História Pula a fogueira - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Os Heróis do Olimpo, Percy Jackson & os Olimpianos
Tags Jercy
Exibições 112
Palavras 2.498
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Escolar, Fluffy, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Segundo e último capítulo, pessoal!

Espero que gostem ;)

Capítulo 2 - Maçã


Fanfic / Fanfiction Pula a fogueira - Capítulo 2 - Maçã

Annabeth não voltou, e eu também não estava com ânimo para segui-la.

Contrariando o que eu decidira no momento de raiva, pouco depois de Jason partir para falar com a garota Piper, eu ainda tentei ligar um par de vezes para o celular dela. Talvez você pense que eu sou cafajeste por ter feito apenas isso, e que deveria ter tentado mais. Quem sabe sair gritando nome dela por entre as barraquinhas de doces e prendas?

Mas não me julgue como um cara ruim, assim, tão rápido.

Já fora louco por Annabeth de chegar a esse ponto, mas não mais. Sabe como são as coisas, não? Primeiro ano de namoro é tudo bonito e maravilhoso, e você só quer mostrar para todos como está feliz com ela. O segundo já é mais complicado, porque os defeitos que tentamos esconder no primeiro finalmente começam a aparecer. No terceiro, aquela confiança sem limites que um tem no outro começa a esfriar, e ciúme bate à porta.

Estou generalizando, desculpe. Quem sabe para você tenha sido diferente, não é mesmo? Mas como não posso ouvir todos vocês e por acaso mudar um pouco o que penso sobre relacionamentos, vamos continuar com essa minha visão tosca que tenho deles.

Penso que para mim as coisas desandaram porque desde o princípio começamos a ficar juntos pelos motivos errados. A garota mais bonita da turma e o melhor jogador de um dos times da escola... Clichê. Um clichê que todos os nossos amigos esperavam acontecer.

Foi numa festa que nos conhecemos, eu meio alto de bebida — sim, bebida. Festas na casa de amigos, sabe? — e ela apenas curiosa depois de ouvir sobre mim. Enfim, conversa vai e conversa vem, ficamos naquela mesma noite. Teve química, não vou mentir. Porém, ainda sendo sincero, falo que também não foi aquele beijo que dizem "ferrar seu sistema nervoso".

Porém, mesmo que não tenha começado com algo muito intenso, eu acabei gostando dela de verdade depois de algumas semanas. Eis a parte que larguei a vida de solteiro e passamos a namorar, o que foi ótimo por um ano. Bons tempos.

A partir daí, volte ao começo desse capítulo e saberá o que aconteceu...

...

— Percy — me virei, dando de cara com Annabeth. — Viajando de novo...

— Oi, Annie — ignorei a provocação. — Olha, acho que devo desculpas pelo Jason, mas...

— Ele já tem nome para você? — ela me cortou, um pouco irritada. Mas respirou profundamente e agitou a mão no ar para que eu continuasse. Engasguei um pouco, mas prossegui.

— ...Mas essa noite foi horrível para mim também, e você sabe disso.

— Sei... Peço desculpas por isso — ela recostou-se na bancada. — Não quero mais brigar com você, e também não quero um namorado que fica mais abobado com o beijo de outro do que com o meu.

Meu rosto esquentou, mas ao menos minha voz saiu limpa:

— Então quer fazer o que?

— Acho que deu para nós. Foi bom, mas há muito tempo só vivemos de nos picar.

— Estamos terminando? — perguntei, as sobrancelhas suspendidas.

Não estava surpreso com isso. Parando para analisar, ficava surpreso é com o tempo que nosso relacionamento vinha se arrastando. A verdade é que nossa amizade nos manteve juntos, muito mais que o namoro.

— Não, idiota — rolou os olhos e rodeou a barraca, ficando do lado de fora e de frente para mim. — Eu estou terminando com você

Um “Hã...?” ficou preso em minha garganta. Annabeth apertou meu nariz entre os dedos indicador e médio, sorrindo-me de canto antes de pegar o coração vermelho em cima da mesa, que estava há muito esquecido. Quando ela fez isso, minha ficha caiu. Logo conclui que ela não havia voltado apenas por mim, afinal de contas.

Enquanto se afastava, mesmo com ela de costas percebi que lia o cartão, porque estava de cabeça baixa. Depois de mais alguns passos para longe, minha ex vasculhou o bolso do vestido até encontrar o celular, discando rápido e levando o aparelho ao ouvido. Não escutei o que ela falava por causa da distância cada vez maior e do burburinho das pessoas que passavam, mas sabia para quem era a ligação.

E como eu era o último que podia dizer algo a respeito, fiquei quieto olhando a multidão...

....

Não via Jason e Piper havia meia hora, e me perguntava aonde foram. Por algum tempo eles ficaram sentados no banco, Jason mimando-a e alisando seus cabelos, mas depois se levantarem e simplesmente se foram. Ele ainda olhou na minha direção antes de ir, mas foi rápido. Seguiu a amiga, que fora na frente.

— Se eu te encontro depois... — murmurei, começando a ficar mal humorado. Planejava a vingança caso o visse novamente

Esperava tinha uma hora e meia. Quantos narizes de palhaço eu ganharia naquela festa?

 

— Ei! — gritou uma voz conhecida, alto o suficiente para que outras pessoas também se virassem.

Jason vinha correndo em minha direção.

...

— Desculpa — pediu ele, enquanto eu continuava de boca aberta. — Piper pediu para que eu a levasse para casa.

— Sem problema — respondi encarando seu rosto ofegante.

Onde havia parado a raiva que há pouco sentia? Boa pergunta.

Pisquei um par de vezes, me lembrando de algo importante. Podia não ser para mim, mas talvez fosse para ele como amigo da garota.

— Annabeth vai ligar para ela... — Jason levantou o olhar para me encarar, os olhos eletrizantes de repente raivosos. — Mas deve ser para pedir desculpas. Annie não é um monstro. Mesmo não sendo uma boa namorada, sempre foi uma boa amiga.

— Se você diz... — ele bufou. — É que Piper é muito importante para mim.

— Sua amiga?

— Sim, minha melhor amiga.

— Hum... — Algo se satisfez dentro de mim com aquela resposta.

Jason forçou uma tosse.

— Você ainda tem que ficar muito aqui? — se referiu à barraca.

— Na verdade, poderia ter saído há meia hora — dei de ombros. — o trato com meu professor eram três horas de trabalho, e a partir daí o dinheiro que conseguíssemos seria nosso.

— E você quer ficar...?

“Serio mesmo que ele está perguntando isso com essa cara pelada?”

— Nossa, é o que quero! Grana é ótimo, sabe?

— Você deveria trabalhar o sarcasmo — seu rosto avermelhou, constrangido.

— Talvez — rolei os olhos. — Espere um minuto. Irei fechar tudo.

__________________________________________________________________________

...

— Então ela é sua namorada?

Andávamos lado a lado, e essa foi a primeira coisa que Jason me perguntou.

— Era.

Sondei sua reação. Ele empalideceu.

— Quer dizer que... Foi por causa do beijo?

— Não — respondi, depressa e de forma curta. — Mas minha reação com a situação pode ter ajudado.

— Como assim?

— Eu não soquei seu nariz, oras.

Jason soltou um riso baixo.

— Agradeço por isso.

Avistei uma barraca de maçã do amor. Quem estava cuidando dela eram dois amigos meus, os gêmeos Stoll.

— Vamos comprar algo para comer — apontei para a barraca e Jason assentiu.

...

— Ei Percy! — Travis me cumprimentou, enquanto Connor entregava uma maçã espetada para uma garota. — Cadê Annabeth?

— Foi embora.

— Hum... — se ele achou estranho, não falou nada sobre. — Quem é esse?

— Jason Grace, prazer — mais rápido que eu, Jason respondeu e estendeu a mão para Travis, que a apertou.

— Então... O que vai ser? — Depois de se despedir da cliente, Connor assentiu em nossa direção, os olhos curiosos.

— Duas, por favor.

— Posso pagar o meu — o desafiei.

— Eu pago as maçãs, você a pipoca. O que acha? — disse ele, já tirando uma nota de dez da carteira.

Achei razoável, então peguei a que Connor me estendia.

— Tá — concordei e Jason abriu um sorriso contente.

...

 

Caminhávamos sem pressa entre as barracas. Às vezes parávamos para que eu cumprimentasse algum amigo, ou para simplesmente olhar os brinquedos que eles davam como prêmio para quem ganhasse as provas. Ainda comia minha maçã e Jason a dele.

Jason estava se esforçando para chamar minha atenção, e era estranho porque ele achava que eu não notara isso. Como não reparar no número de vezes que ele jogava os cabelos para trás, ou na forma como tirou o casaco para deixar a mostra seus braços? Eu até riria, mas meu corpo me traía, se afetando com aquele joguinho dele.

...E tinha aquelas malditas maçãs.

Antes de qualquer coisa: descobri odiar maçã do amor, primeiro porque era doce demais, e segundo porque nem deveriam considerá-la comestível. Não tinha como comer aquilo de uma forma decente, porque era duro como pedra, o que te obrigava a fazer caras e bocas enquanto mordia e tentava não quebrar seus dentes. E o pior era quando a calda se pregava no céu da boca.

Corrigindo: não tinha forma decente de eu comê-la, porque Jason ao meu lado não parecia ter trabalho algum com aquela invenção do mal. Mordia devagar, mostrando por segundos os dentes ainda brancos e livres de qualquer açúcar das mordidas anteriores. Quando abocanhava o novo pedaço, seus lábios pareciam beijar a fruta antes de se afastarem. Ao terminar de engolir, virava-se para me encarar e sua boca apenas brilhava por conta da calda, mas nenhum pedaço de maçã chegava a ficar no canto dos seus lábios, como era meu caso.

— Que foi? — perguntou genuinamente curioso.

— Você é real?

Agora, senhoras e senhores, claramente chegamos à parte em que ele se revela um vampiro que brilha na luz do Sol.

— Acho que sim, por quê?

Ou não...

— Nada, só esquece — ele piscou rapidamente um par de vezes. De certo achou aquilo bem estranho, e não posso culpá-lo. Tentei desconversar: — Então... Você é...

— Gay?

— Não! Eu ia perguntar se era da cidade, não corte os outros assim!

— Ah, entendo — riu. — Sim, sou sim. Estudo no colégio Júpiter. Já ouviu falar?

Claro que já ouvira. Era uma escola forte que competia de igual para igual com o Meio-Sangue, todo ano nos jogos interestudantis. Diziam ser lugar de riquinhos esnobes, mas vendo Jason, percebe-se que não se pode acreditar em tudo que despejam sobre uma escola adversária. Ao menos aquele ali era gente boa, e isso ninguém poderia negar.

— Sim... — Foi o que respondi. Fiquei curioso, então: — Sobre a outra pergunta... Você é?

— Agora estamos pensando a mesma coisa?

— Provavelmente.

 — Bem... Então nesse caso, eu sou bi. E você?

Boa pergunta.

Sempre gostei de garotas. Mexia comigo o cheiro delicado que elas geralmente tinham, a pele macia e o corpo curvilíneo. O jeito como eram sensíveis e gostavam de romantismo às vezes também me agradava. Claro que sei que nem todas são assim — e nem precisam ser —, mas as que saíram comigo eram algo do tipo; inclusive Annabeth no passado.

Sempre fui fascinado por elas.

...Mas Jason também me afetava.

Não tinha a delicadeza delas, isso com certeza. Era mais alto que eu, os braços compridos e de músculos contornados, mas ao mesmo tempo discretos. O peito largo e a postura relaxada enquanto andava, um caminhar elegante. As mãos eram bonitas, mas grandes e de dedos longos não lembravam em nada as de Annabeth, por exemplo. Por fim, o rosto de contorno bem masculino não deixaria que eu me iludisse dizendo ter encontrado algo feminino em suas feições. Ele era mais viril do que eu mesmo me considerava.

— Bi, acho... — respondi finalmente. Ele sorriu, satisfeito.

— Tenho chance, então?

— Se não tivesse, acha que eu ficaria te esperando?

Jason parou-se, olhando para meus olhos como se os admirasse.

— Posso te beijar de novo?

Suspirei e olhei por cima dos ombros. Segurei seu colarinho e o puxei, esbarrando em algumas pessoas pelo caminho. Não me importei. Quando chegamos a um canto mais afastado, no fim do pátio, bem onde começava o bloco de salas, prensei Jason numa parede e sorri quando vi seu rosto surpreso.

— Deveria ter perguntado antes do primeiro — me aproximei dele. — Pedir pelo segundo já é desnecessário.

Jason sorriu de maneira travessa. Segurou firmemente meus quadris, o que me fez estremecer. Geralmente era eu quem levava as mãos àquele lugar, então não pude evitar estranhar a troca de papeis. Porém, ainda que um pouco confuso, desajeitadamente passei meus braços por trás de seu pescoço e subi as mãos até encontrar seus cabelos — para mim incomumente curtos—, onde sem mais hesitação embolei meus dedos.

Colamos novamente nossas bocas, dessa vez com mais tranquilidade. Os lábios dele eram macios de encontro aos meus, pude perceber ao beijá-lo com mais calma. Era experiente, assim como eu. Não se apressou e seu beijo mostrava-se realmente muito bom: nem seco como se eu estivesse lambendo um tijolo, e nem molhado, como ficava minha boca quando eu nadava numa piscina. Acredite, já passei por ambas as situações, e me deixava feliz não passar por aquilo de novo. O movimentar era úmido e ritmado, o toque entre nossas línguas aquecendo nossos corpos.

Depois de segundos que passaram rápido, nos separamos.

Sem fôlego, Jason mordiscou o lábio inferior.

— Caramba...

— É... Caramba... — concordei e me coloquei ao seu lado, também me recostando na parede. Nem percebi quando deslizamos pelo muro, e só depois de algum tempo notei estarmos sentados no meio fio.

— Ei, quer sair comigo, Percy? — Perguntou-me como se comentasse o tempo.

Virei a cabeça para fitá-lo. Jason também me encarava, os olhos brilhando, ansiosos. Ainda que me sentisse mal por isso, tive que ser sincero:

— Sabe que isso é novo para mim, não? Foi ótimo, mas entre um beijo e um relacionamento com um cara há uma grande distância, Jason. Desculpe se isso machuca você.

Seu sorriso vacilou.

— Sei disso, sei disso — disse ele, olhando para seu tênis de corrida. — Você tinha até uma namorada há algumas horas. Só perguntei se quer sair, para nos conhecermos melhor.

Ponderei. Não queria alimentar muitas de suas esperanças, porque eu mesmo não estava sabendo lidar com aquele turbilhão de sentimentos. Mas isso era apenas um dos lados da moeda: eu também não queria afastá-lo totalmente. Gostava de sua companhia e achava-o atraente, confesso. Na verdade, só não tinha certeza a que ponto minha atração por ele poderia me levar. Se o limite seria um beijo numa festa, ou poderíamos pensar até em um possível namoro.

Mesmo em dúvida, respondi:

— Eu gostei da ideia.

Sua mão veio calma, como se espreitasse um bicho arisco. Ela se esticou sob meu olhar e pousou sobre a minha. Seus dedos fecharam-se em volta de minha palma, e os meus imitaram o gesto quase que instintivamente. Jason se levantou e ajudou-me a ficar em pé também, em todo o momento de mãos dadas comigo.

Ele se inclinou para sussurrar em meu ouvido:

— Irei conquistá-lo, Percy — afastou-se e ergueu nossas mãos unidas, depositando sobre a minha um beijo.

— E vou te dar a chance para isso — quase que em transe, respondi. Porém, logo falei isso um fulgor subiu pelas minhas orelhas pela vergonha. Separei nossas mãos e dei alguns passos para longe, em direção à turba de visitantes. — Venha, irei pagar a pipoca que te devo.

Comecei a andar e não virei para trás para certificar se estava sendo seguido. Não foi preciso. Jason em segundos estava ao meu lado, e ainda que sem olhar seu rosto, sabia que ele mostrava um sorriso abobalhado.

E, talvez, até mesmo eu estivesse com um na cara.


Notas Finais


Final em aberto? Sim, porque sou cruel. Isso foi apenas uma fluffy para aquecer o coração, (^V*)/.


Espero que tenham gostado. Logo, logo aparece fic nova por aí.

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