História Psychopath - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Haikyuu!!
Personagens Akaashi Keiji, Asahi Azumane, Bokuto Koutarou, Chikara Ennoshita, Daichi Sawamura, Hajime Iwaizumi, Haruki Komi, Hisashi Kinoshita, Ittetsu Takeda, Kei Tsukishima, Keishin Ukai, Kenma Kozume, Koushi Sugawara, Lev Haiba, Personagens Originais, Ryuunosuke Tanaka, Shouyou Hinata, Tadashi Yamaguchi, Tetsurou Kuroo, Tobio Kageyama, Tooru Oikawa, Yaku Morisuke, Yuu Nishinoya
Tags Bokuaka, Daisuga, Kagehina, Kuroken, Levyaku, Tsukkiyama, Ushiten
Visualizações 68
Palavras 2.416
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Lemon, Luta, Romance e Novela, Shonen-Ai, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, meus anjos! Primeiramente, vou dedicar esse capítulo para a chata da Isabelli, @suneatterz no Twitter (siga ela lá!), porque ela me ajudou em como começar esse cap. Obrigada, Isabelli-chan. <3

Pois então, agora tenho algumas explicações para dar!

Normalmente, quando a letra volta para a forma original, é porque esta se referindo ao presente, certo? Ok. Certo. Mas! Nessa história, quando estiver em itálico e a primeira frase sublinhada é porque pode estar se referindo a algo do passado ou presente, mas que SEMPRE VÃO SE RELACIONAR AO ASSASSINO.

Eu espero que esses primeiros capítulos não estejam chatos, mas é porque eu realmente preciso apresentar a infância e como eles chegaram até Tóquio, senão, mais para frente, vocês não vão entender coisas importantes.

Boa leitura e comentem! Comentários são bem vindos e apreciados pois me ajudam a saber se vocês estão gostando ou se preciso de alguma melhora!

Beijos!

Capítulo 3 - Capítulo 2


Ushijima Wakatoshi não era um menino que gostava de inverno.

Seu corpo apesar de ser grande e atlético ficava resfriado com muita frequência e facilidade, o que apenas contribuía para o seu mal humor durante todo aquele período branco e gelado. Apesar disso, gostava do começo do outono, onde não estava muito calor e nem muito frio. Gostava das folhas que inundavam os bueiros e caiam sob a cabeça daqueles que passavam por debaixo. Mas principalmente gostava do outono porque Oikawa Tooru gostava do outono. E gostava ainda mais em como ele ficava mais belo naquela estação.

O de cabelos castanhos cacheados estava do seu lado naquele dia. O cachecol vermelho e branco tampava quase todo seu rosto, deixando apenas os olhos que o lembravam gotas de biscoitos de chocolates a mostra. Ushijima não precisava ver para saber que o nariz delicado de Oikawa estava totalmente vermelho. Ele conseguia ouvir as fungadas discretas que o amigo dava. Seu coração acelerava com a ideia de poder oferecer o lenço branco com bordados dourados para o menino. Ele sabia que seria negado, mas apenas o fato de poder desferir palavras para Oikawa, já faria seu dia.

— Ushijima — a voz de Oikawa estava abafada pelo cachecol, mas o moreno virou o rosto e encarou o menino que havia parado de andar. — O quê é aquilo ali?

Os garotos estavam passando por uma rua vazia e branca como todas as outras. As lojas de conveniência estavam todas fechadas. As placas vermelhas desejando um feliz Natal e um próspero Ano Novo gritavam no cenário apático.

De primeiro, Ushijima não percebeu a mancha avermelhada que estava quase rosa perto da loja onde ele e Daichi compravam revistinhas de super-heróis. A loja pertencia à senhorita Mizune, uma idosa que tinha uma verruga enorme e peluda perto do boca e que usava roupas floridas e óculos rosa, mas que era totalmente gentil e adorável com a dupla de amigos. A única vez que ele tinha a visto brava foi quando Kuroo e Bokuto começaram a correr pela loja com uma revista Play Boy nas mãos, gritando “pênis, pênis, bolas, bolas, bucetas, bucetas, peitos e peitos!”.

— Aquilo o quê? — perguntou com a voz serena e baixa de sempre. Os flocos de neve agora começavam a cair mais intensamente e se eles não chegassem logo na casa de Daichi, teriam que se esconder debaixo de algum toldo de loja até a neve resolver dar uma trégua para que eles pudessem enxergar. — Oikawa?

O menor estava com os olhos arregalados e o barulho das galochas roxas fazia um barulho extremamente alto no silêncio que a rua se encontrava. Ushijima achou melhor seguir o amigo. Oikawa estava começando a o assustar, mas ele nunca assumiria aquilo.

Os garotos andavam lado a lado agora. Oikawa tinha colocado o óculos grande e marrom que guardava no bolso esquerdo do casaco preto. Ushijima não gostava quando ele fazia aquilo. Normalmente, ele usava lentes de contato, mas quando o humor dele estava ruim, Oikawa tirava as lentes e carregava o óculos consigo, só o colocando em momentos de muita necessidade.

— Meu Deus... — Ushijima murmurou quando finalmente avistou a poça de sangue no meio da neve. Suas mãos tremeram de leve e ele segurou Oikawa pelos ombros quando o mesmo quase caiu sobre o sangue que parecia assustadoramente fresco. — Oikawa, nós precisamos chamar a polícia!

A face do amigo parecia mais branca que o normal. O cachecol tinha caído de seu corpo e agora pairava do lado de seus pés. A boca arroxeada tremia, assim como o resto de todo o seu corpo.

 — Tooru? — pela primeira vez, Ushijima o chamou por seu nome principal. — Tooru, o que foi?

Oikawa não o respondeu, apenas correu para o beco que levava até a entrada do esgoto. Mais manchas de sangue foram avistadas. Marcas de mãos estavam bem nítidas na entrada no túnel cinza e fedorento. Lá dentro apenas a escuridão mandava um olá. Ushijima queria segurar a mão de Oikawa e o puxar dali, mas percebeu que não podia. E que não deveria. 

Seus olhos olivas encontraram os chocolates derretidos de Oikawa e o pavor tomou conta do corpo dos garotos.

— Eu... Não podemos chamar a polícia. Não agora. — Oikawa falou rápido enquanto começava a andar de um lado para o outro. Suor começava a escorrer por seu rosto apesar de todo o frio.

— Do que você está falando, Tooru?

— Não podemos, Wakatoshi! — ele gritou e então, uma flecha veio voando de dentro do túnel. Ushijima teve tempo apenas de empurrar Oikawa e sentir a lâmina cortar sua bochecha. — USHIJIMA!

O grito de Oikawa o fez olhar para trás. Ele não viu muito, mas o pouco do corpo grande, a roupa preta e a face coberta de ataduras manchadas de sangue o fizeram gritar e correr.

O cachecol do amigo foi esquecido na cena do crime. Os dois correram pela rua branca o mais rápido que puderam. A bochecha do maior escorria e latejava, mas ele supunha que não morreria por conta daquele corte. Ele tinha que conseguir chegar até a casa de Daichi.

 Deveria. Teria. Conseguiria.

Ele estendeu a mão e Oikawa a segurou. Não trouxe nenhum sentimento bom ou pensamentos positivos como ele pensou que aconteceria. Aquele aperto em sua mão esquerda apenas lhe lembrava de que em algum lugar ali perto, provavelmente mais perto do que eles queriam, alguma coisa tinha os visto, tinha tentado os matar com uma flechada. Alguma coisa podre estava matando pessoas e se eles não corressem rápidos, poderiam ser os próximos.

死 

O próximo voo de Nova York para Tóquio sai em cinco minutos. — uma voz desconhecida informou, fazendo Daichi tirar os olhos do jornal amassado e velho. A notícia do assassinato de 1.998 dançava nas páginas amareladas. Daichi sentia que a qualquer momento seria puxado de volta para aquele momento. Seu corpo se arrepiava com a lembrança daquele inverno marcado como a maior chacina ocorrida no Japão. — Senhor?

— Desculpe. — murmurou e olhou para o rosto gordo e manchado de maquiagem da mulher que lhe entregava os remédios e uma garrafa de água.

— O senhor está se sentindo bem?

Uma risada escapou de seus lábios enquanto seus olhos castanhos olhavam para a sacola cheia de Fluoxetina*, Citaprolam*, Sertralina*, Duloxetina*, Venlafaxina* e Mirtazapina*.

— Estou sim, obrigado. — respondeu com um sorriso gentil e saiu da farmácia e seguiu para a área de embarque. Daichi pensava que se não tivesse feito check in de suas bagagens, ele provavelmente correria de volta para casa, fingiria sua morte e fugiria para outro país. Ele provavelmente teria feito aquilo se já não estivesse sentado na poltrona de primeira classe do voo de volta para a cidade que ele e seus amigos do Clube dos Estranhos tinham prometido nunca voltar: Tóquio.

Recostou a cabeça na almofada fofa e respirou fundo. Ele estava voltando por questões de trabalho. Um trabalho que lhe lembrava muito do tempo quando era criança e corria pela cidade não tão tumultuada; a cidade onde conheceu seus melhores amigos, onde morreu de medo por um inverno inteiro e por onde quase foi morto tentando solucionar o crime.

Quando pensava sobre isso, questionava-se em como tinha acabado na polícia. Ele lembrava-se das palavras de Kuroo perfeitamente lhe dizendo que ele tinha um coração bom demais para servia a polícia. Talvez se não fosse por sua teimosia e amor por um certo outro homem, ele não estivesse nessa posição agora.

— Seja o que a Ciência quiser. — sussurrou e riu baixinho, recitando a frase épica de Kuroo Tetsurou. 

 

Yamaguchi Tadashi gostava de fazer comprar no final da tarde, quando o sol estava começando a se pôr e toda a energia de Momo havia se esgotado. Ele não se importava de ir até o supermercado sozinho com a filha. Momo é uma criança totalmente calma e tirando os momentos onde estava com fome, sono ou com cólica, era silenciosa. Tadashi dizia que a filha adotiva parecia mesmo com Tsukishima por ser tão quieta.

O recém viúvo estacionou a caminhonete preta na vaga mais próxima da entrada do supermercado e desligou o carro. Olhou para trás esperando encontrar a filha com os olhinhos azuis cansados e as bochechas fofas vermelhinhas, mas apenas encontrou a cadeirinha vazia.

Suspirou cansado e desceu do carro, trancando o mesmo e seguindo para o local lotado e barulhento.

Fazia uma semana que seu marido, Tsukishima, tinha sido enterrado. O buraco em seu coração parecia cada vez mais fundo, mas ele precisava se manter inteiro por Momo. Sempre por ela.

A filha de apenas um ano estava na casa de sua sogra, junto com os avós e tios. Akiteru e Saeko estavam o ajudando com tudo o que precisava e estava o deixando ficar na casa deles por aquela semana. Tadashi se sentia feliz pelo amor que era oferecido e em como eles cuidavam bem de sua filha, mas sentia que deveria voltar para casa. Ele sabia que apesar de Kei amar seus pais, irmão e cunhada, ele preferia a quietude da rua onde moravam, da sua cadeira próxima da TV e do colchão do quarto deles. Yamaguchi sentia que deveria ficar em casa, onde o amor deles sempre estaria vivo.

 E era por isso que o moreno estava agora empurrando um carrinho, colocando frutas, legumes e todo o resto necessário para sua volta para casa.

Yamaguchi gostava de fazer compras. Analisava os preços, olhava bem para a cor dos alimentos e conversava com outras mulheres e homens que passavam por ele.

Ele havia deixado o carrinho na entrada do corredor de fraldas que estava completamente vazio. A luz do corredor piscava com o mau contato e ele ouviu um trovão ao fundo. Talvez fosse por causa daquele som da natureza que ele não percebeu quando um ser com capuz preto, ataduras no pescoço e band-aids no rosto passou por seu carrinho e colocou um bilhete.

Yamaguchi apenas percebeu o bilhete no meio de suas compras quando terminou de pagar por elas.

Seus olhos se semicerram e com as mãos trêmulas, parado em frente a seu carro, ele abriu o envelope e se deparou com um pedaço de papel branco escrito em caneta vermelha: EU MATEI SEU MARIDO. ELE ADOROU O SPA. FOI UMA PENA QUE TIVE QUE O MATAR COM UM TIRO NA CABEÇA. PRETENDIA MATÁ-LO COM MAIS DIVERSÃO. EU MATEI SEU MARIDO, YAMAGUCHI TADASHI, E VOU MATAR VOCÊ TAMBÉM.

O bilhete caiu das mãos do moreno quando mãos com luvas verdes escuras tampavam sua boca. Seus olhos se encheram de lágrimas enquanto chutava o ar completamente em vão.

— Não chore, Yams! — a risada cruel tocou seus ouvidos e uma dor latente se instalou em sua nuca. — Você logo vai encontrar o Tsukki no inferno. 

死 

A moto ZX-14* estacionou enfrente a uma cafeteria. Seu dono, Kuroo Tetsurou, encarou a loja que parecia confortável depois de toda a chuva que havia tomado desde a hora que entrou em Tóquio.

Kuroo vinha de Yokohama. A cidade ficava a apenas 25 km de Tóquio e ele foi o único dos Estranhos que ficou próximo da cidade do horror de sua infância. Quando recebeu a ligação de Daichi, seu antigo amigo e paixão secreta, perguntando se ele tinha também sido chamado pela delegacia de Tóquio para um caso de assassinato em série, sentiu o corpo todo cansado. Era daquela forma que se sentia sempre que voltava dos encontros secretos e escondidos dos Estranhos, onde eles procuravam por pistas, se arriscavam dentro de esgotos com espingardas carregadas de balas de borracha e estilingues com pedras pontiagudas.

Daichi não ficou surpreso, ou pelo menos não pareceu surpreso quando Kuroo lhe informou sua atual localidade. Ele até mesmo riu. Disse que aquilo era típico de Kuroo e disse que estava ansioso para trabalhar com ele em um caso de verdade, onde eles poderiam mesmo prender uma pessoa ou até mesmo mata-la se necessário. A ligação foi cortada ali e o de cabelos pretos, em pé em frente a bancada da cozinha, começou a rir.

Uma risada dolorida e medrosa, a mesma que ele ouvia tanto Bokuto soltar quando eles estavam com água cheia de xixi de toda a população da cidade em seus joelhos, molhando as calças jeans e as meias, fazendo-os sentir mais frio.

— Talvez essa seja a reunião do Clube dos Estranhos. — riu sozinho e entrou na loja que possuía um cheio agradável de doces e café.

— Boa noite, senhor. — um garoto com cabelos pretos lisos que escorriam pela testa e quase lhe tampava a visão. Os olhos grandes e azuis escuros pareciam com sono e as olheiras fundas e roxas fizeram Kuroo pensar que talvez o garoto sofresse de insônia. Talvez pudesse lhe recomendar alguns métodos, chás e remédios. Kuroo era o rei da insônia desde pequeno. — Posso anotar o seu pedido?

— Você sofre de insônia? — perguntou sem pensar.

— D-Desculpe? — o garoto pareceu confuso e a franja longa se moveu quando sua cabeça tombou para o lado.

— Insônia, sabe? Problemas pra dormir. Você tem?

— Agora tenho. — respondeu ríspido e Kuroo percebeu com terror os olhos bonitos se encherem de lágrimas. Ele encarou o corpo malhado e alto do garoto a sua frente. Percebeu que o nome KAGEYAMA estava escrito em seu crachá e sorriu de leve.

— Olha, se você quiser, eu posso te passar alguns chás. Eu tenho insônia desde bem pequeno. — falou rindo e percebeu que o garoto lhe encarava como se estivesse morto. Aquilo o assustou.

— Posso anotar o seu pedido? — ele perguntou novamente e Kuroo engoliu em seco.

— Um cappuccino e um pedaço de bolo de chocolate, por favor.

— Sim, senhor. — Kageyama se virou e foi quando Kuroo avistou os band-aids pregados no pescoço e nuca do garoto. Seus olhos se espremeram para conseguir ver melhor, mas o menino já tinha entrado na cozinha.

Kuroo virou o corpo e foi até um acento perto da TV grande que passava o noticiário da noite. Ele observou com nervoso quando a foto de Yamaguchi Tadashi apareceu como desaparecido. Ele lembrava-se bem do menino sardento. Yamaguchi sempre fora o namorado de Tsukishima Kei, o garoto que Kuroo pegava cola em todas as provas. Era estranho pensar que agora o loiro estava morto e em como seu namorado e — wow — marido agora estava desaparecido.

Kageyama voltou com seu pedido e encarou a TV por alguns segundos. Ele respirou fundo e um dos band-aids estava se soltando, mostrando um corte fundo.

— Você poderia me dar algumas dicas de chás pra dormir?

Kuroo sorriu provocativo.

— É melhor pegar uma caneta, pois eu tenho até de sobra.

 


Notas Finais


*Fluoxetina, Citaprolam, Sertralina, Duloxetina, Venlafaxina e Mirtazapina: remédios para depressão que causam vários efeitos colaterais como enjoos, bocas secas, insônia, tremores, sonolência e outros. Apenas psiquiatras podem recomendar.

*ZX-14: Kawasaki ZZR 1400 Ninja é uma moto totalmente veloz, estando entre a top 10 das mais velozes.


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