História Puppets Of Destruction - Capítulo 8


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Hopemin, Jihope, Namjin, Sobi, Taekook, Vkook, Yoonmin, Yoonseok, Yoonseokmin
Exibições 155
Palavras 9.690
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ecchi, Famí­lia, Festa, Ficção, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olha, eu nem vou falar nada pq eu to absolutely putaça pq era pra ter postado isso HA HORAS, mas nosso amado SS saiu do ar e só voltou agora.
Enfim, vamos ao cap e se preparem <3

Capítulo 8 - A Playlist


Fanfic / Fanfiction Puppets Of Destruction - Capítulo 8 - A Playlist

Ao se ver finalmente dentro da mecânica – silenciosa, dessa vez -, o Park notou com um certo estranhamento como suas coisas menores como baquetas e esparadrapos foram guardados cuidadosamente em sua mochila, como sua bateria estava coberta por um grande lençol e como tudo estava muito bem limpo no barracão, de forma totalmente oposta a aparência que tinha quando saíra dali na madrugada anterior. Jungkook e SeokJin conversavam algo sobre provas atrás de si, mas Jimin nem conseguia assimilar o que ouvia por conta da visão que tinha do andar superior.

O baterista observava Hoseok e YoonGi escorados no corrimão de segurança do mezanino, o moreno tinha os braços envoltos na cintura fina e desnuda do loiro, os troncos colados, e ambos brincavam de se selarem com força, como se fosse uma espécie de batalha onde um se contorcia no enlace do outro, rindo fraco, vez ou outra se mordiscando e chiando com o outro por alguma dor ou algo que não era possível ouvir com clareza pela distancia em que se encontravam. Eles pareciam um casal de namorados trocando brincadeiras carinhosas e aquela cena, aos olhos do Park, lhe soava estranho, mas mais estranho ainda era como se sentia ao assistir tal troca de afeto.

- Os dois pombinhos vão ficar namorando aí até que hora? O Namjoon já ta chegando! Vamos agilizar a montagem dessa bagunça! – gritou Jungkook para o casal, tirando Jimin de seu devaneio, fazendo-o perceber que ficara tempo demais observando os anfitriões e tal percepção fez com que suas bochechas aquecessem sutilmente.

- É só encaixar os cabos, ta tudo montado desde ontem, empata-foda do caralho! – Berrou o Min ainda abraçado a Hoseok e ao notar o nariz do mais novo se torcendo e ouvir um sonoro “Éca” dele, resolveu caçoar do rapaz mais um pouco. – Jungkook, não é porque você teve que ir dormir sem tomar uma surra de pau na cara que todo mundo tem que aturar seu mau humor! – O queixo de Jimin caiu ao ouvir tais palavras e quando achava que o vocalista retrucaria de forma ríspida ou subiria até onde o loiro estava para lhe bater, se surpreendeu ao ouvi-lo suspirar.

- Culpa de vocês! Se não tivessem arrumando briga ontem, com certeza teria dormido de conchinha com alguém, mas não! Os imbecis atrapalham todo o meu fim de semana e ainda tem coragem de falar que eu sou o empata-foda... Eu odeio vocês! – respondeu o Jeon como se estivesse de fato ofendido, mas logo voltando a rir enquanto SeokJin arrancava o lençol de cima da bateria e se sentava sobre o amplificador.

- Vocês vão tirar as mesmas musicas de sempre? – Perguntou o mais velho de todos para YoonGi que já descia as escadas sendo seguido de perto por Hoseok que mantinha as mãos em seus ombros, pulando os últimos degraus e já se escorando no freezer com um tom pensativo na face.

- Não sei... O Namjoon vai demorar muito? A gente tinha que ver com ele porque, sinceramente, eu não to afim de ficar a vida toda tocando Metallica, Iron Maiden e Sepultura. – Disse o baixinho já voltando-se para Jimin, que àquela hora, já ocupava seu lugar em seu banco improvisado. – Tu consegue tirar algo alem dessas bandas? Teve tempo de ver alguma coisa nova? – Questionou e viu o moreno baixinho meneando com a cabeça, pensativo.

- Ter tempo pra ver algo novo de ontem pra hoje, eu não tive, mas caso tenham alguma coisa em mente, posso ver um vídeo de drum cover* na internet das bandas que vocês pedirem e tentar. Acho que pra um começo, já ajuda. – respondeu o Park com uma ponta de orgulho ao ver os olhares admirados pela sua aparente facilidade em aprender qualquer coisa, misturado ao receio que lhe subia a garganta sobre falhar nas expectativas que estava dando aos garotos.

- Enquanto a gente não monta um playlist decente, acho que serve isso mesmo. – Falou Hoseok observando os outros dois mais velhos concordarem e já rumando à escada, chamou todos para lhe seguir. – Vamos! Da pra tu ver o que consegue ou não tirar ali em cima.

Imediatamente os cinco rapazes foram ao andar superior, sentando-se Hoseok e Jungkook nas duas cadeiras giratórias em frente ao computador, sendo circundados pelos outros três atrás deles. Não demorou para os dedos do Jung correrem pelo teclado enquanto todos entravam em um consenso sobre o que tirariam logo vendo SeokJin afirmar que naquele dia, ele gostaria de tocar algo também, alegando que como não era um playlist oficial, seria divertido ele também participar e a animação do seu irmão fez todos rirem e concordarem com a ideia.

- Mas tu trouxe teu teclado? – Questionou o Min e o aceno afirmativo vindo do loiro mais velho chegou lhe dar arrepios porque sabia bem o que os irmãos gostavam de tocar junto.

- MARAVILHA! Hoje é dia dos Symphonic**, então! – Comemorou Jungkook enquanto Hoseok olhava torto para YoonGi.

- Só um dia, cara! Deixa o moleque ser feliz só por um dia. -  falava o guitarrista mesmo sabendo que para  YoonGi, aquelas musicas o agradavam sim, só sua “Síndrome de Old School***” que não permitia-o admitir.

Logo Jungkook tomou o teclado do guitarrista, ágil em digitar sua banda favorita.

“Dimmu Borgir**** drum cover”

O primeiro vídeo que apareceu tinha como titulo da musica “Kings Of Carnival Creation*****”. Mais uma vez a vontade de Jimin fora de dar risada sobre o quão forçado parecia a maldade de todo aquele cenário, mas reprimiu o riso por medo de desrespeitar o gosto alheio, afinal, eles deveriam ter algum motivo pra gostar de uma musica chamada “Reis da criação do carnaval”.

- Já que a gente vai tirar Dimmu, bem que poderíamos tirar The Serpentine Offering*², não? – Questionou SeokJin admirado ao ver YoonGi concordando.

- Depois do Puritanical Euphoric Misantrophia, In Sorte Diaboli*² foi o único álbum decente que os caras fizeram. Bora tirar The Serpentine mesmo. – Os queixos dos três colegas de banda quase foram ao chão, mas o Min ignorou, encarando o baterista que nunca tinha sequer ouvido falar daquela banda, mas que já sentia arrepios pelos nomes dos álbuns. – Coloca aí pra ver se o Jimin aguenta.

Em meio a troca de olhares que deixavam o novato ainda mais temeroso, Hoseok digitou o nome da tal musica pedida por Jin, logo se levantando e cedendo a cadeira ao novato, pedindo para que assistisse bem de perto por não ser uma musica nem um pouco fácil.

Logo depois da introdução da musica, feita por algo que Jimin deduziu ser um sintetizador por trazer um som semelhante ao de uma orquestra, mas elétrico demais para considerar de fato uma, começou o som de pedais duplos constantes e a velocidade com que o baterista do vídeo executava lhe deixou no mínimo assustado e automaticamente fez a sensação de desistência e incompetência lhe atingir, fazendo logo com que escorasse as costas na cadeira e sua boca abrisse em um “o” admirado.

- Difícil demais pra você, Jimin? – Perguntou Jungkook reprimindo o riso que lhe subia devido a cara embasbacada do rapaz que apenas assentiu com a cabeça sem tirar os olhos da tela.

- Espera então ate ver isso aqui! – Falou Hoseok ao fim do vídeo, logo puxando o teclado do computador para perto de si.

“Behemoth**² - Ov Fire And Void drum cover”

O vídeo que se abriu era preto e branco, o baterista que aparecia na tela era um rapaz careca com uma cara fechada que por si só já era amedrontador, e quando a musica começou, aquele cara passou a alternar batidas nos pratos de forma que o Park mal conseguia acompanhar e sua única vontade fora de chorar.

- Serio mesmo que vocês querem que eu toque isso? – Perguntou em um resmungo e o desespero fora maior ainda quando viu na tela o rapaz fazendo apenas com a mão direita, um blast que ele teria dificuldade de executar sequer com as duas mãos. – Isso é inumano! Não tem como um cara tirar isso sem ser um robô! – Disse olhando sobre os ombros para os três que estavam atrás dele.

- Mas você não é humano, Jimin! Você é um Deus, olha só pra isso! – Disse Jungkook alisando o braço exposto pela regata de Park que acabou petrificando sob o olhar quase pornográfico do vocalista, completamente constrangido.

- O fogo no cu do teu irmão ta foda hoje, heim Seokjin... Pelo amor de Odin, da um pau de borracha pra esse cara que nem o Park ta passando livre dessas cantadas imbecis. – Ralhou YoonGi torcendo o nariz enquanto o mais novo se voltava para ele, lhe mostrando a língua.

- Culpa de vocês! Se não tivessem feito merda ontem, eu mesmo tinha dado um jeito nisso!

- É uma puta mesmo... – Suspirou Hoseok sendo seguido de risadinhas dos outros dois mais velhos. – Tava todo atirado pro Taehyung ontem e agora ta se jogando pra cima do primo dele... Toma jeito, Jeon Jungkook! – Concluiu desferindo um tapa na nuca do rapaz.

- Eu não tava me atirando pra cima de ninguém, não! Que mania idiota você tem de achar que eu não posso conversar com alguém sem estar dando em cima! Larga a mão de ser otário! – Retrucou sem esconder a real e profunda irritação na voz e antes que uma briga se fizesse ali, SeokJin resolveu interromper.

- Falando em Taehyung, onde ele está? Por que ele não veio? Vai ter que trocar de Roadie se ele continuar faltando assim. – Disse em meio a risadinhas e logo o Park deu de ombros.

- Uns amigos da igreja dos pais dele foram almoçar na casa deles hoje e o Tae teve que ficar fazendo sala. Semana que vem ele vai vir junto de novo, foi só hoje o imprevisto mesmo. – Respondeu Jimin notando o desdem em Jungkook.

- Ele frequenta igreja? – A expressão de nojo deixou o baterista confuso, limitando-o a responder com um lento aceno afirmativo de cabeça, vendo que o mais novo revirava os olhos.

- Não vai começar com o mimimi trevoso de satã e blablabla não né, Jungkook? Eu realmente espero que você não seja escroto igual aqueles pastores que tentam fazer lavagem cerebral  nos outros pra converter à própria religião. Respeita o cara se você quiser respeito. – Rebateu Hoseok percebendo o olhar ressabiado de Jimin para com o Jeon, tentando frear o comportamento infantil sempre presente no rapaz quando o assunto se tornava “metafísico”.

Apesar de, para Jimin, a fuga daquele assunto ser algo bem confuso, para os outros três rapazes mais velhos, era algo quase óbvio. Necessário, diriam. Era como se houvesse um acordo interno sobre “Não falar de religião perto de Jungkook e NamJoon”, isso devido ao fato de: Falar sobre Religião com Jungkook era extremamente irritante porque ele realmente passava a agir como se o que ele acreditasse fosse uma verdade absoluta e sequer ouvia a opinião alheia, e com Namjoon, evitavam, apenas porque ele se tornava extremamente “filosófico” no sentido mais chato possível da palavra. O mais novo pregava um “anti-cristianismo” doentio e cego enquanto o baixista passava a discorrer sobre o quão vã era a mente humana por necessitar se prender a algo sobrenatural para justificar o bem e o mal e os caminhos que a fala do rosado tomavam eram algo tão maçante pros rapazes, que eles preferiam simplesmente não falar ou escuta-lo. Fazia-se silencio ou mudava-se de assunto sempre que este surgia, tudo com o intuito de evitar quaisquer desentendimentos ou só não quebrar o clima de diversão mesmo.

E ainda estavam dentro daquele ar de encaradas e ordens mudas de “Cale a boca por bem ou eu vou cala-la por mal” dos três mais velhos para com Jungkook quando o barulho nas escadas chamou a atenção de todos. Poucos segundos depois um Namjoon ofegante, suado e com a expressão cansada caminhava pela sala se jogando no sofá, suspirando pesadamente sem sequer se dar ao trabalho de cumprimentar os amigos.

- Boa tarde ao senhor sem educação! – Ralhou SeokJin, e só após um bom tempo o rosado teve coragem de lhe encarar e responder seu cumprimento.

- Me desculpem a demora. O movimento no posto tava enorme! Não sei o que têm acontecido por aqui pra ter aparecido tanta gente la justamente hoje, num domingo!

- Você sabe que poderia ter me ligado que eu iria te ajudar, né? – Mais uma vez a voz de SeokJin se fez irritada enquanto dava dois passos em direção ao baixista e lhe desferia tapas fracos pelo braço do rapaz que logo segurou seus pulsos e passou a encara-lo.

Jimin pode ver claramente quando os três rapazes que estavam ao seu lado rolaram os olhos nas orbitas em sinal de puro tédio, ouvindo Hoseok soltar um “começou a viadagem” em forma de sussurro num volume que só os quatro garotos em frente ao computador escutassem mas logo ouviu Namjoon lhes chamando a atenção de novo.

- Mas foi bom ter atrasado o fechamento do posto hoje! – Disse levantando-se do sofá e revirando os bolsos da bermuda jeans que usava. – Na hora que eu tava quase fechando a porta da conveniência, um cara que é dono de uma casa noturna apareceu la e pediu pra eu colar isso na vidraça. – Disse tirando um cartaz que fora porcamente dobrado de dentro do bolso, já esticando-o e alisando levemente o papel antes de erguer em frente ao tórax. – Vai rolar uma espécie de concurso de bandas. O cara que levou isso aqui no posto não explicou muita coisa, mas pelo que ta escrito, o premio é um contrato com um selo pequeno da cena underground. Eu realmente acho que a gente deveria participar. – O brilho no olhar de NamJoon era comovente para todos que estavam ali, menos pra um certo garoto baixinho de cabelos negros que, ao observar a data impressa no rodapé do cartaz, quase teve uma crise pânico.

- MAS ISSO É PRA DAQUI DUAS SEMANAS! – Gritou escandalosamente o baterista, recebendo um olhar torto de YoonGi enquanto Hoseok e Jungkook que estavam ao seu lado, tamparam os ouvidos torcendo o nariz pelo desconforto da voz aguda ampliada em varias oitavas.

- Isso significa que a gente tem que agilizar os ensaios e montar um playlist decente em tempo recorde! – Disse o rosado com um sorriso imenso, tomado de empolgação, fazendo suas covinhas nas suas bochechas aparecerem e arrancando um suspiro do Kim mais velho.

- Estamos correndo contra o tempo, ou seja, NADA DE SYMPHONIC! – Comemorou o mecânico erguendo a mão em direção ao céu, expondo um sorriso gengival que ia de orelha a orelha enquanto o vocalista soltava um muxoxo.

- E eles especificaram o tipo de playlist? Se pedirão algo em especial ou coisa assim? – Questionou o Jung, já tomando o lugar do Park em frente o computador, fechando o navegador e abrindo um arquivo de texto para anotar as ideias, enquanto os outros quatro rapazes que estavam de pé puxaram dois puffs pra perto do computador, sentando-se SeokJin e Namjoon em um, e Yoongi com Jimin no outro.

- Ele disse que podemos tocar alguns covers mais dentro do que curtimos tocar, mas é obrigatório pelo menos duas composições próprias e uma musica acústica. Algo como piano ou violão e voz. Cada banda terá o direito a trinta minutos no palco e será com base na performance geral que seremos avaliados. Desde as composições até o entrosamento dos membros, vocais, técnicas, toda essa frescura que eles avaliam sempre. – Respondeu o baixista ainda dentro da sua animação e logo observou Hoseok digitando no computador, aparentemente decidido sobre alguma canção e o fato de não ter consultado ninguém intrigou a todos.

- NÓS NÃO VAMOS TOCAR NENHUMA DAS DUAS! – Berrou Yoongi levantando-se e dando de dedo na cara do Jung. – Nenhum de vocês sabe fazer a acústica e eu não quero tocar essa. – Falou o Min com um certo desespero na voz, algo que deixou o baterista bem confuso.

“Composição própria – Napalm in the Mourning

Acústico – Man of Iron”

- Mas YoonGi, são realmente as duas melhores musicas que a gente tem como composição própria mesmo... – Disse Jungkook com um tom choroso, notando o loiro fazer um bico nos lábios. Era nessas horas que todo mundo se questionava como o baixinho conseguia ser tão fofo quanto era rabugento.

- Yoongi, vem comigo aqui rapidinho. – Chamou o guitarrista solo, levantando-se e rumando em direção ao estúdio.

Assim que os dois rapazes saíram, Namjoon bufou esfregando as mãos no rosto e logo em seguida encarando SeokJin.

- Se ele não aceitar, o que a gente faz? – Perguntou o baixista vendo o loiro dando de ombros.

- Escolhemos outras musicas, oras! Vocês têm quase um álbum todo composto só por vocês mesmos... Isso não é o fim do mundo não, Nam! – Respondeu tentando acalmar o rapaz, alisando o braço dele e lhe sorrindo de forma tranquila.

- Mas aquelas são as melhores musicas que a gente tem... – Ponderou Jungkook alternando o olhar entre o irmão e o “cunhado”, logo vendo SeokJin lhe dirigindo o mesmo olhar doce que dirigia ao rapaz de covinhas nas bochechas.

- Confiem no Hobi. Ele vai convencer o Yoongi! Acreditem nele!

Já no estúdio, o loiro sentou-se na cadeira em frente a mesa controladora de som, cruzando os braços em frente ao tórax, já sabendo perfeitamente bem o que ouviria.

- Eu não to preparado pra tocar elas Hobi... – Disse encarando o moreno que não demorou em sentar-se sobre suas pernas e enlaçar-lhe o pescoço.

- Ei! Não fala assim, Yoonnie! Você é o melhor guitarrista dessa cidade toda! Você consegue tocar o que quiser! – O mais novo tentava encorajar o mecânico com o olhar, lhe afagando os cabelos, enquanto via-o bufando.

- Não é nesse sentido que eu não to preparado! Hobi... – Chamou o moreno que lhe observou, atento a cada expressão daquela face pálida. – Eu não sei se conseguiria tocar uma musica que foi escrita pelo meu próprio pai com base em tudo o que ele cresceu ouvindo do meu avô! É pesado demais até pra mim! – O coração do solista se apertou quando notou os olhos do amigo marejando, mas não tinha a intenção de se render por isso.

- Então quero que você se lembre o que seu pai disse pra você no dia que te entregou aquela letra. Você se lembra, Yoonnie?

E era claro que o loiro lembrava. Nunca na sua vida passava um dia sequer sem pensar em como seu pai sonhava em lhe ver sobre um palco, em como a pressão do pedido “um dia, faça sucesso com essa musica” lhe atingia. YoonGi sabia perfeitamente a vontade de seu velho de vê-lo performando aquela criação que para qualquer um poderia ser apenas uma letra sobre guerra e seus impactos mesmo depois do fim, mas para o Min, aquilo era a sua historia, a da sua família. Não tinha como agir de forma apática quanto aquilo, mas também via a razão nos olhos do Jung. Ele estava certo ao lhe pedir para tocar aquela musica, principalmente dentro da oportunidade de começar a fazer sucesso com o possível premio que era o contrato com uma gravadora de verdade.

- Ok! Você venceu! Mas vamos tocar só Napalm in the Mourning! A acústica vocês escolhem uma com o Jungkook e toquem vocês dois. – Respondeu já tirando o Jung do seu colo e levantando-se, rumando à porta e sendo seguido pelo mais novo até a sala.

Quando se aproximaram dos outros quatro garotos, YoonGi pode reparar que mais musicas haviam sido adicionadas à lista que faziam no computador. Ouviu Namjoon e SeokJin argumentando sobre como seria de bom tom iniciarem a apresentação com Sad But True do Metallica pelo fato daquela musica ser praticamente um hino e também ser animada o suficiente pra “agitar a galera logo de cara”. A segunda musica na lista era Raining Blood do Slayer e ver tal canção no playlist arrancou um sorriso admirado do Min ao perguntar para Jimin se ele saberia tocar aquela musica e ouvir um “Já tirei ela durante a semana passada” como resposta. Com a justificativa de já tentar colocar os ouvintes em um Mood  mais calmo, um prelúdio pro acústico, a terceira musica escolhida fora Sold My Soul  do Zakk Wylde e dessa vez quem sorriu contente foi Hoseok pelo fato do guitarrista solo amar tal artista e por fim, havia uma linha em branco, indicando que aquela seria a hora em que deveriam tocar a tal musica acústica que ninguém arriscava mais teimar com o YoonGi sobre colocar algo dele cientes que Napalm In the Mourning na playlist já era uma aceitação e tanto por parte do loiro baixinho.

- Eu realmente não faço ideia do que a gente pode tocar acústico... YoonGi, tu não tem outra musica que dê pro Hobi e pro Jeon tocar? – Questionou Namjoon alternando o olhar entre os colegas de banda e assistiu o amigo acenando negativamente com a cabeça.

- Daria pra você ensinar Man Of Iron pra eles. Ela não é tão difícil assim, talvez fique bom na voz do Jungkook. – Ponderou SeokJin vendo YoonGi negando, alegando que ela destoaria completamente do restante do repertorio mas foi após aquela resposta que, como se a ideia do século tivesse lhe atingido, o guitarrista levantou sobressaltado, dando de dedo na cara do vocalista.

- NÃO SE FAÇA MAIS DE SONSO QUE VOCÊ TEM UMA ACUSTICA GRAVADA SIM, IMBECIL! – Todos encararam o Min com uma grande interrogação pairando sobre as feições antes de ele logo esclarecer. – O Jungkook tem uma acústica que ele compôs faz um tempo já! Como que é o nome? Heal? Hell? River? – Falava confuso, procurando o nome da canção na cabeça até ouvir um murmúrio vindo do mais novo, repetindo tal palavra em um berro. – HURT! É HURT O NOME DA MUSICA! – Logo as expressões dos outros rapazes se suavizaram. Hoseok se lembrou vagamente de ter ouvido o garoto comentado sobre ter gravado aquela musica com Seokjin.

- Pior que Hurt é muito boa, Jungkook. O Hobi pode aprender ela fácil, fácil! Eu voto por Hurt! – Disse o irmão mais velho, entusiasmado, sendo seguido por YoonGi e por Namjoon, observando Hoseok e o Jeon apreensivos.  

- Mas Jin, eu nunca sequer ouvi a musica! Eu sei que vocês dois gravaram ela aqui, mas nunca fui atrás de ver se saberia ela ou não. – Respondeu o Jung cabisbaixo, receoso sobre conseguir ou não executar a canção.

- Eu tenho ela no cartão de memória do celular. Depois eu te mostro. – respondeu o vocalista, já voltando-se para o computador e digitando o nome da musica no arquivo de texto, colocando-a na quarta posição, sendo seguida de Cemetery Gates do Pantera na quinta, e pra encerrar, a musica de YoonGi em ultima. “Para dar sorte”, diziam os garotos.

Com a tal Playlist já pronta, SeokJin, Namjoon, Yoongi e Jungkook desceram ao primeiro andar da mecânica para montar os equipamentos para começarem os ensaios. Hoseok e Jimin ficaram em frente ao computador para que o mais novo pudesse ver vídeos das musicas que fariam cover, no entanto a preocupação do garoto não estava naquelas quatro musicas que já conhecia e sim na composição de autoria da família Min. Percebendo que o baterista estava ansioso demais quanto àquela canção, o guitarrista chamou-o ao estúdio onde cada um sentou-se em uma das cadeiras giratórias confortáveis que ficavam em frente à mesa de som, abriu o notebook do estúdio e enquanto a maquina ligava, outra vez Jimin se sentiu tenso.

Ao observar o moreno concentrado na atividade de tirar o pó da mesa e dos equipamentos usando a palma da mão, vez ou outra reclamando do desleixo do anfitrião, o Park se controlava para não lembrar o tempo todo da imagem daquele rapaz seminu após seu banho do dia anterior, não pensar na expressão que seu rosto tinha ao ser engolido pelo amigo e menos ainda pensar nisso tudo dentro da percepção de que estavam a sós naquela sala a prova de som. Foi automático sentir as bochechas esquentando, dando-lhe a ciência de que estava ficando vermelho e sendo outra vez coberto pela confusão de sensações estranhas que lhe atingiam quando pensava sobre o que deveria sentir ao ver dois caras se tocando como vira Yoongi e Hoseok fazendo, mas era inevitável. Como qualquer outro sentimento genuíno, aquele da curiosidade lhe vinha de forma tão natural quanto qualquer outro e era aí que a gama de “auto-maldições” voltava ainda mais forte. Não deveria ficar pensando naquilo, não deveria ficar imaginando como deveria ser sentir o que Hoseok sentira no dia anterior, e menos ainda deveria ficar imaginando como YoonGi fazia para arrancar gemidos tão deleitosos como os que o Jung soltava.

Ali de pertinho, quando olhava a tez bronzeada do colega de banda, notando as marcas de chupões em seu pescoço – marcas essas que tinha certeza não existirem no dia anterior – sua imaginação arrebentava as rédeas e viajava há mil por entre as milhares de possibilidades de respostas para tais hematomas, mas por fim, sabia que elas tinham nome e sobrenome, cabelo loiro, cara rabugenta e pele pálida. A confusão que já lhe era grande ficara imensa ao sentir algo entre raiva e ciúme. Não conseguia discernir se era ciúme de YoonGi, que podia sanar todas as suas duvidas sobre como seria tocar o Jung ou se era ciúme de Hoseok, que com certeza tinha toda a liberdade do mundo de apreciar a delicadeza contrastante do corpo magro do Min. Se pudesse se socar até a morte sem ser notado pelo moreno ao seu lado, Jimin o faria apenas para ver se seu cérebro parava de lhe maltratar, parava de criar situações que nunca aconteceriam e parava de lamentar justamente por isso. Ao fixar os olhos no rosto perfeitamente bem desenhado daquele rapaz ao seu lado, o Park já não sabia depois daqueles minutos se conseguiria lhe encarar após de ter pensado tanta coisa sobre ele, se conseguiria se olhar no espelho de novo ou o que faria caso algum dia outro ser vivo alem de si mesmo sequer imaginasse o que se passava na sua mente confusa sobre aquelas sensações novas de curiosidade acerca de ser tocado por um cara.

O pobre do baterista mal sabia que já estava sendo perfeitamente lido dentro das suas reações pelo olhar atento do guitarrista que observava através da tela escura do notebook cada uma das mordidas que Jimin dava no próprio lábio inferior, cada um dos apertões que suas unhas curtas faziam em suas coxas, cada um dos suspiros contidos, das mordidas na parte interna da bochecha, cada uma das gotículas de suor que começavam a dar brilho para sua testa. Hoseok se questionava com certo divertimento se tudo aquilo era causado pela própria presença, ou se era apenas pela tal canção do Min, e pensando em tirar sua duvida, o Jung decidiu que iria testa-lo, e assim, “esbarrou” na caneta que estava sobre a mesa, derrubando-a no chão entre as pernas do baterista e não se apressou nem um pouco em captura-la.

O Park assistia petrificado quando Hoseok apoiou a canhota em sua coxa direita, apertando mais do que julgava necessário, curvando-se para frente e praticamente se debruçando sobre seu colo, com o rosto próximo demais do zíper da sua bermuda, logo deslizando de forma acidental a mão direita pela sua panturrilha que estava a mostra, e capturando a tal caneta que o mais novo mal tinha percebido que havia caído ali.

Olhando de cima para baixo, Jimin sentia todos os seus músculos contraídos pela tensão causada pela proximidade excessiva do guitarrista, pela lentidão com que o rapaz executava seu ato de recuperar o objeto, e quando o ar já estava rarefeito demais para si, percebeu-o se levantando ainda mais devagar, mantendo o rosto próximo demais do seu corpo e praticamente deslizando o nariz por seu tronco até estacionar em seu pescoço e quando a respiração do Jung encontrou com a sua pele flamejante, um arrepio lhe cortou de fora a fora.

- Adorei seu perfume, Jiminie. Poderia me dizer qual é?

A voz que chegou aos ouvidos do baixinho lhe parecera tão agradável naquele timbre rouco, quase sussurrado, que o rapaz demorou alguns segundos para processar uma resposta, engolindo em seco o nó que se fazia em sua garganta, tentando se acalmar para não gaguejar na hora de responder, e quando por fim conseguiu balbuciar o nome da fragrância, assistiu ainda mais tenso o meio sorriso, malicioso demais, que bordava a face do Jung.

- Use-o sempre! Combina perfeitamente com o cheiro natural da sua pele. – Retrucou o guitarrista, dando uma ultima tragada no pescoço do Park, deixando evidente dessa vez o arrepio na pele do mais novo, que estava visivelmente ouriçada àquela altura.

Para Hoseok, sua ultima duvida fora sanada ali. Se em algum momento desconfiava que talvez Jimin não fosse tão “heterossexual” quanto achava, naquele instante já não pensava mais de tal forma apenas por observá-lo com os olhos fechados com força e a respiração difícil só pela sua proximidade. Na cabeça do Jung, se o Park não fosse sequer curioso quanto ao assunto, lhe afastaria de imediato, lhe repreenderia, agiria de qualquer forma que não fosse aquela maneira tímida de não lhe encarar. O arrepio presente na sua derme só lhe servia de comprovação de que o rapaz não repugnava de um todo a proximidade em que estavam e todas as suas ideias só se amplificavam ainda mais quando lembrava que o baterista sabia perfeitamente bem o que YoonGi havia ido fazer em seu quarto após seu banho no dia anterior, perfeitamente ciente de que sua aproximação ali, poderia ter um duplo sentido e todos esses pensamentos fizeram o Jung se encher de vontade de testar ainda mais o baixinho, provoca-lo, ver até onde iria o autocontrole dele antes de se render a sua já obvia curiosidade.

Hoseok sabia que não deveria, mas queria muito beijar o Park ali. Sabia que isso poderia render problemas para a banda, que talvez YoonGi não ficasse nada feliz se soubesse das suas ideias apesar do trato de nunca se prenderem um ao outro, e tudo o que poderia acontecer entre ele e Jimin, no fim das contas, poderia resultar em grandes problemas, mas observar aquele lábio carnudo preso entre os dentes do mais novo só o deixavam ainda mais quente por dentro, desejoso, cheio de vontade de aproveitar que som nenhum seria ouvido do lado de fora do estúdio e lhe agarrar ali mesmo, contudo se conteve, afinal, ainda precisava “medi-lo” mais. Tudo o que tinha eram uma serie de pequenos indícios unidos ao seu próprio desejo pelo baterista de corpo visivelmente musculoso e forte, nada que o desse certeza de avançar um passo a frente em segurança.

Após provocar mais um pouco Jimin através de olhares nada castos contra ele e outros pequenos gestos dúbios, finalmente Hoseok voltou sua atenção ao computador, indo à pasta de musicas já gravadas e procurando por aquela que queria. Outra vez o Jung achou uma forma de toca-lo quando posicionou pessoalmente o fone de ouvido robusto em sua cabeça, aproveitando-se da oportunidade para deslizar suas mãos pelo pescoço e posteriormente pelos ombros do rapaz, massageando com força os músculos do trapézio dele.

- Você tá muito tenso, Jiminie! Relaxe! Ela não é tão difícil assim. – Falou fazendo questão de umedecer os lábios com a ponta da língua, percebendo o olhar do rapaz estacionado ali.

Novamente a tensão cobriu a atmosfera entre os garotos. Por um tempo desnecessariamente longo, Hoseok manteve suas mãos sobre os ombros de Jimin, apertando os músculos de forma lenta, porem firme, enquanto o baterista não tirava os olhos da boca do Jung, hipnotizado pelo seu desenho perfeito e por uma pintinha que o maior tinha no canto direito do lábio superior. Dessa vez, por sequer um segundo o Park se reprimiu. Todo o tempo que ficaram naquela bolha que havia se formado entre eles, Jimin já se imaginava beijando aquela boca, mordendo ele mesmo aqueles lábios. Já não pensava no que o Min sentia quando o fazia, já não se recriminava por Hoseok ser um homem, era apenas o desejo de beijá-lo e a distancia, a cada segundo menor, que os separavam e quando o mais novo já estava quase criando coragem para puxar o guitarrista a fim de conhecer o que era beijar um cara, a maldita porta do estúdio se abriu, e essa foi a vez do mais velho amaldiçoar Min YoonGi por não ter consertado aquela maldita fechadura.

- O Namjoon perguntou se falta muito aí porque as coisas já estão todas montadas, só falta vocês descerem. – Falou Jungkook rapidamente, logo saindo novamente do estúdio, fazendo com que, pelo susto que havia tomado, Jimin passasse a respirar rápido, descompassado, arregalando os olhos ao notar o que quase havia feito.

- Passa a musica pro meu celular, eu escuto lá embaixo. – Disse o mais novo, retirando o aparelho do bolso da bermuda de forma afobada, arrancando um risinho soprado do Jung.

Logo o maior plugou o aparelho ao cabo do notebook, aguardou que um dispositivo reconhecesse o outro e imediatamente transferiu o arquivo de formato MP3 para o telefone, apressando-se em desconectá-lo e logo devolvê-lo ao seu dono, sendo assistido por um Jimin pensativo demais, mas ignorou tal fato. Já havia abusado demais da timidez do baixinho e àquela altura, já achava que sabia o suficiente sobre ele.

Logo os dois rapazes se uniram aos demais ao redor da bateria do Park. Repassaram os covers varias vezes até que julgassem que haviam se sincronizado bem, que todos estivessem executando cada uma das canções com perfeição, e após mais de duas horas tocando somente aquelas quatro musicas, Jimin já conseguia tira-la da bateria sem sequer olhar para onde estava batendo com as baquetas.

Já passava das 17 horas quando o cansaço por aquelas duas horas ininterruptas tocando começou a atingir a musculatura deles e foi unânime a decisão de fazerem uma pausa. YoonGi e Namjoon conversavam sobre qual afinação ficaria melhor para combinarem suas bases ao solo de Hoseok em Cemetery Gates enquanto acendiam seus cigarros e esperavam SeokJin abrir as garrafas de cerveja que havia pego no freezer. O Jung e Jeon conversavam sobre a canção acústica, e Jimin aproveitou o descanso que havia ganhado para pegar seus fones de dentro da mochila e ouvir a musica que fora composta pelo Min.

Ao dar play no arquivo, o Park teve que pegar o celular em mãos novamente para olhar se havia mesmo colocado a musica passada por Hoseok para tocar. O barulho de hélices de avião ou helicóptero começava a canção e logo uma frase era declamada pela voz de um homem que parecia ser velho e cansado reverberava em seus ouvidos.

“I Love the Smell of Napalm in the Mourning…

It’s smells like…

Victory”

Jimin pausou a musica e depois reexecutou mais três vezes para ter certeza de que ouvira certo o que ela dizia, lhe parecendo totalmente incoerente aquele poema ter sido escrito por YoonGi, principalmente depois de saber sobre a historia do seu avô e do passado da família dele.

“Esse moleque deve ser um louco ou alguma espécie de masoquista por cutucar as próprias feridas assim”

Um suspiro aliviado lhe fugiu dos pulmões quando finalmente a musica começara de fato. As notas eram bem marcadas, guitarras em cavalgadas davam um peso que Jimin amara desde o começo e não lhe era exigido muito em termos de pedais. Após a segunda vez ouvindo aquela musica, já via momentos em que poderia explorar melhor o uso dos pratos, vez ou outra pensava sobre como ficaria fazer as “viradas” nos tons e surdos e não nos discos metálicos e já na quarta execução da canção em seu fone de ouvido, adorava como ela lhe soava como um todo, mas ainda pensava que poderia melhorá-la.

Sem sequer esperar os demais retornarem das suas pausas, Jimin capturou suas baquetas, deu play mais uma vez no arquivo de áudio em seu celular e quando a guitarra começou a soar nos fones, passou a acompanhar em seu instrumento. O rapaz não parou para ver o que os outros faziam, não se dignou a levantar o olhar sobre seus tons, apenas se concentrou em tocar o que ouvia e alterar o que lhe apetecia, executando a musica como melhor achava e quando finalmente terminou, voltando ao “mundo real” foi que notara todos os rapazes lhe observando atentamente.

- É por essas e outras que eu sempre vou dizer que o cargo de baterista nunca poderia ser meu. – Disse SeokJin empurrando levemente o ombro de Namjoon que mantinha os olhos sutilmente arregalados e a boca aberta, olhando para Jimin.

- Nem vem que você tinha gravado ela muito bem! Acontece que o Jimin é melhor, só isso! – Ralhou Jungkook se escondendo atrás de Hoseok para evitar o tapa certeiro que o mais velho lhe daria.

A passos lentos, YoonGi se aproximou de Jimin. Sua face, ao contrario dos demais, não trazia expressão alguma, não demonstrava admiração ou qualquer outra emoção, e o olhar fixo sobre o moreno deixava-o apreensivo, receoso. O Park sabia da importância que aquela musica tinha para o mais velho, ao prestar atenção na letra percebia perfeitamente a historia das raízes do Min contada ali e tudo isso o deixava ainda mais temeroso, sem coragem alguma para encara-lo e foi em um susto que sentiu as mãos geladas do rapaz tocando sua orelha, retirando seus fones de ouvido e puxando o cabo até fazer seu celular balançar como um pendulo em frente aos olhos. O medo de ver o aparelho se espatifando no chão fez com que o Park travasse como estava, assistindo YoonGi manuseá-lo descuidadamente até finalmente erguer o olhar para si, e após alguns instantes,  expressar algo em sua face.

- Gostei da pró-atividade! Eu fiquei em duvida por um bom tempo sobre você estar mesmo tocando essa musica porque sabia que era muito diferente a forma como você estava tocando da forma como SeokJin gravou ela pra nós. – O guitarrista falava dessa vez sustentando o mesmo olhar admirado que os demais amigos e logo devolveu o aparelho. – Vamos tocar ela agora. Você faz como achar melhor e depois vemos se as suas mudanças encaixaram certinho nos tempos corretos. – Disse já voltando para o seu lugar e recolocando a guitarra no ombro.

Quando todos já estavam reposicionados em seus lugares, Hoseok trocou um ultimo olhar com YoonGi, aguardando um sinal de que deveria começar e após ver seu aceno afirmativo, passou a dedilhar a introdução da musica, sendo seguido de imediato por Jimin e pelos demais. Ao contrario das outras musicas em que optaram por toca-las por completo e conversar sobre ajustes ao final de cada execução, com aquela em especifico, optaram por parar e recomeçar do zero cada vez que algum deles errava. Primeiro fora Jungkook que tivera dificuldade em encontrar um tom de vocal que se adequasse perfeitamente a canção sem que forçasse muito sua garganta e ainda assim soasse bom. Logo os ajustes e sugestões se dirigiam a Namjoon que era acostumado a musicas mais rápidas e demorou algumas vezes até conseguir se adequar e toca-la de forma que fosse mais lenta porem mais “pesada”, mais bem marcada, e por ultimo, foi a vez de Jimin ter que parar e recomeçar varias vezes até acertar um ritmo que fosse bom o suficiente, elaborado e forte o bastante para que finalmente, após mais de uma hora em meio a paradas e ajustes, a musica passasse a soar perfeita para os seis rapazes ali.

Foi com um alivio imenso que o Park levantou-se do seu banco improvisado, vendo na tela do celular que já passava das 20 horas, estalando as costas e resmungando baixinho sobre não aguentar mais tocar nada e vendo todas as suas lamurias espelhadas nos colegas. Já encaminhando-se em direção ao freezer, Jimin perguntou o que os rapazes fariam agora que o ensaio havia sido oficialmente terminado e surpreendeu-se quando assistiu Namjoon desmontando suas coisas.

- O que vocês vão fazer, eu não sei. Eu tenho que abrir o posto cedo amanhã então to indo pra casa. Só quero tomar um banho quente, comer alguma coisa e dormir! Essa semana promete! – Resmungou com o cansaço evidente na voz, causando certo estranhamento no novato que podia jurar que rolaria alguma festa ou coisa parecida ali.

- Eu também vou pra casa. Amanhã tenho estagio de novo, quarta-feira começa a semana de provas e já vou avisando que talvez eu não venha no sábado, ta? Vai ter uma espécie de simulado pra selecionar alunos pro cursinho pré-vestibular que a faculdade vai ofertar e como conta hora extracurricular, eu vou ajudar. – Respondeu Hoseok também desmontando os cabos e enrolando-os no antebraço, fazendo as entranhas de Jimin se revirarem pelo descuido do rapaz com o seu equipamento.

- Eu e o Jungkook também temos aula amanhã então também vamos pra casa. Vai querer uma carona, Jimin? – Questionou o mais velho e antes que pudesse responder, o Park viu o anfitrião se intrometendo na conversa.

- Não, não! Pode deixar que eu levo o Jimin. Tem que desmontar a bateria dele ainda, além do fato de que não caberia as coisas dele no seu carro. Pode ficar tranquilo que eu levo ele.

Jimin pode observar quando Hoseok encarou YoonGi pelo canto do olho, um ar ressabiado, talvez até julgador por parte do moreno, mas preferiu nem questionar nada. Logo se colocaram todos na atividade de desmontarem os equipamentos e carregarem nos carros do baixista e do irmão do vocalista e quando questionados sobre o equipamento do Jung, o rapaz disse para guardarem no deposito, pois ele havia vindo de moto e voltaria no dia seguinte para buscá-los.

Menos de meia hora depois o guitarrista já havia partido e foi com estranheza que Jimin notou SeokJin entregando as chaves do seu carro ao irmão alegando que iria buscar algumas apostilas que haviam ficado no posto de combustível do outro Kim e logo se dirigindo ao banco do passageiro do carro do rosado. Jungkook ainda questionou aos berros se ele iria dormir em casa e o que deveria falar para seus pais, mas resposta alguma veio, apenas se fez o som dos pedriscos do estacionamento sendo remexidos pelos pneus do carro de Namjoon e segundos depois, o automóvel prata pegava a marginal em direção ao posto de combustível, deixando um Jeon bufando frustrado pra trás, murmurando que estaria ferrado pra se explicar sobre a ausência do irmão e partindo logo em seguida.

O caminho de volta até onde os equipamentos restantes estavam se fez em completo silencio. Antes que o mais novo sequer tivesse chance de pedir ajuda para desmontar a bateria, YoonGi disse que iria tomar um banho rápido para leva-lo em casa, logo abandonando Jimin sozinho em sua atividade de desparafusar seus pratos e pedais, guardando-os em suas respectivas cases e ao terminar tudo, desmontou os tambores e guardou-os juntamente ao equipamento de Hoseok no deposito onde os havia pego.

Por conta do silencio absoluto que fazia na mecânica, Jimin conseguia ouvir o barulho do chuveiro ligado no andar superior. Chegou a rir internamente sobre o “banho rápido” que o guitarrista disse que tomaria, mas que na verdade estava sendo bem demorado, e por conta do tédio oriundo da espera, optou por aguarda-lo na sala do segundo pavimento, jogando-se preguiçosamente no sofá e tentando relaxar um pouco sua musculatura cansada.

Enquanto repousava, a mente de Jimin novamente ganhou asas. De olhos fechados, respirando tranquilamente, o moreno se lembrou dos instantes que passara no estúdio em companhia de Hoseok e imediatamente sentiu suas bochechas esquentando novamente. No entanto, algo estranho lhe revirava a cabeça. Ao pensar que quase havia beijado o Jung, dessa vez não sentia arrependimento ou qualquer sentimento ruim, salvo uma pequena raiva do Jeon por ter interrompido. Passou a pensar sobre como os lábios dele eram bonitos, sobre como deveriam ser macios e a vontade que sentira de o beijar naquela hora, parecia muito maior ali naquele momento. Ainda estava pensando no guitarrista quando sentiu sua perna sendo chutada, se assustando com o impacto, quase caindo do sofá, e quando corrigiu sua postura e abriu os olhos, sua mente viajou mais uma vez, agora acompanhada pela visão.

YoonGi trazia um meio sorriso no rosto, dos cabelos molhados escorria água pelo pescoço e clavículas, descendo pelo abdômen nu e terminando na toalha pequena que estava enrolada em seu quadril. As mãos estavam pousadas na cintura e a fenda da toalha deixava a coxa magra e branquinha a mostra e toda aquela imagem fez Jimin salivar exatamente da mesma forma que havia acontecido no dia anterior.

O Moreno nunca saberia dizer com exatidão quanto tempo perdera na apreciação de tal imagem, mas fez questão de guardar na memória cada desenho da barriga pálida delicadamente definida, a textura macia que a pele do loiro aparentava ter juntamente ao tom extremamente branco e até os hematomas que salpicavam seu pescoço, seus ombros e parte do peito.

Tais desenhos atiçavam sua curiosidade ainda mais, lhe enchiam de vontade de fazer o mesmo, de realçar cada um daqueles chupões, fortalecer cada uma daquelas marcas de dentes. O desejo de Jimin ao observar YoonGi seminu a sua frente, com toda aquela aura de delicadeza que já sabia contrastar enormemente com a sua personalidade ácida, era de mandar um “foda-se” bem mandado para o fato de serem dois homens e o marcar inteiro, lhe morder até que ele pedisse para parar, fazer aquela umidade, agora parca, que ainda escorria pela sua pele só se ampliar ainda mais em conjunto com o suor, e já estava quase se levantando e indo em direção ao mais velho quando notou-o dando passos lentos em direção a porta que ficava atrás de si, lhe encarando com o lábio inferior preso entre os dentes, e fora por muito pouco que não foi atrás do rapaz para sanar todas as vontades que tinha ali.

- Não durma! Vou só me vestir e já te levo em casa. – Disse o Min já entrando no quarto e fechando a porta atrás de si.

Uma lufada de ar forte fugiu das narinas do moreno, fazendo-o em um momento de autoconsciência se reprimir por ter observado demais o anfitrião, provavelmente deixando visível parte dos pensamentos impudicos que lhe rodaram a mente, e ao olhar para a porta fechada a sua frente, se reprimiu em dobro por se lembrar mais uma vez que havia visto YoonGi e Hoseok se tocando no interior daquele cômodo.

Seu mente passou a girar sobre como estava sendo duplamente errado dentro de seus pensamentos quanto aos dois amigos. Já achava errado o suficiente estar sentindo o que sentia por eles só pelo fato de serem dois homens, e agora junto a isso, ainda havia a ciência de que eles tinham algo entre si. Quando já pensava ser uma espécie de abominação por estar desejando beijar dois caras, se via como se fosse alguma espécie de vilã de novela mexicana, a clássica personagem que aparece na história só para estragar o amor de um casal e por mais que fosse cômica tal comparação, não podia negar o fundo de verdade presente nela.

No entanto, passou a ponderar sobre outra ideia que lhe ocorrera. Ele poderia estar errado por estar desejando beijar os dois amigos, mas não podia negar que de santos, Hoseok e YoonGi não tinham absolutamente nada. O relembrar a cena do estúdio, lhe veio a memória de que as investidas não haviam começado da sua parte, e sim da parte do Jung, lhe cheirando o pescoço e depois lhe tocando, mantendo aquele olhar que já julgava como obsceno por si só, e tão isento de inocência era Hoseok tanto quanto o Min, que também fora o inicializador daquela tensão que se fazia sempre que estavam perto. Fora o loiro que praticamente se jogara para cima de si na tarde do dia anterior naquele puff que agora jazia largado de qualquer jeito próximo a mesa de computador. Fora o loiro que se insinuara dizendo que se soubesse que era Jimin que o aguardava terminar seu boquete em Hoseok, teria chamado-o para entrar, assim como era o maldito guitarrista-base que aparecera seminu na sua frente, lhe olhando de forma maliciosa e mordendo os lábios fininhos e rosados com o nítido intento de lhe testar.

Jimin chegou rir por alguns segundos sobre como chegava ser engraçada a forma desprendida e promíscua com que os dois rapazes agiam, se questionava se eles sabiam das atitudes um do outro ou se já imaginavam que sua “falta de contato sexual por tempo prolongado” estava afetando seu juízo a ponto de fazê-lo pensar coisas que não deveria. Foi bem fácil para o Park naqueles segundos em que ficara sozinho ali naquela sala, decidir que ainda durante aquela semana iria varrer sua lista de contatos de ponta a ponta, atirar cantadas em todos os contatos femininos que tivesse em seu telefone, com o intuito de reencontrar algum antigo caso seu para “tirar o atraso” e assim, colocar a cabeça no lugar.

Quando finalmente YoonGi voltou, trajando uma bermuda fina e uma regata larga, o Park optou por sequer olhá-lo. Que o Min e Hoseok se resolvessem entre eles, pensava. Queria era chegar em casa logo e se livrar daqueles pensamentos todos que lhe atingiam de segundo em segundo e não demorou em descer as escadas metálicas, já capturando suas cases e pedindo para o anfitrião sobre em que carro iriam.

O Loiro mostrou uma das caminhonetes antigas, enrolou a lona da carroceria do utilitário dizendo para o baterista guardar suas coisas ali e logo dirigiu-se a boleia do veiculo, aguardando o moreno fazer o trabalho todo sozinho.

Ao concluir sua atividade de guardar todas as suas coisas, checar os bolsos algumas vezes para ter certeza de que não havia esquecido de nada e olhar a sua volta para ver se faltava algo, finalmente o novato criou coragem para entrar no carro grande de YoonGi, sentando-se o mais perto possível da porta e logo puxando o cinto de segurança, afivelando-o com certa afobação que tinha origem em seu nervosismo natural causado pela proximidade do Min, e logo percebeu-o rindo fraco e manobrando o carro dentro da mecânica, saindo do barracão e logo acionando um botão em um controle que estava preso no painel da caminhonete para em seguida assistir os portões imensos do prédio se fechando.

Logo pegaram a rodovia e durante todo o percurso, Jimin sentia vontade de conversar, falar algo que não fosse só as direções para a sua morada, quebrar aquele silencio que lhe parecia muito desconfortável, mas ao olhar para o motorista e notar a expressão relaxada em sua face, pensava que talvez todo o incomodo que sentia fosse apenas seu, e por fim, optava novamente pelo silencio, até que após quase trinta minutos, percebeu-o estacionando em frente a sua casa.

- Está entregue! – Disse YoonGi puxando o freio de mão do carro e apoiando o braço esquerdo sobre o volante, esticando o pescoço para alem da visão bloqueada por Jimin e observando o casarão a sua frente. – Espera! Você conhece a JiHoon? Tem uma JiHoon que mora aqui, não tem? – A pergunta congelou o Park e encheu-o de estranheza.

- Ela é minha irmã... – Respondeu o garoto encarando o Min, a cabeça rodando em duvidas e logo viu o rapaz rindo soprado.

- Sabia que ela e o Jin estudam juntos? Já tive que dar carona pra ele até aqui umas três ou quatro vezes. – O moreno assentiu e murmurou sobre saber por alto de tal informação e logo viu o mais velho rindo novamente. – Alias, ela te odeia, viu?! Vivia falando mal do “irmão mais novo pentelho e folgado” pro coleguinha da faculdade. – Explicou fazendo aspas com os dedos e assistiu quando o queixo de Jimin caiu, expressando incredulidade com o que ouvia.

- Eu não sou pentelho! E nem folgado! – Disse indignado e logo sentiu seu corpo todo travando quando a mão gelada do motorista estacionou sobre a sua coxa.

- Eu acho que sei que você não é nada disso. Não posso dizer com certeza por te conhecer ha pouco, mas adoraria conhecer mais...

Ao levantar os olhos para o rosto do loiro, novamente Jimin sentiu seu sangue congelar nas veias. Os olhos pouco abertos, o sorriso de canto, jocoso, cheio de malicia, faziam o moreno titubear sobre ficar ali e ver até onde o mais velho iria ou sair correndo do carro como sua consciência o recriminaria por não ter o feito mais tarde. Queria sim fugir, mas àquela altura, a parte que queria fugir era muito menor do que a que queria ficar e saber até onde o Min iria, o que ele queria com aquele tipo de conversa e não demorou nada para o motorista, naturalmente impaciente desde pequeno, agir por impulso como sempre fazia.

O fato era que YoonGi se sentia atraído pelos braços fortes e pelo corpo definido de Jimin desde a primeira vez que pôs os olhos nele. O jeito todo tímido do rapaz, a maneira como ele sempre suprimia porcamente seus risinhos, o modo como suas bochechas avermelhavam facilmente, tudo, absolutamente tudo em Jimin exalava uma fofura e uma mistura insana de fragilidade e delicadeza com pornografia que faziam YoonGi querer arrancar sua roupa toda o tempo todo e lhe foder onde quer que estivesse.

Quando Jungkook voltou do estúdio no meio da tarde, dizendo que Jimin e Hoseok estavam quase se beijando la, o guitarrista gostaria profundamente de ter sentido ciúme do Jung, de ter pensado consigo que seu desconforto fosse oriundo da ciência de que o cara com quem transava estava tentando transar com outro cara, mas foi batendo na própria cara que se tocou que não, que seu desconforto não era por Hoseok exclusivamente. Naquele momento tinha clareza perfeita de que sua raiva era por conta de Jimin. Daquele moreno de coxas grossas que estava sendo conquistado por outro cara e não por si mesmo, e imediatamente a personalidade extremamente competitiva de YoonGi falou mais alto, fazendo-o ter como objetivo, tomar o Park para si antes do Jung o fazer.

E foi com todas essas ideias – que posteriormente julgaria sem sentido – que a coragem lhe subiu e antes que pudesse ver Jimin fugindo, lhe segurou pela gola da regata, enrolando os dedos no tecido fino e o puxando rápido e com força contra sua boca.

Foi automático de Jimin arregalar os olhos com o susto causado pela ação impensada, mas seu susto se intensificou ainda mais quando, segundos depois, sentiu uma mordiscada em seu lábio inferior, causando-lhe um arrepio fortíssimo e só então tomando ciência do que acontecia. Por uma fração de segundos sua mente relutou sobre empurrar o baixinho atrevido ou lhe corresponder, porém, não podia negar o quanto almejava sanar sua curiosidade e ali estava a oportunidade esfregada em sua cara.

YoonGi já estava preparado para tomar um empurrão e um belo tapa no meio do rosto quando fora a sua vez de se surpreender. Já estava quase desistindo do beijo quando sentiu as mãos do Park pousando sobre seus ombros de maneira desajeitada, até desconfortável diria, e percebeu finalmente os lábios de Jimin se entreabrindo em um convite mudo para que transformasse aquele selinho cheio de dentes em um beijo de verdade e sendo assim, não tardou em aproveitar a oportunidade.

E pelos céu, como faria para viver depois daquilo, o moreno se perguntava. Se só o simples toque da boca de YoonGi já o havia descompassado, a dança sensual em que suas línguas se meteram era ainda melhor do que sequer poderia imaginar. Em todos os seus anos como beijoqueiro oficial de todas as garotas da escola, Jimin havia adorado vários daqueles beijinhos calmos, cálidos e delicados, mas nada se comparava ao frisson que lhe subia as entranhas quando percebia o vigor com que os lábios do Min tomavam os seus em leves sucções, pequenas mordiscadinha,s e foi quase em pânico que se tocara o quanto a mão dele – ainda pousada em sua coxa – subia curiosamente por dentro do tecido da sua bermuda, travando-se na metade do percurso apenas porque o tecido justo impedia mais avanços, apertando sua carne com firmeza e o pior daquilo tudo: Era muito bom.

Antes que tivesse algum problema em frear o loiro ou simplesmente pelo medo de ser flagrado por alguém enquanto beijava um homem em frente de casa, Jimin não demorou-se em empurrar o Min para longe de si com certa delicadeza, ainda meio relutante em separar um contato físico tão delicioso quanto aquele, e foi com as bochechas queimando que percebeu-o rindo de lado novamente, com aquele maldito sorriso malicioso no rosto. Sentindo finalmente a vergonha lhe atingir, desceu da caminhonete, apressou-se ao máximo para desafivelas as primeiras correias que prendiam a lona da carroceria, logo pegando sua mochila, jogando sobre os ombros e capturando suas bags de dentro do utilitário, fechando as correias em seguida para logo bater na porta do caroneiro murmurando um boa noite apressado, e correndo pra dentro de casa, tudo evitando ao máximo olhar para YoonGi, apenas porque tinha certeza que encontraria aquele maldito olhar sedutor e julgador ao mesmo tempo, lhe encarando.

Quando finalmente Jimin se viu trancado em seu quarto, com o coração acelerado e a respiração ofegante demais, o desespero finalmente lhe atingiu.

A constatação de que havia de fato beijado um homem chegava a lhe deixar tonto, sem saber o que fazer ou o que pensar, apenas sentia. Sentia o formigamento gostoso que dançava pela pele sensível dos seus lábios, o calor que vinha de uma palma fria e lhe subia do joelho até as entranhas, o tremor ridiculamente gostoso que lhe envolvia inteiro só de pensar no quão gostoso fora a firmeza daquele beijo, firmeza essa que nunca havia sentido antes.

Havia beijado um homem e o pior de tudo isso era que havia gostado, havia sido o melhor beijo que já dera em toda a sua vida e tentar dormir naquela noite com todos esses pensamentos lhe infligindo a mente parecia ser uma tarefa além do impossível.


Notas Finais


* Drum cover – São videos de covers onde toca-se apenas a bateria.
** Symphonic – É uma abreviatura de Symphonic Black Metal, dentro do contexto da fic.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Black_metal_sinf%C3%B4nico
***Sindrome de Old School: Conforme citado nas notas do cap3, Old School é como se refere a fase do metal mais proeminente dos anos 80, a “síndrome” seria uma referencia aos fãs que se prendem à essa fase, geralmente renegando qualquer coisa posterior a ela.
****Dimmu Borgir (AKA MEUS NENE): https://pt.wikipedia.org/wiki/Dimmu_Borgir
***** Kings Of the carnival creation: Essa musica é tão filha da puta de difícil de tirar que não tem drum cover decente dela no youtube, então na playlist eu coloquei uma versão de estúdio só do áudio mesmo.
*² Puritanical Euphoric Misantrophia e In Sorte Diaboli = São dois álbuns do Dimmu Borgir, sendo o ultimo o que contem a musica The Serpentine Offering.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Puritanical_Euphoric_Misanthropia
https://pt.wikipedia.org/wiki/In_Sorte_Diaboli
PS: Eu discordo deles na fic pq eu AMO DEATH CULT ARMAGEDDON Mas o YoonGi é um bitolado de merda, então a gente releva KLSJDFHSALKJDHFLKAJDHSFLKAFDSHAK
**² Behemoth: https://pt.wikipedia.org/wiki/Behemoth_(banda)
PS2: A video que consta na playlist é o exato vídeo que o JM viu. O blast que assusta ele, é o que acontece aos 0:18sec do vídeo.

As demais musicas citadas no capitulo e que não constam acima, estão na playlist <3
https://www.youtube.com/playlist?list=PLq5McRfwTofmDnCTpHZ-hAXYuUmoRLFLr
JA VOU AVISANDO: AS COMPOSIÇÕES PROPRIAS, OBVIAMENTE, NÃO SÃO DELES (a va!) Só pra deixar claro <3

Eu realmente não quero comentar sobre o beijo YoonMin, comentem vcs KSDJFASDFALDSFKADFALFDA
Gentem, então, como vcs sabem vai rolar show dos mozões e quero panfletar o projeto mais lindo do mundi, o projeto do White Ocean.
Quem for no show da uma lida, pensem em como os meninos ficarao felizes de verem isso <3
esse Fc explica tudo certinho : https://twitter.com/FeatureBae
Gente, eu nem sei como agradecer todo o amor e carinho que vcs tem demonstrado por aqui, vcs são uns amores e quero realmente dizer que sou grata por cada virgula de afeto! EU AMO VCSS CARAIO!!!
Enfim, sigam a tia Ash no twt pra gente fazer uns amor virtual e tals <3
https://twitter.com/Ashmedhai
Por hoje fico por aqui e até semana que vem <3


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