História P s i q u e - Capítulo 2


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Alice, Amo, Aqui, Arte, Colocar, Neurologia, O Que, Originais, Personalidade, Peterson, Problemas, Psicologia, Psicológico, Psiquiatra, Psiquiatria, Referencias, Spirit, Tags, Tchau, Violencia
Exibições 4
Palavras 1.789
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Mistério, Suspense

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Como prometido, aqui está o Capítulo II~
Bem certinho no tempo, ó! Que orgulho de mim QQ
Esse ficou um pouco mais comprido, tho, espero que gostem mesmo assim. ♥

Capítulo 2 - Capítulo II - Alice


Logo que saí da casa do namoradinho biólogo de Karol, pude ouvir por de trás da porta uma discussãozinha sobre “ajudar na cozinha”. Soltei um riso baixo sem conseguir me conter, mesmo que me sentisse levemente culpada por ter uma parcela de influência nisso, ajeitei a minha bolsa e saí do prédio.

Não me demorei a acender outro cigarro do lado de fora. Caminhei apenas alguns metros para longe do condomínio quando minha cabeça começou a ficar confusa de novo. Merda.

Paralisei de um segundo ao outro. Borboletas começaram a bater asas no meu estômago. Minha traquéia fora apertada por mãos, que, mesmo que fossem fracas, causaram uma diferença desconfortante.

E assim se fez mais um momento de pânico.

Deixo o cigarro escapar por entre os dedos e sinto a parte que queimava bater na minha coxa antes de me agarrar à bolsa e cerrar os olhos. Todos os músculos do meu corpo estão tensionados. Sem nenhuma exceção.

Um suor frio escorre pelo meu rosto e permaneço perplexa.

Vai acontecer alguma coisa, eu sinto.

Alguém vai vir aqui.

Não vou conseguir correr, fugir, me mover...

Não vou ter quem me ajude-

Arregalo os olhos de um instante ao outro e me dirijo para perto da parede mais próxima. Abro a bolsa e reviro as coisas dentro da mesma. Não demorou muito para até que enfim, a caixinha prateada aparecesse... Retiro os curativos de dentro da mesma antes de puxar o metálico fundo falso. Só mais um... Só mais um. Só mais um baseado me sobrava... Bom... Por hora era o suficiente.

Encolhi-me mais próxima da parede para acendê-lo e logo traguei com anseio. Precisei fazê-lo algumas vezes até conseguir acalmar-me pelo menos um pouco. Já prometi a mim mesma que em algum momento vou parar... Mas enquanto for a única coisa que me tranquiliza das crises de pânico não tenho o que fazer...

Dei as costas à parede e levei a mão livre até a testa, afastando a franja dos meus olhos antes de fitar o céu acinzentado. Ainda garoava e já estava anoitecendo, no outro dia pela manhã vai haver mais um ensaio na companhia. Outra coisa que me desestressa bastante é estar lá.

Na maioria das vezes, é lá o ponto alto...

É tudo diferente... Eu mudo, mudo MESMO. Como se houvesse outra pessoa dentro de mim, que se expõe quando sabe que terá toda a atenção voltada para si, toda a fama, todo o valor que quer... Ela é indiscreta. Gostaria de saber como se controla essa mulher incrível e inexaurível, que faz da minha mente sua morada e do meu corpo seu fantoche.

Não demorei muito a me recuperar, me senti um pouco tonta, mas era melhor do que antes. Logo cheguei em casa e tirei os tênis, largando a bolsa ao lado da porta em seguida. O cigarro já havia se esvaído.

Tirei as roupas na sala mesmo e acabei deixando-as atiradas ali ao chão, permanecendo apenas com as peças íntimas. Aproximo-me da janela e a abro. Apoio as mãos no batente, impulsiono o corpo para frente e tiro os pés do chão. Tronco exposto à rua. O vento bate no eu corpo e eu imagino como seria se eu me deixasse levar.

A sensação de cortar o ar em alta velocidade me parece agradável, meus cabelos seriam jogados para trás e um bruto, porém doce impacto com o chão colocaria um ponto final no meu agradável momento.

Carpe diem...?

Suspirei o ar úmido da rua e tornei a trazer os pés ao chão. Dei alguns passos para trás e fitei a paisagem... Minha vontade mesmo era de mergulhar nela como havia pensado antes... Mas não, por enquanto não. Ainda havia coisas a serem feitas...

Saí da sala e fui direto ao meu quarto. Todos os espelhos – que não eram poucos – estavam cobertos com longos lençóis brancos.

Moro sozinha faz alguns anos, nunca modifiquei nada na casa, nem mesmo a disposição dos móveis. Meus avós me deram tudo, o apartamento os móveis, a decoração...  E nada nunca foi mudado. Inclusive os espelhos. Embora eu os odeie mais do que tudo, não gostava da ideia de tirá-los de dentro de casa. Como em um impulso, me vi agarrando e logo arrancando um dos lençóis.

Lá estava eu novamente.

De cara com a imperfeição.

Me fito dos pés à cabeça. Deslizo as mãos pelo meu tronco e as paro sobre os seios. São pequenos de mais, assim como o resto do meu tronco. Não gosto disso. Queria ou parecer mulher de verdade ou não me importar com o meu padrão...

Coloco as costas de uma das minhas mãos sobre os meus lábios. Pressiono-a um tanto sobre os mesmos antes de arrastá-la para o lado e borrar o vinho escuro que antes encobria minha boca com perfeição.

Abaixo-me e levanto o lençol novamente depois de fitar-me por mais alguns instantes. Amarro meus cabelos em um coque desleixado no topo da cabeça antes de desengatar o sutiã, despindo-me por completo e entrando na banheira logo depois.

Meus olhos pesam... Os descanso.

Em poucos instantes sinto-me desligar.

***

Alice afundou o rosto nas águas e imergiu-se ali por poucos instantes antes de voltar em disparada, um sorriso ainda borrado estampava seus lábios e enfeitava seu rosto pálido e úmido. Aqueles últimos segundos foram suficientes para que toda a tristeza e monotonia de Alice se resguardassem em um canto amnéstico de sua psique.

Na verdade, ela não era mais a mesma por dentro. Alice era agora aquela mulher indomável e de personalidade forte que adormecia e acordava quando bem entendesse.

 

***

Deslizo meus dedos até os meus cabelos antes de correr as mãos das minhas clavículas até as panturrilhas.

Hmn... É tão bom ficar aqui... Poderia continuar até amanhã...

Estendo a mão até a bancada onde havia deixado o celular e o ligo no viva-voz ao tempo que chamava, até ser atendida, o que não demorou muito a acontecer.

- Marquinhus~ – Cantarolei seu nome antes de seguir com um riso sonoro

- Alô?... Alice? – pronunciou o homem com a fonética alterada pelo microfone do celular

- E quem mais seria, hein, ‘cabrón’? Até parece que conhece alguém com um tom mais gostoso de ouvir do que o meu. – Prossegui, arrastando manhosamente as palavras.

- Ai ai... Alice... – riu baixinho - Gosto de quando cospe algumas palavras em espanhol... Não me liga dês de a semana passada, ya terminó tu hierba¹?

- Yo sé~ E não tenho certeza... Mas acho melhor você me levar um pouco amanhã, hm~ - faço biquinho mesmo consciente de ele não poder me ver, manhando baixinho em seguida.

- Uhum... No teatro pela manhã?

- Sí~, pela manhã e pela tardezinha, Mark. Vai me trazer, não vai? – ri baixo e ronronei propositalmente

- Sí.  Apareço lá pela manhã, pode deixar – soltou um riso baixo e levemente rouco – Mark, é? Apelido novo agora?

- Gostou, hm?~ – sorri, mordendo o interior do lábio

- ... Meio merda. – Rimos juntos ainda um tanto mais alto

- Que mau!

- É – suspirou baixinho, recuperando o fôlego – Mas então,  muñeca²... É só isso?

- Uhum~ É sim

- Então tá. Vou desligar agora, to ocupado. Até amanhã.

- Adiós~... – Não demorou muito até Marcus desligar. Ele é um dos meus colegas mais íntimos da companhia. É metido até a cabeça com todo o tipo de podreira, se bobear, do tráfico até prostituição, mas ele não fala muito disso e eu não me interesso. Dês de que continue sem me envolver, nem ligo.

Ele é espanhol, voltou da Espanha já faz um ano e meio. Mas antes disso já havia morado aqui antes, veio definitivamente há uns oito anos, eu acho. Se mete em todo tipo de merda e nada nunca dá errado pro lado dele...

- Marcus Casagrande...  – Sussurro, desviando os olhos para o teto, fazendo questão de puxar bem o meu sotaque. Seu nome soa tão bem desse modo...

Suspiro fundo e desvio os olhos para a tela do celular ao lado, que permanecia acesa e só então percebo que havia perdido uma chamada, depois de algum tempo esperando, ela me atende.

- Karol~ Hola!

- ‘Lice?

- Acertou! – ri pelo nariz enquanto brincava com as bolhas de espuma

- ... – A garota ficou em silêncio por vários minutos antes de responder novamente – Alice...?

- O-oi? Oi! Alô alô marciano, aqui quem fala é da Terra! – Ri ainda um tanto mais alto – Aconteceu alguma coisa, hermosa?

- ... N-Não, não... Só-... Nada. É que pensei que você fosse me ligar ou alguma coisa do tipo quando chegasse em casa depois de sair daqui...

-... Hã? Eu não saí de casa hoje meu amor. – Franzi o senho e sorri de leve ao pender a cabeça para o lado.

- Mas- Você veio aqui hoje durante a tarde-... Ou não...? Bom-...

- ... Hããn??!...  Ook... Bem... Vamos deixar isso pra lá, você é dessas de dar umas viajadas de vez em quando- Bem. Quer ir amanhã no teatro? Pela tarde?

- Hmn... Ok... Pode ser-...

- Leva o Peterson pra eu conhecer! O Marcus vai lá amanhã também.

-... Marcus...? Pensei que você não falava mais com ele-

- O que? Por que? Credo Karoline, o que você andou usando? – ri meio confusa antes de dar de ombros

- Hm... Deixa pra lá, ‘Lice...

- Tá bom, né... Deve ser sono – ri baixo – Vou desligar agora, pequeña. Adiós! – Desliguei logo em seguida

Karoline se perde de vez em quando, acho que deve sofrer de alguma coisa, porque não é possível... Mesmo assim gosto dela, ela é... Interessante.

... Enfim...

Já estava quase murcha por permanecer tanto tempo na banheira.

Levantei-me e deslizei as mãos pelo meu corpo todo antes de sair. Sequei-me lentamente e amarrei a toalha nos cabelos antes de sair do banheiro.

-... Mas que PORCARIA?! – os espelhos estavam todos, TODOS cobertos de novo! Às vezes desconfio que o cara que vendeu esse apartamento ainda tem as chaves e entra aqui às vezes pra fazer esse tipo de coisa... Mas não faz muito sentido... Sei lá.

Puxei todos os lençóis em movimentos rápidos. Odiava aquilo com todas as minhas forças.

Melhor agora.

Aproximo das portas espelhadas do meu armário e deslizo os dedos por ele enquanto analiso meu corpo desnudo, logo virando-me e indo até o da penteadeira. Ajoelho sobre o banco em frente a mesma e aproximo-me da minha imagem.

Posso não ter peitos grandes. Mas meu rosto é lindo. Minhas pernas são lindas, meu corpo é como uma sinfonia infinita que nunca destoa. Sempre em harmonia.

Ri baixo enquanto me admirava antes de virar-me e pegar uma calcinha e uma camisola de dentro do armário. Vesti-a e apaguei as luzes antes de me deitar. Adormecendo logo depois.


Notas Finais


Pra quem não manja dos espanhol:
¹Sua erva já terminou?;
²Boneca;
(P.S.: O translate se equivoca bastante traduzindo o espanhol pro português, mas dá pra ter uma noção do que é se preferirem usar ele ao invés de descer até as Notas Finais q)
Na próxima semana ou sem ser na próxima, na próxima da próxima ou na próxima da próxima da próxima(-q) eu faço o upload dos desenhos de capa do Capítulo I e desse também (ou não)
Espero que tenham gostado ♥
Mandem reviews! Positivas, negativas... Ou não/2, né q, mas é legal receber elas, tho~
Bem, por hoje é só, o Capítulo III ainda está em andamento mas acredito que consiga postar semana que vem.
Caso contrário já peço desculpas adiantadas q
Adiós ♥


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