História Quando ela se foi (Camren) - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Camila Cabello, Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camren
Visualizações 42
Palavras 3.124
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Ficção, Policial, Romance e Novela, Violência, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Vamos fingir que hoje ainda é ontem ♡

Capítulo 5 - CAPÍTULO 5


Lauren Jauregui esperava por mim no lobby do hotel. Ela me abraçou, mas não muito forte. Seu corpo se apoiou no meu, mas suavemente, nada parecido com aqueles abraços em que uma desaba sobre a outra. Ambas fomos comedidas nesse nosso primeiro encontro depois de oito anos. Apesar disso, enquanto nos abraçávamos, fechei os olhos e tive a impressão de sentir outra vez aquele cheirinho de manteiga de cacau.

Meu pensamento voou para a ilha no Caribe ou, mais especificamente, verdade seja dita, para o sexo avassalador que fizemos lá: aqueles apertões e unhadas que nos fazem entender de um modo nada sadomasoquista como a dor – a dor metafísica – e o prazer não só se misturam como também se alimentam mutuamente. Nenhuma de nós estava interessada em palavras, sentimentos, mãos dadas, gestos falsos, nem mesmo em abraços. Tudo isso parecia açucarado demais. Era como se qualquer carinho pudesse explodir a frágil bolha que temporariamente nos protegia.

Lauren soltou o abraço. Continuava sendo uma mulher extraordinariamente linda. Exibia algumas marcas do tempo, mas, no caso de certas mulheres – talvez a maioria delas, nesta era de beleza artificial –, envelhecer um pouco só as favorece.

– Então, o que foi que houve? – perguntei.

– É essa a frase que você preparou para me dizer depois de tantos anos?- Apenas dei de ombros. – A minha foi muito melhor: “Venha para Paris”.

– Estou tentando conter meu charme – falei por fim. – Pelo menos até descobrir qual é o problema.

– Você deve estar exausta.

– Não, tudo bem.

– Reservei um quarto para nós duas. Um conjugado. Caso a gente queira dormir separada.

Não falei nada.

– Nossa... – disse Lauren com um sorriso. – Como é bom ver você!

Eu me sentia da mesma forma. Talvez nunca tivesse sido amor o que havia entre nós, mas o sentimento estava lá, forte, sincero e especial. Ally dissera que não ficaríamos juntas para sempre. No caso de Lauren, bem, provavelmente não ficaríamos juntas todos os dias, mas havia algo que nos unia, algo difícil de definir, um sentimento que podíamos deixar em uma gaveta durante anos sem nunca duvidar de que ele continuaria lá.

Talvez as coisas devessem mesmo ser assim.

– Você sabia que eu viria – falei.

– É, sabia. E você também saberia se tivesse me chamado.

De fato.

– Você está linda.

– Venha – disse Lauren. – Vamos comer alguma coisa.

O recepcionista pegou minha bagagem e furtivamente correu os olhos pelo corpo de Lauren, admirando-a antes de lançar na minha direção aquele sorrisinho de “se deu bem”.

(...)

A Rue Dauphine é bastante estreita. Uma van branca havia parado em fila dupla ao lado de um táxi, ocupando quase toda a rua. O taxista berrava algo que me parecia obscenidades, mas que também poderia ser apenas um modo particularmente agressivo de pedir informações. Dobramos à direita. Eram nove da manhã. As ruas de Nova York já estariam fervilhando a essa hora, mas muitos parisienses aparentemente ainda estavam na cama. Alcançamos o Sena na altura da Pont Neuf. Ao longe, à nossa direita, viam-se as torres da catedral de Notre Dame.

Lauren foi seguindo o rio naquela direção, passando pelas bancas verdes famosas pelo comércio de livros antigos mas que pareciam mais interessadas em vender suvenires e quinquilharias a turistas desavisados. Na margem oposta, assomava uma enorme fortaleza com uma belíssima mansarda.

Já próximo da catedral, falei:

– Você ficaria envergonhada se eu improvisasse uma corcunda, arrastasse a perna esquerda e gritasse “Santuário!”?

– As pessoas iam achar que você é uma turista – disse Lauren.

– Verdade. Talvez eu devesse comprar uma boina com meu nome bordado na frente.

– Aí, sim, você passaria batida.

O jeito de andar de Lauren ainda era um arraso: cabeça erguida, ombros jogados para trás, postura perfeita. Mais um ponto em comum entre as mulheres da minha vida: todas caminham com confiança. Acho sexy quando a mulher chega a um lugar como se fosse dona dele, uma fera farejando as presas em seu próprio território.

Paramos em um bistrô com mesinhas externas em Saint Michel. O céu ainda estava cinzento, mas o sol lutava para se impor. Lauren sentou-se e por um bom tempo ficou apenas analisando meu rosto.

– Tem alguma coisa no meu dente? – perguntei.

Ela riu e disse:

– Nossa! Como senti sua falta!

As palavras ficaram ali, pairando no ar. Talvez ela quisesse de fato dizer aquilo, talvez estivesse apenas sendo influenciada pela cidade. Paris é assim. Muito já foi escrito sobre seus encantos e tudo é a mais pura verdade, claro. Cada prédio é uma pequena maravilha arquitetônica, um deleite para os olhos. Paris é como uma mulher que sabe que é linda, gosta de ser e, portanto, não precisa fingir nada. É maravilhosa e ponto final. Mais que isso: Paris faz a pessoa se sentir – não há palavra mais adequada – viva. Ou melhor, faz com que deseje se sentir viva. Em Paris, se quer fazer, saborear, ser. A gente quer sentir, apenas sentir, seja lá o que for. Todas as sensações se ampliam. Paris dá vontade de chorar e rir e amar e escrever um poema e fazer amor e compor uma sinfonia.

Olhei para seus olhos brilhantes e pude perceber que eu também senti falta dela. Aquele tipo de saudade que você não sabe que é saudade até encontrar a pessoa. Quando você olha para ela, tudo se encaixa dentro do peito, ou, no meu caso, tudo se torna uma bagunça na mente.

Lauren esticou o braço sobre a mesa e segurou minha mão.

– Você podia ter ligado – falei. – Nem que fosse para dizer que estava bem.

– Eu sei.

– Continuo no mesmo lugar. Meu escritório ainda é na Park Avenue. Ainda divido um apartamento com Win no edifício Dakota.

– E comprou a casa dos seus pais em Livingston – acrescentou ela.

Não era uma frase a troco de nada. Lauren sabia da casa. Sabia do meu relacionamento com Ally. Queria deixar claro que vinha acompanhando minha vida.

– Você sumiu de uma hora para outra – falei.

– Eu sei.

– Tentei encontrá-la.

– Eu sei.

– Dá para parar de ficar repetindo “eu sei”?

– Tudo bem.

– Então, o que foi que aconteceu?

Ela puxou o braço de volta e olhou para o Sena. Um jovem casal passou por nós discutindo em francês. A garota parecia furiosa. A certa altura, pegou uma latinha amassada e arremessou contra a cabeça do rapaz.

– Você não entenderia – disse ela.

– Isso é pior do que “eu sei”.

Quanta tristeza naquele sorriso que ela abriu...

– Eu estava ferida demais. Teria arrastado você para o fundo do poço comigo. Gosto de você o bastante para não querer que isso acontecesse.

Eu entendia – e, ao mesmo tempo, não entendia – o que ela estava dizendo.

– Não quero ofendê-la, mas isso me parece uma grande bobagem, um excesso de racionalização.

– Mas não é.

– Então, por onde você andou?

– Por aí, escondida.

– Escondida do quê?

Ela apenas balançou a cabeça.

– E por que fui convocada agora? – falei. – Não vá dizer que estava com saudade.

– Não é isso. Quer dizer, senti saudade, sim. Você nem imagina quanto. Mas tem razão, não foi por isso que chamei você.

– Então, por quê?

Um garçom de avental preto e camisa branca surgiu à mesa. Lauren usou seu francês fluente para fazer nosso pedido. Não falo uma palavra sequer em francês, portanto ela poderia ter pedido qualquer coisa. Uma sopa de parafusos, sei lá.

– Recebi um telefonema na semana passada – prosseguiu Lauren. – Do meu ex-marido - Eu nem sabia que ela havia sido casada. – Fazia nove anos que eu não falava com Rick.

– Nove anos – repeti. – Pouco antes de a gente se conhecer. - Ela olhou para mim. – Eu sei, sou fera em matemática. Esse é um dos meus vários talentos. Mas não sou de me gabar.

– Você fez as contas para saber se Rick e eu ainda estávamos casados quando fugimos para o Caribe – disse ela.

– Não é bem isso.

– Você é tão... Pudica.

– Não, não sou – retruquei, novamente pensando no sexo avassalador que tínhamos feito naquela ilha.

– Verdade. Não é.

– Mais um dos meus talentos. Modéstia à parte.

– Ótimo. Mas pode ficar tranquila: Rick e eu já não estávamos juntos quando a gente se conheceu.

– O que ele queria, afinal?

– Falou que estava em Paris. Pediu que eu viesse com urgência.

– Para Paris?

– Não, para o parque de diversões de Nova Jersey! Claro que era para Paris!

Ela fechou os olhos. Fiquei esperando.

– Desculpe. Eu me excedi.

– Bobagem. Gosto do seu pavio curto. Que mais ele falou?

– Pediu que eu ficasse no D’Aubusson.

– E?

– E só.

Eu me ajeitei na cadeira.

– Isso foi tudo o que ele disse? – falei.– “Oi, Lauren, aqui é o Rick, seu ex- marido com quem você não fala há quase uma década. Venha para Paris imediatamente e se hospede no D’Aubusson. Ah, é urgente”.

– Mais ou menos isso.

– E você nem perguntou o motivo de tanta urgência?

– Você está se fazendo de boba de propósito? Claro que perguntei.

– E?

– Ele não quis falar. Disse que precisava me ver pessoalmente.

– E você simplesmente largou tudo o que estava fazendo?

– É.

– Depois de tantos anos você... Espere aí! Você não disse que estava se escondendo?

– Disse.

– E estava se escondendo do Rick também?

– Estava me escondendo de todo mundo.

– Onde?

– Em Angola.

Angola? Deixei este assunto para depois.

– E como foi que o Rick a encontrou?

O garçom voltou com duas xícaras de café e sanduíches que lembravam mistos-quentes abertos.

– São chamados de “croque monsieur” – disse Lauren.

Misto-quente aberto com nome metido a besta.

– Rick trabalhava comigo na CNN – continuou ela. – Talvez seja um dos repórteres investigativos mais competentes do mundo, mas detesta ir ao ar, gosta é de trabalhar nos bastidores. Deve ter seguido pistas para me encontrar, sei lá.

Lauren estava mais pálida agora, claro, do que naqueles dias ensolarados do Caribe. Os olhos verdes brilhavam menos, mas ainda se via o aro dourado em torno das pupilas. Sempre preferi as loiras, mas seu cabelo escuro havia me conquistado.

– Tudo bem – disse. – Continue.

– Então fiz o que ele pediu. Cheguei aqui faz quatro dias. E ainda não tive nenhuma notícia de Rick.

– Não ligou para ele?

– Não tenho o número. Rick foi bastante específico. Falou que entraria em contato comigo assim que eu chegasse. Mas, até agora, nada.

– Então foi por isso que você me chamou?

– Foi – respondeu ela. – Você é boa em encontrar pessoas.

– Se sou tão boa assim, por que não consegui encontrar você?

– Porque não se esforçou o bastante.

O que talvez fosse verdade.

Ela se inclinou para a frente.

– Quando foi com você...

– Eu sei.

Lauren não precisava dizer mais nada. Ela havia me ajudado a salvar alguém que era muito importante para mim. Não teria conseguido sem ela.

– Você nem tem certeza de que seu ex-marido desapareceu – argumentei.

Lauren não disse nada.

– Ele poderia só estar querendo se vingar. Talvez ache isso engraçado. Ou, quem sabe, o que quer que tenha acontecido não fosse tão importante assim. Ou ele simplesmente mudou de ideia.

Ela apenas continuou olhando para mim.

– E, mesmo que ele tenha desaparecido, não sei como posso ser útil. Em casa, sim, eu poderia fazer alguma coisa. Mas estamos em outro país. Não falo uma palavra em francês. Win não está aqui para me ajudar. Nem Esperanza, nem Big Cyndi.

– Mas eu estou aqui. E falo francês.

Olhei para ela. Lágrimas começavam a brotar em seus olhos. Eu já a tinha visto arrasada, mas nunca naquele estado. Balancei a cabeça e disse:

– O que você está escondendo de mim?

Lauren fechou os olhos. Esperei.

– A voz dele... – disse ela afinal.

– O que tem a voz dele?

– Rick e eu começamos a namorar no primeiro ano da faculdade. Ficamos casados por 10 anos. Trabalhávamos juntos quase todo dia.

– Certo.

– Sei tudo a respeito dele, conheço todas as emoções, entende?

– Acho que sim.

– Já estivemos juntos em diversas zonas de guerra. Descobrimos câmaras de tortura no Oriente Médio. Em Serra Leoa, vimos coisas que ser humano nenhum deveria ver. Rick sabia separar as coisas. Sempre mantinha a calma, conseguia conter as emoções. Detestava o drama que os noticiários de TV geralmente fazem. Já ouvi a voz dele em todo tipo de circunstância.

Lauren fechou os olhos novamente.

– Mas nunca desse jeito.

Estendi a mão sobre a mesa, mas ela não a segurou.

– Que jeito? – perguntei.

– Havia um tremor que eu nunca tinha ouvido antes. Achei que... que talvez ele estivesse chorando. Rick parecia aterrorizado. Um homem que até então eu nunca tinha visto sequer passar perto do medo. Falou que eu devia me preparar.

– Preparar para quê?

Com os olhos já inteiramente marejados, Lauren uniu as mãos como se fosse rezar e baixou a cabeça.

– Ele falou que iria me contar algo que mudaria minha vida para sempre.

Recostei-me na cadeira, preocupada.

– Foi essa a expressão que ele usou? Mudar sua vida para sempre?

– Foi.

Lauren também não tinha nenhuma inclinação para o drama. Fiquei sem saber o que fazer.

– Então, onde o Rick mora? – perguntei.

– Não sei.

– É possível que seja em Paris?

– É.

– Você sabe se ele casou de novo?

– Não, não sei. Como eu disse antes, faz anos que não falamos um com o outro.

Não ia ser fácil.

– Ele ainda trabalha para a CNN?

– Acho difícil.

– Talvez você pudesse me passar uma lista de amigos e parentes, só como ponto de partida.

– Tudo bem.

As mãos tremiam quando ela levou a xícara de café à boca.

– Laur?

Ela manteve a xícara diante dos lábios, como se fosse um escudo.

– O que seu ex-marido poderia contar de tão sério a ponto de mudar sua vida para sempre?

Lauren desviou o olhar.

Ônibus vermelhos de dois andares, apinhados de turistas, circulavam à margem do Sena. Quase todos estampavam na lateral o anúncio de uma loja de departamentos: uma mulher muito bonita usando uma réplica da torre Eiffel na cabeça, o que resultava em uma imagem ridícula. A torre parecia pesada e a ponto de cair, presa somente por uma fita. O pescoço de cisne, inclinado para o lado, dava a impressão de que se partiria a qualquer instante. Quem teria sido o gênio a escolher uma imagem dessas para um anúncio de moda? O tráfego de pedestres se intensificava. A garota que arremessara uma latinha contra o namorado agora estava aos beijos com ele. Ah, os franceses... Um guarda de trânsito gesticulava para que uma van branca liberasse o caminho.

Virei-me para Lauren, à espera de uma resposta. Ela pousou a xícara e disse:

– Não faço a menor ideia.

Mas percebi algo diferente na voz dela. Se estivéssemos jogando pôquer, eu desconfiaria de um blefe. Lauren não estava mentindo, disso eu tinha certeza. Mas também não estava dizendo toda a verdade.

– E não há nenhuma chance de que Rick esteja apenas querendo se vingar de alguma coisa?

– Não, não há.

Ela se calou, desviou o olhar e tentou se recompor. Eu sabia que era hora de colocar o dedo na ferida.

– O que aconteceu com você, Lauren?

Ela sabia o que eu queria dizer. Não ousou olhar diretamente nos meus olhos, só tentou dar um sorriso.

– Você também nunca disse nada –falou.

– Era nossa regra implícita naquela ilha.

– É verdade – concordou ela.

– Mas não estamos mais na ilha.

Silêncio.

Ela tinha razão. Eu também não havia contado o motivo do meu desespero, o que me levara até aquela ilha no Caribe. Talvez fosse melhor eu dar o primeiro passo.

– Cabia a mim proteger alguém – falei. – Mas meti os pés pelas mãos. Ela morreu por minha causa. E, para piorar as coisas, reagi muito mal à história toda.

Violência, pensei novamente. O eco que não para de reverberar.

– Você disse “ela” – observou Lauren. – Era uma mulher que você devia proteger?

– Era.

– Você visitou o túmulo dela. Agora eu me lembro.

Permaneci calada.

Agora era a vez de Lauren. Recostei-me na cadeira, esperando que ela se sentisse pronta para falar. Lembrei-me do que Win tinha dito sobre o segredo dela, que era algo muito grave. Fiquei aflita. Meus olhos dardejavam de um lado para outro e foi então que algo chamou minha atenção.

A van branca.

Depois de um tempo, a pessoa se acostuma a viver dessa maneira. Sempre alerta. A gente olha ao redor e, quando identifica certos padrões, fica com a pulga atrás da orelha. Era a terceira vez que eu via a mesma van. Ou pelo menos parecia ser a mesma van. Ela estava perto do hotel quando Lauren e eu saímos. E, na última vez que a vira, ela estava bloqueando o caminho e um guarda de trânsito sinalizava para que seguisse em frente. No entanto, ela continuava no mesmo lugar.

Voltei os olhos para Lauren, que, percebendo a expressão em meu rosto, perguntou:

– Que foi?

– Acho que aquela van está nos seguindo.

Não precisei acrescentar nada do tipo “não olhe agora”. Lauren era esperta o suficiente.

– O que devemos fazer? – disse ela.

Refleti um instante. O quebra-cabeça começava a se encaixar. Rezei para que estivesse enganada. De repente achei que toda aquela história poderia chegar ao fim em poucos segundos. Rick, o ex-marido de Lauren, estava à nossa espreita na tal van. Era só ir até lá, abrir a porta e arrancar o sujeito do veículo. Levantei-me da mesa e olhei diretamente para a janela do motorista. Se minha hipótese estivesse correta, não havia por que esperar. O sol refletia no vidro, mas ainda assim era possível vislumbrar um rosto com a barba por fazer e, mais especificamente, um palito. Era Lefebvre, o agente do aeroporto. Ele não tentou se esconder. Abriu a porta e saiu. Jane, a agente mais velha, estava no banco do passageiro e também desceu. Endireitou os óculos e abriu um sorriso amarelo, como se estivesse se desculpando.

Fiquei me sentindo uma idiota. Eles estavam à paisana no aeroporto. Eu devia ter desconfiado. Agentes da imigração não trabalham sem uniforme. E aquelas perguntas irrelevantes só podiam ser um artifício para ganharem tempo.

Tanto Lefebvre quanto Jane levaram a mão ao bolso. Pensei que fossem sacar armas, mas ambos retiraram braçadeiras vermelhas da polícia e as prenderam no braço. Olhando para a esquerda, vi policiais uniformizados caminhando na nossa direção. Permaneci imóvel, as mãos caídas ao lado do corpo de modo que ficassem completamente visíveis.

Não fazia a menor ideia do que estava acontecendo, mas não era hora para movimentos bruscos. Mantive os olhos fixos em Jane, que se aproximou da nossa mesa, olhou para Lauren e, dirigindo-se a nós duas, falou:

– Por favor, venham conosco.

– O que está acontecendo? – perguntei.

– Conversaremos sobre isso na central.

– Estamos sendo presas?

– Não.

– Então não vamos a lugar nenhum antes de sabermos do que se trata.

Jane sorriu e olhou para Lefebvre, que, sem deixar o palito cair, sorriu de volta.

– Que foi? – perguntei.

– Acha que está nos Estados Unidos, Sra. Cabello?

– Não, mas acho que estou em uma democracia moderna, com certos direitos inalienáveis. Ou será que estou enganada?

– Aqui não preciso de uma acusação formal para detê-las. Na verdade, posso prendê-las por 48 horas por mero capricho.

Jane se aproximou um pouco mais, ajeitou mais uma vez os óculos e secou as mãos na lateral das calças.

– Portanto, repito: podem fazer a gentileza de nos acompanhar?

– Com o maior prazer – falei.


Notas Finais


Nem deixaram nossas garotas aproveitarem o D’Aubusson :(

Me digam o que estão achando ♡


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