História Quando A Noite Chega - Capítulo 42


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Aventura, Boys Love, Comedia, Fantasia, Horror, Mistério, Originais, Romance, Sobrenatural, Terror, Yaoi, Yuri
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Palavras 1.628
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Canibalismo, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Pansexualidade, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


MDS, QUE SONO. JESUS ME LEVA LOGO, NÃO AGUENTO MAIS FICAR GRIPADO.

Capítulo 42 - O apartamento do Demônio


Capitulo 26

Eu não conseguia ver o teto. Ao meu redor, tudo parecia acontecer em câmera lenta. O barco navegava tranquilamente pelo rio. Era como dançar usando fones de ouvido, em meio a guerra.

Do meu lado direito demônios torturavam pessoas as fazendo andar, sendo que o chão estava coberto de cacos de vidro. Eles tinham dois metros de altura, a pele era esticada, os ossos se destacavam naquele corpo precário e esquelético. Eles não tinham pálpebras, não tinham cabelo, e não tinham lábios. Seus dentes e gengivas estavam expostos, seus olhos nunca se fechavam.  A íris dos olhos deles eram claras e muito maiores que o normal. Seus braços eram longos e suas mãos terminavam em garras pontiagudas. Eles eram meio curvados e ficavam abrindo e fechando a boca, batendo os dentes. Quando um deles se virou na minha direção e me encarou, com aqueles olhos que não piscavam, nunca piscavam, eu senti o meu estomago se embrulhar. Tentei pensar em algo feliz, como um longo banho ou comida, mas o medo que eu senti com aquele contato visual me fez perder a fome (o que só aumentou o meu desespero).

Por algum motivo eu não consegui desviar meus olhos e fiquei encarando aquela criatura, que, para a minha surpresa (não de um jeito bom), se curvou ainda olhando para mim. Os cantos da sua boca exposta de curvaram para cima. Ele estava sorrindo para mim.

-Lúcifer, posso vomitar no rio?

Perguntei, sem saber se eu estava gritando ou não. Felizmente, eu era um ótimo leitor de lábios (risos). Lúcifer respondeu “melhor não, as almas já são depressivas, elas não precisam de um você vomitando nelas”.

Olhei discretamente para o rio e meu estomago aprendeu a dançar break dance de uma forma fantástica.

O rio era feito de almas. Espíritos que pareciam apenas contornos, pálidos e de expressões contorcidas eles seguiam o fluxo de acordo com a correnteza. Suas bocas estavam escancaradas e eles pareciam gritar. Felizmente os fones de ouvido abafavam qualquer tipo de som e amem Lady GaGa. Naquele momento, envolvido entre rios feitos de almas e demônios que definiam a palavra “feio” em um ser, tocava o álbum “Joanne”.

Eu estava apertado no canto final do barco, sentado com o ombro encostando em Taylor (o garoto se encolhia tanto que parecia que ia se encolher a ponto de formar um pequeno buraco negro). E, no começo do barco, estava Lúcifer e Yuki. Lúcifer estava deitado, olhando para cima. Yuki foi obrigado a se deitar ao lado dele e Lúcifer estava com o braço passado pelo pescoço de Yuki.

Infeliz, Yuki olhava para o teto. Eu vi quando ele sussurrou “Jesus eu estou pronto, me leva, por favor”. Lúcifer riu e disse, olhando para o lado “Ele não pode te ouvir aqui”. Mais uma vez, nenhuma luz sobrenatural apareceu, o que fez Yuki soltar um choramingo e o sorriso de Lúcifer aumentou.

O barco começou a ir para a esquerda. Havia uma enorme campo, com vários setores diferentes, com pessoas sendo torturadas de diferentes maneiras e com demônios de todos os tipos (nenhum bonito).

Pensar em “bonito” me deu um aperto no coração. Eu me perguntei onde estaria Hayato e me senti sozinho. Meio exposto na verdade, como se todos os olhos se virassem para mim. Normalmente eu não me importaria com isso, eu amava ser o centro das atenções, mas desta vez me senti exposto demais. Foi muito desconfortável.

 A atmosfera no inferno não era exatamente de festa. Era de sofrimento, dor. Um sentimento tão forte que chegava a sufocar. Era como ser esmagado lentamente pelo abraço de uma cobra.

Quando mais eu olhava para o horizonte mais ele parecia mudar, se abrir ao meu olhar.

Havia montanhas ao longe, o céu no horizonte era um degrade de vermelho-sangue e laranja escuro, havia raios e trovões e havia pessoas em estados desumanos. Elas continuavam a se retorcer, gritar, implorar, sofrer. Para sempre e sempre.

Taylor me deu um peteleco na testa. Olhei para ele, não tinha percebido que o barco tinha parado. O barqueiro caveira, com seu manto preto, estava na ponta oposta a minha do barco, parado como uma estátua. Eu não conseguia ver seu rosto por causa do capuz, mas suas mãos esqueléticas estavam visíveis.

Lúcifer saia do barco, puxando Yuki. Sai do barco cambaleando levemente, sentindo um enjoo repentino. Taylor saiu silenciosamente, olhando em volta. Os fones pareciam absurdamente grandes nele.

Lúcifer fez um gesto com a mão, indicando que deveríamos segui-lo. Dei uma olhada para trás, e observei o barco indo embora.

Olhei para a frente e bati de cara em algo. Com um grunhido nada legal eu acabei caindo de bunda no chão. Vi os ombros de Lúcifer se mexendo, ele estava rindo da minha cara. Na minha frente tinha uma estrutura com rodas pretas grandes e largas, com uma carruagem preta e prata, cheia de detalhes. Me levantei encarando a carruagem. Na frente havia dois cavalos, na verdade esqueletos de cavalos.

Fiquei boquiaberto. A porta se abriu com velocidade, me acertando no rosto. E pela segunda vez em menos de dois minutos eu cai no chão.

Eu queria fazer um protesto aqui sobre esse assunto, então, desviaremos da historia por um segundo.

POR QUE EU, DE UM GRUPO COM 4 PESSOAS, POR QUE ENTRE QUATRO PESSOAS, EU TENHO QUE SER AQUELE QUE BATE COM A CARA? SERÁ QUE ESSE POVO NÃO PERCEBE QUE A MINHA CARA É PRECIOSA DEMAIS PARA ISSO? SERÁ QUE ELES NÃO PARAM PRA PENSAR NO MEU BEM ESTAR??

Ok, acabou o protesto. Continuando.

Lúcifer entrou na carruagem, ainda rindo da minha cara e arrastando Yuki. Taylor passou  na minha frente e eu fui o ultimo a entrar. A porta se fechou e Lúcifer fez um gesto indicando que poderíamos tirar os fones. A carruagem começou a andar.

-Pra que esses fones mesmo?

Perguntei, enquanto massageava meu nariz.

-Os gritos poderiam fazer vocês enlouquecerem.

-Parece uma ideia quase atraente vendo a situação atual.

Murmurou Yuki.

-Estamos indo para a minha parte do inferno-Informou Lúcifer- Tanto lá quanto esta carruagem tem isolamento acústico de primeira, então, não precisarão usar os fones.

-Sua parte do inferno? –Perguntei- Você não é o dono do Inferno?

-Vou explicar isso assim que chegarmos lá, o que não vai demorar muito- Ele ficou uns segundos quieto antes de falar- E o Inferno é um lugar traiçoeiro, Naru. Se eu fosse você não iria demorar olhando para o horizonte. Quanto mais você encara mais ele te mostra.

-Você fala como se o inferno fosse alguém, não um lugar.

Falei. Lúcifer me deu um olhar estranhamente misterioso, quase frio.

-O Inferno é algo vivo, Naru. Ele respira, ele vê, ele sente. É como uma besta velha e imortal, que se esconde nas trevas e se alimenta do sofrimento. Como eu disse, aqui é um lugar traiçoeiro.

Ele deu língua ao nada, sem razão aparente. Parecia que tinha provado algo ruim.

Ficamos em silencio por uns minutos. Até que a carruagem começou a desacelerar, até que parou. Lúcifer sorriu.

-Bem vindos a Ala Demoníaca.

Disse ele, enquanto a porta abria.

Galera. Aqui era um completo novo nível de solidão. Era como se o Will Smith em “Eu sou a Lenda” fosse Otaku e Geek. E viciado em blusas com frases irônicas.

 Havia várias lojas cheias de produtos e apartamentos. Todos vazios, sem ninguém vivo dentro (nem mesmo demônios). Lojas famosas como Hot Topics, Starbucks, Wal-Mart entre muitas outras lojas com produtos de anime e locadoras de filmes.

-Isso é solidão em um nível realmente preocupante. Mas tem umas lojinhas aqui de anime bem 10/10.

Falei. Lúcifer fez um biquinho de birra.

-Primeiramente, eu sou sozinho, ok? Aqui no inferno tem muita gente talentosa, mas nenhuma que se interessa pelos humanos do jeito que eu me interesso.

-Como eles se interessam pela gente?

Perguntou Yuki, olhando distraído para uma loja em particular.

-Ah, sabe, eles se interessam na dor humana. E como vocês sobrevivem a algumas situações. Adoram infligir dor em vocês. Física e mental.

Yuki sorriu, com uma expressão desconfortável.

-Ah, ta.

-Vamos pro meu apartamento.

Havia um prédio velho ao lado do Wal-Mart, era lá que Lúcifer morava. Em um apartamento verde-escuro, que tinha uma escada de incêndio de metal na lateral.

Ele abriu a porta, que não estava trancada e não tinha porque estar trancada, e nos levou até o elevador. Enquanto subíamos tocava “What is Love?”. Nos encaramos com olhares que expressavam a forma mais pura de “gente, o que está acontecendo?”. Lúcifer balançou os ombros, dançando discretamente enquanto a música tocava. Yuki sussurrou “queria estar morto”.

Me olhei no espelho do elevador.

-JESUS CRISTO, OLHA PRA MIM, QUE HORROR!

Meu cabelo estava bagunçado, a cor rosa claro estava clara demais (o que deixava meu rosto pálido demais), minha roupa estava amaçada, eu tinha olheiras e minhas boca estava pálida, completamente sem cor.

Dei um choramingo.

-Que horror! O apocalipse está acabando comigo- Dei outro choramingo- Vou processar vocês!

-Vocês quem?

Perguntou Lúcifer.

-O Inferno, O Céu, qualquer um que tenha causado essa porcaria de Apocalipse, olha o que vocês estão fazendo comigo!!

Yuki se olhou no espelho e fez cara de nojo. Lúcifer encostou a cabeça no ombro dele.

-Que cara é essa? Você é lindinho.

-Eu não estava olhando pra mim, estava olhando para você.

Respondeu ele. Lúcifer o olhou por um instante e abriu um sorriso safado.

-Estava olhando pra mim, hein?

E deu uma risadinha. Yuki parecia bem tentado a se matar com a primeira coisa que visse. A porta se abriu direto para o apartamento de Lúcifer. Bloqueando a entrada tinha uma cabeira.

Lentamente a cadeira se virou, e lá estava Hayato. Com um gato branco no colo.

-Olá, Lúcifer. Parece que nos encontramos de novo.



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