação. Deixou que o silencio o preenchesse, como se fizesse de si recipiente; deixou, por que diante daqueles olhos tristes e face serena, não conseguia proferir uma só palavra, não conseguia perguntar ou mesmo acusa-la de nada. Não negaria que a culpou em algum momento, talvez em uma vã tentativa de tirar aquele peso das próprias costas, mas logo desistiu de atribuir seus erros a outros, quem era ele para julgar? Qual direito ele tinha de apontar o dedo na cara daquela mulher e questiona-la por ter deixado Kyungsoo para trás; ele não sabia de nada e no momento se limitava a enxergar aquela face pálida, as poucas rugas não tiravam o seu ar de porcelana, parecia ser tão fria ao toque, tão frágil quanto cristais de gelos que se escondem em nevascas.

- Você os viu? Eles estão bem? – Questionou sem encara-lo, em um tom tão baixo que por alguns instantes ele se perguntou se realmente ela havia dito algo.

- Você sabe quem sou? – Perguntou tão baixo quanto a mesma e se pôs a encarar o vazio assim como ela fazia, tinha medo de quebrar aquele breve dialogo, tinha medo de sair dali ainda mais perdido e tinha medo de que ela pudesse se calar.

- Que tipo de mãe acha que sou Chanyeol? – Proferiu docemente, deixando que um sorriso singelo se apresentasse em seus lábios esbranquiçados e seus olhos lacrimejassem. – Eu ainda sou uma mãe, não sou? Eles te adoravam tanto, meus filhos... eu sempre tive dois filhos, dois... – Murmurou, como se confirmasse para si mesma.

- Baekhyun e Kyungsoo. – Ele ditou com um sorriso triste, ao que o som de cada letra deixava seus lábios, não sabia o sentido naquela fala, apenas imaginou que deveria dize-la e assim o fez.

O silencio reinou novamente, perdurando por minutos longos demais, Chanyeol não se sentia no direito de iniciar qualquer que fosse a frase, sentia-se como se estivesse ali apenas para responder e nada mais; inconscientemente deixou que seu corpo relaxasse ao lado da mulher, tudo ao seu redor parecia querer faze-lo relaxar e mesmo que seu corpo obedecesse, sua mente lhe enviava breves sensações de desconforto, como se gritasse que ali não era o seu lugar, divagou mais um pouco, mas logo se recompôs ao ter a voz da mulher preenchendo seus tímpanos.

- Você voltou, voltou por eles não foi? – Perguntou retoricamente e virou o rosto para encarar o mais novo. – Você quer saber o que aconteceu, eu sei que quer... – Chanyeol mordeu os lábios nervoso e encarou as próprias mãos, ele queria mais que tudo, mas será que faria bem a ela relembrar?

- Eu só queria ligar as peças, eu acreditei que tudo estaria igual, que eles estariam ali para mim e que eu poderia simplesmente pedir que me tirassem a culpa por todas as promessas que fiz e não cumpri. – Chanyeol estava frustrado, as palavras que guardara para si mesmo simplesmente foram vomitadas uma atrás da outra, talvez a mulher lhe passasse essa necessidade, necessidade de tirar um pouco do peso de si. Chanyeol queria chorar. – Acreditei que tudo daria certo, deixei de lado toda a racionalidade que me dizia que sete anos não eram sete dias, mas porra. – Xingou, estava cansado de agir como se sempre estivesse preparado para tudo. – Não dá, sabe, a gente sempre diz que sabe das consequências, que sabe das coisas que podem acontecer, é como um ciclo vicioso em que alguém se mete em um relacionamento abusivo atrás do outro, a pessoa sempre sabe que vai sofrer, as vezes até finge estar preparada para isso, mas no fundo, apenas esperamos que tudo dê certo, esperamos ser amados e esquecemos que amor não é assim, amor se constrói e eu penso que fui um idiota ao abandonar tudo aquilo que construí, finjo não me culpar, por que eu era uma criança e nem tinha noção desses sentimentos, mas eu sou apenas um garoto bobo que acreditou, bem lá no fundo, que tudo estaria bem; que eles estariam ali para mim, que me receberiam de braços abertos e que seria como se nenhum segundo tivesse passado, eu penso em todas as vertentes do destino que poderiam ter ocorrido se a vida não tivesse sido como foi e só queria chorar pelo que deixei de viver. – Sorriu fraco e se assustou ao ter as mãos gélidas contra sua face, enxugando algumas lagrimas quando ele nem ao menos tinha percebido que começara a chorar. Chanyeol sorriu cansado, pensando em quão idiota e sem sentido aquilo parecia, acabou despejando suas frustrações em cima de alguém que estava, provavelmente, pior que ele, alguém de quem queria respostas e não consolo.

- Então você os ama? – Foi tudo que ela perguntou e nem ao menos esperou uma resposta. – Você é a primeira pessoa que se abriu ao invés de esperar que eu me abrisse, sabe garoto, eu também os amo, mas sei que não fui o que uma mãe deveria ser. – Ela voltou a encarar o vazio enquanto apertava seus dedos nervosamente. – Eu tive medo Chanyeol, acho que você nunca soube, mas eles foram adotados; e-eu nunca pude ter filhos, mas mesmo assim a vida me deu eles e tudo que eu deveria ter feito era cuida-los e ama-los, mas... – Suspirou enquanto Chanyeol se mantinha atento. – Aquela mulher apareceu, então ela se disse mãe do Kyungsoo, ela era uma amante do meu marido, ela bateu na porta da minha casa e disse que meu filho era dela, eu me senti tão usada, eu criei o filho dele com uma amante e por um momento eu me esqueci de que o meu filho não tinha culpa, de que eu era uma mãe e de que eles eram tudo para mim. – Chanyeol não sabia o que dizer, não sabia nem ao menos como reagir. – Eu fui embora e o deixei, eu quis voltar, mas eu tinha medo, medo de enxergar ela nele, medo de maltrata-lo e medo de perde-lo, mas eu o perdi. Baekhyun também se afastava, ele sofria e quase não falava comigo, ele foi para cuidar de mim, mas aquilo o estava destruindo e eu não ajudava em nada, eu sabia que meu casamento havia desmoronado a muito tempo, mas fui egoísta o suficiente para deixar que meus filhos se soterrassem naquela avalanche de entulho emocional. – Seu rosto agora parecia não ostentar sentimento algum, como se algo dentro de si se trancasse para o que iria dizer. – Ele batia no Kyungsoo, eu só descobri naquela maldita noite no hospital, os policias o mataram antes que ele matasse o próprio filho, o meu filho... – Ela sorriu encarando as mãos e Chanyeol deixou que aos poucos o horror de imaginar aquilo o inundasse. – Ele tentou estupra-lo também, foi minha culpa, Baekhyun gritou a noite toda, ele chorava e me apontava o dedo e eu não pude fazer nada; foi minha culpa,  eu fui uma fraca.

- E-eu... – Chanyeol não tinha palavras para pôr naquele momento, não tinha nada que pudesse dizer ou pensar, seu corpo se retesava e o estomago embrulhava, as náuseas vinham em ondas e os olhos ardiam com as lagrimas, o grito na garganta ficava preso, enquanto sua mente gritava que aquilo deveria ser mentira. Se levantou, precisava sair dali, mas antes que pudesse caminhar, sentiu seu pulso ser segurado.

- Eles me odeiam, eu tentei me aproximar, mas eles não querem me ver, Baekhyun me disse que ficasse longe, ele me culpa, me culpa por tudo. – Ela falou e Chanyeol deixou que um pensamento o tomasse “ele deve se culpar em dobro”; eu não podia vê-los, ele não deixou espaço para que eu pudesse me reaproximar e se recusou a aceitar qualquer ajuda, a herança do pai foi imposta para que ao menos pudessem se cuidar e eu só queria vê-los de novo, mesmo que de longe. – Ela já chorava de forma continua. – Eu não quero que me perdoem, eu apenas quero que eles estejam bem Chanyeol, se eles estiverem bem, eu apenas... eu preciso que eles estejam bem, eu os amo tanto, eu precisei perde-los para notar o quão irresponsável eu fui... eles são meus filhos, meus dois filhos e mesmo que já não me considerem assim, eu daria minha vida, para tê-los me chamando novamente de mãe.

- E-eu preciso ir... – Murmurou entre lagrimas também.

- Cuide deles Chanyeol, cuide dos meus presentes, cuide como eu não cuidei. – Ela pediu e o soltou quando ele assentiu.

A enfermeira encarava de longe com olhos marejados, era a primeira vez que via Minah chorar, a primeira vez que aquela senhora tão fechada em seu mundo demonstrava um mero resquício de humanidade, sentia-se mal quando outros enfermeiros comentavam que ela era como uma boneca vazia.

- O que ela tem? – Chanyeol perguntou de olhos vermelhos enquanto a enfermeira o acompanhava até a saída, Minah parecia triste, parecia emocionalmente acabada, mas em certa parte todos estariam, ele não entendia o que ela fazia ali.

- Ela apenas se internou aqui, era uma velha amiga da filha do dono então apenas foi permitido, acreditaram que ela tinha depressão de início, mas no fim tudo que ela tem é um eterna melancolia, uma tristeza e culpa tão profunda que ela nao consegue se levantar sozinha e pior ainda, ela não deseja ser curada de nada que a faça mal, ela é como uma boneca, preservada pelo tempo e de alma manchada; tudo que ela tem, é um coração vazio.

Chanyeol saiu dali com apenas uma certeza, ele precisava acha-los.

Kyungsoo sentou-se encolhido no sofá, enquanto observava Baekhyun na cozinha, se perguntava por que o mais velho continuava ali, por que o continuava aturando, por que... essa era a sempre a questão rondando em sua mente, suas memorias davam voltas e mais voltas e ele sempre acabava se perguntando o porquê de tudo ter acontecido consigo. Desde a partida de Chanyeol, até as noites no hospital; Kyungsoo ainda tinha pesadelos, mas também ainda tinha o olhar protetor de Baekhyun sobre si. Sua mente dizia que não poderia deixar ninguém se aproximar, ninguém deveria toca-lo, ele não se machucaria novamente se estivesse sozinho no seu espaço. Mas o que ela não explicava era o porquê de cada dia ser tortuoso, como se descesse um degrau daquele abismo particular, era tudo tão escuro, tão indefinido e sem fim e mesmo assim Kyungsoo apenas continuava descendo e descendo; ele queria chegar ao fim, fechar os olhos e não mais os abrir. Kyungsoo era ancora e Baekhyun barco, o problema é que o mais velho era barquinho de papel e uma hora ou outra, iria afundar junto a si; Kyungsoo não sabia se queria aquilo, mas não podia ser altruísta para vê-lo partir. Lembrava-se de cada vez que o mandou embora, lembrou também de todas as vezes em que o outro não foi e mesmo assim por que tudo parecia tão vazio, por que doía tanto tê-lo por perto, mas imagina-lo longe doía mil vezes mais? Estendeu uma das mãos em direção ao outro na cozinha e deixou que aquele arrepio desconfortável cruzasse seu corpo, sua mente gritava que seria doloroso ser tocado e ele apenas se retesou abraçando o próprio corpo, em algum instante poderia dizer que sentiu suas  velhas cicatrizes voltarem a doer, o lembrando do quanto poderia se machucar.

Baekhyun sentia aquele olhar confuso sobre si, mas indo contra todos os seus anseios, se recusou a virar o corpo e encara-lo. Era seu Kyungsoo ali, tudo aquilo que o mantinha acordado. Alguns metros de distância, os separava fisicamente, mas estavam quilômetros longe um do outro, quando se tratava do emocional. Suspirou, queria chorar novamente, chorar e dormir no escuro do seu quarto, mas estava li, cortando legumes e cozinhando o molho, não havia sentindo naquilo tudo, mas ele não poderia deixar Kyungsoo sem comer e o mais novo não comia se pensasse em algum momento que ele próprio havia parado de comer. De certa forma, era até irônico como ambos se mantinham vivos, naquela decadência emocional, eram como ecos da dor um do outro.


Notas Finais


Perdoem os erros, não foi revisada, mas logo sera. To com monte de historias, mas vou deixar só três aqui que tão bem no inicio (vejam as outras no meu perfil, tem mtos plots diferentes, acho que umas 8/9 em andamento, maioria EXO)

Você Ainda Vai Me Amar Amanha de Manhã?(JiKook): https://spiritfanfics.com/historia/voce-ainda-vai-me-amar-amanha-de-manha-10333956
Serendipity (YoonMin): https://spiritfanfics.com/historia/serendipity-10232352
Era Uma Vez Um Beta (SuChenSeok)
Qualquer coisa to no twitter @dassy_muu


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